sábado, 22 de setembro de 2018

Lolita no tribunal

Em 27 de agosto último, Fábio Cabral estava no Maranhão filmando O Dono do Mar, longa-metragem de Odorico Mendes baseado na obra homônima de José Sarney, do qual é diretor de fotografia. Entre coqueiros e rolos de filme, o autor de Anjos Proibidos nem se lembrou que naquele dia completavam-se dez anos do lançamento da polêmica publicação. “Muita coisa aconteceu nesse período. Publiquei outros livros, fiz muitos filmes publicitários e estreei no cinema”, conta o fotógrafo, enquanto folheia um dos poucos exemplares de Anjos Proibidos que guarda em seu estúdio. O livro com 25 fotos sensuais de meninas entre 10 e 17 anos teve tiragem única de 500 volumes – quase metade deles apreendidos pela Justiça poucos dias depois do lançamento. Hoje, pode ser encontrado na livraria virtual Amazon, numa versão em inglês que Cabral nunca viu e diz ser pirata. Oferecido no site por US$ 60, Anjos Proibidos está esgotado.
Fugitivo – As imagens de meninas de calcinhas ou com os seios à mostra, clicadas entre 1985 e 1991, enquadraram o fotógrafo num inquérito policial. Acusado pelo então coordenador das Curadorias da Infância e da Juventude, Munir Cury, de estar infringindo o Estatuto da Criança e do Adolescente, Cabral recebeu ameaças de prisão. Seu estúdio foi invadido e os negativos das fotos, confiscados. E como estava em Las Leñas – de férias – quando a polêmica estourou, o autor foi tachado de fugitivo. O artigo 241 do Estatuto proíbe “a produção de fotografias pornográficas que retratem crianças ou adolescentes”. Na sentença publicada em 1994, o juiz Osvaldo José de Oliveira define as imagens de Anjos Proibidos como “artísticas”. Não apenas absolve o autor como recomenda à promotoria “cautela em separar o erótico daquilo que poderia caracterizar cena de sexo explícito ou pornográfico”.
Os anjos que Cabral fotografou ou trabalharam com ele em campanhas publicitárias ou foram convidadas entre as filhas de amigos. Todas as imagens foram clicadas com a autorização e presença dos pais. Quando determinou a apreensão dos livros, Munir Cury disse aos jornais que a bênção paterna ao trabalho poderia acarretar a perda do pátrio poder – ou seja, os direitos de pai e mãe sobre as crianças.
Nos anos 70, o fotógrafo inglês David Hamilton publicou inúmeros álbuns sobre o tema e no século 19 o também britânico Lewis Carrol, o autor de Alice no País das Maravilhas, fez trabalho semelhante. Na mesma época do lançamento de Anjos, meninas dançavam axé music nos programas de tevê em trajes sumários.
- Então Cabral descobriu as Índias.
- Sr Flint, como advogado do acusado, não é uma boa hora de fazer piada.
- Claro que não, Excelência. Mas como fotos de nu artístico podem ser crime? Onde está a Liberdade de Expressão?
- Sr Flint, a Liberdade de Expressão não é um direito absoluto. Quanto ao seu cliente, o sr deve estar ciente de que há uma diferença entre nu artístico e pornografia.
- Concordo, Excelência, mas a Promotoria não demonstrou a circunstância ou evidência que coloque o trabalho de meu cliente como pornografia. Aliás, não há lei contra a pornografia, Excelência.
- Sr Flint, de acordo com a Corte Americana, uma imagem de nudez não precisa caracterizar uma atividade sexual para que seja considerada pornografia.
- O que, diga-se de passagem, não está na Constituição Americana. Um Tribunal não pode atuar como Casa Legislativa, Excelência. Se não há lei, que crime existe na pornografia?
- Sr Flint, existe um crime quando a pornografia envolve uma pessoa abaixo da idade legal de 18 anos.
- Ah, estamos chegando a algum lugar. Então o crime é caracterizado pela idade da pessoa retratada, não por ter a pornografia como característica? Eu fico aliviado, porque se o erotismo de uma imagem é crime pela idade presumida da pessoa representada, muitos programas de televisão e muitas propagandas deveriam ser igualmente proibidos e seus responsáveis processados.
- Sr Flint o erotismo presente na mídia tem uma sexualidade sugestiva, não implícita como na pornografia.
- Desculpe, Excelência, mas agora é Vossa Senhoria quem está sofismando. Ora uma imagem é sexualmente sugestiva, ora é implícita. Qual é o limite? Não há lei que defina. Nós condenamos os atos de extremistas muçulmanos por impor a burca à suas mulheres porque, para a nossa cultura, isso é contra a liberdade da mulher, é uma opressão, uma repressão à mulher. Mas, para os muçulmanos, a excessiva exposição do corpo da mulher é que é um sexismo. Se vamos proibir a pornografia, estamos concordando com os extremistas muçulmanos. Se vamos proibir a pornografia, teremos que censurar a praia, o carnaval, a televisão, a propaganda.
- Sr Flint, nós não podemos censurar nem impor qualquer vestuário obrigatório. Nem o fazemos, tanto que existem diversas revistas adultas masculinas. No entanto, quando envolvem pessoas abaixo da idade legal, a lei pressupõe que há abuso.
- A lei pressupõe que há abuso com que base? A lei pode pressupor abuso, mas não pode pressupor inocência. E se uma pessoa emancipada posar para fotos de nu artístico? Legalmente, esta pessoa está abaixo da idade legal, mas é legalmente considerada apta para desfrutar de todos os direitos como cidadã.
- Sr Flint, isto cabe ao sr e ao seu cliente provar por documentos e evidências. Até lá, o trabalho do seu cliente é uma infração ao Estatuto da Criança e do Adolescente.
- Que não é uma lei constitucional, mas uma lei ordinária, complementar. Uma lei que está no mesmo nível do Código Penal e do Código Civil. A Promotoria fez uma acusação ao meu cliente com base em uma lei discutível e indefinida. Eu peço a este Tribunal que conceda Habeas Corpus ao meu cliente.
- Data vênia, Excelência, a Promotoria pede a palavra.
- Com a palavra, a Promotoria.
- Senhoras e senhores do Júri. Todos nós somos adultos e conscientes de nossas responsabilidades. Podemos dizer isso de alguém abaixo dos 18 anos? Mulheres maduras optam por se exporem em fotos em poses sensuais e até simulando o ato sexual , por razões que não cabem a este Fórum discutir o mérito, mas uma pessoa abaixo da idade legal é exposta a tal exposição mediante coerção, violência. Podemos lamentar a existência da pornografia, mas devemos coibir quando a pessoa retratada na pornografia está abaixo da idade legal. A proibição da produção, venda, distribuição ou posse de pornografia infantil é um direito da criança e do adolescente. Os senhores e as senhoras devem ter visto a ação da Polícia Federal para evitar esse abuso que incentiva a pedofilia. Mesmo que a Constituição nos garanta a Liberdade de Expressão, não é um direito absoluto e isolado. Eu lembro ao defensor do Art. 227: É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. Neste mesmo artigo, o parágrafo 4 diz: A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente. Mediante isso, eu rogo ao Tribunal que o presente réu seja declarado culpado e receba a cominação da pena que lhe cabe.
– Bravos! Belas palavras, promotor Falwell. Mas como o distinto juiz que preside este júri disse apropriadamente, um direito não é absoluto. Lendo o Capítulo IV, artigo 14, §1, II, c : O alistamento eleitoral e o voto são facultativos para os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos. Capítulo II, artigo 7, XXXIII: proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos. Código Civil, artigo 5, parágrafo único, incisos I ao V. Em suma, senhores do Júri, a Lei reconhece que existem exceções e nenhuma lei que defina exclusivamente como responsável, civil e criminalmente, a pessoa acima de 18 anos.
– Com a palavra o Defensor.
– Grato, Excelência. Eu devo lembrar ao Júri e a este Tribunal que existe uma extensa jurisprudência sobre responsabilidade civil. O Código Civil prevê os casos de interdição de uma pessoa adulta: Art. 1.767. Estão sujeitos a curatela: I – aqueles que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil; II – aqueles que, por outra causa duradoura, não puderem exprimir a sua vontade; III – os deficientes mentais, os ébrios habituais e os viciados em tóxicos; IV – os excepcionais sem completo desenvolvimento mental; V – os pródigos. Também o Código Civil prescreve: Art. 1.634. Compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores: I – dirigir-lhes a criação e educação; II – tê-los em sua companhia e guarda; III – conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem; IV – nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais não lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar; V – representá-los, até aos dezesseis anos, nos atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento; VI – reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; VII – exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição.
– Sr Flint, o sr está prolatando.
– Desculpe, Excelência, mas é necessário explicar ao Júri as circunstâncias.
– Eu vou permitir, dessa vez, mas faça seu argumento.
– Imediatamente, Excelência. Senhores e senhoras do Júri, eu lhes dei esses detalhes legais e até jurídicos com um único intento: idade não é garantia de responsabilidade. Devo lembrar a este Júri que as pessoas posaram para fotos com o consentimento de seus pais, no que cabia e as sessões foram acompanhadas pelos mesmos, como eu mostrei na evidência a este Tribunal. Portanto, senhores e senhoras do Júri, meu cliente está preso de forma ilegal, tendo seus direitos constrangidos, no que eu solicito o habeas Corpus e o encerramento desse processo por falta de provas.
– Ilustríssimo sr juiz, eu posso fazer algumas perguntas ao defensor?
– Com a palavra, a jurada sra Clotilde.
– Sr Flint, eu creio que falo em nome de muitos aqui. Eu tenho filhos. O sr tem filhos? Como o sr pode achar normal que uma pessoa abaixo da idade legal possa ir a uma sessão do que o sr chama de nu artístico, mesmo que acompanhado de seus pais? Isso é indecente, é obsceno. Se permitirmos coisas assim, onde vamos parar?
Jurados e platéia iniciam um burbúrio, cabeças acenam em aprovação.
– Boa pergunta, sra Clotilde. Bons tempos eram aqueles quando tínhamos leis duras. Antes brancos casavam com brancos. Homens votavam e trabalhavam. Cada pessoa tinha seu devido lugar, escravos existiam para servir. Por que não podemos ter os bons e antigos tempos de volta? Sim, como os patriarcas da sagrada Bíblia, que tiveram muitas esposas. Ou mesmo sermos como Lot, cujas filhas o embededaram e tiveram relações sexuais com o próprio pai, para que a linhagem continuasse.
– Sr Flint! Não blasfeme a Palavra do Senhor!
– De forma alguma sra Clotilde, eu apenas a estou citando. Pena que os cristãos não leiam suas Bíblias. Felizmente este é um problema de quem é cristão, felizmente este não é meu Deus. A sra falou em indecência e obscenidade. Por que a imagem de um corpo nu pode ser mais indecente e obsceno do que a imagem de um corpo retalhado? Senhores, vemos na televisão, no cinema e nas revistas várias cenas de violência sem que isso nos ofenda. Por que a nudez nos ofende tanto? O que há de mal nela? Se o erotismo é ofensivo, devemos proibir que a televisão e a propaganda a use. A própria televisão, propaganda traz para seus lares, para suas famílias, imagens erotizadas de jovens. Produtos, serviços, moda, carregam nossos filhos com mensagens eróticas, os sexualizando cada vez mais cedo. A internet contém toda a informação que precisam para saber sobre sexo, mas pouca ou nenhuma educação sexual. Então por que somente meu cliente está preso?
– Sr Flint, nós entendemos a sua posição nesse assunto. Mas a sra Clotilde tem sua razão; Não podemos ver o trabalho de seu cliente sem pensar em nossos filhos.
– Concordo, Excelência. No entanto, as mulheres que se expõem em revistas adultas masculinas também são filhas de alguém, são mães, são irmãs de alguém. Eu duvido que os homens aqui presentes pensem nisso quando compram uma revista dessas. Mas convenhamos, se o trabalho do meu cliente é crime porque promove a pedofilia, então as editoras de revistas masculinas adultas são criminosas porque promovem o estupro.
– Srta Lolita, qual a sua relação com o sr Fábio Cabral?
– Estritamente profissional, Excelência.
– A srta foi coagida, forçada, obrigada ou induzida a posar?
– Claro que não! Eu faço isso há quatro anos, eu sou uma profissional.
– A…srta posou nua antes?
– Não, mas o momento foi o ideal e propício para eu fazer esse trabalho.
– A srta sofreu algum abuso físico ou sexual?
– Não, Excelência. O último que tentou está na UTI, respirando por aparelhos.
– Então a srta foi vítima alguma vez?
– Vítimas de abuso físico e sexual existem, em todas as idades Excelência. A Justiça não deveria diferenciar o crime pela idade da vítima. Eu pareço pequena, mas eu tenho meus meios, admiradores e protetores.
– A srta não acha impróprio para a sua…idade…posar nua?
– Sinceramente, Excelência, isso é discriminação etária. Olhe bem para meu corpo e diga o que acha.
Lolita abre seu casaco e mostra seu corpo. Perfeito. Bem formado. Belo demais para muitas das mulheres presentes que ficaram com inveja e ciúme. Sensual demais para todos os homens presentes que ficaram excitados.
– Diga-me, Excelência, com toda sinceridade, se este é um corpo de menina ou de mulher?
O juiz Hogwart, de olhos esbugalhados, boquiaberto e com um volume nas calças difícil de passar despercebido, engole a saliva que escorre pela boca e disfarça.
– Arran…cof, cof. Srta Lolita, coloque seu casaco de volta. Senhores do Júri, alguma dúvida? Alguma pergunta? Nesse caso, como declaram o réu?
– I…inocente, Excelência.

PS: hoje existe uma verdadeira cruzada. O mundo contemporâneo tem uma cruzada para chamar de sua. Mistura de paranóia, histeria e pânico moral. Potencializado pelo conservadorismo, puritanismo e fundamentalismo cristão. A humanidade passou por muitos momentos semelhantes. As Cruzadas, a Inquisição, o Holocausto, o Macartismo. Existe a homofobia e o preconceito contra as religiões de matriz africana. Mas a pauta dos costumes, principalmente os que visam reprimir e oprimir a sexualidade humana estão dominando.
Esse texto é uma heresia, em nossa atual sociedade que ainda acredita que a criança e o adolescente são inocentes, ingênuos e assexuados.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Décima quarta revelação

Têm pena os vossos corações dos que, 
por um acaso, não tiveram sorte igual 
nem tampouco nasceram inteiros. 
Estes são os herdeiros da miséria 
e os descendentes da compulsão. 

Dessa forma, fazeis caridade, 
buscando aliviar essas chagas 
e mesmo vosso complexo de culpa. 
Bem sei que o fazeis, já especulando com o prêmio. 

É bom que saibas 
que a caridade em si já vos constitui como galardão. 

Não faltarão crianças nem tampouco idosos, 
a vida pertence a quem a usufrui. 
Quem chega, ainda deve crescer, 
quem passou, ceda lugar ao que tem vigor. 

O que é novo ainda tem que aprender, 
antes de querer tomar a si a coroa. 
O que é velho, oportunidades as teve, 
sustente-se com a pensão formada, 
de forma alguma deve onerar a outros. 

Há os que são carentes, 
devido aos erros de seus antepassados, 
mas também aos que o são: 
por preguiça, não lutam nem desejam melhorar; 
por comodismo, não contestam nem ousam arriscar; 
por profissionalismo, a estes dispenso comentários. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Décima terceira revelação

Vós vos preocupais com os infratores das vossas leis. 
A idade, a menos a Mim, é indiferente. 
Forçosamente vejo que estes constituem ameaça às vossas ordens sociais, 
de outra forma não seriam infratores. 

Mas a evidência não pode ser negada: 
estes são fruto da própria omissão, 
negligência, incompetência, discriminação e exclusão 
que a vossa própria ordem social gerou. 
Definitivamente, vos escandalizeis com os atos bárbaros destes, 
que são considerados criminosos por vossa ordem social. 

Numa troca de poder, serão estes a regra, não a exceção, 
pois a dita ordem vigente só é mantida mediante o uso de força. 
Ou seja, bárbaros os vêem, 
mas também não é nem um pouco civilizado 
a forma como estes são tratados pela dita sociedade constituída. 

Bem sabeis o quanto é difícil 
a convivência em comum entre seres humanos. 
Estranhamente vós buscais ideais de paz, bondade e amor. 

Mas na prática fazeis guerra, maldade e ódio. 
Pela vossa própria natureza o fazeis, 
ainda que tendes a inteligência 
e isto vem a ser o mais curioso paradoxo, 
pois por isso mesmo tendes tanta necessidade de leis e de religião. 

Porque vós causais o sofrimento, almejais o conforto; 
porque aceitais a opressão, cobiças o poder. Pobre ser humano! 
Vós poderíeis ser deuses, mas preferis ser carrascos! 

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Sinfonia com motosserra

A saga dos irmãos Reid e da banda Jesus and Mary Chain que revolucionou o Rock antes do Grunge.

Foi no ano de 1986 que o Kid Vinil na então 89 FM tocou pela primeira vez “You Trip Me Up” da banda “Jesus and Mary Chain” dos irmãos Reid. Foi paixão à primeira ouvida. Eu ansiava por ouvir mais músicas da banda, então desconhecida e completamente diferente, ousada e oposta das músicas que dominavam as rádios brasileiras. Não demorou muito para que tocassem “Taste of Cindy”. Com apenas estas duas músicas sendo lançadas no Brasil, JAMC conquistou fãs no País Tropical.

Quando o álbum “Psycho Candy” foi lançado aqui no Brasil, eu rapidamente o adquiri e o toquei diversas vezes, sempre quando estava nervoso ou estressado. Todas as músicas dos irmãos Reid conseguem me acalmar. Quem ouviu sabe do que eu falo.

Cada faixa é uma indescritível poesia acompanhada por uma orquestra sinfônica e motosserra. “Never Understand” é praticamente um hino. “Cut Dead” é uma ode romântica. A banda cresceu com o mistério que permanecia escondido detrás da parede de microfonia, o chamado white noise, que saía de suas guitarras.

Foi um choque e uma surpresa quando os irmãos Reid lançaram “Darklands”, um álbum que colidia totalmente com seu debut. Mais denso, mais escuro, mais melodioso e misturando elementos de música eletrônica, os colocando como uma banda de pós-punk, depois sendo caracterizados como uma banda indie.

Por um tempo os irmãos Reid não lançaram mais álbuns, mas não faltavam fitas e gravações piratas nas lojas da Rua 24 de Maio.

O potencial de JAMC reapareceu com o lançamento do álbum “Barbed Wired Kisses”, a produtora Blanco y Negro literalmente lançavam um álbum com singles, lados B e gravações raras. O álbum parece um meio termo entre os álbuns anteriores, tem a faixa “Kill Surf City” que remete aos sucessos de “Psycho Candy” e tem a faixa “Don’t Ever Change” que lembra o álbum “Darklands”.

O álbum seguinte foi “Automatic”, onde os irmãos Reid emplacam com vários sucessos que agradam ao gosto popular com o uso de mais melodias e elementos de música eletrônica. A faixa “Head On” chegou entre as mais tocadas na época.

Se “Automatic” foi um pico, o álbum seguinte “Honey’s Dead” foi mais depressivo. O título do álbum é uma referência para a faixa “Just Like Honey”, uma música do álbum “Psycho Candy” que alcançou as grandes paradas. Os irmãos Reid tinham uma relação de amor e ódio com a fama, o sucesso e seus inúmeros fãs. Neste álbum a faixa “Teenage Lust” provoca com suas insinuações eróticas e a faixa “Reverence” quase soa como uma blasfêmia.

Em seu álbum “Stoned and Dethroned” os irmãos Reid retomam a Estrada do experimentalismo, jogando faixas que soam como blues, country, música eletrônica e até gospel. Deste álbum o sucesso veio com a faixa “Sometimes Always”, com a participação de Hope Sandoval.

Novamente JAMC cai em um hiato sem lançamentos, mas a Warner lança o álbum “The Sound of Speed”, uma coletânea de diversos singles e gravações raras dos irmãos Reid. Deste álbum se destacaram a faixa “Snakedriver” e a faixa “Something I Can’t Have”.

Os irmãos Reid inovam e surpreendem mais uma vez com o álbum “I Hate Rock’N’Roll”, também lançado pela Warner. A faixa que alcançou a preferência do público é a faixa com o mesmo nome do título do álbum. Ouvir em som alto é fundamental. O álbum conta com vários relançamentos, singles, lados B e raridades.

O relacionamento dos irmãos Reid não era o melhor com os membros do JAMC, com os produtores, com técnicos de som, com seus fãs e era tenso entre ambos. O combustível, que incendiava suas guitarras, composições, espetáculos, álbuns e sucessos, acabou explodindo de vez e o álbum “Munki” foi o derradeiro dos irmãos Reid como JAMC. Neste álbum participaram Hope Sandoval e Sister Vanilla, literalmente, a irmã dos irmãos Reid. Provocante, Jim Reid encanta com sua faixa “I Love Rock’N’Roll”. A faixa “Black” nos convida ao desapego e a faixa “Cracking Up” é um resumo da mente dos irmãos Reid.

Para os fãs do JAMC restou o lançamento de outras coletâneas, com os álbuns “The Complete John Peel Session”, “21 Singles”, “The Power of Negative Thinking”, “Upsidedown The Best of JAMC” e a mais recente coletânea, “The Complete Vinyl Collection”.

Update. JAMC lançou os álbuns The Damage and Joy e Glasgow Eyes.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Décima segunda revelação

Sobre política, pouco vos direi, só o necessário: 
tens vossos governantes, bem como vossas leis, 
ambos são constituídas e que se mantém apenas por vosso consentimento. 

A existência de um pressupõe do outro e vice-versa, 
o que se conclui então que um governante 
deve ser aquele que garanta a observância das normas 
bem como o que preza pelo bem público. 
Tudo o mais, se estão à direita ou esquerda, 
se são perdulários ou austeros, 
só deve ser conta de vossas necessidades e objetivos. 

Vós mesmos, como cidadãos de um país, 
sois os responsáveis pela conjuntura. 
O trabalho é o único meio de provar vosso mérito, 
não pense que vos daria simplesmente este mundo, 
vos foi dado o trabalho necessário 
para que demonstreis vossas habilidades, 
competências e valores intrínsecos. 
Se há trabalho, necessariamente existe uma organização e uma propriedade. 

O que é inconcebível é quem seja proprietário 
arrecade mais do que quem seja operário 
ou que os chefes se arroguem uma autoridade que inexiste. 

É necessário que haja colaboração 
e vínculos humanos, qualquer que seja a função, 
além de qualquer suposta hierarquia, 
pois o sucesso da empresa necessariamente corresponde 
ao contentamento das partes que a compõem. 

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Cíntia

Apenas um exemplo do que se esconde atrás dos olhos de cada pessoa. Enquanto lastimamos nossa sorte desdita, quantos não gostariam de tê-la?

Quando eu a conheci, também estava entretido, criando os meus próprios obstáculos que me separavam da vitória. Pouco me importei, quando outros me contaram sobre a perda dos pais. Até me irritei com que insistência lembravam-me dos problemas surgidos do julgamento da herança e outros revezes legais. Foi quando soube dela, a parte que poucos confessariam.

Ela teve que se criar sozinha, agüentar as cobranças, entregue ao destino, ainda que este pertença a quem o providência. Sua delicada linha da vida foi modificada brutalmente.
Certa tarde, percebeu a estranha presença que a saudou, prostrado:

-Encontrei-a tão só e de vida tão vazia, que aqui me faço presente. Para dar-te este algo, que a tantos falta e a muitos incita. Saberá com exatidão, os segredos das almas, a razão de suas dores e o que lhes impedem de serem felizes. Para que isso se realize, deverei cingir-te, assim poderei me encasular e fenecer em teu ventre.

Da mesma forma que apareceu, foi-se, deixando-a prenhe. Algo que é imperdoável: uma moça, mãe-solteira. Nove meses, duplo sofrimento: a censura da sociedade e o desenvolvimento do feto.

No momento certo, entregou aos doutores o fruto dessa estranha união. Embora clinicamente não se saiba o resultado, não foi levado em consideração, seja o que fosse, estava morto.

Conforme ela narrava suas chagas, sentia minha própria carne sendo dilacerada e eu, envergonhado pelo orgulho de pretender em ser o coitado.

Um filho tem sempre uma mãe, mas nem sempre a mãe tem o filho. Bastariam nove meses, uma barriga inchada e um trabalho de parto, para que uma mulher possa se considerar mãe?

Os registros foram apagados, os médicos os ocultam. Mas como explicar aqueles seios protuberantes à espera de uma boca de um infante para amamentarem? Eles estão lá, em riste, acusadores. A dona deles não viu o filho, não terá a alegria de vê-lo crescer e juntamente compartilhar as tristezas.

Uma mãe sofre pelo e por causa de um filho. Nós devemos invejar a sorte ou afugentar o azar? Ela então sofre, por ter sido frustrada a oportunidade de padecer. Afinal, só se conhece o que se vivencia; se não se conhece, não há o que temer; se já se conhece, menos ainda, pois já se sabe as consequências.

Do filho, pouco se pode dizer, sendo seu próprio pai e carrasco, agora pouca diferença este drama faz, as sensações não mais o seduzem. Este sim, eu invejo. Ele escolheu a forma mais doce de encontrar seu fim, iniciando um começo. Ele voltou para onde nós nunca deveríamos ter saído.

O que me atraiu neste mundo a fim de desejar ter nascido, é algo do que não me lembro. Mas aos meus irmãos, que ainda não nasceram e aos que isto desejam, fica o alerta. Ao menos ele pode escolher sua mãe, esta sim, criatura ativa, não o trapo de gente a quem eu fui entregue. Se eu tivesse mãe assim, talvez não seria tão frustrado, nasceria sexualmente satisfeito...

Dissecação.

Sol Negro: consciência atordoante, vontade em estado absoluto.
Separando-se a irradiação da luminosidade, vem a Névoa Obscura e a Aura Soturna.
Névoa Obscura: plenitude da dúvida, incerteza dos valores, consciência imersa.
Aura Soturna: assombro da certeza, conceitos que são confirmados, consciência estabilizada.
Da sombria soma, cria-se o Coração Abissal, que se fragmenta nas Águas Turvas, no Cristal Fosco, na Flor Definhante e no Fruto Letal.
Coração Abissal: desejo em profusão, o amor nefando, a razão de nosso ser.
Águas Turvas: sentidos embriagados, a noção da realidade alcança novas perspectivas.
Cristal Fosco: desilusão contundente, a fragilidade das crenças se desmancha ao colidir com a crueldade da existência.
Flor Definhante: mórbida beleza, as aparências enganam, sem sua casca superficial, o belo é mais horrível.
Fruto Letal: degustação sangrenta, a sedução do lado obscuro leva-nos a querer experimentá-lo.
Quão maravilhoso é, o Grão da Sina, que tudo começa em cada pessoa. Ele foi semeado em todo inconformado e que bom solo tem no desolado. Em todos os desdenhados pelo semeador de trigo, vem a se alojar, arremessado pelo tornado da fatalidade, provocado pelo giro da roda do destino.
Quão orgulhoso eu sou, por senti-lo enraizar e crescer este gérmen da morte embrionária, a morte sempre nascente,a morte renovada. Que cresce e toma conta de cada um que se conscientiza que somos todos mortos-vivos. Nós vivemos, pra cada vez mais, morrer.
Então, nada mais justo que conhecer as Trevas e desejá-las ardentemente, pois é nelas nosso Reino, lar e família de fato.

Celebração

-De tantos que me rodeavam, foi o único que veio.

- Você convidou quantos?

-O suficiente para que ao menos um viesse.

-Não te negaria coisa alguma. Cíntia, é nesta vida o que Lilith é na eterna.

-Não conheço tua Deusa, mas se Ela me conhecesse, tiraria este fatídico encargo em que me vejo empossada.

-Ignora a importância do seu destino a todos quantos se simpatizaram nesta obra?

-Ignoro. Como todos, estou aprendendo conforme sofro.

-Trouxe-me para amenizar tal sofrimento?

-Seria tentador compartilhar a dor para minorá-la. Não sou carrasca. Esta é a regra das religiões, para exaltarem o sacrifício e justificarem sua rigidez.

-Ainda assim, eu estou disposto a me oferecer ao suplício.

-As ofertas que me deste já me agradaram o suficiente... Pedi a tua presença para celebrar este fenômeno que nos reuniu.

-Então comemoremos, pelo resto do mês, ao natimorto, que se gerou em ti e nos deu o Grão da Sina. Sem ele, não teríamos aflorado e frutificado na Árvore da Morte. Nós não teríamos conhecido Coração Abissal, por intermédio de quem conquistamos o Sol Negro.

-Não sei se podemos denominá-lo. Eu nunca soube quem era, de onde veio e por qual arte adentrou-se em mim, fez-se como feto e de mim, seu ataúde. Se, ao menos, ele tivesse dito o porque escolheu a mim!

-Não lastimes. O que tem é maior do que teve Maria de Nazaré. Quantas mulheres podem dizer serem mães de seus amantes? Aquele que te tomou como homem e se tornou seu filho, silencioso, diz muito mais que Cristo.

-Bem que eu queria que ele pudesse falar. Se vivesse, ele poderia colocar as coisas em seus devidos lugares. Haveria alguma agonia, mas logo agradeceriam a ele por acabar com as religiões e todo o tipo de crendice, ilusão e fantasia, às quais a mente pobre se vicia, para suportar a existência.

-Se eu preciso acreditar em algo, eu acredito em mim mesmo. Só confiando em minha capacidade é que seria possível melhorar.

-Isso é bom, mas nunca o suficiente.

-No que me excede, além da competência, eu confio meu destino a ti, Cíntia. Mas caso tenha alma, esta pertence a Lilith.

-Depois de tanto tempo juntos, com tantas conversas, esclarecimentos...ainda crê em algo místico e confia no gênero humano? Que desapontamento...

-Eu sei que não sou um bom companheiro. Mas, considere...crê na tua história, como creio e conto, aceitando-a como escrevo. Então aceita tudo que tenho falado, feito e escrito, pois jamais lhe faltaria com a verdade. Tu és meu conforto neste mundo dominado pelo Império das Luzes.

-Então, apóstolo de Cíntia, estaria disposto a fazer o meu evangelho?

-Já não o faço?

-Eu tenho mais detalhes a te ensinar. Você terá que fazer uma iniciação rigorosa... Penetre em mim... Mas, por favor, não suma...

-Eu tentarei ficar na superfície... Mas eu enviarei a minha sonda ao seu mais profundo mistério...

Fogo Negro

Em meu autoconsumo, vou me questionando: de onde vim, como fui formado, que engenheiro me construiu, que arquiteto me planejou?

Eu não tenho uma face paterna em quem me escorar, nem um seio materno em quem me nutrir. Como todo órfão, eu fui me auto-instruindo e estabeleci minha personalidade com meus próprios esforços.

Ainda que se pese as dificuldades: aparentes desgostos e fiascos, um certo ciúme e inveja das criaturas que, em sua vida frenética e curta, tiveram tudo que eu não tive. Mas mesmo assim, eles são ingênuos.

Eu posso me considerar correto e em meus princípios, prevaleci. Entre certezas e dúvidas, amadureci. Já não desejava a vida exuberante, cheia de desejos e prazeres.

Ainda que tivesse a palavra limitada, a consciência e a ideia pulsava, eu tentava encontrar uma definição. Tentativas espúrias, o tempo apagou. Num lance ousado, apaguei meu eu, anulei todo conceito e personalidade, uma vez que vinham igualmente da falsa imagem que nosso delírio onírico considera ser vida.

Se o sonho do real se divide pela sensação, então pela dor se pode despertar. A dor extremada aniquila o corpo físico, mas já que não vivemos em absoluto, sonhamos, então a morte é o despertar total.

O incrível aconteceu: a consciência permaneceu, apenas pereceu a roupagem carnal. Eis que meu eu se propagou, uma vez que não fui gerado, não há como me exterminar, não haveria como me despertar. Contrariado, furioso comigo, numa autocomiseração em que me cria maldito, procurei meu espaço em um tempo infindável.

Em cada tentativa de despertar, apenas um outro sonho se sucedia, apenas um novo uniforme portava. Nesta rota, encontrei tantos outros que caminhavam como eu, mas estes tinham um destino, um Paraíso, um Pai celestial. Alguns eu segui, o suficiente, para ver um enorme engodo. Em minha presença, o Paraíso era enfadonho e o Pai não assumia a paternidade, por desconfiança, não me agradavam. Os neguei e minha andança, eu continuei.

Insólito foi encontrar criaturas que vinham a mim ou que me seguiam, com respeito e reverência, procurando algo que eu não tinha. Entretanto, comovido, compartilhei meus pensamentos. Não demorou muito e nos formamos em uma comunidade, com um espírito comum, mas sem um centro. Foi com esse espírito em conjunto que eu encontrei a ternura, então, talvez para isso nasci. Neste corpo está meu criador e somente nele poderei despertar. Eu dei permissão para ser absorvido, por minha vontade, me consumi e então o corpo teve um coração. O Supremo Espírito das Trevas adquiriu consciência própria e por ela me pus a pulsar. Desta forma, encontrei meu lugar e me despertei por completo. Estava sempre em mim a solução do enigma: eu sou o que quiser ser, o que sempre fui, sem necessidade de sê-lo. Eu sou o Fogo Negro.

Final

Eu não existo, ainda que sinta e tenha lembranças, são tudo ilusões. Eu tento justificar todo este sonho, seja com trabalho, seja com conhecimento. Mesmo que os meus esforços são em vão, todo esse conhecimento tornou-se mais um fardo do que uma fonte de prazer. Eu já devia saber que toda teoria não é muito boa na prática.

O poder vem daquilo que se faz na vida, não do que se sabe, mas não se consegue usar. A única coisa útil nesta vida, é o instinto.

Para poupar-me de maiores erros, eu devo esquecer meu nome, a primeira herança deste mundo, dada pelos meus pais postiços. Em seguida, renegar toda e qualquer ciência que venha a ter adquirido, por imposições, necessidades ou preferências pessoais.

Como poderia confiar em tal conhecimento, sendo que foi produzido por pessoas que, como eu, estavam delirando?
Aprofundando-me mais, aniquilando minhas memórias, reais, factuais, fantasiadas. Todas são enganosas, uma vez que elas são influenciadas pelas sensações e emoções. Uma vez que o corpo não existe, o que sinto é falso; uma vez que a mente é um vácuo que, por razões ignoradas sonha, as lembranças são parte dessa loucura que condicionam e bloqueiam a minha verdadeira existência.

Todos os valores que eu recebi, ensinados ou assimilados, são apenas uma tentativa para adequar meu ser a este mundo. Eu tentava imitar outros delírios, pois mesmo as virtudes, bem como os vícios, são como este mundo: falsos e superficiais.

Inclusive aquelas idéias que me são mais queridas, de fato não existem, pois elas são produto de uma mente ociosa. Elas são compensações criadas pela mente, por sua inadequação a esse mundo das luzes. Por mais que eu queira muito, por si, não existem.

Então, do que me importa:

Se não tenho namorada, pois o amor não existe, fosse tão importante não seria tão prostituído.

Se não há Governo, pois o Estado não existe, uma vez que a cidadania, quando não é irresponsável, é indiferente ou negligente.

Se não há família, já que o homem se une mais por medo da solidão que por laços afetivos.

Se não há Pátria, um pedaço de terra não é mais que pó nos olhos, onde se mora é a mente, não há fronteiras nem posses.

Se não falo, todo discurso é monótono, principalmente se a língua é traiçoeira, quanto mais se fala, maior a necessidade de se provar a si que existe.

Se não serei lido, pois não há espaço a tal obra que desperta, em um mercado editorial que visa ampliar a ilusão, tanto de quem compra quanto de quem vende.


Tudo é uma ilusão que, como tal, depende da imagem, que depende da luz. Então, está na hora de parar de sonhar com as Trevas. Como já estou lá, basta permitir ser envolvido e encontrar a realização plena.


Embrace the Nothingness.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Décima primeira revelação

Bem sabeis também, 
que muitos se vos apresentam 
como Meus representantes em vosso meio, 
como se já não vos tivesse alertado sobre estes! 

Mais ainda: vos manifestei claramente 
a única forma pela qual realmente vós devíeis 
honrar e cultuar a Mim, o Senhor, Eu! 

Portanto, deixai todas essas tolices, 
por mais difícil que vos seja livrar-vos desse entulho, 
dessa casca que vós mesmos vos pusestes a carregar, 
a criar, a vos tolher a felicidade e o prazer. 

Já vos dei tudo: inteligência, os meios intelectuais; 
as coisas, os meios materiais; 
os desejos, os meios espirituais. 

Portanto, vivam e desfrutem ao máximo, 
no tempo que vos cabe existir, 
vos preocupeis apenas com as coisas próprias da vossa natureza. 
Porque o demais, no momento adequado, 
vós tereis plenas condições e habilidades para transpô-lo.