## Capítulo I: O Erro de Firefly
O Reino de Midian brilhava sob a luz das duas luas quando Pedro, recém-completados seus dezoito anos, entrou na Câmara das Bençãos. O salão de cristal estava repleto de jovens ansiosos, todos aguardando o momento em que receberiam o presente divino que moldaria suas vidas adultas.
Nas traseiras do salão, Firefly se debatia com uma pilha de pergaminhos. Seus cabelos cor-de-rosa estavam desgrenhados, as asas translúcidas tremiam de exaustão. Como estagiária do Departamento de Bençãos, ela havia processado trezentos afilhados naquela semana sozinha — a greve das fadas sênior a deixara sobrecarregada.
"Próximo!" chamou o heraldão.
Firefly pegou o primeiro frasco que suas mãos encontraram na cesta de poções. Não percebeu o rótulo dourado brilhando com tinta carmim: *"Encanto Irresistível — Uso Restrito: Apenas em Casos Especiais."*
Pedro aproximou-se, nervoso. Era um jovem de estatura média, cabelos castanhos despenteados, e olhos verdes que refletiam a inocência de quem nunca havia beijado alguém. Firefly, apressada, murmurou as palavras sagradas sem verificar o conteúdo.
A poção derramou-se sobre ele em faíscas âmbar.
Imediatamente, algo mudou. O ar ao redor de Pedro pareceu aquecer, vibrando com uma frequência que fazia os corações acelerarem. Firefly, que já se preparava para atender o próximo na fila, parou abruptamente. Suas pupilas se dilataram enquanto encarava o rapaz que, segundos antes, era apenas mais um número em sua pilha de trabalho.
"O que...?" ela sussurrou, finalmente olhando para o frasco vazio em suas mãos. O sangue gelou em suas veias. "Oh, deuses das fadas. Não."
Mas era tarde demais.
## Capítulo II: A Descoberta
Pedro saiu da Câmara confuso. Não sentia nada diferente — talvez um formigamento nas mãos, uma leve tontura. Mas quando passou pelo Jardim das Donzelas, onde as jovens de Midian aguardavam seus pretendentes, o caos se instalou.
Isabella, a filha do ferreiro, deixou cair o jarro de água que carregava. Seus olhos fixaram-se em Pedro com intensidade voraz. Sem dizer uma palavra, ela começou a se aproximar, os quadris balançando em uma cadência hipnótica, os lábios entreabertos.
"Senhorita Isabella?" Pedro chamou, perplexo.
Ela não respondeu. Apenas o empurrou contra a parede de pedra do jardim, seus seios firmes pressionando seu peito através do tecido fino de seu vestido. Seus dedos trançaram-se nos cabelos dele, puxando sua boca para a dela em um beijo feroz, possessivo, que roubou o ar dos pulmões de Pedro.
Quando ela finalmente se afastou, ofegante, havia três outras moças atrás dela. Depois, cinco. Depois, uma multidão.
Pedro correu.
## Capítulo III: O Santuário
Ele encontrou refúgio na Torre Abandonada nos arredores da cidade. Lá, Firefly o aguardava, sentada em uma pedra, o rosto entre as mãos.
"Foi você," ele disse, ainda ofegante. "Você fez isso."
Firefly levantou o olhar. Suas bochechas estavam ruborizadas, e Pedro notou — com estranha clareza — como o suor fazia o tecido de seu vestido de fada colar-se às curvas de seus seios. Ela estava incrivelmente bela, e ele nunca havia percebido antes.
"Eu posso explicar," ela disse, a voz trêmula. Mas quando seus olhos encontraram os dele, suas palavras falharam.
O encanto funcionava em ambas as direções. A atração que ela sentia — que todas sentiam — não era unilateral. Pedro sentia o desejo dela como ondas de calor, e respondia a ele instintivamente.
"Você me transformou em quê, exatamente?" ele perguntou, aproximando-se.
"Em... em desejo personificado," Firefly murmurou, recuando até suas costas encontrarem a parede da torre. "Qualquer mulher que olhar para você... sentirá..."
"Sentirá o quê?"
Ela engoliu em seco. "Vontade de possuir você. De ser possuída. Uma fome... insaciável."
Pedro estava muito perto agora. Seu corpo exalava um perfume que Firefly nunca havia sentido — madeira, especiarias e algo indefinivelmente masculino que fazia suas pernas fraquejarem.
"E você, Firefly?" ele sussurrou, uma mão subindo para acariciar sua face. "Você também sente isso?"
"Eu sou imune," ela mentiu, enquanto seu corpo traía cada palavra. "Sou uma fada, não posso..."
A boca de Pedro cobriu a dela, silenciando a mentira.
## Capítulo IV: A Primeira Noite
O que aconteceu naquela torre desafiava toda a lógica de Midian. Firefly, que nunca havia tocado um mortal, encontrou-se despindo Pedro com dedos trêmulos. Ele a ajudou, puxando as fitas de seda que seguravam seu vestido, revelando a pele pálida e luminosa por baixo.
"Nunca fiz isso antes," ele confessou, quando ela o guiou para o chão coberto de musgo.
"Nem eu," ela respondeu, surpresa com sua própria honestidade. "Com humanos, quero dizer."
O primeiro contato de pele contra pele foi elétrico. Firefly gemeu quando o calor dele a envolveu, quando suas mãos grandes e inexperientes exploraram suas curvas com reverência. Seus seios, pequenos e perfeitos, cabiam perfeitamente em seus palmos, os mamilos rosados endurecendo sob seus polegares.
"Você é tão quente," ele murmurou, beijando seu pescoço, sua clavícula, descendo até capturar um seio em sua boca.
Firefly arqueou as costas, os dedos enterrados em seus cabelos. "A benção... ela amplifica sua energia vital. Você está... vibrando..."
Ele a tomou ali, naquele chão de pedra, com a lua entrando pela janela quebrada e iluminando seus corpos entrelaçados. A penetração foi lenta, tortuosa, ela tão apertada ao redor dele que ambos gritaram. Pedro movia-se com uma cadência que não era sua — instintos antigos despertos pela magia — embalando Firefly em ondas de prazer que faziam suas asas baterem descontroladamente, levantando poeira dourada no ar.
Quando ele finalmente a possuiu completamente, enchendo-a com sua essência, Firefly compreendeu o verdadeiro terror daquele erro. Não era apenas atração. Era obsessão. Era necessidade. Era amor e luxúria tão entrelaçados que se tornavam indistinguíveis.
E ela sabia que nunca mais seria capaz de deixá-lo ir.
## Capítulo V: O Colapso das Barreiras
As notícias se espalharam por Midian como fogo em palha seca. O Jovem da Benção Errada. O Rapaz que as Mulheres Desejam. Pedro tornou-se uma lenda antes mesmo de entender o que lhe acontecera.
Ele tentou viver normalmente. Tentou visitar o mercado, a forja, a biblioteca. Mas em cada esquina, em cada janela, olhares famintos o perseguiam. Donas de casa deixavam cair as roupas que lavavam quando ele passava. Guerreiras experimentadas tremiam ao seu lado. Até a Rainha, em seu trono de marfim, sentiu seu coração acelerar quando ele foi apresentado à corte.
"Precisamos reverter isso," Firefly disse, naquela noite, em seus braços. Eles haviam encontrado um apartamento secreto nas docas, onde o som das ondas abafava seus gritos de prazer.
"Como?" Pedro perguntou, seus dedos traçando círculos preguiçosos em sua coxa.
"O Antídoto da Negação. Existe, mas é perigoso. Pode apagar todas as emoções, não apenas o desejo."
Pedro a puxou para cima dele, fazendo-a sentar em seu colo. Ela estava nua, sua pele brilhando com o suor de sua segunda — ou terceira — vez naquela noite. Seus cabelos cor-de-rosa caíam em cascata sobre os seios, e ele os afastou gentilmente, revelando a visão que mais o fascinava.
"E se eu não quiser ser curado?" ele perguntou, guiando seus quadris para que ela deslizasse sobre sua ereção já recuperada.
Firefly suspirou quando ele a preencheu novamente, suas paredes internas ainda sensíveis do encontro anterior. Ela começou a mover-se, circulando, levantando e descendo em um ritmo que fazia seus olhos revirarem.
"Então você condenará todas as mulheres de Midian à... ah!... à loucura," ela ofegou, as mãos apoiadas em seu peito.
"Ou encontro um jeito de controlar isso," ele respondeu, agarrando seus quadris e invertendo suas posições.
De repente, ela estava de costas, ele acima, penetrando-a profundamente, batendo em um ponto que fazia suas pernas se abrirem mais, implorando por mais. A cama de madeira rangia, batendo contra a parede, e Pedro perdeu-se na sensação — na umidade escorrendo de Firefly, em seus gemidos desesperados, na forma como suas unhas arranhavam suas costas.
Quando vieram juntos, foi com uma intensidade que fez as janelas estremecerem. Pedro derramou-se dentro dela em jatos quentes, e Firefly apertou-se ao redor dele, sugando cada gota, seu corpo convulsionando em espasmos que pareciam não ter fim.
## Capítulo VI: A Solução
Dias depois, Pedro descobriu a verdade. O encanto não criava desejo do nada — apenas amplificava o que já existia. As mulheres que se jogavam a seus pés eram, em sua maioria, movidas por curiosidade, fascínio, ou atração superficial que a magia transformava em obsessão.
Mas havia uma exceção.
Firefly não o desejava por causa da benção. Ela o desejara desde o momento em que ele entrou na Câmara — nervoso, adorável, completamente sem defesas. A poção apenas revelara o que ela já sentia, enterrado sob camadas de dever e disciplina.
"Eu te amo," ela confessou, uma manhã, enquanto o sol nascia sobre o mar. "Não por causa do erro. Apesar dele."
Pedro a puxou para um abraço, seu corpo nu contra o dela. "Então me ensine a controlar isso. Me ensine a ser apenas... eu."
Ela sorriu, lágrimas nos olhos. "Vai levar tempo. E prática. Muita prática."
"Tenho toda a vida," ele respondeu, beijando-a profundamente.
E enquanto Midian se adaptava à existência de seu ícone ambulante de desejo, Pedro e Firefly encontraram seu paraíso particular. Não na torre abandonada, nem no apartamento das docas, mas no espaço entre dois corpos que haviam aprendido que o verdadeiro encanto não vinha de poções — vinha da conexão, da entrega, do amor que persistia mesmo quando a magia falhava.
Na noite de seu vigésimo aniversário, Pedro finalmente dominou a benção. Não a eliminou — ela seria parte dele para sempre — mas aprendeu a contê-la, a direcioná-la, a usá-la apenas com quem realmente importava.
E naquela noite, quando Firefly se entregou a ele completamente, sem reservas, sem medo, ele soube que havia recebido a única benção que realmente importava.
A de ser amado. verdadeiramente. Profundamente. Para sempre.
Criado com Venice.
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