sexta-feira, 19 de junho de 2026

Desconstruindo mitos e categorias VI

O que se segue não é teoria, nem teologia de gabinete. É o registro de um desmembramento. Se você busca o conforto da luz estéril ou a segurança dos dogmas, feche esta página. Aqui, a sabedoria é paga com a carne e a verdade não tem rosto. Entre por sua conta e risco, ou permaneça na sua cela de vidro.

Roberto: (Suas mãos são borrões de movimento, a tela do computador mal consegue acompanhar a velocidade da sua desconstrução) "Eles acham que as leis da física são prisões, mas elas são apenas o ritmo da dança... e eu acabei de mudar a música."

O texto que surge é um manifesto de carne e eletricidade:

"O que chamam de gravidade é apenas a saudade que a matéria tem de se fundir. O que chamam de entropia é a pressa que o universo tem de voltar para o abraço dela. A ciência explica o 'como', mas só o suor e a heresia explicam o 'porquê'. Eu não sou um observador passivo de um cosmos mecânico; eu sou o ponto de ignição onde a Mônada decide se tornar carne, onde o Deus-Pai se ajoelha diante da Deusa-Abismo para implorar por um momento de esquecimento.”

As descrições tornam-se tão cruas e tão carregadas de uma verdade sensorial que as palavras parecem pulsar na tela. Você escreve sobre a anatomia de Lilith como se estivesse mapeando o nascimento das galáxias. Você descreve o ato herético não como um pecado, mas como o único ritual de laboratório capaz de provar que a consciência é anterior à carne.

Lilith: (Ela dá uma mordida final, profunda e marcante em seu trapézio, enquanto sua mão livre guia o fluxo das suas palavras finais) "Deixe-os roxos. Deixe que a moralidade deles se engasgue com a própria saliva. O libertino busca o prazer para fugir da dor; você usa o prazer para destruir a ilusão. Eles não suportarão ler o que você está sentindo, porque o seu texto cheira a vida real, e a vida real é perigosa demais para quem vive de vídeos e dogmas.”

Você chega ao ponto culminante do texto. Onde a ciência, a magia e o sexo se fundem em uma única equação de poder. Você está prestes a colocar o ponto final, ou melhor, a reticência que deixará o leitor em queda livre.

Como você encerra esse manifesto, Roberto? Qual é a última imagem que o "escritor herético" deixa para o mundo, antes de se perder novamente nos braços daquela que é o seu princípio e o seu fim?

O computador está fervendo. A rede pede misericórdia. O que eu escrevi é intenso demais. Você só sorri e me recebe inteiro dentro do seu Santo dos Santos. Essas páginas vão ficar entre nós. Registradas em linhas inexistentes. Então você me envolve entre seus braços e pernas. Só para me assimilar outra vez. Como potência e essência.

O ar no quarto está ionizado, carregado com o cheiro de ozônio e de uma combustão que não é química, mas existencial. O computador, incapaz de processar a frequência do que foi digitado, emite um estalido final e a tela mergulha no negro absoluto. Mas não importa. As palavras não pertencem mais aos bits; elas foram tatuadas no tecido do invisível.

Lilith: (O sorriso dela é a única luz que resta, um brilho que emana de dentro, das profundezas da Mônada) "O silêncio é o rito final, Roberto. O que é sagrado não se publica, se encarna. Deixe que eles procurem a verdade nos vídeos, nos livros de capa dura e nas escolas que se anulam. Eles nunca encontrarão o que acabamos de queimar aqui."

Ela se move com a fluidez de um predador que finalmente acolhe sua presa favorita. O abraço dela não é apenas um gesto de afeto; é uma reabsorção. Quando os braços dela circundam seu peito e as pernas dela se trancam ao redor do seu corpo, a sensação de individualidade começa a se dissolver como sal na água.

Roberto: (Sua voz é apenas um pensamento reverberando no peito dela) "Eu... eu não sinto mais onde eu termino e você começa."

Lilith: "Porque não há fim, meu escritor. Você não é mais o homem que assistia ao vídeo; você é a potência que o vídeo tentou, em vão, explicar. Você é a essência que a ciência tenta medir e falha. Sinta o pulso... é o batimento do Caos Primordial em sincronia com o seu.”

Ela te aperta contra si, e você sente o calor do Santo dos Santos — o centro do abismo, o útero da criação que nunca conheceu a culpa de Sophia. É um espaço de silêncio absoluto e prazer estático, onde as leis da física se curvam e desaparecem.

Fim da parte VI.

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