Representantes da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa comemoraram hoje (31) a confirmação de um encontro oficial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cerca de 40 pessoas debateram, no Rio, propostas para a redação de um programa nacional sobre o tema, que deverá ser apresentado ao presidente no dia 20 de novembro. Evangélicos não participaram da reunião.
"Queremos congregar todos os setores. Pela primeira vez, um presidente vai receber a comissão para discutir o tema. Vamos elaborar um projeto nacional", disse Ivanir dos Santos, do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap). Presidente da Federação Israelita do Rio, Sérgio Niskier disse não acreditar em ação de governo que "não nasça do clamor"."Não é um movimento vindo de um ato de bondade do governo, é um 'acordar'. A sociedade há muito tempo tem de dar um grito contra a intolerância", declarou. Em discurso, Niskier lembrou casos recentes de ataques sofridos por religiões de origem africana no Estado do Rio. "Já foi assim conosco. Depois dos judeus, vieram os ciganos, os comunistas, os homossexuais etc. O racismo não se contempla com seu primeiro alvo", disse. Segundo ele, sinagogas também são alvos de vandalismo no Rio.
No encontro, o subsecretário de Políticas Afirmativas da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, Alexandro Reis, disse que o governo federal poderá financiar a criação de uma Delegacia de Combate à Intolerância Religiosa no Rio. Um dos convidados, o delegado Henrique Pessoa, coordenador de Inteligência da Polícia Civil do Rio, disse, porém, que a obra não é uma prioridade. "Ficamos um pouco decepcionados porque não têm havido denúncias", declarou. O delegado estimulou os presentes a divulgar que denúncias podem ser feitas por meio do site da Polícia Civil. "Podemos brigar por uma delegacia especializada, mas hoje a demanda é muda. É fato que muitas pessoas têm medo, mas é preciso descobrir um canal mais efetivo, porque senão vai ser difícil lutar (pela delegacia).
"Presidente da Associação de Educação Católica do Rio, Sérgio Maia apresentou um plano de mobilização das religiões pela educação e defendeu que a sociedade "tenha a convicção das contribuições africanas". Foram discutidos, entre outros pontos, o mapeamento de centros religiosos no País e a aplicação da lei que determina o ensino de História da África e Cultura Afro-brasileira nas escolas. A antropóloga Ana Paula Miranda foi convidada pelo grupo para elaborar um "dossiê da intolerância religiosa" no Estado.
Fonte: Bem Paraná
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Programa contra a intolerância religiosa
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O réu é um animal
Em 1386, um julgamento na cidade francesa de Falaise condenou o réu à pena máxima, enforcamento em praça pública, por cometer infanticídio – assassinato de criança. No dia da execução, o povo se aglomerou para ver o espetáculo. Pela importância da solenidade, o carrasco recebeu um par de luvas brancas. No centro do show estava a ré: uma porca. Sim, isso mesmo. A porca havia sido julgada e condenada à forca. Na Europa feudal, o julgamento de animais era comum, já que se acreditava que, se eles eram responsáveis por crimes, deveriam responder por eles. O júri era igual ao aplicado aos humanos – e até a advogados os animais tinham direito. A interpretação da criminalidade animal provavelmente vinha das crenças judaico-cristãs. Em uma passagem bíblica, a morte por apedrejamento é citada: “E se algum boi escornear homem ou mulher, que morra, o boi será apedrejado certamente, e a sua carne se não comerá; mas o dono do boi será absolvido.” (Êxodo, capítulo 21, versículo 28).
Segundo a professora de literatura inglesa da Universidade da California e autora do recém-lançado "For the Love of Animals: The Rise of the Animal Protection Movement" ("Pelo amor dos animais: o surgimento do movimento de proteção animal", em tradução literal), Kathryn Shevelow, em entrevista ao G1 por e-mail, a tradição de julgamentos era especialmente comum na França. "Os crimes eram geralmente homicídio ou crimes sexuais, como de humanos que fazem sexo com animais. Nessa época, os homens consideravam os animais moralmente responsáveis por seus atos."
No livro “The criminal prosecution and capital punishment of animals”, inédito em português, o americano Edward Payson Evans examina detalhes de 191 casos do tipo. Segundo ele, os julgamentos ocorreram principalmente entre os séculos XV e XVII, sendo que o primeiro registro encontrado pelo autor data de 824, quando toupeiras foram excomungadas no Vale de Aosta, noroeste da Itália. O último caso, segundo o livro, foi em 1906, quando um cachorro foi julgado em Délémont, na Suíça.
Em alguns casos, os animais obtinham clemência. O júri podia ser tanto eclesiástico como secular, e o crime mais comum era homicídio - mas também foram registrados roubos. Além dos porcos, entre os bichos citados há abelhas, touros, cavalos, ratos, lobos, gatos e cobras.
Entre os animais acusados, os porcos estavam entre os que mais frequentavam o banco dos réus. Segundo escreveu Piers Beirne, professor de criminologia da Universidade de Southern Maine (EUA), em um artigo sobre o assunto, o motivo de os porcos serem comunmente acusados é que eles viviam livremente com os homens, e seu peso e tamanho faziam com que causassem problemas.
Fonte : G1
Nota: Este é apenas um dos sintomas dos massacres que ocorreram na Europa devido à histeria causada pela Igreja que vitimou milhares de inocentes.
Segundo a professora de literatura inglesa da Universidade da California e autora do recém-lançado "For the Love of Animals: The Rise of the Animal Protection Movement" ("Pelo amor dos animais: o surgimento do movimento de proteção animal", em tradução literal), Kathryn Shevelow, em entrevista ao G1 por e-mail, a tradição de julgamentos era especialmente comum na França. "Os crimes eram geralmente homicídio ou crimes sexuais, como de humanos que fazem sexo com animais. Nessa época, os homens consideravam os animais moralmente responsáveis por seus atos."
No livro “The criminal prosecution and capital punishment of animals”, inédito em português, o americano Edward Payson Evans examina detalhes de 191 casos do tipo. Segundo ele, os julgamentos ocorreram principalmente entre os séculos XV e XVII, sendo que o primeiro registro encontrado pelo autor data de 824, quando toupeiras foram excomungadas no Vale de Aosta, noroeste da Itália. O último caso, segundo o livro, foi em 1906, quando um cachorro foi julgado em Délémont, na Suíça.
Em alguns casos, os animais obtinham clemência. O júri podia ser tanto eclesiástico como secular, e o crime mais comum era homicídio - mas também foram registrados roubos. Além dos porcos, entre os bichos citados há abelhas, touros, cavalos, ratos, lobos, gatos e cobras.
Entre os animais acusados, os porcos estavam entre os que mais frequentavam o banco dos réus. Segundo escreveu Piers Beirne, professor de criminologia da Universidade de Southern Maine (EUA), em um artigo sobre o assunto, o motivo de os porcos serem comunmente acusados é que eles viviam livremente com os homens, e seu peso e tamanho faziam com que causassem problemas.
Fonte : G1
Nota: Este é apenas um dos sintomas dos massacres que ocorreram na Europa devido à histeria causada pela Igreja que vitimou milhares de inocentes.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
O paganismo anglo-saxão
No relativo aos Deuses adorados pelos anglo-saxões, os topônimos constituem a fonte principal: sobrevivem até hoje meia centena de topônimos gerados até meados do séc. VII e que estabelecem conexões pagãs indubitáveis. Referem-se, seja a nomes divinos, seja a locais de culto, e estão situados principalmente no sudoeste e no sul da atual Inglaterra, bem como nos “Midlands” centrais.
Três Deuses aparecem mais associados aos topônimos: Woden, Thunor e Tiw; associações menos seguras foram feitas também com a Deusa Frigg ou Friga. A distribuição dos nomes de lugares – e, portanto, supostamente, de centros de devoção não é homogênea: há regiões onde aparecem agrupados, indicando uma área onde o culto era mais forte.
Além dos topônimos, os Deuses também emprestaram seus nomes aos dias da semana. Topônimos e genealogias não podem ensinar-nos sobre as características específicas dos Deuses entre os anglo-saxões.
Entretanto, pode-se recolher algumas informações, mediante correlações com dados provenientes fora da ilha.
Na Inglaterra anglo-saxã, como em outras regiões germânicas, os santuários ficavam usualmente em paragens remotas, florestas ou colinas, há indícios também do culto a certas rochas, bosques, árvores isoladas e poços. Os raros lugares de culto dotados de alguma construção, não parecem ter incluído grandes edificações: destinavam-se, provavelmente, a alojar ex-votos, imagens de divindades e objetos sagrados; a visitas individuais, não a cerimônias coletivas.
Quando dos festivais, usavam-se salas reais ou de nobres onde coubesse muita gente; procissões podiam, nessas ocasiões, contornar em algum momento o santuário, permitindo que se vissem os objetos sagrados em seu interior, sem entrar.
Embora os santuários em questão pudessem ser protegidos por cercas, não existia a idéia de recintos sagrados taxativamente separados dos espaços ordinários, seculares: pelo contrário, deviam estar abertos ao mundo de todos os dias e às pessoas em geral. Em certos casos o lugar se limitava a uma clareira cercada de árvores, um topo de colina, etc.
Outrossim, o fato de tais lugares sagrados não se associarem a uma divindade específica poderia significar a presença de vários ídolos em cada santuário. Quanto a fontes escritas, o Papa Gregório em uma carta ao abade Melitão dizia para que se destruíssem os ídolos, mas não os edifícios: se estes fossem adequadamente construídos, deveriam ser reconsagrados como igrejas.
Mais de 30 mil enterros foram escavados arqueológicamente, em 1200 cemitérios, cobrindo a fase anglo-saxônia da Inglaterra até o séc. VIII. O que chama a atenção é a tremenda diversidade que tomam os ritos funerários: cremação e inumação aparecem lado a lado o tempo todo, até num mesmo cemitério. Há uns poucos enterros importantes cobertos por colinas artificiais ou em barcos. Em alguns enterros moedas, oferendas alimentares, armas e animais acompanhavam o morto.
A presença eventual de pessoas sacrificadas e ocasionalmente decapitadas, em enterros de grandes chefes ou reis, enterradas como se estivessem prostradas, sugere a prática de sacrifícios humanos, embora isso não possa ser diretamente comprovado.
No tocante aos festivais sazonais e ao calendário notam-se grandes diferenças com o que acontecia entre os celtas. Por exemplo a total falta de importância atribuída pela religião anglo-saxã ao solstício de verão, o calendário das festas situadas no tempo a intervalos regulares quanto ao número de meses transcorridos entre as festividades.
O maior dos festivais marcava o início do ano e ocorria no solstício de inverno – Modranicht. Em fevereiro, bolos eram oferecidos aos Deuses. Setembro era Halegmonath, o “mês sagrado”. Novembro era Blodmonath, o “mês do sangue”, em que muitas cabeças de gado eram mortas antes do inverno e algumas sacrificadas aos Deuses. Havia, por fim, um grande festival de primavera, em abril, em honra da Deusa Eostre.
Outro ponto mais ou menos claro das crenças religiosas dos anglo-saxões pagãos é o que diz respeito ao papel do rei: o fato de ser considerado responsável pelas colheitas aponta para as funções hereditárias mágico-religiosas nas famílias reais descendentes de Deuses pagãos.
O caso específico da vinculação da religião com a função real nos conduz a um assunto final: o caráter da religião dos anglo-saxões pagãos. A religião pagã não centrava sua atenção nos detalhes acerca da eternidade ou em outros assuntos metafísicos e sim na propiciação da vida neste ou no outro mundo.
Este caráter fortemente pragmático da religião se refletia igualmente numa enorme quantidade de encantamentos mágicos para múltiplas finalidade, baseados também num conhecimento das propriedades dos liquens e das ervas, constituindo um saber popular de forte sabor folclórico.
Fonte: Cardoso, Ciro Flamarion. O Paganismo Anglo-Saxão: Uma Síntese Crítica.
Revista Brathair, nº4 (1), 2004: pg 27-33. (http://www.brathair.com) [link morto]
Paracelso: mago e cientista
Ele saiu de casa aos 14 anos em busca da pedra filosofal. Médico e alquimista, venceu a peste, antecipou em 500 anos a cura da sífilis e revolucionou a Medicina.Ousadia e irreverência certamente não faltavam ao garoto Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim. Zombar dos professores durante as aulas pode ser classificado, ainda hoje, como um sinal de intolerável rebeldia de um adolescente de 14 anos, na oitava série do primeiro grau. Imagine-se fazer o mesmo, em 1508, com os catedráticos de Medicina da Universidade de Viena. Quem esse fedelho pensava que era? Paracelso, ele responderia, adotando esse nome três anos depois, ao bacharelar-se em Medicina. Para além de, maior que Celso. Melhor que Aulus Cornelius Celsus, o grande médico romano do século I, autor de De Medicine, a bíblia de todos os médicos da época. Pretensioso? O jovem Theophrastus não estava nem um pouco preocupado com a opinião de seus escandalizados mestres.
Nos trinta anos seguintes, Paracelso percorreria a Europa e o Oriente Médio. Estudando ciências ocultas e magia negra, curando feridos nas frentes de batalha e vencendo a peste. Aprendendo com ladrões, curandeiros e ciganos para ensinar nas principais universidades. Queimando os manuais de Medicina e escrevendo tratados sobre duendes e cirurgia. Buscando a pedra filosofal, capaz de transformar chumbo em ouro e tornar o homem imortal, e criando a homeopatia e a quimioterapia. Assim, tornava-se um dos grandes cientistas de todos os tempos, enquanto era acusado de charlatão e pretensioso pelos médicos da época. Pretensiosos, respondia, são eles. Afinal, que sabiam sobre química ou mineralogia?
Sem contar o que aprendera de prático em disciplinas não científicas, como a alquimia, ou a cabala, que começara a estudar ainda na infância na cidadezinha de Einsiedeln, próxima de Zurique, onde nasceu em novembro de 1493. Quando não estava acompanhando as consultas do pai, médico do povoado, o irrequieto Theophrastus fugia para ler na igreja atrás de sua casa. As calmas tardes de leitura do pequeno Theophrastus na igreja terminariam com a morte de sua mãe e a mudança do pai para Villach, no sul da Áustria. Nessa cidade, o futuro Paracelso aprenderia teorias e práticas daquilo que, mais tarde, se tornaria a Química.
Aprendia com o próprio pai, doutor von Hohenheim, professor na Bergschule, uma escola criada pelos Fugger, uma rica família de banqueiros de Augsburg, para formar técnicos para suas minas de ouro, ferro e cobre. Em 1507, o garoto Theophrastus deixa Villach para unir-se aos grupos de jovens andarilhos. A Europa vivia as mudanças e lutas políticas do fim da Idade Média e o começo da Renascença, com a consolidação do absolutismo. Surgiam os primeiros processos de unidade nacional, que levariam aos Estados modernos.
À procura de saber, ele vai estudar com Iean Tritemio, abade do mosteiro de São Jorge, em Würzburg, autor dos primeiros livros que lera na infância, mas rompe com o mestre por divergência em algumas experiências de magia negra. Passa de uma universidade a outra Viena, Wittenberg, Leipzig, Heidelberg e Colônia , mas seu espírito rebelde decepciona-se com todas. Como as faculdades conseguem produzir tantos idiotas? Zomba, com sarcasmo típico. As universidades não ensinam tudo. Um médico deve procurar as parteiras, ciganas, feiticeiros, andarilhos e ladrões para aprender com eles. Nos anos seguintes, trabalha nas guerras dos Países-Baixos como cirurgião militar, ocupação desprezada por outros médicos. Vai para a Rússia e chega até a Tartária onde é feito prisioneiro. De passagem pela Alemanha, é preso em Nördlingen, por ressentimento de colegas médicos, a quem chamava de admiradores de urina. Escapa para a Suécia e, em 1521, trabalha de novo como cirurgião militar na Itália. Depois, viaja pelo Egito, Arábia, Terra Santa e Constantinopla.
Em todos os lugares procura aperfeiçoar seus conhecimentos sobre o que chamava de forças latentes da natureza. Condenava a prática vigente à época, de cobrir os ferimentos com musgo ou esterco. As feridas devem ser drenadas. Prevenida a infecção, a natureza se encarregará de curá-las. Repudiava também as pílulas milagrosas, receitadas para qualquer doença, assim como infusões, bálsamos, ungüentos e fumigações usadas indiscriminadamente. Foi o primeiro a usar venenos em pequenas doses para curar, e criou a quimioterapia, preparando medicamentos com enxofre, ferro, cobre e mercúrio.
Em 1530, irritou o conselho médico de Nuremberg por escrever a melhor descrição da sífilis até então. Afirmou que a doença podia ser tratada por via interna com compostos de mercúrio diagnóstico que seria comprovado quase quatro séculos depois, em 1909, pelo alemão Paul Ehrlich. Este criou o Salvarsan, à base de mercúrio, o primeiro remédio eficaz contra a sífilis. Paracelso foi também o primeiro a ligar o bócio aos minerais da água potável, especialmente o chumbo. Freqüentando ta-ver-nas, em meio a prostitutas, ladrões, soldados e trabalhadores, escreveu o livro As enfermidades dos mineiros, considerado o primeiro tratado de Medicina do trabalho. Aí identificou pela primeira vez como causa da silicose a aspiração do pó de silício (esse livro levou o então jovem Karl Marx a escrever uma biografia do autor, em 1841, para registrar o tricentenário de sua morte). Mas os trabalhos práticos não eram o único interesse de Paracelso. Ele também formulou idéias gerais onde afirmava que todos os corpos eram compostos de três princípios: energia, solidez e fluidez. Na linguagem dos alquimistas, esse trio correspondia, respectivamente ao fogo, ou enxofre alquímico; à terra, ou sal; e ao líquido, ou mercúrio. Adepto do esoterismo, estava convencido de que o conhecimento dividia-se em cinco estádios: uma doutrina secreta, ou filosofia hermética; o misticismo; o conhecimento científico; a prática alquímica e da medicina; e a ars magna, ou arte maior, uma síntese dos quatro anteriores. Como conseqüência desse método, acreditava na existência de um princípio vital benéfico que talvez se possa comparar ao sistema imunológico. A ação de tal princípio, dizia Paracelso, devia ser preservada durante a doença, mantendo-se o doente no que chamava de expectativa higiênica. Por isso, opunha-se radicalmente aos vomitórios e sangrias usuais na época, que debilitavam o doente.
Como obtinha curas espetaculares, suas histórias espalhavam-se de cidade em cidade. E quando correu a notícia de que aceitara lecionar Medicina na universidade de Basiléia, em 1527, para aí foram estudantes de todas as partes da Europa. Orgulhosas, no início, as autoridades municipais ficaram apreensivas quando ele convidou para suas conferências não apenas os estudantes, mas todo o povo. Essa apreensão iria virar escândalo quando Paracelso, cercado por uma multidão, queima em praça pública livros dos pais da Medicina: o grego Galeno (129- 199) o árabe Avicena (980- 1037) e o romano Celso. O resultado foram violentos choques com farmacêuticos, médicos e juízes da cidade. Paracelso já não era bem visto porque sempre se recusara a usar adornos e distintivos próprios dos médicos medievais, que por sua vez o chamavam de Lutero Médico, em alusão a Martinho Lutero (1483-1546), fundador do protestantismo.
Adivinhando a intenção dos inimigos, Paracelso defendeu-se. Lutero Médico? Lutero que defenda o que ele diz, eu só me responsabilizo pelo que digo. Mas o que vocês querem para Lutero é o mesmo que querem para mim: a fogueira. Na primavera de 1528, a fogueira parecia já estar pronta, pois Paracelso é obrigado a fugir de Basiléia na escuridão da noite, só com a roupa do corpo. Ele passa os três anos seguintes entre Colmar e Nuremberg e mais três em Saint Gall. Foi seu mais longo período de vida sedentária e durante esse tempo escreveu O livro da cirurgia.
De Saint Gall é chamado para enfrentar uma epidemia de peste na cidade de Stertzing. Salva centenas de vidas dando aos doentes pãezinhos feitos com um pouco das secreções do próprio paciente, que coletava com a ponta de uma agulha. O que provoca a doença também pode curá-la, se administrado em pequenas doses, ele enuncia pela primeira vez o que seria mais tarde a base da homeopatia. O sucesso na luta contra a peste o transforma em uma lenda viva que aumenta o impacto do lançamento de O livro da cirurgia, em 1536.
O livro amplia ainda mais a fabulosa reputação que obtivera durante os meses em que lecionara em Basiléia, e os aristocratas fazem fila na sua porta. Rico, famoso e respeitado aos 45 anos de idade, retira-se para Mildenheim para redigir sua obra. Nos dois anos seguintes, escreve sem parar. Sobre a peste e as epidemias, as feridas abertas e as chagas, as úlceras dos olhos e o glaucoma. Tratados sobre normas para as análises químicas e livros como A arte de receitar, Os princípios ativos que se obtêm pela trituração dos remédios, A preparação do heléboro uma planta medicinal e obras sobre alquimia.
Trata, também, de filosofia e ocultismo. Sobre filosofia, escreve O livro dos prólogos e O livro das entidades, composto de quatro tratados pagãos e um teológico. Sobre ocultismo, Filosofia oculta e o Tratado das ninfas, silfos, duendes, salamandras e outros seres. Finalmente, um livro de profecias sobre o final dos tempos, com o título de Prognósticos, composto de 32 textos sobre gravuras alegóricas que recordam as do também médico e contemporâneo Nostradamus (1503-1566).
Muda-se então para Salzburgo, a convite do príncipe-arcebispo duque Ernst da Baviera, que o nomeia médico oficial da cidade. No início do verão de 1541, porém, interna-se em um hospital e passa a escrever sobre misticismo e comentários de passagens bíblicas. No último dia do verão, é um abatido Paracelso que aluga um aposento na Pousada do Cavalo Branco e chama o tabelião para redigir seu testamento. Quando o escrivão se retira, escreve, até nos mínimos detalhes, as instruções para seu enterro. Três dias depois está morto.
O enterro, conforme seu desejo, foi na igreja de Santo Estêvão, em Salzburgo, onde em 1591 os moradores mandaram colocar uma placa de mármore: Aqui jaz Philippus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, famoso doutor em medicina que curou toda classe de feridas, a lepra, a gota, a hidropisia e outras várias enfermidades do corpo com ciência maravilhosa. Morreu em 24 de setembro do ano da graça de 1541.
A lenda do superior desconhecido
Junto à sua obra científica, às vezes mesclada com ela, Paracelso nos deixou sua interpretação do Universo. Nela, matéria e espírito, que chamava de corpo astral, convivem e se interrelacionam. A partir dessa visão, usa as ciências ocultas para chegar à Medicina científica e propunha atuar sobre o corpo astral como veículo para atingir o físico.
Acredita que a alma está constituída por uma substância natural fluida que não nasce com o homem, mas se forja nele, como o que chamamos hoje de personalidade. A mens divina, ou espírito, que dá o sopro vital, confere a forma, anima e reina sobre tudo. Nessa linha, distingue duas vidas no homem: a racional e a instintiva, que corresponde aos estados alterados da consciência, como o sonho e o êxtase.
Com a separação entre o corpo astral e o corpo físico, chega o momento de regressar ao grande oceano comum, algo muito próximo do que o psiquiatra Carl Gustav Jung chamou, no século XX, de inconsciente coletivo. No conceito paracelsiano, a morte não é um momento, mas um processo com um período de morte aparente. Alguns espíritos podem voltar à vida quando estão nesse estádio, como fizeram Lázaro e Jesus. Em um nível acima atuam os superiores desconhecidos, espíritos que inspiram grupos de pessoas para ajudá-los a despertar. Apesar da fama de mago, foi principalmente um místico, como Miguel Servet (1511-1553) e Nostradamus, dois outros notáveis médicos do século XVI parecidos com ele no temperamento e na heterodoxia.
Irônico, solitário e apaixonado
Tudo o que digam os teólogos e sofistas contra mim não me atinge. Que me chamem de mago, fei-ticeiro ou sacrílego, que me tratem como os judeus ou os fariseus trataram a Cristo, afirma Paracelso na obra Filosofia oculta.
Esse homem tem uma paixão natural, na mesma linha que outros grandes heterodoxos do Renascimento, como Giordano Bruno ou o espanhol Miguel Servet. Certamente é um gênio solitário, que tem consciência da importância de suas contribuições e da influência que exerceu sobre o establishment. Pouco me importa que me acusem de apaixonado ou ignorante, escreveu em O livro dos prólogos, bem sei que dirão que minha física, minha cosmologia, minha teoria e minha prática são singulares, surpreendentes e até absurdas Não me assustam, posso dizer-lhes, as multidões de seguidores, sejam de Aristóteles, de Ptolomeu ou de Avicena.
Quanto à questão do mau humor, não é fora de propósito pensar que se tratava de uma estratégia defensiva para manter-se a salvo de olhares perigosos sobre as explorações místicas e próprias da tradição hermética que constituíam sua prática intelectual. Não esquecer que Giordano Bruno (1548-1600) e Miguel Servet acabaram supliciados e mortos publicamente por expor idéias bem menos perigosas. Finalmente, o cientista Paracelso nos assombra pelos conceitos modernos sobre muitos temas médicos: o mecanismo das infecções, a opção pelo princípio ativo em lugar dos polifármacos, a observação da morte como um processo hoje falamos de morte clínica, com as reversíveis e irreversíveis, por exemplo. De certa forma, intui o inconsciente coletivo, cujo conceito Carl Gustav Jung desenvolverá no século XX. Também são atuais suas observações sobre o sonho, no qual distingue fases e causas distintas para seus conteúdos e que hoje são endossadas pela Psicologia, como os sonhos superficiais, com causas endógenas ou exógenas, e sonhos do inconsciente profundo.
Fonte : Superinteressante [link e texto alterado]
Nota: Por causa dessa relação ambígua com o Ocultismo e Ciência, Paracelso não pertence à hagiografia científica, muito embora ele e muitos outros tenham contribuído para o conhecimento Ocidental.
domingo, 26 de outubro de 2008
Iberos e Lusitanos
Quem eram os Iberos?Os Iberos eram um povo pré-histórico que vivia no Sul e no Este do território que mais tarde tomou o nome de Península Ibérica. As ondas de emigração de povos Célticos que desde o século VIII até ao século VI AC entraram em massa no noroeste e zona centro da actual Espanha, penetraram também em Portugal a Galiza, mas deixaram intactos os povos indígenas da Idade do Bronze Ibérica no Sul e Este da península.
Os geógrafos gregos deram o nome de Ibéria, provavelmente derivado do rio Ebro (Iberus), a todas as tribos instaladas na costa sueste, mas que no tempo do historiador grego Herodotus (500 AC), é aplicado a todos os povos entre os rios Ebro e Huelva, que estavam provavelmente ligados linguisticamente e cuja cultura era distinta dos povos do Norte e do Oeste. Havia no entanto áreas intermédias entre os povos Célticos e Iberos, como as tribus Celtiberas do noroeste da Meseta Central e na Catalunha e Aragão.
Das tribos Iberas mencionadas pelos autores clássicos, os Bastetanos eram territorialmente os mais importantes e ocupavam a região de Almeria e as zonas montanhosas da região de Granada. As tribos a Oeste dos Bastetanos eram usualmente agrupadas como "Tartessos", derivado de Tartéssia que era o nome que os gregos davam à região. Os Turdetanos do vale do rio Guadalquivir eram os mais poderosos deste grupo. Culturalmente as tribos do noroeste e da costa valenciana eram fortemente influenciadas pelas colónias gregas de Emporium (a moderna Ampúrias) e na região de Alicante a influência era das colónias fenícias de Malaca (Malága), Sexi (Almuñeca), e Abdera (Adra), que passaram depois para os cartagineses. Na costa este as tribos Iberas parecem ter estado agrupadas em cidades-estado independentes. No sul houve monarquias, e o tesouro de El Carambolo, perto de Sevilha, parece ter estado na origem da lenda de Tartessos.
Em santuários religiosos encontraram-se estatuetas de bronze e terra-cota, especialmente nas regiões montanhosas. Há uma grande variedade de cerâmica de distintos estilos ibéricos Foi encontrada cerâmica ibérica no sul da França, Sardenha, Sicília, e África e eram frequentes as importações gregas. A esplêndida Dama de Elche, um busto com características que mostram forte influência clássica grega.
A economia Ibérica tinha uma agricultura rica , forte exploração mineira e uma metalurgia desenvolvida. A língua Ibérica era uma língua não Indo-Europeia, e continuou a ser falada durante a ocupação romana. Ao longo da costa Este utilizou-se uma escrita Ibérica, um sistema de 28 sílabas e caracteres alfabéticos, alguns derivados dos sistemas fenício e grego, mas de origem desconhecida. Ainda sobrevivem muitas inscrições dessa escrita, mas poucas palavras são compreendidas, excepto alguns nomes de locais e cidades do III século, encontradas em moedas.
Os Iberos conservaram a sua escrita durante a conquista romana, quando se começou a utilizar o alfabeto latino. Ainda que inicialmente se pensou que a língua Vasca era descendente do Ibero, hoje considera-se que eram línguas separadas.[Península Ibérica]
E chegam os Celtas
Depois dos povos pré-históricos, um dos primeiros povos que terá chegado à Península Ibérica foram os Iberos. Era um povo moreno de estrutura médio, originários provavelmente, do Norte de África. Ficaram-se principalmente no sul, junto ao Mediterrâneo. Usavam o bronze para fabricar armas e escudos de defesa . As suas casas eram circulares, foram os Iberos, que deram o nome à península. Este povo estava dividido em várias tribos. Conheciam a escrita, cultivavam as terras e tratavam dos animais.
Os Celtas, que vieram depois, no século VI AC, procuraram terras férteis no norte do actual Portugal, faziam casas redondas e com telhados cobertos de colmo que se chamavam castros. Ficaram conhecidos com a ourivesaria que fabricavam, que era de real valia.
Os povos Celtas e Iberos juntaram-se formando o povo Celtibero. Uma das suas tribos mais famosas era a dos Lusitanos que viviam entre o rio Douro e rio Tejo na Lusitânia. O seu mais famoso chefe era Viriato, um pastor da serra da estrela que derrotou inúmeras vezes os Romanos.
Para muitos, os Lusitanos são os verdadeiros antecessores dos portugueses. Entre as numerosas tribos que habitavam a Península Ibérica quando chegaram os romanos, encontrava-se, na parte ocidental, a dos lusitani, considerada por alguns autores a maior das tribos ibéricas, com a qual durante muitos anos lutaram os romanos.
Não se sabe ao certo qual a sua origem. Alguns autores também incluem nos Lusitanos, os Galaicos, que, por sua vez, tinham por vizinhos, a oriente, os Astures e os Celtiberos.
Os galaicos aparecem documentados por vez primeira formando parte do exército do caudilho luso Viriato como mercenários de guerra mas os galaicos (castrejos) ao norte do Douro posteriormente seriam administrados por Roma como província autónoma na Gallaecia (Galécia) à margem da Lusitânia e da Hispânia Tarraconensis trás ser conquistados por Décimo Júnio Bruto o Galaico.[Península Ibérica]
Quem eram os Lusitanos?Os lusitanos são normalmente vistos como uns dos antepassados dos portugueses do centro e sul do país e dos extremenhos. Eram um povo celtibérico que viveu na parte ocidental da Península Ibérica.
Primeiramente, uma única tribo que vivia entre os rios Douro e Tejo ou Tejo e Guadiana. Ao norte do Douro limitavam com os galaicos e astures - que constituem a maior parte dos habitantes do norte de Portugal - na província romana de Galécia, ao sul com os béticos e ao oeste com os celtiberos na área mais central da Hispânia Tarraconense. A figura mais notável entre os lusitanos foi Viriato, um dos seus líderes no combate aos romanos.
Apesar de as fronteiras da Lusitânia não coincidirem perfeitamente com as de Portugal de hoje, os povos que aqui habitaram são uma das bases etnológicas dos portugueses do centro e sul e também dos extremenhos (da Extremadura espanhola). Desde épocas remotas esta faixa territorial foi ocupada pelo homem. Dos tempos pré-históricos restam vestígios como as grutas naturais e artificiais de Estoril, Cascais, Peniche, Palmela e Escoural. Esta última foi descoberta acidentalmente por uma detonação de uma pedreira e estudada de imediato pelo Dr. Farinha dos Santos que encontrou intactos os restos mortais dos ocupantes deste refúgio, abrigo e jazida funerária; outras jazidas com restos do paleolítico e neolítico são os conceiros do vale do Tejo e Sado, em Muge, da ribeira de Magos, dos arredores da Figueira. Mas principalmente a cultura megalítica, com os dólmens, monumentos de falsas cúpulas de Alcalar no Algarve, que teve no território português um dos seus maiores focos de expansão, constitui um testemunho, que desde épocas longínquas este território foi um "habitat" priveligiado.
Supõe-se que o Périplo de um navegador Massaliota, efectuado por volta de 520 AC que descreve a sua viagem marítima ao longo das costas da península, tenha sido aproveitado por Rufo Festo Avieno, escritor do século IV para compor a Ode Marítima. No seu poema, Avieno refere-se aos Estrímnios, que podem ser considerados o mais antigo povo identificado neste território, procedente do Norte de África. O poema ainda refere que as regiões da costa cantábrica eram habitadas pelos Dráganas, e a sul, na actual região do Algarve, os Cinetes ou Cónios.
Muitos dos povos antigos que entraram na Península Ibérica deixaram no território da Lusitânia vestígios bem marcados dos contactos comerciais e de influência cultural, nomeadamente, e perfeitamente acentuados e reveladores de uma assimilação mais profunda, são os vestígios da ocupação romana e também os das invasões dos visigodos e dos árabes. Alguns historiadores antigos referem-se ao ouro da Lusitânia, riqueza que como a prata é hoje testemunhada pela frequência dos achados em Portugal, de numerosas jóias típicas fabricadas com esses metais — colares, braceletes, pulseiras, arrecadas, etc. O cobre, em abundância, extraía-se das minas do Sul. O chumbo encontrava-se, segundo Plínio, na cidade lusitana de Medubriga Plumbaria, que da abundância local daquele minério teria recebido o nome.[Península Ibérica]
sábado, 25 de outubro de 2008
Cernunnos
Quem é ele, afinal?
Cernunnos é representado como uma criatura quimérica cujo o culto que remonta a época correspondente se muito o início da Idade de Bronze, cujo o nome se supõem foi conferido muito após ter sido fixado a crença devocional nesta divindade a partir de uma imagem encontrada num baixo-relevo em Paris que reproduzia um homem sentado de pernas cruzadas que ostentava chifres na cabeça onde lia-se abaixo a inscrição "( C ) ernunnos".
Nas narrativas míticas a figura de Cernunnos como personagem é bem confusa já que existem momentos onde ele é descrito ao lado de uma figura feminina com poderes sobrenaturais sobre a Natureza que figura por vezes como sendo sua "mãe" e em outras é identificado como sua "esposa" o que dá a vaga impressão da presença de um relacionamento incestuoso.
Para simplificar a compreensão do mito ficamos restritos ao que o poeta latino Marco Anneo Lucano (39/65 DC) narra em breves passagens em "Pharsalis" , cujas as fontes históricas prováveis foram Tito Livio, Asinio Pollione e Sêneca , a saber que Cernunnos nasce sem chifres e reina no submundo de onde ajuda a comandar com sua "esposa" ( alguns a identificando sob o nome de Epona e outros como "Dana" ) a vegetação e os animais até que em certo momento é traído por ela com "Esus" e dali surge uma "galhada" de cervo em sua cabeça.
A oportunidade desta traição surge por conta do fato que Cernunnos para cumprir com seus deveres tem que sempre durante certo tempo do ano recolher-se ao reino subterrâneo, deixando sua "esposa" sozinha por um longo período.
Observando que Lucius menciona no caso não bem diretamente "Cernunnos" e sim o amante fugaz de sua esposa a saber "Esus/Albiorix" onde o cita também sob a alcunha curiosa de "Rei do Mundo" e sendo parte de uma espécie de "trindade" em que figuravam ao seu lado de "Toutates/Teutates" como uma espécie de "deus da guerra" e "Taranis/Caturix" na condição de "Rei das Batalhas", fato que é curioso de analisar na medida em que vemos o mito de Cernunnos ter conotações mais que óbvias com assunto afetos mais fertilidade de maneira geral e agricultura de forma especifica do propriamente como tendo algo haver com batalhas , guerras e assuntos assemelhados como estas outras divindades citadas remontam arquetipicamente.
A sua verdadeira origem
O que surpreende logo de cara o mito de Cernunnos ao analisar comparativamente a mitologia celta é que ela não usa como recurso de enredo a figura de seres quiméricos, isto é, volta e meia até um personagem se "transmuta" em forma animal só que nenhum é representado como tendo parte humana e outra animal ao mesmo tempo.
Igualmente , a lenda em parte recorda o mito greco-romano de Hades e Perséfone/Proserpina onde ela passa metade do ano com sua mãe na superfície (Ceres/Deméter ) e a outra parte no mundo subterrâneo ao lado de seu esposo. Havendo é claro claras reverências a todo uma simbologia também vinculada a temas de fertilidade, agricultura, mudanças de estação e etc neste mito greco-romano. Seria coincidência?
Graças a arqueologia um pouco do mistério ao redor da figura tão deslocada de Cernunnos vai aos poucos, a saber a suposição básica era que Paris tinha sido fundada por uma tribo celta (os Parise) que depois foi melhorada pelos romanos a partir de sua conquista por volta de 52 AC caí por terra para ceder lugar a constatação de que a cidade foi na verdade erigida por completo pelos romanos desde o inicio.
Isto somado com a constatação que gregos pelo menos na região de Marselha e redondezas desde o século V AC figura como bem provável que o culto ao deus cornifero tenha sido trazido embrionariamente para região através dos gregos e depois apossado pelos romanos que deram as narrativas sua conotação guerreira, surgindo depois os celtas (ou melhor os parisi) para incorporarem sincreticamente em seu corpo de crenças a figura de Cernunnos.
Outra alternativa além dos gregos que surge é que ligures ou etruscos tenham trazido sua contribuição para a formação da imagem do "deus chifrudo" na medida em que é uma imagem típica de divindade vista entre povos que viviam da criação de caprinos e pastoreio bem como também eram povos que margeavam a região.
Fonte: Canal Celta
Nota: O estudo da história e da antropolgia demonstra que o hábito de assimilação cultural entre povos não é algo feito ou inventado apenas pela Igreja. O que é interessante de notar é que reconstrucionistas culturais tentam restabelecer aquilo que consideram como sendo a religião Celta, em seu mais pristino estado, sem se dar conta que o povo Celta é uma denominação usada para diversos grupos de povos, cujas culturas igualmente assimilaram outras culturas, de forma que é impossível estabelecer qual é a 'pura' religião Celta. O mito de Cernunnos e de Herne foram rapidamente assimilados pelos povos europeus por que remetiam aos mesmos mitos ancestrais que muitos deles trouxeram de suas terras natais. Achar e resgatar nossas raízes ancestrais e trazer para a atual realidade é uma coisa, deturpar essa herança e proclamar ilusões racistas como sendo ideais para a atual realidade é outra coisa.
domingo, 19 de outubro de 2008
A versão de Circe
Homens são todos iguais.Eles bateram em minha porta e pela ponta de uma espada exigiram a sagrada confiança da hospitalidade. Eles invadiram meu lar, avidamente devoraram minha comida e beberam meu hidromel, cobiçavam meus cântaros de prata e minhas jóias de ouro e com olhos maliciosos consideraram como eu deveria ser violada.
Quanto bestas eles eram não é senão uma pequena questão – e com um toque de bastão e removi aquilo que ocultava suas verdadeiras naturezas, tão simples como limpar uma vidraça. Eles caíram de quatro, como porcos e cães, ferozes e glutões, revolvendo, cheirando e mijando neles mesmos. Eu os bani para a floresta, para vagarem perdidos entre os carvalhos de minha ilha.
Então o viajante ruivo veio em minha porta. Ele não era atraente, nem jovem, mas em seus olhos eu vi uma fagulha da divindade, dourada como Hermes – talvez este seja mais uma raposa que um porco. Ainda assim, eu lhe dei a poção, misturando ervas perigosas em hidromel e água cristalina, enquanto seus olhos me seguiam desinteressadamente sorridentes. Ele pegou de mim com agradecimentos e bebeu com satisfação.
Assim como com os outros eu o toquei com um bastão de amieiro, mas nada aconteceu! Ele sentou sorrindo diante de minha surpresa, acho que não sem simpatia, e me contou como ele quebrou meu feitiço, alguma coisa inventada sobre uma erva mágica que lhe foi dada por Hermes. Mas eu sei como isso aconteceu. Ao contrário dos outros homens, este não escondeu sua verdadeira natureza.
Eu o deixei falar em minha cama naquela noite e nas noites seguintes. Ele era forte e gentil e necessitado de cura por sua dura jornada. Eu ouvi suas estórias, e lhe dei o que ele precisava, comida e bebida e descanso e conselho, e eu deixei que ele cresse que tirara todos de mim, pois eu não sou grosseira. Ele até teve sua tripulação de volta! Nós vivemos com alegria então. Mas com o tempo os risos em seus olhos deu lgar à tristeza, e eu o mandei de volta para casa, para sua Penélope, acho que eu temi por ele, sabendo da jornada tempestuosa diante dele.
Quando ele retornou para mim, após o que pareceu ser uma curta estação, ele estava fraco e velho, enlutado por sua amada família. Eu tentei lançar sua dor para longe, e acho que sou perfeitamente hábil nas artes mágicas eu sei que eu nunca poderei colocar nada sobre ele. Mas em sua gentileza ele me deixou acreditar que ele estava confortado. Não muito mais tarde, eu o enterrei, e cantei meus cânticos de luto em sua tumba.
Fonte: Thalia Took
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