sexta-feira, 13 de maio de 2016

Temos que manter nossa péssima reputação

Deliciosamente revolucionário e icônico é a obra de Joan Jett, especialmente a musica “Bad Reputation”. Bons tempos quando o Rock era Rock. Mas agora o Rock é Pop a ponto da presença dos Rolling Stones em Cuba ser celebrada pelos reacionários como “prova” que o socialismo morreu. A atitude roqueira, até punk de Joan Jett de não dar a mínima para a opinião alheia sobre ela parece ter sido esquecida pelos pagãos, wiccanos e bruxos.
Eu inclusive aproveitei os artigos de Pat Mosley no Patheos, na seção de Paganismo, ele falando da satanização e eu da sanitização da Bruxaria e Wicca tradicionais. Lilith Dorsey despertou algo em minha memória ao falar da Serpente e do Arco Iris e havemos de concordar com Anton Lavey quando ele diz que Satan é o maior amigo da Igreja, eu estenderia e incluiria a Cultura Popular, pois o Diabo está presente na literatura, na música, no teatro e, evidentemente, no cinema. Perde-se a conta dos filmes que falam em bruxas e Diabo, pactos demoníacos e a maldade sobrenatural das bruxas.
Um dia desses eu vi o filme “As Bruxas de Zugarramurdi” um filme espanhol que explicita, com certa ironia e sarcasmo, a paranoia e histeria que acometeu a Europa entre os séculos XV ao XVIII. Bem que Hollywood poderia levar um pouco desse humor e autocrítica antes de lanças mais um filme sobre bruxas, bruxarias, pactos e o Diabo.
O filme é supostamente baseado em um fato histórico. Esta é a narrativa encontrada na enciclopédia virtual [Wikipédia]:
Os julgamentos de bruxas bascas ocorreram no século XVII, representando a tentativa mais ambiciosa já vista em extirpar a feitiçaria, empreendida pela Inquisição espanhola. O julgamento das bruxas bascas em Logroño, perto de Navarra, no norte da Espanha, que começou em janeiro de 1609, contra o fundo de perseguições semelhantes realizados em Labourd por Pierre de Lancre , foi quase certamente o maior evento de seu tipo na história. Até o final do século, cerca de 7.000 casos tinham sido examinados pela Inquisição.
Embora Logroño não seja uma cidade basca, foi o cenário para um tribunal de inquisição responsável pelo Reino de Navarra, Álava, Guipúscoa, Biscaia, La Rioja e partes do norte de Burgos e Sória. Entre os acusados ​​não estavam apena mulheres (embora tenha sido o gênero predominante), mas também crianças e homens, incluindo padres acusados de criarem amuletos com nomes de santos. A primeira fase terminou em 1610, com uma declaração de auto-da-fé contra trinta e um dos acusados, doze ou onze dos quais foram queimados até a morte (cinco deles simbolicamente, como haviam morrido antes do auto-da-fé).
Posteriormente, o processo foi suspenso até que os inquisidores tiveram a chance de reunir mais provas, sobre o que eles acreditavam ser um culto das bruxas generalizado na região basca. Alonso de Salazar Frías, um inquisidor júnior e um advogado por formação, foi responsável de examinar o assunto. Armado com um Édito de Graça, prometendo perdão a todos aqueles que, voluntariamente, relatassem e denunciassem seus cúmplices, ele viajou por todo o campo durante o ano de 1611, principalmente nas imediações do Zugarramurdi, junto à fronteira franco-espanhola. Alonso também passou por uma caverna onde, alegadamente, existia uma corrente de água (Olabidea ou Infernuko erreka, "riacho do Inferno"), que foi dito ser o lugar de encontro das bruxas.
Como era habitual em casos deste tipo, várias denúncias foram feitas. Frías finalmente voltou a Logroño com "confissões" de, ao menos, 2.000 pessoas, 1.384 das quais eram crianças entre as idades de sete e quatorze anos, implicando em mais de 5.000 indivíduos nomeados bruxos. A maioria das denúncias (cerca de 1.802) foram confissões à tortura. As provas reunidas cobriam 11.000 páginas no total.
Na agitação dos eventos, os processos foram iniciados também em Hondarribia (1611), cerca de 35 km de distância de Zugarramurdi e 19 km de St-Jean-de-Luz, principais focos de acusações de feitiçaria, contra presumivelmente bruxas, do sexo feminino denunciadas de lançar encantamentos na criaturas vivas e de fazerem o Akelarre em Jaizkibel, lideradas por um bode em forma de diabo. Não passou despercebido o fato de que os homens nesta região em Bidasoa foram recrutados em massa para a baleeira, deixando as mulheres por conta própria (exceto padres, filhos e velhos) para lidar com os seus problemas e cuidar de si mesmas durante longos períodos . Curiosamente, de acordo com a evidência dada por uma testemunha, o Diabo convocou no idioma gascão os habitantes de San Sebastian e Pasaia, e em basco os de Irún e Hendaye, dirigindo algumas palavras para eles.
Então é muito esquisito e incoerente saber que certas celebridades do Paganismo, Bruxaria e Wicca tem se valido de entrevistas ou textos para tentar convencer que a “verdadeira bruxaria” é este produto massificado e caiado para atrair o gosto popular. Por estas e outras que eu dou graças aos meus ancestrais e aos Deuses por eu ter mantido a minha má reputação.

Nenhum comentário: