domingo, 1 de novembro de 2026

A sopa de Perun - V



(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Beto aponta para um dos camponeses que trabalha mais adiante.

— Pergunte a ele.

Tanya olha para o homem.

— O quê?

— Por que ele esculpiu Perun.

Ela volta os olhos para Beto.

— E como ele sabe qual é a aparência de Perun.

Beto dá um sorriso leve.

— Vai se surpreender com a resposta.

Tanya observa-o por alguns segundos.

— Você já sabe a resposta.

— Sei.

— Então isso é uma espécie de teste.

— Não.

Beto olha para as esculturas.

— É uma pergunta.

Tanya acompanha o olhar dele.

Depois desvia os olhos.

— Você está gostando disso.

— Um pouco.

— Percebi.

Viktoriya se aproxima.

— Tanya?

— O quê?

— Você ficou vermelha.

— Não fiquei.

— Ficou.

Mary Sue olha para as esculturas.

— Talvez seja o frio.

Tanya lança um olhar para ela.

— Está fazendo isso de propósito?

— Absolutamente.

Beto contém uma risada.

Tanya respira fundo e caminha até o camponês.

Depois de alguns passos, olha por cima do ombro.

Beto continua onde estava.

Ele não a acompanha.

Não interfere.

A pergunta agora é dela.

Tanya se aproxima do homem.

— Posso perguntar uma coisa?

O camponês sorri.

— Claro.

Tanya aponta para a escultura.

— Por que você esculpiu Perun?

O homem olha para a figura de madeira.

— Porque ele me pediu.

Tanya fica imóvel.

— **Ele pediu?**

O camponês dá de ombros.

— No sonho.

Tanya olha para a escultura.

Depois para o homem.

— E como você sabe que era Perun?

O camponês sorri.

— Porque ele me mostrou.

Tanya não responde.

Ao longe, Beto observa.

E, pela primeira vez, não parece satisfeito por ter acertado.

Parece apenas curioso para descobrir **o que Tanya fará com a resposta**.

Tanya franze a testa.

— Um sonho?

O camponês assente.

Ela aponta para a escultura.

— Como sabe que era Perun?

O homem pensa por um instante.

— Porque ele disse.

Tanya balança a cabeça.

— Poderia ser qualquer coisa... qualquer um...

Ela olha novamente para a figura de madeira.

— Um sonho não é uma prova de identidade.

O camponês não parece ofendido.

— Talvez não.

Tanya o encara, surpresa pela tranquilidade.

— Então por que acredita que era ele?

O homem sorri.

— Porque, quando acordei, eu sabia.

Tanya fica em silêncio.

— Isso não faz sentido.

— Para a senhora, talvez não.

Ela quase responde, mas para.

Ao longe, Beto observa.

Tanya percebe o olhar dele.

— Não comece — murmura.

Beto ergue as mãos, inocente.

Ela volta-se para o camponês.

— O que exatamente ele lhe mostrou?

O homem aponta para a escultura.

— O mesmo rosto.

Tanya olha para Perun.

Depois para o homem.

Depois novamente para Perun.

— Você nunca tinha visto essa representação antes?

— Não.

Tanya sente um arrepio.

— E mesmo assim esculpiu exatamente isso?

O camponês sorri.

— Não exatamente.

Ele toca a madeira.

— **Eu esculpi o que vi.**

Tanya não encontra uma resposta imediata.

Por fim, pergunta:

— E se não fosse Perun?

O camponês dá de ombros.

— Então talvez eu tenha dado o nome errado àquilo que encontrei.

Tanya olha para ele.

Essa resposta a incomoda mais do que qualquer declaração de certeza.

Porque é a mesma distinção que Beto havia feito minutos antes.

**A experiência primeiro. A interpretação depois.**

Ela olha novamente para Beto.

Desta vez, não há irritação no olhar.

Há uma pergunta.

E Beto percebe.

Ele apenas sorri.

Beto se aproxima, mas deixa Tanya ao seu lado.

Ele olha para o camponês.

— Camponês...

O homem se vira.

— Sim?

Beto aponta para a escultura.

— Há quanto tempo Perun é esculpido dessa forma?

Tanya olha imediatamente para Beto.

Ela percebe o sorriso discreto.

— Você já sabe.

— Sei.

— Então por que perguntou?

— Porque quero ouvir a resposta dele.

O camponês pensa.

— Meu avô fazia assim.

Beto permanece em silêncio.

— O pai dele também.

Tanya cruza os braços.

— Isso não significa muita coisa.

O camponês continua:

— E o pai do meu avô.

Tanya olha para a escultura.

— Há registros?

— Não sei. Aqui, aprendemos com quem veio antes.

Beto pergunta:

— E quem ensinou o primeiro?

O camponês sorri.

— Dizem que ninguém.

Tanya olha para ele.

— Como assim?

— Dizem que o primeiro homem sonhou com Perun.

Tanya fica imóvel.

Beto não olha para ela.

— E depois?

— Ele esculpiu o que viu.

Silêncio.

— O filho viu a escultura. Aprendeu. Depois ensinou ao próprio filho.

Tanya dá um passo discreto para mais perto de Beto.

Ele percebe.

Não comenta.

O camponês aponta para a figura.

— Talvez seja apenas tradição.

Tanya solta o ar lentamente.

— Talvez.

Mas a palavra não carrega a mesma convicção de antes.

Ela olha para Beto.

— Você sabia disso.

— Sabia.

— E me trouxe aqui justamente para isso.

— Trouxe você para perguntar.

Tanya estreita os olhos.

— Você está se divertindo.

— Um pouco.

Ela desvia os olhos.

Por alguns segundos, observa a escultura.

Depois pergunta, quase num murmúrio:

— E se Perun realmente existir?

Beto responde sem olhar para ela:

— Então ele existe.

Tanya o encara.

— E se Lilith existir?

Beto finalmente olha para ela.

— Então ela existe.

Tanya fica em silêncio.

Não parece satisfeita com a resposta.

Parece **assustada com a possibilidade de que ela seja suficiente**.

Viktoriya se aproxima.

— Tanya?

Ela responde sem tirar os olhos da escultura:

— Eu passei a vida inteira aprendendo que o mundo podia ser explicado.

Pausa.

— E agora estou começando a suspeitar que talvez ele apenas possa ser... vivido.

Beto sorri.

— Bem-vinda à minha confusão.

Tanya aperta novamente a mão dele.

Desta vez, não por receio de descobrir que Perun é real.

Mas porque começa a perceber que, se Perun for real...

**talvez Lilith também seja.**

Beto olha para Tanya.

— A senhorita é racional e cética.

Tanya imediatamente desconfia.

— Essa introdução nunca precede uma pergunta inocente.

Beto sorri.

— Qual é a possibilidade de gerações, através de séculos, representarem Perun da mesma forma?

Tanya olha novamente para a escultura.

— Depende.

— De quê?

— De quão isolada é a tradição. De como ela é transmitida. De quantas representações existem. De quanto elas variam.

Ela toca o queixo.

— Uma imagem pode ser preservada por séculos simplesmente porque as pessoas reproduzem aquilo que receberam de seus antepassados.

Beto assente.

— Portanto, não é impossível.

— Evidentemente que não.

— Mas também não é necessariamente uma explicação suficiente.

Tanya o encara.

— Não coloque palavras na minha boca.

— Não colocaria.

Ela volta para a escultura.

— Se diferentes comunidades, sem contato entre si, produzissem representações semelhantes...

Ela para.

— ...aí seria muito mais interessante.

Beto sorri.

— É justamente aí que eu queria chegar.

Tanya percebe.

— Você tem mais informações.

— Tenho algumas.

— Naturalmente.

Ela suspira.

— Mostre.

Beto permanece em silêncio por um instante.

— Não.

Tanya vira-se para ele.

— Não?

— Primeiro você termina sua própria investigação.

Ela estreita os olhos.

— Você está deliberadamente evitando me dar a resposta.

— Sim.

— Irritante.

— Obrigado.

Viktoriya ri baixinho.

Tanya volta a observar Perun.

E, dessa vez, seu olhar já não procura uma confirmação.

Procura **diferenças**.

Detalhes.

Padrões.

Algo que possa separar tradição, coincidência, memória coletiva...

...de alguma coisa que ela ainda não sabe nomear.

Beto observa de longe.

Ele não precisa dizer mais nada.

A dúvida já está fazendo o trabalho.

Beto permanece ao lado de Tanya.

— E se eu te dissesse que essa mesma forma existe além dos Urais?

Tanya não responde.

— Além do Volga.

Ela continua olhando para a escultura.

— Além dos Bálcãs.

Uma pausa.

— E do Báltico.

Tanya finalmente olha para ele.

Beto continua, sem alterar a voz:

— A mesma forma.

Ele aponta discretamente para Perun.

— Por centenas de anos.

Tanya franze a testa.

— Fontes independentes?

— Povos diferentes. Distâncias enormes. Tradições que nem sempre tiveram contato direto.

Ela volta a olhar para a escultura.

— Você está dizendo que existe uma convergência iconográfica.

— Estou dizendo exatamente o que disse.

Tanya fica pensativa.

— Então eu precisaria examinar as fontes.

— Naturalmente.

— Comparar datas.

— Sim.

— Verificar transmissão cultural, contato entre populações, alterações posteriores...

— Sim.

Ela olha para ele.

— E você já fez tudo isso?

Beto dá um pequeno sorriso.

— O suficiente para ficar intrigado. Não o suficiente para dizer que descobri a resposta.

Tanya permanece em silêncio.

Beto fica ao lado dela.

Não a pressiona.

Não aponta novamente para Perun.

Não diz *“eu avisei”*.

Apenas permanece ali.

Depois de alguns segundos, sua mão fica próxima à dela.

Sem tocá-la.

Uma oferta.

Tanya olha para a mão.

Depois para o rosto de Beto.

Por fim, segura.

Os dedos dela estão frios.

— Não interprete isso como uma conversão — murmura.

— Não interpretaria.

— Nem como reconhecimento da existência de Perun.

— Também não.

Tanya aperta um pouco mais a mão dele.

— Estou apenas...

Ela procura a palavra.

— ...tentando não ficar sozinha diante de algo que não compreendo.

Beto olha para ela.

— Então não precisa.

Tanya volta os olhos para a escultura.

O vento passa pelas árvores.

Por um instante, ela sente novamente aquela presença distante que carregava desde o nascimento.

Não há voz.

Nenhuma aparição.

Nenhum milagre.

Apenas aquela sensação impossível de traduzir.

Tanya fecha os olhos.

— Beto...

— Sim?

— Se eu descobrir que existe uma explicação perfeitamente racional para tudo isso...

— Eu vou ficar feliz.

Ela abre os olhos, surpresa.

— Vai?

— Claro.

— Mesmo acreditando nos Deuses Antigos?

— Uma explicação racional não diminui necessariamente aquilo que eu acredito.

Tanya fica em silêncio.

Então sorri, quase imperceptivelmente.

— **Você é um herege muito inconveniente.**

Beto sorri de volta.

— Já me disseram isso.

E os dois permanecem ali, de mãos dadas.

Sem certeza.

Sem prova.

Mas também sem medo de perguntar.

Beto percebe que Tanya ainda observa Perun.

A mão dela permanece na sua.

Ele a segura com firmeza, mas sem apertar.

— É isso o que eu sinto só de pensar na Lilith.

Tanya olha para ele.

— Então eu escrevo.

Ela espera.

— Para não enlouquecer.

Um pequeno sorriso aparece no rosto de Beto.

— Não é certeza. Não é explicação.

Ele olha para a escultura.

— Cada dia, uma descoberta. Um passo.

O vento atravessa o campo.

— Porque é impossível vasculhar aquilo que é imenso.

Tanya permanece calada.

Beto continua:

— E Perun não quer isso de você.

Ela franze a testa.

— Como sabe?

— Não sei.

Tanya olha para ele.

Beto dá de ombros.

— É a minha interpretação.

Ela quase sorri.

— Pelo menos você aprendeu.

— Aprendi alguma coisa.

Ele volta os olhos para Perun.

— E Lilith não me pede nada.

Pausa.

— Essa é uma opção sua.

Tanya respira profundamente.

— Eu não preciso descartar a ciência.

— Não.

— Nem o ceticismo.

— Não.

— Nem deixar de ser pragmática.

Beto balança a cabeça.

— Absolutamente não.

Ele segura a mão dela um pouco mais firmemente.

Não para impedir que ela vá embora.

Apenas para que ela saiba que não está sozinha.

Tanya percebe.

E, pela primeira vez desde que chegaram ao campo, seus ombros relaxam.

— Então você não quer que eu acredite.

— Quero que você investigue.

— E se eu concluir que tudo isso tem uma explicação natural?

— Então teremos aprendido alguma coisa.

— E se eu concluir o contrário?

Beto sorri.

— Então teremos aprendido outra coisa.

Tanya olha para Perun.

Depois para o céu.

— Você realmente consegue viver com não saber?

Beto demora alguns segundos para responder.

— Não.

Tanya o encara.

— Não?

— Eu escrevo justamente porque não consigo.

Ela ri baixinho.

— Finalmente uma resposta honesta.

Beto sorri.

— A diferença é que eu descobri que não saber também pode ser um caminho.

Tanya aperta a mão dele.

— Então vamos descobrir.

Beto olha para ela.

— Juntos?

Tanya volta os olhos para Perun.

— **Um passo de cada vez.**

E, dessa vez, ela não parece estar tentando descobrir se os Deuses Antigos existem.

Parece estar descobrindo **o que fará se descobrir que existem**.

Criado com ChatGPT.

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