https://www.brasil247.com/blog/sobre-o-boicote-dos-extremistas/
Um pensamento simples passou por minha cabeça. Que tal as empresas boicotar as empresas que estão propondo boicote ou retaliação a quem apoiou e/ou votou no Lula? Eu até consigo ouvir um farialimer: "ah, mas isso é contra a livre iniciativa..." 🤭😏 Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.
A ideia tem um potencial maravilhoso de ironia: se determinadas empresas consideram legítimo retaliar funcionários ou consumidores por suas escolhas políticas, nada impede que outras empresas decidam que não querem manter relações comerciais com quem pratica esse tipo de intimidação.
Afinal, a livre iniciativa é uma via de mão dupla. Ou será que a liberdade empresarial só é sagrada quando favorece os empresários de estimação do mercado financeiro? 🤭
A livre iniciativa é maravilhosa. Principalmente quando funciona para os dois lados.
Crônica — Economia, hipocrisia e outras oportunidades de mercado
Existe uma característica fascinante no capitalismo brasileiro: a liberdade econômica é considerada um dos pilares fundamentais da civilização sempre que alguém está ganhando dinheiro. Quando alguém perde dinheiro, entretanto, descobrimos que existem algumas ressalvas, condições especiais e, eventualmente, uma necessidade urgente de intervenção divina.
Estava lendo um artigo sobre os boicotes promovidos por extremistas bolsonaristas contra empresas cujos proprietários apoiaram Lula ou trabalhadores que votaram no petista. O texto de Oliveiros Marques, publicado no Brasil 247, apresenta algumas sugestões bastante irônicas sobre a coerência desses defensores do boicote.
Brasil 247
Mas um pensamento bastante simples passou pela minha cabeça:
E se as empresas começassem a boicotar as empresas que promovem boicotes e retaliações contra eleitores de Lula?
Imaginem a cena.
Uma empresa anuncia que não pretende contratar fornecedores que discriminam funcionários por suas escolhas eleitorais. Outra decide que não quer fazer negócios com empresários que transformam o resultado das urnas em critério de contratação. Uma terceira resolve rever seus contratos com parceiros que ameaçam demitir trabalhadores por terem votado no candidato errado.
Nada de extraordinário. Apenas decisões comerciais.
Afinal, estamos falando de empresas privadas, não é mesmo? Elas têm liberdade para escolher seus fornecedores, clientes e parceiros comerciais. Ou pelo menos era isso que eu tinha entendido nas aulas imaginárias da Escola de Chicago.
Evidentemente, a notícia chegaria rapidamente à Faria Lima.
Consigo até ouvir um farialimer, com seu colete de grife, tomando um café de R$ 18 e quase engasgando:
— Ah, mas isso é contra a livre iniciativa!
Perdão?
A livre iniciativa deixou de ser livre iniciativa quando a empresa resolve não negociar com outra empresa?
Que curioso!
Quando um empresário resolve perseguir funcionários por suas preferências eleitorais, temos um exemplo maravilhoso de liberdade econômica. Quando outro empresário resolve não contratar os serviços desse primeiro empresário, temos uma ameaça ao capitalismo.
Parece que descobrimos uma nova modalidade econômica: o liberalismo seletivo, no qual a liberdade é um privilégio concedido aos amigos e uma ameaça quando exercida pelos adversários.
Aliás, poderíamos até criar uma associação empresarial para defender esses princípios. A Associação Nacional dos Empresários Contrários à Intolerância Política. A ANECIP.
Seu primeiro comunicado poderia ser bastante simples:
"Prezados parceiros comerciais, informamos que nossa empresa não considera adequado manter relações comerciais com organizações que utilizam o poder econômico para intimidar trabalhadores e consumidores em razão de suas escolhas políticas. Agradecemos a compreensão."
Imaginem o desespero.
Os mesmos sujeitos que incentivam listas de empresas supostamente petistas descobririam que também podem entrar em listas. Os mesmos que defendem a liberdade de escolha dos empresários descobririam que outros empresários também têm liberdade de escolha.
E talvez alguém sugerisse que isso seria uma espécie de perseguição ideológica.
Nesse momento, seria interessante perguntar:
— Mas vocês não defendiam o direito de cada empresário escolher com quem faz negócios?
Silêncio.
— Não defendiam a liberdade de mercado?
Mais silêncio.
— Não diziam que o consumidor deveria escolher onde gastar seu dinheiro?
Um silêncio tão profundo que seria possível ouvir o barulho da bolsa de valores em queda.
Naturalmente, ninguém seria obrigado a fazer nada disso. A proposta não é criar uma polícia ideológica empresarial, muito menos reproduzir os métodos daqueles que criticamos. É justamente demonstrar que a liberdade econômica não pertence a uma corrente política, a um partido ou a uma turma de empresários com saudades de algum regime autoritário.
E existe uma diferença fundamental entre um consumidor decidir não comprar de determinada empresa e um empregador ameaçar retirar o sustento de um trabalhador por causa de seu voto.
Uma coisa é escolha comercial. Outra é usar o poder econômico para intimidar cidadãos pelo exercício de seus direitos políticos.
Talvez esteja na hora de alguns empresários descobrirem que a democracia também faz parte do ambiente de negócios.
E, para encerrar, deixo uma sugestão aos nossos ilustres defensores da liberdade econômica:
Não precisam gostar de Lula. Não precisam votar no PT. Não precisam sequer concordar com as minhas opiniões políticas.
Mas experimentem respeitar o direito de quem pensa diferente.
É um investimento relativamente barato, não exige financiamento do BNDES, não depende do Plano Safra e pode até melhorar a reputação da empresa.
Afinal, se a livre iniciativa vale para boicotar petistas, também vale para boicotar quem persegue petistas.
Ou será que a liberdade econômica só funciona quando o resultado das urnas agrada ao patrão?
🤭😏
Criado com ChatGPT.
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