terça-feira, 13 de abril de 2021

Fé e física

Isaac Newton, quem diria, era um religioso fanático, obcecado por experiências místicas. E esse lado oculto foi essencial para ele se tornar o pai da ciência moderna.
   
Por Leandro Narloch [nota - o autor não é uma fonte confiável, eu discordo dele em muitos assuntos, mas esse texto é o melhor que tinha sobre o assunto]

O homem que descobriu a gravidade e as leis do movimento, criou a ótica e reinventou a matemática também legou à humanidade receitas para transformar metais em ouro, remédios feitos com centopéias e uma lista de pecados que costumava anotar em seus cadernos. Passou a vida estudando a Bíblia para prever quando Jesus voltaria à Terra.

Contraditório? Não para a época. Quando Isaac Newton nasceu, na Inglaterra de 1642, matemática, religião, ciência e magia se confundiam. Astronomia e astrologia eram a mesma coisa. Alquimia e química também. “O século 17 foi uma transição entre a Idade Média e o Iluminismo”, afirma o físico Eduardo de Campos Valadares, professor da UFMG e autor do livro Newton – A Órbita da Terra em um Copo d·Água. “Os homens que criaram o nosso jeito de pensar viveram com idéias medievais, barrocas, e tementes a Deus.”

No caso de Newton, o misticismo e a religião não só conviveram com a ciência como a fortaleceram. “Seu mergulho profundo nas experiências alquímicas e nas raízes da teologia pode ter influenciado seus pensamentos a respeito de uma visão mais ampla do Universo”, afirma Michael White, autor da biografia Isaac Newton – O Último Feiticeiro.

Até o século 20, Newton era conhecido como um cara racional. Após sua morte, escritores trataram de ressaltar seus feitos e sua obra-prima, o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica (“Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”). Nesse livro, ele mostrou, matematicamente, que um corpo parado ou em movimento tende a ficar assim se não houver outra força na jogada. Com a Lei da Gravitação Universal, Newton provou que todos os corpos do Universo, seja a Lua ou uma maçã, obedecem à mesma força de atração. Mas o outro lado de Newton passou batido. Só veio à tona em 1936, com o economista John Maynard Keynes, o criador da Teoria do Estado de Bem-Estar Social. Depois de ter acesso a documentos e anotações do físico, Keynes deu uma palestra mostrando-o como um místico e fanático. “Newton não foi o primeiro da Idade da Razão. Foi o último dos mágicos”, disse Keynes.

Newton morreu afirmando que o movimento e as órbitas dos planetas eram definidos por Deus, assim como a composição da matéria. “Se os homens, animais etc. tivessem sido criados por ajuntamentos fortuitos de átomos, haveria neles muitas partes inúteis, aqui uma protuberância de carne, ali um membro a mais. Alguns animais poderiam ter um olho só, outros, mais dois”, escreveu.

Científico e religioso, ele fez da matemática um modo de estudar a Bíblia. Fazia cálculos imensos para confirmar as histórias bíblicas mais inverossímeis. Um exemplo é a criação do mundo em 7 dias. Newton acreditava na criação por Deus e, para resolver o problema de um tempo tão curto, observou que a Bíblia não afirma quantas horas durava um dia no momento da Criação. Como ainda não existia Terra nem movimento de rotação, um dia poderia ser quanto Deus decidisse. Para fazer previsões sobre o futuro do mundo, Newton não se baseou nos dias contados pela Bíblia. Ele tomou como base o gafanhoto, uma das pragas de Deus no Antigo Testamento, que vive em média 5 meses. A partir desse número, ele cravou que os judeus voltariam a Jerusalém em 1899, e em 1948 ocorreria a segunda vinda de Cristo à Terra. Depois, se passariam 1000 anos de paz.

Previsões eram importantes porque a vida, na época, não era nada fácil. Nos anos 1600, 90% da população inglesa vivia no que se chama hoje de pobreza absoluta. Em 1665, 100 mil ingleses morreram de peste negra. Em 1666, “ano da Besta”, a peste continuou e, para piorar, um incêndio queimou 13 mil casas e 87 igrejas de Londres. Procissões anunciando o fim do mundo eram comuns nas estradas da Inglaterra.

No best seller O Código Da Vinci, Newton aparece como um dos membros do Priorado de Sião, a organização secreta que protegeria dos católicos o segredo de Maria Madalena como mulher e sucessora de Jesus. Nada se sabe sobre o priorado ou a crença de Newton em Maria Madalena, mas o resto de suas idéias passa perto do livro de Dan Brown. Puritano radical, Newton seguia o arianismo, doutrina que considerava Jesus Cristo um intermediário entre Deus e os homens. Essa visão é contrária à da Igreja Católica, que tem como símbolo máximo de Deus a Santíssima Trindade (“Pai, Filho e Espírito Santo”).

A Igreja Católica era tudo o que Newton mais odiava. Chamava-a de Anticristo – ou de a “meretriz da Babilônia” – e acreditava que todas as mentiras do mundo tinham começado no Concílio de Nicéia, em 325. O concílio estabeleceu toda a simbologia cristã que se usa até hoje. Ali foi decidida a força da Santíssima Trindade e a ambivalência entre Jesus e Deus. Newton achava que isso era fruto da corrupção dos políticos romanos, preocupados em conquistar mais fiéis.

Para o biógrafo White, a fascinação de Newton por uma figura bíblica, o rei Salomão, influenciou na criação da gravitação universal. Salomão teve seu templo construído por volta de 1000 a.C., em Jerusalém. Seguindo o Livro de Ezequiel, Newton imaginou o templo com um fogo central, onde aconteciam sacrifícios, e os discípulos de Jesus colocados em círculo ao redor. “É visível o paralelo entre o sistema solar e o templo: os planetas correspondem aos discípulos, e o fogo do templo é o modelo do Sol”, afirma White.

Metal em ouro

Newton foi uma criança solitária. Aos 3 anos, a mãe o deixou com parentes e foi se casar com um coroa rico. O filho passou a infância lendo livros de teologia, que discutiam detalhes complicados da Bíblia. Aos 13, leu Os Mistérios da Natureza e da Arte, de John Dare, livro que copiou quase inteiro e usou como fonte de inspiração. O maior passatempo era brincar no laboratório de um boticário que o hospedou por um tempo. Foi ali que ele teve o primeiro contato com a química. Passava os sábados sozinho no fundo da botica, inventando remédios e anotando doenças – montou um caderno com 200 delas. Na escola, era relaxado e autodidata. Só começou a estudar matemática aos 19 anos, quando entrou no Trinity Colegge, em Cambridge. Depois das aulas, anotava os pecados que havia cometido: “desejar a morte ou esperar que ela ocorra a alguém” ou “roubar cerejas”.

Quando adulto, Newton virou um chato. Passava a maior parte dos seus dias sozinho com suas pesquisas. Como aluno e depois professor em Cambridge, tinha poucas conversas. Se ofendia facilmente, era vingativo e preferia não publicar seus trabalhos. Quando publicava algum, escrevia somente em latim e proibia que os textos fossem traduzidos para o inglês. Não queria que qualquer alfabetizado tivesse acesso a suas obras e pudesse criticá-lo. Newton nem mesmo tinha alunos. “Tão poucos iam ouvi-lo, menos ainda o entendiam, que com freqüência ele, por falta de ouvintes, lia para as paredes”, escreveu em diário seu assistente na universidade.

Newton gostava de trabalhar sozinho porque tinha medo que descobrissem sua arte secreta: a alquimia. No século 17, os experimentos alquímicos atingiram o auge. Por toda a Europa, vendedores de manuscritos ilegais distribuíam teorias sobre a pedra filosofal e guias para obter o elixir da longa vida. Newton era fascinado por esses objetivos e pela idéia de conseguir achar uma explicação única para todos os fenômenos da natureza. “Ele encarava o aprendizado como uma forma de obsessão, uma busca a serviço de Deus”, afirma James Gleick, autor de Isaac Newton. “Os alquimistas trabalhavam como uma sociedade secreta, com medo da perseguição da Igreja”, diz Valadares. Eles usavam pseudônimos e se comunicavam por códigos. O criador da gravitação universal se chamava Jeová Sanctus Unus, um anagrama de Isaacus Neuutonus, seu nome em latim.

Em 1970, uma análise química mostrou uma concentração enorme de chumbo e mercúrio nos cabelos de Newton. Era o que se esperava. Por quase 30 anos, entre 1666 e 1696, época em que produziu a maioria de sua obra científica, Newton gastou muito mais tempo tentando criar o mercúrio filosofal que estudando as leis do Universo. Passava noites em claro cercado de fornalhas, misturando metais em um cadinho. Anotava metodicamente verbetes e experiências. Em 1670, os rascunhos viraram o livro A Chave, formado por receitas e verbetes alquímicos. Também fazia experimentos esquisitos, como ficar olhando para o Sol o máximo que conseguisse só para ver o que aconteceria e enfiar furadores nos olhos para tentar descobrir o que havia atrás.

Esse alquimista começou a aparecer na cena acadêmica da Inglaterra com a criação de um telescópio de reflexão, em 1669. Tratava-se de um modelo pequeno, quase do tamanho de uma luneta, capaz de mostrar Júpiter e suas luas. O aparelho virou febre nas reuniões da Royal Society, o clubinho de cientistas da época, e foi apresentado ao rei Carlos 20. Depois, Newton cedeu à insistência de um amigo e decidiu encaminhar à sociedade um texto sobre a Teoria das Cores. Com o artigo, o mundo ficou sabendo que a cor branca era a soma de todas as outras – e o prisma era capaz de separá-las. O pessoal da sociedade ficou impressionado, e Newton, aos 29 anos, acabou virando membro da Royal Society, do qual seria presidente.

Ele queria provas

Apesar do reconhecimento, Newton seguiu isolado em Cambridge fazendo experiências místicas. Mas passou a ter contato com os filósofos naturais por cartas ou por meio da correspondência oficial da Royal Society. Esse periódico era um protótipo das revistas científicas de hoje, incluindo de pesquisas óticas a relatos sobre hermafroditas, unicórnios e lobisomens.

O contato com os cientistas trouxe dor de cabeça. Newton passou a travar polêmicas brabas com quem discordava de suas idéias. O primeiro inimigo foi Robert Hooke. Apesar do sucesso de ter descoberto a célula, Hooke era um picareta do século 17: anotava em um diário detalhes de noites com várias mulheres, afirmava ter inventado 30 formas de voar (mas não divulgava, para que ninguém as copiasse) e adorava colocar Newton em contradição. Mas a pendenga mais longa Newton travou com o matemático alemão Leibniz, disputando o mérito pela invenção do cálculo, método que permite calcular áreas, volumes e a taxa de mudança em qualquer ponto da função, hoje fundamental para descobrir desde a posição de uma nave espacial até ganhos de uma aplicação financeira. A polêmica sobre quem criou o cálculo permanece.

Mas a amizade e as brigas com os colegas ajudaram Newton a criar suas maiores teorias. Em 1684, ele recebeu a visita de Edmund Halley, um astrônomo curioso a respeito de suas idéias sobre as forças entre o Sol e os planetas. Quatro anos antes, um cometa havia passado duas vezes pelo céu da Europa, fazendo a astronomia entrar na moda. Na época, a idéia da gravitação universal era comentada, mas ninguém conseguia prová-la. Halley fez o professor de Cambridge tentar. Na mesma época, Newton passou a trocar cartas enfurecidas com Hooke sobre o que aconteceria com um objeto solto no alto da Terra. Hooke mostrou várias vezes à Royal Society que Newton havia feito previsões erradas sobre a trajetória do objeto. Isso irritou o alquimista.

Meses depois, impulsionado pelo objetivo de se vingar de Hooke, Newton chegou à Lei da Gravitação Universal. “A correção de Hooke fez com que eu descobrisse o teorema”, confessou anos depois. Com o apoio de Halley, que acabou virando nome do cometa, Newton publicou os Principia em 1687. A gravitação universal foi descrita na última parte do livro. Segundo essa lei, a força entre os planetas depende da massa dos astros e é inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separam do Sol. E isso vale para todas as coisas. “Essa teoria faria Newton mostrar que as forças que regem o Universo podem ser demonstradas em menor escala aqui na Terra”, diz Valadares. As 3 primeiras partes dos Principia tratam da inércia do movimento dos corpos. Esses princípios fundaram a dinâmica, ciência que usamos hoje em dia até para calcular se dá tempo de atravessar a rua. Idéias assim, na verdade, já tinham sido pensadas por outros filósofos naturais da época. A diferença é que Newton conseguiu prová-las com base em dados reais das órbitas dos planetas e cometas.

O que havia de revolucionário em Newton não era tanto o que ele pensava, mas como pensava. “A ciência do século 17 não é de resultados palpáveis”, afirma o físico Eduardo Valadares. “O que Newton fez foi estruturar uma maneira diferente de ver o mundo.” No século 17, teses não provadas eram tidas como certas – como a idéia de que o Universo era composto de um éter gosmento que envolvia os planetas – e ninguém achava que fosse necessária alguma comprovação. Newton, diferente da maioria dos colegas, não se dava por satisfeito com uma boa idéia. Foi ele quem fez da ciência um sistema de lançar hipóteses que precisam ser verificadas na prática e matematicamente. É assim, usando o método newtoniano, que nós pesquisamos e pensamos hoje. Não à toa, Newton teve como um dos seus melhores amigos o filósofo John Locke, pai do empirismo, segundo o qual a base do conhecimento não era a imaginação, mas a experiência.

Depois de ter publicado os Principia, Newton foi consagrado e virou figura chique da Inglaterra. Apesar de pouca gente entender o que ele dizia (mais ou menos como as idéias de Einstein), ficou rico e famoso. Foi convidado a participar do Parlamento britânico, tornou-se diretor da Casa da Moeda e presidente da Royal Society. Depois da virada para o século 18, suas idéias começaram a ser usadas na construção das máquinas que iniciariam a Revolução Industrial e no método racionalista do Iluminismo. Nos últimos anos de vida, passou a dedicar mais tempo ao estudo da Bíblia. Suas contas sobre as previsões do Apocalipse viraram uma obra póstuma, Observações sobre as Profecias de Daniel. Foi nela que ele cravou o ano de 1948 como data da segunda aparição de Cristo. Em 1727, enquanto os criadores das máquinas a vapor nasciam na Inglaterra, Newton morreu tentando descobrir a data que Deus tinha marcado para o Juízo Final.

A maçã e a gravidade

A história de que Newton descobriu a gravidade quando uma maçã caiu na sua cabeça é antiga. Um dos primeiros a contá-la foi o filósofo Voltaire, que escreveu sobre Newton e o tornou famoso entre os franceses. Voltaire afirmou ter ouvido a história de uma sobrinha do físico. Já o biógrafo William Stukeley disse ter ouvido do próprio. Segundo eles, o fato teria ocorrido em 1665, quando Newton estava na casa da mãe se protegendo da peste das cidades. À noite, no jardim, uma maçã teria caído não em sua cabeça, mas entre ele e a Lua. Ao ver a cena, Newton teria se questionado se a força que puxava a maçã para baixo era a mesma que fazia a Lua girar em torno da Terra. Verdade ou não, o fato é que o físico ainda demoraria duas décadas para fazer essa descoberta.

Gay?

Não há registros de que Newton teve relações com mulheres. Se algum dia se apaixonou, foi por um homem: Nicolas Fatio de Duillier, um jovem matemático suíço. Cartas entre os dois intrigam os historiadores. Têm vários códigos e palavras cortadas. Os dois provavelmente trocavam dados sobre alquimia, daí a razão da escrita misteriosa. Mas pouca gente sabe a razão para o tom melodramático das cartas. “Pretendo ir a Londres na próxima semana e ficaria muito feliz de hospedar-me junto a ti”, disse Newton na primeira carta. Meses depois, ao saber que Fatio estava doente, escreveu: “Recebi tua carta e o quanto fui afetado não posso exprimir”. Newton viajou várias vezes para Londres só para encontrar Fatio. A amizade durou 4 anos, até o jovem ir embora para sempre da Inglaterra.

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segunda-feira, 12 de abril de 2021

O culto à serpente

A adoração de serpentes [nota: ou cobras] é a devoção às divindades [ofídicas]. A tradição está presente em várias culturas antigas, principalmente na religião e na mitologia, onde as [serpentes] eram vistas como entidades de força e renovação.

Os antigos mesopotâmicos e semitas acreditavam que as cobras eram imortais porque podiam trocar de pele infinitamente e parecer para sempre jovens, aparecendo sempre com uma aparência nova. Os sumérios adoravam um deus serpente chamado Ningishzida . Antes da chegada dos israelitas , os cultos da serpente estavam bem estabelecidos em Canaã na Idade do Bronze , pois os arqueólogos descobriram objetos do culto à serpente nos estratos da Idade do Bronze em várias cidades pré-israelitas em Canaã: dois em Megido , um em Gezer , um no sanctum sanctorum do templo da Área H em Hazor , e dois em Siquém .

Na região circundante, objetos de culto à serpente figuraram em outras culturas. Um santuário hitita da Idade do Bronze no norte da Síria continha uma estátua de bronze de um deus segurando uma serpente em uma das mãos e um bastão na outra. Na Babilônia do século VI, um par de serpentes de bronze flanqueava cada uma das quatro portas do templo de Esagila . No festival de Ano Novo da Babilônia, o sacerdote deveria encomendar a um marceneiro, um marceneiro e um ourives duas imagens, uma das quais "segurará em sua mão esquerda uma cobra de cedro, levantando sua [mão] direita o deus Nabu ". No relato de Tepe Gawra, pelo menos dezessete assírios da Idade do Bronze inicialserpentes de bronze foram recuperadas.

Descobertas significativas de cerâmica, peças de bronze e até representações de cobras em ouro foram feitas nos Emirados Árabes Unidos (Emirados Árabes Unidos) . O centro metalúrgico da Idade do Bronze e Idade do Ferro de Saruq Al Hadid produziu provavelmente o mais rico tesouro desses objetos, embora tenham sido feitos achados com símbolos de cobras em locais da Idade do Bronze em Rumailah, Bithnah e Masafi . A maioria das representações de cobras são semelhantes, com uma decoração pontilhada consistente aplicada a elas.

Embora a representação generalizada de cobras em locais nos Emirados Árabes Unidos seja considerada pelos arqueólogos como tendo um propósito religioso, isso permanece uma conjectura.

Na África, o principal centro de adoração da serpente era o Daomé , mas o culto da píton parece ter sido de origem exótica, datando do primeiro quarto do século XVII. Com a conquista de Whydah, os Dahomeyans foram postos em contato com um povo de adoradores de serpentes e acabaram adotando deles as crenças que a princípio desprezaram. Em Whydah, o principal centro, há um templo da serpente, ocupado por cerca de cinquenta cobras. Cada píton do tipo danh-gbi deve ser tratada com respeito, e a morte é a pena por matá-la, mesmo por acidente. Danh-gbitem numerosas esposas, que até 1857 participaram de uma procissão pública da qual foi excluída a multidão profana; uma píton foi carregada em uma rede pela cidade, talvez como uma cerimônia de expulsão dos males. O deus do arco-íris dos Ashanti também foi concebido para ter a forma de uma cobra. Dizia-se que seu mensageiro era uma pequena variedade de jibóia, mas apenas alguns indivíduos, não todas as espécies, eram sagrados. Em muitas partes da África, a serpente é considerada a encarnação de parentes falecidos. Entre os Amazulu, como entre os Betsileo de Madagascar, certas espécies são designadas como morada de certas classes. Os Maasai , por outro lado, consideram cada espécie como o habitat de uma família particular da tribo.

Eva Meyerowitz escreveu sobre um pote de barro que estava armazenado no Museu de Achimota College em Gold Coast. A base do pescoço desse pote é cercada pela cobra arco-íris ( Meyerowitz 1940 , p. 48). A lenda desta criatura explica que a cobra arco-íris só saiu de sua casa quando estava com sede. Mantendo a cauda no chão, a cobra levantava a cabeça para o céu em busca do deus da chuva. Ao beber grandes quantidades de água, a cobra derramava parte da qual cairia na terra como chuva ( Meyerowitz 1940 , p. 48).

Existem quatro outras cobras nas laterais deste pote: Danh - gbi, a cobra que dá vida, Li, para proteção, Liwui, que foi associada a Wu, deus do mar, e Fa, o mensageiro dos deuses ( Meyerowitz 1940 , p. 48). As três primeiras cobras Danh - gbi, Li, Liwui foram todas adoradas em Whydah, Dahomey, onde o culto à serpente se originou ( Meyerowitz 1940 , p. 48). Para os dahomeanos, o espírito da serpente deveria ser temido por ser implacável ( Nida & Smalley 1959 , p. 17). Eles acreditavam que o espírito da serpente poderia se manifestar em qualquer objeto longo e sinuoso, como raízes de plantas e nervos de animais. Eles também acreditavam que ele poderia se manifestar como o cordão umbilical, tornando-o um símbolo de fertilidade e vida ( Nida & Smalley 1959, p. 17).

Mami Wata é um espírito da água ou classe de espíritos associados à fertilidade e à cura, geralmente representada como uma mulher segurando uma grande cobra ou com a parte inferior do corpo de uma serpente ou peixe. Ela é adorada na África Ocidental, Central e Meridional e na diáspora africana.

No Vodou haitiano , o criador loa Damballa é representado como uma serpente, e sua esposa Ayida-Weddo é chamada de " serpente arco-íris ". Na mitologia da África Ocidental, acredita-se que Ayida-Weddo sustenta o céu. Simbi é um tipo de loa serpentino no vodu haitiano. Eles estão associados à água e, às vezes, acredita-se que atuem como psicopompos servindo ao Papa Legba .

Os antigos egípcios adoravam cobras, especialmente a cobra. A cobra não estava apenas associada ao deus do sol Rá , mas também a muitas outras divindades, como Wadjet , Renenutet , Nehebkau e Meretseger . As serpentes também podem ser más e prejudiciais, como no caso de Apep . Eles também foram referenciados no Livro dos Mortos , no qual Feitiço 39 foi feito para ajudar a repelir uma cobra malvada no submundo. "Para trás! Rasteje para longe! Afaste-se de mim, sua cobra! Vá, se afogue no Lago do Abismo, no lugar onde seu pai ordenou que a matança de você deveria ser realizada."

Wadjet era a deusa padroeira do Alto Egito e era representada como uma cobra com capuz aberto, ou uma mulher com cabeça de cobra. Mais tarde, ela se tornou um dos emblemas protetores da coroa do faraó, uma vez que o Alto e o Baixo Egito foram unidos. Dizia-se que ela 'cuspia fogo' nos inimigos do faraó e nos inimigos de Rá. Às vezes chamada de um dos olhos de Rá, ela costumava ser associada à deusa leoa Sekhmet , que também desempenhava esse papel.

Os povos indígenas das Américas , como os Hopi, reverenciam a cascavel como avô e rei das cobras, que é capaz de dar bons ventos ou causar tempestades. Entre os Hopi do Arizona , figuras de manuseio de cobras em grande parte em uma dança para celebrar a união de Snake Youth (um espírito do céu) e Snake Girl (um espírito do submundo). A cascavel era adorada no templo do sol de Natchez . Os Construtores de Monte evidentemente reverenciavam a serpente, como demonstra o Monte da Serpente, embora não possamos desvendar as associações específicas.

A divindade maia Kukulkan e o asteca Quetzalcoatl (ambos significando "serpente emplumada") figuraram com destaque em suas respectivas culturas de origem. Kukulkan ( Q'uq'umatz em K'iche ' Maya) está associado à iconografia da Serpente da Visão na arte maia . Kukulkan era uma divindade oficial do estado de Itza, no norte de Yucatan . Em muitas culturas mesoamericanas, a serpente era considerada um portal entre dois mundos.

A adoração de Quetzalcoatl remonta ao século 1 aC em Teotihuacan . No período pós-clássico (900-1519 DC), o culto era centrado em Cholula . Quetzalcoatl foi associado ao vento, ao amanhecer, ao planeta Vênus como a estrela da manhã e foi um patrono tutelar das artes, ofícios, mercadores e sacerdócio.

As serpentes figuram com destaque na arte da cultura Chavín pré-inca , como pode ser visto no sítio-tipo de Chavín de Huántar no Peru . No Chile, a mitologia Mapuche apresentou uma figura de serpente em histórias sobre um dilúvio. O Lago Guatavita na Colômbia também mantém uma lenda Cacique de um "Deus Serpente" vivendo nas águas, que a tribo adorava colocando joias de ouro e prata no lago.

As serpentes, ou nagas , desempenham um papel particularmente importante na mitologia cambojana . Uma história bem conhecida explica o surgimento do povo Khmer a partir da união de elementos indígenas e indígenas, sendo estes últimos representados como nāgas . De acordo com a história, um brahmana indiano chamado Kaundinya veio para o Camboja, que na época estava sob o domínio do rei naga. A princesa naga Soma partiu para lutar contra o invasor, mas foi derrotada. Diante da opção de se casar com o vitorioso Kaundinya, Soma prontamente concordou em fazê-lo e, juntos, governaram a terra. O povo Khmer são seus descendentes.

Cobras, nagas , têm alto status na mitologia hindu . Nāga ( sânscrito : नाग) é a palavra sânscrita e pāli para uma divindade ou classe de entidade ou ser, que assume a forma de uma cobra muito grande, encontrada no hinduísmo e no budismo . O uso do termo nāga é freqüentemente ambíguo, pois a palavra também pode se referir, em contextos semelhantes, a uma das várias tribos humanas conhecidas como ou apelidadas de Nāgas ; para elefantes; e para cobras comuns, particularmente o Ophiophagus hannah , a mucosa Ptyas e a Naja naja, o último dos quais ainda é chamado de nāg em hindi e outras línguas da Índia. Uma nāga feminina é uma nāgīn . A cobra representa principalmente renascimento, morte e mortalidade, devido ao molde de sua pele e ser simbolicamente "renascido". Em uma grande parte da Índia, existem representações esculpidas de cobras ou nagas ou pedras como substitutos. Para esses humanos, comida e flores são oferecidas e luzes são acesas diante dos santuários. Entre alguns índios, uma cobra que é morta acidentalmente é queimada como um ser humano; ninguém mataria ninguém intencionalmente. A imagem do deus-serpente é carregada em uma procissão anual por uma sacerdotisa celibatária.

Ao mesmo tempo, havia muitas versões diferentes do culto à serpente localizado na Índia. No norte da Índia, uma versão masculina da serpente chamada Rivaan e conhecida como o “rei das serpentes” era adorada. Em vez do "rei das serpentes", cobras vivas reais eram adoradas no sul da Índia (Bhattacharyya 1965 , p. 1). O culto Manasa em Bengala, Índia, no entanto, foi dedicado à deusa serpente antropomórfica, Manasa ( Bhattacharyya 1965 , p. 1).

Diferentes distritos de Bengala celebram a serpente de várias maneiras. Nos distritos de East Mymensing, West Sylhet e North Tippera, os rituais de adoração à serpente eram muito semelhantes, entretanto ( Bhattacharyya 1965 , p. 5). No último dia do mês bengali Shravana, todos esses distritos celebram a adoração da serpente a cada ano ( Bhattacharyya 1965 , p. 5). Independentemente de sua classe e posição, cada família durante este tempo criou um modelo de argila da divindade-serpente - geralmente a deusa-serpente com duas cobras espalhando seus capuzes em seus ombros. As pessoas adoravam esse modelo em suas casas e sacrificavam uma cabra ou um pombo em homenagem à divindade ( Bhattacharyya 1965, p. 5). Antes que a deusa de argila fosse submersa na água no final do festival, as cobras de argila foram retiradas de seus ombros. As pessoas acreditavam que a terra dessas cobras eram feitas de doenças curadas, especialmente doenças infantis ( Bhattacharyya 1965 , p. 6).

Esses distritos também adoravam um objeto conhecido como Karandi ( Bhattacharyya 1965 , p. 6). Assemelhando-se a uma pequena casa de cortiça, o Karandi é decorado com imagens de cobras, a deusa das cobras e lendas de cobras nas paredes e no telhado ( Bhattacharyya 1965 , p. 6). O sangue dos animais sacrificados era aspergido no Karandi e também submerso no rio no final do festival ( Bhattacharyya 1965 , p. 6).

Entre a tribo Khasi de Meghalaya, existe uma lenda de adoração de cobras. A divindade cobra é chamada de "U Thlen" (literalmente: Python ou grande serpente) e diz-se que exige sacrifício humano de seus adoradores. Aqueles que podem fornecer sangue humano aos Thlen geralmente são recompensados ​​com riquezas, mas ele envergonharia aqueles que não podem fornecer o sacrifício necessário. O assunto Thlen ainda é um assunto delicado entre os Khasis e, nos últimos anos, em algumas áreas rurais, pessoas foram mortas em nome de serem "Nongshohnoh" ou Guardiões de Thlen, a cobra malvada Deus.

Como kul devata, também nagas são adorados em muitas partes da Índia, incluindo Madhya Pradesh e Gujarat. Em Madhya Pradesh, uma aldeia Sironja Gadariya no distrito de KATNI as pessoas adoram naga como um deus de sua ancestralidade. Eles são principalmente brahman que adoram Shiva também. Eles são descendentes da saga bharadwaj e usam o sobrenome Dwivedi. Nesta vila, as pessoas adoram o dev naga em todas as cerimônias, como nascimento, casamento e quaisquer outros eventos pequenos e especiais. Eles também afirmam que mesmo uma serpente real, em sua maioria, cobra vivendo com eles, mas nunca ferindo ninguém. Eles consideram que são seus ancestrais que foram amaldiçoados por alguns atos errados.

Finalmente, outra tradição na cultura hindu relacionada à ioga traz à tona a kundalini , um tipo de energia espiritual que se diz estar na base da coluna vertebral humana. O termo significa "cobra enrolada" em raízes sânscritas e várias deusas estão associadas à sua vitalidade, incluindo Adi Parashakti e Bhairavi .

[China] Oito reis dragões que se reuniram na reunião onde Shakyamuni pregou o Sutra de Lótus , conforme descrito no sutra. A tradução de Kumarajiva do Sutra de Lótus refere-se a eles por seus nomes em sânscrito: Nanda, Upananda, Sagara, Vasuki , Takshaka , Anavatapta, Manasvin e Utpalaka. De acordo com o capítulo "Introdução" (primeiro) do Sutra de Lótus, cada um participa da reunião acompanhado por várias centenas de milhares de seguidores.

Na mitologia coreana , Eobshin , a deusa da riqueza, aparece como uma cobra preta com orelhas. Chilseongshin (a ilha de Jeju equivalente a Eobshin) e suas sete filhas são todas cobras. Essas deusas são divindades de pomares, cortes e protegem o lar. De acordo com o Jeju Pungtorok , "O povo tem medo de cobras. Eles a adoram como um deus ... Quando vêem uma cobra, chamam-na de um grande deus e não a matam nem a expulsam." A razão para as cobras simbolizarem o valor era porque elas comiam ratos e outras pragas.

Matsura Sayohime foi uma heroína lendária na mitologia budista japonesa . Como recontado, ela nasceu do Senhor Kyōgoku depois que ele e sua esposa oraram ao Bodhisattva Kannon . Após a morte de seu pai, Sayohime era muito pobre para patrocinar um serviço memorial para ele; para levantar fundos, ela se vendeu a um homem chamado Gonga no Tayu, que (sem o conhecimento de Sayohime) pretendia sacrificá-la à divindade cobra de sua vila no lugar de sua própria filha. Quando apresentado à cobra, Sayohime leu o sutra de Lótus , permitindo que a divindade atingisse a iluminação e se desfizesse de sua forma monstruosa. A divindade então devolveu Sayohime aos cuidados de sua mãe.

Na Austrália, as religiões austronésias australoides falam de uma enorme píton, conhecida por vários nomes, mas universalmente referida como a serpente do arco - íris , que teria criado a paisagem, encarnado o espírito da água doce e punido os infratores. Os povos aborígines no sudoeste da Austrália chamavam a serpente de Waugyl, enquanto os Warramunga da costa leste adoravam o mítico Wollunqua .

[Roma Antiga] A adoração da serpente era bem conhecida na Europa antiga. O genius loci romano assumiu a forma de uma serpente.

Na Itália, o Marsian deusa Angitia , cujo deriva nome da palavra para "serpente," foi associado com as bruxas, cobras e encantadores de serpentes. Acredita-se que Angitia também tenha sido uma deusa da cura. Sua adoração estava centrada na região dos Apeninos Centrais.

Uma cobra era mantida e alimentada com leite durante os rituais dedicados a Potrimpus , um deus prussiano . Na Península Ibérica, há evidências de que antes da introdução do Cristianismo, e talvez mais fortemente antes das invasões romanas, a adoração da serpente era uma característica marcante das religiões locais. Até hoje existem inúmeros vestígios na crença popular europeia, especialmente na Alemanha, de respeito pela cobra, possivelmente uma sobrevivência do culto aos ancestrais: a "cobra doméstica" cuida das vacas e das crianças, e sua aparência é um presságio de morte ; e a vida de um par de cobras domésticas é freqüentemente considerada como estando ligada à do mestre e da senhora. A tradição afirma que uma das seitas gnósticas conhecidas como ofitas fez com que uma serpente domesticada se enrolasse em torno do pão sacramental e o adorasse como representante do Salvador. Em Lanuvium (32 km de Roma) uma grande cobra era venerada como um deus e eles ofereciam sacrifício humano a ela.

[Grécia Antiga] As serpentes figuravam com destaque nos mitos gregos arcaicos. De acordo com algumas fontes, Ophion ("serpente", também conhecido como Ophioneus), governou o mundo com Eurynome antes de os dois serem derrubados por Cronos e Rhea . Dizia-se que os oráculos dos gregos antigos eram a continuação da tradição iniciada com a adoração da deusa cobra egípcia, Wadjet . Aprendemos com Heródoto sobre uma grande serpente que defendia a cidadela de Atenas.

A Deusa Cobra Minoana brandia uma serpente em cada mão, talvez evocando seu papel como fonte de sabedoria, em vez de seu papel como Senhora dos Animais (Potnia Theron), com um leopardo sob cada braço. Não é por acaso que mais tarde o infante Hércules , um herói liminar no limiar entre os velhos costumes e o novo mundo olímpico, também brandiu as duas serpentes que o "ameaçaram" em seu berço. Embora os gregos clássicos deixassem claro que essas cobras representavam uma ameaça, o gesto de brandir a cobra de Hércules é o mesmo da deusa cretense.

Tífon , o inimigo dos deuses do Olimpo , é descrito como um vasto monstro terrível com cem cabeças e cem serpentes saindo de suas coxas, que foi conquistado e lançado no Tártaro por Zeus , ou confinado sob regiões vulcânicas, onde ele é a causa de erupções. O tifão é, portanto, a configuração ctônica das forças vulcânicas. Entre seus filhos com Echidna estão Cérbero (um cão monstruoso de três cabeças com uma cobra como cauda e uma juba de serpente), a Quimera com cauda de serpente, a besta d'água semelhante a uma serpente Hidra e o dragão serpentino de cem cabeças Ladon . Tanto a Hidra Lernaean quanto Ladon foram mortos por Hércules.

Python , inimiga de Apolo , sempre foi representada em vasos-pinturas e escultores como uma serpente. Apollo matou Python e fez de seu antigo lar, Delphi , seu próprio oráculo. A Pítia tirou seu título do nome Python.

Amphisbaena , uma palavra grega, de amphis, que significa "nos dois sentidos", e bainein, que significa "ir", também chamada de "Mãe das Formigas", é uma serpente mitológica comedora de formigas com uma cabeça em cada extremidade. De acordo com a mitologia grega, a anfisbena mitológica foi gerada do sangue que escorria da cabeça da Medusa, a Górgona , enquanto Perseu sobrevoava o deserto da Líbia com a cabeça dela na mão.

Medusa e as outras Górgonas eram monstros femininos ferozes com presas afiadas e cabelos de cobras vivas e venenosas, cujas origens são anteriores aos mitos escritos da Grécia e que eram as protetoras dos mais antigos segredos rituais. As Górgonas usavam um cinto de duas serpentes entrelaçadas na mesma configuração do caduceu . A Górgona foi colocada no ponto mais alto e central do relevo no Partenon .

Asclépio, filho de Apolo e Coronis , aprendeu os segredos de manter a morte sob controle depois de observar uma serpente trazendo outra (que o próprio Asclépio havia ferido mortalmente) ervas curativas. Para evitar que toda a raça humana se tornasse imortal sob os cuidados de Asclépio, Zeus o matou com um raio. A morte de Asclépio nas mãos de Zeus ilustra a incapacidade do homem de desafiar a ordem natural que separa os homens mortais dos deuses. Em homenagem a Asclépio, as cobras costumavam ser usadas em rituais de cura. Cobras não venenosas de Esculápio foram deixadas rastejando no chão em dormitórios onde os doentes e feridos dormiam. O autor da Bibliotheca afirmou que Atenasdeu a Asclépio um frasco de sangue das Górgonas. O sangue da Górgona tinha propriedades mágicas: se retirado do lado esquerdo da Górgona, era um veneno fatal; do lado direito, o sangue era capaz de trazer os mortos de volta à vida. No entanto, Eurípides escreveu em sua tragédia Íon que a rainha ateniense Creusa havia herdado este frasco de seu ancestral Erichthonios , que também era uma cobra. Nesta versão, o sangue da Medusa tinha o poder de cura enquanto o veneno letal se originava das serpentes da Medusa. Zeus colocou Asclépio no céu como a constelação de Ophiucus , "o Portador da Serpente". O símbolo moderno da medicina é a vara de Asclépio , uma cobra enroscada em um bastão, enquanto o símbolo da farmácia é a tigela de Hygieia, uma cobra enroscada em uma xícara ou tigela. Hygieia era filha de Asclépio.

Laocoön era supostamente um sacerdote de Poseidon (ou de Apolo, segundo alguns relatos) em Tróia; ele era famoso por alertar os troianos em vão contra a aceitação do Cavalo de Tróia dos gregos e por sua subsequente execução divina. Poseidon (alguns dizem que Atena), que apoiava os gregos, subseqüentemente enviou serpentes marinhas para estrangular Laocoön e seus dois filhos, Antiphantes e Thymbraeus. Outra tradição afirma que Apolo enviou as serpentes por uma ofensa não relacionada, e somente o momento infeliz fez com que os troianos as interpretassem erroneamente como punição por bater no Cavalo.

Olímpia , a mãe de Alexandre, o Grande e uma princesa da terra primitiva de Épiro , tinha a reputação de tratadora de cobras, e foi na forma de serpente que Zeus foi pai dela; cobras domesticadas ainda eram encontradas em Pella macedônio no século 2 dC ( Luciano , o falso profeta Alexandre ) e em Ostia um baixo-relevo mostra serpentes enroladas em pares flanqueando um altar vestido, símbolos ou personificações dos Lares dos família, digna de veneração (Veyne 1987 ilus p 211).

Aeetes , o rei da Cólquida e pai da feiticeira Medéia , possuía o Velocino de Ouro . Ele o guardou com uma enorme serpente que nunca dormia. Medéia, que havia se apaixonado por Jasão dos Argonautas , o encantou para dormir para que Jasão pudesse agarrar o Velocino.

[Religião Celta] Imbolc era tradicionalmente uma época de adivinhação do tempo, e a velha tradição de observar se serpentes ou texugos vinham de suas tocas de inverno pode ser um precursor do Dia da Marmota da América do Norte. Entre outras coisas, dizia-se que a deusa celta Brigid estava associada a serpentes. Seu dia de festival, Imbolc é tradicionalmente um tempo para prognósticos do tempo com base na observação para ver se serpentes ou texugos vieram de suas tocas de inverno.

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Snake_worship

Traduzido com Google Tradutor [com pequenas edições]

sábado, 10 de abril de 2021

O culto ao urso

A adoração do urso (também conhecida como culto ao urso ou arctolatria ) é a prática religiosa da adoração de ursos encontrada em muitas religiões étnicas da Eurásia do Norte , como [o povo] Sami , Nivkh , Ainu , Bascos , Germânicos , Eslavos e Finlandeses .  Há também uma série de divindades da Gália Céltica e da Grã - Bretanha associadas ao urso, e aos Dácios , Trácios e os Getianos costumavam adorar ursos e celebrar anualmente o festival de dança do urso. O urso é apresentado em muitos totens nas culturas do norte que os esculpem.

A existência de um antigo culto ao urso entre os neandertais na Eurásia Ocidental no Paleolítico Médio tem sido um tópico de discussão estimulado por descobertas arqueológicas. Os neandertais teriam adorado o urso das cavernas ( Ursus spelaeus ) e ossos de urso antigos foram descobertos em várias cavernas diferentes e alguns arqueólogos acreditam que sejam evidências de um culto ao urso durante o Paleolítico . Não era a mera presença desses ossos que intrigava os arqueólogos, mas sua disposição peculiar. Após a escavação, os arqueólogos no local determinaram que os ossos foram encontrados dispostos de tal forma que não era naturalmente possível. Emil Bächler, um dos principais defensores do argumento da presença de um antigo culto ao urso, encontrou restos mortais de ursos na Suíça e na Caverna Mornova na Eslovênia . Junto com a descoberta de Bächler, crânios de urso foram encontrados por André Leroi-Gourhan dispostos em um círculo perfeito em Saône-et-Loire . A descoberta de designs como os encontrados por André Leroi-Gourhan sugere que esses restos mortais de urso foram colocados em seu arranjo intencionalmente; um ato que foi atribuído aos neandertais e que se presume ter feito parte de algum tipo de cerimônia.

Embora algumas dessas descobertas tenham sido interpretadas como indicativas da presença de um antigo culto ao urso, certas análises e discussões levaram a resultados contraditórios. De acordo com Ina Wunn, com base nas informações que os arqueólogos têm sobre o homem primitivo e os cultos dos ursos, se os neandertais adoravam os ursos, deveria haver evidências disso em seus assentamentos e acampamentos. A maioria dos restos mortais de ursos foi encontrada em cavernas, no entanto, e não nos primeiros assentamentos humanos. Esta informação implicou na inexistência de um antigo culto ao urso e instigou o desenvolvimento de novas teorias. Muitos arqueólogos, incluindo Ina Wunn, passaram a acreditar que, como a maioria das espécies de ursos residem e escondem seus filhotes em cavernas durante os meses de inverno para hibernação, é possível que seus restos mortais tenham sido encontrados nas cavernas porque as cavernas eram seu habitat natural. Os ursos viviam dentro dessas cavernas e morreram por vários motivos, fosse doença ou fome. Wunn argumenta que a localização desses restos, pareça ser um padrão identificado ou não, é devido a causas naturais, como vento, sedimento ou água. Portanto, na opinião de Wunn, a variedade de restos de urso em cavernas não resultou de atividades humanas e não há evidências de um culto de urso durante o Paleolítico Médio. Certos arqueólogos, como Emil Bächler, continuam a usar suas escavações para apoiar a existência de um antigo culto ao urso.

Os ursos eram os animais mais adorados dos antigos eslavos. Durante os tempos pagãos, era associado ao deus Volos , o patrono dos animais domésticos. O folclore eslavo descreve o urso como um totem que personifica um homem: pai, marido ou noivo. Surgiram lendas sobre ursos vira-latas, acreditava-se que humanos podiam ser transformados em ursos por mau comportamento.

Em 1925-1927 NP Dyrenkova fez observações de campo de adoração de urso entre Altai , Tubalar (Tuba-Kiji), Telengit e Shortsi da Taiga Kuznetskaja, bem como entre as tribos Sagai nas regiões de Minussinsk, perto de Kuznetskaja Taiga (1927).

Na cultura pagã finlandesa, o urso era considerado um animal tabu e a palavra para "urso" (oksi ) era um tabu. Eufemismos como mesikämmen "mão de mel" foram usados ​​em seu lugar. A palavra finlandesa moderna karhu (de karhea , áspero, referindo-se ao seu pelo áspero) também é um tal eufemismo. Acredita-se que chamar um urso pelo seu nome verdadeiro convoca o urso. Urso caçando e matando um urso foi seguido por uma festa chamada peijaiset com cerimônia destinada a mostrar que o urso seria um "convidado de honra" em vez de um animal abatido, e que sua morte foi "acidental", para não irritar os o espírito do urso. O crânio do urso foi pendurado em uma árvore, que era venerada como um totem.

Há festivais anuais de ursos que acontecem em várias cidades e comunas da região dos Pirenéus.

Em Prats-de-Mollo , a Fête de l'Ours realizada na Candelária (2 de fevereiro) é um ritual em que homens vestidos de urso brandindo varas aterrorizam as pessoas nas ruas. Anteriormente, o festival era centrado nos "ursos" atacando as mulheres de forma simulada e tentando enegrecer seus seios (com fuligem), o que parecia escandaloso para observadores externos de primeira viagem. Mas, segundo o testemunho de quem se lembra de outrora, o festival que em Prats-de-Mollo envolvia uma encenação elaborada, à semelhança da versão em Arles.

A versão Arles-sur-Tech envolve uma personagem feminina chamada Rosetta (Roseta) que é raptada pelo "urso". Rosetta era tradicionalmente interpretada por um homem ou um menino vestido de menina. O "urso" levaria a Roseta para uma cabana erguida na praça central da cidade (onde a vítima seria alimentada com linguiça, bolo e vinho branco). O evento terminou com o "urso" sendo raspado e "morto".

Um conhecido festival do urso também ocorre em Haute-Vallespir.

De acordo com a lenda, Ungnyeo (literalmente "mulher urso") foi um urso que se transformou em mulher e deu à luz Dangun , o fundador do primeiro reino coreano, Gojoseon . Os ursos eram reverenciados como uma figura maternal e um símbolo de paciência.

O festival do urso é um festival religioso celebrado pelos indígenas Nivkh no extremo leste da Rússia. Um Nivkh Shaman (ch'am) presidia o Festival do Urso, celebrado no inverno entre janeiro e fevereiro, dependendo do clã. Os ursos foram capturados e criados em um curral por vários anos por mulheres locais, tratando o urso como uma criança. O urso é considerado uma manifestação terrena sagrada dos ancestrais Nivkh e dos deuses em forma de urso. Durante o Festival, o urso é vestido com um traje cerimonial especialmente feito e oferece um banquete para levar de volta ao reino dos deuses para mostrar benevolência para com os clãs. Após o banquete, o urso é morto e comido em uma elaborada cerimônia religiosa. O festival foi organizado por parentes para homenagear a morte de um parente. O espírito do urso retorna aos deuses da montanha 'felizes' e recompensa o Nivkh com florestas abundantes. Geralmente, o Festival do Urso era uma cerimônia inter-clã onde um clã de tomadores de esposas restaurava os laços com um clã de doadores de esposas após o elo quebrado da morte do parente. O Festival do Urso foi suprimido no período soviético; desde então, o festival teve um renascimento modesto, embora mais como uma cerimônia cultural do que religiosa.

O povo Ainu , que vive em ilhas selecionadas do arquipélago japonês, chama o urso de " kamuy " em sua língua , o que significa "deus". Enquanto muitos outros animais são considerados deuses na cultura Ainu, o urso é a cabeça dos deuses. Para os Ainu, quando os deuses visitam o mundo do homem, eles vestem pele e garras e assumem a aparência física de um animal. Normalmente, porém, quando o termo “kamuy” é usado, significa essencialmente um urso. O povo Ainu de boa vontade e felizmente comeu o urso, pois acreditava que o disfarce (a carne e o pelo) de qualquer deus era um presente para a casa que o deus escolheu para visitar.

Enquanto na Terra - o mundo do homem - os Ainu acreditavam que os deuses apareciam na forma de animais. Os deuses tinham a capacidade de assumir a forma humana, mas só a assumiram em sua casa, o país dos deuses, que está fora do mundo do homem. Para devolver um deus de volta ao seu país, o povo sacrificaria e comeria o animal enviando o espírito do deus com civilidade. Este ritual é chamado de Omante e geralmente envolve um veado ou urso adulto.

O Omante ocorreu quando as pessoas sacrificaram um urso adulto, mas quando pegaram um filhote de urso, eles realizaram um ritual diferente que é chamado Iomante, na língua Ainu, ou Kumamatsuri em Japonês. Kumamatsuri significa “festival do urso” e Iomante significa “expulsão”. O evento de Kumamatsuri começou com a captura de um filhote de urso. Como se fosse uma criança dada pelos deuses, o filhote foi alimentado com comida humana em uma bandeja de madeira entalhada e foi tratado melhor do que as crianças Ainu, pois o consideravam um deus. Se o filhote era muito jovem e não tinha dentes para mastigar os alimentos corretamente, a mãe que amamentava o deixaria mamar em seu próprio peito. Quando o filhote atinge 2–3 anos de idade, ele é levado ao altar e então sacrificado. Normalmente, o Kumamatsuri ocorre no meio do inverno, quando a carne de urso é melhor com a gordura adicionada. Os aldeões irão atirar com flechas normais e cerimoniais, fazer oferendas, dançar e derramar vinho em cima do cadáver do filhote. As palavras de despedida para o deus urso são então recitadas. Esta festividade dura três dias e três noites para devolver o deus urso à sua casa.

Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Bear_worship

Traduzido com o Google Tradutor.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Os povos antigos adoravam a natureza?

Se você perguntar a um monte de pessoas o que é “paganismo”, é provável que a maioria das pessoas lhe diga algo como “adoração da natureza”. É verdade que alguns neopagãos contemporâneos realmente adoram a natureza, embora de várias formas e maneiras. Mesmo muitos neopagãos que não adoram literalmente a natureza, ainda têm a natureza em alta consideração. Essa concepção de “paganismo” como “adoração da natureza”, entretanto, não é, em sua maior parte, aplicável ao mundo antigo.

O termo "paganismo" é problemático em um contexto histórico por todos os tipos de razões, mas é mais frequentemente aplicado às várias religiões politeístas que eram praticadas na grande região do Mediterrâneo (isto é, Oriente Médio, Norte da África e Europa) em tempos antigos antes do Cristianismo. Quando olhamos para essas religiões, realmente encontramos uma ausência bastante surpreendente de adoradores da natureza.

Para a maioria das pessoas no antigo mundo mediterrâneo, a natureza era uma coisa assustadora e perigosa em que nunca se podia confiar. A maioria das divindades adoradas nos tempos antigos pelos chamados “pagãos” não eram vistas como personificações da natureza ou forças naturais, mas sim como seres sobrenaturais governando certas áreas do esforço humano. Algumas divindades foram associadas a aspectos do mundo natural, mas as próprias divindades quase sempre foram claramente distinguidas dos fenômenos aos quais estavam associadas. Além disso, mesmo aquelas divindades associadas a fenômenos naturais estavam geralmente associadas a fenômenos culturais também.

Uma revisão da ideia de “pagãos” adorando a natureza

Muitos neopagãos modernos certamente abraçaram a ideia de que o paganismo trata da adoração da natureza. O site Tudo sobre Espiritualidade define as crenças pagãs da seguinte forma :

“A história registra que a adoração de muitos deuses, deusas e divindades era vista pelas pessoas como importante na adoração. Pensava-se que tudo tinha um espírito e era politeísta, então as pessoas tinham deuses e deusas da floresta, do mar e de todos os aspectos da natureza. ”

[. . .]

“Hoje, o Paganismo (neopaganismo) celebra a Terra, as criaturas vivas, a natureza e assim por diante. A maioria dos pagãos modernos acredita em mais de um deus, enquanto outros são ateus. ”

É possível encontrar exemplos de neopagãos reais expressando publicamente seu amor pela natureza. Por exemplo, aqui está um vídeo de uma apresentação ao vivo da música “Hymn to Pan” da banda folk neopagã alemã Faun no Castlefest na Holanda em 2014. No meio da música, o cantor interrompe para anunciar que Eu suspeito que muitos neopagãos contemporâneos concordariam com:

“Acreditamos fortemente que é hora de acordar. É hora de reconhecer quem somos e o que somos. É hora de reconhecer que temos orgulho da natureza, que está muito viva e que sempre nos esperava de braços abertos. E tudo o que temos a fazer é apenas se deixar cair, cair nesses braços. Então, deixe-se cair, talvez neste verão, talvez nesta semana, talvez esta noite. Deixe-se cair. ”

Tudo bem se os neopagãos modernos quiserem “cair nos braços” da natureza. Ainda não tenho certeza do que exatamente isso significa , mas, se eles querem fazer, é escolha deles.

Essa visão de mundo centrada em torno da ideia da natureza como um cuidador em cujos braços as pessoas podem escolher cair, no entanto, é muito moderna. Na verdade, toda essa ideia de “cair nos braços” da natureza estaria quase completamente deslocada no mundo antigo.

Um comentário sobre a terminologia

Em primeiro lugar, o próprio termo “pagão” é profundamente problemático quando se trata de história porque, até o surgimento do neopaganismo nos tempos modernos, ninguém jamais se considerou um “pagão” no sentido religioso. Antes da ascensão do cristianismo, havia vários povos no antigo mundo mediterrâneo que adoravam várias divindades de várias maneiras. Esses vários povos “pagãos” não tinham absolutamente nenhum senso de identidade coletiva como “pagãos”; em vez disso, eles simplesmente pensavam em si mesmos como pessoas adorando as mesmas divindades que seus ancestrais adoraram.

Com a ascensão do cristianismo no final da antiguidade, os cristãos no Império Romano ocidental, onde o latim era a língua falada, começaram a agrupar todas as pessoas que não eram cristãs como pagãos , o que basicamente significa “caipiras ignorantes” em latim. Ao agrupar todos esses povos sob um rótulo depreciativo, os cristãos ignoraram o tremendo nível de diversidade que existia entre os chamados povos “pagãos”. ” Na verdade, muitos dos chamados “pagãos” tinham mais em comum com os cristãos do que com outros chamados “pagãos”.

Todo o conceito de “paganismo” é basicamente uma invenção cristã. Foi apenas nos últimos dois séculos que os neopagãos buscaram reivindicar a palavra “pagão”, que foi originalmente usada como um insulto. Como o conceito de “paganismo” é uma invenção cristã, no entanto, é problemático pensar nas religiões antigas como “pagãs”, porque o uso desse termo obscurece a diversidade religiosa muito real que existia no mundo antigo.

Apesar de todas as diferenças muito reais, as religiões do mundo antigo tinham algumas coisas em comum. Mais notavelmente para nossos propósitos, a grande maioria dessas religiões não se concentrava na adoração da natureza.

O que os antigos "pagãos" realmente pensavam sobre suas divindades

As pessoas no mundo antigo adoravam todos os tipos de divindades diferentes, mas a maioria das divindades que elas adoravam não eram geralmente vistas como personificações de fenômenos naturais. Em vez disso, a maioria das divindades adoradas nas antigas culturas pré-cristãs eram vistas como seres sobrenaturais literais que governavam áreas específicas da atividade humana. Pode-se esperar que essas divindades ofereçam ajuda e proteção a certos grupos de pessoas sob certas circunstâncias, mas apenas se forem invocadas de maneira adequada e apresentadas com as devidas oferendas.

Os povos pré-cristãos antigos geralmente não pensavam em suas divindades como amorosas. Em vez disso, eles viam as divindades como perigosas, caprichosas e imprevisíveis. Eles acreditavam que, se as divindades fossem devidamente adoradas e os sacrifícios e invocações adequados fossem feitos, eles poderiam ser úteis. Por outro lado, se as divindades não fossem tratadas com o devido cuidado e atenção, elas poderiam facilmente ser vingativas e destrutivas.

Os povos antigos sabiam que nunca poderiam confiar totalmente em suas divindades. Uma divindade pode gostar de alguém em um momento, mas se voltar contra ela no momento seguinte. Da mesma forma, uma divindade pode gostar de alguém, mas outra divindade pode odiá-los. Por exemplo, durante a maior parte da Odisséia , um antigo poema épico grego composto por volta do final do século sétimo ou início do século VI aC, o herói Odisseu é ajudado pela deusa Atenas, mas impedido pelo deus Poseidon.

Da mesma forma, na tragédia de Eurípides, Hipólitos Stephanophoros , que foi encenada pela primeira vez em Atenas na Cidade Dionísia em 428 aC, o herói Hipólito é favorecido pela deusa Ártemis, mas amaldiçoado pela deusa Afrodite. No final das contas, Artemis não consegue salvar Hipólito da ira de Afrodite e ele sofre uma morte horrível e horrível nas mãos de Afrodite. O ponto central da peça é a ideia de que o favor de uma divindade não pode necessariamente proteger alguém da ira de outra divindade.

A maioria dos povos politeístas do mundo antigo adorava as divindades não porque acreditassem que as divindades eram naturalmente merecedoras de louvor e adoração, mas sim porque estavam genuinamente com medo de que, se não adorassem as divindades, as divindades poderiam desencadear sua terrível vingança sobre eles. É por isso que os sacrifícios - geralmente sacrifícios de animais - eram absolutamente centrais para quase todas as antigas religiões pré-cristãs do Oriente Médio, Norte da África e Europa.

A quase completa ausência de sacrifício de animais do neopaganismo moderno é talvez a diferença mais significativa entre a prática religiosa antiga genuína e a prática religiosa neopagã moderna. Praticamente todos os povos antigos do Oriente Médio, do Norte da África e da Europa praticavam alguma forma de sacrifício de animais. A maioria desses povos considerava o sacrifício de animais absolutamente essencial para apaziguar as divindades.

O sacrifício ritual no antigo mundo mediterrâneo geralmente operava com o princípio de do ut des , que significa “eu dou para que você possa dar” em latim. Primeiro, uma pessoa apelava para uma divindade ou grupo de divindades e pedia algo que desejasse, prometendo dar às divindades um sacrifício em troca. Então, eles realizariam o sacrifício imediatamente ou esperariam até que obtivessem o que queriam da divindade e então realizariam o sacrifício.

Acreditava-se que a eficácia de um sacrifício estava diretamente relacionada com o quão valioso era o animal que estava sendo sacrificado e que um pedido maior de uma divindade exigia um sacrifício maior em troca. Assim, uma pessoa pode sacrificar um pequeno animal como um galo se estiver apenas fazendo um pequeno pedido. Se eles estivessem fazendo um pedido maior, eles poderiam sacrificar um porco, uma cabra ou um cordeiro. Se eles estivessem fazendo um pedido realmente grande, eles poderiam sacrificar um touro ou um boi.

Em algumas culturas antigas, as ofertas queimadas eram a forma mais comum de sacrifício, o que significa que, depois que uma pessoa sacrificava um animal, eles o queimavam inteiro como uma oferenda às divindades sem comê-lo. Em outras culturas antigas, as pessoas ocasionalmente faziam ofertas queimadas por motivos específicos, mas esse não era o tipo normal de sacrifício.

Notavelmente, na Grécia e na Roma antigas, após o abate ritual do animal, a pessoa que realizava o sacrifício geralmente dividia as partes do animal que eram comestíveis das partes que não eram. Eles então cozinhavam e comiam as partes que eram comestíveis e queimavam as partes que não eram comestíveis como oferenda às divindades.

Como discuto neste artigo que publiquei em novembro de 2019 , quase todas as culturas antigas praticavam o sacrifício humano de uma forma ou de outra em algum momento de sua história. O sacrifício humano era extremamente raro na Grécia e Roma antigas, mas parece ter sido praticado ocasionalmente durante os primeiros períodos da história grega e romana.

Notavelmente, o escritor grego Ploutarchos de Chaironeia (viveu entre 46 e 120 DC) registra uma história em The Life of Themistokles 13.2-3 que, supostamente, em 480 aC, o general ateniense Themistokles executou ritualmente três prisioneiros de guerra aquemênidas como um sacrifício humano para o deus Dioniso logo antes da Batalha de Salamina.

O incidente descrito por Ploutarchos é um dos poucos exemplos conhecidos de gregos históricos realizando sacrifícios humanos. No final do século V aC, o sacrifício humano parece ter morrido no mundo grego. Outras culturas antigas, no entanto, como os celtas, parecem ter continuado a praticar o sacrifício humano até muito mais tarde em sua história.

Autores romanos registram povos celtas realizando sacrifícios humanos para apaziguar suas divindades até o século I aC e, embora os romanos possam ter exagerado o quão comum era o sacrifício humano entre os povos celtas, é improvável que eles inventassem a prática completamente.

Um estudo de caso na religião grega

Para testar a ideia popular de que os antigos “pagãos” pensavam em seus deuses como personificações de fenômenos naturais, vamos fazer um pequeno estudo de caso. As divindades mais importantes adoradas na Grécia antiga eram os membros do grupo conhecido como δωδεκάθεον ( dōdekátheon ), ou “Doze Deuses”. Aqui está uma lista de todas as divindades que compunham os Doze Deuses, junto com suas associações mais importantes:

Zeús , o filho de Cronos e Reia, o rei das divindades e “Pai das Divindades e dos Homens”; associado ao céu, relâmpagos, tempestades, lei, justiça e realeza
Hḗra , a esposa e irmã de Zeus; associado a casamento, mulher, parto e família
Dēmḗtēr , a irmã de Zeus; associado à agricultura e fertilidade agrícola
Poseidôn , irmão de Zeus e governante dos mares; associado ao mar, tempestades, terremotos e cavalos
Athēnâ , filha de Zeus; associado à cidade, sabedoria, guerra, estratégia militar e vários artesanatos, especialmente tecelagem e metalurgia
Afrodítē , filha de Zeus e Dione ou filha de Urano; associado ao desejo sexual, sexo, fertilidade, beleza, o mar e - em algumas formas locais - guerra
Apóllōn , filho de Zeus e Leto, irmão gêmeo de Artemis; associado a pragas, doenças, cura, medicina, arco e flecha, música, poesia, dança, oráculos e profecia
Ártemis , filha de Zeus e Leto, irmã gêmea de Apolo e deusa padroeira dos caçadores; associado à caça, animais selvagens e virgindade
Hermês , filho de Zeus e da ninfa Maia, a mensageira dos deuses, e psicopompa dos defuntos; associado a estradas e fronteiras, o patrono e protetor de mensageiros, médicos, mercadores, ladrões, viajantes e pastores
Diónysos , filho de Zeus e da mortal Semele; associado a vinho, uvas, fertilidade sexual e agrícola, êxtase religioso, teatro e atuação
Hḗphaistos , filho de Zeus e Hera; o deus patrono dos metalúrgicos, carpinteiros, escultores e outros artesãos
Árēs , filho de Zeus e Hera; associado a guerra, violência, sede de sangue violenta, carnificina e devastação.

Como você pode ver claramente, a maioria dessas divindades realmente não se encaixa bem com a ideia de que a maioria das divindades “pagãs” eram personificações naturais. Na verdade, algumas dessas divindades (por exemplo, Hera, Atenas, Hefesto, Hermes e Ares) quase não têm qualquer associação com a natureza. Todas essas divindades, no entanto, estão intimamente ligadas a áreas específicas do esforço humano. Isso é muito típico de como as divindades eram geralmente consideradas nas antigas culturas pré-cristãs do mundo mediterrâneo.

As pessoas nas antigas culturas pré-cristãs geralmente não pensavam nas divindades como personificações de fenômenos naturais; em vez disso, eles geralmente pensavam nas divindades como seres sobrenaturais aos quais se poderia recorrer em busca de ajuda em certas situações. Como veremos a seguir, a ideia de que as divindades eram personificações de fenômenos naturais existia nos tempos antigos, mas era uma ideia que circulava principalmente nos círculos filosóficos e não era nada popular entre as massas.

Divindades da Grécia antiga genuínas intimamente associadas a aspectos da natureza

Algumas das principais divindades gregas certamente estavam associadas a aspectos da natureza de várias maneiras. Zeus foi associado a relâmpagos e tempestades. Poseidon foi associado ao mar, às tempestades e aos terremotos. Artemis era associado a animais selvagens. Todas essas divindades, no entanto, também foram associadas a fenômenos culturais e também a fenômenos naturais.

Se você quiser divindades gregas que estavam associadas apenas à natureza, você terá que olhar para algumas das divindades menos proeminentes. Por exemplo, o deus Pã, que não era membro dos Doze Deuses, estava intimamente associado à natureza, especialmente a lugares selvagens como florestas, pastagens e montanhas. Ele era visto como o patrono e protetor dos pastores e seus rebanhos.

Acreditava-se que Pã tinha chifres e pernas de cabra, mas a cabeça e a parte superior do corpo de um homem. Ele era originalmente uma divindade local associada à região de Arkádia no Peloponeso central, mas acabou sendo adorado em toda a Grécia. A maioria das divindades gregas era adorada em templos, mas Pã era incomum porque era adorado com mais frequência em cavernas e outros lugares selvagens.

Os antigos gregos também acreditavam na existência de uma grande variedade de espíritos da natureza. Por exemplo, eles acreditavam em sátiros, que eram espíritos da natureza masculinos que costumavam assombrar clareiras na floresta, pastagens e montanhas. Em obras de arte grega do período arcaico (durou c. 800 - c. 510 aC) e do período clássico (durou c. 510 - c. 323 aC), os sátiros são representados como homens nus comicamente hediondos com orelhas e rabos de cavalo e ereções enormes e permanentes. A partir do período helenístico (durou cerca de 323 a 31 aC), os sátiros são geralmente retratados com pernas e chifres de cabra.

Os antigos gregos também acreditavam em espíritos femininos da natureza, conhecidos como ninfas, que se pareciam com belas mulheres e costumavam habitar árvores, montanhas e corpos d'água específicos. Na maioria das primeiras representações, as ninfas são mostradas totalmente vestidas, mas, nas representações do século IV aC em diante, muitas vezes são retratadas nuas.

Apesar de tudo isso, é absolutamente crítico enfatizar que, mesmo quando uma divindade era associada a fenômenos naturais, os gregos antigos distinguiam claramente a própria divindade do fenômeno natural ao qual a divindade estava associada. Geralmente, os gregos acreditavam que os fenômenos naturais eram causados ​​por divindades; era muito incomum as pessoas acreditarem que a divindade na verdade era o próprio fenômeno natural.

Assim, quando os gregos antigos viam um relâmpago, eles geralmente não pensavam que o relâmpago em si era Zeus, mas sim que o relâmpago havia sido enviado por Zeus. Esse mesmo raciocínio também se aplica às ninfas; os gregos acreditavam que as ninfas podiam habitar certas árvores, mas as viam como seres sobrenaturais que habitam as árvores - não como personificações das próprias árvores.

Natureza na mitologia grega: uma coisa perigosa, indigna de confiança e assustadora

Além disso, os antigos gregos não achavam que essas divindades e espíritos associados à natureza sempre foram amigáveis. Na verdade, era exatamente o oposto; Pã, sátiros e ninfas eram todos seres terríveis e sobrenaturais que precisavam ser cuidadosamente apaziguados e evitados, se necessário.

Pã pode ter sido o protetor dos pastores, mas também era perigoso. A própria visão dele teria sido totalmente aterrorizante. O historiador grego Heródoto de Halikarnassos (viveu c. 484 - c. 425 aC) registra uma lenda em suas Histórias 6.105 que, supostamente, na Batalha de Maratona em 480 aC, Pã apareceu no campo de batalha e dispersou as forças persas, enviando-as correndo em puro terror. É do nome de Pan que tiramos nossa palavra inglesa panic .

No romance grego do século II dC Daphnis e Chloë de Longos de Lesbos, sobre o qual falarei mais adiante neste artigo, a personagem Chloë avisa sua amante Daphnis no livro dois, capítulo trinta e nove, seção dois :

“Θεὸς ὁ Πὰν ἐρωτικός ἐστι καὶ ἄπιστος.”

Isso significa:

“Pan é um deus amoroso e indigno de confiança.”

Mais tarde no romance, há uma descrição vívida e aterrorizante de Pan liberando sua ira sobre um grupo de piratas que, honestamente, soa como algo saído de um filme de terror. Longos conta que, enquanto os piratas comemoravam, o mar ao redor deles pegou fogo e eles ouviram remos se aproximando como se estivessem sob ataque. Eles ouviram sons de batalha e viram cadáveres aparecerem no convés de seu navio, mas nenhum navio inimigo apareceu.

Quando o dia seguinte chegou, as cabras que eles roubaram foram magicamente coroadas com hera e as ovelhas que eles roubaram começaram a uivar como lobos. Uma coroa de pinho apareceu na cabeça da garota Chloë, que eles haviam sequestrado. Quando tentaram levantar as âncoras, descobriram que estavam presos ao fundo do mar e, quando tentaram remar, seus remos quebraram na água.

Golfinhos surgiram da água para atacar o navio, fazendo com que as pranchas das laterais do navio se soltassem. O som da siringe ecoou na água. Enquanto os piratas tremiam de medo, o próprio Pan apareceu para o capitão, ameaçando-os de aniquilação se eles não devolvessem Chloë e o gado que haviam tomado. Não importa o que mais você pense, você tem que admitir que, se isso realmente acontecesse, seria muito assustador.

Sátiros também podem ser bastante assustadores. Dizia-se que eles tinham apetites sexuais incontroláveis ​​e tinham a reputação de sequestrar e estuprar mulheres humanas. As ninfas também eram criaturas genuinamente assustadoras. Acreditava-se que as ninfas seduziriam ou mesmo sequestrariam homens jovens e os prendiam em seus covis. O mais famoso é o poeta bucólico grego Teócritos (viveu por volta de 300 - depois de 260 aC), que conta a história em seus Idílios 13 de como as ninfas cobiçaram Hylas, um jovem companheiro de Hércules, por isso o sequestraram.

Theokritos diz que as ninfas de repente agarraram Hylas pelo braço quando ele não esperava e o puxaram para a água, arrastando-o para as profundezas escuras onde ninguém podia ouvir seus gritos. Hércules veio em busca de seu companheiro. Hylas o ouviu chamar seu nome. Ele tentou responder, mas Hércules não conseguiu ouvi-lo porque sua voz estava abafada sob a água. Eventualmente, Hércules desistiu e foi embora, deixando Hylas preso com as ninfas para sempre, totalmente isolado de todos que ele já conheceu. Se essa não é uma história assustadora, não sei o que é.

Francamente, os gregos antigos tinham mais medo da natureza do que temor dela. O mundo natural, conforme retratado na mitologia grega, é um mundo absolutamente repleto de horrores e perigos. É um mundo no qual ninguém nunca está seguro, no qual até mesmo um jovem forte como Hylas poderia ser agarrado por seres sobrenaturais caprichosos com motivos desconhecidos a qualquer momento, sem nenhuma razão compreensível.

Divindades gregas que comumente eram consideradas personificações

Para ser bem claro, os gregos antigos consideravam algumas divindades como personificações. Essas divindades, no entanto, são geralmente personificações de conceitos abstratos, como Nike ("Vitória"), Kratos ("Autoridade"), Bia ("Violência"), Dike ("Justiça"), Eris ("Conflito"), Nêmesis (“Retribuição”) e assim por diante. Apenas um pequeno punhado de divindades foi amplamente considerado para personificar conceitos que hoje geralmente consideramos como aspectos da "natureza". Indiscutivelmente, essas divindades podem incluir Eros ("Desejo"), Thanatos ("Morte"), Hypnos ("Sono"), Gaia ("Terra") e Ouranos ("Céu").

Aqui, porém, enfrentamos um problema: todas as divindades comumente consideradas personificações eram figuras relativamente menores no panteão grego. Na verdade, para a grande maioria deles, temos muito pouca ou nenhuma evidência de que eles eram adorados como divindades.

A maioria dessas divindades aparecem ocasionalmente em vários contextos mitológicos e alegóricos, mas nunca são invocadas como divindades em contextos religiosos e quase ninguém parece tê-las realmente adorado. Por exemplo, como discuto neste artigo de março de 2020 , não temos literalmente nenhuma evidência de que alguém na Grécia antiga já tenha adorado Kratos ou Bia sob quaisquer circunstâncias. Caramba, até onde temos evidências, ninguém jamais fez estátuas deles!

Mesmo o punhado de personificações divinas que sabemos que foram realmente adoradas parece ter sido principalmente adorado em associação com os cultos de outras divindades que geralmente não eram vistas como personificações; eles não tinham cultos próprios independentes.

Por exemplo, a Nike é talvez a mais proeminente de todas as divindades que eram vistas como personificações. Ela é amplamente retratada na arte e era amplamente adorada em associação com outras divindades, como Zeus e Atenas. No entanto, sabe-se que apenas um punhado de pequenos santuários dedicados a ela existiram.

Gaia: um caso especial

A divindade mais frequentemente citada pelos proponentes da ideia de que os gregos e romanos adoravam a natureza é Gaia, a personificação divina da terra, que aparece com destaque na Teogonia , um longo poema narrativo sobre as origens do cosmos composto por um poeta chamado Hesiodos por volta do século VIII aC. Ela também aparece em algumas outras obras da literatura.

Apesar de sua proeminência em algumas fontes literárias, no entanto, Gaia tinha muito pouco culto independente para falar. O escritor de viagens Pausanias (viveu por volta de 110 - 180 DC) menciona alguns altares e santuários de Gaia espalhados pela Grécia em seu livro The Guide to Greece , mas está claro que os gregos não construíram templos colossais para Gaia, realizar grandes festivais em sua homenagem ou compor longos poemas elogiando-a como faziam para outras divindades que geralmente eram vistas como mais importantes. Além disso, mesmo quando o povo grego adorava Gaia, geralmente era em associação com outras divindades, especialmente Deméter.

Além de ser uma figura relativamente menor no panteão grego antigo, Gaia também não representava para os gregos antigos as mesmas coisas que ela representa para muitos neopagãos modernos. Muitos neopagãos modernos vêem Gaia como a “Mãe Natureza” e acreditam que ela representa todas as coisas vivas que existem no planeta Terra, incluindo todas as plantas, animais, fungos e organismos unicelulares.

Para os gregos antigos, entretanto, Gaia não representava nenhuma dessas coisas; em vez disso, ela representou a própria sujeira literal. Na verdade, o próprio nome de Gaia nada mais é do que a forma poética da palavra grega γῆ ( gê ), que significa "sujeira" ou "solo". Os antigos gregos não pensavam em coisas vivas como sendo “parte” de Gaia e eles apenas associavam as plantas a Gaia na medida em que as plantas crescem da terra.

Os gregos antigos viam as divindades como personificações de fenômenos naturais

Para ser claro, embora a maioria dos gregos antigos certamente pensasse nas principais divindades de seu panteão como seres sobrenaturais pessoais, a ideia de que essas divindades poderiam ser simplesmente personificações de fenômenos naturais não estava totalmente ausente do pensamento grego antigo.

A partir do final do século V aC, alguns pensadores e intelectuais radicais começaram a considerar a possibilidade de que as divindades fossem personificações das coisas às quais estavam associadas. Por exemplo, o Sofista Prodikos de Keos (viveu c. 465 - c. 395 aC) escreve no fragmento DK B5:

“Πάντα τὰ ὠφελοῦντα τὸν βίον ἡμῶν οἱ παλαιοὶ θεοὺς ἐνόμισαν διὰ τὴν ἀπ' αὐτῶν ὠφέλειαν ... καὶ διὰ τοῦτο τὸν μὲν ἄρτον Δήμητραν νομισθῆναι, τὸν δὲ οἶνον Διόνυσον ...”

Isso significa (em minha própria tradução):

“Os povos antigos consideravam todas as coisas que beneficiam nossa vida como divindades por conta de seu benefício ... e, por causa disso, consideravam o pão como Deméter e o vinho como Dioniso.”

Pensadores como Prodikos, no entanto, estavam muito fora do reino do pensamento religioso grego dominante. Na verdade, por conta de seus argumentos, Prodikos foi amplamente acusado de ser um ἄθεος ( átheos ), o que, como discuto em meu artigo de setembro de 2019 sobre as evidências do ateísmo na Grécia antiga , significa literalmente "uma pessoa sem Deus".

O dramaturgo cômico ateniense Aristófanes (viveu entre 446 e 386 aC) zombou implacavelmente da ideia de divindades como personificações de fenômenos naturais em sua comédia "As Nuvens" , originalmente encenada na Cidade Dionísia em Atenas em 423 aC. Nesta peça, Aristófanes retrata o filósofo Sócrates ensinando que Zeus foi substituído por "o Redemoinho". Isso é claramente uma paródia dos tipos de ideias que pessoas como Prodikos estavam circulando na época.

É bem possível que algum filósofo do final do século V aC tenha argumentado que “Zeus” estava realmente incorporado em fenômenos naturais, como o redemoinho. O fato de Aristófanes retratar essa noção como absolutamente absurda, porém, ilustra como essa ideia parecia estranha e incomum para a maioria dos atenienses no final do século V aC.

Em outras palavras, havia alguns indivíduos na Grécia antiga que pensavam que todas ou a maioria das divindades eram personificações de fenômenos naturais. Esses indivíduos, entretanto, eram geralmente muito raros e suas opiniões não eram nada populares com as massas, que continuaram a ver a maioria das divindades no sentido tradicional, como seres sobrenaturais inteligentes que governavam áreas específicas da atividade humana.

Uma olhada em outra cultura antiga e pré-cristã

Agora, tenho certeza de que algumas pessoas já estão insistindo que minha análise aqui não é válida porque até agora eu só falei sobre os antigos gregos e não sobre quaisquer outras culturas antigas pré-cristãs. As pessoas certamente insistirão que os gregos eram super-humanistas e que devem ter sido uma exceção à tendência geral e que a maioria dos outros povos “pagãos” antigos certamente devem ter sido principalmente adoradores da natureza.

Bem, vamos dar uma olhada em algumas das divindades mais proeminentes que eram adoradas em outra cultura antiga. Na verdade, para garantir que sejamos o mais antigos e primitivos possíveis, vamos examinar as principais divindades adoradas na antiga Suméria, a mais antiga civilização letrada conhecida. Os antigos sumérios acreditavam que havia sete divindades que reinavam supremas sobre todas as outras divindades. Essas sete divindades eram conhecidas como as "sete divindades que decretam". Aqui está a lista:

An , a divina personificação do céu, a mais antiga e exaltada de todas as divindades, deus patrono da cidade de Uruk; associado a realeza e poder político
Enlil , filho de An, governante de todas as divindades e deus patrono da cidade de Nippur; associado ao vento, ar, tempestades, agricultura e realeza
Inanna , a “Rainha do Céu” e deusa padroeira da cidade de Uruk; associado a uma ampla gama de domínios, incluindo amor, desejo sexual, sexualidade, fertilidade sexual e agrícola, guerra, poder militar, lei, justiça, caos, realeza e poder político
Enki , irmão de Enlil e deus patrono da cidade de Eridu; associado com água, astúcia, fertilidade, vários artesanatos e realeza
Utu , o deus do sol, irmão gêmeo de Inanna e protetor dos reis de Uruk; associado com moralidade, verdade, justiça, sabedoria, conhecimento e realeza
Nanna , o filho de Enlil, deus da lua e deus patrono da cidade de Ur; associado com a sabedoria, o ocultismo e a realeza
Ninḫursaĝ , deusa-mãe associada a montanhas, fertilidade agrícola e realeza.

Aqui, reconhecidamente, vemos muito mais associações com a natureza do que entre as divindades gregas. Por exemplo, An pelo menos conta como uma personificação genuína de um aspecto da natureza (isto é, o céu), embora ele certamente fosse visto como uma divindade no sentido antropomórfico tradicional também. Enquanto isso, quase cada uma dessas divindades estava associada a alguma forma de fertilidade.

Por outro lado, ainda vemos muitas associações que não funcionam bem com a concepção do paganismo como "adoração da natureza". Notavelmente, literalmente cada uma dessas divindades estava associada de alguma forma à política. Da mesma forma, quase cada uma dessas divindades era o patrono de uma determinada cidade. A antiga religião suméria tratava, pelo menos, tanto da lei e da política quanto da natureza.

Como a natureza é retratada na mitologia suméria

Além disso, também descobrimos que, em toda a mitologia suméria, a natureza não é realmente retratada como algo a ser admirado e adorado. Em vez disso, é retratado como algo perigoso e terrível que os heróis e divindades devem dominar e forçar à submissão. No poema Inanna e Ebih , que foi escrito em sumério por volta do século vinte e três aC pela poetisa acadiana Enheduanna, a deusa Inanna é retratada como destruindo vingativamente uma montanha que se recusava a reconhecer sua supremacia.

No poema Gilgamesh, Enkidu e o Netherworld , Inanna é retratada levantando uma árvore huluppu com a intenção de cortá-la e esculpi-la em um trono assim que for grande o suficiente. Em vez disso, porém, as forças naturais assumem o controle; a serpente “que não conhece encanto” passa a residir na base da árvore, a demônio Lilitu passa a residir no tronco da árvore e o terrível pássaro Anzû faz seu ninho nos galhos da árvore.

Inanna chama seu irmão Gilgamesh para matar as horríveis criaturas que passaram a residir em sua árvore e derrubá-la. Gilgamesh mata a serpente “que não conhece nenhum encanto”, fazendo com que Lilitu e o pássaro Anzû fujam aterrorizados. Então Gilgamesh e seus companheiros derrubam a árvore e usam a madeira para fazer um trono e uma cama para Inanna. Assim, as forças da natureza são afastadas e a árvore é cortada para que sua madeira possa ser usada para um propósito útil.

No poema sumério Gilgamesh e Huwawa , Gilgamesh e seus companheiros vão à floresta de cedros para derrubar árvores. A floresta, no entanto, é guardada por um terrível ogro chamado Huwawa, contra quem os heróis são forçados a lutar. No final, Gilgamesh triunfa sobre o terrível gigante e é bem-sucedido em sua missão de derrubar árvores na Floresta de Cedro.

Em todos esses mitos, há uma mensagem muito clara sobre a natureza: que é uma coisa selvagem e perigosa que precisa ser domada. Tenho certeza de que alguns sumérios encontraram algumas coisas que valem a pena apreciar sobre a natureza, mas, no geral, eles estavam tão distantes de adoradores da natureza quanto é possível para qualquer um ser e, a esse respeito, eles são típicos da maioria povos antigos. As pessoas no mundo antigo honestamente não tinham muito conceito de admirar a natureza apenas por ela.

Por que pensamos que os antigos “pagãos” adoravam a natureza?

Agora, neste ponto você pode estar se perguntando por que na Terra todo mundo parece pensar que as pessoas nas antigas culturas pré-cristãs adoravam a natureza. A resposta é que a razão pela qual todos pensamos isso é porque nossa concepção moderna de “paganismo” foi profunda e irrevogavelmente moldada por uma visão romântica de “paganismo” que se desenvolveu desde a antiguidade.

Essa concepção romântica do paganismo é, até certo ponto, uma criação literária dos próprios autores pagãos. O antigo romance Daphnis and Chloë foi escrito em grego por um autor grego chamado Longos de Lesbos por volta do final do século II dC, numa época em que a Grécia era governada pelo Império Romano. Na época em que o romance foi escrito, a maioria das pessoas no antigo mundo mediterrâneo ainda praticava alguma forma de religião tradicional.

Apesar disso, Daphnis e Chloë evocam uma visão muito romantizada e nostálgica de como era a religião antiga. O romance começa com um prólogo no qual o autor descreve como, quando estava caçando na ilha de Lesbos, ele acidentalmente tropeçou em um antigo santuário para as ninfas que estava em ruínas. O santuário foi decorado, diz ele, com uma pintura desbotada de uma idade imensa que retrata a história que ele está prestes a contar.

O autor continua contando uma linda história sobre Daphnis, um menino, e Chloë, uma menina, crescendo na antiguidade remota no paraíso idílico que ele imagina que a ilha de Lesbos um dia foi. Um tema recorrente ao longo do romance é a importância de adorar os espíritos da natureza, ou seja, as ninfas e Pã. Daphnis e Chloë homenageiam as ninfas e Pan e, em troca, oferecem-lhes proteção.

O mundo idílico que Longos evoca no romance não é nem o seu próprio mundo do segundo século DC nem o mundo real da Grécia clássica do século V aC, mas sim um mundo de fantasia que ele imagina que poderia ter existido há muito tempo, tempos antigos quando as pessoas honravam as divindades da maneira certa e as divindades faziam sua parte para proteger aqueles que as honravam. É uma visão muito sentimental.

O movimento romântico

Em seu romance, Longos de Lesbos retrata claramente Daphnis e Chloë como divindades veneradoras associadas à natureza, não a própria natureza. Gerações muito posteriores, no entanto, falharam em compreender essa distinção crucial. Na Europa Ocidental, durante o final do século XVIII e início do século XIX, houve um grande movimento literário e artístico conhecido como "Romantismo".

Os autores e artistas românticos da Europa Ocidental do final do século XVIII e início do século XIX estavam particularmente interessados ​​na relação entre os seres humanos e a natureza. Na época, a literatura clássica grega e romana era amplamente estudada nos círculos intelectuais da elite. Naturalmente, os românticos se basearam fortemente na mitologia clássica em suas obras. Eles tendiam especialmente a se concentrar em aspectos da mitologia clássica associados à natureza, como faunos, ninfas, sátiros, o deus Pã e ​​assim por diante.

Os autores românticos da era moderna eram, em sua maioria, pelo menos nominalmente cristãos, embora alguns deles fossem irreligiosos. (Mais notavelmente, o poeta romântico inglês Percy Bysshe Shelley era um ateu declarado; ele até publicou um panfleto anônimo em 1811 intitulado "A necessidade do ateísmo", no qual argumentava que Deus não existia.)

Em qualquer caso, nenhum dos românticos realmente acreditava em qualquer uma das antigas divindades gregas ou romanas. Assim, quando os românticos escreveram sobre as divindades gregas e romanas, eles as viram apenas como símbolos, em vez de seres sobrenaturais caprichosos que exigiam sacrifícios. Naturalmente, então, eles passaram a ver as divindades clássicas como personificações dos fenômenos naturais e a religião clássica como uma forma de adoração à natureza.

Provavelmente, a expressão máxima da concepção romântica do paganismo pode ser encontrada no poema “O mundo está muito conosco”, escrito por volta de 1802 pelo poeta inglês William Wordsworth (viveu de 1770 a 1850). O poema foi publicado pela primeira vez na coleção Poemas de Wordsworth , em dois volumes em 1807. É uma meditação sobre a relação dos humanos com a natureza. No poema, Wordsworth imagina as pessoas modernas que viviam no início da Inglaterra industrial como estando fora de contato com a natureza. Ele compara as pessoas de sua época com os antigos “pagãos”, que ele imagina como estando mais em contato com a natureza. Wordsworth escreve:

“O mundo é demais para nós; tarde e logo,
Conseguindo e gastando, desperdiçamos nossos poderes; -
Pouco vemos na Natureza que seja nosso;
Nós entregamos nossos corações, uma bênção sórdida!
Este mar que mostra o seio à lua;
Os ventos que uivam a qualquer hora,
E agora se juntam como flores adormecidas;
Por isso, por tudo, estamos desafinados;
Não nos move. Bom Deus! Eu prefiro ser
um pagão amamentado por um credo ultrapassado;
Eu também poderia, de pé neste salto agradável,
ter vislumbres que me tornariam menos desamparado;
Aviste Proteu subindo do mar;
Ou ouvir o velho Tritão soprar sua trompa.

Essa associação da religião clássica com a natureza também ocorreu na arte. Pinturas de ninfas, faunos e Pã tornaram-se extremamente populares no século XIX, bem como florestas e cenas pastorais ambientadas na Antiguidade clássica.

A região grega de Arkádia, localizada no Peloponeso central, era amplamente retratada como um belo paraíso rural no qual as pessoas viviam em perpétua paz e harmonia com os deuses e a natureza. Muitos artistas produziram pinturas de oferendas feitas aos deuses pagãos em Arkádia.

Essas ofertas são sempre retratadas como incruentas e realizadas em belas clareiras na floresta, embora saibamos que a maioria dos sacrifícios na Grécia antiga eram, na verdade, sacrifícios de animais extremamente sangrentos que eram realizados em altares fora de grandes templos em grandes centros urbanos. Os fatos históricos nunca atrapalharam o romantismo.

Conclusão

Essa visão fortemente romantizada do século XIX de como era o antigo “paganismo” eventualmente deu origem ao moderno movimento neopagão. Assim, a ideia que a maioria das pessoas hoje tem em mente ao ouvir a palavra “pagão” foi irrevogavelmente moldada pelo movimento romântico e pelo neopaganismo contemporâneo. Essa ideia, no entanto, geralmente não é um reflexo preciso de como eram as antigas religiões pré-cristãs.

A maioria das divindades adoradas por antigos povos pré-cristãos não eram vistas como personificações de fenômenos naturais, mas sim como seres sobrenaturais governando áreas específicas do esforço humano. Além disso, os antigos povos pré-cristãos viam as divindades como perigosas, caprichosas e indignas de confiança.

Divindades que eram particularmente associadas à natureza eram freqüentemente vistas como especialmente assustadoras e imprevisíveis. Entidades como Pã, sátiros e ninfas eram vistas como assustadoras e potencialmente perigosas. Nunca puderam confiar neles e as pessoas procuraram não fazer amizade com eles, mas sim apaziguá-los e evitá-los sempre que possível.

A ideia de que os antigos povos pré-cristãos adoravam a natureza é, em grande parte, uma invenção do movimento romântico da Europa ocidental do final do século XVIII e início do século XIX e, em sua maior parte, não é um reflexo muito preciso da realidade histórica.

Fonte: https://talesoftimesforgotten.com/2020/03/19/sorry-ancient-pagans-didnt-really-worship-nature/

Traduzido com Google Tradutor. Publicado aqui a título de reflexão e autocrítica.