sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Cristã, confusa

A influenciadora e criadora de conteúdo adulto Débora Peixoto anunciou que desistiu de desfilar pela escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. A decisão foi tomada após descobrir que o samba-enredo da escola aborda a espiritualidade das matrizes africanas, incluindo temas relacionados à religiosidade, como o candomblé.

“Cresci em uma família que me ensinou valores cristãos muito fortes. O Carnaval sempre foi algo que amei, mas participar de um enredo que fala sobre práticas que não condizem com minha fé seria uma contradição para mim. Tenho medo de decepcionar minha família e de ser julgada por aqueles que compartilham da mesma fé que eu”, explicou Débora ao justificar sua decisão.

Casada com Anderson Peixoto e Luiza Marcarto, formando um trisal, Débora foi alvo de críticas nas redes sociais. Muitos internautas questionaram sua postura e apontaram hipocrisia ao se declarar apegada à religião enquanto produz conteúdo adulto e mantém um relacionamento com duas pessoas.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/video-musa-de-conteudo-adulto-que-vive-trisal-desiste-de-desfile-sobre-candomble-valores/

Nota: não, não é exceção. O que não falta é cristão confuso. Leia o texto Cristofrenia.

Seguindo a cartilha do Tarcísio

O novo secretário municipal de Segurança Urbana de São Paulo, Orlando Morando, causou polêmica ao afirmar que guardas-civis metropolitanos devem reagir com força letal em situações de confronto. A declaração foi feita durante a cerimônia de formatura de 500 novos agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM), realizada na manhã desta terça-feira (21).

Durante o discurso, Morando foi enfático: “Tenham a clareza que, se num confronto com um criminoso, que chore a mãe do criminoso e nenhum parente de vocês”, declarou o secretário, arrancando aplausos e gritos de apoio dos presentes. Ele ainda ressaltou: “Não fiquem acima da lei, mas não se sintam intimidados e abaixo dela”.

Embora a legislação determine que agentes de segurança só podem utilizar armas de fogo em situações de risco iminente à vida, o estado de São Paulo tem registrado um aumento no número de ocorrências envolvendo mortes em ações policiais. Desde 2023, episódios de desrespeito aos protocolos operacionais têm sido mais frequentes, especialmente entre policiais militares.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/video-que-chore-a-mae-do-criminoso-diz-novo-secretario-de-nunes-em-formatura-de-guardas/

Nota: parabéns aos eleitores do Ricardo Nunes, cúmplices desse assassinato estatal.

O mundo a mercê de um psicopata

Por Paulo Henrique Arantes.

O mundo viveu a Idade das Trevas e a Era das Luzes. O exercício do poder ao longo do tempo foi deixando de se basear em vontades pessoais. Na civilização moderna, as nações regem-se por conjuntos de normas - as constituições - que garantem um curso à sociedade livre de retrocessos civilizatórios, baseado no respeito humano e focado no desenvolvimento socioeconômico. O governante pode elencar suas prioridades e trabalhar para executá-las, desde que não viole certos princípios humanísticos consagrados.

Claro, governos autoritários vilipendiam tais princípios, mas mesmo esses acabam se sujeitando, em maior ou menor grau, a certas normais civilizatórias consensuais. Até quem promove a guerra justifica-a pela necessidade de uso da força para se alcançar a paz. A busca da paz é, portanto e em tese, um consenso insofismável. Até grupamentos terroristas alegam almejar a paz - a paz por eles idealizada -, ainda que mediante atos de violência extrema.

O mundo poderia estar melhor, pois os governos ultrapersonalistas, calcados na figura de um imperador, foram rechaçados pela História. O predomínio da personalidade sobre os destinos de um povo é algo inaceitável no Século XXI, como já deveria ter sido nos Século XIX e XX. Eis que o país mais poderoso do planeta, por seu aparato bélico antes de tudo, elege um candidato a imperador para comandá-lo, alguém cuja personalidade é, claramente, a de um psicopata.

Já se descreveu a personalidade de Jair Bolsonaro neste espaço, a partir de análise feita por especialistas. Agora é a vez de Donald Trump, uma espécie de Bolsonaro dotado de inteligência, dinheiro e muito, muito mais poder.

Tal como o brasileiro, o americano é um psicopata.

Quem melhor escreveu sobre a psicopatia que acomete Bolsonaro foi o psiquiatra forense Guido Palomba, em artigo publicado na imprensa em março de 2021. A descrição veste em Trump à perfeição. Palomba invocou o psiquiatra alemão Kurt Schneider, autor do livro “Personalidades Psicopáticas”, para ir fundo na mente doentia.

Para o “pai dos psicopatas”, como Schneider é chamado, o psicopata caracteriza-se pela falta de compaixão (com imigrantes, por exemplo), por ser tosco (belo adjetivo) e anestesiado de senso moral. Que moral possui Donald Trump, condenado por fraudar pagamentos a uma atriz pornô?

O psicopata não tolera ser contrariado, é quase sempre mal-educado. Eis um trecho do texto primoroso de Palomba: “A inteligência limítrofe ou seletiva ( no caso de Bolsonaro, limítrofe: no caso de Trump, seletiva ) leva-os a praticar atos bizarros, por turrice e teimosia. Persistem voluntariosos, desde que seja em benefício próprio. Caso voltem atrás , não será pelo reconhecimento do erro, mas por estratégia momentânea. Em seguida, recidivam, às vezes de forma mais virulenta, por serem rancorosos e vingativos”.

Os psicopatas de Schneider representam elevada periculosidade social: “Nada os detêm, salvo a reprimenda enérgica, judicial e legal, única forma eficaz de pará-los”. No caso de Trump, a via judicial não foi suficiente. 

Resta a pergunta: o mundo civilizado dispõe de meios para evitar o subjugo ao psicopata Donald Trump?

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/o-mundo-a-merce-de-um-psicopata

Mostra de Arte e Cultura Trans de Campinas

A 1ª Mostra de Arte e Cultura Trans de Campinas acontece no sábado e domingo, 25 e 26 de janeiro na Sala dos Toninhos – anexa à Estação Cultura. O event contará com performances, artes cênicas, música, cinema, artes visuais, ações formativas, discotecagem e Ball.

A Mostra é realizada por um coletivo de artistas trans, travestis e não-bináries da cidade, integra o calendário da Semana da Visibilidade Trans, promovida pela Prefeitura de Campinas. A ação vem de encontro com o Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado anualmente em 29 de janeiro, e tem como objetivo promover e dar visibilidade à arte e cultura produzida por pessoas com as referidas identidades, celebrar suas expressões culturais e artísticas e proporcionar um espaço inclusivo e acessível para o fortalecimento e expressão da comunidade.

Programação

Sábado, 25/01

13h – Ação Formativa | Tomboys também choram: O olhar Queer no cinema contemporâneo com palestra de Davi Manoel Carvalho
15h – Abertura da Mostra Trans Campinas – Fala institucional das diretoras da Mostra de abertura oficial e Abertura das Exposições de Artes Visuais: “CUIDADO” de Edwin Salas, “Cubo das Cores: Arte e Equilíbrio Artista”, de Karen Silva e “Camiz Art”, de Camila Umbuzeiro Freitas
16h40 – Exibição Audiovisual – Curta: “Tudo que Importa”, de Coraci Ruiz, “Documentário: “Homens Invisíveis, de Couro de Rato”, de Luis Carlos de Alencar e “BYE BYE VENENO”, de Nicola Tenca
19h – Apresentações Musicais com shows de Jan, O Caos, PAMKA, Flóki e Mlk de Mel
20h30 – Artes da Cena | Espetáculo: Bendita Sois Entre as Mulheres, com Renata Peron.

Domingo, 26/01

14h – Roda de Conversa | Café e Saúde Sexual da População Trans
Horário: 14h-15h
14h18 – Ball da Visibilidade Trans
18h – Artes da cena | Performance-instalação: DeOnde de PH VeríssimA
19h30 – Show | Disforia Baile Punk com apresentação de Disforia Queercore – discotecagem | DJ Set Afrobeat e Amapiano – “O Futuro é Agora”
20h30 – DJ: AkiN

Fonte: https://mondomoda.com.br/2025/01/20/1a-mostra-de-arte-e-cultura-trans-de-campinas/

A verdadeira Pinkie Pie


Quando a popular revista "Equestria Trends" decidiu que queria me entrevistar, eu mal podia conter a excitação! A ideia de compartilhar um pedacinho da minha vida com o mundo era eletrizante. E, claro, o que poderia ser melhor do que isso? Afinal, eu sou Pinkie Pie, a mais alegre, festiva e animada pônei de Poneyville! Mas eu sabia que essa entrevista não seria apenas sobre festas e bolos — havia um subtexto que ecoava nas mentes dos pôneis e, na verdade, nos seres que habitavam as terras ao redor. O que seria a verdadeira essência de Pinkie Pie?

Na manhã da entrevista, o sol brilhava intensamente, iluminando cada canto da minha amada Poneyville. Um grupo de pôneis se reuniu na Praça do Mercado, onde as flores estavam em plena floração e as barracas de doces estavam montadas. Meus amigos, como Twilight Sparkle, Rarity e Rainbow Dash, estavam lá para me apoiar. Afinal, quem melhor para me ajudar a manter a alegria que sou do que eles?

A equipe da revista chegou pontualmente, com câmeras e bloquinhos de anotações. A jornalista, uma pônei chamada Sparkle Bloom, era carismática e tinha um jeito encantador. Logo começamos a conversa.

"Pinkie, você é conhecida por sua personalidade vibrante e amor pela festa. Mas os pôneis têm curiosidade sobre sua identidade e orientação sexual. Você se considera uma pônei queer?" Ela perguntou com um sorriso, como se já estivesse esperando por uma resposta.

Senti meu coração disparar. A questão da identidade e da sexualidade é algo que eu sempre abracei, mas, ao mesmo tempo, nunca fui rotulada. "Bem, eu sou Pinkie Pie!", respondi com um sorriso. "E isso significa que eu sou simplesmente eu! Adoro fazer amigos e compartilhar alegria. A vida é uma grande festa, e eu estou aqui para dançar!"

Sparkle Bloom parecia intrigada. "Então, você não se sente limitada por rótulos, certo? Você é alguém que valoriza as conexões emocionais mais do que qualquer outra coisa?"

"Exatamente!" Eu disse, balançando minha cabeça. "Rótulos podem ser confusos. Eu amo todos os tipos de pôneis! O que mais me importa é a felicidade, a amizade e a celebração. Não importa se você é um pônei, um dragão ou um griffon! Se você vem à minha festa, está na lista de convidados!"

Ela sorriu, parecendo apreciar minha perspectiva. "Você pode compartilhar um pouco sobre suas experiências? Já enfrentou desafios relacionados a isso?"

Eu hesitei por um momento, lembrando de como às vezes me sentia deslocada nas festas da minha juventude, não por quem eu era, mas por não saber se outros pôneis entenderiam o meu desejo de conectar. "Houve momentos em que eu me perguntei se seria aceita. Às vezes, as festas não eram apenas sobre risadas, mas sobre encontrar o meu lugar. Aprendi que ser eu mesma era a melhor maneira de encontrar amigos que realmente me aceitassem."

"Isso é inspirador, Pinkie! E como você enxerga a aceitação em Poneyville hoje?" Sparkle continuou.

"Eu sinto que Poneyville é um lugar onde todos podem ser quem são. É claro que ainda existem desafios, mas estamos sempre crescendo e aprendendo uns com os outros! Cada festa que organizo é uma oportunidade de celebrar a diversidade! No fundo, todo pônei tem um brilho único e especial, e eu amo criar um espaço onde todos podem brilhar!"

A conversa continuou, e eu compartilhei histórias sobre festas que organizei para meus amigos e como a amizade e a aceitação foram sempre a base de tudo. Cada história era uma oportunidade de reforçar a mensagem de que, não importa quem você seja, o que importa é o amor e a amizade que compartilhamos.

Ao final da entrevista, Sparkle Bloom sorriu e fechou seu bloco de anotações. "Pinkie, sua energia é contagiante. Você não só é a vida da festa, mas também uma defensora do amor e da aceitação. O que você espera que seus leitores tirem da sua história?"

"Eu espero que eles aprendam que ser verdadeiro consigo mesmo é a maior festa de todas! A vida é muito curta para se preocupar com o que os outros pensam. Celebre quem você é, e você encontrará a verdadeira alegria!"

Com isso, a equipe da revista se despediu, e meus amigos vieram me parabenizar. Enquanto todos nós caminhávamos pela Praça do Mercado, não pude deixar de sentir que, naquele dia, não apenas compartilhei minha história, mas também inspirei outros a se aceitarem e a abraçarem suas verdadeiras cores. Afinal, a vida é como um grande bolo de aniversário, e cada fatia é única e deliciosa à sua maneira!

Criado com Toolbaz.
Arte gerada por IA.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Intolerância religiosa estrutural

O Prefeito de Natal, Paulinho Freire (União Brasil) vetou um projeto de lei aprovado pela Câmara Municipal de Natal que previa a instituição de um processo de reconhecimento para garantir isenção de impostos para templos de religiões de matriz africana que não são registrados como associações civis, com CNPJ.

A decisão, acompanhada de uma mensagem ao presidente da Câmara, Ériko Jácome (PP), foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial do Município no último dia 15 de janeiro.

Com o posicionamento do Poder Executivo, o projeto volta ao Legislativo para uma nova análise dos vereadores, que podem decidir por manter ou derrubar o veto.

Nas redes sociais, o autor do projeto, vereador Daniel Valença (PT) criticou a decisão do prefeito e classificou o veto como um "ataque à igualdade e ao direito à diversidade religiosa".

"Alguém esperava algo diferente de uma gestão que não prioriza a justiça social e o combate ao racismo religioso? Nós não. Nosso projeto era um passo crucial para reconhecer a luta histórica dos terreiros de jurema, umbanda e candomblé, que, apesar de garantias constitucionais, seguem sofrendo com perseguições e obstáculos impostos por uma estrutura de desigualdades", considerou o vereador.

"Em Natal, mais de 300 terreiros enfrentam cobranças ilegais de IPTU, fruto de desconhecimento ou falta de regulamentação municipal. Nosso mandato propôs soluções, dialogando com lideranças religiosas e estudando experiências de sucesso em outros municípios. O veto do prefeito é um ataque à igualdade e ao direito à diversidade religiosa. Mas nossa luta não para aqui", acrescentou o parlamentar.

Daniel ainda disse que vai pressionar pela derrubada do veto.

Em nota, a Prefeitura de Natal afirmou que seguiu recomendação da Procuradoria Geral do Município e que o veto foi motivado por inconstitucionalidades. Segundo a gestão, o tema só poderia ser tratado dentro de uma lei complementar - e não por uma lei ordinária, como foi. Além disso, questões relacionadas à arrecadação tributária precisam partir do próprio Executivo.

"O veto integral se deu, conforme publicado no Diário Oficial, pelo fato de a imunidade tributária ser matéria regulada obrigatoriamente por lei complementar. O projeto em questão foi apresentado como lei ordinária. De acordo com jurisprudência do STF, matérias reservadas à lei complementar, conforme disposto na Constituição, não podem ser tratadas por lei ordinária, sob pena de inconstitucionalidade", diz a nota da prefeitura.

"Não obstante, a Lei Orgânica do Município detalha, em seu artigo 39, que é de competência do Executivo projetos que tratem de regimes tributários especiais, razão pela qual havia também um vício de iniciativa", diz a nota da prefeitura.

O que diz a lei vetada

A lei vetada visava instituir uma Política Municipal de Reconhecimento de Templos de Religiões de Matriz Africana a fim de garantir a imunidade tributária, com um procedimento próprio para reconhecimento de templos carentes, que não são registrados como associação civil ou não possuem CNPJ, "considerando-se a prevalência da tradição oral e as condições de vida estruturalmente precárias da população negra, histórica praticante de religiões como Jurema, Umbanda e Candomblé".

"Farão jus à imunidade tributária os líderes religiosos das religiões citadas nesta Lei, sejam eles proprietários, locatários, possuidores de boa-fé ou detentores de vínculo jurídico de qualquer natureza com o imóvel que sedia o templo, a despeito de não estar em nome de associação civil com CNPJ próprio, desde que devidamente reconhecido como templo, nos termos desta Lei", diz o texto.

Ainda de acordo com o projeto aprovado no Legislativo, o reconhecimento dos templos de religiões de matriz africana poderá ser feito por meio da análise de fotos, vídeos, testemunhas e autodeclaração. Essa análise seria realizada por uma comissão especial instituída pelo Poder Executivo.

Outra possibilidade seria o reconhecimento formal e documentado emitido por associação com abrangência estadual ou nacional.

Fonte: https://g1.globo.com/google/amp/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2025/01/21/prefeito-de-natal-veta-lei-que-previa-processo-de-reconhecimento-de-templos-religiosos-de-matriz-africana-para-garantir-isencao-tributaria.ghtml

Nota: isso em um país que tem lei contra a intolerância religiosa.

O cocô vos cobrirá

Após ser empossado como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump iniciou seu mandato assinando suas primeiras ordens executivas em um evento marcado por discursos polêmicos em Washington. Diante de seus apoiadores, o republicano atacou o governo anterior, liderado por Joe Biden e Kamala Harris, e anunciou a revogação de 78 leis e decretos adotados pelos democratas nos últimos quatro anos.

Saída da OMS

Na noite de hoje, Donald Trump anunciou o fim de qualquer envolvimento ou financiamento dos EUA à Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade, que tem sede em Genebra, foi central na luta contra a pandemia da covid-19 e é responsável pelo desenvolvimento de programas de combate a doenças pelo mundo.


“A OMS nos roubou. Isso não vai acontecer mais”, prometeu o republicano, ao assinar ordens executivas no Salão Oval.

Decisões iniciais: guinada ultraconservadora e desmonte de políticas ambientais

Trump sinalizou uma agenda ultraconservadora ao anunciar o desmonte de legislações ambientais, o encerramento de programas de promoção da igualdade racial e a saída dos EUA do Acordo de Paris. Além disso, o presidente indicou uma postura ainda mais rígida em relação à imigração. Essas medidas geraram a primeira reação crítica do governo brasileiro, com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, condenando as decisões.

Anistia para invasores do Capitólio: promessa controversa

Uma das ações mais aguardadas de Trump foi relacionada aos envolvidos na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Durante o evento, ele afirmou: “Vou assinar perdões para muita gente”. A anistia, segundo ele, será destinada a indivíduos que não cometeram atos de violência, enquanto aqueles acusados de crimes graves poderão ter suas penas revisadas.

O perdão abrangeria 1.500 pessoas, o que cobre quase todos os que foram acusados formalmente pela Justiça. Durante a campanha, Trump referiu-se à data como o “dia do amor”, classificando os envolvidos como “patriotas”.

Impactos econômicos e ambientais: recuo em medidas sustentáveis

Trump também anunciou mudanças no setor de energia, incluindo o fim de restrições impostas pelo governo Biden para novas explorações de gás e petróleo. O Alasca foi apontado como foco central dessas novas iniciativas. Além disso, o presidente declarou a saída dos EUA do Acordo do Clima de Paris, classificando-o como um “roubo” e afirmando que a medida economizaria US$ 1 trilhão para o país.

O discurso gerou críticas internacionais, especialmente na ONU, que teme impactos negativos nas negociações da Conferência do Clima, marcada para ocorrer em Belém no final do ano.

Reação brasileira: alerta sobre retrocessos climáticos

Rompendo o tom diplomático tradicional, a ministra Marina Silva criticou as decisões de Trump. “Seus primeiros anúncios vão na contramão da defesa da transição energética, do combate às mudanças climáticas e da valorização de fontes renováveis na produção de energia”, declarou. Ela destacou que os EUA são o segundo maior emissor global de gases de efeito estufa, enfatizando os riscos globais das ações americanas.

Segundo Marina, as políticas anunciadas por Trump representam “o avesso da política guiada pelas evidências trazidas pela ciência e do bom senso imposto pela realidade dos eventos climáticos extremos que ocorrem, inclusive, em seu próprio país”.

Trump declarou emergência de segurança nacional, autorizando o envio de militares à fronteira com o México e o uso de amplos recursos financeiros para barrar a entrada de novos imigrantes. Dez decretos relacionados à imigração foram assinados, incluindo a retomada da construção do muro na fronteira e a reativação de programas que mantêm estrangeiros no México enquanto aguardam o processo de regularização.

O presidente também ordenou que o Departamento de Justiça e a Procuradoria Geral solicitem a pena de morte para imigrantes envolvidos em assassinatos de agentes federais. Permissões concedidas por Joe Biden a venezuelanos, haitianos, cubanos e afegãos serão revisadas, e a cidadania por nascimento será limitada, excluindo filhos de imigrantes ilegais e visitantes de curto prazo.

Ataque à diversidade e direitos sociais

Trump extinguiu programas de promoção de igualdade racial e proteção de direitos da comunidade LGBT. Sob os novos decretos, o governo reconhecerá apenas o sexo biológico, restringindo direitos de pessoas trans, incluindo acesso a proteção escolar. Termos como “não-binário” serão removidos de documentos oficiais.

Programas de diversidade nas agências governamentais e forças armadas foram encerrados, sendo substituídos por um sistema baseado exclusivamente em mérito. Além disso, o financiamento a organizações que promovem direitos sexuais e reprodutivos, incluindo o aborto, foi cortado.

Fim do termo “desinformação” e maior liberdade às redes sociais

Trump assinou ordens proibindo agências federais de colaborar com grupos de checagem de fatos ou iniciativas de combate à desinformação. O termo “desinformação” será tratado como uma ferramenta para justificar censura, e qualquer contrato relacionado a esse tipo de atividade será encerrado.

Política comercial e guerra tarifária

O governo Trump iniciará uma revisão global de tarifas aplicadas a produtos importados, mirando países como China, Índia, Brasil e até aliados como México, Canadá e União Europeia. O presidente anunciou a criação de uma agência responsável por gerenciar a arrecadação de tarifas, afirmando que “tarifas vão nos fazer ricos”.

Reforma administrativa e lealdade no governo

O novo governo também implementará um congelamento de contratações e regulamentos no setor público. Todos os funcionários deverão trabalhar presencialmente, e as futuras contratações dependerão de critérios de “lealdade” ao governo.

Repercussões e temores

Grupos de direitos humanos alertaram sobre os impactos das novas medidas. Segundo ativistas, as mudanças colocam em risco princípios constitucionais e direitos fundamentais de minorias e imigrantes. A oposição relembrou declarações de campanha de Trump, em que o presidente afirmou não hesitar em ser um “ditador por um dia”.

As consequências das novas políticas já começam a ser sentidas. Aplicativos de programas de imigração foram desativados, e rumores de deportações em cidades como Nova York e Chicago geraram apreensão entre estrangeiros

Cuba na lista de patrocinadores do terrorismo

Trump também revogou a medida que retirava Cuba da lista de Estados patrocinadores do terrorismo. A decisão representa uma reversão de um decreto de Joe Biden e o republicano não explicou razões específicas para essa decisão.

O decreto de Biden, que ocorreu na última semana, rescindiu a designação dada por Mike Pompeo, ex-secretário de Estado, que havia colocado Cuba na lista em janeiro de 2021. A medida foi adotada por acusações do país apoiar terroristas. Além de Cuba, outros países como Coreia do Norte, Irã e Síria também estão na lista.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/trump-tira-eua-da-oms-perdoa-15-mil-invasores-do-capitolio-e-abandona-acordo-de-paris/