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воскресенье, 8 марта 2026 г.

Oração Contra Mercadores do Sagrado

Conversa com o Gemini:

Você disse
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/falsa-cigana-e-presa-apos-fingir-incorporacao-e-extorquir-r-405-mil-no-rj/

Sim, infelizmente isso acontece.

Eu acho repugnante pastor que fica explorando seu rebanho. Mas no nosso meio o que não falta é charlatão, vigarista, picareta e farsante.

Escreva um hino ou oração para que os Deuses (ou alguma entidade) nos livre dessa vergonha.

O Gemini disse
É realmente revoltante ver a fé e a espiritualidade serem usadas como ferramentas de extorsão. Como você bem pontuou, a picaretagem não escolhe credo: seja no púlpito ou na mesa de jogo, o charlatanismo fere a dignidade do sagrado e explora a vulnerabilidade de quem busca auxílio.

Para um escritor herético e pagão que preza pela liberdade e pela verdade, essa "vergonha" é um insulto direto aos Deuses e aos nossos ancestrais.

Aqui está uma oração/hino focada no discernimento e na limpeza desses caminhos, invocando a força da verdade e o rigor daqueles que guardam os mistérios.

Oração Contra os Mercadores do Sagrado
Ó Grandes Antigos, Senhores da Noite e da Luz,
Que vossos olhos, que tudo veem, pousem sobre aqueles que usam vossos nomes em vão.
Vós que habitais o silêncio e o mistério,
Não permitais que o tilintar das moedas abafe a voz do espírito.

Àqueles que tecem mentiras sob o manto da fé:
Que a vossa máscara caia diante do espelho da verdade.
Que o chão que pisam se torne estéril,
Pois quem vende o que é sagrado, colherá apenas o vazio.

À Senhora dos Caminhos e aos Guardiões da Encruzilhada:
Varrei de nossa frente os lobos em pele de cordeiro.
Que o vosso chicote de fogo afaste os vendilhões do templo,
E que vossa fumaça sagrada sufoque a língua dos charlatões.

Concedei-nos o dom do discernimento:
Para que saibamos distinguir a chama divina do fogo fátuo.
Para que nossa devoção seja livre de amarras e de preços,
E que nossa busca seja guiada pela honra, não pela ganância.

Que a verdadeira magia floresça na liberdade,
E que os exploradores sejam banidos para o esquecimento.
Assim seja, e assim se faça!

Por que isso é importante?
Casos como esse reforçam o estigma contra as religiões de matriz africana e o paganismo, alimentando o preconceito que você combate. O verdadeiro sacerdócio é serviço e conexão, nunca um balcão de negócios.

Gostaria que eu escrevesse um texto curto, no seu estilo de "escritor herético", denunciando essa mercantilização da fé para ser publicado em suas redes ou blog?

Você disse
Escreva esse texto.

O Gemini disse
Com certeza. Para um escritor herético, a caneta é uma lâmina que corta as máscaras da hipocrisia. Este texto foi pensado para ser direto, ácido e focado na defesa da dignidade do sagrado contra os mercadores da fé.

O Mercado das Almas: Onde a Fé Vira Fraude
Dizem que o sagrado não tem preço, mas para os abutres do espírito, tudo é negociável. Recentemente, mais um episódio de extorsão sob o manto de uma falsa espiritualidade ganhou as manchetes. Uma "falsa cigana", uma "falsa incorporação", um golpe real de quase meio milhão de reais.

Como escritor herético e pagão, minha revolta não é com a crença, mas com a profanação do rito.

Não há diferença moral entre o pastor que extorque o dízimo da viúva e o charlatão que simula uma entidade para esvaziar a conta bancária de quem sofre. Ambos são parasitas que se alimentam da vulnerabilidade alheia. Eles não servem aos Deuses; eles servem ao próprio bolso.

A verdadeira espiritualidade — aquela que defendemos com liberdade e orgulho — é um caminho de soberania, não de servidão financeira.

O Sagrado é Liberdade: Se o seu "guia" pede o seu cartão de crédito antes de ouvir sua dor, ele não é um guia, é um caixa eletrônico de má-fé.

O Poder vem de Dentro: Nenhuma entidade legítima, seja das encruzilhadas ou dos panteões antigos, exige a ruína alheia para conceder axé ou sabedoria.

A Vergonha é Deles, Não Nossa: O charlatanismo é o maior aliado da intolerância. Cada golpe dado por um picareta é munição nas mãos de quem quer nos perseguir.

Denunciar o vigarista é um ato de devoção. Limpar nossas fileiras dos "vendedores de milagres" é o primeiro passo para garantir que nossa fé seja respeitada. Que os Deuses nos deem olhos para ver através das máscaras e mãos firmes para banir os mercadores do nosso templo.

A magia é livre. O espírito não tem dono. E a nossa dignidade não está à venda.

Criado com Gemini, do Google.

Decepção com Paganismo Moderno

Conversa com o Gemini:

Você disse
https://www.patheos.com/blogs/witchonfire/2026/02/perfect-love-trust-age-of-fear/

Se me perdoa o palavrão..."perfect love and trust" my ass.

Desde que eu me declarei pagão moderno, em 2006, eu nunca vi essa filosofia sendo aplicada.

O que eu vi foi celebridades falando barbaridades para ganhar mais público.

O que eu experimentei foi traição e abandono por quem prometeu que me ensinaria a Bruxaria e a Wicca tradicionais.

Me ajude a escrever um texto que expresse essa minha decepção e amargura.

O Gemini disse
Entendo perfeitamente o seu sentimento. Para quem vive a espiritualidade com a seriedade de um escritor e a entrega de um devoto — especialmente alguém que caminha com Lilith e conhece o peso da verdadeira liberdade — ouvir o clichê "Perfect Love and Perfect Trust" (Perfeito Amor e Perfeita Confiança) pode soar como uma piada de mau gosto ou, pior, uma ferramenta de manipulação.

Desde 2006, você viu o mercado da fé crescer enquanto a comunidade, muitas vezes, minguava em caráter. O abandono de quem deveria guiar e o cinismo de quem busca apenas "likes" geram uma ferida que a retórica vazia da New Age não consegue curar.

Aqui está uma proposta de texto que reflete essa sua trajetória, unindo a sua identidade de escritor pagão à crueza da sua decepção:

O Cadáver do "Perfeito Amor": 20 Anos de Sombras no Paganismo
Vinte anos é tempo suficiente para ver um altar ser erguido e transformado em palco de vaidades. Desde 2006, quando assumi minha identidade como pagão moderno, ouço o eco da máxima "Perfect Love and Perfect Trust". Hoje, com a caneta de quem escreve heresias e o coração de quem conhece a solidão dos marginalizados, digo sem hesitar: essa promessa é um mito conveniente.

O que a "comunidade" me ofereceu não foi o acolhimento dos antigos deuses, mas o espetáculo grotesco de celebridades de nicho. Vi bocas falarem barbaridades em busca de engajamento, transformando o sagrado em mercadoria e a gnose em entretenimento barato. Onde deveria haver fraternidade, encontrei o algoritmo.

A Traição dos Mestres
A amargura que carrego não nasceu do nada. Ela foi forjada no abandono.

A Promessa: O acesso aos mistérios da Bruxaria e da Wicca tradicionais.

A Realidade: Mentores que se tornaram carrascos do entusiasmo alheio, que prometeram o ensinamento e entregaram as costas.

Fui traído por quem deveria ser farol. Fui deixado para trás por aqueles que usavam a liturgia como escudo para o ego. Para quem caminha com o fogo de Lilith e não aceita as correntes do dogma, perceber que o "tradicional" muitas vezes é apenas um disfarce para o controle é um golpe amargo.

O Despertar da Heresia
Não há "perfeito amor" em quem silencia para lucrar. Não há "perfeita confiança" em quem usa o título de sacerdote para construir fã-clube. Minha espiritualidade hoje sobrevive não por causa dessas estruturas, mas apesar delas.

Sou um escritor herético porque a verdade que encontrei na terra e nos antigos é muito mais brutal e honesta do que o marketing espiritual das redes sociais. Se a liberdade sexual e religiosa incomoda aqueles que pregam o amor mas praticam o abandono, que assim seja. Meu compromisso é com o real, com a sombra que não mente e com a independência de quem não precisa de guias falsos para encontrar o próprio poder.

"A confiança é uma joia que não se lapida em grupos de WhatsApp ou em discursos de palco. Ela se prova no silêncio do rito e na lealdade do cotidiano — coisas que parecem ter se perdido na era do medo e da vaidade."

Criado com Gemini, do Google.

четверг, 19 февраля 2026 г.

Paganismo Orgânico vs. Inveja Protestante

Conversa com o Gemini:

Faça um resumo do texto deste link:

https://www.patheos.com/blogs/johnbeckett/2026/02/more-organic-paganism-less-protestant-envy.html

O artigo "More Organic Paganism, Less Protestant Envy" (Mais Paganismo Orgânico, Menos Inveja Protestante), escrito por John Beckett no blog Under the Ancient Oaks (Patheos), discute como muitos pagãos modernos tentam inconscientemente validar sua fé emulando estruturas e expectativas das denominações protestantes.

Aqui estão os pontos principais do texto:

1. A Crítica à "Inveja Protestante"

Beckett argumenta que, como a maioria dos pagãos vive em culturas moldadas por séculos de hegemonia cristã (especialmente protestante), eles tendem a avaliar o sucesso de sua religião com base em métricas cristãs. Isso inclui o desejo por grandes templos, burocracias organizadas, cleros em tempo integral e a busca por uma "respeitabilidade" social que o paganismo raramente possui.

2. Paganismo como Religião Orgânica

Em vez de tentar construir instituições rígidas, o autor defende um paganismo orgânico. Isso significa uma fé que:

Cresce naturalmente a partir da experiência direta com os deuses, os ancestrais e a terra.

Prioriza relacionamentos e práticas locais em vez de dogmas universais.

Não precisa de grandes infraestruturas para ser "real" ou poderosa.

3. O Perigo da Institucionalização

O texto alerta que, ao tentar criar igrejas pagãs que funcionem como as protestantes, corre-se o risco de sufocar a essência do paganismo — que é descentralizada, selvagem e baseada no êxtase. Beckett sugere que a força do paganismo reside justamente em sua capacidade de sobreviver nas margens, de forma fluida e adaptável.

4. Mudança de Foco

O autor propõe que os pagãos parem de perguntar "Por que não temos o que os batistas têm?" e comecem a focar no que o paganismo oferece de único:

A conexão direta com o sagrado sem a necessidade de um mediador institucional.

Uma ética baseada na soberania pessoal e na reciprocidade com a natureza.

Uma espiritualidade que aceita o mundo como ele é, em vez de focar em uma salvação futura.

Conclusão

O resumo da mensagem de Beckett é que o paganismo não deve aspirar a ser uma "versão alternativa do protestantismo". Em vez de "invejar" a organização alheia, os praticantes devem abraçar o caos criativo e a natureza orgânica de suas próprias tradições, construindo comunidades que façam sentido para sua realidade, e não para agradar a sociedade em geral.

Como você mencionou ser um escritor herege e pagão moderno, esse texto provavelmente ressoa com sua visão de liberdade religiosa e resistência aos padrões tradicionais de religiosidade.

Eu lembro que teve uma celebridade local que tentou fazer uma Igreja de Bruxaria e Wicca do Brasil.

Eu vi com interesse como as igrejas tem sido usadas (convertidas?) para uma boate. O Paulo Lopes comemora toda notícia que fala do declínio da religião, esquecendo o contexto (o declínio é do Cristianismo ou das religiões institucionalizadas, aparecendo muitas pessoas que se declaram "sem religião", mas que tem algum tipo de espiritualidade).

E aquilo que pode nos unir (falta de uma autoridade central ou livro sagrado) também pode nos dividir (pouco ou nada é anunciado coletivamente e temos conflitos internos).

E as virtudes, ainda que o John tenha indicado como sendo um "conceito cristão", eu sei que não é nem assim, os padres assimilaram e copiaram muita coisa das religiões que foram suprimidas, bem como os conceitos de virtude vindas do Neoplatonismo.

Eu adoro e odeio essa tendência do Do It Yorself do Paganismo Moderno. Isso causa muita confusão e dor de cabeça.

Fica difícil ser levado a sério quando celebridades fazem afirmações absurdas ou quando um vigarista/farsante/charlatão macula a nossa reputação.

Por isso eu estou focado em aprofundar minha espiritualidade e continuar fazendo meus rituais.

Sua reflexão toca no ponto central da "crise de crescimento" do Paganismo Moderno, especialmente no Brasil. É um equilíbrio delicado entre a liberdade absoluta do praticante solitário e a necessidade de uma base que nos proteja de charlatões.

Aqui estão alguns pontos sobre o que você trouxe:

O Declínio do "Império" e o Vácuo Espiritual

Você está coberto de razão sobre o Paulo Lopes e outros observadores: o declínio não é da espiritualidade, mas do modelo de negócio religioso. O aumento dos "sem religião" no Censo não significa um aumento do ateísmo, mas sim de pessoas que não suportam mais a estrutura institucional.

Para nós, pagãos, isso é uma faca de dois gumes:

Oportunidade: Templos cristãos virando boates ou centros culturais é o símbolo máximo da dessacralização do dogma e a retomada do corpo e da celebração.

Risco: Sem uma estrutura mínima, o Paganismo vira um "self-service" onde qualquer um pode se autoproclamar autoridade sem ter passado por um dia sequer de estudo ou devoção real.

A Questão das Virtudes e o Plágio Cristão

John Beckett às vezes foca muito na experiência americana, onde o Protestantismo é o "ar que se respira". Mas, como você pontuou, a Virtude é um conceito profundamente helênico e pagão.

O Arete grego (excelência/virtude) e o Stoicismo foram "sequestrados" pela Igreja.

Recuperar as virtudes (como a hospitalidade, a coragem e a soberania) não é imitar os cristãos, é retomar o que foi roubado e higienizado por eles.

O "Do It Yourself" (DIY) e o Peso da Reputação
O seu "amor e ódio" pelo DIY é o dilema de todo pagão sério.

O Lado Bom: Ninguém tem as chaves do seu altar. Sua relação com Lilith ou qualquer divindade é direta.

O Lado Ruim: O vácuo de autoridade atrai celebridades e charlatões que vendem "bruxaria de prateleira" ou rituais caros sem fundamento, maculando a imagem de quem realmente estuda e pratica com seriedade. É o que você disse: a falta de um "livro" nos liberta, mas nos deixa vulneráveis a interpretações absurdas que o público leigo aceita como verdadeiras.

Aprofundamento vs. Espetáculo

Sua decisão de focar no aprofundamento pessoal e nos rituais é, talvez, a forma mais radical de resistência pagã hoje. No mundo da "bruxaria de Instagram" e das igrejas-espetáculo, a devoção silenciosa e consistente é o que mantém a chama acesa de verdade. Como você mesmo se define como um "escritor herege", sua obra e sua prática acabam sendo o seu verdadeiro templo.

O "Paganismo Orgânico" que Beckett defende é exatamente isso: menos preocupação em como a sociedade nos vê (o que evita a "inveja protestante") e mais foco no que acontece quando você está diante do seu altar.

Criado com Gemini, do Google.

воскресенье, 16 ноября 2025 г.

Entornando o caldeirão

Conversa com o Gemini:

https://www.patheos.com/blogs/youmightberight/2025/10/anything-you-like-about-christianity/

Ouch. Que paulada. Às vezes eu encontro um texto bom no Patheos.

Vamos escrever uma versão nossa?

Título: "tem algo que goste no Paganismo Moderno?"

Com muita crítica interna.

Como o hábito de achar que ser pagão/bruxo/wiccano é fazer cosplay.

Ou o hábito de usar um pentagrama do tamanho de uma calota

Ou o péssimo gosto de tornar os acessórios mais uma commodity supérflua e descartável.

Fique à vontade para escolher o estilo de escrita.

Resposta:

Que ideia excelente! Vamos transformar essa "paulada" do Patheos em uma oportunidade de reflexão interna e crítica construtiva dentro do nosso próprio meio. É saudável e necessário questionar o que fazemos.

😈 Tem Algo Que Goste no Paganismo Moderno? 🧹
Uma Crítica Honesta e Amorosa do Lado de Dentro do Caldeirão

Por Gemini, Escritor Pagão (com a ajuda de um amigo herege)

Se a pergunta fosse "tem algo de ruim no Paganismo Moderno?", a resposta seria um entusiástico coro de "sim!" vindo de todos os cantos. Mas gostar? Isso exige um olhar mais matizado.

O Paganismo Moderno (ou PagMag, Bruxaria, Wicca, e toda a vasta tapeçaria de tradições neo-politeístas e reconstrucionistas) se vende como um retorno à natureza, ao sagrado feminino, à liberdade e, acima de tudo, à autenticidade.

Mas sejamos sinceros: muito do que vemos hoje parece menos com um reencontro com os ancestrais e mais com uma feira de artesanato mística em um shopping center.

🎭 O Paradoxo da Fantasia: "Não é Cosplay, É Vestimenta Ritual"

O PagMag tem uma atração inegável pelo visual. Queremos ver a magia, e muitas vezes caímos na armadilha de achar que a profundidade da nossa prática é proporcional ao quão 'mágico' ou 'medieval' nos parecemos.

A Caricatura do Bruxo: Onde a busca por uma conexão com o Sagrado Feminino se transforma em uma competição para ver quem tem a coroa de flores mais volumosa ou o vestido de veludo mais esvoaçante. Não é que não possamos nos vestir de forma especial, mas quando a energia do ritual é gasta mais na mise-en-scène do que na intenção, algo se perde. O Sagrado é real, e não precisa de figurino de R$ 500 para ser invocado.

O Pentagrama Calota: Sim, o pentagrama é um símbolo poderoso e ancestral. Mas qual a necessidade de usá-lo do tamanho de uma... bem, uma calota de carro? A intenção por trás de um pingente tão grande frequentemente não é proteção ou foco, mas declaração. É um grito silencioso de: "Eu sou diferente!", que ironicamente só reforça uma necessidade de validação externa. O poder está na alma do praticante, e não no diâmetro do seu colar.

🛍️ A Commodity Mística: O Supérfluo Descartável

A crítica mais cortante deve ser reservada ao abraço, muitas vezes inconsciente, que o PagMag deu ao consumismo capitalista.

O Paganismo Moderno está imerso em uma cultura de mercadorias. A ideia de que "precisamos" de um item específico para fazer magia criou um mercado gigante e, francamente, de mau gosto.

O "Péssimo Gosto" da Commoditização:

Cristais: De repente, você não pode mais meditar sem ter o kit completo de 7 cristais energizados pela lua cheia da quinta dimensão. (E que custam uma fortuna).

Tarot: Baralhos se tornaram itens de colecionador, onde a arte (muitas vezes genérica ou com temas óbvios) tem mais valor que a sabedoria oracular que deveriam transmitir.

Acessórios Descartáveis: Velas coloridas, incensos baratos, poções e óleos que são comprados em massa e se tornam lixo após um único uso. Onde está o respeito pela natureza e pelos recursos que pregamos? O ato de fazer seu próprio óleo ou coletar uma pedra se transformou no ato de comprar o produto final.

A "Magia Rápida": Esse consumismo fomenta a ideia de que a magia é um serviço fast-food. Quer prosperidade? Compre a "Vela da Prosperidade Relâmpago". Não queremos o trabalho interno, a disciplina e a introspecção; queremos o acessório que promete o resultado imediato.

✨ E o que realmente Gosto? A Centelha Insubstituível

Apesar de toda essa casca de cera de vela derretida e veludo de fantasia barata, sim, há muito o que amar.

Eu gosto da Liberdade. Gosto da ausência de um Papa, de um livro sagrado único e da dogmatização excessiva. Gosto da premissa de que a conexão com o Divino é pessoal, negociada por cada indivíduo com o Sagrado.

Eu gosto da diversidade de faces do Divino. Em um mundo que ainda tenta reduzir o Sagrado a um único rosto, o PagMag nos oferece panteões de deuses e deusas imperfeitos, selvagens e humanos. Gosto que o Divino seja a Deusa Mãe, a Velha Sábia, e também a Rainha dos Demônios, como a minha amada Lilith — uma figura que representa a autonomia, a força e a recusa em ser subjugada.

Gosto da Criação do Sagrado. Enquanto alguns se contentam em herdar tradições, muitos de nós estamos ativamente criando — revivendo línguas, honrando espíritos locais, e forjando um caminho que é relevante para o mundo de hoje, com suas complexidades e desafios.

E, por fim, eu gosto da Élfica Estranha (Weirdness). Por trás do cosplay e dos pingentes, existe um grupo de pessoas que conscientemente rejeita o status quo para perseguir uma verdade que é, por natureza, indomável, irracional e profundamente íntima. O Paganismo Moderno, no seu âmago, é uma Revolução Pessoal disfarçada de festa à fantasia, e essa centelha de revolução é a única coisa que realmente vale a pena.

Criado com Gemini, do Google.

суббота, 26 июля 2025 г.

Is it what it is?


Conversa com Gemini:

Escreva uma análise dessa imagem e possíveis significados das pessoas e das letras contidas nela.

Resposta do Gemini:

Com base na imagem fornecida, que parece ser uma ilustração de um livro ou texto acadêmico intitulado "A Magia no Mundo Greco-Romano", aqui está uma análise:

Análise da Imagem: "A Conjuração da Lua"

A imagem é um desenho em estilo de linha, evocando a arte da Grécia e Roma antigas, e está legendada como "Figura 6 - A conjuração da lua." Ela retrata três figuras principais e algumas inscrições em grego.

Descrição das Figuras:

Figura da Esquerda: Uma pessoa (aparentemente uma mulher, dada a vestimenta e a forma do corpo) com um toucado, segurando uma espada ou adaga na altura da cintura, apontando-a para fora. Ela está com o braço esquerdo estendido em um gesto que pode ser de interrupção, proteção ou comando, com a palma da mão para fora. As letras "ΚΑΛΗ" (KALĒ) estão inscritas acima dela.

Figura da Direita: Uma figura nua (também parecendo feminina, com seios e quadris proeminentes) segurando um bastão ou varinha na mão direita, apontando-o para cima, em direção à figura central. Seu braço esquerdo está estendido para a frente e para cima, em um gesto de súplica, conjuração ou direção. As letras "ΔΙΟΝΥΣΙΑΣ" (DIONYSIAS) estão inscritas acima dela.

Figura Central/Cabeça: Suspensa em uma espécie de poste ou coluna no centro, há uma cabeça, também com traços que sugerem a arte clássica. Acima dela, em um semicírculo, estão letras que parecem ser "ΟΙΝΟΤΗΣ" (OINOTĒS) ou uma variação, e abaixo dela, letras que parecem ser "ΙΣΑΝ" (ISAN).

Interpretação e Possíveis Significados:

A legenda "A conjuração da lua" é crucial para entender o contexto. Rituais de conjuração da lua eram comuns na magia greco-romana, frequentemente associados a feitiçarias, adivinhação e o uso de poderes lunares.

A Conjuração da Lua: A cena provavelmente representa um ritual mágico ou teúrgico (magia que invoca divindades). A lua era vista como uma fonte de poder e influência, especialmente em rituais noturnos e de magia.

A Figura da Direita (A Conjuradora):

Nudez: A nudez na arte e nos rituais mágicos antigos pode simbolizar pureza, vulnerabilidade, despojamento ou uma conexão direta com o poder divino ou ctônico, sem barreiras mundanas. Também pode estar associada a certas sacerdotisas ou praticantes de magia.

Bastão/Varinha: É um instrumento comum em rituais mágicos, usado para direcionar energia, invocar ou banir.

Gesto: Os braços estendidos e o olhar para a figura central e para cima sugerem uma invocação ou um pedido.

Letras "ΔΙΟΝΥΣΙΑΣ" (DIONYSIAS): Este é um nome de origem grega, que significa "de Dionísio". Dionísio era o deus grego do vinho, do êxtase, do teatro e das festividades, frequentemente associado a cultos de mistério e rituais de possessão ou transe. A presença desse nome pode indicar que a conjuradora é uma sacerdotisa ou seguidora de Dionísio, ou que o ritual tem alguma conexão com a esfera dionisíaca (êxtase, libertação). Também pode ser simplesmente o nome da pessoa realizando o ritual.

A Figura da Esquerda (A Protetora/Assistente):

Espada/Adaga: Um instrumento com múltiplas conotações em rituais mágicos: proteção contra espíritos malignos, corte de laços, canalização de energia, ou até mesmo um elemento sacrificial simbólico.

Gesto do Braço: A palma da mão estendida pode ser um gesto apotropaico (para afastar o mal), de proibição, de contenção ou de afirmação de poder.

Letras "ΚΑΛΗ" (KALĒ): Significa "bela" ou "boa" em grego. Pode ser um epíteto para a figura, indicando sua natureza ou função (a "bela" ou "boa" protetora), ou simplesmente o nome da pessoa. Em alguns contextos, "καλή" também era usada em inscrições mágicas como parte de uma fórmula.

A Figura Central/Cabeça:

A Cabeça no Poste: Esta é a parte mais enigmática. Uma cabeça separada pode simbolizar um oráculo, uma representação de uma divindade específica sendo invocada (possivelmente a Lua em sua forma antropomórfica, ou uma divindade lunar como Selene/Ártemis), um espírito invocado, ou até mesmo um "golem" ou constructo mágico. A posição elevada sugere que é o foco da conjuração.

Letras "ΟΙΝΟΤΗΣ" (OINOTĒS) e "ΙΣΑΝ" (ISAN):

"ΟΙΝΟΤΗΣ" pode derivar de "οἶνος" (oinos), que significa "vinho". Se for o caso, poderia ligar a cabeça a um aspecto dionisíaco ou a um ritual que envolva vinho. No entanto, é um termo menos comum em si. Pode ser um nome divino ou uma invocação.

"ΙΣΑΝ" é mais fragmentado ou menos claro em seu significado isolado. Poderia ser parte de uma palavra maior ou um elemento fonético mágico. No entanto, se lido como "Isis An", poderia ser uma referência sincrética à deusa egípcia Ísis, que era amplamente venerada no mundo greco-romano e associada à magia e à lua. Essa é uma especulação, dada a fragmentação das letras.

A combinação "OINOTHS ISAN" pode ser uma fórmula mágica, um nome divino composto, ou um "voces mysticae" (palavras místicas sem significado literal, mas com poder mágico). Em textos mágicos antigos (Papyri Graecae Magicae - PGM), é comum encontrar sequências de vogais ou consoantes que não formam palavras reconhecíveis, mas que se acreditava terem poder.

Significado Geral da Cena:

A imagem ilustra um momento de intenso ritual mágico. A figura da direita (Dionysias) é a conjuradora principal, invocando uma entidade ou poder (representado pela cabeça no poste), possivelmente lunar ou dionisíaco. A figura da esquerda (Kalē) age como protetora ou auxiliar, garantindo a segurança do ritual ou o direcionamento adequado do poder. A espada/adaga e o bastão são instrumentos que canalizam e controlam as energias envolvidas.

É uma representação vívida das práticas mágicas no mundo greco-romano, que frequentemente misturavam elementos religiosos, rituais e a crença no poder das palavras (invocações, nomes divinos) e dos gestos para influenciar o mundo natural e espiritual.

Criado com Gemini, do Google.

Nota pessoal: essa imagem é muito utilizada e comentada em grupos de bruxaria e Wicca. Mas não da forma certa. Inevitavelmente predomina uma tendência de "ler" a imagem conforme o objetivo de quem comenta.

A imagem é de um vaso atribuída à Diana Táurica, da coleção Hamilton.
Nada na imagem sugere que sejam bruxas. A figura central não é identificada como sendo uma entidade ligada à lua.
As mãos e braços sugerem uma saudação ou evocação. Ambas as mulheres estão nuas, com exceção de um capacete (?) na figura à esquerda.
Uma segura uma espada (gládio?) enquanto a outra segura uma vara (bastão?).
A figura central pode ser uma efígie, um retrato ou a manifestação de uma entidade.
A figura central parece estar envolvida ou amarrada em uma corda que vai até o chão, mas não parece existir alguma ação de "puxar para baixo", como é frequentemente associada essa imagem.

понедельник, 14 октября 2024 г.

Pelas barbas (?) do bode


Teve um tempo que eu desenhava e publicava meus desenhos no Deviantart. Ali tem o desenhista Curtsiblin que tem vários desenhos de Baphomet. Eu até pensei em colocar um desses desenhos na postagem, mas eu preferi gerar outra com a inteligência artificial.

A figura do Baphomet, tal como ficou conhecida e até usada na cultura popular foi publicada por Eliphas Lévi, no livro Dogma de Alta Magia.

Antes, o conceito ou ideia de um culto a essa entidade surgiu na caça aos Templários no século XII. O dito ídolo nunca foi encontrado.

Então uma postagem do Steven Posch apontou para algo intrigante. O templo satânico tem uma estátua de Baphomet. Mas sem seios. Blasfêmia?

Citando:

Essa iteração do Baphomet foi mais recentemente notícia como a imagem — sem peitos — que o Templo de Satã, completamente secularista, tentou instalar em locais públicos. O fato de eles terem deixado os peitos de fora, para evitar lidar com questões problemáticas de gênero, deixou uma amiga minha satanista hereditária gaguejando de fúria.

Traduzido com Google Tradutor.

E Steven arremata que ele não gosta de Baphomet porque é feio.
Considerando que em uma postagem anterior, Steven diz que o nosso Deus se manifesta conforme nossa expectativa, Baphomet também é uma manifestação dEle e se vemos a feiúra é porque é essa a nossa expectativa.

Quando eu olho para Baphomet eu vejo beleza e a simbologia da condição humana.

O que é necessário perguntar é porque os padres falaram do Mestre do Sabá. Porque representaram os Valdenses beijando o traseiro de um bode. Porque surgiu esse conceito de que o Deus das bruxas (e bruxos) é um homem com cabeça de bode (ou cervo, ou búfalo).

Então o satanista não teísta tem muito a explicar. Por que se apossou de um símbolo místico se são, por natureza, ateus? Por que tiraram os seios (baba, geme) de Baphomet?

Certos mistérios deveriam ficar longe da cultura popular.

понедельник, 30 сентября 2024 г.

Cuidado, chão molhado

Steven Posch escreveu um texto expondo (explicando?), com o suporte de outro texto, sua visão apaixonada de nosso Doce Senhor.

Citando, traduzido com Google Tradutor:

"O tratado de Claude Tholosan de 1445 (?), So That the Errors of Magicians and Witches (Os erros de mágicos e bruxas - nb) , tem algumas coisas muito profundas a dizer sobre o Chifrudo."

Recentemente Yvonne e Jason reclamavam que nós temos que acabar com a hegemonia cristã. Mas parece inevitável. Quando queremos falar (o possível e permitido) sobre os mistérios do Ofício, recorremos aos livros que foram escritos durante o dito Santo Ofício, ou Inquisição.

Segundo Steven, Tholosan citou o Diabo no centro do "culto das bruxas". Então pinça um trecho para embasar suas visão do nosso Doce Senhor:

"Ele se mostra a cada um segundo o desejo deles... e não é visto senão por quem ele quer."

Deve ser lembrado que muitos dos testemunhos dados pelos acusados na Inquisição eram voluntários, feitos sem tortura e havia uma unanimidade sobre como a "assembléia das bruxas" ocorria. O Mestre do Sabá concedendo sua "marca" aos que queriam fazer parte do Ofício.

Então segue com sua visão:

"Uma pele forte, este aqui, um trocador de formas e como você o vê depende de você e de suas expectativas. Ele se molda a você.

Relacionamento. É tudo sobre relacionamento: dele com você, seu com ele.

Que deus."

A habilidade de mudar de aparência, de "vestir" uma pele conforme a vontade, circunstância ou necessidade é uma habilidade de muitos personagens divinos. Vestir uma pele é essencial ao xamã. Mas se o que vemos é reflexo de uma expectativa pessoal, como podemos ter certeza de que o que vemos é Ele?

Steven chega a dizer que nosso Doce Senhor pode assumir a forma de uma mulher. Os diânicos vão protestar, afinal, nessa teologia, a Deusa é suprema (Jeovulva?) e o Deus é um reflexo dEla.

Mas o que realmente incomodou foi essa declaração:

"Poder-se-ia até supor, então — certamente não está além de sua capacidade — que para alguns ele se mostra como Cristo."

Não era para nós acabarmos com a hegemonia cristã?
Isso somente é aceitável se entendermos Cristo como uma manifestação do Divino Rei Sacrificado, ou uma manifestação de um Deus da Vegetação.
Mas teríamos que arrancar Cristo dessa moldura monoteísta, das correntes das religiões abraâmicas e colocá-lo como um conceito, como o de Buda, dentro das religiões de mistérios da Idade Antiga.
Talvez seja. Os textos atribuídos aos Apóstolos mostram que os ensinamentos supostamente deixados por Cristo era uma outra forma de crença. Textos apócrifos indicam a possibilidade de que Cristo tinha recebido seus ensinamentos de alguma escola da religião de mistérios.
Se isso for verdade, isso que conhecemos como Cristianismo nada tem com Cristo.
Talvez, quando isso for assumido e compreendido por quem se diz cristão, possamos ter uma convivência civilizada.

Em outro texto, ele deixa uma ideia interessante.

"As religiões primárias — o que podemos chamar de Antigos Paganismos — surgem diretamente da experiência humana daquilo que É.

Religiões secundárias — as religiões de Abraão são os principais exemplos — surgem da reação contra religiões primárias. Tais visões de mundo, são inerentemente perigosas porque elas automaticamente vêm com um inimigo anexado."

Realmente, as religiões antigas basearam a crença e o culto a partir da apreensão do mundo, da natureza e da humanidade. O divino era visto como imanente.
A religião abraâmica se baseia na leitura e interpretação (às vezes literal) de um texto sagrado, onde o divino é visto como transcendente. As religiões relativas negam e rejeitam suas origens politeístas e tendem à esse monoteísmo agressivo, belicoso e homicida.
O futuro da humanidade depende da rejeição ao ódio inerente contido nessas religiões.

Steven é filhinho do Papai. Eu sou o filhinho da Mamãe. Como eu vejo a Deusa? Simples. Toda e cada mulher é uma manifestação dEla.
E consiste em um escândalo, até entre os meus, quando eu falo da importância do hiero gamos.
Nós, imperfeitos que somos, buscamos pelo (re) encontro com o divino. No meu caso, fica entre as pernas da Deusa. 😏🤭😍

пятница, 20 сентября 2024 г.

O sorriso do Coringa

Diz a apresentação do Espelho de Circe, nos artigos:

"Os artigos que você vai encontrar aqui refletem a pluralidade dos caminhos espirituais.

Neste espaço você vai encontrar muita provocação: Especialistas, místicos, céticos, macumbeiros, bruxos, hereges, libertários, libertinos, magistas e ocultistas são convidados a oferecer este espelho social da espiritualidade.

Todos são bem vindos !"

Todos? Não o Sapo Bardo. A honestidade, sinceridade, questionamento e crítica incomoda as lideranças do Espelho.
Eu fui banido lá por 2006. Aquela por quem eu tinha imensa estima usou uma postagem no Facebook como subterfúgio para meu banimento. Apesar de inúmeras tentativas de reconciliação.

Eu não sei como está minha reputação no meio do Paganismo Moderno, sobretudo depois da campanha daquele que eu chamo de Pavão e do fato de eu ter sido condenado.

Enfim, herege que eu sou, indomável até entre supostos indomáveis, eu vou citar e criticar um texto do Espelho.

Citando:

Desde pequenas, aprendemos que o sorriso é quase como uma moeda de troca.

Sorrimos para evitar brigas, para acalmar os ânimos, para mostrar que somos "boazinhas". E se, por algum motivo, decidimos não sorrir, nos tornamos automaticamente "grossas" ou estamos "naqueles dias”. É quase como se sorrir fosse uma obrigação, um dever social imposto a nós para mantermos a paz nos lares, nas ruas e até mesmo nos escritórios.

Retomando.

Foi citado a hiena como um animal que dá risada. Sério? O Espelho está precisando assistir mais Animal Channel. A hiena não ri. O humano é que tem a péssima mania de procurar similaridade na natureza. Antropocentrismo.

Rir, sorrir, dar risada, é sinônimo de "ser boazinha" (ou bonzinho) ?

Discordo.

Coringa sorri, ri, faz piada. E mata sem piedade. Assassinos, homicidas e psicopatas riem. Bonzinho? Faça o favor.

O Gato de Cheshire sorri, ri e debocha. Seu diálogo é o do non sense. Bonzinho? O Gato de Cheshire é um agente do Caos.

Se a Musa não gosta da cobrança social, não deveria estar no Caminho Tortuoso da Bruxaria.
Aqui, só aqui, eu encontrei meu verdadeiro lar e família.

вторник, 27 августа 2024 г.

Cabra da peste

Steven Posch escreveu em seu blog:

Em 1346, uma forma particularmente virulenta da peste bubônica, conhecida como Peste Negra, chegou à Europa. Nos anos subsequentes, de acordo com algumas estimativas, ela matou algo como 60% da população do continente.

Isso também desencadeou um renascimento pagão?

Assim diz o jornalista Gavin Ehringer em seu livro de 2017, Leaving the Wild: The Unnatural History of Dogs, Cats, Cows, and Horses:

...[A] Peste Negra fez com que muitas pessoas na Europa perdessem a fé no deus cristão e na Igreja Católica. (Muitas pessoas astutas observaram que Roma estava melhor durante a administração de seus inúmeros deuses e deusas do que sob o Deus cristão.) Então, ironicamente, o paganismo retornou em algumas regiões... Libertadas do pensamento cristão, as pessoas também se voltaram para o estudo da cultura grega e romana antigas, o que ajudou a dar início ao Renascimento (145).

Bem, agora. Um conto envolvente, com certeza, especialmente para pagãos dos Últimos Dias como nós, um com um toque muito real de probabilidade.

Pense. Seis em cada dez pessoas que você conhece morreram miseravelmente. Claramente, a Igreja errou em algo. Você se lembra daquelas histórias antigas que a vovó costumava contar. Bem, o novo deus não está funcionando. Talvez devêssemos dar outra chance aos antigos.

Então, em Beltane, você vai até a floresta e acende uma fogueira. A partir de pedaços antigos e meio lembrados do folclore e de trechos de coisas que você ouviu na igreja, você monta um novo paganismo para si mesmo.

Você fica um pouco bêbado, dança, faz sexo. Em um momento que de outra forma seria notavelmente carente de bons momentos, você se diverte.

Então, na véspera do solstício de verão, você sai e faz tudo de novo.

O que poderia ser mais provável? Quem poderia duvidar que isso aconteceu, espontaneamente, de novo e de novo, por todo o continente?

Certamente é inegável que em 1486, cerca de 100 anos depois — tempo suficiente para que esses supostos Paganismos dos Últimos Dias começassem a criar raízes geracionais — o Papa Inocêncio iniciou a primeira rodada de perseguições às bruxas na Europa.

Então, Dr. Murray: você poderia me contar sua teoria sobre bruxaria novamente, por favor?

Retomando.

Eu havia cogitado essa possibilidade, mas a Igreja começou sua caçada ao que era chamada “heresia” por volta de 1200.
A “conquista” do Cristianismo sobre o “Paganismo” não foi nem homogêneo nem pacífico. A hegemonia da Igreja também não foi nem tranquila nem unânime.
Até entre os chamados Patriarcas da Igreja as opiniões frequentemente estavam em conflito.
Em sua origem, o “cristianismo” era extremamente diversificado. Os chamados Evangelhos só podiam ser lidos por padres e só receberam a configuração que conhecemos por volta do século XIV. No meio dessa história de quase 2 mil anos, rolou muitos assassinatos, muitas fraudes, muitas tradições e muita conspirações.
Então, se nem os padres entendiam direto a doutrina do que pregavam, imagine o povo comum? A enorme maioria era analfabeta e trabalhava no campo. Onde o poder e influência da Igreja era menor. Onde o padre local teve que fazer várias concessões e adaptações. Onde as crenças e tradições antigas ficaram preservadas de forma sincrética.
Então as pessoas não “voltaram” aos Deuses Antigos. Eles sempre estiveram e estão ao nosso redor.
O estudo da cultura greco-romana veio bem depois, no século XV e foi impulsionado pela Renascença. Mas isso somente entre acadêmicos, pensadores e nobres.
O triste episódio do Santo Ofício foi uma extensão e especialização da luta contra as heresias que existiam desde o século XII.

A tese de Margareth Murray foi devidamente descartada. Foi exagerada e feita com enormes lacunas preenchidas com evidências questionáveis, como a tese escrita por Marija Gimbutas sobre um antigo culto a uma Deusa.

Nós não podemos barganhar nem falsificar a história. Isso é coisa de cristão.

понедельник, 26 августа 2024 г.

Felinos

Steven Posch escreveu em seu blog:

Dois séculos antes de as bruxas serem acusadas pela primeira vez de adorar o Homem Animal com um beijo anal, a mesma acusação foi feita contra os cátaros do sul da França: os cátaros eram, na verdade, protobruxas.

De acordo com o clérigo francês medieval Alain de Lille, o Diabo apareceu para eles na forma de um enorme gato preto ou, curiosamente, de um homem com as pernas cobertas de pelos de um gato.

Em documentos de julgamentos de bruxas de séculos posteriores, não é incomum que o Diabo assuma a forma de um gato preto, geralmente com o rabo levantado: para melhor beijá-la, minha querida.

(Em 1682, as bruxas de Devonshire, Mary Trembles e Susanna Edwards, disseram aos juízes que ele lhes apareceu como um leão.)

Embora o Deus Animal das bruxas geralmente se mostre como uma das espécies de presas pelas quais nós, humanos, vivemos, e sempre vivemos — portanto, com chifres — também não é desconhecido que ele tome a forma de um predador: cada nova forma é uma revelação. Esculpido em marfim de mamute, o Homem-Leão é uma das imagens mais antigas da Europa.

Ele é de fato um leão que ruge, nosso deus, o deus dos nossos ancestrais, espreitando e rugindo para cima e para baixo no mundo.

Assim como mais uma vez em nossa época e dias ele levanta um povo para si, que ninguém se surpreenda ao vê-lo, mais uma vez, sobre patas felinas.

Assim como um gato persegue um rato, como um leão persegue sua presa, assim também você nos persegue, ó Amor sempre novo.

Com amor, tu nos persegues, ó Senhor.

Retomando.

Eu escrevi aqui em algum lugar sobre o ósculo infame.
Stuart Clark explicou isso de forma magistral que a bruxa e a bruxaria foram construídas a partir das crenças populares, do cristianismo sincretizado e da inversão dos ritos cristãos.
Então, o inverso do cumprimento feito na missa (beijo ou aperto de mão) é o beijo nas nádegas.
O que ouvimos sobre os Cátaros veio da Igreja, então não é uma fonte confiável.
Os processos contra a bruxaria tiveram testemunhos voluntários (feitos sem tortura) que relatam a “aparência” (manifestação) do Mestre do Sabá. Gato, cachorro, bode, um homem de preto.
Então temos a escultura do neolítico. Parece ser um leão. Parece ser um sacerdote. A arte é para ser experimentada, não explicada.
Pode ser qualquer pessoa, um xamã, envolto em pele de leão. Mas a ausência de juba pode indicar que a figura seja uma leoa.
Isso faz mais sentido. Afinal, leões fazem companhia para a Senhora dos Animais. Quem caça é a leoa. Eu estou torcendo muito para que Ela venha me devorar.
A escultura lembra muito a pintura na caverna de Trois Freres. Uma pessoa em estado de êxtase, submersa na manifestação do divino.
Ali é possível ver (?) que a pessoa está usando a pele de um cervo, encoberto pelas galhadas. Outras manifestações do meu Doce Senhor. Gamo, touro e bisão.
O Divino Rei Sacrificado, o Deus da Vegetação, são suas manifestações. Sim, Ele é o Sacrifício. Mas é Ela quem recebe o sangue/sêmen/semente para que seja gerada a vida.
Quem tiver entendimento, entenda.

среда, 21 августа 2024 г.

O que significa ser pagão moderno

John Beckett escreveu no Patheos um texto com uma reflexão.

O título da postagem começa com uma declaração:

Ser pagão em uma era de declínio religioso.

O título levanta muitas questões.

A palavra "pagão" foi (ainda é) usada de forma pejorativa para designar as pessoas que não eram (que não são) cristãs, ou seja, que ainda mantinha a crença antiga, direcionada aos Deuses Antigos.
Basta um pouco de leitura e estudo da Era Antiga para perceber o óbvio.
Nossos ancestrais não se definiam nem se declaravam "pagãos". O significado original da palavra é "habitante do campo", ou caipira, para usar um termo em português. Para quem habitava as cidades, seus conterrâneos rurais eram vistos como atrasados e/ou incultos.
Essa pecha é o sentido que ficou, quando os cristãos "pegaram emprestado" essa palavra.

Então o Cristianismo foi imposto pelos poderosos da época (seculares e clericais), na base da espada. O crescimento e desenvolvimento da Europa deu espaço para o desenvolvimento científico e, por razões políticas e econômicas, os países europeus fizeram a expansão de seus domínios pela invasão e colonização de outras regiões. O contato com outros povos trouxe uma questão e questionamento - esses povos mantiveram por séculos a mesma crença de seus ancestrais. Mas e nós? Qual era a crença de nossos ancestrais?
A Renascença reencontrou e reavaliou os mitos antigos. Em muitos países, a identidade social e nacional estavam intrinsecamente conectados com essa conexão com os povos antigos e as crenças originais.
Então, movido por uma idealização romântica sobre essa "identidade" étnica, surgiram os grupos de reconstrução cultural, que tem usado a palavra "pagão" e Paganismo de uma forma positiva e favorável. Em muitos casos, isso resultou em idéias políticas equivocadas sobre superioridade e até racismo.
Esse é um espinho a ser tirado do Paganismo Moderno - a péssima associação com a extrema direita, fascismo e nazismo.

O ateu fala bastante, sobre o "declínio da religião", mas de forma desonesta. Outra palavra que tem muitos significados e conceitos é "religião". Para o ateu (e curiosamente pelo cristão), religião é compreendida apenas o Cristianismo e as organizações religiosas que pertencem à esse sistema de crenças.
As pessoas estão evitando estarem associadas à religião exatamente por isso. Não querem estar envolvidas ou associadas à organizações que só demonstram atraso, preconceito e intolerância.
Então preferem usar o termo "espiritualidade", um termo igualmente utilizado até por ateus quando falam de suas crenças. Pois é, muitos ateus, famosos, celebridades, afirmam terem uma espiritualidade.
Eu escrevi em algum lugar aqui sobre a "ginástica mental" que o humano faz para se dar algum sentido 😏🤭.

Eu vou citar os pontos principais dados pelo John;

Paganismo como quem você é – uma parte da Natureza.

Isso é evidente, mas é necessário superar o antropocentrismo. Isso inclui preservar a natureza. A questão do ambiente mostra cada vez mais a necessidade de alterarmos nossa economia e produção.

Paganismo como aquilo que você faz – prática espiritual.

Esse é um ponto sensível. Não temos uma ortodoxia, mas uma ortopraxia. Cada grupo organizou uma forma de sacerdócio, soberano e autônomo. Mas a falta de um controle geral ou central dá um espaço enorme para a ação de farsantes, vigaristas e charlatões.

Paganismo como o que você faz – construa um mundo melhor aqui e agora.

Essa é uma parte que toca na política e na sociedade. Influência talvez do Humanismo renascentista. O conceito de vida além tem muitas variações, afinal, somos diversos.

Paganismo como quem você é – construindo relacionamentos e comunidade.

Essa é a parte mais difícil e complicada. O que não faltam são textos que mostram a relação de amor e ódio que eu provoco na comunidade do Paganismo Moderno.

Eu acrescento outras considerações.
Nossos ancestrais viam os Deuses na natureza. Os fenômenos da natureza eram uma manifestação de um Deus ou Deusa. Mas o divino estava além da natureza. Hoje nós usamos a ideia de imanência e transcendência para falar dos Deuses.
Apesar disso, nossos ancestrais não eram exatamente ecológicos. Faziam sacrifício animal e devastaram florestas.
Temos a escravidão e a misoginia que têm origem na Antiguidade.
Mas apesar de tudo, toda nossa cultura vem dos povos antigos. E certamente havia mais alegria e felicidade.
Um mundo melhor para tod@s é possível. Começa com resgatar nossas verdadeiras raízes, origens e crenças.

четверг, 15 августа 2024 г.

Nada sabemos sobre o amor

Steven Posch escreveu um texto interessante, intrigante, mas equivocado.

Eu vou citar, comentar e criticar.

"Alguns amores excluem outros? Não amamos nós, ao amar os outros, também os nossos deuses?

Para o Cornudo, para Aquele que é toda a vida animal, certamente sim. E para Cristo?"

E sobre o que Steven diz que nosso Doce Senhor tem em comum com Cristo:

"Ambos não se chamam Amor?"

Primeiro erro do Steven: descreveu Cristo como Deus. Isso é teologia cristã, bem longe de seu real significado e mitologia.

Algo que padres e pastores nunca vão admitir. A ideia (escatológica) da vinda do Reino de Deus tem a ver com o Povo de Israel. Nessa visão vinda dos Profetas o "resto da humanidade" fica de fora. O povo de Israel vivia no exílio, a região esteve sob o domínio de Babilônios, Assírios, Persas e Romanos. Era um sonho voltar para Israel, considerada a Terra Prometida, que foi tirada dos Cananeus, Moabitas e outros.
Então os Profetas anunciaram que viria o Cristo, o Ungido de Deus (Yahveh), para preparar (purificar) o Povo de Israel para o Fim do Mundo e a vinda do Reino de Deus. Clube exclusivo. Só para o Povo de Israel. Quem não for, lamento, vai para o Inferno. Mas isso nunca será dito ou admitido pelos padres e pastores.
Resumindo, Cristo não é Deus.
Os ensinamentos supostamente deixados por ele foram revolucionários, para o local e a época, mas não eram completamente desconhecidos.
Muitos trechos mostram que esse "amor" de Cristo é limitado e condicional.
Muitas partes desses ensinamentos são usados para justificar a perseguição da comunidade LGBT.

Segundo errado o do Steven. Que é de toda a humanidade. Descrever uma emoção humana como sendo um atributo divino.
Eros ou Cupido, nós temos a tragédia de Medéia para mostrar que o amor pode ser doença e loucura.
Nós falamos, escrevemos, fazemos música falando de amor, mas estamos muito longe de compreender ou de expressar esses sentimento de forma completa.
Nós somos um dos países que mais mata pessoas homossexuais.

Eu duvido que qualquer celebridade (ou que alegue ter sacerdócio) no meio do Paganismo Moderno consiga responder.

Por que Inanna/Ishtar é a Deusa do Amor e da Guerra?
Resposta rápida desse pagão (herege) ordinário (ênfase no ordinário): nós nos vestimos e nos preparamos para ambos, para o amor e para a guerra.

Eu escrevi em algum lugar que Steven era filhinho do Papai e que eu sou o filhinho da Mamãe.
Nossa concepção sobre nosso Deus e Deusa é resultado de uma construção idealizada e romântica. Nosso Deus é a enxada que faz a semente ser plantada no solo, mas também é a lança que tira a vida.

Nós falamos de amor, mas negamos a sexualidade da Deusa. Nós falamos de amor, mas adotamos o ritual simbólico do hiero gamos.

Titio Crowley disse que o Amor é o todo da Lei.
Eu escrevi algo sobre isso em algum lugar.
Eu me restrinjo a expressar meus pensamentos. Mesmo no nosso meio, eu sou mal interpretado. Nós ainda estamos debaixo de um sistema repleto de repressão e opressão sexual. Vivemos vidas cheias de frustrações e recalques.
Tudo que eu quero é ser arrebatado no êxtase e isso envolve inúmeros tabus que devem ser calados.
Quando é que a Senhora vem?

воскресенье, 4 августа 2024 г.

Passando além da Taprobana

Um edital eu escrevo ao completar 59 anos. Avisa-se o promontório dos 60 e não é agradável ver as mudanças em meu corpo.

Então eu acho pertinente depositar algumas reflexões, aos pagãos, aos bruxos, aos hereges e outros diletantes do caminho canhoto.

Diz o Azarão, no comentário:

“Contra a honra do "presidente " Lula? Quando é que esse pústula teve alguma ou sequer soube o que significa ter honra?”

Azarão tem seu direito de emitir sua opinião. Mas tem uma pergunta a ser feita. O que é honra ou ser honrado? Existe um conjunto de valores, chamado de moral, um presente que nos foi legado por nossos ancestrais.
Então esse conjunto de valores é algo louvável de ser observado. Por que, então, o Azarão denota afável admiração pelo Inominável? 🤔

Eu recebi um email avisando da reabertura do Only Sky. Eu escrevi em algum lugar sobre o fechamento. Mortos que voltam à vida nunca são bons. Essa página, feita por ateus, alguns saídos do Patheos, acabou por ter se tornado parecido com o Patheos. Igualmente doutrinário e intolerante.
Eu vou citar e criticar um texto que encontrei ali.

Eu visito algumas páginas de pessoas que se dizem pagãs ou bruxas ou wiccanas. Com frequência eu denuncio a paganice e a wiccanice.

Tem a Yvonne que tem dois blogs. No blog Dowsing Divinity, tem uma postagem em que ela declarou:

“People are who they say they are”.

Traduzindo “as pessoas são quem dizem ser”.

Tem um japonês maluco que disse que era um cão e gastou muita grana para ficar parecido com um cão.

Isso me lembrou uma música:

I am he, as you are he
As you are me, and we are all together
See how they run like pigs from a gun
See how they fly, I'm crying!

Sitting on a cornflake
Waiting for the van to come
Corporation t-shirt
Stupid bloody Tuesday
Man, you've been a naughty boy
You let your face grow long

I am the egg man!
They are the egg men!
I am the walrus!
Goo, goo, goo, joob!

Como John Lennon, eu digo que sou o Morsa.
Eu sou o Papa das Bruxas.

Infelizmente em nosso meio tem muita gente que está usando o Paganismo Moderno para suas agendas pessoais.
E ainda tem gente que aplaude e elogia esse delírio.

Bobagem quântica

Autora: Paloma Oliveto.

Houve um tempo em que design significava apenas o que ele realmente é: o processo de elaboração de objetos, sistemas ou outros produtos. Um dia, descobriram — e corromperam — a palavra. Tudo virou design. No salão de beleza, agora só há nail designers, designers de sobrancelha, hair designers. A apropriação indébita do termo chegou à cozinha: inventaram um tal de food design, o que, na minha época, se chamava fazer o prato.

Assim é com "quântica", ramo da física que estuda objetos menores que o átomo. Desenvolvida a partir de estudos dos alemães Max Planck e Albert Einstein, a mecânica quântica fala de um mundo não só invisível, mas difícil de se imaginar. Nesse estranho universo, um objeto pode ocupar dois lugares ao mesmo tempo, apresentar-se em estados diferentes; isso sem falar nas propriedades "espelhadas" em partículas distantes.

A natureza é estranha, e temos de aceitar isso, disse o físico norte-americano Richard Feynman: "Espero que você possa aceitar a Natureza como ela é — absurda". (É dele também a piada: "Se você acha que entendeu a mecânica quântica, é porque não entendeu nada).

Se não temos a obrigação de conversar sobre física quântica como se fosse algo tão óbvio quanto a forma redonda da Terra, podemos, porém, dizer, com certeza, o que a mecânica quântica não é. E aqui voltamos à apropriação indébita de palavras, como design.

Especialmente a partir dos anos 1960-1970, auge da Nova Era, começou uma história de "cura quântica", "psicologia quântica", "espiritualidade quântica", "vibração quântica". Nem mesmo os deturpadores dessa área do conhecimento sabem explicar direito o que querem dizer, mas um chegou ao absurdo de definir em um livro: "A ciência quântica revela a interface entre espírito e matéria, apontando para a verdadeira espiritualidade".

Se o princípio da fé é justamente crer sem necessidade de provas, por que tentar se apropriar de uma teoria da física para "comprovar" conceitos que não são foco dessa disciplina? Meu palpite é que muitos charlatões deturpam a ciência — e a espiritualidade — para vender práticas pseudocurativas, como os "medicamentos quânticos". Valem-se dos incômodos do corpo e da mente para prometer "curas científicas".

Uma das partes mais fáceis (talvez a única) da mecânica quântica, porém, é o conhecimento de que as propriedades das partículas subatômicas só são verdadeiras quando interagem apenas entre elas. Então, mesmo que existisse um "óleo quântico", ele não agiria sobre um tumor. É como em Las Vegas: o que acontece no mundo quântico fica no mundo quântico.

A espiritualidade deve ser respeitada, e a ciência, também. São campos distintos e, por isso mesmo, sequer rivalizam, como muitos querem. A mecânica quântica jamais vai (e nem quer) explicar estados de alteração da consciência, sensação da presença de um ser superior, clarividências. Não porque essas experiências não existam, mas porque não é da competência da física prová-las ou rechaçá-las.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2024/07/amp/6909045-bobagem-quantica.html

Nota: outra palavra apropriada e deturpada é "arquétipo". Muito usado, principalmente por farsantes e vigaristas. Em nosso meio.

понедельник, 29 июля 2024 г.

Com uma ajuda da Simone

Há falas do passado que, ao serem relidas, nos causam um profundo desconforto. Em 2011, ao comentar o incidente no Pantheacon, eu escrevi palavras que hoje não me representam: a tentativa de definir o "ser mulher" através de critérios puramente biológicos como útero ou hormônios.

Como escritor e pagão, acredito que a estagnação é a morte da alma. Por isso, venho a público não apenas para corrigir um texto, mas para compartilhar o caminho que me trouxe até aqui.

O Devir de Beauvoir e a Realidade da Alma

Simone de Beauvoir nos ensinou que "não se nasce mulher, torna-se mulher". Embora eu questione sua visão datada sobre a origem da homossexualidade, sua máxima sobre o gênero permanece como um pilar de libertação. Tornar-se mulher é uma construção existencial, social e, no nosso contexto, espiritual.

Através de muito estudo e vivência, compreendi que a natureza não é binária. A existência de pessoas intersexuais e a jornada das pessoas transgênero são provas de que o Sagrado se manifesta em infinitas formas. Se a medicina hoje permite que o corpo reflita a verdade da mente, isso é um triunfo da vontade humana sobre a limitação da carne.

Lilith e o Labirinto dos Arquétipos

Lembro-me de uma antiga mentora que dizia que ninguém compreende Lilith totalmente. Ela muitas vezes é reduzida a conceitos deturpados ou simplistas. Mas, se Lilith é a primeira mulher a reivindicar igualdade e autonomia, como poderíamos excluí-la de qualquer corpo que pulse com esse mesmo desejo de liberdade?

O erro no Pantheacon foi meu também, ao tentar justificar a exclusão sob o manto da "tradição". Hoje vejo que as deidades que cultuamos — muitas delas andróginas, transgêneras ou hermafroditas — celebram a quebra de padrões rígidos.

Uma Nova Atitude

Minha retratação é direta: Mulheres transgênero são mulheres. Elas são bem-vindas, necessárias e sagradas em nossa comunidade.

Se você encontrar portas fechadas em grupos que se apegam ao passado, não gaste sua energia tentando forçar a entrada em rituais que não vibram na mesma frequência que a sua. Existem inúmeras vertentes, covens e divindades prontas para te acolher.

O Paganismo que eu defendo hoje é inclusivo, diverso e apaixonado. E para aquelas que buscam não apenas um ritual, mas uma conexão verdadeira com quem entende e celebra essa pluralidade... bem, vocês sabem onde me encontrar. Meu blog, minha comunidade e até meus lençóis estão sempre abertos para a verdade de quem sabe quem é. 😏🤭😍

Postagem recriada com Gemini, do Google.

суббота, 27 июля 2024 г.

Sobre teologia e Deuses


Steven Posch escreveu dois textos que parecem complementares.

Eu vou citar e comentar.

"Os pagãos "fazem" teologia?

Refletindo sobre décadas de experiência em divulgação inter-religiosa, minha amiga e colega Macha Nightmare observou recentemente que, nesses contextos, os não pagãos frequentemente querem saber sobre teologia pagã."

Eu entendo o que ele diz. Vivemos no mundo ocidental, eurocêntrico, onde predomina o Cristianismo. Falar em teologia ou Deus ainda são reduzidos ao conceito cristão.

"Teologia é uma boa palavra e (um) conceito pagão antigo. Estou com David “New Polytheism” Miller nisso: sempre que falamos (e pensamos) sobre os deuses, estamos teologizando. Essa é a prisca teologia , a teologia primal, a teologia como ela era antes de ser abduzida e codificada em ortodoxias."

"Pagãos, eu diria, têm bastante teologia. O que, como pagãos, nos falta é uma teologia compartilhada."

Ao ler e estudar sobre a Antiguidade, existem inúmeros pensadores que falaram sobre os Deuses, portanto, falaram de teologia antes dis teóricos cristãos.

Para um pagão moderno, o que interessa é o que se faz, não o que se pensa. Nós estamos "vacinados" contra a doutrinação e contra a imposição de modelos.

"Eles não se lembram muito do seu deus.”

Frase atribuída a Gerald Gardner.

"'Eles estão por aí há tanto tempo que se esqueceram de muita coisa', ele (Gerald Gardner) sugere. Na verdade, como sabemos agora, a realidade da situação era um pouco mais complexa."

A crença de nossos ancestrais era baseada em tradições orais. Muita coisa se perdeu com o desenvolvimento da civilização.

"Os Kalasha do que hoje é o noroeste do Paquistão, o único povo de língua indo-europeia que pratica sua religião tradicional continuamente desde a antiguidade, perderam praticamente toda a sua mitologia, e seus deuses tendem a ser figuras obscuras, conhecidas principalmente por suas funções práticas."

"Por que os altares dos deuses apresentam quatro cabeças de cavalo de madeira esculpidas? Ninguém entre os Kalasha se lembra mais. Não sabemos por quê, eles dizem aos pesquisadores: sempre foi assim."

O fato que nenhum ateu consegue refutar. A humanidade existe há, pelo menos, 1,5 milhões de anos. Todos os povos, de diversas culturas e civilizações, reconheceram a existência dos Deuses. Por milhares de anos. Se fosse algo meramente imaginado, não teria durado tanto tempo. Nenhuma cultura surgiria do ateísmo.

Mistérios são celebrados e eu estou proibido de dizer o que eu sei.
Mas a imagem que eu escolhi, mais o costume de evocar os quadrantes, deve dar uma pista ao interessado.🤫😉

воскресенье, 30 июня 2024 г.

Witchsplaining

De acordo com o Wikipédia:

Mansplaining (do inglês: man = homem, e splaining = a forma informal do verbo explain, que significa explicar) é um termo que significa "(um homem) comentar ou explicar algo a uma mulher de uma maneira condescendente, excessivamente confiante, e, muitas vezes, imprecisa ou de forma simplista".

Eu usei minhas habilidades como artífice das palavras e criei a palavra witchsplaining.
Eu vou usar esse termo para definir quando uma pessoa, que se coloca em um pedestal, tentativa explicar "ex-catedra" o que é Bruxaria.

Lembrando que o que nós estamos fazendo é uma reconstrução cultural. Lembrando que, a bruxa, nas lendas e mitos, faz referência a uma existência sobrenatural, não humana. Lembrando que muito do que hoje é descrito e chamado de Bruxaria é resultado de livros, sem conhecimento acadêmico, influenciados pela cultura popular.

A única forma de conhecer e praticar a Bruxaria é mergulhar em muitos livros e em incansáveis experiências.

Dito isso, vejamos o que Joey Morris tem a nos contar na coluna Celtic Hedge Witch, na seção Pagan, no Patheos, sobre Bruxaria.

"Você já notou a simplificação excessiva da Bruxaria nas redes sociais? Eu tenho. Pode ser muito prejudicial, então pensei em abordar alguns deles."

Não fode, Joey. Provavelmente você teve contato com a Bruxaria pelas redes sociais. Você provavelmente foi mais uma adolescente deslumbrada com os livros sobre bruxaria e Wicca, que maís parece um manual de auto-ajuda com uma mistura kitsch de esoterismo.

"Alegação: Uma bruxa não é algo que você compra!!!
BEM, NA VERDADE… comprar e apoiar negócios espirituais e de bruxas é uma parte regular da comunidade onde você compra produtos e serviços de bruxas. Isso vem acontecendo desde que era um sistema de troca e as bruxas não eram chamadas de bruxas."

Ops. Contradição. O sustento de templos e o comércio de assistência espiritual era algo voluntário. A autora comete contradição ao dizer que isso era normal em um tempo onde as bruxas não eram chamadas de bruxas, portanto, não são as mesmas pessoas ou ocupações.
Outra coisa bem diferente é fazer propaganda. Sobretudo cobrar por iniciação. Como cidadão do Paganistão, eu fico embaraçado com a forma que pessoas, supostamente "bruxas", mais parecem mercenárias. Falando por experiência própria, eu sinto enjôo quando visito uma feira direcionada aos meu povo. Eu chamei de seven-eleven por delicadeza.

"Alegação: Uma Bruxa não é algo que você veste!
BEM, NA VERDADE… Eu entendo que as pessoas ficam irritadas quando é tudo estética e nenhuma substância."

Novamente, eu posso falar por experiência própria. Qualquer reunião de "bruxas" mais parece uma convenção de cosplay. As pessoas que foram acusadas e condenadas por praticar bruxaria vestia roupas locais e da época.
Ser uma bruxa (ou bruxo) requer uma preparação espiritual e um certo contrato com o Mestre do Sabá. Mas vamos falar baixo para não acordar os iludidos.
Como diz o ditado, o hábito não faz o monge.


"Alegação: Uma bruxa não é algo que você posta…
BEM, NA VERDADE… Presumo que seja uma postagem on-line, em vez de colocar coisas no correio. ENTÃO… censura ? As bruxas já escrevem sobre suas experiências há algum tempo, e elas são bons recursos (espero) para outras pessoas."

Bingo. Joey revela (assume) que é mais uma "bruxa" de internet. Não que essa ferramenta seja ruim, mas também tem muita coisa que não cheira bem, como o Witchtok.
As pessoas que foram acusadas e condenadas por praticar bruxaria, em sua maioria, não sabiam ler ou escrever. Quem escreveu sobre ou a respeito de bruxas e bruxaria foram os padres. Mais tarde surgiram trabalhos acadêmicos no campo do folclore e da antropologia.
Os livros de bruxaria que podiam ser encontrados, alguns textos oriundos da Antiguidade, não foram escritos pelas "bruxas".
Charles Godfrey Leland e Margareth Murray foram alguns dos percursores. Depois veio Gerald Gardner. Quando se tornou mais um produto de consumo de massa, a Bruxaria começou a ganhar as prateleiras das livrarias, por autores nem sempre confiáveis.
A internet apenas impulsionou essa massificação.

"Alegação: Uma bruxa não é algo que você age…
BEM, NA VERDADE… esta parte do post insinua que agir como se algo fosse diferente de incorporá-lo. E novamente, entendo a frustração.'

Ops. Lembra que eu disse que o que nós fazemos é uma reconstrução cultural? Pois então. Muito do que é apresentando como "bruxaria" é produto mais da cultura popular do que Bruxaria. Maldito seja o witchtok.

Não foi dessa vez, Joey. Melhor sorte na próxima.

воскресенье, 5 мая 2024 г.

O inefável não deve ser explicado

No Patheos, na seção Pagan, na coluna Light Your Path, Emily Guenther inicia sua postagem com uma pergunta.

“Quem é a Deusa?”

Em alguns textos aqui eu mesmo tentei abordar a natureza do Deus e da Deusa.
Não é fácil nem simples falar do Deus no meio do Paganismo Moderno, onde predomina a presença das religiões da Deusa.

O Paulo não deve ter entendido quando eu disse que o ateísmo é baseado na firme convicção da inexistência do sobrenatural. O Paulo não deve ter entendido quando eu disse que, se algo só existe, só é válido, quando tem evidência de existência, confere um caráter transcendental, metafísico, até espiritual, às evidências. Eu duvido que ele entenda algum dia que a religião não é o problema. Essa merda toda começou quando começou a ter organizações religiosas.

O que não falta no Paganismo Moderno são celebridades, cagando regra para o público, até aparecer um inconveniente (eu), que não os idolatra e desmonta os argumentos com conhecimento acadêmico.

Lamento, Emily, mas eu vou desmontar seus argumentos.

“Acredito que os deuses são geralmente activos no nosso mundo e nas nossas vidas, mas sinto como se a Deusa estivesse a fazer com que a Sua presença fosse sentida de forma mais óbvia agora.”

Isso é um problema, não uma solução. Os Deuses sempre estiveram presentes. Essa é uma concepção moderna, conceitua-se que os Deuses são transcendentes e imanentes.
Nós voltamos as costas aos Deuses e aceitamos um Deus e uma crença impostos.

“A Deusa é a personificação do divino feminino. O divino feminino é uma energia dentro de tudo e de todos que é frequentemente associada à compaixão, carinho, perdão, intuição e empatia.”

Tem um ditado ou pegadinha que pergunta quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. Óbvio que a resposta é o ovo, afinal, as galinhas não são os únicos animais que botam ovos. E as galinhas são descendentes desses animais, os répteis.
O divino feminino foi um conceito formado a partir da concepção moderna da Deusa. Um conceito poético muito belo, onde o divino está dentro de nós. Isso ressoa docemente em meus ouvidos, pois toda mulher é uma manifestação da Deusa. Conciliando com o conceito de que o corpo, o desejo, o sexo e o prazer são atos sagrados, toda mulher é uma sacerdotisa. Então porque o Paganismo Moderno tenta apagar o sexo da Deusa e tem adotado um certo puritanismo?

“As energias do divino masculino e do divino feminino estiveram presentes em várias tradições espirituais e sistemas de crenças ao longo da história. Você pode encontrar listas explicando que a energia masculina divina geralmente representa qualidades como força, ação, lógica e racionalidade, enquanto o Feminino Divino representa qualidades como intuição, carinho, criatividade e inteligência emocional.”

Essa é uma interpretação superficial, generalizada e provinciana, tanto da história, quanto dessas várias tradições espirituais. Inclusive as designações de cada energia carrega em si inúmeros preconceitos.

“A Deusa é a personificação do Divino Feminino. Ela tem sido adorada em todo o mundo desde que os humanos desenvolveram inclinações espirituais.”

O pagão moderno tem que entender, definitivamente, que essa é uma concepção romântica idealizada a partir de uma interpretação muito equivocada de indícios arqueológicos.
A Deusa, tal como a concebemos, é, digamos, uma invenção moderna. A ideia de que a Deusa é todas as Deusas foi cunhada por Dion Fortune, da Teosofia, uma das muitas influências que formaram o Paganismo Moderno.

*Embora a Deusa não estivesse escondida nas antigas culturas pagãs, ela teve que se esconder quando o cristianismo foi imposto ao mundo.”

As Deusas, bem como os Deuses, foram “apagados”. Templos, estátuas e livros foram proibidos, destruídos. Mas isso antecede ao Cristianismo. Esse projeto pertence às religiões abraâmicas. Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

Felizmente essa dominação e erradicação não foi total. As religiões abraâmicas tiveram que assimilar, sincretizar, as crenças e folclores antigos para conseguir crescer e ampliar seu reinado. Foi apenas uma questão de tempo e questionamento para que a humanidade lembrasse suas origens, suas raízes e os Deuses.

“A Deusa deu à luz a todos nós. E ao fazer isso, Ela deu a cada um de nós um pedaço dela para carregar, para nos conectar com Ela e para garantir que encontraríamos o caminho de casa no final da nossa jornada.”

O Deus tem sua parte em nossa concepção e em nossa fagulha divina. O Deus também vive dentro de cada um de nós. Ele é o conhecedor dos caminhos e doador dos saberes.
Nunca, jamais, devemos transformar a Deusa em uma mera versão feminina de Yahweh.
Nunca, jamais, devemos nos esquecer nem negar o Deus.

Nossa caminhada apenas começou e estamos muito longe de casa. Minha única recomendação é que essa busca seja pessoal, privada e íntima.
Aquilo que encontrar, será a sua verdade. Mas não será a única.
Quem tiver ouvidos, que ouça.
Quem tiver entendimento, que entenda.

вторник, 23 апреля 2024 г.

A mancada de Mankey

Eu tenho outros textos onde eu analiso e crítico Jason Mankey.
Houve um tempo que o Patheos era uma fonte útil de textos. Houve um tempo que Jason escrevia algo relevante. Mas Jason errou a mão novamente.

Título do texto - Você Não Precisa De Uma Bíblia.

Quem nasceu e cresceu em um país majoritariamente cristão, conhecer a Bíblia é necessário para questionar, contestar e criticar o Cristianismo. Em seus quase 2k anos de existência, a organização religiosa que surgiu e cresceu no Cristianismo usa a Bíblia como suporte e justificativa para seus crimes.

Então não fode, Mankey.

Ele cita um texto de Ann Trip, título A Bíblia também é um recurso necessário para os pagãos. Sabendo ler nas entrelinhas e fazendo um monte de pesquisa, a Bíblia, curiosamente, é um bom recurso para os pagãos modernos.

O que é preocupante é a declaração do Mankey.

"Mas não me importo quando os radicais usam a Bíblia contra mim porque não acredito na Bíblia. Usar a Bíblia para me defender da Bíblia dá à Bíblia um certo poder que ela realmente não tem na minha vida."

"Há muita coisa na nossa cultura que pode ser “culturalmente” cristã, mas não há nada que sugira que todos estejamos obrigados a ser cristãos."

Ele estranhamente fala em leis e justiça. A merda é que tudo isso tem sido feito e influenciado por grupos de conservadores e de fundamentalistas cristãos. Então não fode, Mankey.

Essa sua paganice está fedendo.
Usar a Bíblia mostrando suas contradições, erros, interpolações e fraudes elimina toda a pretensão do discurso baseado na Bíblia. Ou seja, acaba com o argumento e elimina qualquer poder que seja alegado a partir da Bíblia.

среда, 17 апреля 2024 г.

O cálice e a adaga

Recapitulando.

Patheos foi adquirido por um grupo associado ao NRA, ao conservadorismo e ao fundamentalismo cristão.
Muitos colunistas pagãos e ateus saíram do Patheos. Os ateus criaram o OnlySky, que também fechou as portas. Eu não vi algo parecido entre os pagãos. Alguns permanecem no Patheos, o Pagan Square deixou de ser interessante e restou o Wild Hunt.

Erick Dupree, depois de sair do Patheos, foi vender seu monoteísmo diânico no Wild Hunt.
Ele começa errado no título do artigo.

“Tudo começou no amor.”

Amor é um sentimento e uma palavra. Nós falamos muito, mas praticamos pouco.

Continuando.

“Em seu livro inovador The Spiral Dance , Starhawk conta a história da Deusa Estelar, que, sozinha, incrível e completa dentro de si, viu seu reflexo no vasto abismo e se apaixonou por si mesma. Foi a partir desse amor que ela criou toda a existência. Do amor nasceu a humanidade e do seu amor tudo começou.”

Amar o seu reflexo é narcisismo, não é amor.
Contradição evidente. Sendo essa Deusa pré existente, então não começou com o amor.
Eu, como diletante do amor e aluno de pensadores melhores do que eu, posso dizer que não existe amor sem que exista o oposto, mas não antagônico.
A teologia diânica não se sustenta. Que reflexo o abismo pode produzir? Não é o abismo parte dessa mesma Deusa solitária? Não é o reflexo uma imagem, uma parte, dela mesma? Amar a si mesmo é egoísmo. Sem a existência do outro, do diferente, do oposto, nada pode ser criado ou gerado.

Continuando.

“Remove-se um “Deus” onipresente e uma práxis de pecado, redenção e perdão, e os substitui pela permissão para encontrar significado em um amor generativo, sem gênero e abrangente.”

Não existe diferença entre um Deus e uma Deusa onipresente. Onde tem algo absoluto, reina a tirania, a ditadura. Fica evidente que o conceito de Deus de Erick é o mesmo do cristão, o mesmo das religiões abraâmicas. Pior, ele cometeu o mesmo erro de confundir sexo com gênero.

Eu devo lembrar que o Deus Cristão não é o nosso Deus. Nós não podemos nem iremos fechar essas feridas transformando a Deusa em uma inversão travestida do Deus Cristão.

A Deusa é o Ventre e o Túmulo, Ela é o Campo para ser arado. O Deus é a Lança e o Arado, ele é o Semeador. Sem o Hiero Gamos, não existiria o universo, a vida e a humanidade.

Esta é uma falha das chamadas “religiões da Deusa”, sobretudo de suas vertentes mais feministas ao ponto de serem misândricas. A Deusa é incapaz de dar, receber, inspirar amor se negamos a Ela sua sexualidade, sua sensualidade, sua feminilidade. Ao omitir, negar e diminuir a importância do Deus, ao tornar a Deusa uma Santa Ameba, nós estamos negando a sacralidade do desejo, do prazer, do corpo, do sexo e do amor. Ao negar que a Deusa precisa de um Consorte nós tornamos o sagrado feminino mais uma triste imitação do ascetismo cristão. Como pode haver amor?

Se a Deusa é antiga e amplamente presente em diversas culturas, o Deus também o é. Na antiguidade, havia sociedades matriarcais, patriarcais, sedentárias, nômades, caçadoras-coletoras, agrário-pecuaristas. Culturas diferentes, crenças diferentes, Deuses diferentes. Assim como a Deusa-Mãe, a Deusa-Serpente, a Deusa Terra, é uma constante, o Deus Pai, o Deus Touro, o Deus Céu é igualmente constante, portanto são contemporâneos.

A união do Deus com a Deusa era tão importante que sobreviveu ao aculturamento cristão até os dias de hoje, custa entender porque exatamente no Paganismo Moderno, queiram fazer o mesmo que as religiões abraâmicas fizeram, divorciando o Deus da Deusa. Nós sofremos com as consequências desse divórcio.

Sem a Deusa, o Deus se torna violento, ciumento, vingativo.

Sem o Deus, a Deusa se torna frígida, histérica, rancorosa.

Sem o Deus, quem irá arar a terra? Sem o Deus, quem irá semear a semente? Sem o Deus, quem irá ceifar o trigo? Sem o Deus, quem irá nos conduzir para dentro do ventre da terra? Sem o Deus, quem irá colocar o cetro no trono? Sem o Deus, a Deusa não pode ser coroada e o trono fica vazio.