sexta-feira, 14 de julho de 2023

O partido fascista de Valadão

Bolsonaro não foi além de suas expectativas, pois nunca teve aquilo que o fascismo clássico conseguiu juntar: juventude engajada, partido, símbolos, literatura, autores, bandeiras. Por outro lado, o neopentecofascismo (definição de Renato JUDZ) possui tudo de sobra, e mais: Jesus como sua maior commodity.

O país sofre uma crise de laicidade para além da fragilidade de sua própria democracia: não se debate, não se discute e sequer atua no controle do discurso de ódio mascarado de liberdade religiosa. Os neopentecostais, fanáticos em comportamento e dogma, lançam mão de sua predestinação calvinista para se proclamar, ora reveladores da boa-nova, ora Torquemadas pós-modernos.

O pastor André Valadão, fazendo uso de seus canais de alta ressonância na bolha “cristã-talibã”, convocou seus asseclas para uma investida mortal contra a comunidade LGBTQIAPN+. Segundo o pastor, Deus não pode mais matar e por isso a missão, ou “trabalho sujo”, fica por conta do seu rebanho.

Enquanto não entendermos que o neopentecostalismo representa o “fascismo dogmático”, não conseguiremos tomar as medidas necessárias, ou seja, o enfrentamento civil, político e criminal de todos. Outro pastor calhorda, Silas Malafaia, reverbera em seu canal a indignação com a inelegibilidade de Bolsonaro, pois, apesar do ex-presidente não dispor da estrutura da igreja, serve, ou serviu, como presença fascista nos corredores e espaços da política brasileira.

O neopentecostalismo precisa ser defenestrado de todos os espaços que estiverem para além dos muros de seus templos e seitas. Não há mais solução nem saída. É necessário enfrentar. Do contrário, a nação corre o risco de enamorar-se do fundamentalismo.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/andre-valadao-neopentecostais-sao-verdadeiro-partido-fascista-por-adriano-viaro/

quinta-feira, 13 de julho de 2023

O mito do homem caçador

Há a crença de que, nas populações rudimentares, para a alimentação do grupo, os homens dedicam-se exclusivamente à captura de animais e as mulheres, à colheita de vegetais. Um estudo publicado, nesta semana, na revista PLOS One traz evidências que colocam em xeque esse mito do homem caçador. Ao analisarem dados produzidos sobre 63 sociedades de forrageamento do Holoceno, dos últimos 11 mil anos, cientistas concluíram que as mulheres caçam em 79% delas, independentemente de serem mães.

A equipe liderada por Abigail Anderson, da Seattle Pacific University, nos Estados Unidos, também constatou que, em muitas sociedades coletoras, elas são caçadoras habilidosas. Mais de 70% da caça feminina parece ser intencional, e elas costumam ter como principal alvo os animais de grande porte, em oposição à matança para atividades como a caça predatória.

Além disso, as exímias caçadoras compartilham as suas habilidades. Segundo os autores, elas estão ativamente envolvidas no ensino de práticas de caça e, muitas vezes, empregam uma variedade maior de escolha de armas e estratégias do que os homens.

O artigo ilustra a realidade das mulheres Agta, nas Filipinas, cujas ferramentas usadas "são notavelmente diferentes em comparação com as dos homens". "As evidências de todo o mundo mostram que as mulheres participam da caça de subsistência na maioria das culturas", enfatizam os autores.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores reuniram informações da literatura etnográfica produzida nos últimos 100 anos sobre achados arqueológicos do Holoceno, período que abrange os últimos 11 mil anos. As informações incluem sociedades na América do Norte, África, Austrália, Ásia, Austrália e Oceania, como os Kikuyu, no Quênia, e os Kalaallit, na Groenlândia.

Cara Wall-Scheffler, antropóloga e uma das autoras, conta que a necessidade de realizar a pesquisa surgiu a partir de um artigo publicado na revista Science que fazia referência a descobertas arqueológicas de fósseis femininos enterrados ao lado de ferramentas de caça de grandes animais. "Decidimos fazer esse estudo depois de ler um artigo sobre a importância da caça feminina na pré-história da América do Norte e do Sul", indica.

Para os autores do estudo, o mito do homem caçador influencia estudos arqueológicos, tornando alguns pesquisadores relutantes em interpretar objetos de caça enterrados com mulheres. "A prevalência de dados sobre mulheres caçando se opõe diretamente à crença comum de que elas coletam exclusivamente (...) e evidencia que a divisão sexual implícita do trabalho de caçador/coletor é mal aplicada", avaliam.Novos olhares

Segundo Wall-Scheffler, o trabalho feito por elas e os colegas poderá ajudar a combater esses estereótipos de gênero.

Segundo Wall-Scheffler, o trabalho feito por elas e os colegas poderá ajudar a combater esses estereótipos de gênero. "É importante compreender que os seres humanos são flexíveis na forma como sobrevivem e que as fêmeas contribuem fortemente para a aquisição de alimentos em todo o mundo", justifica. "Os resultados devem ajudar as pessoas a entenderem que os papéis de gênero não são fixos com base na biologia e em nosso passado evolutivo. A divisão do trabalho é flexível com base na cultura e nas necessidades do grupo."

A equipe planeja seguir nas análises das atividades femininas de caça associadas à maternidade para estabelecer, com mais precisão, como é a divisão não sexual do trabalho em relação à caça/coleta. "No momento, estamos analisando a regularidade com que as mulheres vão caçar com crianças", conta Wall-Scheffler.

Fonte: https://www.em.com.br/app/noticia/saude-e-bem-viver/2023/07/03/interna_bem_viver,1515305/amp.html

quarta-feira, 12 de julho de 2023

O altar de Pérgamo

Aninhado na paisagem serena da antiga Pérgamo, uma cidade que floresceu nas eras helenística e romana, encontra-se um testemunho notável do artesanato humano e da devoção religiosa: o Altar de Pérgamo. Situado na encruzilhada da história e da arte, este extraordinário artefato arqueológico nos transporta de volta dois milênios para uma época em que Pérgamo reinava como um centro de cultura e poder na Ásia Menor, atual Turquia. Esculpido entre 180 e 160 aC, o Altar de Pérgamo é uma estrutura monumental intrincadamente detalhada construída como um local de adoração aos deuses. Suas dimensões imponentes e relevos requintados retratando batalhas mitológicas fazem dele uma verdadeira maravilha da arte grega antiga.

Era normal para os pergameses construir monumentos de vitória depois de vencer uma grande batalha, mas o altar não se parece com nenhum outro monumento de vitória pergamese descoberto. Para começar, nada no desenho do altar faz qualquer referência à batalha ou a outras campanhas militares contemporâneas. As únicas dicas menores são a estrela da Macedônia que aparece no escudo de um dos gigantes e um escudo celta que é segurado por um dos deuses no friso oriental.

O que resta da inscrição de dedicação do altar também não menciona nenhuma batalha específica. Em vez disso, diz que o altar foi construído para agradecer aos deuses por seus “favores”, embora não seja declarado quais eram esses favores. Acredita-se que o altar foi construído principalmente em homenagem a Zeus e Atena, já que ocupam as posições mais proeminentes nos frisos.

Este friso é um ataque aos romanos, pois retrata Télefo sendo amamentado por uma leoa, enquanto Rômulo, fundador de Roma, é geralmente retratado sendo amamentado por uma loba. Obviamente, os leões vencem os lobos, então o pensamento é que o friso representa a supremacia de Pérgamo sobre Roma. Isso levou alguns historiadores a atribuir o edifício do altar por volta de 170 a 159 aC (a morte de Eumenes).

Há tanta confusão sobre para que o altar foi usado. Muitos acreditam que o altar foi dedicado a Atena . Isso faria sentido, pois há um templo de Atena localizado no terraço da Acrópole diretamente acima do altar. Os altares geralmente eram encontrados fora de seus templos e várias bases de estátuas e inscrições consagradas encontradas nas proximidades do altar apontam para Atena.

Mas o fato é que Zeus aparece tão fortemente no friso do altar ao lado de Atena que aponta para a ideia de que o altar foi dedicado a ambos os deuses. Isso não seria tão estranho. Não era incomum que os altares tivessem uma função independente, não pertencendo a um templo específico. Embora um templo sempre tivesse um altar, um altar nem sempre precisava ter seu próprio templo.

A característica mais notável do Altar de Pérgamo era seu friso, que representava a Gigantomaquia, uma batalha mítica entre os deuses do Olimpo e os Gigantes. O friso, esculpido em alto relevo, media cerca de 2,3 metros de altura e envolvia toda a estrutura.

O Altar de Pérgamo é um testemunho da rica herança cultural e engenhosidade artística do período helenístico . Serve como uma janela para uma época passada, onde as lendas foram gravadas em mármore e a imaginação não conheceu limites. O legado inspirador desta maravilha arquitetônica nos convida a abraçar a beleza e o mistério do passado, despertando nossa curiosidade e nos convidando a explorar as profundezas da criatividade humana. Em sua presença, somos lembrados do significado atemporal de preservar e valorizar nossos tesouros históricos, garantindo que suas histórias continuem a inspirar e cativar as gerações vindouras.

Fonte, citado parcialmente: https://www.ancient-origins.net/artifacts-other-artifacts/pergamon-altar-0018744
Traduzido com Google Tradutor.

Engajado, mas sensato

Por pirraça ou picuinha , colunistas nos jornais ditos progressistas ou criticam ou elogiam o comercial da Volkswagen com Maria Rita e Elis.

Quando ser de esquerda é sinônimo de ser chato?
Eu tenho boas lembranças do Karmann Ghia do meu pai. E do Maverick.
Eu devo ter escrito em algum lugar que quem é de esquerda não pode ter ídolos. Porque temos a tendência de idealizar e/ou romantizar a personalidade daquele/a que se tornou um símbolo.

A VW colaborou com a Ditadura, como inúmeras outras empresas. Como tem muitas que patrocinaram o nazismo e o fascismo. Ou você acha que é mera coincidência disso reaparecer na Europa? Voltou porque os autores intelectuais e financiadores não foram punidos. Nem serão.

O mesmo vai acontecer aqui, ou o pessoal esqueceu da Lei da Anistia? Ou o pessoal esqueceu que são brasileiros os que vão às ruas pedir intervenção militar e a volta da Ditadura?

A única que pode responder é Elis. Na falta dela, seus herdeiros respondem. O comercial é a resposta.

Aliás, Elis cantou para os militares. Em entrevista, disse que foi obrigada. Henfil, cartunista que tem minha admiração, não perdoou. E ele entrou na Globo para fazer um programa.

Mais crucial, é discutir a violência em jogos de futebol. Toda vez que tiver alguma confusão por causa de jogo, os times têm que ser punidos. Toda vez que alguém morrer por causa disso, os times têm que pagar pensão para a família enlutada.

Mais grave é o discurso feito contra os professores, comparados com traficantes.

Nós vivemos e consumimos um mundo repleto de coisas artificiais simulacros, imitações.

Não sejamos chatos.
Porre, só de cerveja.

terça-feira, 11 de julho de 2023

A relatividade da democracia

Por não ter o que fazer, a Imprensa Abutre fez escândalo pela declaração do presidente que a democracia é relativa.

O presidente acertou, mas como eu estou com preguiça, eu pedi para o Copy.AI escrever o artigo.
Citando:

A democracia pode ser considerada relativa devido às diferentes interpretações e práticas que existem em diferentes países e contextos culturais. A definição e aplicação da democracia podem variar dependendo dos valores, sistemas políticos e tradições de cada sociedade. Além disso, as ideias sobre democracia também evoluem ao longo do tempo, à medida que novos conceitos e teorias são introduzidos.

Por exemplo, a democracia direta, em que o público participa diretamente do governo, foi praticada em antigas cidades-estado gregas e ainda é adotada em algumas comunidades locais atualmente. Por outro lado, a democracia representativa, em que os cidadãos elegem representantes para tomar decisões em seu nome, é mais comumente encontrada em muitas democracias modernas.

No entanto, é importante observar que existem princípios e padrões amplamente aceitos para avaliar a qualidade e legitimidade de um sistema democrático. O respeito aos direitos humanos, igualdade de oportunidades, liberdade de expressão e participação política são considerados elementos essenciais para uma democracia saudável.

Portanto, embora a democracia possa ter características relativas e adaptáveis em diferentes contextos, existem princípios fundamentais que servem como referência para avaliar a democracia de um país.

A milícia da Universal

Não são apenas reuniões nos templos e visitas aos batalhões – mas também empregos. Ou melhor: bicos.

Além de oferecer assistência espiritual a soldados em 24 estados, como revelou o Intercept, a Igreja Universal também montou uma força de segurança à sua disposição integrada por policiais militares.

Processos trabalhistas e policiais – que correm risco de punição – detalham como a igreja liderada por Edir Macedo driblou a lei e o regulamento da PM para contratar, de forma irregular, soldados na ativa para atuarem como seguranças das empresas do grupo.

A Igreja Universal respondeu a um inquérito em São Paulo e a uma ação civil pública em Rondônia e a outra em Goiás por conta da terceirização de sua segurança e também pela prática de contratação de PMs.

O inquérito aberto em São Paulo correu em segredo de justiça e terminou com um termo de ajustamento de conduta, um TAC, firmado com a Procuradoria Regional do Trabalho. Nele, a Universal se comprometeu a não mais contratar seguranças como “bico”, entre eles policiais.

Segundo o acordo, a igreja, daí em diante, passaria a manter os seus serviços de vigilância patrimonial e de transporte de valores por meio de empregados próprios, devidamente registrados ou por meio de empresas terceirizadas e legalmente constituídas.

O procurador do Trabalho Marcelo Sampaio Costa determinou, naquele momento, que a Polícia Militar do Estado de São Paulo fosse notificada sobre o acordo.

Lá, o Regulamento Disciplinar da corporação, em seu artigo 13, item 26, proíbe “exercer ou administrar, o militar do Estado em serviço ativo, a função de segurança particular ou qualquer atividade estranha à Instituição Policial-Militar com prejuízo do serviço ou com emprego de meios do Estado”.

Apesar de vedada, essa atividade, chamada de “bico”, não é crime. As punições podem variar entre advertência, repreensão e detenção. Outros estados têm regras semelhantes.

Nas ações civis públicas em Rondônia e Goiás, a Universal também foi obrigada a interromper a contratação de policiais no trabalho informal. Na decisão de 2020 do Tribunal Regional do Trabalho da 14ª Região, em Rondônia, a igreja foi condenada a pagar uma multa que chegou a R$ 380 mil.

No Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região, em Goiânia, a igreja também foi condenada, em 2016, a pagar uma multa de R$ 4 milhões. A penalidade, no entanto, acabou revogada.

Depois de um recurso da igreja, que argumenta que a lei e o regulamento se aplicam aos policiais e não aos contratantes, o tribunal, na decisão final, entendeu que o serviço do PM “não configura trabalho ilícito, mas sim trabalho proibido, que no caso dos policiais constitui infração administrativa a ser eventualmente apurada e punida no âmbito da corporação”.

A decisão citou uma jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho, a súmula 386, que reconhece a relação de emprego entre policial militar e empresa privada, independentemente do eventual cabimento de penalidade disciplinar prevista no Estatuto do Policial Militar.

O TST reconheceu a relação de emprego entre policial militar e empresas privadas nos casos em que os PMs foram contratados como “bico”. Nesse caso, o policial passa a responder pelas eventuais penalidades disciplinares, e a empresa é condenada a pagar os direitos trabalhistas.

O trabalho do policial nas horas de folga, no entanto, apesar de irregular, não chega a se configurar uma “ofensa à população” a ponto de gerar um dano moral, de acordo com o TST.

As contratações para a área de segurança da Igreja Universal são feitas hoje por meio de uma empresa do grupo, a Centurião Segurança Patrimonial Ltda, sediada em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, e com filiais em vários estados.

O grupo Universal possui ainda outra empresa na área de segurança, a Armada Real Segurança Patrimonial, em Salvador.

A Centurião tem como sócios, entre outros, o bispo da Universal Adilson Higino da Silva e o presidente da Rede Record, Luiz Cláudio da Silva Costa, que também aparece no quadro societário da Armada Real.

Os profissionais de segurança atuam na proteção de templos, na segurança de Edir Macedo e familiares, de bispos e de empresas do grupo Universal, como TV Record, banco Digimais, Hospital Moriah e plano de saúde Life, entre outras.

Em uma audiência de 2019, o policial Carlos, que fazia segurança para o filho de Edir Macedo, Moysés, afirmou que não tinha horário nem para almoçar, e comia quando era possível.

No inquérito aberto para apurar a contratação de seguranças terceirizados pela igreja, a Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região, em São Paulo, constatou que a Centurião Segurança Patrimonial possuía, em novembro de 2021, mais de 3,5 mil seguranças contratados, alocados em suas diversas sedes.

O procurador Costa explicou que, como o foco era a terceirização, não foi detalhado quantos desses 3,5 mil seguranças seriam policiais. O inquérito tramitou em segredo de justiça. A Universal informa possuir 12,3 mil templos em cinco continentes.

A Centurião, no entanto, só contratava PMs, disse a advogada Márcia Cajaíba, que atuou em casos de 80 policiais que trabalharam na informalidade para a igreja e empresas do grupo.

Segundo ela, ao menos outros 20 escritórios espalhados pelo país teriam movido ações de PMs contra a Universal reivindicando direitos trabalhistas.

A advogada diz que o número de policiais contratados pela igreja, até 2013, seria bem maior do que os 3,5 mil seguranças detectados pelo Ministério Público do Trabalho, segundo os relatos que ela ouvia dos policiais para quem advogou.

Na época, segundo os PMs, era mais comum o transporte em carros-fortes de altas somas de dinheiro recolhidas nos templos, vindas dos dízimos e ofertas, o que exigia um número bem maior de seguranças.

Líderes importantes da Universal já foram flagrados em trânsito com malas de dinheiro, como foi o caso do bispo e então deputado federal João Batista Ramos da Silva, detido em um avião Cessna 525 Citation, em 2005, com R$ 10,2 milhões, em valores da época.

O bispo disse que o dinheiro vinha para São Paulo e teria sido arrecadado em templos do Amazonas e Pará.

No mesmo ano, o pastor George Hilton, então deputado estadual e que depois viria a ser ministro do Esporte no governo Dilma Rousseff, foi flagrado no aeroporto de Pampulha, em Belo Horizonte, com R$ 600 mil em espécie distribuídos em 11 caixas de papelão.

Depois, com a era digital e com a compra do Banco Renner – hoje Digimais –, adquirido oficialmente em 2020, a necessidade de um efetivo gigantesco nas ruas e no ar diminuiu.

Policial que fazia segurança para o filho de Edir Macedo afirmou que não tinha horário nem para almoçar.

Um dos policiais ouvidos pelo Intercept, Rogério, disse que quando se desligou da igreja, em 2018, havia 1,8 mil PMs trabalhando de “bico” e outros 200 registrados em carteira, por meio da Centurião, só no estado de São Paulo.

Um ex-PM, Leonardo, que pediu exoneração em 2021 afirmando que era perseguido pelos superiores devido às suas posições políticas e ao seu comportamento pessoal, me disse ter informações, por meio de colegas, que o trabalho de bico continuaria normalmente hoje na igreja.

Segundo ele, há PMs que recebem ainda “por fora”, policiais reformados que continuam prestando serviços e outros atuando supostamente como voluntários, em troca de promessas de benefícios como transferências ou indicações políticas, que seriam feitas por meio do Republicanos, o partido político ligado à Universal.

De acordo com Leonardo, alguns PMs integram uma espécie de conselho, que busca integrar esses policiais que trabalham na segurança às atividades religiosas.

Em nota enviada ao Intercept, a Polícia Militar de São Paulo afirmou que instaurou um procedimento para “apurar os fatos” sobre denúncia de que PMs estariam sendo doutrinados.

Sobre o Termo de Ajustamento de Conduta, a instituição afirma que “foi notificada, mas não há registro de novos casos de PM atuando para a Igreja Universal, nem de possível cobrança de direitos trabalhistas”.

“Cabe ressaltar que toda e qualquer denúncia de trabalho de integrantes das forças de segurança do Estado de São Paulo fora das instituições policiais, mesmo que nos horários de folga, são rigorosamente investigadas pelas respectivas corregedorias”, disse a PM.

“Aos policiais Civis e Militares é vedado o exercício de qualquer atividade comercial ou participação em sociedade comercial, salvo na condição de acionista ou cotista”.

O Intercept enviou uma série de perguntas à Igreja Universal.

A instituição afirmou que tem contrato de prestação de serviços com a empresa Centurião, “que é uma empresa de segurança privada, devidamente autorizada pela Polícia Federal”, e que as questões deveriam ser enviadas à empresa. Mandamos as perguntas à Centurião, mas não houve resposta.

Um ex-pastor da Universal, que se identificou como J.A.R. e evita dar o nome completo por ser parente de um bispo da igreja, também garante que os policiais militares continuam atuando nos templos.

Segundo ele, dos 3,5 mil seguranças contratados pela Centurião até 2021, 2 mil seriam PMs – 700 trabalhando em São Paulo, outros 700 no Rio e 600 pelo Brasil afora. Os demais seriam apenas “seguranças-porteiro”, afirmou.

De acordo com o ex-pastor J., há a preferência pela contratação de policiais por eles já possuírem arma pessoal (além da arma da corporação) e terem autorização para utilizá-la.

O simples vigilante, não policial, não pode, por exemplo, utilizar arma em área pública, em frente aos templos, só em seu interior.

Para J., isso faria com que locais como o monumental Templo de Salomão, sede da igreja no bairro do Brás, em São Paulo, tivessem a sua segurança comprometida.

A contratação de PMs para a segurança privada como “bico” diminuiu, segundo a advogada Márcia Cajaíba, após as ações civis e inquéritos e decisões da Justiça do Trabalho.

“Quando ganhamos uma ação e a igreja foi obrigada a depositar R$ 700 mil na justiça, a rádio-peão [expressão usada em empresas para designar mensagens não oficiais que circulam nos corredores] espalhou, e outros PMs passaram a nos procurar”, contou.

“Para diminuir ações na justiça, a contratação pela Centurião passou a ser priorizada, e a empresa de segurança ganhou força”.

A decisão de priorizar a contratação de PMs para a segurança tem uma outra forte motivação: o treinamento específico necessário, o que significa uma substancial economia de custos.

“Não é uma mão de obra que está aí, da própria empresa, da formação de vigilância. É a mão de obra do estado, que está na mão do Edir Macedo”, criticou Cajaíba.

Ela ainda apontou outros problemas. “Os policiais têm jornadas de 12 horas e folga de 36 horas, pois precisam estar descansados. Mas não descansam, pois vão trabalhar para a igreja e outras empresas. Eles têm a expertise do treinamento, que não devia ser explorada pela iniciativa privada. Além do mais, têm acesso a informações privilegiadas. O policial sabe quais são os locais com maior incidência de crimes, quais problemas existem em cada local. É uma concorrência desleal com outras empresas de segurança”.

Por ser uma atividade vedada, mas não ilícita – além de muitas vezes necessária como complemento de renda, já que o salário médio de policiais no Brasil é de R$ 5 mil –, esse tipo de bico dos PMs passou a ser, de certa forma, tolerado por governos, secretários de Segurança e chefes de batalhões.

“O policial não pode fazer segurança privada em lugar nenhum. Mas já desistiram de controlar isso há muito tempo. Tanto que a escala do policial é de 12 horas de trabalho e 36 de descanso, e têm um dia de folga e pode fazer a segurança”, constatou o cientista político Guaracy Mingardi, ex-investigador de polícia e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“O policial não poderia exercer outra função a não ser a de professor, como é regra no funcionalismo público. Mas a verdade é que o policial vende proteção”.

Quando um PM é denunciado por fazer bico ele pode pegar cadeia de até três dias em presídios militares.

“Mas, para as empresas, como é o caso também da igreja, não acontece nada. Governos também procuraram não criar dificuldades para grandes redes de supermercados ou multinacionais de produtos eletrônicos”, disse a advogada Cajaíba.

Em São Paulo, nos anos 1990, quando houve um aumento de violência e casos de sequestro, tornou-se comum empresários e grandes empresas contratarem policiais para sua segurança. Para as empresas, no entanto, hoje o risco de contratar o PM informalmente é depois ter de pagar indenizações na justiça.

Empresas, então, estariam contratando agora com registro. Mas um outro PM ouvido, Manoel, que trabalhou para a Universal e se desligou em 2015, disse não acreditar nessa hipótese, pois quem aceitasse o registro na carteira teria problemas com a Corregedoria da Polícia Militar.

“Mas, para a iniciativa privada, essa solução é boa, pois se houver problema, quem vai responder ou ser punido é o policial”, afirmou Marcia Cajaíba.

“O Tribunal Superior do Trabalho também colocou o seguinte: se você explorou essa mão de obra, você vai pagar todos os direitos como empregado. E, se existe ilegalidade, cabe ao estado que tem um decreto sobre o tema aplicar a punição”.

Por conta do risco de prisão, os PMs na ativa procurados pelo Intercept evitaram dar seus nomes e revelar outros detalhes.

Mesmo aqueles já reformados ainda estão sujeitos a penalidades, pois podem ser alijados da corporação e perderem benefícios caso cometam algum ilícito.

O policial Rogério falou com a reportagem por cerca de 15 minutos, mas alegou ter um compromisso e propôs continuar a conversa três dias depois. Em dois novos contatos, a seguir, recuou.

“Eles são muito violentos. Se souberem quem falou, vão fazer tudo para prejudicar”, justificou. Outros policiais contatados também evitaram se manifestar.

O cientista político Guaracy Mingardi considera grave o fato de policiais se tornarem dependentes de uma instituição religiosa.

“Isso é um problema maior. Tem muita gente hoje dependente dessa instituição. E eles podem pressionar para isso. É complicado. Quando uma instituição tem muita penetração na outra, elas acabam se confundindo. E você vai ver religião misturada com política e segurança. Não podemos misturar essas coisas. Temos de lembrar que o estado é laico”, argumentou.

“Pagar 3 mil policiais para fazer segurança de uma instituição não é a mesma coisa que fazer segurança de uma padaria”.

O procurador Marcelo Costa disse ao Intercept que, havendo denúncia de que o acordo firmado em São Paulo para a não contratação de terceirizados – entre eles eventualmente PMs –, não esteja sendo cumprido, o Ministério Público do Trabalho “vai aguardar a notícia e vai agir como deve agir”.

As contratações de PMs se somam ao fato de a igreja prestar, por meio de seu programa Universal nas Forças Policiais, o que chama de “assistência espiritual” para forças de segurança.

O Intercept mostrou que, só neste ano, aconteceram mais de 70 encontros, sem nenhum tipo de convênio, que envolveram altas autoridades de várias forças policiais diferentes pelo Brasil.

São Paulo, estado governado por Tarcísio de Freitas, do Republicanos, partido ligado à Igreja Universal, foi o estado com o maior número de reuniões.

Para o deputado petista Paulo Reis, da Assembleia Legislativa de São Paulo, a Universal pode estar formando uma milícia religiosa.

Ex-PM e policial civil licenciado, o parlamentar encaminhou representações ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público de São Paulo pedindo a apuração e providências sobre o deslocamento de PMs, em horário de serviço, aos templos da igreja.

A Polícia Militar de São Paulo disse ao Intercept que não mantém qualquer convênio com a Igreja Universal ou com outra entidade religiosa.

“Esporadicamente, a Instituição realiza operações de revista à tropa, ações de orientação e reuniões para apresentação de indicadores criminais da região em áreas externas aos batalhões de modo a acolher e alocar adequadamente todo o público presente. Esses espaços são cedidos voluntariamente por clubes, igrejas, universidades e prefeituras. Tais reuniões são pontuais e promovidas de acordo com a necessidade de cada unidade, que entra em contato com alguma instituição próxima que possa ceder o espaço”.

Fonte: https://www.viomundo.com.br/denuncias/gilberto-nascimento-universal-driblou-a-lei-e-contratou-policiais-militares-para-bico-na-igreja-como-segurancas.html

segunda-feira, 10 de julho de 2023

O orgulho que incomoda

Expectativa
Realidade





André Valadão postou no Instagram o delírio dos evanjegues. Gente do conservadorismo, de direita e fundamentalista cristão (redundância?) falam em direitos como se isso fosse monopólio e privilégio de poucos. Pior, tem imbecil que propõe ter o Dia do Orgulho Hetero.

No Patheos, página definhante, verdadeiro zumbi, o fundamentalismo cristão pode cometer crimes e disseminar fake news o quanto quiser.

Gene Veith escreveu na coluna Cranach uma peça de incrível idiotice e estupidez com o título "Nossa Teocracia Pagã". Fazendo eco e elogiando outro artigo estúpido e imbecil, escrito por Joy Pullman.
Ele diz que o Mês do Orgulho "exige que todas as pessoas boas e todas as instituições socialmente aceitáveis ​​prestem obediência à causa LGBTQ+ hasteando a bandeira do arco-íris e fazendo outros gestos simbólicos de submissão."
Não, imbecil. Trata-se de simplesmente dar algum alento à uma comunidade que tem tido seus direitos humanos e civis sendo negados por gente intolerante e preconceituosa como você.

Joy Pullman escreveu:
O paganismo não mantém os trens funcionando ou não saqueados, mas mantém as pessoas envolvidas em rituais que desviam a atenção de sua própria disfunção. Alguns ritos religiosos resolvem disfunções – penitência e perdão, por exemplo. Outros, como o bode expiatório, perpetuam a disfunção.

Por meio do arrependimento, as pessoas assumem a responsabilidade por suas ações e prometem melhorar. Por meio do bode expiatório, as pessoas transferem a responsabilidade por suas ações para entidades incontroláveis, como o deus da chuva, a supremacia branca e o aquecimento global. Você deve ser capaz de ver por que uma sociedade baseada na primeira teria mais infraestrutura funcional e por que uma sociedade baseada na última teria menos.

Entende-se, então, que, para ela, é a civilização cristã que faz as coisas funcionarem. Discordo. Toda a base de nossa civilização veio dos Gregos e Romanos Antigos, todos pagãos. Foi o Cristianismo que instalou essa disfunção, ao tornar o corpo, o desejo, o prazer e o sexo coisas ruins, demoníacas e pecaminosas. Foi o Cristianismo quem trouxe Guerra Religiosa (Cruzadas) e a Inquisição. Foi o Cristianismo que manteve a escravidão, a misoginia e o racismo.
A segregação e discriminação social por causa de sua origem, etnia, religião e posição política são realidades tangíveis para pessoas que vivem à margem da sociedade. Tudo porque estão fora do "padrão": homem, branco, heterossexual e cristão.
Como diz um ditado, depois que inventaram a desculpa, ninguém mais é penalizado. Eu denunciei o vazio do pecado, o que indica que o arrependimento é falho. Haja visto os "homens de Deus (o Cristão) reincidindo em seus crimes.
Mas do que é necessário arrependimento? Segundo a teologia cristã, Deus criou tudo, como os homossexuais existem, el@s também são criaturas feitas por Deus. Como eu escrevi em algum lugar, a única Ideologia de Gênero é acreditar que só existem dois.

Mas para esses dois palermas, intolerantes e fundamentalistas, o legítimo reconhecimento do governo para a comunidade LGBT é um sinal de uma Guerra Espiritual em andamento.
Para sustentar essa paranóia e neurose, falam da ação do supermercado Target que deu espaço à uma coleção com o tema "Orgulho", por causa de UMA peça que tem os dizeres: "Satã Respeita os Pronomes".
Nunca vão entender o sarcasmo e a ironia.
Nem que os direitos não são monopólio e privilégio de poucos.