terça-feira, 9 de junho de 2026

O Finado Pede Babalorixá

Conversa com o Gemini:

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/apos-acidente-fatal-no-rs-motorista-pede-licenca-e-faz-oracao-ao-lado-da-vitima/

Imagine se o/a finado/a levanta e diz que prefere um babalorixá?

Escreva um texto humorado e sarcástico.


O cenário na BR-158 já estava digno de uma crónica de realismo mágico: o trânsito parado, a poeira a assentar, as autoridades a isolar a área e, de repente, o motorista do camião, num surto de fervor e sensibilidade burocrática, pede formalmente licença ao bombeiro para aplicar os primeiros socorros metafísicos. Autorização concedida, começa a oração.

É exatamente aí que o Além decide intervir com um bocadinho de pluralismo religioso.

Imagine-se a cena. No meio do clamor pelas almas e dos pedidos de contrição, o defunto — que pelos vistos estava apenas a ensaiar para o espetáculo principal — abre um olho, sacode o pó da estrada e, com a calma de quem acabou de acordar de uma sesta interrompida no pior momento possível, senta-se na berma da estrada.

O motorista, de joelhos, gela. O bombeiro interrompe o relatório. O agente da PRF deixa cair a caneta.

A "vítima", olhando para as mãos postas do caminhoneiro e ouvindo os clamores, limpa a garganta e diz, num tom perfeitamente audível:
— Olhe, desculpe lá o incómodo... A intenção é bonita, eu agradeço o civismo e a preocupação com o meu destino pós-morte, mas... será que dava para parar um bocadinho com isso e chamar antes um babalorixá? É que esta reza não está a bater bem com o meu plano espiritual.

O silêncio que se segue na rodovia é absoluto. Nem o motor do camião se atreve a falhar.

— Um... um quê? — gagueja o motorista, ainda com as mãos em posição de prece, sem saber se continua o credo ou se foge para o posto de combustível mais próximo.

— Um babalorixá, meu senhor — responde o finado, agora a ajeitar o casaco de cabedal. — Um Pai de Santo. Alguém que saiba despachar o trânsito com as entidades certas, que me traga uma canja para a energia e, de preferência, que deite um bocadinho de cachaça na berma para abrir os caminhos, porque o asfalto está duro e Exu não gosta de amadorismo. É que se o senhor continua com essa ladainha, ainda me erram o endereço e vou parar ao sítio errado, e eu não tenho paciência para harpas logo de manhã.

O bombeiro, tentando manter o protocolo de emergência para o qual claramente nenhum manual o preparou, intervém:
— Mas... o senhor não estava clinicamente morto? O Samu já tinha assinado o óbito!

— Pois estava — retruca o ressuscitado, indignado. — Mas uma pessoa já não pode ter uma síncope em paz sem que venham tentar converter a sua alma à força na berma da BR? Eu só precisava de um passe e de um ebó bem feito para endireitar a coluna depois desta pancada, não de um sermão de despedida!

Olhando em volta, o homem suspira, levanta-se, bate o pó das calças e conclui, olhando para o horizonte:
— Enfim... Já que ninguém trouxe as guias nem o bori, e o feitiço da ressurreição funcionou por vossa conta, alguém me arranja uma boleia até ao terreiro mais próximo? É que a minha mota ficou um bocado em formato de oferenda e eu tenho uma consulta com os búzios marcada para as onze.

O motorista, ainda em estado de choque, apenas consegue fazer o sinal da cruz — por via das dúvidas — enquanto o "ex-defunto" se afasta a pé, a cantarolar um ponto para Ogum, deixando o Instituto-Geral de Perícias com a tarefa hercúlea de explicar como é que um cadáver decidiu cancelar o funeral por incompatibilidade de credo.

Criado com Gemini, do Google.

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