domingo, 20 de março de 2022

O Cristianismo tem seu Talibã

A Igreja Universal do Reino de Deus utilizou o jornal impresso semanal do templo para fazer ataques ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Partido dos Trabalhadores. A igreja, liderada pelo bispo Edir Macedo, é apoiada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente em segundo lugar nas pesquisas eleitorais para a Presidência.

A Folha Universal, jornal da igreja, completará 30 anos em 2022 e tem uma tiragem de 1,7 milhão de exemplares, que tem publicado textos recorrentes que atacam Lula. A maioria dos textos é assinado pelo advogado Denis Farias, do Pará, fiel da igreja. Ele já ocupou cargo em governo do Republicanos, próximo da Universal.

A assessoria de comunicação da congregação disse à Folha de São Paulo que “todo texto de opinião assinado pelo autor que é publicado na Folha Universal, ou em qualquer jornal, sempre reflete o ponto de vista de quem o redigiu, e pode, ou não, coincidir com as convicções do veículo.”

Na edição da Folha Universal dessa semana, o editorial está intitulado como “As Portas do Inferno Não Prevalecerão”. Ao longo do texto, assinado por Frias, falam sobre as “ideias satânicas de Karl Marx”. Ele alega uma suposta perseguição de governos socialistas aos cristãos.

Ele disse que os brasileiros devem “combater” o comunismo e o socialismo no Brasil “rechaçando nas urnas Lula e a sua legião de partidos de esquerda nas eleições para presidente e para o Congresso Nacional. Tal como para as demais casas legislativas e governos estaduais.”

Em outros textos, o advogado critica as vitórias da esquerda na Argentina e no Chile, além de associar Lula à corrupção e à “degradação da família cristã”. “Lula tornou-se o símbolo da corrupção e da degradação da família cristã e a sociedade não aceita mais a sua volta ao poder”, comentou.

Original: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/igreja-universal-usa-jornal-atacar-lula/

Não é mera coincidência que essa pessoas, de direita, conservadoras e fundamentalistas cristãs, também organizaram e participaram do ato que comemorou os 58 anos da "Marcha da Família com Deus Pela Liberdade" que antecipou o golpe de Estado que implementaria a Ditadura Militar.

sábado, 19 de março de 2022

Guerra religiosa

Por volta do ano 1100 da nossa era, as tribos eslavas que viviam na fronteira da Alemanha com a Polônia estavam literalmente entre a cruz e a espada. Enfrentando ataques militares e missionários de seus vizinhos cristãos, a elite das tribos parece ter decidido reafirmar sua identidade pagã com túmulos luxuosos, que mostravam seu poderio e sua determinação de resistir ao invasor. Essa é a tese de um arqueólogo alemão, cujo trabalho está ajudando a entender os últimos pagãos da Europa Ocidental.
“Todos os vizinhos deles já tinham virado cristãos e eram governados por reis ou, no caso dos alemães, por um imperador”, explica Felix Biermann, do Departamento de Pré-História da Universidade Humboldt, em Berlim. “Por outro lado, as tribos eslavas dos rúgios, lutícios e obodrítios tinham estruturas políticas descentralizadas. Eles eram comandados por uma elite de guerreiros e cavaleiros, cujo poder era baseado em alianças militares. Esses chefes construíam grandes fortalezas, feitas de madeira e terra e que chegavam a ter até 400 metros de diâmetro”, diz Biermann.
Escavações recentes na Pomerânia (nordeste da Alemanha) e nas regiões polonesas que fazem fronteira com ela revelaram um estranho aumento de sepulturas suntuosas no final do século 11 e começo do século 12. Antes, os membros das tribos eslavas eram simplesmente cremados, mas nessa época eles passam a ser enterrados, alguns deles com muita pompa. Ao analisar vários desses túmulos de elite, como o de Usedom, que fica numa ilha do mar Báltico, Biermann verificou uma série de características comuns.
Casa dos mortos
Primeiro, os túmulos viram uma espécie de “casa” dos mortos, recobertos com estruturas de madeira e pedra e formando “morros” artificiais, que podiam ser vistos a uma certa distância. Em segundo lugar, os defuntos ganham oferendas caras: espadas longas com cabo decorado, moedas de ouro e prata, tecidos finos, esporas de ferro e chicotes (ambos lembretes de sua condição de cavaleiros).
Há também bacias de bronze finamente decoradas, usadas para lavar o rosto e as mãos dos nobres. “É uma maneira de dizer que eles eram uma elite refinada, com hábitos sofisticados à mesa”, afirma o arqueólogo alemão. As mulheres da elite também recebiam ricos presentes em sua viagem para o além-túmulo: anéis e colares de metal precioso e amuletos feitos com dente de castor. Nessa mesma época, parece surgir uma certa separação espacial entre esses túmulos e os dos “plebeus” das tribos – outro sinal de que a elite pagã estava tentando reforçar seu poderio.
E é aí que entra a tese de Biermann. O curioso é que o mesmo fenômeno – o repentino aparecimento de túmulos pagãos suntuosos – acontece justamente antes da conversão dos escandinavos e dos ingleses ao cristianismo, nos século 7 e 10 ou 11, respectivamente. O arqueólogo aposta que o exagero cerimonial entre as tribos eslavas servia para mostrar que o paganismo estava vivo e vigoroso diante da invasão cristã. Também pode haver uma influência indireta de pagãos vikings, que comerciavam com a região durante as décadas anteriores ao surgimento dos túmulos luxuosos.
Tanto é assim que, após um breve florescimento de algumas décadas, a tradição tumular desaparece a partir do último quarto do século 12. É bom lembrar que a orientação da Igreja medieval era não colocar nenhum objeto em túmulos de cristãos – um hábito normalmente associado à crença numa vida após a morte com combates, festas e outras situações iguais às encontradas no mundo dos vivos.
Templo destruído
Até essa época, os eslavos da região adoravam deuses capitaneados por Svantevit, um guerreiro divino representado com três ou quatro cabeças (nesse caso, cada uma delas ficava voltada para um dos pontos cardeais), cujo culto também era associado à fertilidade da terra. Não por acaso, Svantevit era retratado com uma espada na mão e um chifre oco (usado como taça) na outra, montado num cavalo branco – mais ou menos como os guerreiros pagãos que o adoravam.
“A religião servia como o principal fator de integração dos líderes pagãos. Eles tinham um importante centro conhecido como Rethra, que era uma mistura de fortaleza e oráculo militar, onde eles pediam o apoio dos deuses para a guerra. Esse local foi destruído por volta de 1070 e o centro militar e religioso das tribos se deslocou para o templo de Svantevit num local chamado Arkona”, conta Biermann.
De acordo com o arqueólogo, a resistência em Arkona não durou muito. As pressões para se converter ao cristianismo eram muitas. Uma delas foi a chegada de missionários liderados pelo bispo alemão Otto de Bamberg, que chegaram à Pomerânia em 1124. Cruzados alemães, poloneses e dinamarqueses também organizaram uma série de ataques à área. Finalmente, o templo de Arkona foi atacado pelo rei Waldemar I da Dinamarca.
“Temos boas informações sobre o cerco de Arkona graças à descrição feita pelo monge dinamarquês Saxo Grammaticus. Os pagãos da tribo dos rúgios estavam defendendo os muros da fortaleza, mas um soldado dinamarquês conseguiu abrir um túnel debaixo do portão e colocar fogo na muralha, que veio abaixo. Os homens de Waldemar destruíram o templo e jogaram a imagem de Svantevit no mar”, diz Biermann. “A destruição do templo é considerada um símbolo do triunfo do cristianismo na região.”
Apesar dos combates, não houve um extermínio da população pagã local. Convertidos ao cristianismo, eles acabaram se miscigenando com colonos alemães que chegaram à região no fim do século 12 e começo do século 13. “Alguns dos membros da elite pagã se tornaram cristãos, como os membros da família Greif, que viraram duques e governaram a Pomerânia até o século 17”, conta o arqueólogo alemão.
Cruzadas no leste
A destruição do templo de Arkona marcou o desaparecimento definitivo do paganismo na Europa Ocidental. No entanto, o culto a divindades não-cristãs continuou resistindo durante quase dois séculos a leste.
“No território da Prússia Oriental, que hoje pertence à Rússia e à parte nordeste da Polônia, a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos lançou uma ‘missão com a espada’ a partir dos anos 1230”, diz Felix Biermann. Os Cavaleiros Teutônicos já tinham lutado na Palestina durante as Cruzadas e, com isso, expandiram sua ação contra inimigos da fé na própria Europa. Depois da vitória cristã nessa região, restava ainda uma grande potência pagã na Europa Oriental, a Lituânia. Nesse caso, a política acabou sendo o fator-chave: o grão-duque da Lituânia teve a chance de virar também rei da Polônia caso aceitasse ser batizado para casar com uma princesa polonesa. O grão-duque topou e foi coroado como rei Ladislau I Jagiello.
Em parte pela conversão forçada e em parte pelos interesses políticos envolvidos no processo, os costumes cristãos demoraram para dominar totalmente essa região. “Em Usedom, temos enterros do meio do século 13, no cemitério de uma igreja, que ainda mostram objetos simples mas ligados à tradição pagã, como armas e moedas”, afirma Biermann.
Reinaldo José Lopes, do G1, em São Paulo.
Repostado. Texto originalmente publicado em 11/06/2008, resgatado com o Wayback Machine.

sexta-feira, 18 de março de 2022

Refutando o Apocalipse Brasileiro

O porta-voz da homofobia evangélica, Júlio Severo, tem um blog onde se pode ver claramente todo o preconceito e discriminação que caracteriza os fanáticos e fundamentalistas de Cristo. Só esse blog seria indício suficiente para que parassem as queixas dos 'evangélicos' de estarem sendo estereotipados. Como se não bastasse a homofobia, Júlio Severo demonstra suas psicoses na área mais preferida entre os 'evangélicos': a escatologia.
Eu irei citar e analisar o texto de autoria do mesmo a respeito do "Apocalipse Brasileiro".
Quando se lê o Apocalipse, o último livro da Bíblia, percebe-se dois pontos principais: um governo mundial de natureza demoníaca e o Anticristo ocupando papel central nesse governo.
Esse governo já existe? Há algum modo de podermos avaliar a presença do espírito do Anticristo em nossa época?

O Apocalipse, assim como o evangelho de João, foi um livro que apenas foi inserido no cânone muitos anos depois por causa de suas mensagens metafóricas e esotéricas. A visão de que o mundo está sob a ameaça de um governo secreto dominado pelo Anticristo não é unanimidade entre as denominações cristãs. Esse tipo de paranoia, própria das 'teorias de conspiração' se esquece de que o Estado na Idade Média pertenceu igualmente à Igreja Cristã.
O tipo de governo exposto em Apocalipse será sedutor e dominador, invadindo a privacidade dos cidadãos e suprimindo sua liberdade de viver conforme os mandamentos de Deus.

Os ditos 'mandamentos de Deus' não são uma lei universal, pertencem apenas aos que tomam a bíblia como livro sagrado. Os ditos 'mandamentos de Deus' só são aplicáveis, portanto, aos que seguem essa bibliolatria.
Quando se lê Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, vê-se que no Jardim do Éden a serpente enganadora tentou o primeiro casal com promessas que acabaram em destruição. No governo mundial, ela seduzirá todos os cidadãos com suas promessas que acabarão igualmente em destruição. Como todos os governos assistencialistas modernos, o governo do Anticristo prometerá suprir tudo, oferecendo saúde, educação e emprego para os cidadãos. Mas por trás da nova sedução está a antiga serpente.

Muitos dos textos da bíblia são imitações ou distorções de mitos e lendas de povos com quem os Israelitas conviveram. A Tradição Oral só foi posta na forma de livro quando estes retornaram do cativeiro Persa, onde os rabinos trouxeram muito da influência do Zoroastrismo, impondo aos Israelitas o monoteísmo. O mito da Serpente bem como do Jardim do Eden são uma distorção dos mitos de criação dos Babilônios. Na minha opinião, em algum momento os Hebreus e os Israelitas tinham igualmente vários Deuses e Deusas, eu acho bastante plausível que o conflito entre YHVH e a Serpente seja uma distorção dos mitos antigos das Guerras dos Deuses.
Se não fosse pela revelação profética de Deus no livro de Apocalipse, o governo mundial, com suas ilusões, surgiria sem que ninguém se preocupasse com seus perigos ou mesmo percebesse sua chegada. Graças ao poder profético da Palavra de Deus, nenhum governo mundial ou local tem chance de enganar o seguidor de Cristo que se mantém em vigilância e oração incessante.
Não é possivel, com certeza absoluta, afirmar quem é o verdadeiro seguidor de Cristo. Os evangelhos só foram colocados à disposição do público comum após a invenção da imprensa e a distribuição da edição da versão vulgata da bíblia pelos Protestantes.
Um governo dirigido pelo Anticristo é, como a própria palavra diz, um governo contra Cristo e seus valores. Cristo é a libertação do pecado, da doença e da morte. Ele veio para trazer vida em abundância.
O Anticristo tem uma missão contrária. Ele representa a escravidão ao pecado, à doença e à morte. Ele vem para trazer morte em abundância.

Para um leitor imparcial dos textos contidos na bíblia, existem várias passagens onde YHVH encoraja a escravidão, propicia doenças, estimula o estupro e manda os Israelitas a matarem outros povos. Até o apóstolo Paulo disse que a Lei apenas trouxe o conhecimento do pecado. Considerando que Cristo veio em nome de YHVH para 'salvar a humanidade do pecado', o leitor imparcial fica diante de um evidente paradoxo.
Se o Anticristo governará o mundo inteiro, então é evidente que o Brasil também sofrerá sua influência. Há sinais claros de que essa influência já começou:
1. Morte em abundância: O Estado e o aborto. Esforços feministas, com apoio do governo e entidades estrangeiras, para implementar e ampliar políticas de aborto, tratando-o como questão de saúde pública, em vez de questão criminal. A antiga serpente da sedução venda os olhos dos legisladores e da sociedade, para que em vez de verem e respeitarem o valor da vida humana inocente, vejam e respeitem a vontade de uma minoria que tem sede de sangue. Nos bastidores espirituais, o derramamento de sangue inocente através do aborto legalizado garante o aumento da atividade satânica na sociedade. Por meio de suas políticas de aborto, o Estado anticristão e antivida serve a políticas satânicas onde o sacrifício dos inocentes é essencial para abrir as portas da sociedade para que os demônios façam invasões em todas as esferas.

Hipocrisia cristã. Hoje é lucrativo se apresentar diante da opinião pública como 'defensor da vida', mesmo quando esta ainda está e formação. Mas a história mostra o quanto o Cristianismo valorizou a vida. Durante a Idade Média, vários conventos não eram nada mais do que prostíbulos dos padres e locais onde se praticavam abortos.
2. Escravidão ao pecado sexual: O Estado e o homossexualismo. O homossexualismo e outras relações deliberadamente estéreis são a negação do papel criativo que Deus deu ao relacionamento sexual. Deus criou o primeiro casal como modelo da vida sexual fundamental entre homem e mulher, e lhe deu o primeiro mandamento: Crescer e frutificar. Nas novas ofertas e tentações da antiga serpente, o menu sexual apoiado e promovido pelo Estado agora inclui homossexualismo e outras perversões. Contrariando o projeto de Deus, não é possível criar nova vida através dessas uniões.

Indução cristã. O Genesis diz, em sua primeira narrativa, que Deus (YHVH) criou o homem e a mulher, criou a ambos, no que para algumas interpretações, pode indicar que o primeiro ser humano (na crônica bíblica) era andrógino, hermafrodita. Existem, ainda que de forma dissimulada, a homossexualidade em personagens bíblicos, bem como o incesto, o lenocínio, o estupro.
3. Escravidão à bruxaria: O Estado e as religiões sincréticas afro-brasileiras. O Estado ocupa ilegitimamente agora a função de protetor da bruxaria, distanciando-se dos valores cristãos sob o pretexto de ser um Estado laico, mas promovendo ideias de bruxaria, sob a desculpa de valorização da “cultura” dos afrodescendentes. Resultado: as religiões sincréticas afro-brasileiras estão começando a experimentar aumento depois da intervenção estatal de proteção às suas práticas.

Inveja cristã. Desde que a Ciência apareceu e tirou o poder absoluto que a Igreja Cristã tinha na Civilização Ocidental, os saudosistas, fanáticos e fundamentalistas sonham com o retorno da Teocracia. O sonho dessa gente é a de que o Brasil se torne um Afeganistão, tendo a Igreja Cristã no lugar do Taliban. O Estado moderno devia ser laico, não apenas no papel, mas de fato e garantir a liberdade de culto, de opinião e de opção para todos.
4. Preconceito aos valores morais da Palavra de Deus: O Estado e os cristãos. O Estado, que foi criado por Deus para ocupar o papel de repressor da criminalidade e dos criminosos assume agora, cada vez mais, a função de repressor dos cidadãos bons que discordam de suas políticas de aborto, homossexualismo e proteção à bruxaria. Quem não aceita o aborto é classificado como machista contra os direitos das mulheres. Quem se opõe ao homossexualismo é tratado como criminoso homofóbico. E quem não respeita as religiões sincréticas afro-brasileiras é condenado como racista e preconceituoso.

Ilusionismo cristão. Uma estratégia muito útil é apelar ao pânico das massas, se fazendo passar por vítima e perseguido. Deu certo na época dos césares, mas hoje em dia as pessoas são mais bem informadas. Distorcer os fatos não engana mais, o aborto é uma questão médica, a homofobia é crime e a liberdade de culto é assegurado até aos que não seguem o Cristianismo, para o desespero dos fundamentalistas.
Quando os crimes e pecados se tornam direitos, os bons acabam se tornando vítimas de cruéis criminalizações. O resultado é que enquanto o Estado ocupa cada vez mais o seu tempo e nosso dinheiro na perseguição aos bons cidadãos e criminalizando os bons valores, os assassinos, os estupradores e outros criminosos ficam mais a vontade para cometer seus crimes.

Utopia cristã. Pecados só existem na doutrina cristã, enquanto crimes são definidos pela sociedade vigente. A prática de uma religião não deve ser justificativa ou desculpa para a prática de crimes, usar de passagens da bíblia de forma distorcida e tendenciosa para fomentar o ódio e a violência é contra todo tipo de espiritualidade. Eu diria mesmo que tanto fanatismo e fundamentalismo constituem o verdadeiro Anti-Cristo.
Repostado. Texto originalmente publicado em 12/04/2008, resgatado com o Wayback Machine.

quinta-feira, 17 de março de 2022

O Sagrado Feminino

Muita bobagem vem sendo dita sobre nossos antepassados, sobretudo vindo de pessoas que deveriam ter mais cuidado com o que dizem para o público como sendo fatos históricos, quando o que dizem é apenas a velha mania de dourar a pílula para vender melhor o remédio.
Eu vou analisar o texto escrito por Claudiney Prieto, Alto Sacerdote da Tradição Diânica Nemorensis.

Seguramente, os paleo-europeus acreditavam que o poder criador universal era feminino e adoravam as forças da natureza como forma de estabelecer contato com o Divino.

Com que bases esta afirmação é feita? Os grupamentos humanos que existiam na Europa na época Paleolítica encontravam-se em diversos estágios culturais, o que certamente refletia nos credos de cada tribo. Essa visão é antes uma criação do autor que inventou uma evidência para se encaixar em sua teoria, como fica claro na sequência do texto.

O culto à Deusa Mãe é muito anterior à Era de Touro (4000 AEC à 2000 AEC), tempo em que os homens viviam da caça e pesca e as mulheres eram as grandes Sacerdotisas, Xamãs e detentoras do poder religioso. Nesta época o respeito ao feminino e aos mistérios da procriação estavam em seu apogeu. Os homens ainda não tinham associado o ato sexual à concepção e viam a gravidez e o nascimento como algo sagrado, recebido diretamente dos Deuses. Os homens ancestrais acreditavam que as mulheres engravidavam deitadas ao luar, através da Grande Deusa personificada como a própria Lua.
Foi à partir daí, que o conceito do Princípio Divino Feminino passou a existir e prevaleceu durante milênios. Nossos ancestrais acreditavam que o poder que conspirou para que o Universo existisse era feminino e por isso cultuavam a Deusa como a Criadora do mundo e de tudo aquilo que existe nele.
Segundo as crenças Pagãs primitivas, essa Deusa teria criado tudo e todos, até seu próprio complemento, o Deus, que é personificado através do Sol.

Essa é a intenção de Claudiney Prieto, distorcer fatos e evidências arqueológicas apenas para dar um embasamento racional e científico à sua visão eminentemente dentro da tealogia diânica. Os grupamentos humanos nesta época não eram compostos apenas de caçadores-coletores, mas também de grupos nômades que viviam da pilhagem e estes tinham Deuses guerreiros masculinos. Mesmo durante o dito domínio dessa falsa religião matrifocal, é possível ver nas mesmas cavernas onde se alardeiam tanto as estátuas que dizem ser a prova de um culto à Deusa-Mãe, igualmente presente estão as figuras do Deus-Cornudo. Mas será que estas estátuas realmente representam aquilo que dizem representar ou se trata de mais uma evidência forjada para se encaixar os fatos com o credo?

A adoração à Deusa foi a primeira religião estabelecida pelos seres humanos. Muitas evidências arqueológicas incluindo estátuas, amuletos, cerâmicas, pinturas nas cavernas e outras imagens indicando a veneração da Deusa foram descobertas comprovando a existência de um culto primordial, onde uma Divindade Criadora feminina era adorada.
Merlin Stone, em “When God was a Woman” (Quando Deus era uma Mulher), diz, "Archeológos localizaram evidências de adoração a Deusa antes das comunidades do Neolitico de cerca de 7000 AC., algumas das esculturas datam do Paleolitico Superior, de cerca de 25,000 AEC. Desde as origens Neoliticas, sua existência foi comprovada repetidamente até os tempos romanos".
A evidência mais convincente de adoração à Deusa vem de numerosas esculturas de mulheres grávidas com seios, quadris, coxas, nádegas e vulvas exagerados. Estas imagens foram intituladas pelos arqueólogos como estatuetas de Vênus, ou ídolos do culto à Grande Mãe. Elas são feitas de pedra, osso, barro e foram descobertas perto dos restos de paredes das primeiras habitações humanas. Estas estátuas foram encontradas na Espanha, França, Alemanha, Áustria, Checoslováquia e Rússia e parecem ter pelo menos dez mil anos.
Elas não foram meras decorações das pessoas que as criaram, mas sim objetos profundamente importantes porque representavam o meio pelo qual os seres humanos se expressavam antes mesmo de começarem a utilizar a fala. A arte, através da história, sempre revelou o que as culturas valorizavam e o conhecimento que tentavam passar às gerações futuras. Claramente o parto, a maternidade e sexualidade feminina eram considerados sagrados. Isto nos mostra que estas culturas tiveram pouco ou nenhum conhecimento do papel do homem na reprodução. Para todos, a mulher concebia o bebê por ela mesma. Sexo não era associado com o parto e as mulheres foram consideradas as doadoras exclusivas da vida. Até hoje, algumas culturas isoladas na Terra, acreditam que o homem não tem participação nenhuma na concepção.

Isso é o que se quer acreditar, mas não há evidências suficientes para se afirmar tal salto interpretativo. Em termos antropológicos, as estátuas podem ser realmente estátuas que demonstram uma adoração a uma Deusa, mas também podem ser meros totens, fetiches que, dentro do pensamento animista do xamanismo é plenamente razoável, pois pode ser que se faziam estas estátuas para se provocar pela magia simpática a gravidez das mulheres.

Além disso, como o conceito de paternidade ainda não tinha sido entendido, as crianças só pertenciam às mães e a comunidade. Crianças "ilegítimas" não existiam. As crianças levavam o nome de suas mães e a família descendia pela linhagem materna. Esta estrutura social, baseada na afinidade feminina, é chamada de "matrilinear" e ainda existe em algumas partes da África, Índia, Melanésia e Micronésia.
As culturas primitivas eram frequentemente matrifocais e isto significa que quando uma mulher casava, o marido ia morar com a família da esposa, ao invés da mulher ser desarraigada e se mudar para a casa da família do marido. Isto significa que as mulheres detiveram todo o poder e o status da mulher na sociedade teria sido certamente cada vez mais alto se não fosse a queda matrilinear. Se não fosse o domínio patriarcal da sociedade e religião, mulheres jamais teriam sido totalmente dependentes dos homens e consideradas suas propriedades. A importância da virgindade e castigos por adultério não teriam existido, pois eles fazem parte de conceitos patrilineares, onde a paternidade é mais estimada que a maternidade.
A adoração da Deusa nas culturas antigas incluía o papel principal das mulheres nos trabalhos religiosos e celebrações sagradas. As mulheres eram as grandes sacerdotisas, adivinhas, parteiras, poetisas e curandeiras. Elas presidiam templos erguidos somente a Deusas como Ishtar, Isis, Brigit, Ártemis e Diana, que estão entre as mais populares.

Sofrível interpretação dos fatos. Em muitos grupamentos humanos, a criação das crianças era responsabilidade do grupo como um todo. Assim é também a falsa impressão de uma organização social em termos matrilineares, muitas das ditas sociedades da época acabavam matando ou provocando aborto em crianças indesejadas, com direito a uma cerimônia de sacrifício a uma entidade.

Do envolvimento das mulheres com a religião vieram muitos avanços como o conhecimento do poder das ervas, que curavam os doentes e aliviavam a dor do parto, até o primeiro calendário, o calendário lunar que foi utilizado por muito tempo e que pode ter começado com mulheres que observavam seus ciclos menstruais e os comparavam com os ciclos de Lua. Além da astronomia, as mulheres desenvolveram também os idiomas, a agricultura, a culinária, a cerâmica e muito mais. As contribuições de mulheres para as culturas humanas são inúmeras e nunca tiveram o devido crédito e valor.
A Deusa teve grande popularidade e proeminência até as religiões patriarcais como Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, entre outras, silenciarem-na. A mudança para o patriarcado foi gradual e procedeu de uma reformulação nos sistemas de parentesco que se tornou de matrilinear à patrilinear. A ênfase na paternidade e no homem é clara e evidente nas principais religiões praticadas até hoje.
A relação de pai/filho e Deus/Jesus é a chave do Cristianismo, embora a figura da mãe conseguiu persistir e aparecer no Catolicismo como Maria, que instigantemente é chamada de “A Mãe de Deus”..
Outros fatores relativo à ascensão das religiões patriarcais foi a ênfase as ditaduras militares, que aumentaram o culto aos Deuses guerreiros. Esther Harding escreveu em Women's Mysteries( Mistérios das Mulheres), " A subida do poder masculino e da sociedade patriarcal provavelmente começou quando o homem passou a acumular bens, o que não é comunitário, propriedades e achou que a força pessoal dele e a sua coragem pudessem aumentar suas posses e riquezas. Esta mudança de poder secular coincidiu com a subida da adoração ao Sol sob um sacerdócio masculino que começou a substituir os muitos cultos à Lua realizados desde tempos imemoráveis". Assim, como os homens ganharam poder sobre as mulheres e o masculino se tornou a Grande Divindade, O Sagrado Feminino passou a ser reconhecido cada vez menos. A ausência do culto à Deusa trouxe guerras, crimes, regras e a tirania.

Superestimação dos elementos tirados de algum livro esotérico superficial. O conhecimento das ervas só foi codificado com a ajuda dos homens que estavam presentes na religião antiga, trabalho que foi continuado pelos bruxos, alquimistas e químicos. Parte do texto contém mais ideologia barata, uma mistura de new age da década de 60 com feminismo da década de 70 (século XX).

A Deusa é o princípio Divino Feminino, a Divindade suprema adorada nas práticas Pagãs. Ela foi adorada ao redor do mundo por milhares de anos até que foi silenciada através das religiões patriarcais. Em anos recentes a Deusa e seus cultos tiveram ressurgimento e hoje contam com grande popularidade entre:

• feministas, que buscam uma dimensão espiritual para as suas causas políticas
• aqueles que se interessam pelas religiões antigas, abrangendo aqui todas as manifestações Pagãs
• pelas mulheres e homens comuns que sentem que algo está se perdendo nas proeminentes religiões organizadas de hoje.

Mais evidencias forjadas. O Neopaganismo é um fenômeno cultural relativamente recente e engloba diversas práticas religiosas e dificilmente algum pagão com bom senso concordaria com a Deusa sendo uma divindade suprema. A última coisa que um pagão quer é transformar a Deusa em um Jeová de saias. Pagãos atuais tendem mais ao panteísmo e ao politeísmo do que a esta forma disfarçada de monoteísmo.

É difícil definir a Deusa em alguns parágrafos, mas a versatilidade é uma de Suas características mais interessantes. Para alguns Ela é a única Divindade existente. A Deusa não é necessariamente vista como uma pessoa, mas uma força multifacetada de energia que se expressa em uma variedade de formas e pode ter inúmeros nomes diferentes.

Aqui são divagações particulares do autor. Primeiro empurra um monte de evidências forjadas para depois entrar com sua visão doutrinária, uma visão henoteísta, com tendências monoteístas.

Ela foi chamada Ishtar, Astarte, Inanna, Lillith, Isis, Maat, Brigid, Cerridwen, Gaia, Demeter, Danu, Arianhod, Ceridwen, Afrodite, Vênus, Artemis, Athena, Kali, Lakshmi, Kuan-Yi, Pele e Mary, entre muitos outros nomes. A Ela foram atribuídos muitos símbolos, como serpentes, pássaros, a Lua e a Terra.
A Deusa é a Criadora de todas as coisas e ao mesmo tempo a Destruidora. Tudo vem Dela e tudo retornará à Ela. A Deusa está contida em tudo e vive na Terra, nós céus, no mar, em cada botão de flor, em cada pingo d’água e em cada grão de areia. Ela não é um Ser distante e intocável, mas sim uma Divindade que está aqui conosco, vive e se manifesta em cada um de nós. Ela é Virgem, a Mãe e a Anciã. Ela é você, Ela é eu, Ela é tudo e todos.

Confundir Deusas tão distintas, de povos e credos tão distintos, sob a batuta de uma interpretação arquétipa psicológica junguiana é um assalto, uma violência e um estupro dessas culturas e religiões. Mas Claudiney Prieto tem outra agenda e esta passa longe do respeito aos Mitos Antigos, que são o alicerce da religião Wica.

Nas praticas Pagãs a Deusa possui 3 aspectos distintos. A Triplicidade da Deusa é muito anterior ao Cristianismo e não é difícil que seja ela quem deu origem ao pensamento da Trindade Cristã. Porém na Wicca, a Triplicidade se refere a 3 estados distintos da mesmo divindade.
Cada um destes aspectos tem suas características particulares, distintas das outras e cada uma delas traz a possibilidade de serem relacionadas com aspectos internos de nossa psiquê. Suas três faces são a Virgem, Mãe e Anciã, os seus aspectos reverenciados por toda a humanidade desde tempos imemoráveis.
A Virgem representa os impulsos, os começos e está relacionada a Lua Crescente.
A Mãe é a Doadora da Vida, a Grande Nutridora e está associada à Lua Cheia
A Anciã é a detentora da sabedoria, A Grande Conhecedora e Tranformadora e está associada a Lua Minguante
A Deusa é abrangente porque pode ser tudo que você quiser que Ela seja. A maioria dos seguidores da Deusa compartilham algumas convicções em comum. Starhawk, uma das mais atuantes Bruxas modernas e autora da "Dança Cósmica das Feiticeiras" afirma que os três princípios da religião da Deusa são: a imanência, interconexão e comunidade.
Imanência é o meio pelo qual a Deusa está presente na Terra e em nós. A Natureza, a cultura , a vida.
Interconexão é o meio pelo qual todos os seres estão relacionados e a forma como estamos unidos ao Cosmo.
Como comunidade, crescimento e transformação passam por interações íntimas, basicamente, a lei da Deusa é Amor - Amor Incondicional. Ela não tem nenhuma ordem à ser seguida à não ser o Amor, em todas as suas manifestações e formas.

Na Wica Tradicional, a Deusa é específica. Ela é imanente e transcendente. Ela é Trina em suas manifestações, mas apenas neste atributo dela que se pode dizer, sem erro, que se trata da mesma Deusa. Mas Ela é aquilo que Ela é e sempre foi e será. Não algo que se molda aos nossos desejos e sonhos. Quando se escolhe um caminho religioso, somos nós que temos que nos adaptar a ele, não o caminho às nossa necessidades. Com a Deusa e o Deus, não pode ser diferente. Se essa interpretação esdrúxula de psicologia junguiana fosse um médoto correto, então os cristãos podem muito bem entender a Virgem Maria como sendo uma face da Deusa e estaremos dando respaldo aos grupos de wiccanos-cristãos.

Das origens primitivas do Neolítico e Paleolítico surgiram todas as formas de Magia e religião e a inspiração para recriar muitas outras formas de espiritualidade que surgiram posteriormente, incluindo a Wicca.
A maioria das religiões atuais da humanidade são baseadas em figuras e princípios divinos masculinos, com Deuses e Sacerdotes ao invés de Deusas e Sacerdotisas. Durante milênios, os valores femininos foram colocados em segundo plano e em muitas culturas as mulheres fora subjugadas e passaram a ocupar uma posição inferior aos homens, quer seja no nível social ou espiritual.
A Wicca busca recuperar o Sagrado Feminino e o papel das mulheres na religião como Sacerdotisas da Grande Mãe, além da complementaridade e equilíbrio entre homem e mulher, simbolizados através da Deusa e do Deus, que se complementam.

Aqui o autor entra em contradição, pois se a Wica procura o equilíbrio entre os gêneros, por que focar apenas o sagrado feminino e não falar do sagrado masculino; por que focar apenas na Deusa e não falar no Deus; por que confundir e misturar tantos credos pagãos e as Deusas em um único aspecto? As origens da magia e da religião perpassam tempo, origem e cultura. Não há uma origem certa, nem um monopólio matrifocal na história e no desenvolvimento da magia e da religião. Muitos homens ajudaram e contribuíram para a preservação da Religião Antiga. Sem essa tradição e ancestralidade, nenhum de nós sequer ouviria falar em Wica. Ao sustentar com evidencias forjadas e interpretações tendenciosas uma visão pessoal e progressista da religião Wica, Claudiney Prieto demonstra que não está preocupado com a religião, mas em aumentar o numero de adeptos da sua própria tradição.
Repostado. Texto originalmente publicado em 12/08/2007, resgatado com o Wayback Machine.

quarta-feira, 16 de março de 2022

Refutando o "dr" Leadnet

Um site fundamentalista cristão organizado pelo "doutor" Leadnet tem textos que merecem ser analisados. Este "doutor" diz ser psiquiatra, mas não diz em que Universidade se formou, nem onde clinica. Vários de seus textos poderiam ser denunciados ao Ministério Público, ao Sindicato dos Psiquiatras por causa da calúnia, injúria e difamação contida ali. Mas como convenientemente o "doutor" se esconde no "direito de opinião e expressão", eu usarei deste espaço e dos meus direitos para analisar as insanidades ditas por este "psiquiatra".

Uma Breve Nota Sobre Preconceito - Neste site fazemos muitas asseverações e afirmações sobre diversos assuntos. Nossas afirmações são todas fundamentadas nas Escrituras, a Bíblia. Não discriminamos pessoas, não difamamos ninguém e não praticamos qualquer forma de racismo. Nossa luta não é contra homens, mas contra anjos caídos e rebelados, a saber, Satanás e os demônios. Entendemos por mentira tudo aquilo o que esteja em desarmonia e em desacordo com as Escrituras de Deus, a Bíblia.

Caro leitor, a partir do momento que você admite um livro, sob qualquer título, como a única e total Verdade, você está sendo preconceituoso. A Bíblia não é o único Livro Sagrado, nem possui uma só versão. Basta uma boa olhada imparcial no conteúdo da Bíblia que se pode ver conceitos que, para o nosso tempo e cultura, são considerados racistas, discriminatórios, intolerantes e violentos. Considerando que o autor se diz cristão, existem muitas denominações cristãs que fundamentam suas opiniões com base na Bíblia de forma diferente, ou seja, aquilo que o autor fala ser a Verdade absoluta é mera questão de interpretação pessoal dele. A visão escatológica de batalha espiritual que ele faz questão de frisar é considerado anti-bíblico por muitas denominações, sem falar que o "doutor psiquiatra" deve sofrer do mesmo mal que sua ilustre colega "DraRebecca Brown.

Leis e direitos - Lamentavelmente, há muita incompreensão, por parte de muitos, do fato de que neste site não militamos contra homens e nem a ninguém difamamos, mas, antes, segundo o mandamento do Senhor Jesus Cristo e cumprindo as Suas determinações, anunciamos o Evangelho de Cristo, e também em razão de ser esta a nossa mais sublime missão. Não podemos, de modo algum, deixar de ser beligerantes contra o mal, encabeçado pelo seu Líder, Satanás, o inimigo de Deus. Deste modo, ainda que incompreendidos e caluniados, mantemos nossas armas espirituais em guarda erguida, segundo está escrito.

Os ditos mandamentos de Jesus falam em anunciar, não em impor. Em uma de suas mensagens ele adverte contra o proselitismo. Não podemos esquecer de que são quatro os Evangelhos e a autoria de todos ainda é uma questão sem resposta definitiva. A missão original de Jesus, como ele mesmo diz, ou como consta nos Evangelhos, é de reunir as ovelhas perdidas de Israel. A causa pelo que era conhecido como gentio veio posteriormente.

E uma vez que, ainda por um pouco, permaneçamos neste mundo putrefato e corrupto, dominado pelo mal, até que venha o Senhor com grande poder e glória, como prometeu, devemos nós estar sujeitos às autoridades deste mundo, como também está escrito.

Esta é uma típica declaração dos radicais. Na doutrina Judaico-Cristão, este Mundo pertence ao Diabo, muito embora ambos tenham sido criados por Deus. A visão de Deus no Antigo Testamento é bem clara: foi Deus que criou ao Diabo e, sendo Deus, ao permitir o domínio do Diabo no Mundo isto torna Deus igualmente responsável pela situação da humanidade e deste Mundo.

Tratamos, outrossim, neste Website, de confrontar todas as coisas com as Escrituras Sagradas, a Bíblia. E, a bem de nosso bom e eterno relacionamento com Deus, rejeitamos as mentiras de Satanás, venham de onde quer que seja, advertindo a quantos pudermos, pelo amor ao próximo, que se apeguem à Verdade, segundo está escrito.

Como eu cansei de escrever, existem ao menos cinco versões diferentes deste livro chamado Bíblia, fora a Torah, a Mishvah e as versões dos mórmons e adventistas. A Bíblia é um conjunto de textos que foi tornado possível em torno de 300 DC, a partir da compilação de textos Judaicos (a Torah e a Mishvah) e de diversos pergaminhos cristãos escritos a partir de 70 DC. A despeito de toda a "inspiração" que os cristãos aleguem ter nela, esta é uma obra de seres humanos, uma antologia do que creram os Judeus e os Cristãos, portanto, a Bíblia é a referência da Verdade apenas a algumas pessoas, não a todas.

Temos sido atacados, difamados e falsamente acusados de sermos preconceituosos e intolerantes. Porém, em contrapartida, advertimos aos nossos acusadores que, assim como nós, também eles se encontram debaixo das leis vigentes nesta nação. E sendo assim, se julgarmos oportuno, procederemos, sem vacilar, em fazer valer nossos direitos e deveres como cidadãos que somos, dando a resposta devida, ainda que seja, se necessário, em juízo terreno.


Este é um assunto judicial, mas caso chegue a este ponto, seria a primeira vez no Brasil que se poria em discussão judicial até que ponto os litigantes estão sendo prudentes, quem começou o que e quem infringiu mais a lei.

Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...)

Isso inclui todos os credos e cultos. A partir do momento que o autor afirma que somente a Bíblia é a Verdade, veta aos demais os mesmos direitos que se arroga.

Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei.

Eu vou lembrar desta linha quando eu for assediado religiosamente por algum missionário.

É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além de indenização por dano material, moral ou à imagem.

Eu espero sinceramente que sim, pois muitas igrejas e templos cristãos seriam fechados. Aqui cabe perguntar: dano material, moral e à imagem de quem? Quando se discute ideologias, doutrinas e religiões, não há um sujeito ou prejudicado em pessoa física para exigir tal reparação.

É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

Esta regra deveria ser afixada em todas as igrejas e templos cristãos, para nunca falarem mal dos outros credos.

Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

Ou seja, o autor do site também terá que prestar esclarecimentos diante das autoridades competentes, pois as mensagens de seu site está privando a outros o direito que possuem, por terem outra opção religiosa.

É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.

Como eu disse em outra mensagem, o direito de expressão não vem sem a devida responsabilidade. Para todo e qualquer texto que induza ou patrocine o preconceito, a discriminação, a injúria, a difamação, a intolerância e o fanatismo, deve ser obrigado o seu autor a oferecer um espaço igual, para que opiniões diferentes sejam expostas. Textos assim não sobrevivem ao debate e à argumentação.
Repostado. Texto originalmente publicado em 14/07/2007, resgatado com o Wayback Machine.

terça-feira, 15 de março de 2022

Não somos parentes

Satanismo e a História da Wicca, por Diane Vera.
Tradução e Adaptação por Femmina Seduttrice.

Em seu esforço para se desassociarem do Satanismo, os wiccans têm tendido a distorcer sua própria história. Wicca e Satanismo são de fato categorias religiosas muito distintas, porém há alguns laços históricos entre os dois, como até alguns estudiosos wiccans estão finalmente começando a admitir. (Veja, por exemplo, o livro de Aidan Kelly “Crafting the Art of Magic” págs. 21-22, 25-26, e 176).

Para analisar um texto que, supostamente fala de história, é preciso perguntar de que tipo de história essa autora se refere. Ao contrário do que querem e esperam os satanistas, não há nem nunca houve esse tal 'satanismo histórico' que querem tanto para embasar e justificar sua crença. Usar o livro de Aidan Kelly é embarcar em barco furado, pois ele o escreveu para atingir objetivos pessoais, não para dar um enfoque acadêmico na questão.

Wicca não é “A Antiga Religião”, ainda que influenciada por várias religiões antigas. Wicca como nós conhecemos atualmente é derivada da filosofia oculta do século XIX - incluindo a filosofia do Satanismo literário, entre outros - projetada em uma Deusa e um Deus (não cristãos), acrescida de um estilo descristianizado de magia cerimonial da Golden Dawn e folclore britânico sortido, e mais recentemente reformulado por estudiosos neo-pagãos, e influenciado pelo feminismo e a ecologia. De qualquer forma diversas partes da incerta árvore genealógica da Wicca podem ser traçadas ao Satanismo literário do século XIX, algumas formas têm mais em comum com a Wicca atual do que o Satanismo atual.

A autora enxerga 'provas' de um 'satanismo literário' sem explicar o contexto histórico em que tais filosofias surgiram. Historicamente, livros de magia e bruxaria surgiram muito tempo depois do surgimento das práticas em si e sempre surgiram ora como uma forma de satisfazer a crescente curiosidade da aristocracia europeia, ora para apoiar as ações criminosas da Igreja.


O principal exemplo de que o Satanismo literário influenciou fortemente a Wicca, especialmente a Wicca feminista, é o livro “La Sorciere” escrito pelo historiador francês do século XIX, Jules Michelet (publicado em inglês pela Citadel Press sob o título “Satanism and Witchcraft”). As idéias de Michelet, como parafraseadas por escritoras feministas como Barbara Ehrenreich e Deirdre English em seu livro “Witches, Midwives, and Nurses: A History of Women Healers (Feminist Press, 1973), atuou como um importante papel no atual movimento pela saúde feminina. (Ao menos Ehrenreich e English foram honestas o suficiente para listar Michelet na sua bibliografia). Michelet foi, até onde eu sei, a origem literária da atual imagem feminista da bruxa como curandeira. Entre outras coisas, ele teorizou que a caçada as bruxas foi usada pela medicina masculina emergente para matar as componesas que lhe faziam competição.

O livro de Jules Michelet não foi feito com o intuito de ser um registro histórico ou uma explicação acadêmica, mas um romance e mesmo assim foi feito baseado em outras fontes, o que o descaracteriza como fonte primordial dos movimentos citados.
Eu explico o contexto histórico no qual surgiu tal 'satanismo literário'. Em síntese, livros de magia e bruxaria surgiram muito tempo depois das práticas em si e surgiram para satisfazer a curiosidade da aristocracia europeia. Como as práticas tinham muito das crenças populares originais dos povos europeus, crenças estas que foram definidas pela Igreja como cultos de Satan. Ora, a aristocracia se ressentia com o poder político e econômico da Igreja, então procuravam nesses livros de magia e bruxaria, os Grimórios, formas de poder espiritual, político e econômico que pudessem competir com os da Igreja e do Deus Cristão.

De acordo com Jeffrey B. Russell em “A History of Wichcraft”, a Wicca clássica pré-feminista também retirou indiretamente muitas influências de Michelet. Michelet foi a principal fonte de inspiração para Margaret Murray, Charles G. Leland e Sir James Frazer, que a maioria dos wiccans instruídos reconhecem como influências. (Russell aponta isso, todavia negligencia informar ao leitor que o livro de Michelet é repleto de descrições apaixonadas e simpatizantes de Satã e das bruxas medievais. Russell também propaga o falso mito de que a Wicca não tem nada haver com o Satanismo).

Como eu expliquei, Michelet não foi o único que escreveu sobre bruxaria e as crenças populares do campo na Europa, de forma que é ridículo afirmar que este foi a fonte original na qual os outros escritores se basearam para seus livros.


Eu irei deixar para os mais estudados do que eu debaterem o quanto endividados Murray e Leland foram a Michelet. Em todo caso, a mitologia italiana sobre bruxaria que Leland apresentou em “Aradia: Gospel of the Witches” (Originalmente publicado em 1899), uma das maiores fontes da Wicca, contém alguns elementos da bruxaria diabólica - “Diana amou extensamente seu irmão Lúcifer, o deus do Sol e da Lua, o deus da Luz, que estava tão orgulhoso de sua beleza, e por isso foi repelido do Paraíso”. Os Wiccans geralmente argumentam que “Lúcifer” não é o demônio cristão, mas “o deus do Sol e da Lua”. (Eu também diferencio Lúcifer de Satã, como fazem muitos ocultistas). Contudo a declaração de que Lúcifer foi “repelido do Paraíso” por seu “orgulho” é claramente uma referência ao mito do demônio cristão. Aradia contém uma mistura de mitologias.

Uma óbvia confusão, considerando que a autora não sabe a diferença entre história e romance. Murray fez um ensaio acadêmico, Leland fez um romance. O livro “Arádia, o Evangelho das Bruxas” é uma referência romanceada da bruxaria toscana, uma das formas da Stregueria, ou bruxaria italiana, que não tem qualquer relação com a Wicca, uma forma de bruxaria moderna de origem britânica. Portanto, é necessário uma certa reserva quanto ao registro de Leland sobre o mito de Lúcifer.

Os wiccans estão corretos em dizer que seu Deus Chifrudo não é Satã, porém não é historicamente verdadeiro que a imagem cristianizada de Satã é uma re-interpretação do Deus wiccan. Pelo contrário, o moderno conceito wiccan do Deus Chifrudo é originário de uma re-interpretação paganizada da imagem medieval do demônio cristão (como nos escritos recentes de Margaret Murray). É verdadeiro que a imagem medieval do demônio cristão, incorpora versões distorcidas de deuses antigos (não só os chifres, ex.: o tridente que foi retirado de Poseidon/Netuno). Porém a imagem wiccan do Deus Chifrudo não é uma continuação direta de alguma religião antiga, e pelo menos um aspecto chave não veio de outra fonte senão do conceito medieval do demônio cristão como manifestado nas caçadas às bruxas. A idéia de um Deus Chifrudo associado especificamente com a bruxaria é derivada da caçadas as bruxas pelos cristãos, e não de outra fonte prévia. Na religião pré-cristã européia, havia deusas associadas a bruxaria (ex: Hécate), mas Pan e outros deuses com chifres não eram associados a bruxaria, até onde eu sei. Muito da própria imagem wiccan é baseada na re-interpretação paganizada da alegada adoração ao demônio, do que realmente na religião antiga. Muito da terminologia e da imagem wiccan (ex: as palavras “bruxa/witch”, “coven”, e “sabbat”), são usadas por causa do falso mito wiccan de que sua religião é sobrevivente de uma religião medieval secreta que foi alvo dos caçadores de bruxas. (negligenciando a origem linguística desses termos que vieram da caçada às bruxas). A ideia relatada que os modernos wiccans continuam sob o perigo de serem confundidos com satanistas é, ao menos parcialmente, uma profecia de próprio preenchimento. Poucas pessoas iriam confundir Wicca moderna com Satanismo, se a Wicca não usasse tantos termos derivados da caçada às bruxas e outras pompas popularmente associadas a bruxaria diabólica.

A autora demonstra não ter conhecimento histórico nem antropológico. Existe uma enorme diferença entre as muitas formas de bruxaria que eram praticadas na Europa, muitas bruxas trabalhavam com espíritos, gênios locais, mas também muitas tinham seus Deuses e Deusas. Hécate é uma Deusa da Grécia Antiga e que foi assimilada pelos Romanos Antigos, antes de sua cristianização. Na Europa, haviam diversos tipos de Deuses e Deusas que foram, com o domínio Romano e, posteriormente, o Cristão, confundidos e associados com os antigos Deuses e Deusas, Gregas e Romanas, bem como foram demonizados pela Igreja. Portanto é bem evidente que a iconografia de Satan vem exatamente dessa associação simbológica dos Deuses Pagãos europeus.
Os termos são igualmente confundidos pela autora como uma ‘reinterpretação paganizada’, se ela tivesse o mínimo de critério e buscado fontes mais históricas, veria que os termos são usados pelos grupos de bruxas existentes na Europa Medieval.
O que é necessário diferenciar é a bruxaria praticada pelo povo e a ‘bruxaria’ praticada pela aristocracia, algo que a autora desconhece e não explica. Os ditos ‘cultos a Satan’, bem como a ‘bruxaria diabólica’ e mesmo as ‘Missas Negras’ são fenômenos diretamente ligados nessa prática aristocrática de ‘bruxaria’, que tinha como objetivo combater e desafiar o poder da Igreja e do Deus Cristão.


Minha questão aqui não é dizer que os wiccans não devem usar os termos “bruxa/witch”, “coven” e “sabbat”. A questão é que se eles usam essas e outras pompas da bruxaria diabólica, eles devem aceitar as consequências. Por exemplo, quando explicando que Wicca não é Satanismo, deveriam confirmar a real razão para a confusão: que wiccans escolheram se identificar com as vitimas das caçadas às bruxas na Europa medieval e por isso usam sua terminologia. Wiccans certamente não deveriam responsabilizar os satanistas por suas próprias dificuldades de relações públicas, como alguns wiccans fazem. Wiccans me aborrecem quando na tentativa de se distanciarem do Satanismo, difundem concepções populares errôneas sobre Satanismo (ex: dizendo: “Nós não somos satanistas!” em um tom dando a entender que satanistas são monstros, ou dizendo “Nós não somos satanistas!” como se estivessem dizendo “Nós não sacrificamos bebês.” - a última declaração pode ser dita separadamente e é um ponto óbvio de transgressão da “Wiccan Rede” e/ou lei do retorno triplo).

Eu considero que a autora tenta dar algum sentido e justificativa ao seu credo (satanista), tentando igualar movimentos, religiões e pensamentos tão distintos. Eu expliquei a terminologia, bem como as diferenças. O que a autora faz, bem como os satanistas em geral, é essa confusão da tradição da bruxaria europeia popular com as licenciosidades cometidas pela aristocracia. Toda forma de satanismo moderno, do ‘tradicional’ ao laveyano, provém dessa prática aristocrática, produzida e estimulada tanto pelos Grimórios quanto por magos e padres renegados. Não havia uma preocupação com a tradição ou com a religião, mas apenas a busca de uma válvula de escape. A aristocracia pagava para ter todo tipo de ritual, culto ou prática que contestasse a Igreja, mesmo que isso significasse cometer crimes e disso vem toda a histeria e pânico contra a bruxaria, como se esta fosse efetivamente um ‘culto a Satan’.

Voltando a história da Wicca. Além de Murray, Leland, e outros escritores de bruxaria, outra principal fonte da Wicca é Aleister Crowley. Muitos wiccans esclarecidos (ex. os Farrars e Doreen Valiente) compreendem que os rituais de Gardner foram altamente baseados em rituais de Crowley, entretanto eles tendem a retrucar “Crowley não era um satanista”.

A dita influência de Crowley é mais um motivo de piada entre wiccanos do que de preocupação. Como a autora não teve o trabalho de pesquisar conceitos mais básicos e elementares de história e antropologia, seria redundante e desnecessário falar de tal influência.

Crowley não era um satanista, porém ele estava definitivamente dentro do simbolismo satânico, assim como estava dentro de zilhões de outras coisas. Em alguns escritos defensores do Neo-Paganismo (ex. o livro da “The Church of All Worlds”, “Witchcraft, Satanism, and Occult Crime: Who's Who and What's What”), é alegado que Crowley não era satanista nem pagão, mas somente mago cerimonial judaíco-cristão. O fato é que Crowley era muito eclético, podemos listar magia cerimonial da Golden Dawn, Qabalah, Grimórios medievais, Egito e Grécia antiga e Yoga. Crowley deu ênfase a elementos egípcios, inferiorizou os elementos cristãos, e adicionou muitas outras coisas em sua mistura, incluindo muita imagem satânica (tal como sua invocação de Satã no Liber Samekh, isso sem mencionar sua constante alto-definição de “Besta 666”). Alguns irão insistir que o simbolismo satânico de Crowley era meramente uma brincadeira, porém as atitudes de Crowley se encaixam bem dentro da tradição do Satanismo literário do século XIX. (Na maioria das mais sofisticadas formas de Satanismo, o nome “Satã” é entendido em um sentido irônico). Outros irão explicar que a maior parte do simbolismo satânico de Crowley pode ser re-interpretado em termos pagãos, porém isso também é verdadeiro em muitas formas de Satanismo.

Crowley foi, evidentemente, um gênio de sua época, mas viveu em uma época onde ainda se divulgavam livros de bruxaria e magia como sendo coisa do Diabo e ele mesmo assimilou essa acepção da mesma forma que os aristocratas europeus concebiam.

Há também uma possibilidade de que a Wicca tenha pego emprestado ideias de escritos sobre reais satanistas no fim do século XIX e início do século XX. No livro “Crafting the Art of Magic”, Aidan Kelly diz que Gerald Gardner retirou conceitos chaves de descrições da bruxaria do povo Ozark, incluindo Satanismo popular, no livro “Ozark Superstition” de Vance Randolph em 1947. Eu irei admitir que as conclusões de Kelly foram desafiadas por outros wiccans esclarecidos historicamente.

Aidan Kelly é um caso à parte, mas seu livro foi totalmente refutado.

Claro, se Gardner fosse influenciado por Randolph, ele provavelmente assumiria que as bruxas satânicas populares eram “realmente” pagãs e que Randolph as representou erroneamente como satanistas. Porém a suposição de Gardner não estaria necessariamente correta. Uma bruxa (pela inculta visão popular) seria de longe mais parecida com (1) uma satanista ou (2) uma devota embora cristã heterodoxa, do que alguém que tenha preservado uma antiga religião pagã intacta. Vários costumes pagãos certamente sobreviveram, porém isso é bem diferente da sobrevivência intacta de uma religião pagã, pelo qual há muita pouca evidência. (Para uma critica da alegada evidência da sobrevivência pagã, veja o livro “A Razor for a Goat” de Elliot Rose. Concernente a um possível culto medieval muito diferente do que Murray teorizou, veja o livro “The Night Battles” de Carlo Ginzburg. Concernente a bruxas hereditárias contemporâneas, muitas delas são cristãs, veja o livro “Bluenose Magic” por Helen Creighton. Para a um exemplo de grimório decididamente não pagão que é muito popular entre bruxas européias hoje em dia, veja o livro The Sixth e Seventh Books of Moses”, disponível em algumas botânicas).

A autora faz afirmações errôneas, baseadas em suas visões generalizantes e superficiais. As bruxas não eram vistas como satanistas nem como cristã heterodoxa pelo povo. Antes da Caça às Bruxas conduzida pela Igreja, as bruxas eram estimadas e procuradas, pois elas possuíam o conhecimento ancestral que ajudava as pessoas em suas dificuldades.

Algumas formas de Wicca podem ter sido influenciadas por satanistas mais diretamente do que via Murray, Leland, Crowley, Ehrenreich/English, e possivelmente Randolph. Dois exemplos possíveis: (1) Wiccans historicamente instruídos têm debatido qual papel, se algum, foi exercido no desenvolvimento da Wiccan moderna por um inglês trabalhador rural do século XIX chamado George Pickingill que tinha fama de ser um bruxo. Aidan Kelly, que não acredita que Pickingill contribuiu em algo para Wicca, descreve Pickingill como “um bruxo popular inconstante e satanista”. A afirmação que Pickingill exerceu um papel principal foi originalmente feita por “Lugh” em um jornal chamado “The Wiccan” em 1974. “Lugh”, que alegou ser um bruxo hereditário, descreveu Pickingill como “A maior autoridade que já existiu no mundo em Bruxaria, Satanismo e Magia Negra” (citado por Doreen Valiente em “Rebirth of Wichcraft”).

Pickingill surgiu igualmente em uma época onde existia essa identificação entre bruxaria e satanismo, portanto, é compreensível dentro do contexto histórico, social e cultural.

(2) Starhawk foi iniciada por Victor Anderson, que outrora pertenceu a um coven cuja forma de bruxaria incluía uma forma de “Satanismo literário” (ou pelo menos uma religião similar ao “Satanismo literário”); ou assim diz Kelly, baseada em uma pesquisa de Valerie Voigt.

Starhawk foi iniciada por Victor Anderson, o fundador da Tradição Feri, uma das muitas formas de bruxaria moderna, mas não é Wicca.

Mesmo que Kelly esteja correta ou não sobre Victor Anderson, e mesmo que Pickingill tenha ou não algo haver com a Wicca, não deve ser considerado improvável que algumas tradições de Wicca tenham se originado como formas de Satanismo e então gradualmente foram se afastando do Satanismo. Atualmente, há ocultistas que começaram como satanistas e eventualmente se tornaram Wiccans ou outros tipos de neo-pagãos. Seria muito estranho se o entendimento de Wicca de tais pessoas não fossem de um todo influenciado por suas experiências prévias com o Satanismo.

Eu devo salientar que, para quem começa a se interessar por bruxaria e Wicca, não há muitos livros ou fontes confiáveis, pois estamos em um momento posterior à existência da bruxaria e das religiões originais da Europa.
Quando Gerald Gardner iniciou o resgate dessas práticas e religiões foi necessário filtrar muito desse suposto ‘satanismo literário’ bem como muito da interferência da aristocracia e da Igreja no que era efetivamente a religião e a prática originais.


Formas teístas de Satanismo têm uma tendência natural de gerar novas religiões não satânicas. Se você rejeita a teologia cristã (como todos os satanistas inteligentes fazem), e venera Satã como um entidade ou força (não como somente um símbolo como no Satanismo LaVeyísta), então uma questão inevitavelmente aparecerá: Quem e o que é “Satã”? Diferentes formas de Satanismo tem diferentes respostas para essa pergunta. Uma das respostas mais fáceis é re-interpretar Satã como uma entidade pré-cristã, geralmente Set ou Pan. Contudo, uma vez que você equipara Satã com uma divindade antiga específica, você estará dando o primeiro passo para sair do Satanismo. Você não estará mais venerando Satã, você estará venerando uma divindade pagã com tonalidades satânicas. E então, uma vez que desenvolveu seu sistema de crença paganizada, as tonalidades satânicas se tornaram eventualmente menos importantes, ou vistas assim. Esse aparentemente foi o caso com o “Temple of Set”, um ramo saído da “Chuch of Satan” de LaVey. (Setianos discordam de serem chamados de “Satanistas”). Parece que não é de todo improvável que algumas formas de Wicca, com todas essas pompas da Bruxaria Diabólica, tenham uma origem similar. Um grupo de satanistas teístas que equiparam Satã com Pan, com alguns satanistas fazem, provavelmente se envolveriam em uma direção semelhante a Wicca.

A autora entra em uma confusão mental. Como eu expliquei, existiam Deuses e Deusas originárias da Europa que foram demonizadas pela Igreja e, desta imposição da Igreja, surgiu a iconografia de Satan.

Voltando a falar sobre as pompas da Bruxaria Diabólica usada pela Wicca. A própria imagem da Wicca é baseada nos registros das caçadas às bruxas, re-interpretando as alegadas atividades diabólicas que foram acusadas como sendo a adoração a um “deus pagão chifrudo”. A Wicca desde modo faz um novo uso da mesma fonte que satanistas têm usado por séculos.
Uma pergunta interessante: Por que reconstruir uma “Velha Religião” deste modo, ao invés de buscar registros de religiões realmente antigas? Outras formas de Neo-Paganismo (ex. Asatru e neo-Druidismo), que se baseiam mais no que é conhecido sobre reais religiões antigas, são de longe menos prováveis de serem confundidas com Satanismo do que a Wicca. Por que os Wiccans insistem em usar palavras como “bruxa/witch” e “coven” quando poderiam perfeitamente usar outras palavras menos “chamativas”?

Os processos contra as bruxas pode ser vistos de duas formas. Uma, a mais evidente, é a prova da existência das bruxas. A outra, menos evidente, é a necessidade de justificar os excessos cometidos pela Igreja, então os ‘testemunhos’ e ‘relatos’ eram evidentemente forçados para que os Inquisidores conseguissem, por tortura, ouvir o que era interessante para a Igreja. Como evidencia da existência das bruxas, se supõe então que elas são portadoras de um conhecimento ancestral, conhecido como a “Velha Religião”. Como ‘testemunho’ obtido por tortura e com a intenção de justificar as ações da Igreja, evidentemente que os processos reproduziriam as concepções da Igreja de que o Deus Chifrudo, o Deus da Bruxas, é Satan.

Apesar das pompas da Bruxaria Diabólica, ou talvez em parte por causa delas, a Wicca é mais popular do que qualquer outra forma de Neo-Paganismo. Certamente a terminologia “chamativa” da Wicca ajudou a ganhar mais publicidade do que o contrário. Representantes wiccans reclamam algumas vezes pelo fato de que os jornalistas só os entrevistam no Halloween, porém as outras pequenas facções religiosas não chegam nem perto da liberdade publicitária da Wicca em nenhuma época do ano, nem mesmo no Halloween. E, julgando pelo modo que os Wiccan insistem em repetir “Nós não somos satanistas!” mais freqüente do que eles realmente são acusados de serem satanistas, parece lógico suspeitar que pelo menos alguns estão usando palavras e imagens popularmente associadas ao Satanismo como modo de chamar atenção, e/ou porque eles se divertem se sentindo desobedientes. (Eu de fato escutei alguns wiccans dizerem que se a palavra “bruxa/witch” se tornasse muito respeitável, ela perderia algo de seu poder). Satanistas modernos tem a impressão de que a base de atração da Wicca jaz em uma combinação paradoxal (alguns diriam hipócrita) do uso de conotações satânicas e a negação das mesmas. Deste modo, satanistas tendem a considerar a Wicca como uma distorção do Satanismo.

A autora desconhece a Wica e desconhece a inexistência da ‘bruxaria diabólica’. Há, efetivamente, em nosso tempo, essa confusão conceitual e a autora demonstra estar nesse mesmo engano.
A visão da opinião pública no que se refere a bruxaria e wicca provém dessa visão enganosa e imposta pela Igreja. Para a Imprensa, o interessante é o de vender a notícia, não o de fornecer informação. Então nada mais cabível do que aproveitar a exposição para esclarecer a opinião pública de que existem diferenças entre bruxaria, wicca e satanismo.


Eu pessoalmente não considero a Wicca como uma distorção. Na minha opinião, o uso pelos wiccans de pompas derivadas das caçadas às bruxas são tampouco mais nem menos legítimas do que o uso das mesmas por satanistas. E a Wicca, como uma religião, tem muito mais substância para isso do que somente essa semelhança superficial deliberadamente adotada da Bruxaria Diabólica.

Considerando que o satanismo moderno provém de uma distorção aristocrática da bruxaria misturada com doutrinas da Igreja, os pomposos são os satanistas que tentam desmentir seu vínculo evidente com a Igreja enquanto tentam enganar o público dizendo que o satanismo é o original.

Mas eu estou muito irritada com essas intermináveis declarações de que “Wicca não tem nada haver com Satanismo!”. Eu não daria importância se os wiccans meramente dissessem que Wicca não é Satanismo (ao menos se fizessem isso sem a repetição desnecessária). É verdadeiro que Wicca não é Satanismo, mas historicamente não é verdadeiro que a Wicca “não tem nada haver com” Satanismo. Nem é verdadeiro que a Wicca não tem nada em comum com o Satanismo. Algumas formas de Wicca e Neo-Paganismo tem muito em comum com (algumas formas de) Satanismo.

Historicamente, satanismo tem mais vínculos com a aristocracia europeia e a Igreja do que com a bruxaria e a Wica, como eu evidenciei.

Curiosamente, das muitas formas de Neo-Paganismo baseadas na Wicca, uma das mais “satânicas” (em termos de Satanismo literário do século XIX) é a religião feminista da Deusa, apesar de sua freqüente omissão do “Deus Chifrudo”. Veja, por exemplo, alguns dos escritos de Mary Daly. Quando é para inverter e parodiar o simbolismo cristão, Daly faz melhor do uma Missa Negra escrita antigamente. Daly também recupera e venera quase todas as categorias femininas demonizadas concebíveis, de fúrias até feiticeiras. E não podemos esquecer as muitas feministas que veneram Lilith, um demônio feminino do folclore judaico equivalente ao Satã cristão. Lilith não chegou ao status de anti-deus, porém por outro lado seu mito é quase idêntico ao do Satã cristão: banida por seu orgulho, ela se tornou um pavoroso demônio e foi associada aos pecados humanos, principalmente os relacionados ao sexo. Para ser honesta, devo mencionar que nem todas as feministas adoradoras da Deusa são influenciadas por Mary Daly ou veneram Lilith. Porém a contracultura feminista, por ser uma contracultura, tende geralmente incluir uma dose extra de rebeldia “demoníaca” além do que é encontrado na Wicca clássica (ex. Títulos de revistas como “Sinister Wisdom”). Todos esses paralelos com o Satanismo refletem o tema central essencialmente satânico de algumas formas de religiões feministas da Deusa: auto-liberação de uma ordem “espiritual” imposta pela sociedade - ainda que a religião da Deusa seja completamente não satânica pelos critérios da maioria dos satanistas modernos.

A autora toma fenômenos atuais não como efeitos de um processo cultural, histórico e social, mas como evidências isoladas. Formas de bruxaria moderna, conhecidas como wicca diânica, tenta tornar a Wica uma religião matrifocal, mas é um movimento distinto da Wica.
Grupos diânicos dão um enfoque privilegiado às Deusas como se isso fosse ‘corrigir’ os excessos do patriarcado. Nessa busca, cometem o mesmo engano que a autora, ao confundir mitos e lendas de outras religiões sem se importar com suas fontes.
O mito de Lilith não é sequer igual ou semelhante ao de Satan, seja o Judaico ou o Cristão. O mito de Lilith pertence às lendas Judaicas, mas sua origem vem dos mitos Sumérios e Babilônicos, precisamente o de Inanna e Ishtar. Em uma sociedade patriarcal e monoteísta, os resquícios de cultos à uma Deusa deviam ser combatidos e demonizados. Esta é a origem do mito de Lilith, bem diferente de Satan.

As primeiras escritoras feministas sobre religião tiveram uma atitude muito amigável a respeito de Satanismo do que é comum nos dias de hoje. Até onde eu sei, a primeira escritora feminista que escreveu sobre Bruxaria e religião da Deusa foi a líder do sufrágio feminino Matilda Joslyn Gage. Seu livro “Woman, Church, e State” contém uma descrição entusiástica de uma Missa Negra medieval camponesa, baseada nos relatos de Michelet.

Michelet não fez um relato histórico ou acadêmico, não serve como referência ou prova.

Eu tenho esperança de que os Wiccans e adoradoras da Deusa de hoje irão parar de temer reconhecer que, assim como o cristianismo pegou muito da misteriosa religião grega ainda que seja uma religião muito diferente dos mistérios gregos, a Wicca e a religião da Deusa retirou muita inspiração do Satanismo, sendo entretanto religiões muito diferentes. A honestidade de Kelly é animadora. Se os satanistas de hoje são algumas vezes rudes com wiccans, bem, como você reagiria com um grupo de indivíduos que saíram de seu caminho para renegar suas próprias raízes, para assim repudiar você?

A Wica e a dita ‘Religião da Deusa’ não tomou coisa alguma emprestada do satanismo, mas dos credos originais da Europa. O correto seria dizer que o satanismo deve muito à distorção feita pela aristocracia cristã desses credos e cultos originais da Europa.

O que é especialmente irritante é o modo que muitos wiccans declaram a palavra “Bruxaria/Witchcraft” como sendo um nome para sua própria religião, definindo não somente a “Wicca” mas também a “Bruxaria/Witchcraft” como uma religião distinta do Satanismo. Me perdoem, mas “Bruxaria/Witchcraft” não é uma religião. Há bruxas por todo mundo, em diferentes culturas. Elas todas não pertencem a uma religião única. Uma bruxa pode ser de qualquer religião. Uma de minhas bisavós era uma “bruxa de água” que dizia onde cavar poços. Ela era uma devota cristã. Se uma cristã pode ser bruxa, então uma satanista também pode. Havia tanto cristãs e satanistas chamando si mesmas de bruxas muito antes de que os wiccans atualmente. (Veja os livros de Randolph e Creighton, por exemplo). Assim eu realmente gostaria que os wiccans parassem de usar a palavra “Bruxaria/Witchcraft” como nome para sua religião específica. Eu não desejo que os wiccans parem do usar a palavra “Bruxaria/Witchcraft”, eu apenas rejeito a idéia de que somente as wiccans (ou pelo menos pagãs) são bruxas verdadeiras, e portanto satanistas não podem ser bruxas.

Mais uma vez, a autora confunde um evento circunstancial como uma evidência isolada. Antes da Caça às Bruxas pela Igreja, muitas pessoas preservavam e transmitiam as superstições que aprenderam de seus ancestrais, mesmo depois de sua conversão forçada.

Encorajo os Wiccans a chamarem sua religião de “Wicca”, uma palavra arcaica que eles mesmos ressuscitaram. Outro bom nome seria “Bruxaria neo-Pagã”, algo sugerindo que sua religião é um ramo da Bruxaria/Witchcraft, e não a Bruxaria/Witchcraft como um todo. Deste modo, seria correto dizer, “Bruxaria neo-Pagã não é Satanismo”, considerando que é errado dizer que “Bruxaria (em geral) não é Satanismo”. Também seria ótimo se os wiccans parassem de fazer pronunciamentos inexatos sobre o que Satanismo é, assim como, “Satanismo é uma forma de Cristianismo” ou “Para ser satanista, você precisa acreditar no Deus cristão”.

Considerando que o satanismo deve muito à distorção feita pela aristocracia cristã desses credos e cultos originais da Europa, por maiores que sejam os esforços filosóficos dos satanistas, o satanismo é simplesmente uma forma deturpada e inversa do Cristianismo.

Repostado. Texto originalmente publicado em 24/01/2008, resgatado com o Wayback Machine.

segunda-feira, 14 de março de 2022

De Robert Cochrane para William Gray

Tradução: Gabriel Mallet Meissner.
Nota do tradutor:
Esta é uma série de cartas que o famoso bruxo tradicional Robert Cochrane (pseudônimo de Roy Bowers) escreveu para o ocultista William Gray na década de sessenta, correspondência esta que terminou com a morte de Cochrane em 1966. Nestas cartas há muitos pensamentos profundos, interessantes e polêmicos sobre a essência da Bruxaria.

Alguns destes pensamentos são muito pessoais de Roy Bowers e muitos bruxos, mesmo os mais tradicionais, discordariam de vários deles. Mas mesmos estes pensamentos valem a pena de serem lidos, pois suscitam alguns questionamentos muito importantes para se trilhar o caminho da Arte.
Não traduzi as cartas completas, e sim, apenas trechos. Cortei as conversas pessoais entre Roy Bowers e William Gray, bem como as fofocas de Bowers em relação à Gerald GardnerDoreen Valiente e gardnerianos em geral e outras partes das cartas que não eram em absoluto relevantes para a Arte. De modo que esta tradução apresenta somente aquilo que é essencial e realmente importante para aqueles que procuram entender melhor a linha de pensamento deste bruxo e da Tradição que ele representava, o Clan de Tubal-Cain.
1a Carta:[Trecho da 10ª carta a Bill]
(...)
"Shakespeare realmente conhecia a sua bruxaria. Eu tenho a teoria louca de que ele passou algum tempo em um dos mais avançados clãs; e que foi durante o seu aprendizado que adquiriu a língua prateada. Praticamente toda a bruxaria da escola a qual eu pertenço ocultam os seus segredos em versos brancos e kennings [Na literatura germânica medieval, uma kenning é uma figura de linguagem poética que substitui o nome habitual de uma pessoa ou coisa. Na sua forma mais simples, compreende dois termos, um dos quais (a 'palavra-base') é relacionado com o segundo formando um significado que nenhum dos termos possui individualmente.{Wikipédia}]. Robert Graves, em seu "White Goddess" escreve uma grande quantidade de besteiras a respeito de muitas coisas (principalmente porque ele tenta explicar tudo), mas ele estava absolutamente certo quando escreveu que a Deusa proteana era a verdadeira inspiradora do poeta e que toda a verdadeira poesia deveria tratar dos temas dos quais Ela é a Senhora.

Shakespeare nunca se desviou destes temas e em muitos dos seus trabalhos o paganismo é muito mais aparente do que o cristianismo. Suas "Esposas", por exemplo, derivam de uma muito antiga lenda Celta e fornece uma descrição acurada da bruxaria rural na sua forma mais simples. O mesmo tema aparece em `Lear', o qual para mim é puro paganismo na sua melhor e mais nobre forma. As personagens de Lear são arquétipos da lenda maior. O bobo da corte não é realmente um bobo, mas o deusLear é o antigo deus da morte. E mesmo Geoffrey de Monmouth não poderia confundir o assunto e a verdade essencial ainda está na sua miscelânea de mitologia e memória racial. Os wica de hoje em dia deveriam ler Shakespeare e então jogar Aradia fora."
"A nossa terra dos mortos, a Ilha das Maçãs, AvalonCaerochren... é um lugar que para a mente fixa na imagem aparece como um bosque interior do país, com uma árida praia. Após o vasto pasto se encontram os montes que tocam os seus topos no céu baixo. Na praia e depois dos bosques está um pequeno povoado;"
"Os bosques são sombrios e terríveis e entra-se neles atravessando um rio. Ali, o covarde se intimida, o pusilânime foge, pois é ali que Childe Rolande toca o corneta de chifre retorcido e encarar a face do inimigo que nenhum homem pode derrotar. Dos outros planos que eu não tenho conhecimento, exceto no meu subconsciente, como todos nós temos. A minha mente é quase que totalmente direcionada, dia após dia, para os registros akáshicos, aonde eu desembaraço o cordão de prata. Tanto conhecimento já foi perdido e há tão pouco tempo para encontrá-lo novamente..."
"Para trabalhar apropriadamente com a magia das bruxas, precisa-se trabalhar ao ar livre, fora das construções, pois a menos que a concentração de ectoplasma seja necessária, é inútil e destrói a 'Virtude'. Trabalhar ao ar livre é uma lei para nós e também a lei das correspondências é necessária para os maiores rituais. Nudez, embora nós não a pratiquemos, tem um bom efeito psicológico para os tipos inibidos que são os pagãos dos tempos de hoje. Eu compreendo, embora isto possa não estar correto, que eles também crêem ser a nudez essencial como um meio para o que eles descrevem como sendo poder. Obviamente, o açoitamento é também fortemente incentivado por causa disto. Novamente, supõe-se que isto produz "Poder".

Provavelmente algo ligado à adrenalina e os seus produtos que produzem efeitos psicológicos. Uma vez que parece que eles correm até estarem em um estado mental altamente sugestionável, a sugestão tem um papel maior nestes efeitos psicológicos do que o açoite. Eu pessoalmente tenho pouco tempo para tais comportamentos primitivos dos subtopians. Está "tudo no sangue", como me contou um deles. No passado, o açoite era usada por causa da sua correspondência simbólica. O "Demônio" e seu conjurador perseguiam os outros em um assustador jogo chamado "A Lebre e o Cão de Caça". Esta é uma boa maneira de criar a atração pela morte, assim como a atração pela vida(...). Uma vez que se aprende a simbologia desta forma, é improvável que eles a esqueçam novamente. É proibido utilizar esta técnica hoje, entretanto. Nada pode permanecer para sempre. O pensamento deve crescer ou se corromper. Apegar-se a um padrão primitivo seria corromper mentes e almas civilizadas."
(...)
(...) "o ensinamento principal das bruxas é o de que é preciso possuir o sangue bruxo para ser ouvido pelos Deuses e que o sangue bruxo se manifesta a cada segunda ou terceira geração e no mesmo padrão físico. Em outras palavras, apenas bruxos podem gerar bruxos e não ter uma herança é a mais terrível de todas as experiência para um bruxo. É literalmente tortura lenta. Eu pessoalmente preferiria fazer qualquer outra coisa do que encarar os treze anos de deserto novamente; mas apenas um bruxo poderia me entender." 
[Trecho da 10ª carta a Bill]
2a Carta:
(...)[Trecho da 1ª carta a Bill]
"Nas primeiras tentativas, eu achei difícil contatar os registros akáshicos, mas uma vez que eu encontrei o que estava procurando a informação fluiu diretamente. A principal a se considerar ao contatar qualquer coisa, eu suponho, é manter a mente concentrada em um só assunto, ou pelo menos achar uma ligação entre uma coisa e outra antes de mudar. Felizmente para mim, meu assunto abrange toda a história da humanidade ocidental, portanto eu posso mudar de um século a outro sem grandes perdas. (...)"

"Quando eu morrer, eu irei para outro lugar que eu mesmo e meus ancestrais criamos. Sem o trabalho deles, ele não existiria, uma vez que, na minha opinião, por muitos eons o espírito humano não tinha um lar e então o seu desejo de sobrevivência criou o caminho entre os mundos. Nada se obtém ao se fazer nada e o que quer que nós façamos agora cria o mundo em que nós existiremos amanhã. O mesmo se aplica à morte, o que nós criamos em pensamento nós criamos naquela outra realidade. O desejo, como você deve saber melhor do que eu, foi a primeira de todas as coisas a serem criadas."

"WhoaBilly boy! Quem falou alguma coisa sobre contatar as forças da natureza? Este tipo de bruxaria pertence ao xamã, não a nós. As forças naturais para nós são meios, não fins, e este tipo de coisa morreu com os primitivos, fazendeiros dos montes de Escócia e outros como eles. O tipo de coisa que nós praticamos tem pouco ou nada em comum com o panteísmo deste nível. Pelo que sei, isto acabou pelo menos no século doze e nós temos tanto em comum com isto quanto temos em comum com o catolicismo e, neste sentido, temos mais em comum com o catolicismo."
"Esta foi primeiramente a razão porque eu pareci um pouco convencido quando expliquei a origem do círculo. Eu suponho que seria melhor lhe contar um pouco sobre a história da arte como eu a conheço. Isto talvez não esteja necessariamente correto, mas tem muita bagagem histórica (...).

No século doze, os católicos romanos e o paganismo do campo se encontravam muito misturados e cada um tolerava o outro. Mas logo antes e durante a primeira cruzada, emissários e peregrinos da Pérsia vieram tanto para a Bretanha quanto para a Irlanda e o que eles tinham a ensinar foi um avanço para a arte naquele tempo. Eles foram forçados a fugir do oriente por causa do triunfo do mahommedismo e eles conheciam a verdadeira tradição de mistérios dos gregos, uma vez que os pitagóricos e outros foram até a eles após o triunfo dos cristãos. As ordens druídicas e bárdicas da Bretanha e Irlanda foram convertidas em uma nova ordem e foi com isso que o Deus Chifrudo chegou à sua ascendência.
Infelizmente, os cristãos viram esta nova onda de pensamento como uma ameaça à igreja institucionalizada e com a reforma acontecendo em Cluny, começou uma grande perseguição que atrasou o desenvolvimento da Europa ocidental em três séculos. A mais elevada ética pagã do século doze era melhor e mais definida do que a melhor dos cristãos, mas infelizmente o cristianismo e a ignorância ganharam. Provavelmente foi da mesma fonte que os Persas que a Qabala foi derivada, uma vez que poucos anos atrás Waite traçou história com muita competência até a Espanha daquele período.
Daí que as verdadeiras bruxas e você têm mais em comum do que geralmente percebem. Nós temos um sistema de árvore que é realmente baseado em árvores e nossos instrumentos de meditação e todo o resto são muito similares em muitos aspectos. (...)
Toda esta história de Grande Deus Pan, culto à natureza, Deuses do Fogo, danças da fertilidade e todo o resto morreu nos círculos oficiais após o século doze. O panteísmo ainda existe, mas é a força menor para um bruxo da minha tradição, não a maior. Nós não somos pessoas que querem se juntar ao culto de Dionísio, perdendo-nos em um tumulto de emoção não treinada, gritando `Evohevoh ha' no alto das colinas. Nós temos as nossas próprias disciplinas e a nossa própria simbologia e, até onde podemos acreditar, nós pensamos que nós podemos possuir os verdadeiros mistérios do passado. Aonde todo mundo erra é em acreditar que porque o sexo era e ainda é usado como parte de um antigo ritual, nós devemos, portanto, pertencer ao Deus Pan e suas ovelhas. Eu diria a qualquer um que antes de seguir esta idéia desse uma boa olhada em Osíris e se perguntasse porque a sacerdotisa Pythia sentava-se em uma trípode sobre uma serpente na terra.
Veja, basicamente uma segunda tradição de pensamento foi perdida, uma tradição dual na qual nada era como parecia ser. Este era o verdadeiro segredo por trás dos mistérios e camponeses dançarinos têm pouco em comum com aquela filosofia. As bruxas não morreram porque acreditavam que a sua morte fertilizaria o solo, mas para ganhar tempo pelo sacrifício, elas não dançavam ao redor de um círculo para imitar a passagem das estações, mas para liberar os seus corpos astro-físicos e elas não morriam na fogueira na crença de que apenas a sua magia faria o sol se levantar, mas porque elas prefeririam morrer a confessar a verdade do que elas sabiam. A atmosfera emocional catártica de um encontro de bruxas modernas as fariam rir e então sentirem-se um pouco incomodadas, uma vez que para uma bruxa silêncio, intento e vontade são tudo. O culto à natureza é uma coisa que pertence aos verdadeiros camponeses. O culto à natureza para mim é uma parte, não o todo."
(...)
"Através da poesia, os Grandes Deuses falam e através de inferência poética eles ensinam.
(...)
(NOTA) *** Os camponeses ingleses gritavam "E.O.I.A.U., EOIAU. Minha mãe lembra deles fazendo isto ao pular sobre arado com uma guirlanda ao redor dele. Una-se àquela tradição de Set e Osiris, leia "O Asno de Ouro" e você terá uma clara idéia do que é que nós acreditamos. ***[Trecho da 1ª carta a Bill]
3a Carta:[Trecho da 6ª carta a Bill]
(...)
"A lei básica por trás das técnicas de magia e destino é a de que natureza abomina o vácuo e é com isto em mente que tanto místicos quanto magistas procuram elevar o destino do mundo. Eles substituem o que estiver vazio ou negativo com aquilo que é positivo. O problema está na interpretação que muitos 'místicos por esporte' fazem da palavra 'amor'. Amor é a mais divina das forças, mas nós é obtida através de dor e discernimento."
(...)
"Nada é puramente bom ou mau, estes são termos relativos que o homem tem associado a incontáveis mistérios.

Para a minha crença particular, a Deusa, branca com os seus trabalhos benéficos, é também negra com os trabalhos das trevas, ainda que ambas sejam compassivas,se bem que a compaixão seja o disfarce da cruel falta de piedade da VERDADE. A verdade é um outro nome para o Divino. Masculino ou feminino, isto não importa, o que importa é o reconhecimento de que não há bondade ou maldade, branco ou preto, mas a aceitação da "vontade dos Deuses", a aceitação da verdade em oposição à ilusão.
Uma vez que nós nos desviamos da busca da verdade, então os nossos trabalhos não são nada, as nossas vidas são como os ventos do inverno. O que quer que nós façamos, nós não podemos escapar da Verdade, ela irá nos seguir e falar, não importa que barreiras nós construamos contra ela, não importa que histórias nós contemos a nós mesmos. A Verdade fala por si mesma, independentemente de sistemas, crenças religiosas, depois e antes do túmulo.
Os visionários, quer sejam estes Bernadette, Joana D'Arc, alguns antigos revolucionários ou Appolnorius (escrevi este nome corretamente?) são todos seres humanos que de alguma forma perceberam uma pequena parte da Verdade e que criaram algo a partir disto. Quaisquer que sejam as interpretações que outros tentem fazer e dar a estas 'visões', a explicação só pode ser achada na pessoa que viu ou sentiu a presençada 'Verdade'. Nós todos temos uma pequena partícula destas verdades em nós, o homem avança, na crista das ondas da 'vontade de Deus' sobre estas pequenas partículas. Ele partiu da lama e do lodo da evolução para as estrelas e as estrelas voltaram nos seus cursos para ajudá-lo e aquelas mesmas estrelas ainda brilham para o homem do século vinte.
Torne-se um com a Verdade e você certamente morrerá. Realize trabalhos baseados na verdade e você é um homem condenado,pois a raça humana como um todo não quer a verdade, mas o conforto da ilusão. Nós ainda somos bebês sugando um seio cujo leite é venenoso, e ainda assim nós pensamos que nós nos alimentamos de veneno. A verdade, não importa como nós a interpretemos, alimenta tanto os demônios quanto os santos."[Trecho da 6ª carta a Bill]
(...)
4a Carta:[Trecho da 9ª carta a Bill]
(...)
"Destino... destino é uma palavra que significa tanta coisa e é tanto real quanto irreal. Eu pessoalmente acredito fortemente no destino,mas embora eu possa vê-lo para outros e às vezes para as nações, eu sou um livro fechado para mim mesmo. Eu sei que há algo em ação,alguma força que me controla e não uma força que eu controlo.

Talvez o filho de um velho carpinteiro em algum lugar que está reunindo seus companheiros para dizer 'sigam-me!'. Eu ainda tenho a sensação de que nós estamos preparando o solo para uma colheita que nós não iremos colher, esperando por um alvorecer que pode nunca vir, mas esperar nós devemos. Nós somos a força para algo mais que irá acontecer, os criadores de opinião para um novo conceito que está surgindo em algum lugar no mundo.
Os Sãos Joãos Batistas, centenas, esperando,esperando, esperando. Até agora a nova palavra não chegou, mas chegará, disto eu estou certo. Eu também estou certo dos trabalhadores dos planos interiores.
O que eu vejo é um homem vestido com roupas do século dezesseis, coberto com um manto e com um sorriso cínico. Eu o ouvi falar e surpreendentemente ele falou com um sotaque que deve ter sido o do inglês do século dezesseis. Esta foi a primeira vez em que eu vi o Poder a que nós chamamos de Deus, ao menos uma representação Dela.
Naquela noite Jane e eu estávamos dormindo e eu acordei subitamente e vi que estava saindo do meu corpo, metade dentro dele, metade fora. Uma forma escura estava no quarto comigo e eu estava genuinamente apavorado. Protestando fracamente, eu fui puxado para fora de mim mesmo e levado a um bosque, aonde eu vi meu mestre pela primeira vez.
Ele estava vestido como eu o descrevi e disse 'Aí vem Lass. Vamos cultuá-La'. Eu olhei o chão aonde eu estava deitado (...) e vi vindo através das árvores de cavalo uma Luz branca e percebi que era uma mulher nua montada em um cavalo, mas também uma pura luz brilhante. Eu nunca senti nada como aquilo, antes daquilo ou depois, mas então eu fui atirado de volta a mim mesmo com uma pancada estridente e caí da cama, tremendo.
Levou muitos anos para eu entender que o que eu tinha visto era o poder cósmico do que nós chamamos Verdade. Entretanto, desde aquele tempo eu tenho acreditado muito fortemente nos Planos Interiores e ocasionalmente tenho visto o meu mestre.
Eu também sei que quando ele submete sua vontade para cumprir uma tarefa, não há nada o que se possa dizer, ela deve feita. É claro que tudo isto pode ter sido uma ilusão, mas como você eu tenho uma convicção interna de que algo mais forte do que os textos psiquiátricos jamais escreveram.
Nós fazemos o que nós somos ditos para fazer, protestando, reclamando, às vezes se lamuriando, mas nós fazemos o que somos ditos para fazer, não porque sejamos escravos de algo que está correndo nas nossas cabeças, mas porque o que quer seja que escreva as ordens da nossa companhia, sabe."
(...)
"Se você quer trabalhar magia natural, então você precisa trabalhar ao ar livre, preferencialmente perto de água corrente, ou falhar. Deve ser um lugar aberto aos quatro ventos, uma vez que eles carregam as sementes da vida e da destruição e que eles representam os quatro elementos. A terra deveria ser revolvida e preferencialmente deveria ser feito um pequeno sacrifício de farinha de trigo ou vinho.

Trabalhar no meio de árvores tende a gerar muita selvageria nos resultados, uma vez que é a floresta negra de Pan. Quanto mais água houver, melhor, as melhores fontes de todas estão perto dos cemitérios de igrejas do interior, mas tenha cuidado com estas fontes d'água, uma vez que você está sujeito a incomodar os "guardiães" e eles são algo com que nós temos que ajustar nossas contas depois."
"Não há regras simples e prontas, isto deve sentido naturalmente. O poder geralmente é notado pela sensação de pânico extremo, então vem o "encontro" em que você sente que está cercado por hostes de 'guardiães'. Você possivelmente os verá com o rabo do olho. Ignore-os e superará o pânico."
Então vem a fria rajada de vento e o poder a que se está pedindo para começar a sua manifestação, este irá aparecer na forma que você espera ver, a principal dificuldade está em segurá-lo, uma vez que (e eu falo por experiência) é muito parecido com a batida de um martelo. Geralmente luzes verdes, brilhantes, brilham e apagam no centro do espaço de trabalho.

Incidentalmente você verá uma peneira de metal colocada no ponto central faz com que a manifestação não cesse e age como uma forma de grade para a força que o poder está usando para transmutar a sua própria energia. Uma vez que ele se firmou, então é a hora de fazer suas perguntas e as respostas podem não vir naquele momento, mas elas virão. O que quer que você faça, resista à tentação de entrar em pânico ou de sentir que "tudo está dando errado".
O Fazendeiro tem a reputação de afetar os seres humanos desta maneira (daí as palavras "pânico", "pandemonium" etc).
"Basicamente, a magia natural é muito simples, é tão simples quanto o sexo, mas como todas as coisas simples, tem algumas fantásticas fortificações por trás dela. As bruxas acreditam que todas as coisas são Uma e que estão unidas. Para criar um efeito espiritual, deve-se criar um efeito físico e para trabalhar com magia natural deve-se primeiro fazer coisas naturais.
Há perigos, entretanto, e estes estão em deixar algo por fazer. Uma vez que você tenha alcançado o seu objetivo, deixe tudo como você o achou ou irá passar algumas noites desconfortáveis com espectros naturais rondando pelo seu quarto, importunando-lhe por ter-lhes incomodado.
Eles são elementais e não consciência da forma como nós temos. Entretanto, eles podem ser domados e mantidos ao seu lado como amigos.
Minha família teve um desses durante anos e ele se deliciava em nos pregar peças. Ele se comportava de acordo como ele era usado e eu acho que Tomkins era usado sem necessidade para trabalhos complicados. Uma vez ele teve um prazer maligno em aparecer para alguns amigos nossos e assustando-os, mas nós o castigamos daquela vez e ele se comportou. Há uma possibilidade de que ele tenha sido responsável por fazer Bobby cometer erros em seu mapa. Entretanto, ele é facilmente visto e não consegue resistir ao barulho de batidas e tinidos sobre objetos de metal (possivelmente uma reminiscência dos dias em que o ferro era um tabu para ele). Ele geralmente é visto como um grande gato preto ou um cachorro. Se você o pegar, dê uma bronca nele e mande-o de volta.(...) Eles são travessos, às vezes hostis, e não se pode confiar neles a menos que torçamos seus rabos. Eles irão gostar muito de fazê-lo andar em círculos e em serem aborrecedores. Você vai descobrir que uma vez que eles perceberem que você está para começar a trabalhar com magia natural, eles vão zoar ao seu redor o tempo todo, trapaceá-lo, fazê-lo andar em círculos e assim por diante. Uma vez que você comece, entretanto, eles ficarão quietos e até mesmo irão ajudá-lo a alcançar o seu objetivo. A posição cinco é a sua melhor defesa contra o seu lado insociável e a posição seis é a sua melhor maneira de se tornar amigo deles."[Trecho da 9ª carta a Bill]
5a Carta:[Trecho da 8ª carta a Bill]
(...)
"Mestre é um termo que nós usamos e muito freqüentemente. Eu mesmo sou o mestre de um pequeno clã, o demônio, de fato. Por outro lado, eu também reconheço a autoridade de outros que são mais elevados do que eu mesmo e esta autoridade, uma vez afirmada, é absoluta.

Adeptii dos planos superiores ou adeptii do plano físico são termos que não combinariam com facilidade com uma bruxa. Mestre é a antiga palavra para a função particular que todos nós (bruxos e bruxas) temos que cumprir. O meu trabalho é treinar e organizar, cumprir a lei, disciplinar e amaldiçoar, tão bem quanto enobrecer.
À Jane todos os homens devem absoluta lealdade, à mim (ou melhor, a lei que eu represento) ele devem serviço. Nós temos que treinar quaisquer novos membros até certos padrões, desenvolver quaisquer poderes ocultos que eles possam ter e finalmente ensiná-los a manipulação de várias imagens da virtude. Nós podemos ser os últimos da velha escola, mas nós ainda mantemos as antigas atitudes e esperamos as mesmas coisas.
Acima de nós há outra autoridade cujas ordens são muito mais antigas do que as nossas, à esta autoridade nós devemos absoluta lealdade, e cuja função é nos treinar e trabalhar conosco. Eu tive a afortunado posição de ter o sangue bruxo e, portanto, eu tenho um pouco da atenção dos deuses."
(...)[Trecho da 8ª carta a Bill]
6a Carta:[Trecho da 2ª carta a Bill]
(...)
"Eu acho que nós nos encontramos por um motivo... Da maneira como eu vejo vocês são filhos do sol e nós somos filhos da lua... vocês são luminosos... nós somos sombrios... vocês são abertos... nós somos reservados... o seu tipo de magia lida com a verdade intelectual, o nosso tipo lida com a natureza essencial da ilusão.

E ainda assim, apesar disso tudo, nós procuramos as mesmas verdades finais, a mesma finalidade de expressão e experiência. É realmente incrível como os nossos rituais se encontram em muitos pontos (pelo que vi em "A Cabala Mística") e então separam-se novamente e vão aos seus respectivos mundos. Deve haver um pilar do meio em que nós dois podemos ascender, um lugar aonde a lua e o sol podem brilhar juntos no céu do meio dia/da meia noite... isto soa como se eu o tivesse descoberto inconscientemente, uma descrição muito boa dos verdadeiros Planos Interiores."
(...)

Falando de Gardner e alguns de seus associados: Eles todos cometeram o erro fatal de acreditar que bruxaria era a relíquia de uma religião da fertilidade e entenderam mal o rito fálico dos quais os puritanos tanto têm medo.

Eu não deveria falar disto a ninguém, exceto para uma bruxa mulher, mas para este propósito eu vou considerá-lo como se fosse uma bruxa e uma mulher (...). Aí vai a verdadeira explicação por trás do aparente falicismo do culto das bruxas.
Como vocês, para começar qualquer trabalho, nós vamos à Kether, Tipharet, Yesod e Malkuth. É com Malkuth, entretanto, que nós atravessamos a ponte e abrimos o Portal. Hermes é o Guia neste momento. Agora, a despeito das evidências "históricas", Hermes NÃO era um Deus fálico, mas essencialmente o Guia através dos Submundos(...).
O falicismo aparece aqui, mas os historiadores, antiquários e tolos "quero ser bruxa" o entenderam mal. Lembre que eu disse que na bruxaria nada é como parece ser. Os rituais em que os órgãos sexuais masculino e feminino são usados são os rituais de (a) Magia, (b) Morte e (c) Ressurreição, no sentido de que a virtude, a nossa palavra para poder, pode ser passado de uma pessoa para outra (agora você sabe porque bruxos passam o poder de um homem para uma mulher). Esta virtude foi originalmente dada à "Hécate" na sua união com Saturno. Eles então geraram um filho, "Hermes", que agora, ao combinar a sua função com a de Guia, gera na bruxa uma virtude pelo mesmo processo e ela, por sua vez, a passa para um bruxo.
Agora lembre-se de que cada peça da filosofia das bruxas tem muitas interpretações diferentes e nunca é como parece ser e eu deixarei que você trabalhe neste tema daqui por diante. Eles, a despeito dos seus muitos nomes, são todos aspectos dos Dois Pilares ou, como nós os chamamos, da faca e da corda. Este ritual pode ser realmente realizado, mas com certas reservas, ou será transmutado em outra coisa, que é como nós o fazemos.
Obviamente, os quase selvagens aldeães do passado usavam a forma mais óbvia, mas nós somos homens do século vinte e não fazemos assim. Mas desta peça de conhecimento esotérico, você pode tirar muitas crenças sobre bruxas e seus atributos.
Eu, por exemplo, não posso morrer antes de passar minha virtude para alguém, eu carrego dentro do meu corpo físico a totalidade das bruxas e dos bruxos que estiveram na minha família e suas virtudes de muitos séculos.
Se eu chamar meus ancestrais, eu chamo as forças que estão dentro de mim mesmo e no exterior. Agora você sabe o que eu quero dizer quando falo sobre o fardo do tempo. Este é o motivo pelo qual as bruxas e os bruxos perdem o seu poder quando são feridos por um intruso, porque eles flutuam quando outros afundam (supõe-se que a virtude seja a força que nos permite voar), porque o ferro é uma boa defesa contra a virtude, uma vez que ele a aterra, porque isto e porque aquilo.
Entretanto, agora nós o trazemos de volta à forma masculina... Antes de nós retornarmos da nossa excursão pelos Submundos, eu gostaria de dizer que Hermes, Hécate e Saturno são apenas aproximações do que eles realmente significam. E nada mais a dizer."[Trecho da 2ª carta a Bill]
(...)
7a Carta:[Trecho da 2ª carta a Bill]
(...)
"Você e eu temos um ponto de discordância aqui... Pelo que sei, os cabalistas consideraram a Natureza como estando limitada a um fenômeno cíclico e não contendo em si mesma as causas deste fenômeno. Os bruxos discordariam filosoficamente deste conceito, dizendo que a Natureza É, e que o que quer que o Homem seja, da mesma forma é a Natureza, uma vez que o Homem e a Natureza, como as Feras e a Natureza, são uma e a mesma coisa.

Todas as relações conhecidas e algumas "desconhecidas" podem ser achadas dentro das leis naturais. O sobrenatural nunca é considerado. Os Planos são extensões do Lado Negro da Lua. Aonde a Natureza falha é que a Natureza é uma ilusão do modo como A vemos, mas não como ela realmente. O que um magista de qualquer escola descreveria como transmutação é, na verdade, apenas um aumento de percepção dos aspectos mais profundos da Natureza.
Toda percepção mística está baseada no fato de que nós vamos a Deus, não de que Deus vem a nós. Há tantas maneiras de se ver Deus quanto há criações de Deus e cada criação individual é a Totalidade, a Mão que Escreve e a própria Escrita. O que está faltando é a percepção, que é o que torna o Caminho tão penoso e longo (...)."
(...)
"Agora, o que você deve fazer com o feitiço? Eu irei lhe dizer após o raio-x. Mas lhe darei já um aviso: nunca interprete literalmente nada que um bruxo lhe diz quando eles estiverem trabalhando com você. Nós somos sujeitos a fazer todo tipo de trapaça psicológica e, como eu já mencionei antes, nada na bruxaria é exatamente como parece ser (...).

Concordo com você que é bom extravasar ocasionalmente e que a magia cabalística é altamente mental. É rígida demais, seguindo os padrões ao "estilo Dion Fortune" e tão inflexível que uma hora irá se fraturar como vidro. Não é que a Qabalah recomende esta atitude em particular, mas que alguns praticantes jogaram suas inibições e repressões não resolvidas nela.
Certamente, para uma pessoa ser boa ela não precisa ser também constantemente moral, não é? O Vaso que é realmente belo é freqüentemente aquele que tem pequenos desleixos na sua forma. Uma forma muito certinha pode ser a ruína de um objeto que de outra maneira seria perfeito. O modo como nós consideramos a "magia" é a de que ela é uma forma fluida, mutável, que normalmente começa com uma risada e termina em uma extrema seriedade. Na minha opinião, Violet Firth era tão obsecada com o perfeccionismo que (a) ela nunca considerou a possibilidade de uma pessoa encontrar divertimento durante a prática da sua magia e (b) ela estava sexualmente desarmonizada, daí o seu perfeccionismo.
Realmente,alguns homens mais desregrados poderiam ter feito dela uma mulher diferente, muito mais humana e mais fluida. Deixando de lado Violet Firth, entretanto, a menopausa é geralmente a causa por trás de muita pudicícia feminina e isto novamente não tem nada a ver coma "Natureza", mas com o bloqueio de energias básicas. Eileen Garret é a minha fêmea terrível favorita, ela não tem nenhum problema básico e é absolutamente leal. O que você deve admitir é que realmente há algo entre as tristes e sombrias fêmeas do mundo ocultista e espiritualista (com exceção de Bobbie e Sandra).
Eu não sei nada de "glamour", mas eu sei que uma amizade genuína pode fazer mais por um grupo do que qualquer outra coisa.
Estravazando, parte dois. Comportamento orgiástico. Oh, Irmão William, Irmão William, eu concordo plenamente em ocasionalmente cometer excessos, tomar um porre, comer demais, fazer cenas, dormir demais, fazer amor com lindas garotas, rir, falar demais, ir para a cama com a mulher que você ama e então dormir. Eu faço tudo isso, mas nunca quando eu sei que isso vai me trazer infelicidade ao despertar da confusão embriagante.
Infelizmente, a maioria das pessoas da nossa sociedade são incapazes de fazer qualquer uma das coisas acima sem se sentirem infelizes depois. A inibição puritana traz algumas confusões terríveis ao despertar (...) e a alegre companheira de ontem (...), o homem do século vinte tem nenhuma selvageria da qual vale a pena se falar e absolutamente nenhuma espontaneidade. Ele ou ela é um transgressor culpado(a) uma vez que eles deixem as coisas passarem um pouco."
(...)[Trecho da 2ª carta a Bill]
8a Carta:[Trecho da 5ª carta a Bill]
"(...) Paganismo é um panteísmo religioso, uma compreensão de que a Natureza é um reflexo das Mãos de Deus e que Deus está na Natureza. Bruxaria, por outro lado, é uma ciência, uma ciência oculta com assuas próprias tradições e filosofias particulares que nos seus estágios mais inferiores pode ser confundido com Paganismo, mas nos seus estágios mais elevados não é mais pagã do que a Qabbalah.

As suas origens estão no paganismo, mas até aí a origem de qualquer filosofia genuinamente preocupada com o espiritual também está. (...)Tudo isso aponta para uma tradição mágica comum baseada em um Deus transcendente, não um Deus do Sol ou dos campos, mas um Deus que representa o espírito transcendente do Homem, o Deus desconhecido, de fato. (...)
Agora... então o que é um bruxo? Um bruxo hoje é um praticante clandestino dos mistérios da bruxaria, uma vez que não há mais (fora um clã em Dorset) uma linhagem ininterrupta de tradição de disciplina. Como os bruxos chamam a si mesmos? Eles se chamam pelos nomes dos seus Deuses. Eu sou um homem de Od, uma vez que em mim vive o espírito de Od. (...)
Em outras palavras, há apenas uma maneira de reconhecer um bruxo, julgá-lo pela sua obra e pelo seu silêncio. Se uma pessoa disser que ele ou ela é um bruxo ou bruxa, então deve poder realizar as tarefas da bruxaria, ou seja devem ser capazes de chamar o espíritos e fazê-los aparecer, eles podem fazer o quente ficar frio, o frio ficar quente, fazer adivinhações com o bastão, os dedos e os pássaros, podem reivindicar o direito aos augúrios e então consegui-los. Acima de tudo eles podem dizer o Labirinto e atravessar o Lethe. (...)
Então, como eu me denomino? Eu não o faço. O termo bruxo é tão bom quanto qualquer outro, mas "Louco" seria o melhor termo. Eu sou uma criança de Tubal Cain (...)."
"Montanha descoberta e Halloween. Você tem certeza? Este é o nosso mais difícil ritual e o seu ritmo é matador. É também o mais compensador, aquele com um fenômeno objetivo. No último ano eu usei de medo ao ouvir o choro de um bebê, que profetizou uma morte que ocorreu depois naquele mesmo ano. Já que eu normalmente não tenho a visão, eu tenho que lhe dar outras descrições das coisas observadas. Uma mulher vestida de branco andando com a gente, uma caveira no Norte e muitas outras coisas, todas vistas pelo grupo inteiro.

Necromancia? Nunca, apenas a abertura dos portões do castelo, estas coisas aparecem apenas por um pequeno período de tempo e então os grandes acontecimentos começam. Não se consegue atravessar o Lethe sem vasculhar o próprio coração (...)."
"Eu não consigo sussurrar às ovelhas, gatos ou pássaros (exceto galinhas), mas eu posso fazer um cachorro realizar praticamente qualquer coisa. (...) Basicamente, isto está baseado em duas coisas, Amor (sexo ou amor puro) e dominação. Se você puder transmitir um desejo forte o suficiente para o animal, ele irá responder. Tente entrar em Selina, transferindo o seu desejo motriz para as suas energias motrizes e você provavelmente irá fazê-la realizar qualquer coisa. Eu não consigo de nenhuma maneira tocar gatos, eles são muito independentes. (...) Eu já domei cães ferozes e, honestamente, eu também já os fiz ficarem loucos com um pouco mais de conhecimento extra a respeito da linguagem deles. Eu posso curar queimaduras, sangramentos são um outro assunto que eu nunca tentei, ao menos não casos sérios. Dores são relativamente fáceis (...)."[Trecho da 5ª carta a Bill]
(...)
10a Carta:[Trecho da 7ª carta a Bill]
"Muito obrigado pela sua carta e a cópia da revista. Desculpe, mas eu olho para algumas das afirmações nela com suspeitas, não tanto o editorial, mas principalmente o artigo de Ariel.

Eu não acho que eu posso atravessar a linha que há entre eles e eu, uma vez que a nossa filosofia básica é tão diferente.
Eu realmente acho que é hora de se fazer uma distinção entre bruxaria e paganismo. Uma pessoa pode ser um cristão ardoroso e praticar bruxaria. Outra pessoa pode ser um pagão delirante e nunca tocar a pedra ou a corda.
O verdadeiro problema está na interpretação vitoriana dos Mistérios e nos filósofos que tolamente aceitaram tais escritos como sendo a última palavra sobre o paganismo. As bruxas existiram durante o reinado pagão e foram reconhecidas como tal e os mistérios da bruxaria também foram reconhecidos como sendo diferentes e distintos dos mistérios do paganismo.
A atitude do século dezenove que os misturou como se fossem uma só coisa foi refutada antes do advento do folclore e refutado por autoridades tais como Carl Jung, etc. Mesmo Shakespeare em "The Merry Wives", no qual ele se refere a algo muito similar à bruxaria moderna como "jogos rústicos".
A revista ainda parece cometer este erro básico e alegremente fala que nós todos deveríamos nos juntar e sermos amigos. Ariel também poderia dizer que católicos e magistas cerimoniais deveriam se unir e praticar a Missa juntos, em harmonia. Isto simplesmente não seria possível. Há uma distância muito grande entre a fé religiosa e a ciência religiosa.
Como você, eu tenho muito trabalho em achar pessoas que possam aceitar a disciplina de pensamento necessária para se alcançar a magia e é justamente isto que separa a mim e a Jane dos outros (...)
Noel parece ser um dos meus, eu gostaria de encontrá-lo e discutir mais profundamente sobre o que ele acha que são os mistérios. Há algo no pensamento da bruxaria moderna que faz com que os seus aderentes sejam incapazes de irem além das últimas variações de fertilidade, panteísmo e de rolar no orvalho. Noel soa como se ele tivesse começado a questionar além disso e de examinar algo da fé que ele pratica. Eu definitivamente gostaria de encontrá-lo, uma vez que ele e eu podemos estar no mesmo caminho através de uma passagem tortuosa e difícil e nós podemos ter alguma coisa em comum."
"Eu estou muito inclinado a concordar com você sobre aprendizes. As pessoas ou têm o desejo de aprender ou não têm. Se eles querem coisas fáceis, não há o que se fazer. Eu acho que o trabalho mais difícil é ensiná-los os primeiros passos básicos do pensamento abstrato. Todos eles parecem pensar que ações físicas terão resultados espirituais e que eles podem fazer milagres com uma mente indisciplinada. A bruxaria geralmente parece estar amaldiçoada com tipos que querem uma religião de nudismo, sexo e cerveja à vontade. Tentar e ensinar a eles o próximo passo além do desejo e do lamento da angústia.

Eu definitivamente fui além do ponto de querer ensinar alguém que apenas quer uma desculpa para tagarelices sem sentido sobre as suas fantasias particulares e eu realmente simpatizo com o fato de você tentar ensinar disciplinas ordinárias do caminho, uma vez que eu mesmo já tentei tanto isto. 'Magia' é somente ficção científica para a média dos interessados e eles esperam milagres a partir de coisas simples. Como você sabe, magia é sangue e lágrimas durante todo o caminho e sem descanso. Eu suponho que um forte instinto de auto-preservação do ego pessoal é responsável pela maioria dos percursos erráticos do estudante, pois quando a primeira luz desce, é tão brilhante e clara que o que nós temos é tão pequeno em comparação.
Eu acho que irei perguntar apenas uma coisa no futuro, que é "você realmente quer morrer?", e se a resposta for positiva, então eu terei alguém de quem aprender e para quem ensinar. Praticar magia genuína é literalmente jogar a sua vida fora sobre verdades imponderáveis e meio-aparentes, que você sabe que nunca irão se tornar claras até a morte surpreenda a todos nós. Magia é a rejeição da ilusão em favor do que talvez possa ser uma ilusão ainda maior. Ainda assim, em algum lugar, de alguma forma, alguém ouvirá e entenderá."[Trecho da 7ª carta a Bill]
Nota de George Knowles: a maior parte dos artigos e cartas de RC foram reimpressos por prosperidade. O "The Roebuck in the Thicket" de Robert Cochrane com Evan John Jones, editado e prefaciado por Michael Howard, contém seus artigos para [as revistas] Psychic News - (1963), Pentagram - (1964-66) e New Dimensions - (1965). Suas cartas podem ser achadas no livro "The Robert Cochrane Letters" por Robert Cochrane com Evan John Jones, editado e prefaciado por Michael Howard, este contém suas corespondências com Joe Wilson, seu contato original nos EUA, William Gray, um magista cerimonial e Norman Gills, um bruxo tradicional e um encantador [cunning man] do velho estilo.
Nota do blogueiro: Curiosamente as cartas de Robert Cochrane não estão (ainda) traduzidas em português. Alguns sites dispõem as cartas no original (em inglês) e com esse auxílio, eu identifiquei os trechos traduzidos por Gabriel. Fontes perdidas.
Repostado. Texto originalmente publicado em 08/09/2008. Resgatado com o Wayback Machine.