Eu considero digno de pena o neopagão, o bruxo e o wiccano que defende a atitude do Politicamente Correto, postulando arbitrariamente que: “A Wicca não é confrontar ou combater o Cristianismo. Refutar essa crença ou esse legado histórico não é ‘nosso’ propósito, nem deveria ser o propósito de qualquer religião. Uma religião, qualquer religião versa sobre crença, não a negação da crença de outros”. Esse tipo de atitude é temerária, pois se supõe que ao ‘mostrar respeito’ aos Cristãos esses necessariamente vão nos dar respeito. Considerando que a cada dia aumentam os casos de fanatismo, fundamentalismo e intolerância, deixar de refletir ou responder aos discursos difamatórios e caluniadores é o mesmo que concordar com a violência causada devido ou por causa desses discursos. Eu sou um neopagão, não uma avestruz.
Eu encontrei um texto, com um argumento e algumas perguntas feitas por um cristão que devem ser respondidas por neopagãos, bruxos e wiccanos simplesmente porque se nos calarmos estaremos dando razão à perseguição, ao preconceito e à intolerância.
Argumento e perguntas:
Uma forma de apontar os defeitos da posição dos neopagãos está em mostrar que a Europa e áreas ao redor foram completamente convertida ao Cristianismo que não restou liturgia pagã alguma. As divindades do Paganismo Europeu não foram capazes de garantir a sobrevivência de seus credos. Eles perderam e perderam tão feio que os neopagãos tiveram que inventar suas próprias liturgias e teologias.
Alguém poderia perguntar: “Por que você adora divindades tão impotentes? Se eles não puderam proteger seus antigos adoradores com seus poderes, então como podem confiar neles para os proteger hoje? Por que foi que os pagãos ancestrais se tornaram cristãos, para começar? O que foi que eles acharam deficiente no Paganismo que os levou a rejeita-lo e a confiar em Cristo?”
Refutação e respostas:
O que os Cristãos esquecem é que o Deus Cristão tem origem no Deus Judaico, no Deus Israelita, cujo povo foi continuamente subjulgado por povos Pagãos Politeístas, como os Egípcios, os Assírios, os Persas, os Gregos e os Romanos. De certa forma, Deus não conseguiu manter o credo de seu ‘povo escolhido’, pois podemos ver na própria bíblia os Israelitas adorarem Deuses Pagãos. Em muitos aspectos, mesmo os Cristãos primitivos não tinham um consenso quanto o que seria a religião Cristã e era muito comum ver Cristãos adotarem o Gnosticismo, o Mitraismo e outras religiões existentes no Império Romano. O que hoje se chama de Cristianismo é o resultado mais de um processo humano do que divino.
A resposta da razão da conversão dos Pagãos está na própria história da Europa e do Cristianismo.
O fenômeno do Cristianismo como uma religião bem sucedida é o resultado de um processo histórico que durou vários séculos, agindo de diferentes formas conforme a região por onde o Cristianismo passou.
Historicamente, o que é chamado hoje em dia de Paganismo apenas teve início após o decreto do Imperador Teodósio (puramente por razões de Estado) tornando o Cristianismo a religião oficial do Império Romano, o que tornou as demais religiões proibidas exatamente por serem consideradas ‘cultos Pagãos’. Após o decreto, a Igreja Cristã passou a fazer parte do Estado o que ajudou e muito à Igreja Cristã na conversão dos Pagãos, com os meios dados pelo aparato estatal. Os Pagãos foram constrangidos a se converterem ou terem sua cidadania e seu patrimônio confiscados. Em locais onde os interesses políticos e econômicos impossibilitavam o uso da conversão forçada, usou-se o sincretismo religioso, ou seja, crenças locais foram misturadas ao culto oficial e Deuses locais foram transformados em santos cristãos, portanto, muito da liturgia e Deuses pagãos ainda sobrevive de forma sutil dentro do Cristianismo contemporâneo.
Os Pagãos eram, antes de tudo, pessoas práticas e pragmáticas. Para eles, o Deus Cristão era mais um Deus, igualmente merecedor de adoração e como a conversão ao Cristianismo era uma lei do Imperador ou muitas vezes era incentivada pelo rei local interessado nos subsídios que viriam de Roma, os Pagãos se convertiam, mas não de forma absoluta, eles se tornaram Cristãos nominacionais, mas mantiveram muitas de suas tradições e crenças dentro do sincretismo permitido pela Igreja Cristã. Portanto, nós, neopagãos, não estamos inventando nossas liturgias e teologias, apenas estamos recuperando aquilo que ficou escondido e enterrado por séculos de opressão religiosa, gostem os Cristãos ou não.
quinta-feira, 12 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
Asherah, a Consorte de Yahveh
Asherah, consorte e amada de Yahveh. Seus pilares ou postes sagrados uma vez estiveram ao lado do altar de Yahveh. Moisés e Aarão carregaram um destes 'postes' de Asherah como um bastão sagrado de poder. Uma vez, as crianças de Israel foram dramaticamente curadas simplesmente olhando para o bastão com serpentes suspensas nele. Este símbolo, as serpentes e o bastão, tornou-se o símbolo universal de médicos e curandeiros. Asherah era igualmente bem conhecida no Oriente Médio como a Deusa da Cura.
Então ela foi removida do Velho Testamento por volta do século 500 ou 400 AC. Suas sacerdotisas e sacerdotes, reconhecidos pelas bandagens que usavam, adoravam em montes como Sião, Monte das Oliveiras, Megido e incontáveis outros. Filhas de Sião, um termo encontrado diversas vezes no Velho Testamento, era talvez um termo para uma sacerdotisa de Asherah. Mais tarde significaria 'Cidade de Deus', ou Jerusalem. Quando a adoração oficial estatal começou a se tornar cada vez mais patriarcal e o governo se tornou hostil contra todas as formas de adoração a Asherah, um tempo de conflito e massacre que durou um século começou. Aqueles que ainda se mantinham em sua adoração pagaram o preço com suas vidas nas mãos do rei Josias e outros fanáticos. Mas Ela não pôde ser tirada dos corações e das almas de seu povo.[Esoteric Theological Seminary]
A bíblia dá a impressão que todos os antigos Judeus compartilhavam um sistema de crenças em comum, com apenas um grupo ocasional saindo fora do grupo. Mas a evidência mostra uma imagem diferente. Seria estranho se a religião hebraico-judaica, que floresceu por séculos em uma região de intensivos cultos a Deusas, permanecessem imunes a eles. Os arqueologistas descobriram colônias hebraicas aonde a Deusa Asherah e Astarte-Anath eram rotineiramente adoradas. E de fato, nós encontramos que, por 3 mil anos, os Hebreus adoraram divindades femininas que foram posteriormente erradicadas apenas pela extrema opressão do sacerdócio patriarcal.
E existe também o caso dos Querubins que ficam no topo da Arca da Aliança no Santo dos Santos. Fabricado para o rei Salomão e o rei Acab por artesãos Fenícios, uma placa de marfim mostra duas femeas aladas se encarando. E uma placa mostra os membros masculinos e femininos dos Querubim abraçados em uma posição explicitamente sexual que embaraçaram mais tarde os historiadores Judeus e mesmo os pagãos ficaram chocados quando viram pela primeira vez.
Esse culto da Deusa feminina, ainda que reprimido, permaneceu como uma parte da crença do povo Judeu. As Deusas responderam à necessidade de uma mãe, amante, rainha, intercessora e, mesmo hoje, enigmaticamente permanecem na invocação tradicional do Sabbath Hebraico.[Raphael Patai]
Nota: No dia 08/06/2008 o site da Globo noticiou sobre as descobertas arqueológicas sobre a existência desse culto a Asherah entre os Israelitas. Quem sabe mais descobertas poderão acabar com todo o fanatismo, o fundamentalismo e a intolerância das religiões monoteístas?
domingo, 8 de junho de 2008
Exu: Orisa e Mensageiro
Os primeiros europeus que tiveram contato na África com o culto do orixá Exu dos iorubás, venerado pelos fons como o vodun Legba ou Elegbara, atribuíram a essa divindade uma dupla identidade: a do deus fálico greco-romano Príapo e a do diabo dos judeus e cristãos. A primeira por causa dos altares, representações materiais e símbolos fálicos do orixá-vodun; a segunda em razão de suas atribuições específicas no panteão dos orixás e voduns e suas qualificações morais narradas pela mitologia, que o mostra como um orixá que contraria as regras mais gerais de conduta aceitas socialmente, conquanto não sejam conhecidos mitos de Exu que o identifiquem com o diabo. Atribuições e caráter que os recém-chegados cristãos não podiam conceber, enxergar sem o viés etnocêntrico e muito menos aceitar. Nas palavras de Pierre Verger, Exu "tem um caráter suscetível, violento, irascível, astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente", de modo que "os primeiros missionários, espantados com tal conjunto, assimilaram-no ao Diabo e fizeram dele o símbolo de tudo o que é maldade, perversidade, abjeção e ódio, em oposição à bondade, pureza, elevação e amor de Deus".Assim, os escritos de viajantes, missionários e outros observadores que estiveram em território fon ou iorubá entre os séculos xviii e xix, todos eles de cultura cristã, quando não cristãos de profissão, descreveram Exu sempre ressaltando aqueles aspectos que o mostravam, aos olhos ocidentais, como entidade destacadamente sexualizada e demoníaca. Um dos primeiros escritos que se referem a Legba, senão o primeiro, é devido a Pommegorge, do qual se publicou em 1789 um relato de viagem informando que "a um quarto de légua do forte os daomeanos há um deus Príapo, feito grosseiramente de terra, com seu principal atributo [o falo], que é enorme e exagerado em relação à proporção do resto do corpo". De 1847 temos o testemunho de John Duncan, que escreveu: "As partes baixas [a genitália] da estátua são grandes, desproporcionadas e expostas da maneira mais nojenta".
Sem entrar em pormenores que certamente eram impróprios à formação pudica do missionário, há a vaga referência a Príapo, o deus fálico greco-romano, guardião dos jardins e pomares, que no sul da Itália imperial veio a ser identificado com o deus Lar dos romanos, guardião das casas e também das praças, ruas e encruzilhadas, protetor da família e patrono da sexualidade.
Nunca mais Exu se livraria da imputação dessa dupla pecha, atributos que foram no Brasil amplamente encobertos pelas características que lhe foram impostas pelas reinterpretações católicas na formação do modelo sincrético que gabaritou a religião dos orixás no Brasil.
As oferendas dos homens aos orixás devem ser transportadas até o mundo dos deuses. Exu tem este encargo, de transportador. Também é preciso saber se os orixás estão satisfeitos com a atenção a eles dispensada pelos seus descendentes, os seres humanos. Exu propicia essa comunicação, traz suas mensagens, é o mensageiro. É fundamental para a sobrevivência dos mortais receber as determinações e os conselhos que os orixás enviam do ayiê. Exu é o portador das orientações e ordens, é o porta-voz dos deuses e entre os deuses. Exu faz a ponte entre este mundo e mundo dos orixás, especialmente nas consultas oraculares. Como os orixás interferem em tudo o que ocorre neste mundo, incluindo o cotidiano dos viventes e os fenômenos da própria natureza, nada acontece sem o trabalho de intermediário do mensageiro e transportador Exu. Nada se faz sem ele, nenhuma mudança, nem mesmo uma repetição. Sua presença está consignada até mesmo no primeiro ato da Criação: sem Exu, nada é possível. O poder de Exu, portanto, é incomensurável.
Como mensageiro dos deuses, Exu tudo sabe, não há segredos para ele, tudo ele ouve e tudo ele transmite. E pode quase tudo, pois conhece todas as receitas, todas as fórmulas, todas as magias. Exu trabalha para todos, não faz distinção entre aqueles a quem deve prestar serviço por imposição de seu cargo, o que inclui todas as divindades, mais os antepassados e os humanos. Exu não pode ter preferência por este ou aquele. Mas talvez o que o distingue de todos os outros deuses é seu caráter de transformador: Exu é aquele que tem o poder de quebrar a tradição, pôr as regras em questão, romper a norma e promover a mudança. Não é pois de se estranhar que seja considerado perigoso e temido, posto que se trata daquele que é o próprio princípio do movimento, que tudo transforma, que não respeita limites e, assim, tudo o que contraria as normas sociais que regulam o cotidiano passa a ser atributo seu. Exu carrega qualificações morais e intelectuais próprias do responsável pela manutenção e funcionamento do status quo, inclusive representando o princípio da continuidade garantida pela sexualidade e reprodução humana, mas ao mesmo tempo ele é o inovador que fere as tradições, um ente portanto nada confiável, que se imagina, por conseguinte, ser dotado de caráter instável, duvidoso, interesseiro, turbulento e arrivista.
O preceito segundo o qual Exu sempre recebe oferenda antes das demais divindades serem propiciadas, e que nada mais representa que o pagamento adiantado que Exu deve ganhar para levar as oferendas aos outros deuses, acabou sendo bastante desvirtuado. Passou-se a acreditar que as oferendas e homenagens preliminares a Exu devem ser feitas para que ele simplesmente não tumultue ou atrapalhe as cerimônias realizadas a seguir. Grande parte dos devotos dos orixás pensam e agem como se Exu devesse assim ser evitado e afastado, momentaneamente distraído com as homenagens, neutralizado como o diabo com que agora é confundido. Faz-se a oferenda não para que Exu cumpra sua missão de levar aos orixás as oferendas e pedidos dos humanos e trazer de volta as respostas, mas simplesmente para que ele não impessa por meio de suas artimanhas, brincadeiras e ardis a realização de todo o culto. Exu é pago para não atrapalhar, transformou-se num impecilho, num estorvo, num embaraço.
A metamorfose de Exu em guia de quimbanda o aproximou bastante dos mortais, mas implicou a perda do status de divindade. Exu passou por um processo de humanização, que é o contrário do que usualmente acontece nas religiões de antepassados, em que os homens são divinizados depois da morte, tendo Exu seguido uma trajetória inversa àquela de orixás como Xangô, que um dia foi rei de carne e osso entre os humanos. A concepção de Exu como espírito desencarnado contribuiu para a banalização de sua figura de diabo.
No interior do segmento afro-brasileiro, podemos contudo observar nos dias de hoje um movimento que encaminha Exu numa espécie de retorno aos seus papéis e status africanos tradicionais. Em terreiros de candomblé que defendem ou reintroduzem concepções, mitologia e rituais buscados na tradição africana, tanto quanto possível, especialmente naqueles terreiros que têm lutado por abandonar o sincretismo católico, Exu é enfaticamente tratado como um orixá igual aos demais, buscando-se apagar as conotações de diabo, escravo e inimigo que lhe tem sido comumente atribuídas.
Em muitos terreiros de candomblé, concepções e práticas católicas que foram incorporadas à religião dos orixás em solo brasileiro vão sendo questionadas e deixadas de lado. Quando isso ocorre, Exu vai perdendo, dentro do mundo afro-brasileiro, a condição de diabo que a visão maniqueísta do catolicismo a respeito do bem e do mal a ele impingiu, uma vez que foi exatamente a cristianização dos orixás que transformou Oxalá em Jesus Cristo, Iemanjá em Nossa Senhora, outros orixás em santos católicos, e Exu no diabo. Nesse processo de dessincretização, que é um dos aspectos do processo de africanização por que passa certo segmento do candombl, Exu tem alguma chance de voltar a ser simplesmente o orixá mensageiro que detém o poder da transformação e do movimento, que vive na estrada, freqüenta as encruzilhadas e guarda a porta das casas, orixá controvertido e não domesticável, porém nem santo nem demônio.
Autor: Reginaldo Prandi [link morto]
Nota: Em diversos povos e culturas, entidades e divindades ocupam uma posição contrastante à sua função. Muito provavelmente, estas entidades ou divindades eram Deuses de um povo que foi dominado por outro e seu estado primordial é ressaltado pela nova ordem que usualmente os difama e calunia e os submete à hierarquia teológica dominante, como os djinn, os daemons e suas contrapartes européias.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Conceitos e contradições sobre o Neopaganismo
Este é um blog de Neopaganismo para Neopagãos, mas de forma alguma deve ser confundido com o Neopaganismo comercializado pela Wilka S/A em livros (que merecem estar na seção de auto-ajuda) e revistas (que estão mais preocupadas com a quantidade da tiragem do que com a qualidade do conteúdo).
Usando uma linguagem de expressão comum, o brasileiro pergunta: Que Diabos então é o Neopaganismo?
O problema para definir o que é Neopaganismo começa ao tentarmos definir o que é Paganismo e as teorias existentes têm falhas porque são transmitidas de forma superficial.
Teoria 1: Paganismo vem de paganus, dito ou referente ao campo e ao camponês. Isto colocaria muitos Neopagãos fora do escopo, uma vez que muitos moram em cidades e também excluiria o caipira, uma vez que este se declara católico (uma forma de Cristianismo).
Teoria 2: Paganismo é um conjunto de religiões ditas ou referentes ao sagrado centrado na terra. Isto colocaria muitos dos povos do Paganismo Clássico fora do escopo, uma vez que estas civilizações cresceram através da exploração dos recursos naturais e também excluiria alguns tipos de Neopagãos, uma vez que estão mais focados no reconstrutivismo cultural.
Teoria 3: Pagão é todo aquele que não é batizado e/ou não confessa a crença no Cristianismo. Isso colocaria alguns grupos Cristãos fora do escopo, uma vez que nem todas as denominações Cristãs adotam o batismo como sacramento. Sem falar que temos os Judeus, os Muçulmanos, os Budistas e Harekrishnas, que igualmente não professam o Cristianismo, mas são formas de Monoteísmo.
Teoria 4: Paganismo é uma religião que enfoca o contato e a harmonia com a natureza. Isto colocaria uma junção entre as contradições das teorias 1 e 2, mesmo porque o caipira tem uma preocupação de ordem prática e pragmática em seu ‘contato e harmonia com a natureza’, que é a colheita, sem o que não haveria subsistência, o que leva muitas vezes a ações que são opostas ao pensamento Neopagão.
Teoria 5: Paganismo é a religião que existia antes do Cristianismo. Isso é fonte de muita confusão, uma vez que o próprio Cristianismo tem muito de suas origens em crenças e filosofias teoricamene consideradas pagãs. Muitas destas crenças pertenciam a povos que não se consideravam ‘Pagãos’ nem tinham uma relação sagrada com a terra e estavam mais preocupados com a cidade, a tecnologia e o desenvolvimento. Mas essa teoria é boa para desmascarar a teoria 6.
Teoria 6: O Neopaganismo tem origem na religião dos Celtas. Isto é um absurdo em termos históricos e antropológicos, pois mesmo os Celtas foram apenas um dos muitos povos antigos que existiram antes do Cristianismo. Mesmo a definição do que seria a ‘religião dos Celtas’ cai em contradição, uma vez que se chama genericamente de ‘Celtas’ diversos povos que existiram na Europa, com sociedades, culturas e credos distintos, conforme a região ocupada. Isso certamente excluiria muitos Neopagãos que estão ligados à outras religiões, de outros povos, como os Romanos, os Etruscos, os Gregos, os Persas, os Assírios, os Fenícios, os Arianos, os Egípcios, os Sumérios.
Teoria 7: Paganismo é a religião que respeita a vida dos outros seres vivos. Isso deixaria fora do escopo muitos dos povos que teoricamente são considerados ‘Pagãos’, como no caso sensível dos povos pré-colombianos. Mesmo os povos do Paganismo Clássico ofereciam sacrifícios de animais e pessoas aos Deuses.
Teoria 8: Paganismo é a Religião Antiga da Deusa Mãe do Neolítico e o Neopaganismo é o resgate desse sagrado feminino e da religião matrifocal. Isso colocaria uma junção entre as contradições das teorias 5 e 6, mesmo porque tal afirmação é um absurdo em termos históricos e antropológicos. Muitos Neopagãos seriam excluídos desse escopo, principalmente os que seguem as formas de Paganismo Clássico que, a despeito de serem Politeístas, tinham um culto centrado em um Deus masculino e tinham uma sociedade patriarcal.
O que a Wilka S/A e o Mercado Editorial não dirão é que o Neopaganismo é um fenômeno recente, que veio junto com o ressurgimento do ocultismo do século XIX e com o aparecimento da Contracultura do século XX.
O Neopaganismo inclui o resgate do sagrado feminino, mas não se restringe a isso, pois isso levaria ao extremo oposto da ditadura do patriarcalismo, levaria ao matriarcalismo radical feminista andrófobo. O Neopaganismo inclui o Politeísmo e o Panteísmo, mas não o Henoteísmo e o Monismo. O Neopaganismo inclui um longo e árdua caminho em busca de nossas raízes e heranças, culturais e espirituais, pela superação dos vínculos e traumas causados pelo Cristianismo, sem pretender uma vingança, uma reparação ou um revisionismo histórico.
quinta-feira, 5 de junho de 2008
A relação entre daemons e humanos
Nós temos que conhecer os costumes de nossos antepassados no tempo do Paganismo, mas nós não podemos descobrir com certeza quais eram suas crenças quanto a Espíritos, a menos que saibamos, ao menos em geral, suas opiniões e práticas, sobre Deus e Divindades inferiores. Mas as grandes diferenças e divisões que existem entre os Pagãos sobre esse assunto nos deixa no escuro, bem como as opiniões que os descrevem. Entretanto, nós podemos concordar quanto a isso, tomando as numerosas diferenças para uma uniformidade, que pode ser afirmado que, em todas as eras, Pagãos acreditavam unanimemente que há um Deus Soberano, a Primeira Causa Universal de todas as coisas.
Aqui temos o lugar certo para distinguir as doutrinas dos Pagãos, seja quanto a Religião, seja quanto à Natureza. Na última, eles questionaram após a Primeira e Segunda Causa de todas as coisas, de seus movimentos e mudanças, sem qualquer referência à Religião. Mas quando prosseguiiram para a Religião, ali surge entre eles mais diferenças consideráveis.
As divindades estão divididas em quatro, em algums graus que descem de cima a baixo e que os três últimos graus são novamente divididos em vários outros, que são chamados de Deuses, Daemons e Heróis. Existem Deuses Superiores, Intermediários e Inferiores. Os Superiores ou Deuses Celestiais habitam o Firmamento, eles são imateriais e eternos por natureza; mas existem alguns que são visíveis nas estrelas, enquanto outors não podem ser vistos por olhos carnais, mas vistos por aqueles que Sabem. Os Deuses são então distinguidos em sexos, como a Humanidade, em Deuses e Deusas.
Vamos prosseguir dos Deuses aos Daemons, ou Espíritos de certa ordem. O Mundo é cheio de Espíritos, no ar onde eles habitam e na terra na qual eles conversam entre os humanos. Os Pagão acreditavam que estes Daemons sabiam o que é importante ao ser humano, seja para sua felicidade ou miséria e que eles são os mediadores entre os humanos e os Deuses. Os Daemnos eram importantes como mediadores e então eles eram também evocados como mediadores e condutores dos humanos e foram colocados conforme a opinião dos Pagãos, entre o Firmamento e o Mundo, no ar e consequentemente entre os Deuses e os humanos. Os Daemnos tem uma natureza que é o mana entre Deus e Homem que explica e decrala ao Homem que coisas pertencem aos Deuses, quais são seus mandamentos e como sacrifícios devem ser feitos bem como o que oferecer aos Deuses pois, como eles estão no meio, compreendem a natureza de ambos, como que ligando e unindo tudo junto.
As Divindades não mexem com o Homem, mas estes Espíritos são os condutores de toda a comunicação e conversa dos Deuses conosco, seja acordado ou dormindo. Os Daemons então, sendo por natureza mediadores entre os Deuses e o Homem, sendo também Espíritos e quase Deuses, não poderiam ser melhor chamados senão Espíritos de uma ordem intermediária, em relação à natureza deles; ou Deuses Intermediários, em referência à suas funções, em tão grande estima que estes Espíritos estão e que era o sentimento de nossos antepassados quanto a eles.
Os poderes, que põem e dominam as paixões naturais do Homem em movimento, que o governa, como também as Almas separadas do corpo, são chamadas de Deuses, Daemons ou Espíritos; que a Alma nasce com o corpo, não morre entretanto com ele e que ela carrega o nome de Gênio, quando estão separados um do outro. Isso significa que não poderia ser melhor expressado do que chamando estes de Almas, Espíritos Associados ou Espíritos peculiares a algo, uma vez que todo Homem tem um dentro de si.
Baltazar Bekker, The World Upsidedown. Cornell University.
Nota: o autor inclui em sua análise das práticas dos 'Pagãos' alguns conceitos mais ligados aos filósofos clássicos da Antiga Grécia. A chamada Primeira Causa Universal pertence à Escola Neoplatônica, identificando Deus como Logos, o que está presente nos conceitos do Monismo posterior. Curiosamente o conceito de Deus do Cristianismo como uma Entidade Cósmica provém do Neoplatonismo.
Aqui temos o lugar certo para distinguir as doutrinas dos Pagãos, seja quanto a Religião, seja quanto à Natureza. Na última, eles questionaram após a Primeira e Segunda Causa de todas as coisas, de seus movimentos e mudanças, sem qualquer referência à Religião. Mas quando prosseguiiram para a Religião, ali surge entre eles mais diferenças consideráveis.
As divindades estão divididas em quatro, em algums graus que descem de cima a baixo e que os três últimos graus são novamente divididos em vários outros, que são chamados de Deuses, Daemons e Heróis. Existem Deuses Superiores, Intermediários e Inferiores. Os Superiores ou Deuses Celestiais habitam o Firmamento, eles são imateriais e eternos por natureza; mas existem alguns que são visíveis nas estrelas, enquanto outors não podem ser vistos por olhos carnais, mas vistos por aqueles que Sabem. Os Deuses são então distinguidos em sexos, como a Humanidade, em Deuses e Deusas.
Vamos prosseguir dos Deuses aos Daemons, ou Espíritos de certa ordem. O Mundo é cheio de Espíritos, no ar onde eles habitam e na terra na qual eles conversam entre os humanos. Os Pagão acreditavam que estes Daemons sabiam o que é importante ao ser humano, seja para sua felicidade ou miséria e que eles são os mediadores entre os humanos e os Deuses. Os Daemnos eram importantes como mediadores e então eles eram também evocados como mediadores e condutores dos humanos e foram colocados conforme a opinião dos Pagãos, entre o Firmamento e o Mundo, no ar e consequentemente entre os Deuses e os humanos. Os Daemnos tem uma natureza que é o mana entre Deus e Homem que explica e decrala ao Homem que coisas pertencem aos Deuses, quais são seus mandamentos e como sacrifícios devem ser feitos bem como o que oferecer aos Deuses pois, como eles estão no meio, compreendem a natureza de ambos, como que ligando e unindo tudo junto.
As Divindades não mexem com o Homem, mas estes Espíritos são os condutores de toda a comunicação e conversa dos Deuses conosco, seja acordado ou dormindo. Os Daemons então, sendo por natureza mediadores entre os Deuses e o Homem, sendo também Espíritos e quase Deuses, não poderiam ser melhor chamados senão Espíritos de uma ordem intermediária, em relação à natureza deles; ou Deuses Intermediários, em referência à suas funções, em tão grande estima que estes Espíritos estão e que era o sentimento de nossos antepassados quanto a eles.
Os poderes, que põem e dominam as paixões naturais do Homem em movimento, que o governa, como também as Almas separadas do corpo, são chamadas de Deuses, Daemons ou Espíritos; que a Alma nasce com o corpo, não morre entretanto com ele e que ela carrega o nome de Gênio, quando estão separados um do outro. Isso significa que não poderia ser melhor expressado do que chamando estes de Almas, Espíritos Associados ou Espíritos peculiares a algo, uma vez que todo Homem tem um dentro de si.
Baltazar Bekker, The World Upsidedown. Cornell University.
Nota: o autor inclui em sua análise das práticas dos 'Pagãos' alguns conceitos mais ligados aos filósofos clássicos da Antiga Grécia. A chamada Primeira Causa Universal pertence à Escola Neoplatônica, identificando Deus como Logos, o que está presente nos conceitos do Monismo posterior. Curiosamente o conceito de Deus do Cristianismo como uma Entidade Cósmica provém do Neoplatonismo.
terça-feira, 3 de junho de 2008
A tradição do mastro junino
Começaram as festas em homenagem a Santo Antônio, em Barbalha. Na tarde de ontem, ocorreu a procissão do pau da bandeira, que abriu as comemorações na cidade.À entrada da cidade, o cartaz imenso anuncia. É lá onde ocorre "a maior festa de Santo Antônio do mundo", segundo os barbalhenses. Na tarde de ontem, a cidade que tem pouco mais de 53 mil habitantes se encheu de mais gente.
Todos queriam participar da abertura da Festa de Santo Antônio. Principalmente todas. A tradição foi novamente cumprida e se renovou. Desta vez, no lugar de aroeira, foi um tronco de angico de 25 metros que cerca de 40 homens carregaram por seis quilômetros até a praça principal de Barbalha. Pesava quase duas toneladas e meia. Era o início dos festejos ao santo padroeiro, que seguem até dia 13. Acompanhar a procissão do pau de Santo Antônio é atração da cidade. A queima de fogos, no meio da tarde, é aviso de que o tronco acabara de sair do sítio São Joaquim e ganhava a avenida Jules Rimet. A essa hora, os encontros já haviam começado. Multidão fora de casa. Pelas calçadas, as famílias se apinhavam para ver o pau passar. Nas ruas, ninguém se arriscava a disputar caminho com o monte de carregadores ao redor do tronco. Perigo de acidente.
São apenas poucos segundos com o pau de angico apoiado nos ombros dos carregadores. Passos curtos, poucos e ligeiros, a tora torna ao chão, num movimento rápido e bruto. É nesse intervalo em que os homens se abastecem com aguardente. "Ajuda, dá força a eles", garante João José de Oliveira, 49, que, há 16 anos, é responsável por distribuir a bebida "para quem quiser". Nunca sobra nada dos 200 litros que ele leva no carro da Cachaça do Sr. Vigário.
De cima do carro de som, é Silva Neto quem incentiva o pessoal. Ele é o locutor oficial da festa há, pelo menos, 20 anos: "Girou lá atrás, pessoal. Vamos colocar o pau no ombro". Os carregadores se abaixam e nem dá tempo contar direito. "Ê ô...". O pau sobe e caminha mais um pouco nas ruas pelos ombros dos homens. É o desafio a ser vencido em nome de Santo Antônio, lembra o locutor. Ninguém pode falhar. "É tradição", ele não deixa esquecer. Qualquer vacilo ou tropeço de um é motivo de pequena confusão de todos - muitas vezes, difícil de perceber se é brincadeira ou séria.
Do lado, o público que assiste à prova de resistência saúda o santo com vivas, como que dando força aos carregadores. No meio da gente, tem todo tipo. Como a bebida é liberada, não faltam os enxeridos que exageraram nas doses se achegando às moças sozinhas. Ir desacompanhada não é recomendável, alertam os freqüentadores. Outros grupos se formam nas ruas transversais e preferem celebrar a festa dançando forró nas esquinas. Os paredões de caixa de som se formam logo e o forró eletrônico se mistura aos gritos dos homens com o peso nos ombros. A tradição ali perdeu o sentido.
Autora: Daniela Nogueira
Fonte: O Povo [link morto]
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domingo, 1 de junho de 2008
Essa tal de Igualdade
Durante a Revolução Francesa, a Assembléia Constituinte da França aprovou em 2 de Outubro de 1789 a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Isso mais tarde viria a fornecer as bases para a Declaração Universal dos Direitos Humanos proclamada pela ONU em 10 de Dezembro de 1948.
Especificamente em Política, o conceito de Igualdade descreve a ausência de diferenças de direitos e deveres entre os membros de uma sociedade. Em sua concepção clássica, a idéia de sociedade igualitária começou a ser cunhada durante o Iluminismo, para idealizar uma realidade em que não houvesse distinção jurídica entre nobreza, burguesia, clero e escravos. Mais recentemente, o conceito foi ampliado para incluir também a igualdade de direitos entre gêneros, classes, etnias, orientações sexuais, etc.
Juridicamente, a igualdade é uma norma que impõe tratar todos da mesma maneira. Mas a partir desse conceito inicial, temos muitos desdobramentos e incertezas. A regra básica é que os iguais devem ser tratados da mesma forma (por exemplo o peso do voto de todos os eleitores deve ser igual). Mas como devemos tratar os desiguais, por exemplo, os ricos e os pobres. Se fala em igualdade formal quando todos são tratados da mesma maneira e em igualdade material quando os mais fracos recebem um tratamento especial no intuito de se aproximar aos mais fortes.
No contexto da pós-modernidade, a idéia de igualdade tem sido gradualmente abandonada e preterida pela idéia de diversidade.[wikipédia]
De especial interesse para o Direito é a distinção da igualdade perante a norma e na norma (tomando-se aqui em sentido restrito, como sinônimo de regra ou preceito). No primeiro caso, tem-se tratamento igual se o paradigma é respeitado, imparcialmente, pelo aplicador (quer dizer, a própria norma é o parâmetro de igualdade, efetivamente atuado). O segundo é mais problemático: será possível determinar se uma norma é, em si, igualitária?
A igualdade perante a norma poderia, em tese, ser atendida mediante qualquer das concepções, mas não a igualdade na norma, posto que ela é desnecessária e nos demais casos a aplicação do princípio reclamaria a intermediação de uma regra de distribuição. De modo que toda norma, enquanto condição sine qua non de realização do princípio, seria igualitária (sob um certo ponto de vista). Vale dizer, se a igualdade pode predicar-se ou não da norma, as definições não ajudariam a responder.
A igualdade não é um rótulo vazio nem um conceito exato, suportando diversas concretizações históricas segundo as pautas que, culturalmente, pareçam ser de materialização mais urgente e isto se faz por via de reforma legislativa.[Erik Frederico Gramstrup]
Ou seja, a igualdade é um preceito ético social, conforme os limites estipulados por este padrão social, visando coibir uma ação prejudicial, ao mesmo tempo em que busca uma reparação judicial a estes prejuízos. Um bom exemplo atual é a polêmica sobre leis que visam criminalizar a homofobia, bem como as reações esperadas daqueles que se vêem 'ameaçados' por esta futura norma social. Mas fora da ética social, podemos nos considerar, nos tratar ou nos vermos iguais? De que forma, em quais circunstâncias, em que condições?
Nós não somos iguais, isso é mais do que evidente. Não podemos nos tratar de forma igualitária, mas sim tolerar as diferenças, mas resguardando nossas opções e opiniões discordantes. Não podemos nos ver como iguais, mesmo gêmeos univitelinos tem particularidades que os tornam distintos entre si. Nós não temos origens iguais, cada um de nós tem orgulho de suas raízes culturais e nossa espécie é tão bem sucedida graças à essa divina diversidade. Nós temos crenças diferentes, filosofias diferentes, o mesmo livro ou filme será visto de diversas formas e isso não precisa se tornar fonte de paranóia, histeria ou obsessão. Nós temos visões diferentes desse mundo, temos visões diferentes sobre a divindade e nunca chegaremos a um consenso. Simplesmente porque a realidade do Universo é múltipla. Tentar tornar coisas distintas iguais é uma forma de uniformização, de mediocridade, de empobrecimento, de diminuição, de castração. Tentar tornar coisas distintas iguais, usando clichês filosóficos disprovidos de seu conteúdo e contexto, é a estratégia usada pelos déspotas esclarecidos, tiranos e ditadores, seculares e sacerdotais.
O que isso tem a ver com neopaganismo? Apenas a ideologia reinante que 'todos os Deuses são o Deus e todas as Deusas são a Deusa'. Nossos antepassados tiveram revelações diferentes, desenvolveram mitos diferentes, formas de religião diferentes, para Deuses e Deusas diferentes. O que isso tem a ver com a Wica? Felizmente nada, isso é problema dos consumidores da Wilka S/A.
Nós não somos iguais. Nosso Deuses e Deusas não são iguais. O resto é ditadura da hegemonia.
Especificamente em Política, o conceito de Igualdade descreve a ausência de diferenças de direitos e deveres entre os membros de uma sociedade. Em sua concepção clássica, a idéia de sociedade igualitária começou a ser cunhada durante o Iluminismo, para idealizar uma realidade em que não houvesse distinção jurídica entre nobreza, burguesia, clero e escravos. Mais recentemente, o conceito foi ampliado para incluir também a igualdade de direitos entre gêneros, classes, etnias, orientações sexuais, etc.
Juridicamente, a igualdade é uma norma que impõe tratar todos da mesma maneira. Mas a partir desse conceito inicial, temos muitos desdobramentos e incertezas. A regra básica é que os iguais devem ser tratados da mesma forma (por exemplo o peso do voto de todos os eleitores deve ser igual). Mas como devemos tratar os desiguais, por exemplo, os ricos e os pobres. Se fala em igualdade formal quando todos são tratados da mesma maneira e em igualdade material quando os mais fracos recebem um tratamento especial no intuito de se aproximar aos mais fortes.
No contexto da pós-modernidade, a idéia de igualdade tem sido gradualmente abandonada e preterida pela idéia de diversidade.[wikipédia]
De especial interesse para o Direito é a distinção da igualdade perante a norma e na norma (tomando-se aqui em sentido restrito, como sinônimo de regra ou preceito). No primeiro caso, tem-se tratamento igual se o paradigma é respeitado, imparcialmente, pelo aplicador (quer dizer, a própria norma é o parâmetro de igualdade, efetivamente atuado). O segundo é mais problemático: será possível determinar se uma norma é, em si, igualitária?
A igualdade perante a norma poderia, em tese, ser atendida mediante qualquer das concepções, mas não a igualdade na norma, posto que ela é desnecessária e nos demais casos a aplicação do princípio reclamaria a intermediação de uma regra de distribuição. De modo que toda norma, enquanto condição sine qua non de realização do princípio, seria igualitária (sob um certo ponto de vista). Vale dizer, se a igualdade pode predicar-se ou não da norma, as definições não ajudariam a responder.
A igualdade não é um rótulo vazio nem um conceito exato, suportando diversas concretizações históricas segundo as pautas que, culturalmente, pareçam ser de materialização mais urgente e isto se faz por via de reforma legislativa.[Erik Frederico Gramstrup]
Ou seja, a igualdade é um preceito ético social, conforme os limites estipulados por este padrão social, visando coibir uma ação prejudicial, ao mesmo tempo em que busca uma reparação judicial a estes prejuízos. Um bom exemplo atual é a polêmica sobre leis que visam criminalizar a homofobia, bem como as reações esperadas daqueles que se vêem 'ameaçados' por esta futura norma social. Mas fora da ética social, podemos nos considerar, nos tratar ou nos vermos iguais? De que forma, em quais circunstâncias, em que condições?
Nós não somos iguais, isso é mais do que evidente. Não podemos nos tratar de forma igualitária, mas sim tolerar as diferenças, mas resguardando nossas opções e opiniões discordantes. Não podemos nos ver como iguais, mesmo gêmeos univitelinos tem particularidades que os tornam distintos entre si. Nós não temos origens iguais, cada um de nós tem orgulho de suas raízes culturais e nossa espécie é tão bem sucedida graças à essa divina diversidade. Nós temos crenças diferentes, filosofias diferentes, o mesmo livro ou filme será visto de diversas formas e isso não precisa se tornar fonte de paranóia, histeria ou obsessão. Nós temos visões diferentes desse mundo, temos visões diferentes sobre a divindade e nunca chegaremos a um consenso. Simplesmente porque a realidade do Universo é múltipla. Tentar tornar coisas distintas iguais é uma forma de uniformização, de mediocridade, de empobrecimento, de diminuição, de castração. Tentar tornar coisas distintas iguais, usando clichês filosóficos disprovidos de seu conteúdo e contexto, é a estratégia usada pelos déspotas esclarecidos, tiranos e ditadores, seculares e sacerdotais.
O que isso tem a ver com neopaganismo? Apenas a ideologia reinante que 'todos os Deuses são o Deus e todas as Deusas são a Deusa'. Nossos antepassados tiveram revelações diferentes, desenvolveram mitos diferentes, formas de religião diferentes, para Deuses e Deusas diferentes. O que isso tem a ver com a Wica? Felizmente nada, isso é problema dos consumidores da Wilka S/A.
Nós não somos iguais. Nosso Deuses e Deusas não são iguais. O resto é ditadura da hegemonia.
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