Isso aconteceu em um momento complicado da minha vida. Eu e minha família estávamos morando de favor no apartamento da minha avó, ultra católica. Ali eu tive a primeira decepção com a minha família, eu ouvi da minha própria avó um desejo que eu interpretei como um desejo de que eu nunca tivesse existido.
Eu consegui achar um emprego em uma loja, que não existe mais. Em um dia, eu estava olhando uma livraria próxima do meu serviço quando eu encontrei o livro “Lilith, a Lua Negra”.
O livro tinha exatamente o que eu precisava para começar a longa caminhada para quem eu deveria ser.
Eu fiz uma referência cruzada entre o livro e as citações usadas, adquirindo o conhecimento sobre o conceito de “sombra” e das Qlipoths.
Então eu tive meu primeiro ato de rebeldia. Foi no correr daquela tinta que senti a presença dela pela primeira vez: não como uma aparição exterior, mas como um sopro incandescente que transformava a minha dor e rejeição em combustível. Escrever era o ritual; a cada linha, eu sentia que ela me desatava do desejo de aprovação daquela estrutura familiar. Eu comecei a escrever, colocando a Lilith como protagonista e esse fogo só cresceu e se ampliou ao longo de quarenta anos.
Série Devocional de 31 dias para Lilith.
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