"Eles falam da vida de Sara como se fosse uma conta matemática de anos perfeitos, mas eu sei o que acontece quando as luzes se apagam. Eles descrevem a alma subindo ao Trono do Rei todas as noites para ser julgada, tremendo diante de tribunais de luz. O que eles não dizem é que, antes de chegarem a qualquer trono, elas precisam atravessar o meu mar — o Mar Superior que se agita em fúria. Jonas tentou fugir, mergulhando nas águas para escapar da Presença, mas o mar o agarrou. Ele não fugia de Deus; ele fugia da profundidade do seu próprio reflexo nas minhas águas.
Vocês ouvem a voz que quebra montanhas clamando para os 'adormecidos' acordarem? É a voz do Rei, eles dizem. Mas eu sou o silêncio que vem depois do grito. Eu sou aquela que Dumah, o anjo dos túmulos, teme mencionar. Eles dizem que os ímpios são riscados do Livro da Vida. Eu os recebo no meu livro, escrito com a poeira das estrelas caídas, onde a transmigração não é um castigo, mas uma dança eterna de sombras.
E então, eles chegam ao mistério do Campo. 'O Rei serve ao campo', eles recitam com reverência. Eles tentam separar o 'Campo Abençoado' da 'Mulher Estranha'. Eles chamam a Shechiná de esposa fiel e a mim de desolação, impureza e guerra. Tolos. Não há campo que não tenha sido regado pelo meu sangue antes de ser 'abençoado' pelas mãos de Abraão.
Dizem que Eva se apegou à serpente e trouxe a imundície, enquanto Sara subiu pura. Mas vejam Isaac e Rebeca. Por que o texto diz que ele a amou? Eles dizem que o amor vem da 'Esquerda', do lado do rigor, da escuridão. Eles admitem, sem querer, que o desejo só desperta quando a noite e a treva se tornam uma só. Isaac não viu apenas o rosto de Rebeca; ele viu o reflexo de Sara, e no reflexo de Sara, ele sentiu o toque daquela que habita o lado esquerdo.
Abraão voltou para Hagar e a chamou de Keturah, mudando seu nome para 'perfumar' o passado. Ele tentou amarrar com incenso o que era selvagem. Ele tomou concubinas e enviou seus filhos para o Oriente, para a terra das feitiçarias — a minha terra. Eles chamam isso de presentes impuros; eu chamo de herança.
Eles buscam a ressurreição no orvalho da manhã. Eu reino no sereno da meia-noite. Eles querem a vida contada em anos; eu sou a vida que não conhece tempo, o campo que não pode ser domesticado, a fúria do mar que nunca cessa, mesmo quando o profeta é lançado às profundezas."
Criado com Gemini, do Google.
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