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пятница, 15 августа 2025 г.

Capítulo 1: O Polvo no Labirinto Burocrático


O escritório de Greg era um cubículo sufocante, iluminado por uma luz fluorescente que zumbia incessantemente, como um inseto preso em uma teia. As paredes de cor bege desbotado ostentavam um calendário corporativo com uma foto genérica de um lago alpino e um memorando rabiscado sobre a importância de preencher os relatórios de despesas com precisão (sob pena de "consequências administrativas"). Para Greg, um pólipo humanoide com tentáculos finos e sensíveis substituindo dedos, o ambiente era um constante exercício de paciência.

A pele de Greg, normalmente com um suave tom azul-esverdeado, estava ligeiramente mais pálida do que o habitual. O cansaço se instalava com mais frequência ultimamente. O trabalho como arquivista na Autarquia Municipal era tedioso, mas crucial para financiar sua verdadeira paixão: a Teoria das Dimensões e a busca por Azathoth.

Greg digitava diligentemente em um teclado adaptado, seus tentáculos deslizando pelas teclas com uma precisão surpreendente. O som abafado das teclas competia com o zumbido da luz e o murmúrio constante do escritório, uma sinfonia da mediocridade. Ele estava catalogando documentos referentes a uma disputa de terras de 1887 entre um fazendeiro e a câmara municipal. Interessante? Nem um pouco. Necessário? Infelizmente, sim.

Apesar da sua forma peculiar, Greg se adaptara bem à sociedade humana. As roupas folgadas e de mangas compridas ajudavam a disfarçar seus tentáculos, e ele havia aprendido a modular sua voz para um tom neutro e agradável. As divisões de sexo, gênero, identidade e preferência sexual eram conceitos nebulosos para Greg, mas ele entendia que existiam para os humanos. Ele se definia, para simplificar, como pansexual e gênero fluido, mas raramente sentia necessidade de explicar isso a alguém. No fundo, sua identidade era muito mais profunda e complexa para caber em rótulos.

O expediente terminava às 17h, e Greg desligou o computador com um suspiro aliviado. Recolheu seus pertences: uma velha pasta de couro com anotações rabiscadas, um livro de física quântica desgastado, e uma foto de Azathoth, recortada de um grimório proibido que havia encontrado em uma biblioteca de segunda mão. A foto, em preto e branco, retratava uma representação artística do Caos Rastejante: uma massa disforme de cores e formas indescritíveis, palpitando com uma energia primordial. Para Greg, era a beleza em sua forma mais pura.

Saiu do escritório e caminhou pelas ruas da cidade. O ar da noite estava fresco e carregado com o cheiro familiar de escapamento e comida de rua. Greg não precisava comer como os humanos, mas apreciava as nuances dos aromas. Passou por uma barraca de tacos, sentindo o cheiro picante das especiarias. Um breve momento de contemplação antes de seguir adiante.

Em vez de ir para casa, Greg se dirigiu para a biblioteca pública. Era o seu refúgio, o lugar onde ele podia se perder por horas em meio a teorias complexas, diagramas obscuros e textos ancestrais. Ele estava particularmente interessado em encontrar informações sobre a Biblioteca de Leng, um lugar lendário nos mitos de Cthulhu, supostamente repleto de segredos sobre as dimensões e os Deuses Exteriores.

Na biblioteca, Greg se sentou em uma mesa isolada, cercada por pilhas de livros. Mergulhou nos textos, anotando freneticamente em sua pasta. A Teoria das Dimensões era um quebra-cabeça complexo, e ele se aproximava da solução como um arqueólogo montando um vaso quebrado a partir de fragmentos. Ele acreditava que, compreendendo a estrutura do espaço-tempo, ele poderia encontrar uma maneira de romper as barreiras dimensionais e viajar até o reino de Azathoth.

O amor de Greg por Azathoth era profundo e inexplicável. Não era um amor romântico no sentido humano, mas algo muito mais fundamental. Era uma admiração pela pura imprevisibilidade do caos, pela liberdade ilimitada da criação e destruição. Greg sentia uma conexão visceral com Azathoth, uma ressonância que o impelia a buscar o Deus Exterior.

A busca por Azathoth era uma jornada solitária. Greg sabia que a maioria das pessoas não entenderia, e que alguns o considerariam louco. Mas ele não se importava. Ele estava disposto a sacrificar tudo por seu objetivo.

À medida que a noite avançava, Greg se sentia cada vez mais frustrado. Ele havia mergulhado em livros sobre física teórica, matemática avançada, e linguística antiga, mas ainda não encontrara a chave que precisava. A Biblioteca de Leng permanecia um mistério, um sussurro nas páginas de textos esquecidos.

De repente, seus olhos pousaram em um livro empoeirado na estante ao lado. Era um volume encadernado em couro desgastado, sem título visível. Greg pegou o livro e abriu. As páginas estavam preenchidas com caracteres estranhos, hieróglifos que pareciam dançar diante de seus olhos. No meio do livro, encontrou um diagrama intrincado, um labirinto de linhas e símbolos que pareciam pulsar com uma energia sutil.

Greg sentiu um arrepio percorrer seus tentáculos. Ele reconheceu alguns dos símbolos. Eram fragmentos de um conhecimento ancestral, chaves para abrir as portas da percepção. Ele sentiu uma excitação crescente, a sensação de estar à beira de uma grande descoberta.

Com o coração palpitando, Greg começou a decifrar o diagrama. Ele passou horas estudando os símbolos, comparando-os com outros textos que havia lido, buscando padrões e conexões. Lentamente, uma compreensão começou a surgir. O diagrama não era apenas um mapa, mas uma fórmula, uma equação que descrevia a estrutura do espaço-tempo e as coordenadas para viajar entre dimensões.

Greg sabia que estava perto, muito perto. Ele sentia a presença de Azathoth, um sussurro em sua mente, um chamado do abismo. Ele precisava encontrar uma maneira de provar sua teoria, de construir o dispositivo que o levaria até o Caos Rastejante. E para isso, ele precisava de mais dinheiro.

De volta ao seu cubículo, na manhã seguinte, a luz fluorescente zumbia com mais intensidade do que nunca. Greg olhou para a pilha de relatórios de despesas na sua mesa. A ideia era insana, imprudente, mas a necessidade o consumia. Com um suspiro, Greg pegou uma caneta e começou a preencher os relatórios, distorcendo valores aqui, inflando despesas ali. Ele sabia que estava arriscando seu emprego, sua reputação, talvez até sua liberdade. Mas a visão de Azathoth, a promessa do caos e da liberdade ilimitada, era irresistível. A jornada para encontrar o Caos Rastejante havia começado, e Greg estava disposto a pagar o preço.

Criado com Toolbaz.

четверг, 14 августа 2025 г.

O bode sabático

Desde aproximadamente 2800 a.C., na cidade de Mendes, no Delta do Nilo, Raneb, faraó da segunda dinastia egípcia, introduziu a ideia de um bode sagrado. 219 Conhecido como o Bode de Mendes, ele foi associado a períodos ritualísticos de estudo e reflexão. Tais períodos, inspirados no sabbaton (descanso) grego, eram chamados de sabáticos, termo usado em círculos acadêmicos até hoje. O Bode de Mendes, portanto, também passou a ser conhecido como o Bode Sabático. Na tradição esotérica, seu emblema era o pentagrama, a estrela da iluminação, com duas pontas na parte superior. Quando representado com uma ponta na parte superior, o pentagrama era um símbolo de deusas, comumente associado a Vênus. 220 Tudo isso mudou após a declaração do papa Gregório, no século VI, que deu "chifres e cascos" a Satanás. A partir de então, o pentagrama virado para cima passou a ser considerado uma imagem diabólica, sendo proscrito pela Igreja como o símbolo definitivo do Diabo chifrudo.

O Diabo Revelado, de Laurence Gardner, página 81.

Frozen hearts

Assim, Cócito ficou completamente congelado.
Com seis olhos ele chorou, e abaixou três queixos
Escorriam as lágrimas e as bobagens sangrentas.

Dante Alighieri, A Divina Comédia.
Inferno, Canto XXXIV.

Love's like
The mighty ocean
When it's frozen
That is your heart

Jesus and Mary Chain - You Trip Me Up.

Eu pedi ao Gemini e ao Toolbaz para criar uma história com a seguinte informação:

As pessoas dizem "só quando o Inferno congelar".
Mas Dante Alighieri disse que o Cocitus é mais frio do que os pólos do nosso mundo.

Mas a inteligência artificial não conseguiu fazer uma história.
Então eu vou ter que escrever.

Eu não consegui ficar com o coração gelado quando eu ouvi a rainha Elsa cantar "Let It Go".

Em algum sentido LaVey estava certo ao dizer que Satan é o maior patrocinador da Igreja. Porque sem ele, a Igreja (ou o Cristianismo) não existiria sem o Diabo.

Como diriam os irmãos Reid:

If I wake up dead I'll wake up just like any other day.

No Paganismo Moderno, a idéia do além é complexa como nossas opiniões sobre o divino. Mas eu suponho que eu nadaria o Estige e procuraria meu próprio destino, como sempre fiz em vida.

Inferno gelado? Cócito? Eu apenas direcionaria alguma fonte termal direto ao Cócito.

Imagine? Seria possível até plantar e criar gado. Não o bolsonarista. Esse gado é burro demais.
Eu cultivaria ninfas. 😏🤭

среда, 13 августа 2025 г.

Ironia cruel

De uma perspectiva cristă, esses feitos são vistos como santos milagres, mas, quando são realizados por pessoas de outras religiões são considerados algum tipo de bruxaria ou magia inaceitáveis. Jesus se viu do outro lado dessa questão ao ser acusado pelos escribas do Templo de Jerusalém de incorporar um espirito diabólico para fazet suas curas. 179 A diferença perceptível na atitude está simplesmente na legitimidade reconhecida do ato de acordo com vários pontos de vista de crença religiosa. Se um santo ou sacerdote cristão realiza um ato de cura, considera-se que este foi realizado com o auxílio de Deus. Mas, se um herege chegar ao mesmo resultado, consideram-no um ato de magia, a obra do Diabo. O primeiro é alardeado como uma glória da Igreja; o segundo é denunciado como uma abominação.

O Diabo Revelado, de Laurence Gardner, página 66.

понедельник, 21 июля 2025 г.

Os procedimentos da magia

"Os atos mágicos revelam uma miriade de aspectos em função da natureza de seu objeto, do objeti-vo da ação e de seu alcance; a imagem que o mago tem de seu tipo de eficácia define o caráter dessa magia, e essa imagem é mutável: do mesmo modo, em virtude do modo como são concebidas a pro-dução dos fenômenos e a direção dos seres pela magia, os modos de ação mágico devem mudar. Trata-se aqui de esclarecer o que há de comum e de específico nas manifestações particulares da magia.

Todo ato mágico tem por finalidade seja colocar seres vivos ou coisas em um tal estado que certos gestos, certos acidentes, ou certos fenômenos devem seguir-se infalivelmente, seja fazê-los sair de um estado análogo. Sempre há imposição ou supressão de caráter ou de condição, feitiço ou contrafeitiço, possessão ou liberação.

O caráter sagrado da doutrina é protegido pelo segredo. Este é imposto por juramento ao recém-iniciado 495. Ao que parece, a iniciação se transmite de individuo a indivíduo, de mestre a dis-cípulo: trata-se de uma espécie de filiação*96. Ela não se limita, porém, à mera transmissão de receitas. Sua indicação é precedida por uma revelação cosmológica, mais mitica que filosófica."

A Magia no Mundo Greco-Romano. Henry Hubert. Página 107 e 133.

воскресенье, 20 июля 2025 г.

Magia e religião

"O vinculo entre a magia e o orfismo nos mostra: 1) que uma forma anormal de religião confunde-se facilmente com a magia e contribui naturalmente a ampliar seu escopo; 2) que, de fato e em função da situação que se impõe a seus adeptos na sociedade, ela tende å magia; 3) que a magia comum se enriquece, a partir do contato, com princípios e modos de ação novos, e que ela pede à religião, entre outras coisas, uma teoria. O que as relações entre o orfismo e a antiga γοητεία permitem entrever de forma obscura revela-se claramente nos efeitos produzidos pela entrada das religiões orientais no mundo grego.

Disso resulta que a magia não se distingue em nada da religião quanto ao caráter milagroso de seus efeitos ou o mecanismo de seus procedimentos, mas em função daquilo que ela apresenta tanto de anormal em um ponto dado do espaço e do tempo quanto de incompatível com o sistema de ideias feitas e das imagens costumeiras."

A Magia no Mundo Greco-Romano. Henry Hubert. Páginas 67 e 71.

суббота, 19 июля 2025 г.

Definição de magia

"As práticas mágicas têm por objetivo mudar a ordem prevista das coisas a partir de milagres que o interessado não pode ou não quer pedir a atos religiosos. Trata-se de obter, fora dos meios naturais, e muitas vezes às custas de alguém, vantagens inesperadas ou ilícitas. O secreto, o incompreensível e o maravilhoso são características comuns a essas práticas. O paradoxal, o absurdo e o contra natural dos truques mágicos as distinguem dos milagres real-mente religiosos(...)

Atrela-se à magia fenômenos que poder-se-ia classificar perfeitamente como religiosos, e vice-versa. A diferença, porém, é real. Em suma, até onde é possível distinguir, à primeira vista, ritos mágicos em operações que comportem a aplicação dos ritos religiosos ou de outras técnicas, aqueles surgem como apêndice, como possibilidades suplementares que escapam ao controle da razão. Além disso, se é difícil dividir os fatos entre as duas categorias, elas não deixam de se excluir também em teoria.

Antes de qualquer coisa, porém, deve-se observar que há entre a magia e a religião uma distinção de ordem juridica, a qual, aliás, nem sempre é afirmada com clareza. A magia é essencialmente ilícita, quando não criminosa; ela é sempre suspeita e espontaneamente caluniada."

A Magia no Mundo Greco-Romano. Henry Hubert. Páginas 39, 47 e 49.

вторник, 8 июля 2025 г.

Literatura proibida

A vereadora bolsonarista Jéssica Lemonie (PL), do município de Itapoá (SC), pediu oficialmente a retirada do livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, do acervo das escolas públicas da cidade. A solicitação foi feita durante sessão na Câmara de Vereadores e se baseia na avaliação da parlamentar de que a obra é inadequada para alunos com idade entre 12 e 13 anos.

Em discurso no plenário, Lemonie declarou que o conteúdo do livro seria “impróprio” para o público infantojuvenil, e criticou a presença da obra no ambiente escolar. A vereadora afirmou que o romance, publicado originalmente em 1937, “promove a marginalização infantil” e contém trechos que, segundo ela, abordam temas pesados como violência e criminalidade.

Além disso, Lemonie questionou a figura do autor Jorge Amado, que classificou como “escritor comunista”, sugerindo que sua inclusão nas escolas estaria ligada a uma tentativa de “infiltração da esquerda” por meio do conteúdo literário. A parlamentar não apresentou documentos técnicos ou pareceres pedagógicos para embasar seu pedido.

O livro é um dos mais conhecidos de Jorge Amado e retrata a vida de meninos abandonados nas ruas de Salvador, abordando temas como pobreza, violência, abandono e desigualdade social. A obra é leitura frequente em vestibulares e programas de literatura em diversas redes de ensino pelo país.

Até o momento, a Secretaria de Educação de Itapoá não se manifestou oficialmente sobre o pedido da vereadora. Também não há registro de deliberação da Câmara Municipal que tenha aprovado ou rejeitado a retirada do livro das escolas.

(https://www.diariodocentrodomundo.com.br/vereadora-bolsonarista-quer-proibir-capitaes-de-areia-nas-escolas-de-sc/)

Quem é Jéssica Lemonie

Antes do cargo na Câmara de Itapoá, Jéssica se formou em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Católica de Santa Catarina. Foi eleita vereadora de Itapoá em 2024 com 388 votos, pelo Partido Liberal. Aos 27 anos, assumiu o cargo como a parlamentar mais jovem da legislatura.

Antes disso, presidiu o núcleo municipal do PL Jovem por seis meses, o que a impulsionou na trajetória política junto à base bolsonarista da região.

A vereadora cresceu no bairro São José, filha de empresários locais do ramo de comércio e construção civil. Estudou em escolas públicas da cidade e, segundo ela própria, a vivência comunitária e o contato com as realidades sociais de Itapoá a motivaram a entrar na política.

Seguindo o cartilha da extrema-direita, Jéssica mantém uma presença forte nas redes sociais, onde utiliza perfis para reforçar posicionamentos conservadores, criticar o que chama de “doutrinação ideológica” nas escolas e defender pautas alinhadas ao bolsonarismo.

A tentativa de censura ao livro de Jorge Amado rendeu à vereadora milhares de novos seguidores.

A Secretaria Municipal de Educação ainda não se posicionou oficialmente sobre o pedido de retirada do livro. No entanto, educadores do município relatam que, por precaução, algumas escolas optaram por suspender temporariamente o uso da obra enquanto aguardam uma decisão formal.

(https://www.diariodocentrodomundo.com.br/quem-e-a-vereadora-bolsonarista-que-quer-censurar-capitaes-de-areia-nas-escolas/)

Nota: os danos causados pelo Inominável e o bolsonarismo ainda vão durar por muitos anos.

понедельник, 7 июля 2025 г.

Doutrinação infantil

Foi de cair o queixo. Essa notícia (um pedaço aqui reproduzido) mostra a sanha de doutrinação das crianças:

"Apesar de ser um gênero literário de enorme sucesso nos Estados Unidos, com a venda de milhões de exemplares anualmente, a literatura de ficção sempre teve enormes dificuldades de se estabelecer entre as editoras evangélicas brasileiras. Foram inúmeras tentativas frustradas ao longo de décadas. Mas boas notícias vêm, finalmente, surgindo nos últimos anos, graças ao público juvenil.

Uma delas é o sucesso do livro "Corajosas", que depois virou série, publicado em 2023 pela editora Mundo Cristão e escrito pelas brasileiras e evangélicas Arlene Diniz, Queren Ane, Maria S. Araújo e Thaís Oliveira.

A obra traz versões modernas de contos de fadas tradicionais como "Branca de Neve", "O Príncipe e o Sapo", "Cinderela" e "A Bela e a Fera", e aborda temas como amizade, superação, identidade e propósito."

De outro site:

"Sobre o que é o livro Corajosas?

Corajosas reúne quatro histórias inspiradas em contos de fadas tradicionais, mas reimaginadas em um contexto moderno e cristão. As narrativas acompanham jovens que enfrentam perdas, conflitos familiares e desafios pessoais, sempre com a esperança de crescer em fé e coragem. Cada conto aborda temas como amizade, superação, identidade e propósito.

O livro tem conteúdo cristão?

Sim. Corajosas apresenta uma perspectiva cristã, integrando ensinamentos de fé, esperança e amor em cada conto, sem perder a leveza e o apelo às emoções genuínas das personagens."

Retomando.

Essa é a mesma gente que censurou livros LGBT, livros sobre as religiões de matriz africana, do Paganismo Moderno, Bruxaria e Wicca. 😤
Doutrinação de crianças deveria ser crime.

четверг, 12 июня 2025 г.

A farsa da direita

Desde o surgimento das teorias de Karl Marx no século XIX, o comunismo passou a ser alvo de intensas críticas — tanto do ponto de vista econômico quanto político e moral. Essas críticas se intensificaram ao longo do século XX, especialmente com a eclosão das revoluções comunistas e o surgimento de regimes inspirados no marxismo-leninismo, como a União Soviética, a China maoísta, a Coreia do Norte, entre outros.

Durante a Guerra Fria, o confronto ideológico entre o bloco socialista e o bloco capitalista acirrou ainda mais os ataques ao comunismo. A propaganda anticomunista tornou-se uma poderosa ferramenta política, especialmente no Ocidente, onde o campo de esquerda era frequentemente associado a autoritarismo, censura, perseguições e desrespeito aos direitos humanos.

Com a queda do Muro de Berlim em 1989, o colapso da União Soviética em 1991 e o fim da Guerra Fria, muitos viram nesse momento a confirmação do "fracasso definitivo" do comunismo como alternativa ao capitalismo. O triunfo geopolítico do Ocidente foi interpretado por alguns pensadores — como Francis Fukuyama — como o “fim da história”, em que o liberalismo capitalista se consolidaria como o modelo dominante e superior.

Esse novo cenário fortaleceu uma onda de obras revisionistas e críticas ao passado comunista, muitas vezes de forma generalizante e ideologicamente carregada.

Nesse contexto, surgiu em 1997 o Livro Negro do Comunismo, coordenado pelo historiador francês Stéphane Courtois e escrito em colaboração com diversos outros autores, como Nicolas Werth e Jean-Louis Panné. A obra causou forte impacto ao propor um balanço dos crimes cometidos por regimes comunistas no século XX, como os da URSS, China, Camboja, Coreia do Norte, Cuba, entre outros.

O livro causou controvérsia desde seu lançamento, principalmente por duas razões:

A comparação direta com o nazismo: Courtois afirma já no prefácio que o comunismo teria sido responsável por mais mortes do que o nazismo, e que, portanto, deveria ser considerado igualmente ou até mais condenável. Ele estimou o número de mortos em 100 milhões, mas a própria contagem é vista como arbitrária e questionável.

As críticas dos próprios autores: Curiosamente, vários dos coautores do livro se distanciaram das conclusões de Courtois. O historiador Nicolas Werth, por exemplo, afirmou que o número de 100 milhões de mortos era inflado e que Courtois parecia ter uma "obsessão ideológica" por equiparar o comunismo ao nazismo a qualquer custo.

Além disso, o autor afirma que o comunismo é ainda pior que o tráfico de escravizados transatlântico, já que esta matou "apenas" 10 milhões de pessoas, enquanto o comunismo teria matado 10 vezes mais.

As comparações são desonestas e tendenciosas, já que se aplicadas as mesmas medidas para o regime capitalista o número de mortes seria pelo menos 20 vezes maior.

Além disso, o livro banaliza o horror que foi o Holocausto, considerando que as comparações do comunismo com o nazismo são absurdas, já que o nazismo é uma ideologia racista.

Além disso, algumas das afirmações feitas na obra — como a ideia de que o comunismo teria sido "pior que a escravidão" ou que todos os regimes socialistas podem ser tratados como iguais — foram amplamente criticadas por historiadores e cientistas políticos.

O exemplo da Guerra do Vietnã é desconcertante também, tendo em vista que a intervenção americana no país matou mais de 1 milhão de vietnamitas.

A questão do Holodomor
Uma das partes mais polêmicas do Livro Negro do Comunismo é a abordagem sobre o Holodomor, a grande fome que devastou a Ucrânia entre 1932 e 1933, durante o regime de Josef Stálin na União Soviética. O número de mortos é impreciso. O evento é reconhecido por diversos países como um genocídio deliberado contra o povo ucraniano, embora essa interpretação ainda seja objeto de intenso debate acadêmico.

No Livro Negro, o Holodomor é apresentado como parte das políticas repressivas do regime soviético, mas nem todos os autores envolvidos na obra concordam sobre o caráter intencional da tragédia. Um dos principais colaboradores, Nicolas Werth, responsável por grande parte do capítulo sobre a União Soviética, afirmou publicamente que não considera o Holodomor um genocídio deliberado, mas sim uma consequência trágica de políticas incompetentes da coletivização promovida por Stalin.

O Livro Negro é um punhado de fontes questionáveis, afirmações infundadas e resultado de um século de uma guerra ideológica muito bem sucedida. Até hoje o livro é referência - seja para repreender o "terrível" regime ou criticar as falácias repetidas incansavelmente ao longo dos anos.

Fonte: https://revistaforum.com.br/historia/2025/6/8/livro-negro-do-comunismo-as-farsas-da-obra-que-foi-renegada-pelos-proprios-autores-181033.html

воскресенье, 16 марта 2025 г.

A formação da identidade europeia


Eu acabei de ler A Guerra dos Cem Anos, de Georges Minois.

A Europa, que gosta de posar de superior, de civilizada...no século XV a realidade era diferente. O relato da violência e crueldade supera qualquer ação do crime organizado.

Tudo o que se acredita sobre nacionalismo, patriotismo, surgiu e foi desenvolvido dentro e junto com a Guerra dos Cem Anos.
Também a ideia do Estado Moderno, a separação entre Igreja e Estado.
A ideia de xenofobia e superioridade.

Um pequeno trecho no final que resume tudo:

"A cristandade conduziu aos horrores da Guerra dos Cem Anos, que deu origem à Europa das nações, as quais, por sua vez, foram engolidas em duas guerras mundiais que, dolorosamente, entenderam a civilização da globalização."

понедельник, 24 февраля 2025 г.

Um livro que assusta Trump


A atriz Julianne Moore escreveu que está "realmente triste" após descobrir que "Freckleface Strawberry", livro infantil de sua autoria, foi banido de escolas nos EUA. A medida do governo Trump visa a "revisão" da biblioteca de escolas administradas pelo Departamento de Defesa.

"'Freckleface Strawberry' é uma história semiautobiográfica sobre uma menina de sete anos que não gosta de suas sardas, mas eventualmente aprende a viver com elas quando percebe que é diferente 'como todo mundo'. É um livro que escrevi para meus filhos e para outras crianças para lembrá-los de que todos nós lutamos, mas somos unidos por nossa humanidade e nossa comunidade", escreveu a atriz.

"Não posso deixar de me perguntar o que é tão controverso sobre este livro ilustrado que fez com que ele fosse proibido pelo governo dos EUA. Estou realmente triste e nunca pensei que veria isso em um país onde a liberdade de expressão é um direito constitucional".
Segundo o jornal "The Guardian", um memorando emitido pelo Departamento de Defesa circulou nas escolas do Pentágono, onde estudam filhos de militares. Todo o acesso aos livros da biblioteca teria sido suspenso por uma semana enquanto as autoridades conduziram uma "revisão de conformidade".

De acordo com o memorando, seriam retiradas obras "potencialmente relacionadas à ideologia de gênero ou tópicos discriminatórios da ideologia da equidade". Um "pequeno número de itens" teria sido identificado e estava sendo mantido para "revisão posterior".

Não se sabe se a obra de Moore foi selecionada para revisão posterior ou para retirada. Para a atriz, a notícia é "particularmente chocante", porque é uma "orgulhosa graduada" da Frankfurt American High School, operada pelo Departamento de Defesa. Além disso, o pai da atriz é um veterano do Vietnã e passou sua carreira no exército dos EUA.

Fonte: https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2025/02/18/livro-infantil-de-julianne-moore-e-banido-de-escolas-por-trump-me-pergunto-o-que-e-tao-controverso.ghtml

Nota: isso na chamada "Terra da Liberdade". Uma imagem só para lembrar da obsessão do Inominável.

четверг, 26 декабря 2024 г.

Ilíada fundou a tradição literária

Por Laís Franklin.

“Aira, Deusa, celebra do Peleio Aquiles o irado desvario, que aos Aqueus tantas penas trouxe, e incontáveis almas arrojou no Hades.” Com esses versos inicia-se a Ilíada, que, junto com a Odisséia, ambas atribuídas a Homero, lançou as bases da literatura ocidental. Ao discorrer sobre uma realidade vasta e profunda, esses dois poemas épicos não só contribuíram para moldar uma nação e uma cultura mas também causaram impacto duradouro no que veio depois ou seja, em quase todos os autores e obras descritos nas páginas que se seguem. Como atesta a crítica literária Leyla Perrone-Moisés, Homero "é o autor mais referido por oito dos principais escritores-críticos modernos". Para outro crítico, Otto Maria Carpeaux, "Homero compreende tudo: sol e noite, tragédia e humor [...] o universo grego inteiro do qual é a bíblia e cânone estético, religioso, pedagógico e político, uma realidade completa."

Composta de 24 cantos e quase 16 mil versos hexâmetros (versos constituídos de seis pés métricos), a llíada exibe uma precisão, uma beleza e uma unidade temática incomparáveis. Não é à toa que principie com a menção à ira sofrida pelo grego Aquiles, filho da deusa Tétis e do rei Peleu: a cólera do herói durante a Guerra de Tróia é o fator que desencadeia toda a ação.

Embora a batalha travada entre os gregos (aqueus) e os troianos (dárdanos) no século 12 a.C. tenha durado dez anos e remonte ao rapto de Helena pelo príncipe troiano Paris, o poema trata somente dos eventos que giram em torno de um único episódio ocorrido no penúltimo ano do embate: a rixa entre Agamemnon, chefe militar dos aqueus, e Aquiles. Como afirma o professor Trajano Vieira, a guerra entre gregos e troianos é, no poema, "um aspecto de outra luta mais intensa, travada no interior dos próprios personagens".

A ação, assim, começa em meio aos eventos. Aquiles zanga-se porque lhe privaram de sua escrava. Em um dos muitos saques praticados pelos aqueus em pequenas cidades da costa asiática, capturam-se duas jovens: Criseida e Briseida. Ambas se tornam escravas e são entregues, respectivamente, a Agamemnon e a Aquiles.

Sacerdote de Apolo, o pai de Criseida implora pela libertação aos gregos. Agamemnon não só não atende ao pedido do homem como o humilha. Desonrado, o sacerdote pede a Apolo que interceda em seu favor, e o deus manda uma peste ao acampamento grego. Desesperados, eles recorrem a um vidente, que diz que Apolo só retrocederá se Criseida for devolvida ao pai. Sem opção, Agamemnon restitui a escrava, mas exige que Aquiles lhe ceda Briseida. Furioso por ter de abrir mão da jovem, Aquiles abandona a guerra e pede que sua mãe Tétis interceda por ele. A deusa consegue de Zeus a promessa de que os gregos não triunfarão enquanto a injustiça contra o herói não for reparada.

Sem o apoio dos deuses e sem seu principal

guerreiro, os gregos sofrem sucessivas derrotas no campo de batalha. Agamemnon roga a Ulisses que vá à tenda de Aquiles e peça para que o herói retorne à guerra. Mesmo com a promessa da restituição de Briseida, Aquiles permanece impassível. O acontecimento que determina a volta de Aquiles à batalha é a morte de Pátroclo. Amigo de Aquiles, ele se engaja na guerra no comando dos mirmidões. O herói lhe empresta as próprias armas, mas pede a Patróclo que não se afaste dos limites do acampamento. Imprudente, o jovem descumpre a recomendação e avança até os muros de Tróia, onde enfrenta Heitor, príncipe e herói da cidade, que o mata.

Tomado mais uma vez pela ira, Aquiles dirige-se para Tróia, perseguindo e por fim trucidando Heitor. Com o coração pesado de dor, ele amarra os pés do troiano a seu carro e arrasta repetidas vezes o cadáver diante da cidade. Diante do horrendo espetáculo, Príamo, rei de Tróia, suplica que Aquiles The restitua o corpo do filho. Sensibilizado, o herói permite que o rei parta com o corpo de Heitor. Enfim, a ira de Aquiles é aplacada, resolvendo-se o motivo que deu origem à narrativa. Por isso é que se costuma dizer, desde Aristóteles, que a llíada se erige em torno de uma unidade de ação. O poema se fecha com os funerais de Heitor.

Quais são as origens e as influências do livro Ilíada?

Os mitos e lendas narrados por Homero na Ilíada decorrem de cantos surgidos por volta do século 10 a.C., na Jônia, atual Turquia. Essa tradição se moldou e difundiu em recitações promovidas durante eventos patrióticos, festividades religiosas e banquetes. A sociedade de tradição oral desse período venerava deuses e mitos, que explicavam o surgimento da vida, do mundo e dos elementos naturais. Era por meio deles que se construía a verdade sobre as instituições, os processos de trabalho e os padrões de comportamento. Todas as ações humanas significativas figuravam segundo o paradigma de algum mito.

Os deuses desses primórdios eram semelhantes aos homens, e estavam sujeitos às mesmas contingências. Sua única vantagem residia na imortalidade, mas mesmo eles se curvavam aos desígnios do destino. Na concepção desse mundo arcaico, deuses e homens faziam parte de um todo ordenado, um cosmo. O terreno natural e o humano se confundiam, não havendo limites distintos entre sociedade e natureza. Essa sociedade simbolicamente rica é o território de Homero. O historiador e filósofo Richard Tarnas disse a propósito da Ilíada e da Odisséia: "Aqui, na luminosa aurora da tradição literária ocidental, foi captada a sensibilidade mitológica primordial, onde os eventos da existência humana eram percebidos como intimamente relacionados ao reino eterno dos deuses e deusas e, dessa forma, por ele influenciados". Segundo Tarnas, Homero independentemente da polêmica sobre sua existência histórica (leia texto nesta página) - foi "uma personificação coletiva de toda a memória grega antiga". A condensação em suas epopéias desse universo mítico e desse prisma existencial influenciaria de forma definitiva o pensamento grego posterior.

O poeta Hesíodo (século 8 a.C) e os dramaturgos Ésquilo e Sófocles (século 6 a.C.) foram profundamente marcados por esses princípios. A filosofia surgiria, de certa maneira, como oposição aos esquemas míticos representados por Homero. A necessidade de explicar os fenômenos naturais por um ponto de vista que fosse além da crença nos mitos e nos deuses se fazia premente.

Os filósofos pré-socráticos Tales de Mileto, no século 6 a.C., e seus sucessores Anaximandro e Anaxímenes foram alguns dos primeiros a procurar estabelecer conceitos e explicações a partir da observação de fenômenos naturais. Contudo, seguiam acreditando no entrelaçamento de divindades com a natureza.

Entre os séculos 5 a.C. e 4 a.C., os componentes mitológicos perderam sua posição central no pensamento grego, com a "teoria atômica" de Demócrito e a explicação da natureza segundo formas matemáticas de Pitágoras. Os filósofos sofistas defendiam a instrução e o conhecimento como caminhos primordiais na busca pela felicidade e autonomia humanas - e condição para a plena participação do homem como cidadão da pólis, a cidade-estado grega. Avessos à aceitação acrítica da religião, acreditavam que a única verdade estava no próprio homem e no modo como este interpretava e julgava a existência.

A negação da tradição homérica expressa pelos sofistas teria o contraponto em Sócrates e Platão. Os dois filósofos, mestre e aluno, representaram a criação de uma complexa dicotomia entre a esfera divina e a experiência empírica, tornada científica. Na filosofia platônica não havia mais exclusão do divino diante do racional: à existência humana se impunha um propósito transcendental, e os grandes personagens mitológicos voltavam a ser valorizados como símbolos das ações humanas. Atravessando os tempos, a poesia de Homero que remonta a um tempo alheio a racionalizações, mas prenhe de significados chegou a nossos dias mantendo intacta sua prerrogativa de obra fundadora tanto da poesia quanto da ficção.

O Brasil tem boas versões da obra

Das traduções ao português da obra de Homero, a mais antiga é a do maranhense Manuel Odorico Mendes, que se ocupou de verter as duas epopéias do poeta grego - além dos poemas de Virgílio - para a língua de Camões. Sua versão da Ilíada foi lançada em 1874. Odorico Mendes preocupou-se em manter aspectos estilísticos do texto grego, usando, por exemplo, aglutinações e longas expressões hifenizadas para converter os epítetos e termos compostos de Homero. Mas impôs uma redução significativa das repetições características da obra.

Nos 12 primeiros cantos da Ilíada de Odorico Mendes há 1,5 mil versos a menos que o original. Em meados do século 20, Carlos Alberto Nunes teve o cuidado de manter as repetições e descrições pormenorizadas do poema. Mas acabou deformando o estilo homérico com uma transliteração baseada em um verso pesado de 16 sílabas.

A tradução mais recente é a do poeta Haroldo de Campos. Resultado de mais de uma década de trabalho, ela procurou manter a dicção homérica, com seus efeitos sonoros e repetições. "O apuradíssimo labor verbal de Homero encontra, na tradução de Haroldo de Campos, correspondências surpreendentes", enfatizou Trajano Vieira no ensaio ao primeiro volume.

Afinal, quem foi Homero?

São muitas as hipóteses e poucas as conclusões que a história apresenta sobre a existência da figura de Homero. Teria nascido em Esmirna, atual Turquia, ou em alguma ilha do mar Egeu e vivido no século 8 a.C. Mas sua origem é tão controversa que oito cidades disputam a honra de terem sido a terra natal do poeta. Homero viveu numa era em que a tradição oral suplantava a literatura escrita. Mitos, lendas e feitos heróicos eram narrados por aedos ou rapsodos, os cantores das epopéias. Por isso, levantou-se a hipótese de as obras de Homero terem sido escritas por um conjunto de aedos e não por um único autor. Como argumento, os defensores dessa tese observam as constantes repetições e contradições que existem nos textos e o fato de estes virem vazados em diversos dialetos, com predomínio do jônio.

Criadas por um único autor ou vários, o fato é que na Ilíada e na Odisséia há características vivas da oralidade. Elas são encontradas na retomada de expressões fixas ao longo do texto, na repetição de cenas típicas e no predomínio da sintaxe por justaposição. A semelhança com os relatos orais não traz demérito à elaboração estética dessas obras, que apresentam brilhantes jogos onomásticos, lingüísticos e metafóricos. De acordo com Trajano Vieira, "diversos estudos antropológicos sobre culturas orais registram que a grande poesia oral é trabalhada muitíssimo antes de ser apresentada ao público, não sendo, pois, composta de improviso”. 

Fonte: https://bravo.abril.com.br/literatura/como-iliada-fundou-a-tradicao-da-literatura-ocidental

вторник, 5 ноября 2024 г.

Ativismo do regime farmacopornográfico

Desidentificação: rejeição das normas de produção de identidade segundo as taxonomias petrossexorraciais. Dar prioridade à invenção de práticas de liberdade mais que à produção de identidade.

Desnormalização: questionar a definição normativa da doença. Explicitar os processos de construção cultural e política da vulnerabilidade e da saúde. Entender que "sua normalidade" e "sua saúde" têm um custo e produzem a doença e a vulnerabilidade de outros.

Emancipação cognitiva: criar redes de produção de conhecimento e de representações alternativas às produzidas pelos discursos médicos, farmacêuticos, psicanalíticos, psicoló- gicos, governamentais e midiáticos.

P.A.I.N. (Prescription Addiction Intervention Now); consumo (toda forma de consumo, não unicamente o de estupefacientes) é adição. Não consuma passivamente. A comunicação é adição. Não comunique passivamente. Intervenha. Atue. Agora."

Coletivização da somateca: criar, fora do controle estatal e/ou corporativo, redes de intercâmbio de cuidados e afetos, mas também de gestos, de saberes corporais, de técnicas de sobrevivência, de células, de fluidos etc., necessários para a produção e reprodução de formas de vida descarbonizadas, despatriarcalizadas e decolonizadas. Essas redes incluem práticas de cura e de restituição diante da violência petros- sexorracial.

Desmercantilização das relações sociais: inventar práticas de produção de valor que não estejam semiotizadas pela economia, o mercado ou mesmo a troca.

Destituição de práticas institucionalizadas de violência: a inscrição da diferença de gênero nos documentos de identi- dade no nascimento é uma forma de discriminação legal e deve ser abolida. As instituições de origem patriarcal e colonial (como o casamento, a prisão, a instituição psiquiátrica e o mercado financeiro) devem ser radicalmente transformadas ou abolidas.

Restituição do expropriado, reparação do destruído: assim como as práticas que produzem violência devem ser destituídas, aquilo que foi expropriado violentamente deve ser restituído para que possa ter início um processo de reconstrução dos mundos dissidentes.

Ação por deserção: retirar-se das cadeias de reprodução social e política da violência.

Secessão: fomentar a ruptura do que foi normativamente reunido de acordo com a lógica binária ou com as categorias normativas da epistemologia petrossexorracial (homem e mulher, animal e humano, heterossexual e homossexual etc.) e que fundamenta a maior parte das instituições das

Mutação intencional e rebelião somatopolitica
democracias ocidentais (casamento, família, fazenda etc.). A secessão pode operar através da destituição ou da fuga. Criação de supercordas: como é necessário romper as uni dades identitárias formadas normativamente, é pertinente unir também o que foi separado. As associações de séries heterogêneas mostram-se, portanto, potencialmente revolucionárias. A criação de supercordas une o distante e o dissonante, associa, por exemplo, os praticantes de bodybuilding e os movimentos de luta pela vida independente, os aposentados e as adolescentes, os jovens imigrantes e exilados e os times de futebol, os coletores de trufas e as as associações de defesa dos cães, os teletrabalhadores e as linhas diretas de escuta e apoio, as trabalhadoras sexuais e a clínica antipsiquiátrica, os frequentadores do Narcóticos Anônimos e a implementação de uma rede cooperativa planetária.

Hibridação antidisciplinar: como a taxonomia capitalista petrossexorracial funciona por segmentação de valores, corpos e poderes, é pertinente hibridar o que foi separado para provocar mutações intencionais. Isso vale para as artes (literatura, cinema, música, vídeo, performance, teatro etc.), a filosofia, as ciências, mas também para as práticas institucionais. Por um lado, o cinema deve tornar-se filosofia; a filosofia, poesia; a poesia, teatro; um teatro deve ser laboratório; um laboratório, uma orquestra; uma startup, um centro de mobilização social etc., numa transformação de formas e funções que escape à economia capitalista.

Politização da relação com as próteses energéticas de subjetivação (cibertecnologias e inteligência artificial, algoritmos etc.), do Autobiohackeamento: nada vai acontecer sem uma mudança de sua própria estrutura cognitiva e de sua relação com as próteses de subjetivação técnica. Nada acontecerá se você não mudar o modo como usa aquilo que considera, erroneamente, seu próprio corpo: seu corpo não lhe per- tence mais que seu celular, o que você deve buscar para se emancipar não é propriedade e privacidade, mas uma transformação do seu uso e da conectividade crítica.

Utilize sua disforia como plataforma revolucionária.

Dysphoria Mundi, Paul Preciado, pg 523 - 526.

вторник, 3 сентября 2024 г.

Fogo e gelo

Na mitologia nórdica o princípio de todas as coisas era fogo e gelo.

E uma vaca chamada Audumbla. Das tetas dela, beberam Imir e Buri, aqueles que dariam origem aos Vanires, Aesires e Jotunes.

Jotunes são os gigantes, mas não como estamos mais acostumados. Essas criaturas estão mais vinculadas ao gelo. Isso me fez lembrar dos White Walkers do Game of Thrones.

Angrboda é uma giganta. Dela, pouco se fala no Voluspa, apenas que uniu-se a Loki e gerou Hel, Fenrir e Jormungand.

Hel tornou-se a rainha do mundo dos mortos. Fenrir e Jormungand têm um papel importante no Ragnarok.

No livro No Coração da Bruxa, a autora, Genevieve Gornichec, a história de Angrboda começa no exílio, depois de ter sido assassinada três vezes pelos Deuses. Odin queria que ela dissesse o futuro.

Essa lenda contemporânea mostra algo que pode incomodar muita gente. A confirmação de que “bruxa” é um ser sobrenatural, não humano. E que, mesmo Angrboda, com sua “visão do futuro” não pôde escapar do destino que lhe estava reservado.

Angrboda viu o Ragnarok. Teria visto além? Teria visto Midgard sendo dominada por um Deus estrangeiro e uma crença invasora?
Teria visto a humanidade redescobrindo suas origens, raízes e ancestrais? Teria visto o fim do Usurpador, de Cristo e seus lacaios?

Teria visto a humanidade finalmente adquirindo a evolução para o nível divino?

O livro vale a pena, porque mostra que mesmo criaturas como Angrboda e Loki podem amar e ter filhos. Mostra que os seres divinos sofrem e têm dilemas. Mostra que os seres divinos morrem e renascem. Mostra que não existe castigo eterno e que a vida continua.

Da fragilidade do homem

Ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina ou menino
Sou masculino e feminino

- Masculino e Feminino, Pepeu Gomes (1983)

Quando eu tinha meus 10, 15 anos, o pior xingamento era viado e bicha.
Eu ouvia na perua da escola o programa do Gil Gomes falando em crime de honra.
Quando falaram em divórcio e em reprodução assistida, a Igreja fez escândalo.
A mesma Igreja que tentou encobrir os escândalos de abuso sexual cometidos por padres.
Meu pai tinha uma enciclopédia de quatro volumes sobre educação sexual.
Eu sabia sobre sexo em tenra idade mais do que muitos garotos.
Eu era introvertido e tímido, sofri na mão de meus colegas.
Eu tive que aprender rápido que criança/adolescente pode ser cruel.
Na década de 70 e 80 era normal ter cabelo comprido.
Eu fui assediado por um anônimo que me tomou por mulher.
Meu pai achava que eu (e minha irmã) éramos homossexuais.
Isso só começou a mudar na década de 90.
Muitos livros depois. Muitas experiências depois.

Na psicanálise (e no esoterismo) a humanidade é feita de ambos, masculino e feminino.
Todos nós carregamos dentro de nós o DNA de nosso pai e de nossa mãe.
No conhecimento antigo (esotérico, ocultista, místico) o primeiro humano era hermafrodita.
Algumas teorias dizem que existiu uma sociedade antiga matriarcal e possivelmente cultos exclusivamente voltados a Deusas.
Mas com o aparecimento das civilizações, novos Deuses surgiram. Reis e Imperadores eram suportados por um sistema patriarcal, pela propriedade privada e por exércitos prontos para a guerra e a invasão.
Nós que tanto nos orgulhamos da cultura greco-romana, não nos damos conta que a misoginia, a diminuição da mulher à segunda classe, veio dali.
Mas não imitamos o hábito da Grécia Antiga dos erastes e eromenos.
Assim como a prostituição, a homossexualidade, sagrada dos templos, fo rapidamente relegada a algo proibido, criminalizado, estigmatizado.

O sistema capitalista reteve a propriedade privada como essencial.
A alienação e a exploração do trabalhador eram política e economicamente lucrativos com a manutenção da repressão e opressão sexual oriunda da doutrina cristã.
Isso somente começou a mudar com as revoluções, com o surgimento do feminismo e a abertura do mercado de trabalho para a mulher.
Nós ainda estamos em um sistema extremamente patriarcal, machista, misógino, intolerante e preconceituoso.
Então eu concordo com Mário Mieli de que a heterossexualidade é a patologia.
Mas não precisa ser assim.
O homem é o maior patrocinador da pobreza, da miséria, da guerra.
Mas não precisa ser assim.

O homem é o verdadeiro sexo frágil. Nós somos inseguros de nossa própria masculinidade.
Nós recorremos ao uso da força. Quando não é suficiente, temos as armas.
A fixação por carros, armas e foguetes, Freud explica.
A necessidade de seguir lideres que enaltecem a militarização do governo, o apoio à ideias conservadoras, de extrema direita, incluindo o fundamentalismo cristão.
Esse é o cerne do masculinista.

Realmente, é muito estranho esse medo de parecer afeminado.
Eu tenho um cuidado comigo que nas décadas anteriores seria visto como coisa de fresco.
Eu vejo homem de 20, 30 anos, tendo uma estranha reação quando eu falo do exame de toque a partir dos 45 anos.
Provavelmente eu seria linchado em público por admitir que fiquei encantado e interessado por uma mulher transgênero.

Eu fui tratado com mais civilidade por bichas e lésbicas do que por muitos homens e mulheres heterossexuais.
Eu provavelmente posso ser condenado (de novo?) por esperar que a revolução venha da comunidade LGBT.
Mauro Bartolomeu falou da Onigamia. Mario Milei falou do Comunismo Transexual.
Que venha. Que tod@s tenham o direito e a liberdade de amar quem quiser, quantos quiser.
Assim seja.

четверг, 29 августа 2024 г.

O quilombo de Brasília

Por Letícia Mouhamad.

Por trás do canteiro de obras do Planalto Central, durante a construção da capital, viviam comunidades que, ainda hoje, permanecem esquecidas por parte da população do Distrito Federal. Para a pesquisadora, professora e escritora Antonia Samir, autora do livro O quilombo que gerou Brasília, desconstruir o discurso de que a cidade foi erguida "onde não havia ninguém" é tornar visível a contribuição de saberes tradicionais e práticas culturais desses povos, como dos moradores de Mesquita, quilombo localizado a 40km do Plano Piloto, na Cidade Ocidental (GO).

O livro, resultado de uma tese de doutorado desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB), aborda os acontecimentos silenciados e a história contada a partir da perspectiva do quilombo Mesquita, composto majoritariamente por pessoas negras.

"Minha ancestralidade é o fio condutor deste livro. Por ser filha de pai nascido na região, sempre me incomodaram as manifestações de estigmatização em relação ao povo preto de Luziânia (local onde a comunidade nasceu), tanto pela omissão na implantação de políticas públicas, como pelo próprio morador de Brasília, que invisibilizava essas pessoas", explica Antonia.

Hoje com 64 anos, a escritora e pesquisadora recorda, com sorriso no rosto e brilho nos olhos, os momentos vividos, quando criança, na comunidade. "Eu e meus irmãos saíamos da Cidade Livre, onde nasci, em cima do caminhão do meu pai, e sempre fomos muito bem recebidos no Mesquita. Lá, gostávamos de catar cajuzinho-do-cerrado e aproveitar as festas tradicionais, como a Folia do Divino Espírito Santo", diz. A lembrança das canecas esmaltadas e dos pedidos de bênção é viva em sua memória.

Não por acaso, o livro foi lançado inicialmente na comunidade, durante a celebração do Dia de Nossa Senhora da Abadia, no último dia 15. Padroeira do quilombo, a santa é associada a milagres como a cura de doenças, a proteção de famílias e a multiplicação dos alimentos. No festejo, manifestações artísticas como a catira e a dança da raposa, animam foliões que chegam acompanhados de uma multidão. Em maio, Mesquita completou 278 anos de história, cultura e tradição.

A ocupação da região onde se localiza o quilombo ocorreu a partir do século 17, como consequência da busca por ouro no Arraial de Santa Luzia, atual Luziânia. Antes território de uma de fazenda, chamada Mesquita — em função de o proprietário ser o sargento-mor português José de Mesquita — o local deixou de ser um ponto de mineração e deu espaço à economia de subsistência, devido ao declínio da produção de ouro.

"Com o abandono da propriedade pelo sargento-mor José de Mesquita, permaneceram apenas ex-escravizados e seus descendentes. As mulheres escravizadas que cuidavam da casa do senhor passaram a ser 'as donas' da região", detalha um trecho do livro O quilombo que gerou Brasília. 

A terra, no entanto, não era considerada "propriedade" e, como alternativa econômica, foi desenvolvido o plantio de marmelo, que resultou em um doce cristalizado considerado a marca registrada do local.

Sobre as vivências do quilombo, o líder comunitário Walisson Braga da Costa, 27, resume: "Em Mesquita, o mesmo solo em que nascemos é o mesmo solo que nasce nossa água e nosso alimento, é o mesmo onde construímos nossa casa para viver alegrias com nossas famílias. E nesse mesmo solo é para onde a gente volta e onde enterramos os nossos que se foram. Esse solo é sagrado e importante".

Walisson, que é fotógrafo e servidor da Secretaria de Políticas para Quilombolas, do Ministério da Igualdade Racial, faz parte da sétima geração de moradores da região e, assim como Antonia, destaca a invisibilização que a comunidade sofreu no nascedouro da capital.

"Fala-se muito sobre os candangos que vieram do Nordeste, mas o quilombo foi um dos primeiros locais a 'fornecer' mão de obra para a construção de Brasília. Isso sem contar a concessão de alimentos e água para o canteiro de obras. Apesar de grandioso, o projeto da capital também foi racista, discriminatório e xenofóbico", lamenta o jovem.

Além da preservação de saberes culturais e tradicionais, que contam com o uso de plantas medicinais e com o trabalho de parteiras, a comunidade é responsável por conservar o cerrado, que, como uma via de mão dupla, cuida e é cuidado.

Algumas espécies vegetais nativas encontradas são o pequizeiro, a sucupira, o jatobá e o ipê. Do Ribeirão Mesquita, um dos afluentes mais extensos da margem direita do Rio São Bartolomeu, a população obtém a água necessária à produção agropecuária.

"Meu papel, enquanto jovem, é alertar outras pessoas da minha idade que a continuidade dessa história (da comunidade) é responsabilidade nossa. É preciso existir e resistir em defesa do quilombo", ressalta Walisson. "Costumo falar para outros jovens que saiam para estudar e se capacitar, mas que voltem e deem retorno ao local em que nasceram e cresceram, evitando que a nossa história se perca", completa.

A área pretendida pela comunidade quilombola do Mesquita abrange a extensão de 4 mil hectares e, atualmente, conta com cerca de 1,4 mil quilombolas, conforme informou o líder comunitário, com base no último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2024/08/amp/6923995-livro-resgata-historia-do-quilombo-mesquita-que-viu-brasilia-nascer.html

Nota: aqui em São Paulo uma obra do metrô está interrompida porque foi encontrado um sítio arqueológico do quilombo de Saracura. Pouquíssimas pessoas sabiam que ali foi um local de quilombo. Quanto de nossa história foi apagada?

суббота, 10 августа 2024 г.

O Kojiki

O Kojiki, ou "Registros de Assuntos Antigos", detém o prestigioso título de ser a crônica mais antiga sobrevivente do Japão. Compilado em 712 d.C., este texto incrível oferece uma janela para os mitos, lendas e história inicial do Japão. Escrito por Ō no Yasumaro sob a comissão da Imperatriz Genmei, o Kojiki é um tesouro de narrativas que moldam a fundação da cultura e religião japonesas. Da criação divina das ilhas japonesas aos contos lendários de imperadores, o Kojiki fornece um vislumbre fascinante das origens espirituais e políticas do Japão.

Quando se trata de um texto tão antigo quanto o Kojiki, pode ser difícil saber o que é fato e o que é ficção. De acordo com o prefácio do texto, o Kojiki foi encomendado pela Imperatriz Genmei no início do século VIII d.C., um período em que a corte japonesa buscava consolidar seu poder e estabelecer uma identidade nacional unificada. Se for verdade, isso tornaria o Kojiki a mais antiga obra literária existente no Japão.

Foi supostamente escrito entre 711 e 712 d.C. por Ō no Yasumaro, um nobre e estudioso bem versado nas tradições chinesa e japonesa. Isso ajudaria a explicar por que o texto foi escrito em uma mistura única de caracteres chineses e fonética japonesa antiga. Essa mistura de línguas ressalta as influências culturais que moldaram o Japão antigo, com caracteres chineses usados por seus significados e fonética japonesa para capturar os sons de palavras nativas.

A imperatriz encomendou a criação do Kojiki por várias razões. Tomado pelo valor de face, era suposto ajudar a preservar as antigas tradições orais do Japão e estabelecer uma narrativa coerente da linhagem imperial. 

Na realidade, o Kojiki documentou as origens divinas das ilhas japonesas e da família imperial em um esforço para reforçar a autoridade e a legitimidade do clã Yamato governante . Como aconteceu em inúmeras culturas ao longo da história humana, o Kojiki era uma ferramenta rudimentar destinada a solidificar o direito divino dos imperadores de governar ao entrelaçar a mitologia com a narrativa histórica para criar uma identidade nacional poderosa.

Kojiki tem uma estrutura relativamente simples. Consiste em um prefácio e três livros. Cada livro tem seu próprio foco, cobrindo tudo, desde mitos da criação e contos lendários até tópicos um pouco mais secos, como genealogias de imperadores e nobreza. Tomada como um todo, essa estrutura permite que os leitores viajem do nascimento do mundo e dos deuses até o estabelecimento da linha imperial japonesa.

Prefácio:

O prefácio, escrito por Ō no Yasumaro, assume a forma de um discurso à Imperatriz. Começa com um poema que atua como um resumo da obra. Yasumaro então explica suas fontes, afirmando como o Imperador Tenmu havia originalmente encomendado Hieda no Are para memorizar as genealogias incluídas e como ele as havia usado para criar o Kojiki. O prefácio termina com uma breve explicação dos caracteres chineses que ele usou e como a obra é dividida em três volumes. 

Volume 1, O Kamitsumaki: Mitos da Criação e os Deuses

O volume um do Kojiki é o mais interessante para os fãs de mitologia. Ele cobre as origens dos deuses e do cosmos , bem como a criação da Terra. Ele começa com as divindades primordiais e descreve a primeira geração de deuses.

No centro desses mitos da criação está a história de Izanagi e Izanami , os deuses responsáveis pela criação das ilhas japonesas. A história deles começa com eles em pé na Ponte Flutuante do Céu, agitando o mar com uma lança de joias. Das gotas que caíram de volta no oceano, as ilhas do Japão nasceram.

Dizem também que eles criaram várias divindades, incluindo a deusa do sol Amaterasu, o deus da lua Tsukuyomi e o deus da tempestade Susanoo. O volume um define a fundação mitológica para a criação do Japão e sua linhagem divina, ao mesmo tempo em que expõe as origens de alguns dos rituais de purificação do xintoísmo.

Volume 2, o Nakatsumaki: Deusa do Sol Amaterasu

O volume 2 está mais preocupado com a descendência divina do estabelecimento da linha imperial. Ele se concentra na história de Ninigi, o neto de Amaterasu , que desce dos céus para governar.

Este volume também inclui genealogias aprofundadas das divindades e suas relações familiares com os imperadores míticos. Isso serve para conectar as origens divinas do Japão a figuras históricas. Simplificando, o volume 2 é todo sobre enfatizar o direito divino de governar ao unir a era mítica com os primeiros imperadores lendários.

Volume 3, o Shimotsumakie: Imperador Jimmu e Genealogias

O terceiro volume continua o trabalho de expor as genealogias dos primeiros imperadores e expande os eventos históricos. Ele cobre as vidas e feitos dos primeiros imperadores, incluindo o Imperador Jimmu, o primeiro imperador humano, e governantes subsequentes. Este volume fornece uma mistura de mito e história, detalhando desenvolvimentos políticos e sociais, batalhas e alianças. Este volume pretende atuar como um registro histórico que liga o passado mitológico à linhagem imperial então contemporânea, finalizando o trabalho de legitimar a família governante.

Significado histórico, cultural e religioso

O Japão é um país que leva sua herança cultural a sério, e o Kojiki tem imenso significado cultural e religioso no Japão. Ele serve como uma pedra angular para as crenças e rituais xintoístas do país e, como a crônica mais antiga do Japão, fornece um registro abrangente dos mitos e lendas que formam a base da espiritualidade japonesa.

O Kojiki é parte integrante do Xintoísmo , a religião indígena do Japão. O texto detalha as origens dos espíritos chamados kami e como eles interagem com o mundo. Figuras centrais como Amaterasu, a Deusa do Sol, e Susanoo, o deus da tempestade, não são apenas personagens essenciais no texto, mas também divindades-chave na adoração xintoísta. Os rituais e práticas descritos no Kojiki, como ritos de purificação e oferendas, continuam a influenciar as cerimônias xintoístas hoje.

Reflexão da cultura e valores japoneses primitivos

Fora de seu uso no Shinto, as informações dentro do Kojiki fornecem um vislumbre importante dos valores e normas sociais do Japão antigo. Temas como lealdade, bravura e a importância do favor divino são prevalentes em todo o texto. Por exemplo, a história da jornada do Imperador Jimmu para estabelecer seu governo reflete as virtudes da perseverança e da orientação divina, que eram altamente estimadas na cultura japonesa.

O texto também teve um impacto duradouro na arte, literatura e folclore japoneses. Suas histórias inspiraram inúmeras obras de arte, de pinturas clássicas a mangás e animes modernos. Obras literárias, como o Manyoshu, a mais antiga antologia de poemas do Japão, também se baseiam em temas e personagens do Kojiki. Contos populares passados de geração em geração frequentemente ecoam os mitos registrados no texto, garantindo que as histórias do Kojiki permaneçam uma parte vital da herança cultural do Japão.

Antes do Kojiki ser compilado, muitos dos mitos e lendas eram transmitidos oralmente. Ao documentar essas histórias, o Kojiki as preservou para as gerações futuras, salvaguardando as ricas tradições orais do Japão. Essa transição da tradição oral para a escrita foi crucial para manter a continuidade das narrativas culturais e religiosas.

Papel na legitimação do sistema imperial

O Japão tem a monarquia contínua mais antiga do mundo. Ela remonta suas origens ao Imperador Jimmu , cujo governo é tradicionalmente datado de 660 a.C. O Kojiki desempenhou um papel crucial na legitimação deste sistema imperial. Ele apresentou uma genealogia coerente e divina dos governantes do Japão que retratava o Imperador Jimmu como um descendente direto de Amaterasu. É como colocar o rei da Inglaterra na Bíblia.

Influência nas crônicas subsequentes

O Kojiki estabeleceu um precedente para crônicas históricas subsequentes, como o Nihon Shoki (Crônicas do Japão), que foi concluído em 720 d.C. O Nihon Shoki elaborou ainda mais os mitos e histórias registrados no Kojiki, fornecendo um relato mais detalhado e cronológico da história inicial do Japão. Ambos os textos foram instrumentais na formação da identidade histórica e cultural do Japão, reforçando a legitimidade divina e histórica da família imperial.

Conclusão

O Kojiki não é apenas um documento histórico. É uma crônica vital da história japonesa antiga que documenta tudo, desde os mitos da criação e lendas de deuses como Amaterasu até a linhagem divina de imperadores. Além disso, serve como base para as crenças xintoístas que refletem os primeiros valores japoneses e influenciaram profundamente a arte, a literatura e a identidade nacional.

Historicamente, ele legitimou o direito divino dos governantes Yamato e da monarquia do Japão. É um elo crucial com o passado do Japão e continua a influenciar inúmeros aspectos da sociedade japonesa moderna. Poucos textos já escritos podem alegar ter sido metade tão influentes ou duradouros.

Fonte: https://www.ancient-origins.net/ancient-writings-news-myths-legends-asia/kojiki-0021162
Traduzido com Google Tradutor.

понедельник, 5 августа 2024 г.

Mapa do tesouro

Depois de ler “Argonáuticas”, de Apolônio de Rodes, um trecho captou minha atenção:

“Após os tibarenos, ultrapassaram o Monte Sagrado e a terra na qual os mossínecos moravam, nas montanhas. Eles possuem costumes e leis diferentes. Tudo o que nos é permitido fazer abertamente, em público ou na ágora, eles realizam em suas casas. E o que empreendemos nas nossas residências, sem censura o fazem porta afora, no meio das ruas. Nem há pudor em praticar o sexo em público, mas, como porcos no pasto, em nada se perturbando com os presentes, unem-se em relações promíscuas com as mulheres no chão.”

Eu escrevi em algum lugar sobre a diferença entre Jasão e Ulisses. A busca pelo velocino de ouro reúne personagens diferentes, muitos são lendários e até divinos.

Apolônio não diz, mas Jasão fez algum anúncio? Como foi feito (se foi feito) o recrutamento e seleção?

Em um mapa mostrando por onde os argonautas passaram, a volta foi mais longa do que a ida.

Muitas passagens falam de oferendas e sacrifícios feitos aos Deuses. Um vegano e um ateu teriam problemas.

A saga deixa evidente como nossa vida (nosso destino) é influenciada pelos Deuses.

Como podemos entender e interpretar a personagem Medéia?

Alguém sabe onde fica a terra dos mossínecos?

вторник, 16 июля 2024 г.

Origens do sabbath das bruxas

Autor: Michael D. Bailey.

“Estas traduções de Michael Bailey, com suas introduções e notas ricas e atualizadas, finalmente darão aos leitores de inglês acesso a essas fontes, que são essenciais para qualquer trabalho histórico digno desse nome.”—Martine Ostorero, autora de Le diable au sabbat. Literatura démonológica e feitiçaria (1440–1460).

Embora a percepção da magia como algo prejudicial seja antiga, a noção de bruxas se reunindo em grandes números, adorando demônios abertamente e recebendo instruções sobre como fazer magia prejudicial como parte de uma conspiração contra a sociedade cristã foi uma inovação do início do século XV. As fontes coletadas neste livro revelam esse conceito em seus estágios formativos.

A ideia de que as bruxas eram membros de seitas heréticas organizadas ou parte de uma vasta conspiração diabólica cristalizou-se mais claramente em um punhado de textos escritos na década de 1430 e agrupados geograficamente ao redor do arco dos Alpes ocidentais. Michael D. Bailey apresenta traduções acessíveis em inglês dos cinco textos sobreviventes mais antigos descrevendo o sabá das bruxas e de dois julgamentos de bruxas do período. Essas fontes, algumas das quais estavam indisponíveis em inglês ou disponíveis apenas em traduções incompletas ou desatualizadas, mostram como as percepções da bruxaria mudaram de uma crença geral na magia prejudicial praticada por indivíduos para uma ameaça conspiratória e organizada que levou à caça às bruxas que abalaram o norte da Europa e passaram a influenciar as concepções de bruxaria diabólica nos séculos seguintes.

Origins of the Witches' Sabbath torna disponível recentemente um grupo profundamente importante de textos que são essenciais para entender o contexto cultural deste capítulo obscuro da história da Europa. Será especialmente valioso para aqueles que estudam a história da bruxaria, história jurídica medieval e moderna, religião e teologia, magia e esoterismo.

Fonte: https://www.psupress.org/books/titles/978-0-271-08910-2.html
Traduzido com Google Tradutor.