O quesito religião, no Censo 2010, vem provocando confusões e manifestações pelo país. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) garante que não induz e nem restringe as respostas sobre credos. O coordenador técnico nacional do levantamento, Marco Antonio Alexandre, explica que todas as declarações serão registradas conforme anunciadas pelos entrevistados. Ele falou ontem com Zero Hora:
Zero Hora – As religiões listadas no computador de mão do recenseador foram escolhidas como?
Marco Antonio Alexandre – Essa lista nada mais é do que uma reprodução de tudo o que as pessoas declararam no Censo de 2000. Colocamos esses dados no que chamamos de banco descritor do PDA (computador de mão), facilitando a vida do recenseador. Quando ele vai a campo, pergunta a religião do recenseado. Ao digitar a resposta, o sistema busca a descrição semelhante no banco descritor e a apresenta ao recenseador. Ele pode clicar no nome correspondente à resposta ou continuar digitando até o final. O banco de dados de religiões tem 2.079 declarações diferentes.
Zero Hora – A Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil (IECLB) diz que não aparece neste banco de dados. O que ocorreu?
Alexandre – No banco de dados há somente a expressão Confissão Luterana do Brasil. Em 2000, o que nós recebemos de resposta foi Confissão Luterana do Brasil. Se alguém tivesse dito o nome completo, apareceria no banco de dados. Como a questão é autodeclaratória, as pessoas, às vezes, falam uma denominação que não corresponde ao termo correto da religião. É como elas conhecem e se referem a sua religião. Esse é nome que vai para o arquivo, que depois é classificado. Existem dezenas de denominação de umbanda, por exemplo. Tem umbanda do Brasil, de Iemanjá e assim por diante. O sistema irá agrupar essas denominações numa lógica e os identificará por meio de um código.
ZH – Algumas religiões estão fazendo campanha para que as pessoas falem corretamente o que são. Se as religiões serão agrupadas, como será possível identificá-las individualmente depois?
Alexandre – Para a divulgação, não há necessidade de desagregar todos os grupos. Não é usual para nós chegar a esse nível de detalhe. Quando precisar um estudo específico, o IBGE poderá fornecer um microdado daquele assunto. Se uma igreja quiser e se constituir um código específico, poderá saber a estimativa de fiéis.
Fonte: Zero Hora [link indisponível]
Nota da casa: A Lua d'Inverno perguntou-me sobre como os [Neo]Pagãos estariam sendo registrados no Censo 2010. Considerando que o [Neo]Paganismo apareceu recentemente no Brasil (por volta da década de 80, século XX), ainda não há população mesurável para o Censo, sem falar que há muita desinformação sobre o [Neo]Paganismo e crises de identidade entre os praticantes das diversas vertentes do [Neo]Paganismo. Portanto, o resultado do Censo 2010 tenderá a uma nomenclatura generalizante.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Religiões se mobilizam para o Censo 2010
Polêmica criada pela não inclusão dos luteranos na pesquisa se espalhou entre outras crenças.
A preocupação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) em ser identificada corretamente no Censo 2010 não é isolada. Outras religiões também estão preocupadas com o levantamento nacional e mobilizam seus fiéis a fim de evitar distorções e marcar território no imenso campo da fé no país.
A polêmica publicada ontem em Zero Hora envolvendo a IECLB, que não estaria listada nos computadores de mão dos recenseadores, causou desconfiança ao sistema usado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O coordenador técnico do Censo 2010, Marco Antonio Alexandre, esclarece que não há uma lista fixa e que a base de dados das religiões declaradas em 2000 foi instalada nos computadores apenas para facilitar o trabalho dos pesquisadores:
– A questão é autodeclaratória. Não há opções definidas. As pessoas é que vão dizer a religião que seguem.
A importância de responder corretamente o questionário tirou o sono de outros religiosos no país. A Federação Espírita Brasileira se antecipou e procurou o IBGE antes mesmo dos recenseadores saírem às ruas. A partir disso, lançou uma campanha nacional pela internet e também junto às organizações estaduais para que seus seguidores se declarassem não somente como espíritas, mas complementassem sua opção com outras expressões como kardecistas, Kardecismo, Centro Espírita, Doutrina Espírita, Federação Espírita Brasileira e Espiritismo.
– Ao se declarar espírita somente poderíamos ser confundidos com outras religiões, como os espiritualistas – explicou a presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, Maria Elisabeth Barbieri.
Crenças afros e ateus querem aparecer na pesquisa
As crenças afros também se uniram em razão do Censo. Representadas oficialmente no último levantamento feito em 2000 por apenas 0,03% da população, as autoridades religiosas e ligadas à defesa da raça negra montaram a campanha “Quem é de Axé diz que é”.
– Sempre fomos discriminados e historicamente as pessoas escondiam sua religião por medo de represálias. Acabavam se dizendo católicas, mas não eram. Estimamos que 10% da população segue crenças afro e queremos mostrar isso para o país – disse Baba Diba de Iyemonja, dirigente da Congregação em Defesa das Religiões Afro Brasileiras (Cedrab) e coordenador da mobilização no Rio Grande do Sul.
Até quem não acredita em Deus ou em um Ser superior também se preocupou com o Censo. Comunidades e fóruns na internet promovem uma campanha para que os pessoas sem religião se declarem como ateus. “É importantíssimo responder Ateu ao recenseador. Finalmente temos a chance de ser contados, vamos aproveitar”, escreveu um dos usuários do site Clube Cético.
Fonte: Zero Hora [link indisponível]
A preocupação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) em ser identificada corretamente no Censo 2010 não é isolada. Outras religiões também estão preocupadas com o levantamento nacional e mobilizam seus fiéis a fim de evitar distorções e marcar território no imenso campo da fé no país.
A polêmica publicada ontem em Zero Hora envolvendo a IECLB, que não estaria listada nos computadores de mão dos recenseadores, causou desconfiança ao sistema usado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O coordenador técnico do Censo 2010, Marco Antonio Alexandre, esclarece que não há uma lista fixa e que a base de dados das religiões declaradas em 2000 foi instalada nos computadores apenas para facilitar o trabalho dos pesquisadores:
– A questão é autodeclaratória. Não há opções definidas. As pessoas é que vão dizer a religião que seguem.
A importância de responder corretamente o questionário tirou o sono de outros religiosos no país. A Federação Espírita Brasileira se antecipou e procurou o IBGE antes mesmo dos recenseadores saírem às ruas. A partir disso, lançou uma campanha nacional pela internet e também junto às organizações estaduais para que seus seguidores se declarassem não somente como espíritas, mas complementassem sua opção com outras expressões como kardecistas, Kardecismo, Centro Espírita, Doutrina Espírita, Federação Espírita Brasileira e Espiritismo.
– Ao se declarar espírita somente poderíamos ser confundidos com outras religiões, como os espiritualistas – explicou a presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, Maria Elisabeth Barbieri.
Crenças afros e ateus querem aparecer na pesquisa
As crenças afros também se uniram em razão do Censo. Representadas oficialmente no último levantamento feito em 2000 por apenas 0,03% da população, as autoridades religiosas e ligadas à defesa da raça negra montaram a campanha “Quem é de Axé diz que é”.
– Sempre fomos discriminados e historicamente as pessoas escondiam sua religião por medo de represálias. Acabavam se dizendo católicas, mas não eram. Estimamos que 10% da população segue crenças afro e queremos mostrar isso para o país – disse Baba Diba de Iyemonja, dirigente da Congregação em Defesa das Religiões Afro Brasileiras (Cedrab) e coordenador da mobilização no Rio Grande do Sul.
Até quem não acredita em Deus ou em um Ser superior também se preocupou com o Censo. Comunidades e fóruns na internet promovem uma campanha para que os pessoas sem religião se declarem como ateus. “É importantíssimo responder Ateu ao recenseador. Finalmente temos a chance de ser contados, vamos aproveitar”, escreveu um dos usuários do site Clube Cético.
Fonte: Zero Hora [link indisponível]
Campanha pelo sacerdócio das mulheres
LONDRES, 26 Ago 2010 (AFP) -Os famosos ônibus vermelhos de Londres levarão mensagens a favor da ordenação sacerdotal das mulheres na Igreja Católica durante a visita do papa Bento XVI à Grã-Bretanha, em setembro, anunciaram os organizadores da campanha.
A associação Ordenação de Mulheres Católicas (CWO, na sigla em inglês) lançará sua campanha publicitária na próxima segunda-feira em 15 ônibus, que circularão durante quatro semanas pelas principais artérias da cidade com o slogan: "Papa Bento - Ordene mulheres agora!".
Bento XVI fará a primeira visita oficial de um pontífice ao eino Unido desde o cisma anglicano, no século XVI. Entre 16 e 19 de setembro, ele irá a Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham.
"Esta é a única maneira de divulgar nossa mensagem, e uma boa oportunidade, já que o Papa estará no país", disse Pat Brown, porta-voz do grupo.
Fonte: G1
Nota da casa: Eu apóio essa campanha. Mas caso a Igreja continue negando, as católicas ainda podem optar por deixar a Igreja e escolher uma das muitas religiões do Paganismo. Aqui elas serão muito bem vindas.
A associação Ordenação de Mulheres Católicas (CWO, na sigla em inglês) lançará sua campanha publicitária na próxima segunda-feira em 15 ônibus, que circularão durante quatro semanas pelas principais artérias da cidade com o slogan: "Papa Bento - Ordene mulheres agora!".
Bento XVI fará a primeira visita oficial de um pontífice ao eino Unido desde o cisma anglicano, no século XVI. Entre 16 e 19 de setembro, ele irá a Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham.
"Esta é a única maneira de divulgar nossa mensagem, e uma boa oportunidade, já que o Papa estará no país", disse Pat Brown, porta-voz do grupo.
Fonte: G1
Nota da casa: Eu apóio essa campanha. Mas caso a Igreja continue negando, as católicas ainda podem optar por deixar a Igreja e escolher uma das muitas religiões do Paganismo. Aqui elas serão muito bem vindas.
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
A experiência com a Deusa
A DEUSA NÃO É UMA TELENOVELA…
A Deusa não é uma moda, não é uma montagem de cenários, nem um ritual.
Ela não é um culto nem uma prática, não é uma crença nem uma fé nem uma dança em círculo… nem um carnaval ou um Sabat.
A Deusa não é um folclore nem o uso de vestes particulares, colares e pulseiras a imitar as mulheres ou as sacerdotisas de qualquer culto antigo, templo ou lugar…
A Deusa não é um ritual pagão, nem Wicca, nem bruxa, nem profana…
A Deusa não é casta nem sensual, nem é Virgem nem Pecadora…
A Deusa não é um símbolo nem uma imagem para adorar ou adornar…
A Deusa não serve de imitação de nada nem pode ser um escape para a nossa frustração ou para o nosso ego...
A Deusa é a Terra Mãe onde nascemos, a fonte da Vida, a dadora de alimentos, a Mãe de todas as coisas. Ela é a Vida e a Morte, a Manifestação da Prima Matéria na Terra, tudo o que se manifesta através do Espírito Uno e é Verbo e se torna carne. A Deusa é cada Ser Humano na sua plenitude consciente da dualidade mas unidos os dois lados de tudo: feminino e masculino, sol e lua, dia e noite, prazer e dor…
A Deusa é toda a Terra e é ainda a parte reprimida da humanidade, a parte da humanidade não expressa, é a parte Feminina da Humanidade banida das leis e da sociedade, é a Natureza destruída pela mão do homem, é o Yin complemento do Yang, parte integrante do Tao, é a receptividade da humanidade, o lado direito do cérebro activo, é intuição, é oráculo, é o feminino por excelência manifestado na Natureza e em cada cardo, botão de rosa, animal, criança, mulher ou homem.
A DEUSA É CADA MULHER DE HOJE QUE SE TORNA CONSCIENTE DO FEMININO SAGRADO...
A Deusa é cada Mulher realizada na sua essência primeira, na união das duas mulheres que o patriarcalismo dividiu para reinar…é a mulher que através do resgate da mulher ancestral, da mulher que foi ocultada pela história dos homens e calada pelos seus padres, santos, professores e escritores e que dá voz viva aos mistérios sagrados, através dos seus sentimentos mais fortes e profundos e ousa ser ela mesma sem medo de represálias. Porque Ela é a mulher una, a Mulher Útero – abençoado o seu ventre - a mulher total cuja experiência é vivida no presente, no seu coração, em cada momento da sua vida e em cada dia, livre de preconceitos e de dependências.
A Deusa é a Vida e a Consciência Plena na Mulher que dá à Luz o Homem.
A Deusa é uma experiência viva, vivida na nossa carne, na nossa alma e no nosso SER INTEGRAL. É passado e futuro sobretudo presente e eternidade…
A Deusa é todas as memórias da Terra Mãe registadas no nosso ADN…e por isso devemos antes de tudo lembrar quem fomos e quem somos na nossa pele…
"Devemos lembrar-nos como e quando cada uma de nós passou por uma experiência da Deusa, e se sentiu sarada e integral por causa desta. São momentos santos, sagrados, intemporais, embora por mais inefáveis que se possam revelar, sejam difíceis de reter em palavras. Mas, quando qualquer outra pessoa menciona uma experiência semelhante, isso pode evocar as sensações que voltam a captar a experiência; se bem que só aconteça se falarmos da nossa vivência pessoal. É por isso que necessitamos de palavras para os mistérios das mulheres, o que parece exigir que uma de cada vez explicite o que sabe - como tudo o mais que é de foro feminino. Servimos de parteiras às consciências umas das outras.” Travessia para Avalon, de Jean Shinoda Bolen.
Autora: Rosa Leonor, publicado em Mulheres e Deusas
PS [da Rosa Leonor]:
A Deusa não é nenhum ritual nem está em nenhum lugar especial...Ela não pertence a ninguém e é de todos/as os que a integram como realidade sentimento no seu coração: a Deusa não é um paliativo nem um folclore antigo nem há que ir nenhum lugar para a experimentar: Ela manifesta-se dentro de cada mulher e de cada homem. Sem que Ela se torne numa experiência interior e seja a manifestação natural nas nossas vidas do dia a dia de nada adianta ir rezar ou evocá-la nas estações...e a lugares ditos sagrados...embora as vezes possam haver revelações, mas não confundir rituais e magias ou ter posturas que são apenas cópias do passado. O templo da Deusa no nosso Mundo será diferente, não obedecerá aos mesmos rituais nem fórmulas...aqueles que mimetizam a Deusa não prestam nenhum culto à Deusa mas ao seu ego.
A Deusa não é uma moda, não é uma montagem de cenários, nem um ritual.
Ela não é um culto nem uma prática, não é uma crença nem uma fé nem uma dança em círculo… nem um carnaval ou um Sabat.
A Deusa não é um folclore nem o uso de vestes particulares, colares e pulseiras a imitar as mulheres ou as sacerdotisas de qualquer culto antigo, templo ou lugar…
A Deusa não é um ritual pagão, nem Wicca, nem bruxa, nem profana…
A Deusa não é casta nem sensual, nem é Virgem nem Pecadora…
A Deusa não é um símbolo nem uma imagem para adorar ou adornar…
A Deusa não serve de imitação de nada nem pode ser um escape para a nossa frustração ou para o nosso ego...
A Deusa é a Terra Mãe onde nascemos, a fonte da Vida, a dadora de alimentos, a Mãe de todas as coisas. Ela é a Vida e a Morte, a Manifestação da Prima Matéria na Terra, tudo o que se manifesta através do Espírito Uno e é Verbo e se torna carne. A Deusa é cada Ser Humano na sua plenitude consciente da dualidade mas unidos os dois lados de tudo: feminino e masculino, sol e lua, dia e noite, prazer e dor…
A Deusa é toda a Terra e é ainda a parte reprimida da humanidade, a parte da humanidade não expressa, é a parte Feminina da Humanidade banida das leis e da sociedade, é a Natureza destruída pela mão do homem, é o Yin complemento do Yang, parte integrante do Tao, é a receptividade da humanidade, o lado direito do cérebro activo, é intuição, é oráculo, é o feminino por excelência manifestado na Natureza e em cada cardo, botão de rosa, animal, criança, mulher ou homem.
A DEUSA É CADA MULHER DE HOJE QUE SE TORNA CONSCIENTE DO FEMININO SAGRADO...
A Deusa é cada Mulher realizada na sua essência primeira, na união das duas mulheres que o patriarcalismo dividiu para reinar…é a mulher que através do resgate da mulher ancestral, da mulher que foi ocultada pela história dos homens e calada pelos seus padres, santos, professores e escritores e que dá voz viva aos mistérios sagrados, através dos seus sentimentos mais fortes e profundos e ousa ser ela mesma sem medo de represálias. Porque Ela é a mulher una, a Mulher Útero – abençoado o seu ventre - a mulher total cuja experiência é vivida no presente, no seu coração, em cada momento da sua vida e em cada dia, livre de preconceitos e de dependências.
A Deusa é a Vida e a Consciência Plena na Mulher que dá à Luz o Homem.
A Deusa é uma experiência viva, vivida na nossa carne, na nossa alma e no nosso SER INTEGRAL. É passado e futuro sobretudo presente e eternidade…
A Deusa é todas as memórias da Terra Mãe registadas no nosso ADN…e por isso devemos antes de tudo lembrar quem fomos e quem somos na nossa pele…
"Devemos lembrar-nos como e quando cada uma de nós passou por uma experiência da Deusa, e se sentiu sarada e integral por causa desta. São momentos santos, sagrados, intemporais, embora por mais inefáveis que se possam revelar, sejam difíceis de reter em palavras. Mas, quando qualquer outra pessoa menciona uma experiência semelhante, isso pode evocar as sensações que voltam a captar a experiência; se bem que só aconteça se falarmos da nossa vivência pessoal. É por isso que necessitamos de palavras para os mistérios das mulheres, o que parece exigir que uma de cada vez explicite o que sabe - como tudo o mais que é de foro feminino. Servimos de parteiras às consciências umas das outras.” Travessia para Avalon, de Jean Shinoda Bolen.
Autora: Rosa Leonor, publicado em Mulheres e Deusas
PS [da Rosa Leonor]:
A Deusa não é nenhum ritual nem está em nenhum lugar especial...Ela não pertence a ninguém e é de todos/as os que a integram como realidade sentimento no seu coração: a Deusa não é um paliativo nem um folclore antigo nem há que ir nenhum lugar para a experimentar: Ela manifesta-se dentro de cada mulher e de cada homem. Sem que Ela se torne numa experiência interior e seja a manifestação natural nas nossas vidas do dia a dia de nada adianta ir rezar ou evocá-la nas estações...e a lugares ditos sagrados...embora as vezes possam haver revelações, mas não confundir rituais e magias ou ter posturas que são apenas cópias do passado. O templo da Deusa no nosso Mundo será diferente, não obedecerá aos mesmos rituais nem fórmulas...aqueles que mimetizam a Deusa não prestam nenhum culto à Deusa mas ao seu ego.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Buscadores
Geralmente 'buscadores' é usado para descrever se alguém está procurando por um 'caminho mais tradicional'.
Buscadores é tudo o que somos.
Iniciados são buscadores movendo-se em um caminho de alguma forma bem trilhado, de vez em quando tem marcas e placas para você saber que está na direção certa e você terá a companhia de um coven neste caminho.
Mas se você se perder deste caminho tudo o que você terá são olhares perplexos das pessoas se afastando de você e estes não verão porque seus olhos terão mudado.
De alguma forma, você verá isto acontecer de vez em quando, quando um velho iniciado começar a justificar por um novo nome de tradição. São os mesmos assuntos do ego agindo quando um membro da família escolhe deixar a casa e começa a fazer a sua própria. Você deseja-lhes bem, talvez fazer algumas sugestões aonde você sabe que uma ponte está coberta de água ou uma estrada é pedregosa demais, mas no fim quem percorre um caminho diferente ou novo terá que encontrar formas de percorrê-lo sem você.
Então iniciados continuam sendo buscadores, apenas com mapas de rotas e companhia. Se você tiver sorte é uam compnahia alegre e haverá amor.
Você não verá o termo sendo muito usado na "comunidade" neopagã. Devido ao ego. Um buscador implica ao não-iniciado que alguém está perdido. E se há algo que a cmounidade neopagã tem certeza é que eles não estão "perdidos".
Esta palavra tem tom cristão que eles não gostam, então eles não estão perdidos, eles "encontraram" o que procuravam. Ponto final, fim da discussão.
Um buscador verdadeiro descobriu que a busca é o que alguém está procurando, a espiritualidade é uma estrada cigana interminável de pesquisa e aprendizado e se você tiver sorte, o lar é um grupo de corações todos buscando a mesma coisa juntos. Desenvolvendo uma linguagem ao longo da caminhada e encontrar outros com interesses iguais para dividir a alegria do caminho pela vida a qual no fim é uma contínua procura por novos mistérios.
O rebanho neo-pagão está convencido que existe um fim na busca, é família e iluminação e ficar junto ao rebanho para proteção.
Não se pode ver muito do centro de um rebanho senão trazeiros e poeira.
Eu prefiro menos companhia para viajar.
Autora: Vicki, publicado no forum da Amber and Jet.
Buscadores é tudo o que somos.
Iniciados são buscadores movendo-se em um caminho de alguma forma bem trilhado, de vez em quando tem marcas e placas para você saber que está na direção certa e você terá a companhia de um coven neste caminho.
Mas se você se perder deste caminho tudo o que você terá são olhares perplexos das pessoas se afastando de você e estes não verão porque seus olhos terão mudado.
De alguma forma, você verá isto acontecer de vez em quando, quando um velho iniciado começar a justificar por um novo nome de tradição. São os mesmos assuntos do ego agindo quando um membro da família escolhe deixar a casa e começa a fazer a sua própria. Você deseja-lhes bem, talvez fazer algumas sugestões aonde você sabe que uma ponte está coberta de água ou uma estrada é pedregosa demais, mas no fim quem percorre um caminho diferente ou novo terá que encontrar formas de percorrê-lo sem você.
Então iniciados continuam sendo buscadores, apenas com mapas de rotas e companhia. Se você tiver sorte é uam compnahia alegre e haverá amor.
Você não verá o termo sendo muito usado na "comunidade" neopagã. Devido ao ego. Um buscador implica ao não-iniciado que alguém está perdido. E se há algo que a cmounidade neopagã tem certeza é que eles não estão "perdidos".
Esta palavra tem tom cristão que eles não gostam, então eles não estão perdidos, eles "encontraram" o que procuravam. Ponto final, fim da discussão.
Um buscador verdadeiro descobriu que a busca é o que alguém está procurando, a espiritualidade é uma estrada cigana interminável de pesquisa e aprendizado e se você tiver sorte, o lar é um grupo de corações todos buscando a mesma coisa juntos. Desenvolvendo uma linguagem ao longo da caminhada e encontrar outros com interesses iguais para dividir a alegria do caminho pela vida a qual no fim é uma contínua procura por novos mistérios.
O rebanho neo-pagão está convencido que existe um fim na busca, é família e iluminação e ficar junto ao rebanho para proteção.
Não se pode ver muito do centro de um rebanho senão trazeiros e poeira.
Eu prefiro menos companhia para viajar.
Autora: Vicki, publicado no forum da Amber and Jet.
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Fides et Amores
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad [vulgo "Armandinho"] declarou que o Brasil [ou seu "amigo" Lula] não devia se "intrometer" nos assuntos de "justiça" do seu país. Tudo porque o mundo pediu um ato humanitário e o Brasil ofereceu asilo para Shakineh Ashtiani, uma mulher que foi condenada a ser apedrejada até a morte [ou enforcada] por um julgamento marcado por irregularidades e fraudes processuais. Ou seja, Armandinho quer resguardar o "direito" do Irã de cometer assassinato institucionalizad, ginocídio, contra as adúlteras. E Armandinho e seus amigos vão continuar caçando os "infiéis", seja ao matrimônio, seja à religião.
A questão da (in)fidelidade conjugal surge na imprensa porque vivemos em uma sociedade onde a curiosidade pública gosta de meter o bedelho [e dar pitacos] na intimidade privada. Em pleno século XXI é impressionante que ainda se acredite na ideologia romântica do século XVIII. Depois de 50 anos que aconteceu a Revolução Cultural e Sexual, nós estamos voltando ao Puritanismo, ao Vitorianismo. Será que nada mudou?
De acordo com pesquisas recentes, o mito de que a mulher é a mais fiel que o homem está se desfazendo. As mulheres estão redescobrindo seu direito ao amor, ao desejo, ao prazer. E estão tendo a coragem de buscar uma vida erótico-afetiva plena e satisfatória. Em seus próprios termos.
A humanidade está redescobrindo e ressacralizando o amor, o desejo, o prazer. Nós estamos despertando nossa consciência para perceber que questões como família, monogamia, fidelidade e casamento são construções culturais e sociais que podem e devem ser repensadas e reconstruídas.
Nós somos a única espécie a sentir, exprimir e manifestar conscientemente o amor, nas suas mais diversas formas. Recusar, negar ou rejeitar essa nossa natureza é a verdadeira traição, a real infidelidade.
Independentemente de nosso estado civil, nós continuaremos apreciando a beleza, a aproveitar a vida. Cabe a cada um estabelecer suas prioridades, perceber suas necessidades, determinar seus objetivos e definir seus relacionamentos. Cabe a nós dar o tempo e o espaço em nossas vidas para a alegria, o prazer e o amor.
A questão da (in)fidelidade conjugal surge na imprensa porque vivemos em uma sociedade onde a curiosidade pública gosta de meter o bedelho [e dar pitacos] na intimidade privada. Em pleno século XXI é impressionante que ainda se acredite na ideologia romântica do século XVIII. Depois de 50 anos que aconteceu a Revolução Cultural e Sexual, nós estamos voltando ao Puritanismo, ao Vitorianismo. Será que nada mudou?
De acordo com pesquisas recentes, o mito de que a mulher é a mais fiel que o homem está se desfazendo. As mulheres estão redescobrindo seu direito ao amor, ao desejo, ao prazer. E estão tendo a coragem de buscar uma vida erótico-afetiva plena e satisfatória. Em seus próprios termos.
A humanidade está redescobrindo e ressacralizando o amor, o desejo, o prazer. Nós estamos despertando nossa consciência para perceber que questões como família, monogamia, fidelidade e casamento são construções culturais e sociais que podem e devem ser repensadas e reconstruídas.
Nós somos a única espécie a sentir, exprimir e manifestar conscientemente o amor, nas suas mais diversas formas. Recusar, negar ou rejeitar essa nossa natureza é a verdadeira traição, a real infidelidade.
Independentemente de nosso estado civil, nós continuaremos apreciando a beleza, a aproveitar a vida. Cabe a cada um estabelecer suas prioridades, perceber suas necessidades, determinar seus objetivos e definir seus relacionamentos. Cabe a nós dar o tempo e o espaço em nossas vidas para a alegria, o prazer e o amor.
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domingo, 15 de agosto de 2010
Nemorália - Festival de Diana
Dia 13 de Agosto é marcado pela celebração da Nemorália (também conhecido como «Festival das Tochas»), mais tarde adoptado pelos católicos como Festa da Assunção.
Este festival é realizado ou no dia 13 ou no dia 15 de Agosto ou na Lua Cheia de Agosto, em honra de Diana.
Neste dia, colocavam-se cornos de vaca - simbolismo de Hércules - na parte da frente do templo da Deusa.
Ovídio (século I a.c. ou VI A.U.C.) descreve esta celebração do seguinte modo:
«No vale Ariciano,
Há um lago rodeado de florestas com sombra,
Consideradas sagradas por uma religião dos tempos antigos...
Numa longa cerca, pendem muitas peças de novelos feitos de fios de linho entrelaçados,
E muitas tábuas estão lá colocadas
Como ofertas de gratidão à Deusa.
Muitas vezes, uma mulher cujas preces foram por Diana respondidas,
Com uma grinalda de flores coroando-lhe a cabeça,
Vai a pé desde Roma carregando uma tocha ardente...
Lá, uma corrente flui, sussurando, do seu leito rochoso...»
Durante a celebração, os adoradores formavam uma luminosa procissão de tochas e velas à volta das escuras águas do Lago Nemi, ao qual se chamava «Espelho de Diana». As luzes das suas velas juntavam-se às luzes da Lua, dançando, reflectindo-se sobre a superfície da água.
O festival é levado a cabo à maneira grega, isto é, Grecu Ritu, de cabeça descoberta.
Centenas juntavam-se junto ao lago, usando grinaldas de flores.
De acordo com Plutarco, parte do ritual (antes da procissão em torno do lago) consiste na lavagem do cabelo e na sua decoração com flores.
É um dia de descanso para mulheres e para escravos. Os cães também são honrados e adornados com flores. Os viajantes entre os bancos do norte e do sul do lago são transportados em pequenos barcos iluminados por lanternas. Candeias similares eram usadas pelas vestais e foram encontradas imagens da Deusa em Nemi, por isso Diana e Vesta são por isso, algumas vezes, consideradas como sendo a mesma Deusa.
Um poeta do primeiro século d.c. (oitavo século A.U.C.), Propertius, que não foi ao festival mas que o observou de fora, disse, a alguém que amava:
«Ah, se tu ao menos pudesses andar por lá nas tuas horas de ócio.
Mas não nos podemos encontrar hoje,
Pois que te vejo exaltada com uma tocha ardente
Em direcção ao bosque de Nemi foste tu
Levando uma luz em honra da Deusa Diana»
Pedidos e ofertas a Diana podem incluir:
- pequenas mensagens escritas em laços atados ao altar ou a uma árvore;
- pequenas estatuetas feitas de barro cozido ou de pão, representando partes do corpo que precisem de cura; pequenas imagens de barro de mãe e filho;
- finas esculturas de veados; dança e canto;
- fruta, como, por exemplo, maçãs.
Oferendas de alho são feitas à Deusa da Lua Negra, Hécate, durante o festival.
É proibido matar ou caçar qualquer animal durante a Nemorália.
Importa agora saber Quem é Diana.
Diana é uma Deusa Itálica celestial e luminosa. O Seu nome parece provir da palavra «Dius», que expressa a ideia de brilho relacionado com o céu. Diana tem um carácter nocturno e lunar, não sendo no entanto o mesmo que a Lua, como mais tarde veio tantas vezes a ser identificada. Há também aqui uma relação etimológica com os teónimos Janus (Deus dos Inícios) e Anna Perena, outras Duas Deidades latinas. Esta última pode estar relacionada com um monte hindu de nome Anna Purna. «Anna Perena» significaria «Anna Que fornece».
É possível que Anna e Diana, sendo teónimos de certo modo «pan-indo-europeus», fossem originalmente genéricos entre os Ítalos e agrupassem Deidades de distintos santuários como se Estas fossem aspectos diferentes da mesma Divindade, e aqui havia espaços para importações, sincretismos, etc.
É, desde cedo, uma Deidade protectora da virgindade e das meninas, embora também pudesse presidir aos partos, sob o nome de Diana Lucina, isto é, «Diana Que faz vir à luz», tendo este epíteto, Lucina, em comum com Juno.
Diana pode ter sido em tempos a parceira de Júpiter; todavia, na época histórica conhecida a esposa deste Deus é Juno.
Apesar de, por ter sido considerada equivalente à helénica Ártemis, ter adquirido, na mente dos cultuadores, um aspecto florestal de caçadora, nunca perdeu o Seu carácter propriamente lunar, o qual a própria Ártemis também possui. Tal como Ártemis, tem uma faceta violenta e sanguinária, vingativa, embora Se notabilize pelo Seu lado mais pacífico e protector.
Os Seus santuários mais antigos ficavam em Cápua - onde é conhecida como Diana Tifatina, ou Diana de Tifata, montanha situada a norte de Cápua, e onde Lhe é consagrada uma corça, símbolo de longevidade, garante da existência da cidade, o que traz repentinamente à memória o facto de que o romano Sertório conseguiu a estima e a admiração dos Lusitanos ao afirmar que se comunicava com uma corça mágica, e é de notar que a Deusa Diana foi das Deidades mais adoradas na Lusitânia - e em Arícia, povoação vizinha de Roma. Nesta última localidade, o Seu templo estava situado mais precisamente no bosque de Nemus. O facto de este local de culto estar associado a escravos pode ter a ver com a total liberdade de que estes gozavam no dia 13 de Agosto.
Aqui, no bosque de Nemus, onde Lhe chamam Diana Nemorensis, o Seu aspecto florestal é talvez mais marcado, pois que «Nemus» significa «bosque» com sentido sagrado, o que parece especialmente interessante, se se tiver em conta que «Nem», nas línguas célticas, significa ao mesmo tempo «Sagrado» e «Céu» e está na raiz da palavra «Nemeton», a qual por sua vez significa precisamente «Bosque Sagrado». Esta semelhança etimológica não surpreende quando se sabe que o Latim e o Celta são da mesma origem: partem do grande ramo Celto-Italiota da família Indo-Europeia ocidental. Em território hoje português, pouco a norte do Douro, viveram os Nemetati. Na Galiza registou-se uma «Nemetóbriga» já nos tempos da Romanização. Na Ásia Menor, actual Turquia, existiu uma povoação com o nome de Drunemeton.
O santuário de Nemi, perto de Roma, de origem latina, teria sido, de acordo com a tradição romana, fundado por Egerius Baebius ou Laevius, ditador latino que representava várias povoações, tais como Aricia, Tusculum, Tibur e Lanuvium, entre outras. Outro possível fundador poderá ter sido Manius Egerius. Entretanto, uma tradição estrangeira atribuía o surgimento do santuário ao herói helénico Orestes, o qual, depois de matar o rei Thoas do Queroneso Táurico (Crimeia), fugira com a sua irmã para Itália, trazendo consigo o culto de Diana Táurica. Em Nemi havia uma outra Deidade, associada a Diana, que era Vírbio – e Vírbio tinha com Diana uma relação similar à de Hipólito e Ártemis: um Deus jovem e moribundo e uma Deusa Mãe telúrica que O ressuscita, esquema assaz conhecido e divulgado no Mediterrâneo Oriental, classicamente representado pelo mito de Cíbele e Átis, Osíris e Ísis, Afrodite e Adónis…Aparentemente, os Romanos achavam que Vírbio era o mesmo que Hipólito.
Segundo Estrabão e Ovídio, vivia nos montes da floresta de Nemi um sacerdote-rei (Rex Nemorensis) que, em determinadas circunstâncias, tinha de lutar com quem o desafiasse, isto porque quem quisesse ocupar o lugar deste monarca tinha de o matar, golpeando-o com um ramo arrancado de certa árvore. Pode haver aqui uma semelhança com mitos célticos.
O templo de Diana mais importante foi o do monte Aventino, edificado antes de 509 a.c. ou 244 A.U.C. pelos Romanos com o intuito de colocar a confederação das cidades do Lácio sob a protecção da Deusa.
A igreja tentou abafar o Seu culto com a instituição da Assunção de Maria, no dia 15 deste mês - mas Diana permaneceu viva nas tradições populares dos povos meridionais onde a Romanidade deixou vestígios.
Nas colónias ou províncias imperiais, o culto de Diana assumiu diferentes formas.
Na obra «Guia Arqueológica de España», pode ler-se:
«Os Romanos conquistaram a povoação e chamaram-lhe Saltus Dianae, ou Santuário de Diana, mas na escavação arqueológica do local não se encontrou até ao momento nenhum templo, apenas inscrições e moedas romanas.»
É possível que o topónimo Font Janina (em Catalão) ou Ribagorza Fonchanina (em Castelhano), seja vestígio da Deusa, visto que se encontra nessa zona uma montanha com silhueta de mulher.
E que dizer do caso português?
Para começar, a Crónica Geral de Espanha, texto medieval, dá a conhecer um mito segundo o qual o nome «Lusitânia» deriva do facto de Hércules ter por aqui passado e resolvido dedicar jogos à Deusa Diana (Ludi + Diana = Lusitânia).
Entretanto, o templo de Évora é popularmente conhecido como o «templo de Diana», apesar de provavelmente ter sido local de culto imperial. Porque se estabeleceu então a ideia de que o templo era de Diana?
É de lembrar que na Antiguidade tardia ou nos primórdios da Idade Média, um certo evangelizador denunciava o culto das Dianas.
Fonte: Gladius
Nota da casa: E ainda tem gente [que se auto-intitula pagão e bruxo] que elogia a Igreja e o Cristianismo.
Este festival é realizado ou no dia 13 ou no dia 15 de Agosto ou na Lua Cheia de Agosto, em honra de Diana.
Neste dia, colocavam-se cornos de vaca - simbolismo de Hércules - na parte da frente do templo da Deusa.
Ovídio (século I a.c. ou VI A.U.C.) descreve esta celebração do seguinte modo:
«No vale Ariciano,
Há um lago rodeado de florestas com sombra,
Consideradas sagradas por uma religião dos tempos antigos...
Numa longa cerca, pendem muitas peças de novelos feitos de fios de linho entrelaçados,
E muitas tábuas estão lá colocadas
Como ofertas de gratidão à Deusa.
Muitas vezes, uma mulher cujas preces foram por Diana respondidas,
Com uma grinalda de flores coroando-lhe a cabeça,
Vai a pé desde Roma carregando uma tocha ardente...
Lá, uma corrente flui, sussurando, do seu leito rochoso...»
Durante a celebração, os adoradores formavam uma luminosa procissão de tochas e velas à volta das escuras águas do Lago Nemi, ao qual se chamava «Espelho de Diana». As luzes das suas velas juntavam-se às luzes da Lua, dançando, reflectindo-se sobre a superfície da água.
O festival é levado a cabo à maneira grega, isto é, Grecu Ritu, de cabeça descoberta.
Centenas juntavam-se junto ao lago, usando grinaldas de flores.
De acordo com Plutarco, parte do ritual (antes da procissão em torno do lago) consiste na lavagem do cabelo e na sua decoração com flores.
É um dia de descanso para mulheres e para escravos. Os cães também são honrados e adornados com flores. Os viajantes entre os bancos do norte e do sul do lago são transportados em pequenos barcos iluminados por lanternas. Candeias similares eram usadas pelas vestais e foram encontradas imagens da Deusa em Nemi, por isso Diana e Vesta são por isso, algumas vezes, consideradas como sendo a mesma Deusa.
Um poeta do primeiro século d.c. (oitavo século A.U.C.), Propertius, que não foi ao festival mas que o observou de fora, disse, a alguém que amava:
«Ah, se tu ao menos pudesses andar por lá nas tuas horas de ócio.
Mas não nos podemos encontrar hoje,
Pois que te vejo exaltada com uma tocha ardente
Em direcção ao bosque de Nemi foste tu
Levando uma luz em honra da Deusa Diana»
Pedidos e ofertas a Diana podem incluir:
- pequenas mensagens escritas em laços atados ao altar ou a uma árvore;
- pequenas estatuetas feitas de barro cozido ou de pão, representando partes do corpo que precisem de cura; pequenas imagens de barro de mãe e filho;
- finas esculturas de veados; dança e canto;
- fruta, como, por exemplo, maçãs.
Oferendas de alho são feitas à Deusa da Lua Negra, Hécate, durante o festival.
É proibido matar ou caçar qualquer animal durante a Nemorália.
Importa agora saber Quem é Diana.
Diana é uma Deusa Itálica celestial e luminosa. O Seu nome parece provir da palavra «Dius», que expressa a ideia de brilho relacionado com o céu. Diana tem um carácter nocturno e lunar, não sendo no entanto o mesmo que a Lua, como mais tarde veio tantas vezes a ser identificada. Há também aqui uma relação etimológica com os teónimos Janus (Deus dos Inícios) e Anna Perena, outras Duas Deidades latinas. Esta última pode estar relacionada com um monte hindu de nome Anna Purna. «Anna Perena» significaria «Anna Que fornece».
É possível que Anna e Diana, sendo teónimos de certo modo «pan-indo-europeus», fossem originalmente genéricos entre os Ítalos e agrupassem Deidades de distintos santuários como se Estas fossem aspectos diferentes da mesma Divindade, e aqui havia espaços para importações, sincretismos, etc.
É, desde cedo, uma Deidade protectora da virgindade e das meninas, embora também pudesse presidir aos partos, sob o nome de Diana Lucina, isto é, «Diana Que faz vir à luz», tendo este epíteto, Lucina, em comum com Juno.
Diana pode ter sido em tempos a parceira de Júpiter; todavia, na época histórica conhecida a esposa deste Deus é Juno.
Apesar de, por ter sido considerada equivalente à helénica Ártemis, ter adquirido, na mente dos cultuadores, um aspecto florestal de caçadora, nunca perdeu o Seu carácter propriamente lunar, o qual a própria Ártemis também possui. Tal como Ártemis, tem uma faceta violenta e sanguinária, vingativa, embora Se notabilize pelo Seu lado mais pacífico e protector.
Os Seus santuários mais antigos ficavam em Cápua - onde é conhecida como Diana Tifatina, ou Diana de Tifata, montanha situada a norte de Cápua, e onde Lhe é consagrada uma corça, símbolo de longevidade, garante da existência da cidade, o que traz repentinamente à memória o facto de que o romano Sertório conseguiu a estima e a admiração dos Lusitanos ao afirmar que se comunicava com uma corça mágica, e é de notar que a Deusa Diana foi das Deidades mais adoradas na Lusitânia - e em Arícia, povoação vizinha de Roma. Nesta última localidade, o Seu templo estava situado mais precisamente no bosque de Nemus. O facto de este local de culto estar associado a escravos pode ter a ver com a total liberdade de que estes gozavam no dia 13 de Agosto.
Aqui, no bosque de Nemus, onde Lhe chamam Diana Nemorensis, o Seu aspecto florestal é talvez mais marcado, pois que «Nemus» significa «bosque» com sentido sagrado, o que parece especialmente interessante, se se tiver em conta que «Nem», nas línguas célticas, significa ao mesmo tempo «Sagrado» e «Céu» e está na raiz da palavra «Nemeton», a qual por sua vez significa precisamente «Bosque Sagrado». Esta semelhança etimológica não surpreende quando se sabe que o Latim e o Celta são da mesma origem: partem do grande ramo Celto-Italiota da família Indo-Europeia ocidental. Em território hoje português, pouco a norte do Douro, viveram os Nemetati. Na Galiza registou-se uma «Nemetóbriga» já nos tempos da Romanização. Na Ásia Menor, actual Turquia, existiu uma povoação com o nome de Drunemeton.
O santuário de Nemi, perto de Roma, de origem latina, teria sido, de acordo com a tradição romana, fundado por Egerius Baebius ou Laevius, ditador latino que representava várias povoações, tais como Aricia, Tusculum, Tibur e Lanuvium, entre outras. Outro possível fundador poderá ter sido Manius Egerius. Entretanto, uma tradição estrangeira atribuía o surgimento do santuário ao herói helénico Orestes, o qual, depois de matar o rei Thoas do Queroneso Táurico (Crimeia), fugira com a sua irmã para Itália, trazendo consigo o culto de Diana Táurica. Em Nemi havia uma outra Deidade, associada a Diana, que era Vírbio – e Vírbio tinha com Diana uma relação similar à de Hipólito e Ártemis: um Deus jovem e moribundo e uma Deusa Mãe telúrica que O ressuscita, esquema assaz conhecido e divulgado no Mediterrâneo Oriental, classicamente representado pelo mito de Cíbele e Átis, Osíris e Ísis, Afrodite e Adónis…Aparentemente, os Romanos achavam que Vírbio era o mesmo que Hipólito.
Segundo Estrabão e Ovídio, vivia nos montes da floresta de Nemi um sacerdote-rei (Rex Nemorensis) que, em determinadas circunstâncias, tinha de lutar com quem o desafiasse, isto porque quem quisesse ocupar o lugar deste monarca tinha de o matar, golpeando-o com um ramo arrancado de certa árvore. Pode haver aqui uma semelhança com mitos célticos.
O templo de Diana mais importante foi o do monte Aventino, edificado antes de 509 a.c. ou 244 A.U.C. pelos Romanos com o intuito de colocar a confederação das cidades do Lácio sob a protecção da Deusa.
A igreja tentou abafar o Seu culto com a instituição da Assunção de Maria, no dia 15 deste mês - mas Diana permaneceu viva nas tradições populares dos povos meridionais onde a Romanidade deixou vestígios.
Nas colónias ou províncias imperiais, o culto de Diana assumiu diferentes formas.
Na obra «Guia Arqueológica de España», pode ler-se:
«Os Romanos conquistaram a povoação e chamaram-lhe Saltus Dianae, ou Santuário de Diana, mas na escavação arqueológica do local não se encontrou até ao momento nenhum templo, apenas inscrições e moedas romanas.»
É possível que o topónimo Font Janina (em Catalão) ou Ribagorza Fonchanina (em Castelhano), seja vestígio da Deusa, visto que se encontra nessa zona uma montanha com silhueta de mulher.
E que dizer do caso português?
Para começar, a Crónica Geral de Espanha, texto medieval, dá a conhecer um mito segundo o qual o nome «Lusitânia» deriva do facto de Hércules ter por aqui passado e resolvido dedicar jogos à Deusa Diana (Ludi + Diana = Lusitânia).
Entretanto, o templo de Évora é popularmente conhecido como o «templo de Diana», apesar de provavelmente ter sido local de culto imperial. Porque se estabeleceu então a ideia de que o templo era de Diana?
É de lembrar que na Antiguidade tardia ou nos primórdios da Idade Média, um certo evangelizador denunciava o culto das Dianas.
Fonte: Gladius
Nota da casa: E ainda tem gente [que se auto-intitula pagão e bruxo] que elogia a Igreja e o Cristianismo.
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