sábado, 31 de março de 2012

A Vassoura da Bruxa

Muito se fala sobre a vassoura mágica, mas pouco se revela. Nossa intenção aqui não é limitar o assunto mas contribuir com ele.
Na ponta do cabo de dentro da piaçava há um prego banhado na quentura da guarra do diabo assim como na outra ponta, onde vc sopra o poder no cabo e o prende com o prego. Vassouras em geral são o símbolo do voo sabático, o cavalo de jacó, símbolo dos cavalos e dos enteógenos de montaria para vôos, e representa o elemento ar, podendo varrer pra dentro ou para fora. Em alguns ritos específicos ela fica no leste onde abre e fecha a porta para o círculo, em outros ritos há que se pular a vassoura para poder voar posteriormente para o Entre-Mundos. A lenda das bruxas voadoras em suas vassouras se originou antes de cristo onde durante um rito para pedir boas colheitas era feito o seguinte: As senhoras mais velhas primeiro e depois as mais novas acompanhavam, no campo já arado e plantado, haviam de pular cada pedaço de terra plantada, montadas numa vassoura e as bruxas desejavam pular bem alto, pois quanto mais alto era o pulo, mais alto era o tamanho da planta que cresceria com a benção da vassoura montada. É um humilde utensílio doméstico na aparência, nem por isso a vassoura é menos signo e símbolo de poder sagrado. Une o fálico com o yônico. Nos templos e santuários antigos, a varredura é um serviço de culto, além de manter o auxílio na limpeza. Trata-se de eliminar do chão e do ar todos os elementos que do exterior vieram sujá-lo, e essa tarefa só pode ser designada para quem tem as mãos puras.
Nas civilizações agrárias da África do Norte, a vassoura, que serve para varrer a área onde são batidos os cereais, é um dos símbolos do cultivo. Nessa cultura, durante os primeiros dias de luto, a casa não deve ser varrida, a fim de que a abundância não seja expulsa ou a fim de não ofender a alma do morto. Na Bretanha, igualmente, não se pode ou não se deve varrer a casa a noite, pois isso afastaria dela a felicidade. Os movimentos da vassoura abençoam ou afastam as almas que vagueiam. Entre as Stregas, além de tudo que já foi falado acima, é muito comum colocar a vassoura atrás da porta de entrada/saída para mandar embora as visitas indesejáveis.
Com efeito, essas vassouras que fazem desaparecer a poeira, poderiam também machucar e pôr em fuga os hóspedes invisíveis, os gênios protetores do lar. A maneira como são feitas e a matéria de que se compõem também não são indiferentes. A árvore de eucalipto é uma das mais escolhidas por alcançar o céu, e dela pode fabricar tanto o cabo quanto a piaçava.  Na Argélia, as mulheres costumam colher na primavera um pouco de feixes de urzes em flor, que se tornarão vassouras de bom augúrio, que não afugentarão a prosperidade e não machucarão por descuido os hóspedes invisíveis. Mas se a vassoura inverte seu papel protetor, torna-se instrumento de malefício, e de acordo com a lenda, montadas em cabos de vassouras é que as feiticeiras de todos os países saem pelas chaminés e vão para o sabá. A vassoura é um símbolo fálico de forças que a vassoura deveria ter vencido, mas que dela se apoderam e pelas quais ela se deixa levar, ou trazer. Em maléfica, o cabo de blacktorn também pode ser usado para criar uma vassoura de maldição e banimento, mas geralmente esse tronco é usado para fabricação de bastões maléficos.
Autor: Cléber

sexta-feira, 30 de março de 2012

Os casamentos forçados

Uma menina de cinco anos é a mais jovem entre as 400 crianças vítimas de casamentos forçados registrados na Grã-Bretanha no ano passado, segundo números recém-divulgados por uma força-tarefa do governo britânico.
As cifras são parte de uma consulta pública finalizada há pouco pela Unidade de Casamentos Forçados do país, que dá assistência às mulheres e crianças que são obrigadas a se casar.
Amy Cumming, que lidera a Unidade, disse que 29% dos casos que chegaram ao grupo envolviam menores de idade.
'A mais nova delas tinha cinco anos de idade, então há crianças em idade escolar envolvidas nessa prática', declarou.
Para proteger os menores, as autoridades britânicas não revelaram detalhes sobre onde ocorreram esses casamentos. Mas os dados revelados não causaram surpresa à Organização de Direitos das Mulheres Curdas e Iranianas (IKWRO, na sigla em inglês), que lida com mais de cem casos de casamento forçado por ano.
'Temos clientes que são pré-adolescentes, de 11 e 12 anos. O caso mais jovem que tivemos era de (uma menina de) 9 anos', disse Fionnuala Murphy, da IKWRO.
Com a conclusão dos trabalhos da Unidade de Casamentos Forçados da Grã-Bretanha, a IKWRO espera que a prática da união forçada seja criminalizada no país.
'Achamos que a criminalização daria poder às vítimas, (faria com que) soubessem que é um crime, enfrentassem seus pais na defesa de seus direitos e buscassem ajuda.'
Abusos violentos
A escritora Sameem Ali conhece de perto o trauma de ser uma noiva criança: ela tinha apenas 13 anos quando foi levada por sua mãe, de férias, ao Paquistão. Ela estava animada com a viagem, mas, ao chegar
na aldeia de sua família, descobriu que seria forçada a se casar com um homem com o dobro de sua idade, que ela nunca havia visto antes.
'A família inteira apareceu, trazendo um imã (religioso muçulmano), e me forçaram a me casar. Na época, não entendi o que estava acontecendo. Era apenas uma criança e não podia falar não.'
Oito meses depois, ela voltou à Grã-Bretanha, mas a essa altura já havia sido vítima de violentos abusos.
'Fui trazida para cá (Grã-Bretanha) com 14 anos e grávida', relata.
Hoje, ela está casada por sua própria escolha e ajuda outras pessoas que enfrentaram a mesma situação.
No entanto, ela teme que a eventual criminalização do casamento forçado iniba as vítimas da prática. 'Uma jovem nunca vai vir a público testemunhar contra seus pais na Justiça', opina.
Debate legal
Em 2011, a Unidade de Casamentos Forçados diz ter lidado com 1.500 casos, mas acredita-se que muitos nunca sejam reportados às autoridades britânicas.
Medidas de proteção a vítimas foram implementadas em 2008 na Inglaterra, no País de Gales e na Irlanda do Norte. Uma vítima em potencial, um conhecido ou uma autoridade pode solicitar uma ordem
judicial que a proteja de um casamento forçado. Na Escócia, a prática já é considerada um crime.
O atual governo britânico ordenou uma consulta pública para avaliar se o casamento forçado deve, agora, ser criminalizado. A decisão é esperada para o fim deste ano.
Fonte: G1 Mundo
E tem brimo que ainda tem a pachorra de dizer que o Islão é bom para a mulher.

terça-feira, 27 de março de 2012

As Bruxas Paulistas

Documentos mostram como a Igreja saiu à caça de feiticeiras em São Paulo no século XVIII
Por Sandra Boccia
O Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo é um tesouro histórico conhecido por poucos. Protegidos do pó em estantes de cedro, 9 000 processos cíveis e criminais permitem rara olhada na intimidade da vida cotidiana em São Paulo, sul de Minas e Paraná entre 1632 e 1856.
Em meio a 10 milhões de registros de batizados, aparece o de Maria Izabel de Alcântara Brasileira, em 24 de maio de 1831. Supõe o historiador Jair Mongelli, chefe do arquivo, que se trata da filha ilegítima de dom Pedro I e Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos. "O nome está grifado", nota.
Há também processos de adultérios, concubinatos, sacrilégios, sodomia, sexo com animais e até mesmo de promessas de casamento não cumpridas. Preso em 1765, um certo Manoel Rodrigues Jordão justificou a dispensa de Joana Machado de Siqueira alegando que a moça não tinha dentes, dinheiro ou formosura. Um fiel da paróquia de Guarulhos, hoje município da Grande São Paulo, foi acusado de ter ouvido missa "vestido de mulher" em 1744. No decorrer do processo, descobriu-se que "o menor" Joaquim José não tivera a intenção de se passar por travesti. Tão pobre que não tinha o que vestir, ele improvisou com roupas de suas irmãs. Acabou absolvido.
Páscoa era uma escrava paulistana que usava pedacinhos de unha, fios de cabelo e excrementos humanos para enfeitiçar e matar. Depois de fazer um pacto com o demônio, ela tornou-se uma espécie de serial killer do século XVIII, matando cinco pessoas.
Essa história fantástica consta dos autos da investigação sobre seus crimes, da qual a Justiça Eclesiástica de São Paulo se ocupou durante dez meses. Finalmente, em 30 de julho de 1750, o juiz assinou a sentença: o caso deveria ser encaminhado à Inquisição, em Portugal. O destino de Páscoa nas mãos do Santo Ofício, que costumava condenar bruxas à morte na fogueira, ainda é um mistério. Processos recém-redescobertos nos arquivos da arquidiocese mostram que entre 1749 e 1771 nove mulheres (Páscoa entre elas) e quatro homens foram acusados de feitiçaria em São Paulo.
Salvos de um incêndio e esquecidos por décadas dentro de um baú de metal, esses documentos inéditos revelam episódios sombrios e pouco estudados da História nacional: a caça às bruxas conduzida pela Igreja Católica há mais de 200 anos.
"Trata-se de uma descoberta revolucionária", diz a historiadora Mary Del Priore, professora de história do Brasil colonial na Universidade de São Paulo, USP. "Essa documentação serve para iluminar um território que ainda continua nas sombras."
Os treze processos por feitiçaria, manuscritos em delicada fibra de pano e carcomidos pelo tempo, mostram como as autoridades eclesiásticas brasileiras seguiam à risca a cartilha da Inquisição portuguesa. Do século XVI ao XVIII, o Tribunal do Santo Ofício puniu com severidade qualquer suspeita de desvio em relação à doutrina católica, incluindo aí a magia. Nunca chegou a se estabelecer na colônia brasileira e seus enviados especiais – os Visitadores – só estiveram nas capitanias prósperas como Bahia, Pernambuco e Grão-Pará.
Em São Paulo, na época um pobre aglomerado de sessenta ruas contornadas pelo Rio Tamanduateí e seu afluente, o Anhangabaú, a caça às bruxas ficou por conta do clero local. Num processo aberto em 1767, Isabel Pedrosa de Alvarenga, moradora de Santo Amaro, foi acusada por um dos espiões da Igreja (chamados de "familiares do Santo Ofício") de dispor de um saco de coisas abomináveis para exercer atividades diabólicas. Umbigos de crianças, bicos de pássaros, cabelos e panos ensopados em sangue eram o tesouro desta mulher que vivia de esmolas e jamais admitiu ser uma bruxa. As acusadas eram normalmente pobres coitadas como Isabel, mais preocupadas com o sustento do dia-a-dia do que em prejudicar alguém.
Eram parteiras, lavadeiras de mortos, benzedeiras, curandeiras e adivinhas – típicas profissões femininas da época. "O próprio saber feminino era visto como bruxaria", diz a historiadora Eliana Rea Goldschmidt, do Centro de Estudos de Demografia Histórica da América Latina da Universidade de São Paulo. A primeira leitura dos documentos – de difícil compreensão devido ao português arcaico e à deterioração do papel – foi feita pela historiadora a pedido de VEJA.
As regras do Arcebispado da Bahia, editadas em 1707 numa tentativa pioneira de adequar as diretrizes católicas à colônia tropical, puniam os praticantes de magia com multas, excomunhão e degredo na África. A definição de magia era vaga e podia incluir qualquer acontecimento incomum. Em 1749, por exemplo, a Cúria paulista enviou a Portugal os autos de acusação contra Patrício Bicudo da Silva, colono de Santana de Parnaíba. O que tinha sido apurado contra ele era a estranheza de "trazer consigo cobras vivas nas mãos sem receber lesão alguma". Num processo arquivado na Cúria, de 1771, Leonor de Siqueira e Moraes e sua filha, Ana Francisca, foram acusadas de usar "líquido menstrual" para transformar Manoel José Barreto, marido de Ana, num "pateta".
O exílio no Brasil foi pena comum imposta às feiticeiras portuguesas. Isso encheu a colônia de benzedeiras e milagreiras. Apesar da quantidade de autos-de-fé em Lisboa, as cerimônias em que se queimavam hereges, a caça às bruxas foi mais branda em Portugal do que em outros países europeus, como a Alemanha. Todo o continente vivia assombrado por bruxarias.
A conclusão dos processos encontrados no Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo pode estar nas montanhas de papel armazenadas na Torre do Tombo, que guarda os documentos coloniais em Lisboa. Ou em lugar nenhum. Se Páscoa ou outras bruxas paulistas arderam nas fogueiras é, por enquanto, uma pergunta sem resposta.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Finalmente haverá julgamento

FILADELFIA, EUA, 26 Mar 2012 (AFP) -Um tribunal da Filadélfia, Pensilvânia, julga, a partir desta segunda-feira, Monsenhor William Lynn, da Igreja Católica dos Estados Unidos acusado de não ter afastado das funções os padres denunciados por abuso.
O advogado de Lynn, Thomas Bergstrom, disse que su cliente não tinha poder hierárquico suficiente para esse afastamento.
A defesa questiona, além disso, a credibilidade das duas supostas vítimas, que possuem histórico de abuso de drogas, e que também estariam atrás de uma indenização econômica milionária de parte da arquidiocese, num outro julgamento civil.
"O abuso sexual de crianças é imperdoável. Monsenhor Lynn sabe que é um crime horrendo. Ele, e talvez ninguém mais do que ele, tentou agir contra isto", destacou Bergstrom.
No mesmo processo, são acusados, também, o sacerdote James Brennan, por abusos na década de 1990, enquanto que um outro, o ex-padre expulso das funções, Edward Avery, assumiu a culpa de crimes sexuais.
Avery recebeu uma condenação de entre dois anos e meio e cinco de prisão. A assistente do promotor, Jacqueline Coelho, descreveu Lynn como o "guardião dos segredos", encarregado de proteger a Igreja do escândalo e manter os fiéis na ignorância.
"A proteção dos meninos não era prioridade, na mente do acusado Lynn", disse Jacqueline Coelho, que prometeu uma revisão meticulosa dos arquivos.
Um dos casos data de 1992, quando um homem acusou Avery de molestá-lo sexualmente na década de 1970 ou 1980.
As acusações foram consideradas suficientemente sérias para que Avery fosse enviado a um centro especializado em reabilitação de sacerdotes com problemas de abuso sexual.
Quando Avery completou o tratamento, Lynn o designou a uma paróquia também frequentada por crianças, apesar do risco que representava e da avertência dos psicólogos.
Nessa igreja, Avery presumivelmente encontrou um menino de 10 anos mencionado nos documentos como "Bill" e também abusou dele.
Em outro inicidente descrito no processo, o padre James Brennan passou a noite em seu apartamento com um adolescente de 14 anos, em 1996.
Segundo a assistente do promotor, onze sacerdotes - entre eles Avery e Brennan - foram acusados de molestar crianças.
Algumas das denúncias datam dos anos 40 e teriam sido prescritas. Segundo Jacqueline Coelho, as denúncias foram feitas e Lynn sabia de cada uma delas, sem nada ter realizado, a não ser a transferência dos acusados para outras dioceses.
Fonte: G1 Mundo

Discurso de ódio não é liberdade de expressão

O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em sentença unânime, emitiu parecer, no mês de fevereiro, sobre o caso de Vejdeland e outros v. Suécia, declarando que a condenação criminal, de acordo com o Direito Sueco, dos indivíduos que distribuíram panfletos ofensivos a homossexuais, como grupo, não constituiu uma violação da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. Segundo o parecer, as atividades realizadas pelo grupo não estão protegidas pela liberdade de expressão garantida pelo Artigo 10º da Convenção.
A ILGA-Europa apoia a sentença, considerando-a de extrema importância, pois é a primeira vez que se considera e condena um discurso de ódio contra homossexuais. Neste caso, os panfletos ofensivos aos homossexuais, distribuídos numa escola secundária por membros da Juventude Nacional, organização sueca reconhecidamente neofascista, referiam-se à homossexualidade como "um desvio sexual" com um "efeito moral destrutivo na sociedade".
Os panfletos também incluíam alegações que a homossexualidade seria responsável pelo desenvolvimento do HIV e da Aids, além de afirmar que o "lobby homossexual" tentava justificar a pedofilia.
Para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, estas frases constituíam alegações sérias e prejudiciais, mesmo não existindo incitamento direto a crimes de ódio. O Tribunal reforçou que a discriminação com base na orientação sexual é tão séria quanto a discriminação com base na "raça, origem e cor".
De acordo com Martin K.I. Christensen, Co-Presidente da Comissão Executiva da ILGA Europa, "esta sentença é verdadeiramente importante e histórica. Durante décadas, pessoas lésbicas, gays, bi, trans e intersexuais são submetidas a uma avalanche de retórica ofensiva, sem fundamento, discriminatória e difamatória. Por muito tempo, as pessoas que as produziam escondiam-se atrás de seus direitos à liberdade de

expressão e opinião".

Fonte: Gay Brasil

sexta-feira, 23 de março de 2012

Heterhomobitrans

Existem na natureza, 450 espécies entre animais, aves e até peixes catalogados como sendo homossexuais e bissexuais, contendo suas variações, as seguintes espécies:
- 70 espécies de aves;
- 30 espécies de mamíferos.
Entre os animais, existe o ritual do sexo e mesmo quando os machos são a maioria ou estão sobrando, as fêmeas fazem sexo entre elas, como comprovou a pesquisa mostrada no vídeo durante o fórum.
Em se tratando de transexualidade, ela existe sobre os tipos : Natal, Legal, Genético entre outros, e as pesquisas comprovam que o ser humano encontra sua identidade sexual aos 2 anos de idade, e só então é possível iniciar os modos de pensar, como mulher ou como homem.
Diferentemente dos homossexuais, a mente da pessoa pensa como mulher mas o corpo é de homem e vice-versa. Encontra-se ai, a potencial pessoa a ser chamada de transexual, mas até então não. Essa pessoa vai crescendo e não encontra meios onde se sinta bem consigo mesma, e na maioria das vezes se sente um homem num corpo de mulher ou uma mulher num corpo de homem, e passa aspirar uma cirurgia de mudança de sexo para equilibrar mente e corpo e solucionar esse “transtorno”.
Os homossexuais sentem-se bem com o corpo de homem ou de mulher em que vivem e não almejam a mudança de sexo, e sim sentem-se atraídos sexualmente e são inclinados a gostar de uma pessoa do mesmo sexo. Até mesmo o sufixo “ISMO” deixou de ser usado no termo homossexualismo, pois tal sufixo designa doença e a ciência hoje em dia comprovou o que os homossexuais já sabiam. Não se trata de doença!
O sufixo “ismo” deu lugar a “idade” ficando homossexualidade e já tem diversas leis para serem aprovadas à favor dos homens e mulheres homossexuais.
No caso de pessoa transexual, a figura muda de ângulo.
Ela tem vergonha do seu próprio corpo, sente-se rejeitada por si mesma e entende que corpo e alma estão em desacordo, em desarmonia, como se estivesse presa à um corpo que não lhe pertence. Que incômodo!
Como é o caso dos pseudos-hermafroditas que nascem com um testículo de um lado e um ovário do outro, ou atrofia do membro masculino e a abertura vaginal fechada. (O termo pseudo-hermafrodita é aceito e usado em contra parte ao hermafrodita apenas, isso se dá em razão de que não existe hermafrodita como no caso do camaleão que se auto-fecunda). Ao olhar, o médico e até os pais vêem um sexo (masculino ou feminino) mas ao crescer e se desenvolver a coisa muda de figura e, quando percebem o que realmente aconteceu com a pessoa, já é tarde demais, pois a pessoa havia recebido um nome civil masculino ou feminino causando vários transtornos, apelidos, humilhações, brigas, desentendimentos na fase escolar e até mesmo quando o policial de trânsito pede os documentos. Até explicar que focinho de porco não é tomada.... – E na hora de ir no banheiro?
Bem, existiu um filosofo que teve a pachorra de afirmar que o homem é a medida de todas as coisas, e isso influenciou toda uma geração. No entanto, sua teoria caiu por terra literalmente, vejamos:
Por que os seres humanos precisam estudar a natureza e os animais para entenderem e compreenderem seus comportamentos e sua própria natureza, já que o homem é a medida de tudo?
Simples, eles não se auto compreendem, não se entendem e por isso busca na natureza a resposta para tudo.
Então comprovamos aqui que, A Natureza é a medida de Tudo!
Nos casos de bissexualidade entre animais, temos pesquisas que evidenciaram nos leões, elefantes, macacos entre outros, tal comportamento natural. Os antílopes machos são homossexuais e isso também é natural.
Poderíamos pesquisar mais a respeito sobre o tema Parafilia, mas deixarei a gosto de cada um(a).
Quanto ao sexo entre humanos, há necessidade de acabar com o preconceito, já que os homens expiam os animais para se entenderem, e os animais são naturalmente tanto héteros, como bi e homossexuais. Também observemos que: Os animais pensam mas não raciocinam, os seres humanos pensam e também raciocinam.
Então, porque os que pensam e raciocinam não podem erradicar o tal preconceito?
Essa pergunta é para refletir e está voltada aos bruxos e bruxas que desempenham funções ou trabalham no mundo jurídico, pois precisamos repensar as leis, ao integrarem na carreira como legisladores(as), jurístas, advogados(as), juízas(es), e até mesmo os humanos da área médica e psico-social.
Todo ser humano tem a genética bifronte, isto é, pode ser homem ou pode ser mulher, dependendo dos aspectos hormonais.
A mulher, até pouco tempo atrás era vista como a pessoa disceminada para procriar.
Essa frase era no mínimo preconceituosa, pois colocava a mulher só para procriar quando sabemos que elas não tem só esse dom e poder. No caso da mulher transexual, ela não poderá procriar, mas o que dizer das mulheres que não podem ter filhos por motivos diversos? E a adoção, existe para que? Todo conflito “pode ter” uma solução. Pelo menos ela poderá viver feliz na sua condição de “realizada”, guardando sempre os conceitos éticos e morais de não esconder seu passado do marido, para não correr o risco de cair em contradição.
Uma mulher pode ficar anos a fio sem fazer sexo com ninguém, nem por isso ela deixará de ser mulher, e assim é com os gays, com os homens e mulheres heteros, que no fundo, são TODOS potencialmente BISSEXUAIS pela própria condição de portar o caduceu de hermes em vossas colunas espirituais. Uma pomba-gira num corpo de um homem 'médium', não deixa de ser mulher; uma mulher que nasceu com o útero seco ou teve seu útero amaldiçoado para ficar seco e nunca mais poder gerar, não deixa de ser mulher, e uma mulher em espírito será sempre mulher, esteja ela num corpo de características masculinas ou femininas. A menstruação é um dom, um sangue que prepara o útero para geração da vida. Eu vejo a mulher que não menstrua, como a Anciã, ou face Negra da Deusa. 
Norberto Bobio, diz que “Os preconceitos não tem razão de ser”; assim como Russeau, fazendo crítica à liberdade “ativa” e o exercício da sexualidade.
O transexualismo, aqui com o sufixo “ismo”, transformado em transexualidade é o exercício do direito de liberdade positiva da sexualidade. A doença representada pela palavra transexualismo não está tão somente no físico-material, mas no espiritual. No sentido de que viver sob tal condição passa ser uma doença, podendo ser curada com a cirurgia. A pessoa transexualismada ainda não é feliz, enquanto a pessoa transexual é feliz.
E de transformação, nós Bruxas e Bruxos “Entendemos”, mas precisamos aprender buscar nossos direitos, e o único meio é a informação.
Autor: Cleber de Lupino Haddad
Texto publicado na Caverna de Lilith [grupo do facebook]

Androginia sagrada

A liberdade sexual e a indefinição das fronteiras de gênero podem provocar o ódio daqueles cujas crenças são desafiadas [pg 21]
Inanna apareceu como Guerreira, como Alta Sacerdotisa, como Amante. Agora Inanna abraça e cria um ritual específico honrando o aspecto cerimonial para as pessoas com identidade de gênero ambíguo.
Enheduanna descreve uma garota no poema "Dama de Grande Coração" usando uma palavra em Sumério que significava "o vigor de um jovem em seu ápice". A palavra "formoso/a" traduz melhor o significado transgênero, particularmente quando nós lemos e entendemos o contexto da situação. A garota no poema, por causa de sua aparência masculina, carrega o mesmo ostracismo em Sumer que muitos andróginos ainda carregam
A androginia cerimonial tem uma longa história. Na Mesopotâmia, as pessoas do tempo envolvidas na adoração da deusa são frequentemente descritas em textos literários relacionados aos rituais do templo como andróginos ou sexualmente ambivalentes, eunucos, hermafroditas ou travestis. Nos tempos modernos, algumas culturas indígenas americanas tem um espaço para a manifestação sagrada do transgênero.
As sacerdotisas e os sacerdotes transgêneros têm a habilidade de trespassar, de revelar duas palavras essencialmente diferentes uma da outra. Nessa transgressão, a unidade original da criação do mundo é revelada.
O lugar do chamado terceiro sexo no ritual tem sido observado por séculos. Os galli greco-romanos eram chamados de tertum sexus - representantes de um terceiro gênero. Will Roscoe cita "a violação das fronteiras sociais, especialmente aquelas fundamentais para a vida diária, como macho e fêmea, rompe com a realidade fabricada aos que testemunham isto".
As pessoas de gênero ambíguo atuavam dentro dos limites do ritual do templo. Assim contidos, o rompimento da realidade fabricada permitia aos cultuadores contemplarem a fragilidade de suas realidades construídas e dar espaço à instabilidade dentro de seu mundo predominantemente previsível.
Enheduanna nos traz diante da androginia de Inanna. Inanna representa a total expressão de todo o escopo das possibilidades da identidade da mulher. Este escopo inclui uniões do mesmo sexo. Inanna é livre para viajar pelo cenário de sua sexualidade, deleitando-se ao máximo com cada aspecto. Ela sanciona a sexualidade em suas várias formas como a força da vida propriamente dita. Suprimir uma expressão viável da sexualidade, como uniões do mesmo sexo, seria contrário à vida para Inanna e iria contra a força criativa de sua natureza.
Os aspectos rituais da androginia conectam-se ao propósito sagrado de transgredir para revelar o outro lado, de pertencer a mais de um mundo. Esta transposição espiritual era mais facilmente atravessada pelos andróginos do templo porque eles já haviam atravessado as fronteiras tradicionais da definição de gênero.
Inanna invena o ritual do nada. Ao fazê-lo ela conecta a definição ambígua de gênero a um arquétipo sagrado. O arquétipo nesse caso é a habilidade inata de atravessar fronteiras, de viajar entre os mundos consciente e inconsciente. Inanna declara o gênero ambíguo um dom dos deuses e dá à sacerdortisa e ao sacerdote recém iniciados um propósito ou um ofício específico no culto do templo.
Inanna os renomeia como mulher caniço e homem caniço. Os caniços que são onipresentes na margem do brejo dos rios de Sumer definem o espaço entre o terreno sólido e o fluxo da água do rio. Inanna nomeia seus novos sacerdotisa e sacerdote por esse trecho de terreno intermediário, um espaço transitório da água para a a terra, para identificá-los como pessoas que são capazes de viver no espaço entre mundos, margeando o consciente e o inconsciente.
Inanna puxa os fios de sua teia. Ela é quem tem o poder de mudar homem em mulher, mulher em homem, aquela que tem o poder de situar estes queridos por ela firmemente em seu domínio sagrado, seja sua sacerdotisa, guerreira, amante, andrógina.
"Inanna, Lady of Largest Heart", de Betty De Shong Meador, University of Texas Press, pg 162-167.

terça-feira, 20 de março de 2012

Nábia, Deusa do rio Nabão

No princípio era o Caos… entretanto, na ânsia de encontrar uma explicação para os fenómenos da natureza que o rodeiam, o Homem concebeu inúmeras divindades que além de representar os atributos de tais fenómenos passaram ainda a revelar emoções e sentimentos próprios dos humanos uma vez que eram construídos à sua imagem e semelhança.
Entre tais divindades, Nábia foi uma das divindades mais veneradas na faixa ocidental da Península Ibérica ou seja, a área que actualmente corresponde a Portugal e à Galiza, durante o período que antecedeu à ocupação romana. Na mitologia céltica, Nábia, era a deusa dos rios e da água, tendo em sua honra o seu nome sido atribuído a diversos rios como o Navia, na Galiza e o Neiva e o Nabão em Portugal. Inscrições epigráficas como as da Fonte do Ídolo, em Braga e a de Marecos, em Penafiel, atestam-nos a antiga devoção dos nossos ancestrais à deusa Nábia.
Quando ocuparam a Península Ibérica à qual deram o nome de Hispânia, os romanos que à época não se haviam convertido ainda ao Cristianismo, adoptaram as divindades indígenas e ampliaram o seu panteão, apenas convertendo o nome de Nábia para Nabanus, tal como antes haviam feito com os deuses da antiga Grécia.
Qual reminiscência do período visigótico, a crença pagã em Nábia – ou Nabanus – viria a dar origem na famosa lenda de Santa Iria – ou Santa Irene – cujo corpo, após o seu martírio, ficou depositado nas areias do rio Tejo junto às quais se ergueram vários locais de culto, tendo inclusive dado origem a alguns topónimos como a Póvoa de Santa Iria e, com a introdução do Cristianismo, a atribuição do seu nome à antiga Scallabis, a actual cidade de Santarém.
Bem vistas as coisas, são em grande parte do rio Nabão e das suas nascentes as águas que o rio Tejo leva ao Oceano Atlântico, junto a Lisboa, depois daquele as entregar ao rio Zêzere. E, é nas águas cristalinas do rio Nabão que habita a deusa Nábia e nas suas margens que Santa Iria encontrou o eterno repouso.
Fonte: Auren

segunda-feira, 19 de março de 2012

Idolatria e iconoclastia II

Recentemente acendeu-se a polêmica e a controvérsia  quanto à presença de crucifixos em repartições públicas. Polêmica e controvérsia inúteis aos olhos deste pagão, pois a proposta de “acabar com a religião” faz tanto sentido quanto propor acabar com a música, a poesia, o teatro.
De um lado, os ateus militantes, rasgando seus jalecos de pretensa racionalidade e cientificismo, clamando que o Estado é laico e portanto - em seu pensamento ficcioso- não pode haver qualquer símbolo religioso em repartições públicas.
De outro, a Igreja Católica e seus lacaios, entoando a mesma ladainha de que estamos em um país de cultura católica, chegando ao exagero de dizer que querem explodir o Cristo Redentor e outras baboseiras.
Em ambos os lados sobram argumentos e faltam razões.
Ateus, retirar os crucifixos das repartições públicas não é promover o Estado laico, mas a iconoclastia. A mera presença dos crucifixos é resultado de circunstâncias [histórica, cultural e social], retirá-los não afetará as circunstâncias. A retirada dos crucifixos não afetará o cerne do problema que impede do Estado brasileiro ser laico de fato, que é o poder e a influência da Igreja. Eu diria mais, irá apenas dar lenha às fogueiras santas que estão aparecendo, em defesa da Igreja, em defesa do "direito de liberdade de expressão, de opinião e de crença", em defesa da "cultura brasileira", etc.
Católicos, preservar os crucifixos não é promover o "direito de liberdade de expressão, de opinião e crença", mas vetá-lo, afinal, dificilmente os senhores irão permitir ou concordar com a presença de símbolos de outras religiões nas repartições públicas. Se os símbolos nas repartiçoes públicas devem ter uma relação com a história, o mais correto seriam símbolos pagãos. Presença que, por sinal, os senhores estão escandalizando, acusando a presença de "estátuas pagãs" da Deusa Themis nos prédios dos fóruns. Os senhores ou estão elogiando o Paganismo latente em nosso Estado, ou estão confundindo arte secular com arte sacra.
O que deveria ser discutido e com ênfase, é o poder e influência da Igreja no Estado. Vemos a resistência da Igreja e acólitos contra os direitos dos gays, vemos uma campanha inquisitorial contra qualquer discussão séria quanto à educação sexual, aos direitos reprodutivos e ao planejamento familiar.
Mal o ano eleitoral teve início e altas autoridades clericais [bispos] manifestam-se contra qualquer debate, discussão, opinião ou visão que divirja do totalitarismo doutrinário versando sobre o aborto.
O Estado brasileiro só será efetivamente laico quando cessar toda e qualquer intromissão ou influência da Igreja na nossa sociedade e na nossa política.
O resto é desperdiçar munição ou vela com santo.

Corpo e alma

Quando eu era mais novo muitos desenhos faziam sucesso e a lista dos que eu assisti e gostei provocaria diversas lembranças em meus caros e eventuais leitores. Alguns ainda estão sendo transmitidos, para tapar buraco na programação.
Um deles é o Pica-Pau, desenho das antigas que em nosso tempo onde impera o Politicamente Correto fatalmente não existiria ou não alcançaria o sucesso que teve em seu tempo áureo.
Em um episódio, Pica-Pau se vê diante de um de seus adversários, o  Zé Jacaré, crocodilo que mora no Mississipi, que tenta cozinhar o Pica-Pau em um caldeirão para uma poção mágica.
Em uma das cenas, o Pica-Pau diz para  o Zé Jacaré: “Vudu é pra jacu”, evidentemente na dublagem em português. O personagem, cuja característica é a irreverência, acaba servindo como porta-voz do sistema. Não é coincidência que as cores do Pica-Pau sejam azul, branco e vermelho, as cores da bandeira dos EUA.
Assim age as elites, seculares e sacerdotais, ou usam do terrorismo psicológico, ou ridicularizam aquilo que desconhecem ou não podem controlar.
Esta introdução foi-me necessária para falar do Vodou e do Haiti, uma religião pouco conhecida e que carrega consigo muitos estigmas, como seus seguidores, os sèvi Lwa, a maioria haitianos.
Eu me deliciei em ler o livro “Vodou Haitiano”, de Patrick Bellegarde-Smith e Claudine Michel. O Haiti é um país que tem um histórico muito parecido com muitos países latino-americanos, onde uma população nativa foi dizimada pelos colonizadores católicos, onde toda uma cultura foi subjugada e marginalizada pela imposição da doutrina católica, onde seres humanos foram capturados e vendidos como escravos.
Sim, os Pagãos Modernos tem muito a aprender com os Haitianos. Eles guardaram suas origens, suas crenças, mesmo oprimidos e perseguidos, mantiveram sua alma intacta, mantiveram sua conexão com sua terra nativa, com os espíritos de seus ancestrais, estabelecendo um profundo e forte senso de coletividade, com o qual puderam fixar novos elos com os espíritos e entidades dessa nova terra, nesse exílio forçado. Foram dobrados pela força do chicote, foram forçados a ouvir sermões, foram obrigados a reverenciar santos, foram obrigados a seguir os ditames de uma instituição religiosa estrangeira, mas da fraqueza tiraram a força para esconder, disfarçar, sincretizando a crença kreole com a crença católica, a subversão e liberdade convivendo nas brechas e fissuras do totalitarismo religioso.
Resistiram à força das instituições absolutistas, seculares e clericais, mas como os brasileiros, acabam sendo traídos e abandonados por aqueles que deveriam representá-los, que nasceram no mesmo berço, mas por provincianismo ou elitismo, acabaram representando de forma patética a estética e a cultura européia.
O trabalho de Patrick e de Claudine é, entretanto, uma esperança. A esperança de que os kreole abrancados, europeizados, despertem e redescubram suas verdadeiras origens, suas verdadeiras raízes, seu verdadeiro povo e ajam de acordo.
Um povo só tem um futuro e um país promissores quando corpo e alma estão juntos, quando governantes e cidadãos abraçam a mesma identidade, prezam pelos mesmos valores, crêem nas mesmas coisas e mantêm fortes elos com seus ancestrais, espíritos naturais e deuses. Um senso de identidade e personalidade étnica ligadas ao local, ao solo, ao terreno, ao território, à natureza; que irá rejeitar e resistir ao que é estranho, alienígena; confrontando e contestando o poder, a influência, a opressão e a repressão das instituições estrangeiras, sejam seculares ou clericais.

domingo, 18 de março de 2012

Castração caridosa

Nos anos 50, a Igreja Católica da Holanda castrou pelo menos dez crianças para reprimir seus impulsos homossexuais. A informação é do jornal NRC Handelsblad, que teve acesso a informações omitidas em um relatório divulgado em 2011 por uma comissão independente criada para investigar abusos sexuais cometidos por sacerdotes desde 1945.
As crianças castradas estavam sob a tutela da Igreja em internatos ou em clínicas psiquiatras. Algumas delas teriam sido vítimas de abuso de padre. A mutilação dos testículos era feita como um “ato de libertação”.
O jornal publicou o caso de Henk Heit House. Em 1956, ele foi denunciado à polícia por supostamente estar se prostituindo em um internato católico na província de Ontário. House, após seu depoimento à polícia, foi castrado em um hospício da Igreja Católica.
Responsáveis pela comissão de investigação disseram que não divulgaram os casos de castração por insuficiência de provas. Mas o jornal citou uma farta documentação, incluindo cartas pessoais da época que denunciavam a violência.
A revelação do jornal tem tido forte repercussão na Holanda. O historiador Peter Nissen, por exemplo, disse que, por causa da superficialidade da investigação, era previsível que outros abusos viessem à tona, mas ficou surpreendido com essa “história chocante e comovente”.
Nissen afirmou que a mutilação está em desacordo com a moralidade católica, porque é uma violação da integridade do corpo.
Guido Klabbers, presidente da KLOKK, entidade que representa as vítimas de padres, disse que a revelação é “puro horror”, além de mostrar como a Igreja acreditava que podia resolver o “problema” dos meninos com predisposição à homossexualidade. Ele espera que seja aberto um inquérito parlamentar para que nada mais fique encoberto.
A conferência dos bispos da Holanda emitiu nota lamentando essas novas histórias, “se de fato forem verdadeiras”. A entidade se colocou à disposição para ajudar a “apurar toda a verdade”.
Com informação do NRC.
Fonte: Paulopes
Nota desse escritor: E tem gente que cai na conversa da Igreja defendendo o "direito à vida" do feto.

quinta-feira, 15 de março de 2012

União inclusiva em 2015

Londres, 15 mar (EFE).- O casamento 'é uma celebração do amor e deve ser permitido a todos', declarou nesta quinta-feira a secretária de Estado de Igualdade britânica, Lynne Featherstone, ao apresentar o
plano do Governo para legalizar o casamento homossexual para 2015.
O Executivo de coalizão entre conservadores e liberais-democratas querem que essa lei seja aprovada antes da realização das eleições legislativas previstas para 2015.
Lynne, da ala liberal-democrata, divulgou nesta quinta-feira a proposta do Governo, que será submetida à consulta pública durante 12 semanas antes de chegar à Câmara dos Comuns.
Pelo texto, apresentado conjuntamente com a ministra do Interior, a conservadora Theresa May, o Governo quer autorizar os casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, mas proíbe que sejam realizados em igrejas, apesar de algumas terem demonstrado interesse em celebrar essas uniões.
O texto indica ainda que os gays, que já têm união civil - uma fórmula adotada em 2005 que os reconhece como 'casais de fato', com os mesmos direitos dos casados - poderão transformá-la em certidão de casamento.
O projeto garante ainda que os casais em que um dos membros mude de sexo não terão de anular o contrato matrimonial.
'Não é possível que um casal que se ama e deseja formalizar esse compromisso não tenha direito a se casar', defenderam Lynne e Theresa no texto.
O plano do Governo, que conta com o apoio do primeiro-ministro, David Cameron, enfrenta a oposição de muitos deputados conservadores e líderes religiosos anglicanos e principalmente da Igreja Católica, minoritária no Reino Unido, o que deve levar o Executivo a dar aos parlamentares 'tory' liberdade de voto quando o projeto chegar ao Parlamento para evitar uma revolta interna.
O projeto conta com votos dos liberais e do opositor Partido Trabalhista para aprovar uma legislação que, com base nas últimas pesquisas, tem o apoio de 45% da população contra 36%.
Uma organização contrária à proposta, a Coalizão pelo Casamento, publicou nesta quinta-feira anúncios em jornais nacionais tachando o plano de 'profundamente antidemocrático'.
Já Peter Tatchell, coordenador da campanha 'Equal Love' (Amor igual) a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, criticou que a proposta do Governo não estenda as uniões civis aos casais heterossexuais, o que considerou uma violação dos direitos humanos.
Lynne destacou que o processo de introdução das novas medidas, antecipadas por Cameron, custará cerca de 4,7 milhões de euros.
Em um congresso do Partido Conservador, Cameron, que representa o esforço para modernizar a formação, provocou espanto em alguns membros quando declarou: 'eu não apoio o casamento homossexual apesar de ser conservador, apoio porque sou conservador'. EFE
Fonte: G1 Mundo

quarta-feira, 14 de março de 2012

A cibercensura da Santa Inquisição

O Dia Mundial Contra a Cibercensura foi celebrado, nesta segunda (12), com o objetivo de engajar por uma internet sem restrições e acessivel a todos. Em um momento em que manifestações sociais usam a rede mundial de computadores como plataforma, a luta por liberdade de expressão online é essencial.
Vira e mexe alguém pede a minha humilde e reles cabeçorra em público por conta do que escrevo. Ou acusa ela de algo subversivo. Sim, sou o mal encarnado na forma de um japonês de cabelo encaracolado e sorriso simpático.
Já tive o prazer de ser alvejado da tribuna do Senado por Kátia Abreu (PSD-TO), senadora e presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária – quando defendi as equipes de fiscalização que combatem o trabalho escravo. Ou de ser criticado pelo então deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), que me chamou de “vaca holandesa” (hehehe – ninguém pode dizer que ele não tem senso de humor), devido às minhas críticas às mudanças no Código Florestal. Isso não limita a lista de ilustres. Particularmente, acho tudo isso instrutivo e não me incomodo. Afinal de contas estamos em uma democracia e o debate público, se não leva ao Nirvana, pelo menos ajuda a avançarmos na efetivação da cidadania por dar transparência às relações sociais e trazer informação ao público. Ou não.
De tempos em tempos, representantes de diferentes denominações cristãs também escrevem algo contra o meu blog. Dessa vez, foi na página de Luiz Bergonzini, bispo emérito de Guarulhos, e colega jornalista. Eles postou o texto que está no final deste post há alguns dias, fato que só chegou ao meu conhecimento hoje. Aliás, me coloco à disposição para um debate no Tuca sobre direitos humanos e religião se ele topar.
Desde que comecei a lecionar Jornalismo na PUC-SP, a frequência das reclamações têm aumentado. Há pessoas que acham um absurdo uma universidade católica ter, entre seus quadros, um professor que defende o direito ao aborto e à eutanásia, o Estado laico, a adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, o Palmeiras, enfim, o direito a ter direito.
A PUC e sua direção, pelo menos no que diz respeito ao uso que faço da minha liberdade de expressão, têm adotado um comportamento que se espera de uma universidade, garantindo o debate, o livre pensamento e a pluralidade de opiniões. Ou seja, não recebi até agora nenhum pedido para que não exponha posições ou divulgue informações, mesmo que em desacordo com o que prega a fé católica. Desde que a discussão que proponho fique no âmbito dos argumentos e não desqualifique o argumentador, não creio que tenha que temer qualquer censura. Não acredito que uma instituição, que foi resistência contra a ditadura, mude de posição.
Fico imaginando que certos sacerdotes não leram o Novo Testamento, ficando apenas com o resumo executivo. Estudei muito tempo em escola religiosa, noves fora o bico de coroinha na paróquia São Judas Tadeu, e posso dizer que conheço um pouco as escrituras cristãs. Por isso, creio que, ao pedir o silêncio, eles continuam não captando nadica de nada da idéia que está na origem de sua própria religião, da mesma forma que aqueles que vieram antes deles na Contra-reforma.
Sugiro, humildemente, que procurem a turma da Teologia da Libertação para entender que o espírito (seja isso o que for) não estará livre se o corpo também não estiver. Na prática, esses religiosos católicos realizam a fé que muitos temem ver concretizada ou não conseguem colocar em prática. Pessoas como Pedro Casaldáliga, Tomás Balduíno, Henri des Roziers e Xavier Plassat, que estão junto ao povo, no Brasil profundo, defendendo o direito à terra e à liberdade, combatendo o trabalho escravo e acolhendo camponeses, quilombolas, indígenas e demais excluídos da sociedade.
Como aqui já disse, imaginem se Casaldáliga fosse papa e, como primeiro discurso na Praça São Pedro, retomasse palavras que proferiu há tempos: “Malditas sejam todas as cercas! Malditas todas as propriedades privadas que nos privam de viver e amar! Malditas sejam todas as leis amanhadas por umas poucas mãos para ampararem cercas e bois, fazerem a terra escrava e escravos os humanos.”
Não creio. Mas se isso ocorresse, passaria a crer.
Autor: Leonardo Sakamoto

A cura da intolerância

O clima é de guerra. De um lado, estão os gays e os Conselhos de Psicologia, em suas vertentes federal e regionais, de outro, os cristãos, mais especificamente o povo evangélico. O tema do embate é (aqui não há como evitar as aspas) "a cura da homossexualidade".
O certame teve início nos anos 90, quando militantes do movimento gay, em particular a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), começaram a denunciar aos conselhos os autointitulados psicólogos cristãos, que prometiam curar homossexuais.
A ABGLT pedia punições a esses profissionais com base no Código de Ética do Psicólogo, que, em seu artigo 2º, b, proíbe: "induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais".
Em 1999, depois de alguns casos rumorosos na mídia, o Conselho Federal (CFP) baixou a resolução nº 001/99, que não deixa nenhuma margem a dúvida:
"Art. 2° - Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.
Art. 3° - Os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.
Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica".
Evidentemente, a briga continua, mas agora no plano da opinião pública e do Legislativo. Além de nos bombardear com e-mails sobre a "perseguição" a psicólogos cristãos, os evangélicos tentam no Congresso aprovar um projeto de decreto legislativo (PDC 234/11) para sustar artigos da resolução do CFP.
Vale observar que o proponente da matéria, o deputado João Campos (PSDB-GO), também tem projetos de decreto para derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal que legalizou as uniões estáveis homossexuais e a que autorizou as marchas da maconha.
A iniciativa do parlamentar social-democrata (sim, há ironia no adjetivo) é uma tremenda de uma bobagem. Da mesma forma que um médico não pode hoje sair por aí dizendo que cura a doença de Huntington e um físico está impedido de afirmar que faz o tempo correr para trás, um psicólogo não pode proclamar que possui terapias efetivas contra o que seu ramo de saber nem ao menos considera uma doença. Não se pode bater de frente e em público contra os consensos da disciplina.
Não existe algo como psicologia cristã, hidrostática católica ou cristalografia judaica. Idealmente, juízos científicos se sustentam na racionalidade amparada por evidências (mas a questão é mais complicada, como veremos ao final do artigo).
É claro que a ciência, ao contrário das religiões, não trabalha com dogmas. Um pesquisador que pretenda provar que a homossexualidade é uma doença pode tentar fazê-la em fóruns apropriados, como congressos e trabalhos científicos, e sempre apresentando argumentações técnicas, cuja validade e relevância serão julgadas procedentes ou não por seus pares. Se ele os convencer, muda-se o paradigma. Caso contrário, ou ele abandona o assunto ou deixa de falar na condição de psicólogo.
Como cidadão, acredito eu, todos sempre poderão dizer o que bem entendem --além de fazer tudo o que não seja ilegal. Padres e pastores vivem afirmando que a homossexualidade é pecado sem que o céu lhes caia sobre a cabeça. É claro que a ABGLT protesta e de vez em quando um membro do Ministério Público pode tentar alguma estrepolia, mas isso é do jogo. Apesar de alguns atritos, a liberdade de expressão vem sendo relativamente respeitada no Brasil nos últimos anos, como o prova a decisão do STF sobre a marcha da maconha que o representante do PSDB quer derrubar.
Vou um pouco mais longe e, já adentrando em terrenos hermenêuticos menos sólidos, arrisco afirmar que nem o Código de Ética nem a resolução do CFP impedem um psicólogo de, em determinadas condições, ajudar um homossexual que busca abandonar suas práticas eróticas.
Imaginemos um gay que, por algum motivo, esteja profundamente infeliz com a sua orientação sexual e deseje tornar-se heterossexual. O dever do profissional que o atende é tentar convencê-lo de que não há nada de essencialmente errado no fato de ser gay. Suponhamos, porém, que o paciente não se convença e continue sentindo-se desajustado. Evidentemente, ele tem o direito de tentar ser feliz buscando "curar-se". E seu psicólogo não está obrigado a abandonar o caso porque o paciente não aceita a ciência. Ao contrário, tem o dever ético de fazer o que estiver a seu alcance para diminuir o sofrimento do sujeito.
O que a resolução corretamente veta é que o psicólogo coloque na cabeça de seus pacientes a ideia de que ser gay é uma falha moral que pode e deve ser revertida. Impede também que ele faça propaganda em que promete terapias efetivas.
Dito isto, não acho uma boa estratégia a do movimento gay de vincular a defesa dos direitos de homossexuais a uma teoria científica. Este me parece, na verdade, um erro grave.
Para começar, a ciência está calcada em hipóteses que podem por definição ser refutadas a qualquer momento. Vamos supor que o fundamento lógico para eu recusar a discriminação contra gays resida na "evidência científica" de que a homossexualidade tem componentes genéticos e ambientais, não sendo, portanto, uma escolha que possa ser modificada. Imagine-se agora que alguém demonstre de forma insofismável que tais evidências estavam erradas. O que ocorre neste caso? A discriminação fica legitimada?
Não é preciso puxar muito pela memória para lembrar que movimentos por direitos civis e "ciência" (sim, fora dos manuais de epistemologia, ela é uma atividade humana como qualquer outra que caminha ao sabor de circunstâncias políticas e constructos sociais) já estiveram em lados diferentes das trincheiras. Até 1990, a Organização Mundial da Saúde listava a homossexualidade como uma doença mental. Os psiquiatras americanos faziam o mesmo até 1977. Não sei se recomendava ou não o exorcismo, mas certamente autorizava profissionais da saúde mental a tentar a "cura".
O argumento contra a discriminação de minorias precisa ser moral. É errado discriminar gays, negros e membros de qualquer seita religiosa porque não gostaríamos de sofrer tal tratamento se estivéssemos em seu lugar.
Autor: Helio Schwartsman
Fonte: Folha

terça-feira, 13 de março de 2012

Dinamarca diz sim

Copenhague, 13 mar (EFE).- O governo dinamarquês planeja que a nova lei que permitirá casamentos homossexuais nas igrejas do país entre em vigor em 15 de junho, anunciou nesta terça-feira a primeira-ministra,
a social-democrata Helle Thorning-Schmidt.
A lei será apresentada na quarta-feira no Parlamento dinamarquês para que comece a ser debatida, embora sua aprovação seja considera certa, já que conta com amplo apoio dos congressistas.
'Neste ano já poderemos ver os primeiros casais homossexuais se casarem em igrejas dinamarquesas', disse em sua entrevista coletiva semanal a primeira-ministra.
Helle considerou como um passo 'importante' e 'natural' para a sociedade dinamarquesa 'que seja reconhecida a diferença e a igualdade dos indivíduos, independentemente de quem for'.
A Dinamarca permite há uma década que casais homossexuais que constituíram união civil recebam uma espécie de bênção nas igrejas.
O novo governo dinamarquês, que ganhou as eleições em setembro de 2010, já havia anunciado na ocasião sua intenção de permitir o casamento gay nas igrejas.
A proposta provocou a oposição dos setores mais conservadores da Igreja Nacional Luterana, embora a lei permita que cada pastor possa decidir individualmente se celebrará ou não o casamento entre pessoas
do mesmo sexo.
Segundo estimativa feita nesta terça-feira pelo presidente da Associação de Pastores Dinamarqueses, Per Bucholdt Andreasen, 70% dos ministros da Igreja Luterana está disposto a realizar casamentos homossexuais nos templos.
Com a adoção da nova lei, a Dinamarca - onde não existe separação entre estado e igreja - se unirá aos países que já permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, como Holanda, Espanha, Bélgica, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal e Islândia. EFE
Fonte: G1 Mundo
Nota da casa: Os setores religiosos vão proetstar, evidentemente, porque irão dizer que é inferência do Estado nos assuntos internos de uma instituição privada [Igreja], mas em um país sério, efetivamente de direito, é inconcebível que o Estado permita ou coadune com regras restritivas ou proibitivas de qualquer forma sob a desculpa ou justificativa de uma doutrina.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Diferenças sexuais não são irrelevantes no casamento

Mais uma vez, Chico Bento divulga seu discurso homofóbico, preconceituoso e intolerante:
Bento XVI disse nesta sexta-feira que "as diferenças sexuais não devem ser consideradas como irrelevantes para a definição do casamento", em seu discurso aos bispos da oitava região dos Estados Unidos que participaram de uma reunião no Vaticano.
O Papa falou sobre a crise contemporânea do casamento e da família, além da visão cristã da sexualidade humana. "É cada vez mais evidente que uma avaliação debilitada da indissolubilidade do casamento e a
rejeição generalizada de uma ética sexual responsável e madura baseada na castidade deram lugar a graves problemas sociais que geraram um imenso custo humano e econômico", afirmou.
Bento XVI fez referência "às poderosas correntes políticas e culturais que tentam modificar a definição legal do casamento", às quais a Igreja resiste com uma defesa "do matrimônio como instituição natural, essencialmente baseada na complementaridade dos sexos e voltada para a procriação".
O Papa também afirmou que "as diferenças sexuais não podem ser consideradas como irrelevantes para a definição do casamento". "A defesa da instituição do matrimônio como uma realidade social é em última instância uma questão de justiça, já que envolve proteger o bem de toda a comunidade humana e os direitos dos pais e crianças por igual", acrescentou.
Este escritor pagão concorda em termos, as diferenças, identidades ou opções sexuais não são irrelevantes para definir um casamento. Irrelevante é a opinião da Igreja que, mais uma vez, tenta se intrometer na vida sexual das pessoas. Mude a Igreja ou Mude-se Dela.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mulheres rompem barreiras da desigualdade no mundo

Redação Central, 7 mar (EFE).- As mulheres avançam dia a dia em direção à igualdade, na América ganham terreno na política, na Ásia impulsionam mudanças na realeza, na Europa brigam por aumentar sua presença em cargos de direção, e no Oriente Médio suas vozes já ecoam nas revoltas.
No Dia Internacional da Mulher, data celebrada nesta quinta-feira, as estatísticas mostram que a desigualdade de gênero se manifesta em todos os âmbitos e que as barreiras sociais, culturais e econômicas
seguem excluindo as mulheres, que ainda têm de enfrentar a violência.
A América Latina já conta com três presidentes mulheres, a brasileira Dilma Rousseff, a costarriquenha Laura Chinchila e a argentina Cristina Kirchner. No México, Josefina Vázquez, do governante Partido
Ação Nacional (PAN), pode se transformar na primeira presidente do país com reais opções de vitória no pleito de julho, embora seja longo o caminho a percorrer.
A principal preocupação nestes países governados por mulheres continua sendo a violência de gênero, e apesar de em todos terem sido aprovadas leis específicas, não foi possível reduzir significativamente os índices de violência.
Doze latino-americanas figuraram na lista das 150 mulheres mais valentes do mundo conforme a lista da revista americana 'Newsweek'.
Na lista aparecem as presidentes da Argentina e do Brasil, assim como a ex-governante do Chile Michelle Bachelet, as argentinas Avós da Praça de Maio, a grafitera brasileira Panmela Castro, a líder estudantil chilena Camila Vallejo, a blogueira cubana Yoani Sánchez e a procuradora-geral do Estado da Guatemala, Claudia Paz y Paz.
O Dia da Mulher Trabalhadora é comemorado neste ano nos EUA em meio à polêmica em torno da cobertura das despesas com anticoncepcionais por parte das empresas e com mais de 14 mil novos postos para mulheres nas Forças Armadas.
Na Austrália, as autoridades eliminaram as restrições que impediam as mulheres militares desempenhar trabalhos na frente de combate nas mesmas condições do que os homens.
No Japão, o Governo acolheu em fevereiro o primeiro debate sobre se as mulheres da família imperial deveriam reter o status real em caso de casamento com plebeus.
O movimento feminista de maior destaque na China foi o 'ocupa WC'.
Universitárias ocuparam banheiros masculinos em cidades como Pequim e Cantão, reivindicando a construção de locais públicos para elas.
Apesar dos avanços que representaram as revoltas para a democracia no mundo árabe, não houve melhoria significativa dos direitos das mulheres, que perderam representação nas novas instituições.
Segundo o Mapa Mundial da Mulher na Política 2012, recentemente apresentado na ONU, somente 10,7% dos membros do Parlamento é de mulheres nos países árabes, a região do mundo com menor presença feminina neste âmbito. EFE
Fonte: G1 Mundo
Nota da casa: Nas religiões majoritárias e monoteístas ainda é exíguo o espaço das mulheres no sacerdócio, quando não são segregadas, desprezadas e discriminadas pela doutrina oficial. As alternativas existem, mas são pouco conhecidas, sem falar que existe um estigma social ao optar por essas outras formas de espiritualidade e religiões.

domingo, 4 de março de 2012

A crítica fundamentalista

LONDRES, 4 Mar 2012 (AFP) -Uma das principais autoridades católicas da Grã-Bretanha, o cardeal Keith O'Brien, chefe da igreja da Escócia, denunciou neste domingo com vigor o projeto do governo britânico de legalizar o casamento gay, em uma nota editorial eublicada no Sunday Telegraph.
"O projeto de governo representa uma grotesca subversão de um direito humano universalmente aceito", afirma o cardeal, que recorda que o artigo 16 da Declaração Universal de Direitos Humanos define o matrimônio como uma relação entre homens e mulheres.
O primeiro-ministro David Cameron espera redefinir o casamento civil e abrir a instituição para casais do mesmo sexo, durante seu mandato, que chega ao fim em 2015. Ele manifestou publicamente apoio ao matrimônio homossexual durante a última conferência do Partido Conservador em Manchester.
A secretária de Estado Lynne Featherstone deve iniciar uma consulta no próximo mês sobre a adoção do casamento gay na Inglaterra e em Gales.
"Nenhum governo tem autoridade moral para desmantelar a definição universalmente reconhecida do matrimônio", destaca o cardeal em seu texto.
O projeto "ignora", segundo o religioso, os direitos da criança de ter pai e mãe, e teria no futuro outras implicações graves.
"Se o matrimônio supõe apenas o amor entre adultos, o que impediria o casamento de três pessoas se desejasse?", questiona.
Fonte: G1 Mundo
Nota da casa: A Direita Religiosa [que aqui no ocidente está na mão dos fundamentalistas cristãos] continua com sua resistência e intolerância, fazendo uso do terrorismo psicológico. A DUDH 16 diz: "1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer retrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução. 2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes." Direito de contrair matrimônio. Não define o matrimônio como a relação entre homem e mulher. O cardeal deveria ler o Artigo II: "Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição."

sábado, 3 de março de 2012

A era da decadência dos ideais

Eu ainda sou de uma época em que os ideais eram puros e cristalinos.
Quem diria que eu, ao chegar aos 4.6, em pleno século XXI, no Terceiro Milênio, veria a decadência e morte desses ideais que eram pedras preciosas no século passsado?
Meninos, eu vi os ideais de "liberdade, igualdade e fraternidade" tornarem-se bordão de propaganda.
Eu vi a desintegração tanto do comunismo quanto do capitalismo.
Eu vi planos de governo e plataformas politicas perderem seus princípios em troca de resultados eleitorais.
Eu vi uma pátria tropeçar em suas velhas instituições medievais.
Eu vi movimentos que luziam ouro tornarem-se lixo popular.
Eu estou sendo testemunha da indigência cultural, da estupidificação do meu povo, da promoção do individualismo, da vulgarização da liberdade de expressão e opinião, da dispersão da mobilização popular.
O tempo está passsando, toda uma nova geração está surgindo e a canção de Elis Regina está cada vez mais atual: "Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais".
Eu estou vendo toda uma geração de jovens nascerem velhos.
Nós continuamos a repetir os mesmos velhos clichês e palavras de ordem de 50 anos atrás, vestimos os mesmos santos e ícones revolucionários, mas nada mudamos. Nós estamos mantendo o mesmo sistema, sustentamos as mesmas instituições, continuamos com a mesma vidinha medíocre, como gado continuamos dentro do currral e carregamos orgulhosos nossos cabrestos.
Eu vejo os mesmos anseios por um mundo melhor, mais justo, onde a huanidade possa manifestar todo seu potencial.
Eu vejo também a resistência, lado a lado com o preconceito, a intolerância e o ódio.
Eu ouço a humanidade clamar pelos seus direitos, por democracia, por liberdade, por amor.
Eu vejo também a humanidade protegendo e apoiando seus feitores, a aceitar ditaduras, a promover a discriminação, a divulgar a segregação, a disseminar a violência.
Todos querem falar, mas tentam calar outras vozes; todos tem opinião, mas não aceitam discuti-las; todos querem ser ouvidos, mas não sabem ouvir.
Somos ágeis em exigir nossos direitos, mas lentos em observar nossos deveres.
Somos rápidos em exigir respeito e tolerância, mas lerdos em respeitar e tolerar.
Somos expeditos em julgar, mas lenientes na auto-crítica.
Nos faltam razão e argumentos. Nos tornamos "especialistas" em qualquer assunto simplesmente por passar algumas horas na internet. Nos tornamos [ou nos damos uma posição de] autoridades, irreprimíveis, inerráveis, irreprováveis. Nos revestimos do manto do santo, do profeta, do missonário e regurgitamos doutrinas como se fatos fossem.
Queremos, esperamos e exigimos que o público nos reconheça, nos aplauda, nos incensem, nos idolatrem, nos aceitem e nos dêem crédito, sem questionamentos, sem críticas, sem contestação.
Isto tem se tornado pior, dentro da comunidade pagã brasileira. Em redes sociais, foruns, blogues, sobram e abundam os "especialistas instantâneos", pouco ou nenhum com grau acadêmico real e efetivo, usam uma concepção superficial, rala e aguada desses ideais preciosos enquanto lhe são úteis, mas logo os descartam quando perdem a utilidade.
Desde o início de minha caminhada como pagão e da concepção, construção e crescimento deste blogue, eu creio poder dizer que, na medida do possível, deixei a todos os diletos e eventuais leitores comentarem. Eu acho que nunca clamei por uma autoridade nem usei de minhas credenciais acadêmicas para calar opiniões diferentes. Comprei briga com gente da minha gente, com sacerdotes, com sacerdotisas. Eu fiquei entre tapas e beijos com a Qelimath. Eu continuei teimando em segurar o osso e a alimentar as minhas amarras. Para minha sorte, a despeito da dificuldade, como toda mudança, deixei de lado os tapas e fiquei com os beijos. Parei de alimentar o troll dentro de mim. Parei de criar reação. Eu estou diminuindo minha obcessão com meu auto-controle. Eu estou diminuindo minhas manias em relação aos outros. Antes de querer mudar o mundo, eu preciso mudar. E este blogue irá refletir essa mudança.
Por enquanto, o único ponto imovível é o meu ideal de amor. De que todos são livres e tem todo o direito de amar quem quiser, quantos quiser, da forma que quiser, desde que sejam ambos maduros e haja mútuo consentimento. Eu ainda vou acreditar no Amor. Mesmo em um mundo onde se aplaude a violência e se vaia o amor. De tudo, eu espero que ao menos o Amor perdure.