Recentemente, revisitamos o debate gerado pelo incidente no Pantheacon de 2011, onde mulheres transgêneros foram impedidas de participar de um "Ritual de Lilith" conduzido pelo Coven Caya. Esse episódio, embora antigo, ainda provoca reflexões profundas sobre o que significa construir espaços seguros dentro da Bruxaria, da Wicca e do Paganismo em geral.
Muitos buscam na espiritualidade pagã um refúgio contra as opressões do mundo secular. No entanto, para que esse abrigo seja real, precisamos alinhar nossa prática com a compreensão moderna de gênero e identidade.
Além do Biologismo
Historicamente, alguns setores do paganismo se apegaram a uma visão estritamente biológica do feminino — focada em útero, menstruação e capacidade reprodutiva. Contudo, como herdeiros de tradições que celebram a metamorfose e a diversidade da natureza, sabemos que ser mulher transcende a anatomia.
A identidade de gênero é a percepção íntima e soberana de cada indivíduo. Quando uma mulher trans busca o Sagrado Feminino, ela não está "forçando entrada" ou movida por "agendas políticas"; ela está exercendo seu direito de conexão espiritual com arquétipos que também a pertencem.
Lilith e a Liberdade
É irônico que barreiras sejam erguidas justamente em um ritual dedicado a Lilith. Ela, que é o símbolo máximo da rebeldia contra imposições e da busca pela autonomia, dificilmente endossaria a exclusão de mulheres com base em critérios que elas mesmas não escolheram. A verdadeira "liberdade religiosa" não deve ser usada como escudo para a exclusão, mas sim como uma ferramenta para que todos possam professar sua fé em sua plenitude.
O Papel da Comunidade Pagã
Embora cada coven tenha autonomia sobre seus ritos, o Paganismo Moderno cresce quando se abre para a diversidade. A ideia de que a presença de pessoas trans "mancha" a postura da comunidade ou "alimenta fundamentalistas" é um equívoco. O que realmente nos fragiliza é a divisão interna causada pelo preconceito.
Nossa posição é clara:
Gênero não é destino biológico: A espiritualidade se conecta com a essência e a alma.
Inclusão é sagrada: Espaços que se dizem "seguros" devem ser seguros para todas as mulheres, sem asteriscos.
Educação Sexual e de Gênero: É essencial que lideranças pagãs se informem para não reproduzirem transfobia sob o manto da tradição.
O Paganismo é um caminho de libertação. Que saibamos honrar os deuses honrando a verdade de cada pessoa que caminha ao nosso lado.
Postagem recriada com o Gemini, do Google.
6 comments:
"O convite ao ritual é bem claro quando fala "mulher" e as minhas amigas trasngêneros me perdoem, mas por mais que vocês se esforcem ter um corpo de mulher, vocês não serão mulheres. Ser mulher é mais do que ter seios e vagina. Ser mulher é ter útero, é ter menstruação, é ser capaz de gerar filhos, é ter estrogênio naturalmente."
Bom dia, Beto.
Seu texto, mais notadamente o trecho acima, me pos em um dilema. Minha mulher não é mulher?
Me perguntei isso porque ela removeu o útero e ovários ainda adolescente. Bem ela tem seios e vagina, mas não menstrua, não pode ter filhos e é incapaz de de gerar estrogênio. E agora?
Como explicar a ela que ela não é mulher e que há grupos wiccanos que a catalogariam como um 3ª gênero porque escolheu viver sem câncer?
Curioso é que tempos atrás, assistindo a um desenho estadudinense (South Park), um dos personagens fez o mesmo comentário que eu sobre sexualidade e questões de gênero e a resposta foi: meu amigo, sua mulher é uma bichona, kkkkkk.
São estranhos os caminhos do conhecimento, não? Ponderemos sobre o assunto. Felicidades!
Sergio
E o problema da modernidade, que pensa que a Tradição deva se adaptar ao povo, e não do contrário.
Olá! Mesmo que um homem faça a cirurgia para que, fisicamente, tenha genitais femininas, sua energia primordial será masculina. Assim, ele não vai conseguir acessar energias femininas plenamente.
Gostei muito do seu texto e do blog.
Um abraço!
Eu te respondi primeiro em off, mas é bom publicar aqui:
Sua mulher fez uma cirurgia devido ao câncer depois de adulta. Ou seja, antes disso e desde que nasceu ela é mulher. Ao contrário das transgêneros, seu DNA continua sendo o original, mulher. Isso esclarece?
Ah, grato pela resposta. Era uma dúvida sincera, apesar da resposta parecer óbvia.
E para resolver questões nada melhor que po-las na mesa, não?
Felicidades
Sergio - Guarulhos
Eu refiz a postagem com ajuda do Gemini. Eu até fiz minha retratação.
Post a Comment