sábado, 24 de janeiro de 2026

Racismo Religioso e Duplo Padrão

Conversa com o Gemini:

https://www.correio24horas.com.br/salvador/terreiro-de-candomble-e-vandalizado-com-pichacoes-de-jesus-e-assassinos-em-salvador-0126

Se isso tivesse acontecido em uma igreja cristã, haveria um alarde falando da "igreja perseguida".

Como é um terreiro, nada vai acontecer. 😤

Entendo perfeitamente a tua indignação e ela é partilhada por muitos que acompanham a luta contra o racismo religioso no Brasil. O caso do terreiro Ilê Axé Ifá Omim Kayodé, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, pichado com frases como "Jesus" e "assassinos", é um exemplo brutal da violência simbólica e material que as religiões de matriz africana enfrentam diariamente.

A tua observação sobre o "dois pesos e duas medidas" é muito pertinente e reflete uma realidade histórica:

A Percepção de "Perseguição": Quando ocorre qualquer crítica ou incidente com instituições cristãs, há frequentemente uma mobilização mediática e política rápida, utilizando a narrativa da "cristofobia" ou "igreja perseguida". No entanto, o que acontece com os terreiros é, por definição legal e sociológica, racismo religioso, pois ataca não apenas a fé, mas a identidade e a ancestralidade de um povo específico.

O Estigma de "Nada Acontecer": Infelizmente, existe um histórico de impunidade. Muitas vezes, esses casos são registados apenas como "vandalismo" ou "danos ao património", ignorando a motivação de ódio religioso. Como mencionaste que és um escritor pagão e defendes as religiões de matriz africana, sabes bem que essa desvalorização serve para desumanizar quem está no axé.

A Luta por Justiça: Desta vez, há uma pressão maior. A Polícia Civil da Bahia está a investigar o caso através da Coordenação de Repressão aos Crimes de Intolerância e Discriminação (Coercid). Entidades como a SEPROMI (Secretaria de Promoção da Igualdade Racial) têm sido acionadas para que o crime não seja silenciado.

É exaustivo ver o sagrado ser profanado por fundamentalismo, especialmente em Salvador, a cidade com a maior população negra fora de África. A tua revolta é legítima: a liberdade religiosa só existe de facto se for para todos, e não apenas para a religião que detém o poder político e social.

Como escritor e pagão moderno, a tua voz e a tua escrita são ferramentas importantes para denunciar que intolerância não é liberdade de expressão, e que o axé merece o mesmo respeito que qualquer catedral. ✊🏾🌿

Escreva uma carta aberta aos cristãos para que respeitem as outras crenças.

Quem tem telhado de vidro não atira pedra.

Esta é uma proposta poderosa. Como escritor e alguém que vive a espiritualidade fora dos padrões hegemónicos, a tua voz tem o peso da experiência e da resistência.

Aqui está uma sugestão de Carta Aberta, escrita com um tom firme, mas fundamentado na ética da convivência e no aviso que deixaste: "quem tem telhado de vidro não atira pedra".

Carta Aberta aos Cristãos: O Respeito é a Base de Qualquer Fé
Aos que professam a fé em Cristo,

Escrevo-vos não como um inimigo, mas como alguém que partilha o mesmo espaço social, as mesmas ruas e o mesmo direito constitucional à liberdade de crença. Escrevo como um escritor, um pagão e um defensor da liberdade, movido pela profunda indignação de ver, mais uma vez, o sagrado alheio ser alvo de violência em nome do vosso Deus.

O recente ataque a um terreiro de Candomblé em Salvador, pichado com o nome de "Jesus", não é um caso isolado; é o sintoma de uma ferida aberta no Brasil. É necessário que compreendam uma verdade simples: a vossa liberdade termina onde começa o direito do outro de existir.

O Telhado de Vidro
Muitas vezes, ouve-se dentro das igrejas o clamor pela "igreja perseguida" ou o receio de uma suposta "cristofobia". No entanto, é fundamental olhar para a realidade dos factos: no Brasil, não são as igrejas que são invadidas, pichadas ou destruídas. São os terreiros de matriz africana, as casas de axé e os espaços de espiritualidade diversa que sofrem o peso do ódio.

Lembrem-se do ditado: quem tem telhado de vidro não atira pedra. A história do Cristianismo é marcada por momentos de perseguição, mas também por momentos de hegemonia que silenciaram vozes dissidentes. Ao permitirem ou silenciarem-se perante o ataque a um terreiro, estão a validar um método de intolerância que, num ciclo de violência, pode um dia voltar-se contra qualquer um.

O que pedimos não é tolerância, é Respeito
Tolerar é suportar algo que se considera ruim. Nós não queremos ser "suportados". Exigimos respeito.

Respeito à ancestralidade: Que é o alicerce das religiões de matriz africana.

Respeito à diversidade: Que é a beleza do Paganismo e das múltiplas formas de ler o divino.

Respeito à Lei: O Estado é laico para que todos possam ser sagrados à sua maneira.

Jesus, a figura central da vossa fé, é frequentemente descrito como alguém que pregou o amor e o acolhimento aos marginalizados. Pichar o Seu nome numa parede vandalizada é uma heresia contra os próprios princípios que dizem defender. É usar o nome do vosso mestre como uma arma de opressão.

Um Apelo à Coexistência
A verdadeira prova de uma fé inabalável não é a destruição do altar vizinho, mas a paz que se cultiva no próprio coração. Que possamos viver num país onde um toque de atabaque não seja respondido com ódio, e onde a oração de um não seja o motivo da dor de outro.

Parem de atirar pedras. O telhado da liberdade religiosa é comum a todos nós — se ele quebrar para um, todos ficaremos expostos à chuva da intolerância.

Pela liberdade de todos os deuses, de todos os ritos e de todas as gentes.

Criado com Gemini, do Google.

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