sábado, 26 de setembro de 2026

Limites do empreendedorismo

https://oglobo.globo.com/google/amp/ela/noticia/2026/09/22/de-r-400-como-atendente-a-r-7-milhoes-em-um-ano-criadoras-contam-por-que-migraram-para-o-conteudo-adulto.ghtml

Ué, e daí? Não elogiam tanto o empreendedorismo e a livre iniciativa? 😏🤭

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A reportagem de O Globo trata de criadoras que migraram para o conteúdo adulto e relatam uma mudança radical de renda — um caso particularmente curioso quando colocado ao lado do discurso empresarial de “livre iniciativa” e “empreendedorismo”. 

O EMPREENDEDORISMO TEM LIMITES — E APARENTEMENTE ELES FICAM NA NUDEZ

Ah, o maravilhoso mundo do empreendedorismo!

Durante anos, ouvimos que o brasileiro precisa empreender.

Não conseguiu emprego?

Empreenda!

O salário está baixo?

Abra um negócio!

A empresa não contrata?

Seja seu próprio chefe!

O mercado mudou?

Inove!

As pessoas encontraram uma maneira de ganhar dinheiro pela internet?

...

“NÃO, AÍ TAMBÉM NÃO.”

Calma.

Parece que descobrimos uma cláusula escondida no contrato da livre iniciativa.

Você pode empreender, desde que o seu empreendimento seja socialmente aceitável para quem está discursando sobre empreendedorismo.

Vender curso?

Empreendedora.

Abrir uma loja virtual?

Empreendedora.

Criar uma startup que ninguém entende direito?

Visionária.

Fundar uma empresa de tecnologia que promete revolucionar o mundo?

Disruptiva.

Criar conteúdo adulto e conseguir transformar isso em uma atividade altamente lucrativa?

“MAS QUE ABSURDO! ESTÃO COMERCIALIZANDO O PRÓPRIO CORPO!”

Ué...

E os outros empreendedores estavam comercializando o quê?

A alma?

A reportagem mostra justamente um daqueles fenômenos que deixam o moralismo econômico em uma situação bastante desconfortável: algumas mulheres encontraram no mercado de conteúdo adulto uma atividade capaz de proporcionar uma renda muito superior à que tinham anteriormente.

E aqui surge uma pergunta perigosíssima:

e se elas estiverem fazendo exatamente aquilo que o discurso da livre iniciativa manda fazer?

Identificaram uma demanda.

Criaram um produto.

Encontraram consumidores.

Construíram uma audiência.

Usaram uma plataforma digital.

Geraram receita.

Escalaram o negócio.

Parabéns!

Só faltou alguém aparecer com um PowerPoint dizendo:

“Case de sucesso: startup de entretenimento adulto com crescimento exponencial.”

Imaginem a reunião de investidores:

— Qual é o modelo de negócios?

— Assinaturas.

— CAC?

— Controlado.

— Retenção?

— Excelente.

— Potencial de escala?

— Enorme.

— E o produto?

Silêncio.

— Bom... isso depende do plano de assinatura.

“INVESTIMENTO APROVADO!”

Mas aí vem o moralismo.

Porque existe uma curiosa característica do capitalismo contemporâneo: ele consegue ser extremamente libertário quando a pessoa está ganhando dinheiro de uma maneira que ninguém considera constrangedora.

O problema não é a mulher ser dona do próprio negócio.

O problema é quando ela escolhe um negócio que deixa o fiscal da moralidade desconfortável.

É a versão econômica do:

“Você é livre para escolher, desde que escolha aquilo que eu aprovo.”

E isso fica ainda mais engraçado porque o discurso empreendedor costuma romantizar qualquer tipo de iniciativa.

“Tenha coragem!”

“Saia da zona de conforto!”

“Transforme sua paixão em negócio!”

“Monetize sua audiência!”

“Construa sua marca pessoal!”

Aí alguém leva tudo isso a sério.

“Tá bom.”

Constrói audiência.

Monetiza.

Transforma a própria imagem em marca.

E começa a ganhar dinheiro.

De repente, aparece o departamento de fiscalização moral:

“NÃO ERA DESSE JEITO!”

Ah.

Então havia um asterisco.

“Empreendedorismo, liberdade econômica e livre iniciativa, exceto nos casos em que o empreendedor faz algo que a sociedade acha vulgar.”

Talvez devêssemos criar uma nova categoria:

Empreendedorismo com aprovação do tio do churrasco.

Você pode vender hambúrguer artesanal.

Pode vender curso.

Pode abrir uma fintech.

Pode criar aplicativo.

Pode virar influencer de investimento.

Pode vender suplemento milagroso.

Pode até abrir uma empresa para vender água saborizada com nome em inglês.

Mas conteúdo adulto?

“AÍ VOCÊ PASSOU DOS LIMITES.”

E há uma ironia adicional.

Se uma dessas criadoras ganha pouco, provavelmente ouviremos:

“Ela precisa se qualificar.”

Se ganha muito:

“Isso é dinheiro fácil.”

Se abre uma empresa:

“Parabéns pelo empreendedorismo.”

Se ganha milhões:

“Mas a que custo?”

É curioso.

Quando o empreendedorismo dá errado, a culpa é da falta de esforço.

Quando dá certo de uma maneira inesperada, aparece a necessidade de explicar por que aquele sucesso não deveria contar.

Talvez a questão mais interessante não seja se alguém gosta ou não desse tipo de conteúdo.

Cada pessoa pode ter seus próprios limites, valores e preferências.

A questão é outra:

se você realmente acredita em livre iniciativa, precisa aceitar que pessoas livres podem escolher atividades econômicas que você pessoalmente não escolheria.

Caso contrário, não é exatamente livre iniciativa.

É apenas:

“livre iniciativa dentro do meu código moral.”

E isso já é outra coisa.

No fundo, talvez o verdadeiro empreendedorismo brasileiro seja descobrir quais são as regras invisíveis do mercado.

E essas criadoras aparentemente descobriram uma delas:

há gente disposta a pagar.

O capitalismo respondeu:

“Oferta e demanda!”

O moralista respondeu:

“Mas eu não gostei da oferta!”

E o economista, tomando café no canto da sala:

“Isso não estava no gráfico.”

No final, talvez seja essa a grande lição.

O mercado é extremamente democrático em uma coisa:

ele não pergunta se você acha o produto elegante.

Ele pergunta apenas:

“Tem alguém disposto a pagar?”

E, aparentemente, tinha.

Muito.

R$ 7 milhões de “livre iniciativa” depois, alguém ainda está procurando o botão de cancelar o capitalismo.

😏🤭


Criado com ChatGPT.

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