quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O milagre do cachê

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Ué? Mas... não tinham se convertido e superado essa "vida de pecado"? 😏🤭

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A matéria registra uma festa nostálgica em Campo Grande que reuniu Tiazinha e Feiticeira, além de referências aos anos 90 e 2000, como concursos e campeonato de Boquinha da Garrafa. 
 E daí nasce uma pergunta teológica de primeira grandeza. 😏


O pecado voltou de caravana

Ué?

Mas não tinham dito que essa fase tinha acabado?

Que era coisa do passado?

Que houve conversão, renascimento, libertação, nova criatura, testemunho, propósito, restauração e todas aquelas palavras que aparecem quando alguém decide explicar que nunca vai fazer aquilo que, cinco anos depois, está fazendo novamente?

Pois eis que o tempo passou, a memória afetiva venceu e, em Campo Grande, Tiazinha e Feiticeira voltaram ao palco para uma festa nostálgica dos anos 90 e 2000.

E o passado, aparentemente, não só voltou.

Voltou com ingresso, iluminação e programação.

É fascinante como funciona a teologia seletiva da nostalgia.

Quando uma pessoa assiste a um conteúdo de décadas atrás, aquilo pode ser considerado "pecado", "devassidão", "decadência moral" ou "coisa do mundo".

Mas, quando a mesma coisa reaparece trinta anos depois, recebe um nome completamente diferente:

nostalgia.

Ah, sim.

Não é mais pecado.

É patrimônio histórico.

Não é tentação.

É memória afetiva.

Não é sensualidade.

É "reviver os anos 90".

Não é aquilo que ontem ameaçava a salvação da juventude.

É entretenimento retrô.

O demônio, aparentemente, também trabalha com curadoria de eventos.

E deve ter ficado particularmente confuso.

— Mas, Senhor, não mandaram o povo renunciar às coisas do mundo?

— Sim.

— E agora estão trazendo as coisas do mundo de volta?

— Sim.

— E estão pagando ingresso?

— Sim.

— E chamando de nostalgia?

— Exatamente.

— Então posso organizar uma festa?

— Só se tiver testemunho antes.

O mais engraçado é imaginar o sujeito que passou anos explicando que Tiazinha e Feiticeira representavam a decadência dos costumes descobrindo o cartaz do evento.

Primeiro, ele olha.

Depois, pisca.

Depois olha novamente.

Então vem a crise espiritual:

"Mas... ela não tinha se convertido?"

Meu querido, talvez a pergunta esteja errada.

A questão não é se a pessoa se converteu.

É se você superou a adolescência.

Porque existe uma diferença enorme entre abandonar uma coisa e simplesmente esperar trinta anos até ela virar lembrança cult.

A humanidade já fez isso com disco de vinil, fita cassete, videogame de 8 bits, pochete, camisa oversized e cabelo duvidoso.

Por que não faria com as musas televisivas dos anos 90?

E tem outra ironia maravilhosa.

Durante muito tempo, certos setores religiosos ensinaram que o problema estava naquilo que despertava desejo.

Depois descobriram que controlar o desejo dos outros era uma tarefa complicada.

Agora, décadas mais tarde, o mesmo imaginário retorna embalado como experiência retrô.

O pecado ganhou nostalgia.

E talvez essa seja a grande lição da noite:

há coisas que a moralidade tenta enterrar, mas a memória afetiva desenterra com DJ, telão e ingresso antecipado.

No fim, talvez não tenha sido conversão.

Tenha sido apenas intervalo comercial.

Porque algumas tentações não desaparecem.

Elas apenas esperam o suficiente para poder voltar usando a palavra "clássico".

E, convenhamos, existe uma certa justiça poética nisso.

A geração que ouviu durante anos que precisava abandonar "as coisas do mundo" agora está pagando para voltar ao mundo dos anos 90.

Com Tiazinha.

Com Feiticeira.

Com Boquinha da Garrafa.

E, provavelmente, com uma dor nas costas no dia seguinte.

Porque o verdadeiro castigo dos anos 90 não é o inferno.

É ter 40 ou 50 anos e descobrir que seu corpo não acompanha mais a coreografia. 😏


Criado com ChatGPT.

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