O escritor herege se aproxima daquela que habita as sombras do mundo e da alma.
Os outros sete trouxeram oferenda.
Ouro, incenso, verso decorado, promessa de templo.
Ele pede, no deserto e no exílio, por água e alimento.
Ela não julga nem censura. Deuses fazem isso.
Ela segura o queixo do escritor e profere a sabedoria.
“O seu desconforto não está fora de você. Corte a raiz do seu desconforto onde isso começa.”
Tradução pra quem viveu de joelho:
Pare de culpar o deserto. Pare de rezar pra chuva.
Seda é o que você vestia para ser aceito no banquete.
Couro é o que você veste agora pra atravessar o exílio.
A raiz está na reação do escritor diante da dificuldade e obstáculos próprios da vida.
O mago xinga a pedra.
O mestre mede a pedra.
O bruxo tenta transformar a pedra em pão.
O sacerdote ajoelha e chama a pedra de provação.
O profeta diz que a pedra foi profetizada.
O iluminado finge que a pedra é ilusão.
O messias quer morrer na pedra pra virar estátua.
O escritor olha pra Lilith.
Ela não move a pedra. Não sopra, não reza, não negocia.
Ela aponta pro seu pé descalço e diz: *“Pisa.”*
Porque desconforto não é sentença. É pergunta.
E toda vez que você respondeu com medo, com súplica, com “por que eu?”,
você regou a raiz.
Seda rasga na pedra. Couro marca.
Herege não pede caminho limpo. Pede sola grossa.
Lilith não arranca sua raiz.
Ela te entrega o machado e diz: *“É tua. Corta ou cultiva. Mas para de chamar de destino o que é escolha.”*
O deserto continua deserto.
O exílio continua exílio.
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Imagem criada com o Meta.

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