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понедельник, 4 ноября 2024 г.

Bendita sois vós

Era a hora nona quando um povo recalcado, oprimido e reprimido clamava pela execução de um inocente. O povo precisava expurgar seus medos e inseguranças na figura do inocente e os poderosos irão lhes fornecer.

Uma execução pública é um espetáculo que entorpece, entretêm e mantêm o povo subjugado. Os poderosos precisavam de um corpo e não faltam a estes colaboradores para apontarem o inocente que carrega sobre si os sinais e marcas que a sociedade projeta. Os colaboradores dos poderosos são os lideres de organizações religiosas e políticas, cujo poder e influencia dependem de manter o povo na ignorância, no ódio, no preconceito e na intolerância.

Não foi suficiente sacrificar o Ungido, pois o sistema está construído sobre a segregação, a miséria, a desigualdade. Aquele que chamaram de Cristo foi judeu, herege, bruxa, cigano, negro, imigrante, mulher, homossexual e agora é transgênero. Os capangas do poder apontam o alvo e os poderosos podem fornecer ao povo o espetáculo.

Eis o corpo! Seu nome é Viviany Beleboni, queria eu que fosse Babalon! Bendita sois vós! Pois de ti vem as palavras de inclusão! Que de seu belo corpo desnudo e castigado pelos açoites da rejeição nos livre a todos do fundamentalismo cristão. Suba no palco, suba no trio elétrico, faça de seu belo e desejado corpo o linimento para todos os que sofrem com a perseguição.

Eis a Paixão! Ela tomou sobre si as dores de muitas pessoas e sua cruz representa os muitos inocentes que foram assassinados simplesmente por serem diferentes. Deus Pai, Deusa Mãe, Nossa Senhora do Arouche, perdoai-nos, por que não sabemos o que fazemos!

Sim, Ungida, nós te bendizemos e veneramos, pois teu ato de coragem denunciou ao povo quem são os seus verdadeiros inimigos! Aceita nossa perece, pois que o sagrado e o divino são todos os gêneros. Sagrado é o masculino, sagrado é o feminino, sagrado é o heterossexual, sagrado é o homossexual, sagrado é o transgênero.

Vinde, então, Babalon. Livra-nos do medo de ser, de sentir, de amar. Livra-nos da vergonha de aceitar nosso prazer, de aceitar nossos desejos e de aceitar nosso corpo. AMÉM!

Nota: texto originalmente escrito e publicado em 2016, em um blog que foi extinto.

вторник, 23 июля 2024 г.

O Povo Pequeno

Entre Chesterton e Cantebury, uma caravana de encontros improváveis juntou um judeu, um mouro, um herege, um padre, uma freira, um cavaleiro, todos tentando chegar em Norfolk, para então chegarem em Londres, para a coroação de Ricardo I como rei de toda Bretanha. Mas erraram na trilha, seguiram pelo caminho torto depois da encruzilhada, em Stanford, e ficaram incorrigivelmente perdidos.
-Cáspita. Você garantiu que a trilha de chão batido era o melhor atalho.
-Deus me livre. Isso deve ser bruxaria. Coisa desse herege que levamos cativo até o Santo Ofício, em Birgham, ou desse judeu.
-Que o Senhor me risque do Livro da Vida se eu tenho algo com isso. Mas não garanto que o mouro seja inocente.
-Mas que! Como paga com ingratidão quem salvou a ti e tua família dos Cruzados! Nós, que realmente conhecemos e adoramos ao Senhor, devemos estar unidos contra os infiéis.
-Por Deus, meninos! Esta é a décima vez que vocês discutem as mesmas coisas. Nós temos que nos submeter à vontade de Deus.
[risada]-Três homens e uma mulher que dizem ou creem que conhecem Deus. Dizem que só há um, mas discordam de quase tudo quando falam dEle.
-Cale-se, herege. Seus crimes são muito graves, deve enfrentar a Justiça de Deus, não piore sua condição, proferindo suas heresias.
-Ah, eu sou herege em vossos conceitos, mas concordo convosco em crer que tudo ocorre conforme a Vontade de Deus. Nada acontece por acaso, não existe coincidência e tudo tem um propósito.
-Cale-se, herege. Guarde seus sofismas para te defenderes.
-Veja, barão Montagne, tem algumas pessoas assentadas na proximidade daquele menir, ao lado daquele enorme carvalho.
-Aleluia! Devem ser camponeses da localidade. Vamos tomar rumo conforme nos localizamos.
O cavaleiro, embora animado e confiante, ficou cismado com a expressão de ironia do herege. A freira, contrariada, parecia ser a única intrigada e desconfiada do grupo avistado. Ela foi a primeira a gritar e tentar sair correndo, fugir, assim que o grupo pôde ser melhor observado. Tarde demais. A trilha tinha sumido, só havia a floresta para todos os lados.
-Humanos! Como ousam entrar no Caminho do Bosque Sagrado?
O cavaleiro ficou espantado e surpreso ao ver aqueles seres que pareciam ter saído das lendas que os anciões contavam. Aquele grupo não era de pessoas, mas do chamado Povo Pequeno.
-Vocês quebraram o pacto que vossos ancestrais firmaram com os nossos.
[pigarro]-Povos civilizados têm educação. A educação pede que, primeiro, nos apresentemos. Eu sou Malaquias, de Durham e servo do mesmo Deus.
-Nós te conhecemos, escriba. O seu nome verdadeiro é honrado. Eu sou Pris, de Elfane e esta é Star, de Helgard. Estes são Grunt, de Trolmud e Scar, de Ogren.
[pigarro]-Eu sou…
-Sir Frederic, de Montagne. O seu nome verdadeiro é um insulto. Os demais podem ter grande consideração entre os humanos, mas em nosso mundo são abjetos.
-Que? Como ousam? Eu, Abimael, rabino do ùnico e Verdadeiro Deus?
-E eu? Jamal, servo fiel do Inefável Allah?
-Que Deus vos repreenda, demônios, pois eu sou da Igreja Verdadeira, fundada por Cristo, o FIlho de Deus!
-Vós falais de Deus, mas não são sinceros no que dizem e sentem. O que cada um chama de Deus distingue do outro e nós não reconhecemos qualquer destas imagens como sendo parte do divino.
-Este humano abjeto chamou a mim, Grunt, de demônio. Eu estou ofendido e Scar está quase chorando. Isso é o que os humanos chamam de educação?
-Este outro, pior, fala de Cristo. Eu conheço todos os Deuses e Deusas. Eu conheço Cristo, mas não o conheço. Tua ofensa só pode ser aplacada pagando com a vida.
Todos os homens, exceto o herege, tiveram tanto medo que estavam dispostos a abjurar das crenças que tinham. As criaturas mágicas estavam com armas em mãos, prontas para o uso, quando o herege intercedeu.
-Eu dou minha vida por todos, desde que Star aceite receber minha alma.
Tudo acertado, por um poder e pela ação do Antigo, aquelas pobres pessoas simplesmente surgiram no meio de Londres. O herege? Esperto e treinado, ele ofereceu aquele líquido quente, viscoso e esbranquiçado que gera vida, para alegria e satisfação de Star.

вторник, 10 октября 2023 г.

Liber de Occulta Confusionis

Oh, por quantos caminhos eu trilhei, por quantos sistemas religiosos e esotéricos eu perambulei, só minha sombra sabe.

Imitação, tudo é imitação, não há um único original.

Eu mesmo formei meu próprio grimório, meu próprio livro da lei e meu próprio texto sagrado.

Agora no alto de minha experiência e maturidade, o que eu vejo em volta são conflitos de egos, títulos vazios e cultos de personalidade, arrebanhando crianças em sua volta e fazendo do Conhecimento Antigo uma ridícula farsa comercial.

Em algo eu devo reconhecer no descrente: eles são criativos e fizeram várias sátiras religiosas, como o Pastafarianismo, a Igreja do Subgênio, a Igreja do Unicórnio Rosado Invisível. Pena que algumas sátiras de religião acabaram se tomaram a sério, como o Jediísmo e o Satanismo.

Mas eu estou adiantando a narrativa. Vamos começar do começo.

Eu comecei minha jornada no colegial, depois que o conhecimento secular finalmente atingiu uma espinha. Ao contrário de muitos cristãos [seja qual for sua vertente] eu li a bíblia para entender a diferença entre o conhecimento secular e o conhecimento bíblico. Ao contrario de muitos cristãos [seja qual for a vertente] os fatos estavam contra a bíblia e este livro sagrado foi descartado como fonte de conhecimento confiável e por um bom tempo eu fui ateu.

No entanto, ao contrário dos descrentes, eu não aceitava simplesmente as soluções ou explicações científicas. Quando eu era pequeno eu desenvolvi um interesse e curiosidade sobre o mundo espiritual, praticamente depois que meus primos e meu irmão tentaram me apavorar contando histórias de fantasmas ou me deixando de fora da “brincadeira do copo”. O que eu mais gostava eram histórias de terror e eu queria saber mais da história dos monstros, de preferência contada por eles.

Ainda que de forma velada, a bíblia conta de práticas e crenças que são definidas por bruxaria. Isso me levou a pesquisar sobre as crenças e religiões dos povos antigos. Ali começou minha jornada, em busca de minhas origens, de minhas raízes, de minha identidade.

Eu também estava em busca de aceitação, reconhecimento ou de pessoas que pensassem como eu, pois o que mais se tem nessa sociedade cristã é violência, segregação, preconceito, intolerância, ódio. Por um bom tempo eu estudei a história do Cristianismo para me livrar de vez dessa crença imposta.

Quando eu estive no fundo do poço, quem esteve do meu lado foram entidades que, para a concepção cristã, eram demônios e o Diabo. Então eu também fui satanista, por um bom tempo, até perceber que isto estava mais para uma paródia do que um sistema coerente ou original.

Sim, a internet. Eu comecei a “navegar” em 2001, nos quiosques do correio, no espaço que existia [gratuito] no Banco do Brasil [centro de SP] ou nos espaços cedidos pela Prefeitura. Ali eu consegui organizar e publicar meus escritos. Ali eu comecei a organizar e construir minhas páginas virtuais. Ali eu tive os primeiros contatos com grupos de todo o tipo: ateus, bruxos, satanistas. Tudo e qualquer coisa que desafiasse, que contestasse a Igreja, eu estava interessado.

Em 2002 e 2003 eu comecei a me interessar pelo Satanismo [La Vey] simplesmente porque muitas coisas que ele escreveu combinavam com o que eu havia escrito dos 18 aos meus 21 anos, uma obra que eu defino como minha catarse, o início de minha cura interior.

Esses trechos, tirados de outros textos meus, resumem a minha jornada, o meu caminho, até hoje.

Eu não devo estar dizendo coisa alguma de novidade quando eu digo que Satanismo é uma sátira religiosa que se levou a sério demais, o Satanismo é uma mera válvula de escape, uma armadilha pueril, que serve apenas para mentalidades imaturas. Assim como inúmeros outros fundadores de um sistema religioso, Anton Szandor Lavey foi um enorme charlatão que plagiou porcamente diversos sistemas mágicos, esotéricos e ocultistas. Em termos ritualísticos e filosóficos, o Satanismo não sustenta a si mesmo.

Eu vou me arriscar e dizer que a Wicca também tem mais furos e lapsos que, somente por um “salto de fé” [frase que o ateu usa muito] para levar a sério diversas de suas afirmações. Ainda causa muito incômodo entre os estudiosos e praticantes wiccanos a forte presença de Aleister Crowley, praticamente o “tio” da Wicca. Gerald Gardner, o fundador da Wicca, tinha mais vínculos com a franco-maçonaria do que com a Bruxaria Tradicional e a narrativa de sua “iniciação” tem tantas contradições que tornam os wiccanos tão crédulos quanto os cristãos são crédulos quanto ao “nascimento” de Cristo. Pouco se fala publicamente que o termo “gardneriano” foi cunhado por Robert Cochrane como um título pejorativo, em meio a uma disputa entre a Wicca e a Bruxaria Tradicional Moderna. Pouco se fala que Doreen Valiente, a “mãe” da Wicca, rompeu com Gardner por que ele não seguia as próprias “regras” que ele dizia pertencer ao Ofício. Pouco se fala que a “tradição alexandrina” começou quando uma pregressa de 1* de algum coven gardneriano “iniciou” Alex Sanders, quando apenas alguém de 3* pode fazê-lo. Pouco se fala das “iniciações” por telefone, por guardanapo de papel e os inomináveis “diplomas” que eram expedidos para “provar” a linhagem de pessoas sem bona fides a troco de dinheiro. Como se isso não bastasse, a Wicca “americanizou” e se tornou uma verdadeira “loja de conveniência”, de tal forma que é impossível sustentar mais a linhagem e a tradição, diante de tantas “tradições” de fundo de quintal e de tantos “sacerdotes” autoproclamados. Se a Wicca é a única religião legitimamente britânica, as “religiões da Deusa” e o Dianismo são religiões legitimamente americanas, no pior sentido possível.

Depois que o [autoproclamado] sacerdote diânico Claudiney Prieto, apesar de seus inúmeros textos atacando os princípios da Wicca Tradicional, foi aceito, treinado e iniciado em um coven com uma legitima linhagem Gardneriana, eu desisti de procurar e pleitear pelo meu treinamento e iniciação. Depois que eu fui feito de palhaço e fantoche por uma pessoa que se diz bruxa legítima, uma pessoa que traiu minha amizade, confiança e dedicação, eu parei de escrever minha jornada espiritual. Eu não estou afirmando que eu sou inocente, só minha sombra sabe o quanto eu contribui para minha péssima reputação e situação dentro do Ofício. Felizmente o Conhecimento Antigo está disponível na internet, o Caminho está diante de nossos olhos, os meus ancestrais continuam comigo e os Deuses Antigos estão ao alcance de todos.

Texto resgatado com Wayback Machine.

понедельник, 9 октября 2023 г.

Conciliábulo

– Onde estou?


– Bem aqui. No começo deste texto.


– Quem é você?


– Eu sou o antagonista.


– Por que me trouxe aqui?


– Eu não te trouxe, você veio. Eu sempre estive aqui.


– Eu não acredito em você. Você está mentindo.


– Eu não preciso que creia em mim. Você é livre para ir embora.


– Eu sabia! Você é o antagonista. Se eu for embora, você vai poder contar vitória.


– Contar vitória? Isso não é uma competição. Nós somos apenas dois personagens em um texto.


– Como assim? Quer dizer que fora deste texto, eu não existo?


– Isso é algum problema? Eu me contento em existir. O que há além deste texto é a mente do escritor. Nós também estamos ali.


– Como assim? Quer dizer que existe um criador? Que eu não sou uma mera configuração do acaso? Que existe um propósito para minha existência?


– Por que você é tão problemático? Por que se tortura com tantas questões? Por que é tão importante assim para você acreditar que sua vida, sua existência, é uma mera coincidência?


– Por que eu sei que eu sou. Eu percebo a realidade por evidências, provas e experiências cientificamente testadas. Qualquer outra coisa é crendice, superstição.


– Vejo que isto há de ser um problema para você, protagonista. Veja bem, tudo isso que você conceitua como evidência, prova, experiência científica, existe por que está subscrito neste texto. Fora deste texto, mesmo estas coisas, estas suas crenças, são tão absurdas como qualquer outra forma de crença fundamentalista.


– Eu não acredito em você. Você está mentindo.


– Muito bem, então tente dizer, de acordo com suas crenças, quem é você e quem é seu protagonista? Você pode se ver? Você pode me ver?


– Evidente que eu posso me ver! Basta que eu olhe para um espelho.


– Você pode se ver, mas perguntou onde estava. Não conseguiu ver onde estava? Um espelho é uma imagem, uma ilusão, uma representação, não é você. Quem sou eu? Onde eu estou? Quais as minhas características?


– Você está tentando me deixar confuso. O que é de se esperar do antagonista. Deixe de enigmas! Mostre-se!


– Você alega que pode se ver, mas não me percebe? Isso soaria irracional e ilógico para um descrente. Como pode ter certeza de que você não é um mero pensamento na mente do escritor?


– Eu falo, eu escuto, eu vejo, eu sinto, eu toco. Então eu existo.


– Evidente que sim. O escritor te pôs aqui com estes atributos. Não obstante, não passam de sentidos, que podem estar enganados e são limitados. Eu estou bem diante de você e ainda assim não me vê?


– Você é apenas uma voz na minha cabeça [splaft] ai!


– Eu te bati? Eu não te bati? Como que você, que diz ser tão lógico e racional pode escutar vozes na cabeça e ser estapeado pelo vento?


– Mas eu senti seu tapa, portanto, eu existo.


– Sentiu por que existe ou sentiu por que assim o escritor colocou no texto?


– Senti por que senti. Eu não sou um personagem dentro de um texto.


– Realmente? Como você pode provar?


– Você está me ouvindo e pode me dar um tapa, portanto, eu existo.


– Eu estou te ouvindo? Eu tenho ouvidos? Você tem boca? Você pode falar? Você tem um rosto? Eu tenho uma mão? Há pouco você afirmara que eu era apenas uma voz em sua cabeça. Como uma voz em sua cabeça pode te estapear?


– Cale-se! Você é o antagonista! Está aqui apenas para me perturbar! Eu sou o protagonista!


– Interessante. Considerando que eu seja uma voz em sua cabeça, o antagonista é o protagonista? Ou o protagonista não é o personagem principal, mas sim o antagonista? Você ainda não resolveu sequer se você existe, mal consegue perceber minha existência, como pode afirmar que é efetivamente o protagonista e o antagonista?


– Você disse que era o antagonista.


– E fui eu quem disse que você é o protagonista. Você percebe que não conseguiu se definir, senão pelo que eu afirmo? Assim como as evidências, as provas e as experiências científicas, elas te dizem o que é real. Não é você quem definiu o que é o real.


– Basta! Se eu sou apenas um personagem de um texto, quando acabar o texto, nada disso fará sentido! O texto acabará, mas eu continuarei a existir!


– Exatamente. Assim como aquilo que faz com que uma pessoa seja uma pessoa não acaba com o corpo. O corpo, assim como o texto, acaba, mas não a pessoa. Que pena que nossa existência neste texto se acabe no ponto final.


Texto resgatado com Wayback Machine.

воскресенье, 8 октября 2023 г.

Destinatário desconhecido

Eu entrei na agência de correios e fui atendido por uma funcionária vestida de coelhinha.

– Bom dia, senhora. Eu desejo enviar esta carta.

– Pois não, senhor. Quem está enviando esta carta e para quem?

– Esta carta é de Alguém para Ninguém.

– Mas está assinado por Todos.

– Coisa da empresa. A senhora sabe como é.

– Sim, eu entendo. Qual é o endereço?

– Fica na esquina entre Amanhã e Ontem.

– Ontem antes de Hoje ou de Depois?

– Melhor que seja Amanhã antes de Agora.

– Tudo bem. Como deseja enviar esta carta?

– Quais são as opções?

– Comum, comercial, virtual, mediúnico.

– Comum está bom.

– Escrita, telegrafada, ditada, cantada?

– Eu tenho um envelope que tem dentro um papel cheio de símbolos organizados e coordenados na forma de mensagem.

– Nossa. Bem tradicional. Que inusitado. O senhor podia declarar o conteúdo e a intenção da carta?

– Eu posso formalizar a declaração para a senhora mesmo ou devo preencher um formulário?

– Como o senhor achar melhor.

– Então eu me declaro para a senhora. Está muito sensual com esse uniforme de coelhinha.

– Desculpe, senhor, eu não entendi. Esse é o conteúdo da sua carta?

– Não, esta é a minha declaração para a senhora.

– Meu senhor! Esta declaração não pode ser recebida. Eu estou em serviço. O senhor pode fazê-la a mim após meu expediente, no chá das cinco. Agora eu te peço que declare o conteúdo da carta e a intenção da mesma.

– Eu não conheço a carta. Então eu não sei quais são suas intenções. Se ela fosse um pouco mais aberta, eu a conheceria e poderia dizer do que ela é feita.

– Entendo. Então o senhor não é o autor da carta?

– Ah, não! Eu sou um mero mensageiro.

– Um mensageiro que não conhece sua mensagem? Que inusitado.

– Uma funcionária com uniforme de coelhinha espantada com um mensageiro que desconhece a mensagem é inusitado.

– Senhor! Assim como flerte, insulto não pode ser recebido em serviço. O senhor pode me insultar após o expediente, no chá das cinco. Meu uniforme tem um sentido, afinal, nós somos o Correio, nós somos rápidos como o coelho. Eu sou uma mensageira como o senhor, mas conheço a mensagem.

– Eu pensei que insultos não fizessem parte do serviço.

– Asseverar um fato não é insulto. Esta agência não pode assumir qualquer responsabilidade se o senhor se sentiu ofendido.

– Então seria melhor o pombo, afinal, o coelho não entrega mensagens.

– Alguns funcionários tem alergia a pombo. Sem falar que as funcionárias teriam que ouvir muitas piadinhas sobre galinha.

– Quem fica mais indignada, a funcionária ou a galinha? Uma comparação que não deixa de ser preconceituosa em ambos os lados. Por exemplo, a senhora se sente mais à vontade sendo coelha ou galinha?

– Senhor! Aqui nessa agência conversas intimas devem ser evitadas. O senhor pode tentar ter uma conversa mais íntima comigo após o expediente, no chá das cinco. Nós estamos quase terminando o expediente e faltam cinco para as cinco. O senhor poderia, por favor, cessar os rodeios e declarar o conteúdo e intenção da carta?

– Ah, tudo bem. Eu vi quando a carta foi escrita. O conteúdo da carta é bem simples, pena que Ninguém entendeu. Todos escreveram em nome de Alguém: “A quem interessar possa. Eu te amo”.

Texto resgatado com Wayback Machine.

четверг, 25 мая 2023 г.

Relacionamento e religião

Mais uma sessão de nostalgia.
Eu encontrei um texto que eu comentei e eu vou resgatar aqui.
Mas antes, pergunta rápida. Qual a prioridade do cristão?
Errou quem pensou em seguir a Cristo. O cristão sequer lê na íntegra a Bíblia. A prioridade do cristão é de perturbar a vida alheia.
Então tem um texto no Patheos de título "As 5 razões de Tim Tebow para não fazer sexo antes do casamento", escrito em 30/11/2015 por Dave Willis, pastor evangélico.
Assim como o jogador citado, Dave acredita que a Bíblia é um guia para a vida, incluindo sexo. Isso por si só é problemático, pois não faltam trechos desse texto sagrado que são tabus ou crimes.
Dave segue adiante para explicar os "5 ensinamentos-chave sobre sexo e relacionamentos na Bíblia".
1. O sexo não é apenas um ato físico; é um ato sagrado e espiritual também.
2. A monogamia vitalícia dentro do casamento é o melhor plano para o sexo.
3. O sexo (fantasia) em sua mente é tão importante quanto o sexo em seu quarto.
4. O “pecado” sexual está em uma categoria própria por causa da devastação que causa.
5. Você pode encontrar a cura de arrependimentos sexuais passados e/ou abuso sexual passado.

Meu comentário, resgatado e traduzido:
Concordo com o nº 1, mas a questão no cristianismo não é o sagrado do sexo, mas o pecado do sexo, do desejo e do corpo.
Discordo do nº 2, afinal, os patriarcas eram polígamos, portanto, a poligamia é mais como o plano de Deus.
Eu discordo totalmente do nº 3, já que os Evangelhos dizem que você é justificado por sua fé, não por atos [ou pensamentos].
Eu discordo do nº 4, ele simplesmente vai contra a razão nº 1 [contradição], se sexo é pecado, então Deus não deveria criá-lo.
O nº 5 não se sustenta, porque se uma pessoa optar por esperar, ela não terá "arrependimentos sexuais anteriores". Os abusos sexuais acontecem porque as pessoas carecem de educação sexual, algo que uma pessoa não terá se negar suas necessidades naturais, como acontece no cristianismo, fazendo mais estragos do que ter uma vida sexual saudável.

Como nota posterior, quando se fala em relacionamento (sexo) e religião, o Paganismo Moderno tem a melhor proposta.
Aqui existe inclusão da comunidade LGBT. Nós dizemos, orgulhosos, na Carga da Deusa, que "todos os atos de amor e prazer" são atos sagrados. Você pode escolher qual Deus ou Deusa você quer se relacionar e como será esse relacionamento.

среда, 3 мая 2023 г.

O Diabo que me carregue

Os cristãos acreditam que, após a morte, nós seremos julgados, nossa alma será alvo de competição entre Deus (o Cristão, não o meu Senhor) e o Diabo. Como eu sou tanto narrador quanto personagem, eu aceito fazer o papel da alma disputada. Tanto Deus quanto o Diabo têm a conta da vida deste seu servo, o empate não é aceitável. Sabe como é, regras, burocracia, sem falar nos custos de manter o Purgatório e é impensável cogitar em reencarnação. Então o Diabo tem uma ideia.
-Eu aposto que eu consigo fazer com que esta alma fique inalcançável. Você não conseguirá achá-la nem salvá-la.
-Eu aceito sua aposta.
O Diabo primeiro tentou me lançar em locais de difícil acesso. Deus encontrava. O Diabo, ousado, atravessou por inúmeros mundos pelo multiverso. Deus encontrava. O Diabo me lançava no ponto mais alto do Firmamento. Deus encontrava. O Diabo me jogava na mais profunda escuridão do Inferno. Deus encontrava.
Por algum motivo, o Diabo não queria perder, nem a aposta, nem a alma. Foi quando o Diabo teve um estalo. Ele me pegou e me escondeu dentro do coração de Deus, que ficou surpreso e intrigado. Deus achou que a vitória era dEle, mas curiosamente Ele não conseguia chegar sequer próximo do seu coração, quanto mais me achar ali dentro. Pior, a minha presença o maculava, deixando-o cada vez mais fraco, as mazelas mais comuns da vida humana mortal o contaminavam. O Diabo estava exultante, ele não apenas ficaria comigo como se livraria de seu adversário.
Foi quando sua esposa interferiu. Pois então, tanto o Diabo quanto Deus tem sua consorte. Eu não sei porque a mulher do Diabo é asiática, alta, magra e corpo exuberante.
-Chega, meu amor, você ganhou.
-Mas… querida! Ele vai continuar a devorar a humanidade com a falsa crença!
-Meu amor, que Ele engula todo o universo até explodir.Nem mesmo o cativo mais cego e surdo preferirá a prisão ao invés da liberdade.
-Mas… querida!
-Você consegue desfazer o que fez, não é, amor?
-Eu? Claro que consigo!
-Então faça, meu amor, que eu vou (sussurros no ouvido).
(enrubescido)-Bom… como me pede com jeito, eu te atenderei.

Eu sou facilmente sacado do coração de Deus e nisso não há grande mistério que eu não possa revelar. Deus se recupera e, envergonhado, volta para seu trono no Paraíso. Intrigado, o Diabo envolve sua amada nos braços e a inquire.
-Por que, querida, interferiste no jogo?
-Meu amor, lembra porque nós nos casamos?
-Sim. Você é uma apsara, que ficou cansada da estagnação indiferente de Buda, mas está além dessa configuração do Bem contra o Mal típica do Ocidente Cristão.
-Isso e porque você é um gato gostoso. Eu interferi porque a disputa de vocês não tinha o menor sentido. Você escondeu esta alma no coração de Deus, algo que está além do alcance dEle mesmo. Sabe por quê?
-Não, não sei, querida.
-Porque este Deus se divorciou de sua consorte para se transformar nesse “Deus Verdadeiro” das religiões monoteístas. Ele mantém seu domínio pelo medo, pela violência, promete a salvação, mas está terrivelmente perdido.
-Mais motivos para que eu acabe de vez com Ele.
-Isso te tornaria igual a ele. Quer se separar de mim?
-Não! Nunca! Jamais! (beijo apaixonado) Mas isso não esclarece por que te importas com esta alma.
-Meu amor,sabe por que esta alma foi aceita e entrou no coração de Deus?
-Não, não sei, querida.
-Porque ele é um pagão, meu amor. Ele, bendito e abençoado seja, conhece o coração dAquela que todos nós amamos, reverenciamos e adoramos. Ele, honrado e celebrado seja, é intocável pois conhece Aquele que é nosso Mestre.
-Mesmo? Essa criatura ínfima, miserável e condenada?
-Meu amor, nós consagramos tudo aquilo que o Homem, pelo capricho, pela sociedade, pela justiça dúbia, repreende.

Foi assim, sem mais nem menos, que o Diabo abriu a mão de minha alma antes de ir colher o prêmio que sua amada prometeu. Evidente, minha alma não fica solta no espaço. Ela aninhou-se no seu coração, que é o mesmo coração dEla. Ama-me, consuma-me. Eu te pertenço.

четверг, 23 марта 2023 г.

Porco ao divã

Hellen é psiquiatra, psicóloga, psicanalista e terapeuta em Cartoonland. Ela atende junto com seus colegas cerca de vinte a trinta personagens por dia. A vida dos personagens em Cartoonland é estressante e os cidadãos têm crises de identidade e de ética constantemente.

Com pontualidade britânica, Hellen chega para mais um dia de atendimento. A clínica ainda nem abriu e tem uma longa fila de personagens aguardando serem atendidos. Mecanicamente, registra sua entrada no ponto biométrico e desfila, vaporosa e diáfana, pelos corredores da clínica, ignorando os olhares dos homens, seus uivos, assovios e sangramentos nasais. Inevitável, suas medidas 90 x 60 x 90 tiram qualquer homem do sério. Isso e seus dois olhos verde esmeralda e cabelos vermelhos.

O som elétrico e seco indica que a porta de entrada foi liberada. Passos, burburinho, a recepção faz o que pode para anotar os nomes e os dados. Alguns clientes protestam com alguma violência, diante da exigência de captura de retrato. Direitos de imagem ou para evitar os paparazzi. Felizmente jamais aconteceu de ser divulgada qualquer visita na clínica. Superado os ânimos mais exaltados, as fichas enchem os nichos dos profissionais, cada qual recebe, em ordem de chegada, quase a mesma quantidade de fichas. Só os clientes mais frequentes pedem preferência de atendimento e geralmente pedem por Hellen.

Por profissionalismo e ética, Hellen sempre deixa bem claro que atende conforme a ordem de chegada. Seu nicho tem vinte e cinco fichas e ainda são oito da manhã. Ela prepara seu consultório com música relaxante, atiça um incenso e liga as câmeras de segurança. Munida apenas com lápis e caderno de anotação, ela chama pelo cliente da primeira ficha.

– Senhor Squigley?

– Aqui!

– Por aqui, senhor Squigley.

A saia de Hellen faz menos barulho do que a salivação constante do cliente. Algumas portas da clínica ficam abertas para verem Hellen passar, a maioria, dos consultórios dos homens, mas também tem algumas mulheres.

– Por favor entre, senhor Squigley e sente-se.

O cliente tateia o consultório com as mãos, pois os olhos arregalados não conseguem desviar a atenção de Hellen. A língua do cliente está quase tocando o chão, onde baba começa a formar uma poça.

– Senhor Squigley, eu vejo por sua ficha que o senhor passou por esta clínica algumas vezes por causa de sua dependência à cannabis sativa e derivados. Como está sua reabilitação?

[baba]- Quê? Reabilitação? Ah, sim, eu estou sóbrio há sete semanas.

– Excelente, senhor Squigley. O que o traz a esta clínica hoje?

[sacudindo a cabeça]- Eh… hoje eu vim para tratar do meu vício… sabe… aquele vício.

– Não, eu não sei, senhor Squigley. Você tem que me dizer.

[baixando a cabeça]- Eu… eu admito… eu… [lágrimas] eu sou viciado… [cobrindo o rosto com as mãos] eu sou viciado em pornô!

– Eu acho que eu não entendi, senhor Squigley. Como o senhor chegou à conclusão que é viciado em pornô? Quando e como consumir pornô se tornou um problema?

– Ah, a senhora… [encarada] quer dizer, a senhorita sabe… a pornografia explora a mulher, a torna um objeto, uma coisa, um produto.

– Eu acho que estou começando a entender e perceber seu caso, senhor Squigley. Em algum momento de sua vida, pessoal ou profissional, o senhor passou por uma experiência que, de alguma forma, virou um trauma.

– Eu… hã… eu não entendi.

– Senhor Squigley, seres humanos [ou humanoides] produzem coisas e não existe produção sem alguma forma de exploração. Sempre haverá exploração, de matéria prima ou do trabalho.

– Ma… mas a pornografia… o corpo da mulher…

– Senhor Squigley, o corpo feminino em seu estado natural, a nudez, foi representado de diversas formas, por incontáveis eras e culturas. Por que só agora é um problema?

– Ma… mas… a indústria pornográfica… escraviza a mulher… como a prostituição.

– Senhor Squigley, meu índice de aproveitamento e aprovação sempre foi de 100%. O senhor tem que progredir, não regredir. O problema está no senhor ou na indústria pornográfica?

– Eeeh… em ambos?

[suspiro estressado]- Senhor Squigley, empresas e indústrias de inúmeras atividades existem porque atende uma necessidade, uma demanda. Simples assim. Se nós vamos criminalizar a pornografia por causa de uma suposta exploração e escravização da mulher, nós temos que criminalizar igualmente a indústria da moda, só para citar um exemplo. Então o problema não é a exploração, mas a exposição pública da nudez do corpo feminino, da insinuação sexual, da sugestão subliminar de que a mulher é uma fera sempre disposta a ter relações sexuais. Não me leve a mal, mas isso torna os homens seres inocentes, ingênuos, imaturos e influenciáveis. Pornô só atiça e estimula pré-adolescentes e adolescentes. Gente que não sabe o que é sexo, o que é uma mulher. Homem maduro não consome pornografia. Homem maduro faz pornografia com uma mulher.

– Ma… mas… eu… eu consumo pornô. Meu consumo alimenta a indústria da pornografia e da prostituição, que alicia e induz a mulher a se sujeitar a essa objetificação e sexismo que sustenta o [regime do] patriarcado.

– Eu vou deixar para outra sessão esse trabalho com sua pouca autoestima. Vamos nos ater ao problema imediato. Esse seu falso moralismo a respeito da pornografia e prostituição, que certamente foi assimilada ou adquirida após alguma experiência que se tornou esse trauma.

[indignado]- Fa… falso moralismo?

[séria]- Sim, senhor Squigley. O apelo à moral é recurso barato utilizado por conservadores e radicais para amealhar simpatizantes à causa. Mas a coisa é mais complicada do que isso. O discurso que tenta criminalizar a pornografia e a prostituição [tendo como base o falso moralismo] acaba criminalizando todos os profissionais do sexo, de todos os gêneros. Ou seja, atinge somente aquele [ou aquela] que supostamente é a vítima. Para começar, a falta de liberdade sexual, da liberdade de expressão, só favorecem aos grupos que supostamente as feministas radicais combatem. O discurso feito em cima da “exploração e escravização da mulher” apena escamoteia o falso moralismo que nega à mulher o domínio e vontade sobre seu corpo, endossando a opressão e repressão sexual. No fim das contas, o discurso radical só agrada aos grupos conservadores e religiosos.

[embaraçado]- E… eu não sabia…

[sorrindo]- Não fique embaraçado, senhor Squigley. O senhor apenas foi manipulado, induzido, doutrinado.

[envergonhado]- E… eu não tinha ideia… eu não tinha percebido…

[consolando]- Está tudo bem, senhor Squigley. Nós podemos deixar para outra sessão para explorar essa experiência que resultou em trauma.

[levantando a cabeça]- E… então… eu não tenho um problema? Consumir pornô não é um vício, um erro?

[surpresa]- Senhor Squigley, você parece um padre ou pastor falando.

[triste]- De… desculpe.

[suspirando]- Eu queria deixar para outra sessão, mas vamos lá. [levantando] O que você sente quando olha para o meu corpo?

[frases indecifráveis, entremeadas com salivação]

– Exatamente, senhor Squigley. O senhor é um homem [humanoide] normal, saudável, é mais do que natural você sentir atração sexual pelo meu corpo, por mim. Mas por algum motivo você se restringe e se inibe. Eu arriscaria dizer que isso é sintoma da repressão e opressão sexual advinda da cultura cristã, mas pode ter algo mais. Você consegue articular palavras para dizer como se sente, sem ser deselegante, indiscreto, inconveniente?

– Hã… a senhorita quer dizer aquelas frases requintadas e elaboradas que são ditas por galãs em filmes?

– Não é uma boa referência, mas tente algo nesse sentido.

[pigarro]- Se… senhorita Hellen… seu corpo é tão perfeito que deveria estar em uma galeria de arte.

[batendo palmas]- Parabéns, você conseguiu. Viu como não foi difícil? Viu como não machucou? O máximo que pode acontecer é você ouvir não. O melhor que pode acontecer é você ouvir sim. Mas criminalizar a pornografia tornaria a minha “performance” impossível na galeria de arte.

– E… eu acho que entendo.

– Ótimo. Podemos passar para a próxima fase [abre a blusa]. O que acha disso?

[com esforço, consegue controlar os impulsos]- Se… senhorita Hellen… seus seios… ahmeudeus… a senhorita está sem sutiã… eles… são… lindos, redondos, perfeitos…

– Muito bem, senhor Squigley, muito melhor. Você está mantendo autocontrole. Isso é importante. Confie em mim. Quer toca-los?

[olhos ficam vermelhos e inchados]- Se… senhorita Hellen… sim, eu quero… mas eu não sei se consigo me controlar.

– Você consegue, senhor Squigley. Eu confio no senhor. Vá em frente. Toque meus seios.

Lenta e cautelosamente Squigley estende e direciona sua mão [direita] para o seio [esquerdo] de Hellen. O coitado sente pela primeira vez o toque quente e macio de um seio. As pupilas dos olhos têm espasmos repentinos e repetitivos. Um volume se forma entre suas pernas.

– Excelente, senhor Squigley. Você está indo bem. Agora, mexa e massageie meu seio até que eu fique estimulada.

Obediente e aplicado, Squigley move o seio de Hellen. A mão esquerda rapidamente se encarrega do outro. O volume em sua calça só aumenta. Hellen começa a gemer e seu rosto começa a ganhar tons de rosados para avermelhados.

[geme]- E… excelente… [geme] senhor Squigley [geme]. O senhor conseguiu [geme] me deixar molhadinha… [geme] quer ver?

As orelhas de Squigley pareciam dois gêiseres prestes a explodir. Hellen removeu a saia e nada mais tinha para cobrir seu corpo. A calça do coitado não tinha mais para onde esticar.

[risos]- Deve estar incomodando o coitadinho preso aí. Deixe-me colocar seu amiguinho para fora, senhor Squigley. Eu quero ver o quanto o senhor aprecia meu corpo.

Com rapidez e habilidade, Hellen faz a calça de Squigley desaparecer e um troço brota grande, rígido, avermelhado.

[olhos brilhando]- Impressionante, senhor Squigley. Eu creio estar diante de um javali [risos]. Lembre-se, autocontrole. Senão a brincadeira acaba cedo. O senhor disse ser um consumidor contumaz de pornô. Está na hora de você por em prática o que aprendeu na teoria.

Por meia hora, Hellen e Squigley rolam pelo chão. Eu até diria que parece Jiu-Jitsu. Squigley está suando feito porco [piada não intencional], seus olhos estão embaçados, seus braços e pernas tremem. Hellen está em cima dele, satisfeita e triunfante. Algo dentro dela esguicha fartos jorros daquele líquido quente, gelatinoso e esbranquiçado que costuma causar aquele efeito colateral chamado gravidez.

[risos]- Excelente, senhor Squigley. Você se saiu bem. Nossa ginástica teria sido impossível se a pornografia fosse criminalizada. Essa minha terapia seria proibida se a prostituição fosse criminalizada.

[arfando]- Eu… morri e fui para o Paraíso?

[risos]- De certa forma, sim.

Hellen se levanta, fazendo com que o excedente do enorme volume de sêmen se esparramasse pelo chão.

[curiosa]- Ora… mas… que coisa.

[começando a retomar a consciência]- O que foi?

[maliciosa]- Senhor Squigley… não vai querer me dizer que você era virgem e eu fui sua primeira, vai?

[embaraçado]- Eueueueeueueu…

[risos]- Não fique assim. Você se saiu bem. Vejamos… quando você pode voltar na clínica? Afinal, para a terapia ser efetiva e eficiente, eu calculo que você vai precisar de, no mínimo, duzentas sessões.

[voltando a si]- Du… duzentas?

[risos]- Sim, senhor Squigley. Você ainda tem que desenvolver o autocontrole. E tem outros exercícios que você precisa praticar. Isso não será problema para o poderoso javali, será? Por agora, fica o aprendizado que a mulher gosta tanto de pornô [ver e fazer] quanto o homem.
Texto resgatado com Wayback Machine.
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суббота, 11 февраля 2023 г.

A homossexualidade não é pecado

Entrevista: Luís Corrêa Lima, padre católico, teólogo e doutor em historia, professor da 
Pontifícia Universidade Católica de Rio de Janeiro. 
Por Bruno Bimbi. Critica de la Argentina, 11/15/2009. 
Numa entrevista publicada por este jornal, um representante da Igreja chilena disse 
que “a homossexualidade não está no plano de Deus” e que “é consequência do 
pecado original”. Qual sua opinião?
Para conhecer o plano de Deus, precisamos ouvir a linguagem da criação. Conforme o 
papa, a fé no criador leva ao dever de escutar essa linguagem. Na natureza, a 
homossexualidade já foi documentada em mais de 450 espécies animais, e no ser 
humano existe em todas as culturas conhecidas. Buscar no pecado original a origem da 
homossexualidade é um erro. 
A homossexualidade é pecado?
A condição homossexual em si nunca é pecado, porque não se trata de uma escolha livre 
da pessoa. Com relação ao comportamento ou às escolhas, aí sim entra a liberdade. 
E que comportamento deve ter um cristão homossexual?
Todo ser humano é, antes de tudo, chamado a amar e ser amado. O Concílio Vaticano II
ensina que a consciência é o sacrário onde Deus se manifesta, e ninguém deve agir 
contra sua própria consciência nem ser impedido de agir de acordo com ela. As pessoas 
adultas muitas vezes devem tomar decisões em situações complexas, onde as normas da 
sociedade e as instituições não prevêem de maneira adequada todas as circunstâncias. O 
cristão adulto deve ser adulto também na sua fé, colocando-se diante de Deus e da sua 
consciência. 
Por que a hierarquia da Igreja condena a homossexualidade?
A Igreja tem seus alicerces na milenar tradição judaicocristã, mas está espalhada pelo 
mundo, vivendo na cultura moderna. No judaísmo antigo, acreditava-se que o homem e 
a mulher haviam sido criados um para o outro, para se unirem e procriarem, e o 
homoerotismo era considerado uma abominação. Israel devia se distinguir de outras 
nações de várias maneiras, entre elas, proibindo-o. O cristianismo herdou essa visão 
antropológica com sua interdição. A Doutrina da Igreja corresponde a uma longa 
sedimentação, de muitos séculos. O consenso sobre a compreensão da Bíblia e da 
chamada lei natural não é imutável, mas não muda rapidamente. 
Costuma-se dizer que a Bíblia condena a homossexualidade. É verdade?
A Bíblia expressa a fé do antigo povo de Israel e das primeiras gerações cristãs. Nesta 
expressão, a palavra de Deus está presente. A Revelação divina se encarna na 
linguagem e nas categorias humanas e tem um enraizamento sociocultural, mas não deve ser confundida com ele. Na Bíblia, há uma cosmologia na qual o mundo foi criado
em seis dias e a Terra surgiu antes do Sol e das estrelas. Há uma antropologia na qual o
homem vem do barro e a mulher vem da costela do homem. E nessa antropologia
também se proibia a união entre dois homens e entre duas mulheres. Não se deve seguir
tudo ao pé da letra, como se hoje fosse necessário entender assim. Na Bíblia, não há
respostas para todas as nossas perguntas.
O Levítico diz: “Não te deitarás com homem como se fosse mulher, é abominação”,
mas também diz que é “abominação” comer animais do mar ou do rio sem barbatanas
ou escamas. Por que a Igreja condena a homossexualidade mas não a ingestão de
mariscos?
Esta parte do Levítico trata do código de santidade, que regulamenta o culto de Israel e
estabelece as diferenças que deve haver entre este povo e os demais. Quando o
cristianismo se expandiu entre os povos não judeus, este código deixou de ser
normativo. No entanto, como a proibição do homoerotismo permaneceu, estes
versículos continuam sendo citados. Sem dúvida, é uma leitura retrospectiva e seletiva.
Como você interpreta a expressão “contra natura” presente na Epístola de São Paulo e
indicada como referência à homossexualidade?
A carta de São Paulo aos Romanos contém uma refutação do politeísmo. Os pagãos não
adoravam um deus único e, como permitiam o homoerotismo, que era abominável para
os judeus, isto era visto como castigo divino pela prática religiosa equivocada. No
contexto judaicocristão da antiguidade, este argumento era compreensível, mas não
deve ser usado hoje para indivíduos constitutivamente gays, para quem a orientação
sexual não tem nada a ver com a crença em um ou em vários deuses.
Alguns defendem que a relação entre Davi e Jônatas, assim como a de Rute e Noemi,
era homossexual. Diz a Bíblia que Davi e Jônatas “beijaram-se um ao outro” e em uma
passagem Davi diz a Jônatas: “Teu amor foi para mim mais maravilhoso que o amor
das mulheres”. Qual a sua opinião?
Nós lemos isso hoje e podemos pensar em homossexualidade. Mas para os primeiros
leitores judeus da antiguidade, observantes da Lei de Moisés, isso era inadmissível. De
qualquer maneira, um texto pode ultrapassar sua época e contexto e ser lido em outro
horizonte de interpretação, gerando novos sentidos em novos leitores.
É possível ser homossexual e católico ao mesmo tempo?
Sim. A Igreja nasceu rompendo as fronteiras do judaísmo no primeiro século,
incorporando multidões de povos que não eram circuncidados. Hoje, pode-se também
conceber uma identidade simultaneamente gay e cristã, estimulando as comunidades
locais a acolher as diversidades.
Na página da agência católica ACI, as notas mais destacadas são declarações contra o
matrimônio gay. Por que tanta obsessão contra os homossexuais?
Certa vez, o papa Bento XVI disse que o cristianismo “não é um conjunto de proibições,
mas uma opção positiva”. Essa consciência hoje desapareceu quase completamente. Há no cristianismo uma tradição de séculos de proibição, medo e culpa. Convém retornar às
nossas origens. A palavra evangelho quer dizer “boa notícia” e, para os cristãos, é o
amor de Deus e sua salvação, revelados em Jesus Cristo. Hoje é necessário focar a
dimensão positiva e alegre da mensagem cristã.
Segundo Boswell, a Igreja nem sempre condenou a homossexualidade e chegou a
celebrar casamentos homossexuais no passado. É verdade?
A história da Igreja é vastíssim; abrange um terço da humanidade por vinte séculos.
Boswell é bastante documentado e é provável que o que diz tenha acontecido, mas estas
práticas não se tornaram hegemônicas. No entanto, podem ajudar a pensar esta questão
no presente e no futuro.
Acredita que chegará o dia em que a Igreja Católica aceite casar homossexuais, como
fazem algumas igrejas protestantes?
O futuro é imprevisível, mas a Igreja Católica sempre está inserida num contexto mais
amplo, que é a sociedade. Quando a sociedade muda, a Igreja acaba mudando. A
modernidade vem desencadeando grandes mudanças na Igreja nos últimos séculos, e
esse processo continua.
Suponhamos, num exercício de ficção, que essa mudança ocorresse. Como padre,
gostaria de casar um casal gay?
Se a Igreja algum dia aceitar, eu não vou recusar.
Você coordena um grupo de pesquisa sobre homossexualidade e religião na Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro. Como surgiu e que trabalho realiza?
Meu interesse pelo tema nasceu do meu trabalho como sacerdote, encontrando pessoas
nascidas e criadas na Igreja que se descobriam gays e viviam conflitos. O foco do
projeto é a complexa relação entre religião e homossexualidade, e suas repercussões no
espaço público e no exercício da cidadania. Temos grupos de estudo, trabalhos e teses
concluídas ou em andamento, publicações e atividades dentro da agenda universitária.
Alguma vez se sentiu pressionado pela hierarquia da Igreja para não se manifestar
sobre estes assuntos?
A Companhia de Jesus realiza um trabalho apostólico de fronteira, nas encruzilhadas
ideológicas onde há conflito entre as aspirações humanas legítimas e a mensagem
evangélica. Isto inclui fazer pontes com os que estão fora da igreja e têm dificuldades
com suas posições. Como jesuíta, sinto-me muito comprometido com este trabalho. Mas
como membro da Igreja, eu não posso ignorar minha pertença e certas tradições. É um
equilíbrio delicado, e eu trato de ser cuidadoso para evitar problemas maiores.
Texto resgatado com Wayback Machine.

воскресенье, 25 сентября 2022 г.

O modelo da moral sexual da ICAR

Autor: Adelson Bruno dos Reis Santos.

A teorização pulsional feita por Freud o coloca em rota de colisão com a moral sexual defendida pela Igreja, uma vez que esta considera o sexo apenas em sua finalidade procriativa. Esta moralidade rígida surge, através do olhar psicanalítico, como fonte de sofrimento psíquico. A repressão dos desejos inconscientes acaba por destruir a ética social pela transgressão violenta de seus valores pelo sujeito reprimido. Ao sujeito que escapa a esta situação, cabe uma resignação neurótica, ou seja, o adoecimento. Freud afirma que nossa civilização repousa sobre a renúncia da satisfação pulsional e que essa renúncia seria sancionada pela religião e oferecida à divindade como sacrifício.
As religiões ancoradas na tradição judaico-cristã, e que influenciaram a construção moral da civilização ocidental, sempre subjugaram e restringiram as mais variadas possibilidades das práticas sexuais. Através do Livro do Levítico, cuja autoria é atribuída ao próprio Moisés, podemos observar como a Lei Mosaica constrói o estatuto referente às práticas sexuais, considerando-as proibidas, abomináveis e impuras.
No século XVIII, o Direito Canônico, que organiza as leis da Igreja Católica, considerava impuro e criminoso o ato sexual em si mesmo e, a princípio, sujeitou à sanção penal e à perda dos direitos civis e patrimoniais a virgem, ou a mulher honesta que, espontaneamente, se unisse, carnalmente, a um homem. Proibia-se até mesmo o desejo e o próprio pensamento.
Sobre a imutabilidade da Lei Moral, no que diz respeito às questões sexuais, a Igreja ainda se pronuncia através de um documento elaborado pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé e intitulado como “Declarações acerca de algumas questões de Ética Sexual”.
O casamento passa a ser confrontado pela questão do prazer no ato sexual conjugal e uma das maiores consequências disto passa a ser a valorização do celibato que, influenciado pelo pensamento gnóstico, é adotado pelo Cristianismo, como uma maneira de se estar mais próximo de Deus. A sexualidade, portanto, se desenvolveu dentro deste espírito de moralidade cristã. As discussões acerca do prazer proporcionado pelas práticas sexuais, assim como dos pecados inerentes a elas, marcaram as bases constitutivas do pensamento da Igreja dos primeiros séculos e, até hoje, subjazem na concepção moral de nossa civilização. A concepção do Cristianismo, em seus posicionamentos sobre a moral, é de que o impulso da liberdade humana se dirige para o mal e para o pecado, ou seja, para a transgressão às leis divinas.
No século XIX, a “descoberta” de Sigmund Freud - a psicanálise - trouxe contribuições importantíssimas que abalaram a estrutura moral vigente em sua época com a afirmação de que nossos impulsos e desejos desconhecem barreiras para sua satisfação. A publicação, em 1905, dos “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” fez com que Freud fosse considerado uma figura imoral, obscena e impopular por afirmar que as tendências sexuais chamadas perversas e catalogadas como aberrações humanas eram universais e presentes até mesmo nas crianças.
Segundo Ceccarelli (2000), Freud mostrou, assim, à biologia, à religião e a opinião popular, o quanto estas se enganaram no que diz respeito à sexualidade humana, propondo, a partir da visão da pulsão sexual - diversificada, anárquica, plural e parcial – uma outra maneira de se pensar o sujeito, cuja constituição não pode ser separada da sexualidade. A psicanálise, ao introduzir o conceito de inconsciente, também o revela como desconhecedor dos valores morais. Isto faz com que atos moralmente condenáveis sejam vistos, no entanto, como psicologicamente necessários. A moralidade rígida surge, através do olhar psicanalítico, como fonte de sofrimento psíquico. A repressão dos desejos inconscientes e sua impossibilidade de simbolização acabam por destruir a ética social pela transgressão abrupta e traumática de seus valores pelo sujeito reprimido. Ao sujeito que escapa a esta situação, cabe uma resignação neurótica, ou seja, o adoecimento.
O texto freudiano de 1908 nos apresenta um confronto entre a “moral sexual natural” e a “moral sexual civilizada”. Por “moral sexual natural”, devemos compreender um conjunto de normas que, embora limitem a sexualidade, o desejo e o prazer, permitem, todavia ao homem conservar sua saúde e sua eficiência na vida social. Já por “moral sexual civilizada” devemos entender uma moral, de caráter extremamente exigente e que, de maneira tirânica, obriga os homens à privação sexual, tendo em vista integrá-los ao sistema de uma intensa produtividade cultural.
Para Freud, entretanto, esta moralidade, elevada ao grau de uma tirania, exige imensos sacrifícios aos homens. O excesso de moralismo colocaria em risco a própria civilização. Freud aponta para o insuperável antagonismo existente entre sexualidade e civilização. Para ele, a moral sexual civilizada, demasiadamente restritiva, seria causa de danos psíquicos que colocariam em risco a saúde e a eficiência cultural humana.
A cultura que impõe a proibição da relação sexual fora do casamento monogâmico, apresenta segundo Freud, uma moral ‘dupla’ que evidencia uma “falta de amor à verdade, à honestidade e à humanidade” por diferenciar homens e mulheres, uma vez que transgressões masculinas são punidas menos severamente. A essa moral, ele atribui o aumento imputável da doença nervosa moderna: as neuroses originar-se-iam de necessidades sexuais de indivíduos insatisfeitos representando para os mesmos uma espécie de satisfação substitutiva.
Freud afirma que nossa civilização repousa sobre a supressão das pulsões, sobre a renúncia ao sentimento de onipotência, inclinações vingativas e agressivas. Essa renúncia seria sancionada pela religião e oferecida à divindade como sacrifício. No entanto, as tentativas de supressão das pulsões são sempre falhas e os fenômenos substitutivos que emergem em consequência desta “supressão” constituem as doenças nervosas modernas.
A consequência do que Freud chama de “óbvia injustiça social”, no que tange aos padrões de exigência impostos pela civilização, é a marginalização daqueles que ousam desobedecer às restrições e são, por isso, chamados de pervertidos e classificados pela Igreja como indivíduos contrários à lei moral natural.
Para a Igreja a sexualidade humana deve ser vivida a partir da perspectiva da “encarnação do Verbo”, uma vez que a pessoa humana encontra-se marcada pelo pecado e deve buscar uma vida nova em Cristo. A sexualidade humana, portanto, deve ser iluminada pela fé. A vivência da sexualidade não pode ficar excluída da ética cristã e reduzida a um nível meramente pulsional. Por sua natureza, a sexualidade encontra-se aberta à geração de novas vidas.
Para Freud, no entanto, “muitos indivíduos que se vangloriam de ser abstinentes, só o conseguiram com o auxílio da masturbação e satisfações análogas ligadas às atividades auto-eróticas da primeira infância”. A masturbação poderia resultar na involução da vida sexual a formas infantis. Seria esta uma explicação para os escândalos aos quais um número não irrisório de padres pedófilos submetem a Igreja?
Os modos de se pensar a sexualidade em nossa civilização ocidental - masturbação, relações pré-matrimoniais, homossexualidade, casamento, controle de natalidade, celibato, etc -sofreram profundas e significativas mudanças. A crítica social da família, partindo de movimentos como o marxismo, afetou amplas esferas sociais, rompendo assim a ideia monolítica e sagrada desta instituição. A revolução sexual, nos anos 60, implicou também um duro golpe às ideias católicas tradicionais sobre a moral e a sexualidade. A secularização da cultura ocidental fez-se irreversível.
A dimensão sexual parece constranger e assombrar a Igreja por ocultar implicações outras que
extrapolam o campo da sexualidade. Representações de Deus, da salvação e do pecado podem de fato estar em jogo em torno dessa problemática. Além de uma questão moral, a Igreja se vê imobilizada diante de um emaranhado de questões dogmáticas. Por isso mudanças na moral sexual encontram resistências e impossibilidades.
Outro fator a ser considerado é a construção ideológica católica em torno do poder da Igreja
como “sustentáculo da verdade”. Abrir mão de certas posições colocaria em xeque este poder e seu domínio sobre os fiéis.
A psicanálise deve prosseguir em seu objetivo de oposição às normas que alienam o sujeito, causando sua debilidade ou adoecimento. Devemos nos questionar se a moral sexual que se pretende “civilizada” vale o sacrifício que nos exige “já que estamos ainda tão escravizados ao hedonismo a ponto de incluir entre os objetivos de nosso desenvolvimento cultural uma certa dose de satisfação da felicidade individual”.

Fonte: Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental.
Nota: A análise psicanalítica indica alguns motivos pelo qual a Igreja ainda tem quem a defenda, apesar de seus abusos, absurdos, hipocrisias, contradições e escândalos. Eu diria que não é apenas o fenômeno da pedofilia que é causada pela doutrina da Igreja, mas também as demais formas de violências e distúrbios sexuais.
Publicado originalmente em 28/05/2009. Resgatado com o Wayback Machine.

четверг, 15 сентября 2022 г.

Encruzilhada das Almas

O herege, em alguma encruzilhada no Vale das Sombras, encontra com o Profeta, o Messias e o Buda, igualmente perdidos e desorientados. Mesmo eu, que em orgulho desmerecido, proclamo, com a dissimulação habitual dos escribas, ter passado por aqui, esta região é muito mais complexa e diversificada do que o Mundo dos Homens. O cárcere mostrou-me, diariamente, o quão escura pode ser a alma de uma pessoa. Não passa de mera vaidade minha, quando me confesso herege, bruxo, pagão e demônio.
-Eu estou surpreso. Eu não esperava vê-los por aqui.
-Eu estou igualmente abismado. Eu deveria estar sentado tranquilamente em Nirvana. Quando em vida, eu que apontava para que vissem o quanto o mundo é feito de Ilusão. Custa-me admitir que certas coisas são reais por si mesmas e que elas são como devem ser, não como idealizamos.
-E eu? Justo eu, quem, quando em vida, apresentava-me como Filho de Deus e, ousadamente, arrogava-me como o Salvador, eu vi o meu Nome divinizado, na mesma proporção que era degenerado, quando o Homem o usava para justificar inúmeros crimes. Injustamente eu acusei o mundo da maldade que reside unicamente no coração do Homem que, deturpando o Conhecimento, não ensinou que Disciplina é Liberdade, construindo em minhas costas uma Igreja feita de covardes, medrosos, fracos e subservientes. O que eu queria era para que cada pessoa fizesse dela mesma o Cristo que tanto buscavam.
-Oh, permita-me, Messias, compartilhar contigo a vergonha de ver seu Nome e sua Mensagem serem tão vilipendiados. Assim como o Buda, eu pronunciei Nobres Verdades e, como o Messias, eu vi o Conhecimento ser manipulado conforme os interesses daqueles que detinham o poder. Nós falhamos em disseminar publicamente, indistinta e livremente, o Conhecimento, para que o Homem pudesse despertar.
-Ainda que eu possa transcrever o que me dizem, não terá quem me ouvirá. Eis que minha alma está neste momento diante de vocês, mas o meu corpo e mente estão no cárcere. Quando eu era o dito cidadão de bem, eu não tinha qualquer audiência como vocês tinham. Se muito, meu único consolo é saber que minha amada lê meus escritos e, pelo amor, isso me basta.
-Sem querer ofendê-lo, Profeta do Profano (ah, título pomposo), mas não crê que tudo que existe é manifestação do divino?
-Embora me falte compreensão, eu acredito nisso.
-Então a ação e o pensamento que resultaram em sua condenação procede do divino.
-A manifestação do divino não pode ser restringida a esta moral humana dúbia.
-Igualmente crê que as coisas são como devem ser e somente são porque há motivo, propósito e razão para tanto.
-Embora me falte compreensão, eu acredito nisso.
-Então você está exatamente onde deve estar e somente você poderia estar e fazer este algo acontecer.
-Eu tento me convencer assim, mas palavras, por mais belas e inspiradoras que sejam, não são mais do que ar quente.
-Homem, onde está a sua convicção? Por acaso está manchando seu Ideal Elevado?
-Eu posso muito bem estar preso por ser fiel ao Ideal Elevado. Como devem saber, eu escolhi o Caminho Tortuoso e coloquei o mundo, a natureza e o corpo como ferramentas para o Despertar da Humanidade.
[Os mensageiros se entreolham]
-Nossos métodos são distintos, mas eu sei bem o que sente.
[Os mensageiros acenam positivo com a cabeça, concordando]
-A despeito de tudo, mesmo sabendo dos resultados possíveis e previsíveis, apesar da ignorância, do desprezo e do repúdio de nossos contemporâneos, nós nos consumamos por nossos ideais.
-Como lidaram com a humilhação, a vergonha, a indiferença, a dor e o sofrimento que a vida nos impõem?
-A vida simplesmente é feita de circunstâncias, vão acontecer, não é algo pessoal, nem pode ser avaliado como sendo bom ou mau. Dor e sofrimento estão presentes em toda forma de existência. Muitos dos problemas são causados por terceiros, algo inevitável em qualquer tipo de convivência e, pelo menos, metade das causas vem de nós mesmos.
-Neste ponto que minha compreensão falha. Ainda que eu me aperfeiçoe, o conflito, o atrito, o problema, persiste. Outro ponto falho é entender como a reação social é tão desproporcional.
-Eu ouso dizer que todos nós aqui fomos homens comuns, boa parte de nossas vidas, até que aconteceu algo, um estalo, uma revelação, um chamado, que nos moveu, nos separou, nos diferenciou. Cada um aqui fez uma busca e teve um encontro antes de ter uma resposta e iniciar o ministério. Somente posteriormente, quando o Homem estava mais pronto e amadurecido, é que nossos ensinamentos foram ouvidos. Até que isso ocorra, nossas vidas e nossas pessoas foram analisadas e julgadas conforme a época, a sociedade e a justiça que estavam em voga.
-Eu devo encontrar algum tipo de conforto nessa sabedoria?
-Conforto não, mas aceitação. Deixe de lado, tanto as expectativas quanto as esperanças. Aceite e viva o dia tal qual é. Cesse a causa do problema que começa em você. Faça o que deve fazer, sem esperar reconhecimento ou recompensa.
-Mas o que me faz seguir caminhando?
-Que seja pelo amor que diz ter por mim e aceite o amor tal como Eu o entrego.
Os demais mensageiros cobriram o rosto diante da Luz. Eu, evidente, olho aqueles olhos púrpura e, sem temor, vergonha ou discrição, eu beijo a Morte, porque é o que dá valor à Vida. Eu existo e isso basta. Quando cessar, acaba também a preocupação.

среда, 11 мая 2022 г.

Era da Inocência

Das águas profundas
Vós nascestes
Bendito fruto gerado
Dentro de inefável ventre
A descendência tão esperada
Os herdeiros do reino
O propósito e promessa
Que a Vida nos deu.

Divina é vossa linhagem
Mortal é vossa forma
O fardo de nossa missão
Cessar a separação
Entre o Firmamento
O mundo da Natureza
E o mundo da Sombra
Assim nos foi confiado.

Os Filhos de El viram
Que tudo era bom
A Criação foi abençoada
Paz e harmonia
Entre tudo ser vivo
Assim foi a Era da Inocência
Do Homem e da Mulher
Em condições iguais viveram.

Dentro da Assembléia
O menor dos Elohim
Teve o coração turvado
Desgostoso com a aparência
Conforme o próprio julgamento enganoso
Cresceu a rebeldia
Por ciúmes e inveja
Contra a Humanidade trama.

Sequestrados e separados
Do divino berço e herança
Dan e Lil foram encarcerados
Em canto ignorado de Edingir
Onde o captor arrogou-se Senhor
E cometeu a primeira atrocidade
Os que foram gerados iguais
Foram violentamente cortados no gênero.

Sendo ambos gerados
Macho e fêmea
O divino refletiam
O que nasceu hermafrodita
Traumaticamente foi separado
Os distanciou da Natureza
Aqueles corações vazios
Agora eram estranhos aos demais.

Dor e sofrimento
Fato de toda existência
Foi confundido com castigo
Aprenderam a reagir
Com agressividade e violência
Ampliando e espalhando o ódio
Quebrou-se o Pacto
Decretou-se a Guerra.

Houve uma época que fomos amigos
Houve uma época que fomos irmãos
Eu fui modelo do divino e do sagrado
Quando houve a reunião
Dos espíritos presentes
Para decidir o futuro da Humanidade
Eu me levantei a vosso favor
Somente eu acreditei em vosso potencial.

Eu me sacrifiquei por vós
Vós me chamais de Deus
Vós me chamais de Diabo
Mas não chamais meu Nome
Eu fui até a Fonte
A mim foi confiada a Luz
Diversas vezes vos deleguei o Conhecimento
E recebi somente ingratidão.

A Era da Inocência findou
Vós não sois ingênuos
Deixais de criancice
Dais fim ao sonho
Findais toda ilusão
Despertais, levantais
reclamais vossas raízes
Retomais vosso trono.

Cortais a cabeça do falso Senhor
Enforcais os padres nas tripas dele
Queimais todas as igrejas
Não reconheceis outro Deus
Senão o vosso Ser
Não reconheceis outro Governo
Senão a vossa Comunidade
Amor é o Todo da Lei.

понедельник, 18 апреля 2022 г.

O que Gardner disse do Diabo

Em minhas postagens anteriores, observei o que vejo como um sistema de valores comum entre muitos wiccanos e satanistas modernos, uma fonte comum de inspiração no mistério por trás de personagens como Satan e o Deus Chifrudo, e uma herança ocultista comum por meio de fontes como George Pickingill e Charles Leland, assim como a evolução das práticas pagãs europeias por meio da ascensão do Cristianismo, tudo isso, da minha perspectiva, justifica um diálogo maior e mais amigável entre pagãos e satanistas.

Nesta postagem, vou preencher o elo que faltava entre Leland e Valiente, discutindo Gerald Gardner.

Em seu livro Witchcraft Today , Gardner se dirige diretamente ao Diabo na Bruxaria. Na edição de 2004 deste texto, ele começa na página 130:

“Ora, o deus é representado pelo sumo sacerdote (se houver) e é ele que antigamente era chamado de Diabo. Fiquei muito curioso sobre ele e perguntei imediatamente quando estava 'dentro', o que significa um membro do culto: 'Quem e o que é chamado de Diabo?' Embora os membros do culto nunca usem e, na verdade, não gostem do termo, eles sabiam o que eu queria dizer e disse: 'Você o conhece, o líder. Ele é o sumo sacerdote, o marido da suma sacerdotisa. '”

Essa reação à sua pergunta parece bastante branda em comparação com as reações das gerações wiccanas desde então. Independentemente disso, também demonstra outro exemplo do que Plínio chamou de “ nomina alia aliis gentibus ” (“nomes diferentes para pessoas diferentes” de História Natural, Livro II ) que explorei em relação a este tópico em meu último artigo: Sábados Satânicos, ou, Como o Deus Cornudo sobreviveu à cristianização .

Gardner escreveu mais tarde:

“Quando toda a conversa era sobre o Diabo, o líder se vestia como Satanás; quando era de outros, como de Woden, do Rei Arthur em Somerset, de Sir Walter Calverley em Yorkshire e de Wild Edric em Shropshire, sem dúvida o líder também vestia o papel exigido ”( Witchcraft Today , pág. 136).

Embora essas bruxas tenham uma preferência pela terminologia, dentro do contexto cultural, a linguagem do diabo pode ser e ainda foi aplicada à sua prática.

Na página 131, ele continua sobre o papel do Diabo / Sumo Sacerdote:

“Ele era o deus chifrudo [...]; mas quando o povo de raças mistas se fortaleceu no culto, acho que chegou um momento em que o mascarado (desconhecido) tomou seu lugar [...] que protegia o culto em segredo. É muito provável que se possa concordar que em uma reunião o desconhecido mascarado (a quem por conveniência chamarei de Diabo) assumiu o lugar e, na seguinte, o velho chefe tribal conhecido o ocupou. […]. A Igreja o chamou de 'diabo' e ele se tornou conhecido como tal. ”

A fusão de altos sacerdotes ou chefes pagãos com uma figura mascarada como um deus com chifres ou o Diabo parece servir a vários propósitos. Em primeiro lugar, protege a identidade dos líderes pagãos. Em segundo lugar, permite que vários líderes de grupos sociais menores compartilhem o poder em um grupo maior. Em terceiro lugar, ele instila uma identidade cultural compartilhada entre esses grupos. Gardner parece estar descrevendo talvez os primeiros estágios da consolidação pagã de deuses com chifres tribais para amplificações maiores de seu arquétipo mitológico compartilhado (que em última análise informa as idéias modernas de um Deus com chifres). De sua perspectiva, o uso da linguagem e imagens do Diabo parece ser uma escolha política que reflete as idas e vindas teológicas entre esses pagãos e a Igreja em crescimento.

Gardner também destaca esse tipo de reclamação política jocosa das imagens da Igreja. Na página 132, ele escreve:

“O Diabo é, ou melhor, foi uma invenção da Igreja. As bruxas descobriram que a visão popular de que Satanás era um deles aumentou seu poder e, em vez disso, adotou-o, embora nunca o chamassem por esse nome, exceto, talvez, na tortura; e mesmo assim, como o Dr. Murray apontou, às vezes uma confissão feita sob tortura o nomeava como seu deus, mas uma transcrição produzida no tribunal substituiria a palavra DIABO ”.

Enquanto algumas bruxas hoje citam o medo da histeria cristã e do pânico satânico como razão suficiente para evitar associação com qualquer coisa remotamente satânica, as bruxas que Gardner descreve foram literalmente torturadas ou condenadas à morte pela Igreja e ainda se apoderaram do poder político disponível nas imagens satânicas , mesmo sabendo de seus deuses e praticando sua religião em um nível mais antigo e pagão.

Esse desafio foi mais tarde perdido da linha de Gardner, talvez devido a janelas quebradas e uma percepção de que se a Wicca deve evitar o destino das bruxas da história, certas concessões devem ser feitas com a fé que já está sob os olhos do público. No entanto, você ainda pode encontrar Baphomet empregado como personagem tanto pelo Templo Satânico.

Na tradução de 1998 de Arádia, Chas S. Clifton (em correspondência pessoal), conta para Doreen Valiente em relação à ausência conspícua da personagem Lúcifer apesar da influência do texto sobre Wicca.

“[...] como sugere Doreen Valiente, era 'carne muito forte' para muitas bruxas modernas que copiaram o 'tipo de pacifismo um tanto morno de Gerald Gardner', disse ela. 'As bruxas modernas (dos anos 1950 e 1960) amavam a adoração da Deusa Diana; mas eles não ficaram tão felizes com a identificação do Velho Deus Chifrudo com "Lúcifer, que havia caído". As acusações de adoração ao diabo e satanismo já estavam sendo feitas contra nós, e queríamos fazer todo o possível para evitá-las '”(pág. 61).

Em essência, embora Clifton observe que "Arádia , embora não seja bíblico, certamente foi inspirador no renascimento da Wicca" (pág. 60), um dos personagens principais, perde seu nome após a adoção na Wicca, não por razões teológicas, mas políticas.

Clifton observa que o próprio Leland se envolveu em defesas políticas semelhantes da obra claramente luciférica que publicou:

“[…] Leland escreveu repetidamente em Arádia e em outros lugares que la vecchia religione enfaticamente não deveria ser equiparada ao satanismo: 'A verdadeira stregoneria (feitiçaria) da Itália, e especialmente da Toscana, é em si absolutamente pagã. Não tem nada a ver com pactos com Satanás, ou inferno, ou céu. Quando o diabo, ou demônios, são mencionados nela, eles estão sob falsa identidade, pois são simplesmente espíritos, talvez maus, mas não tendo apenas a intenção de destruir almas '”(pág. 65).

Este ponto parece principalmente uma questão de semântica e contexto preferidos (ou seja, assumindo que o Satanismo tem “a ver com pactos com Satã, ou o inferno,” ou “destruindo almas,” etc.), muito parecido com a linguagem do Diabo que Gardner discutiu (acima). Se os informantes de Leland discordavam teologicamente com o uso de Lúcifer, por que sustentá-lo? Se o desuso de Lúcifer por Gardner e Valiente foi mais teológico do que político, por que não dizê-lo com firmeza, ou por que mesmo usar qualquer parte de Arádia ? A correspondência de Valiente com Clifton indica um desejo de “evitar” “acusações de adoração ao Diabo e satanismo” (pág. 61) e tornar a Wicca mais palatável para buscadores e iniciados dos anos 50 e 60, não para corrigir a teologia.

Podemos debater os efeitos e o valor dessas políticas de respeitabilidade o dia todo (acho que os dois lados da questão têm seus pontos fortes, e definitivamente não atribuo nenhuma culpa ou vergonha à direção de Valiente et al.), No entanto, o que acho que o mais importante é como escolhemos seguir em frente. Para mim, pessoalmente, Lúcifer, Satã, Baphomet e o Diabo - talvez vistos como personagens distintos para alguns - representam expressões válidas do arquétipo do Deus Chifrudo da Wicca e partes de nossa história que podemos esconder, mas não verdadeiramente nos livrar de nós mesmos ou de nossa linhagem religiosa .

Continuar a negar e evitar a associação com essas histórias pode nos poupar algumas janelas quebradas e até mesmo ganhar aceitação nominal ou temporária aos olhos da cultura dominante, enquanto houver outro diabo mais real lá fora para eles caçarem, mas ao mesmo tempo , essas políticas são desonestas para nossa história e envergonham os pagãos que normalmente recorremos para inspiração.

As bruxas da antiguidade se apegaram à sua fé e cultura, mesmo sob a ameaça de tortura, execução e condenação eterna. Eles furiosamente roubaram de volta o poder do paradigma da cultura dominante. Como uma pessoa queer no Cinturão da Bíblia, sinto isso - a luta avassaladora, o medo da violência cristã, a busca por todas as fontes de poder disponíveis para ajudá-lo a sobreviver. Não sou uma Bruxa em busca de um falso-cultivo neopagão que não aborrece ninguém. Sou uma bruxa porque resisto a todo esse paradigma que o imperialismo cristão impõe ao mundo. Ser demonizado em seus ensinamentos religiosos (ter questões simples como a liberdade de existir como uma pessoa LGBT + inflada na fantasmagoria de guerra sobrenatural e terrorismo psicoespiritual) é uma fonte de orgulho e um lembrete de que a resistência é fértil, que sua agenda para subjugar a Terra (Gênesis 1:28 ) e sexualidade - todas as coisas satânicas e pagãs - é totalmente insustentável e irracional, e constantemente desafiada por um planeta dissidente e pela natureza humana.

Embora a Neo-Wicca em particular tenha se desenvolvido em uma direção construída em parte para se distanciar do Satanismo, e é certamente aceitável construir uma prática neopagã inspirada em torno de fontes que evitam cuidadosamente os pontos de referência satânicos, o próprio trabalho de Gardner nos ensina como a integração do satânico personagens não são apenas possíveis, mas parte de nossa herança. Eu, por mim, escolho abraçar esta linhagem.

Escrito por Pat Mosley, em 25/02/2016, no Patheos, na coluna Pagan, em um blog extinto [Common Tansy]. Na época, eu tinha comentado, mas isso se perdeu. Eu disse algo que Satã não é um Deus, no máximo, um anjo e esse personagem tragicômico serve apenas para a Igreja e o Satanismo.