quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mude a Igreja ou mude-se dela

Cerca de 329 sacerdotes lançaram nesta quarta-feira (hoje) um documento denominado "Apelo à desobediência". O texto traz posicionamentos positivos em relação a questões como o casamento dos padres, ordenação de mulheres, o direito de protestantes e divorciados casarem novamente para dar a comunhão ou os leigos para pregar e cuidar das paróquias.
Chamada de "Nova reforma", por estar contrário ao dogma católico, está causando um rebuliço na instituição. Para o teólogo Paul Zulehner a Igreja Católica deve agir rapidamente se quiser evitar mais um separação.
"Isto não pode continuar", afirmou o cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, ao jornal vienense Der Standard brandindo ameaça de sanções se estes "reformadores" não renunciassem a seus projetos nas próximas semanas. Comparou inclusive os padres como jogadores de futebol que entram em campo desobedecendo as regras.
Helmut Schuller, que foi vigário-geral de Viena e braço direito de Dom Schönborn 1995-1999 e liderou a organização Caritas Áustria é o coordenador dessa "Revolução Eclesial". Sua campanha, segundo ele, é forçar a hierarquia católica para aceitar as mudanças já que muitos padres não respeitam as regras já estabelecidas.
De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Instituto Ökonsult, 76% dos inquiridos apoiam a Schüller.
Até o momento o Vaticano não se manifestou sobre o assunto.

Parquímetro sexual

BERLIM, Alemanha, 31 Ago 2011 (AFP) -A prefeitura de Bonn, antiga capital da Alemanha Ocidental, anunciou a inauguração de parquímetros para prostitutas que permitirão cobrar um imposto das profissionais do sexo.
"Esperamos arrecadar 200.000 euros por ano graças ao dispositivo", disse a porta-voz da prefeitura, Isabelle Klotz.
O medidor, semelhante a um parquímetro comum, foi inaugurado no fim de semana em uma área industrial, perto do centro da cidade, muito frequentada pelas prostitutas e seus clientes.
As profissionais do sexo têm que pagar seis euros por noite de trabalho, independente do número de clientes.
Na segunda-feira, quando funcionários da prefeitura abriram o primeiro parquímetro, retiraram 264 euros.
Se a prostituta não pagar a taxa, válida das oito da noite às seis da manhã, receberá uma advertência. Em caso de reincidência pagará uma multa.
Fonte: G1 Mundo
As Blas acham que seria mais adequado um taxímetro, com valor a ser cobrado ou do cliente ou do Estado, uma vez que estas mulheres prestam um "serviço social".

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Dane-se o respeito

Kuito - O pároco da Sé Catedral da Igreja Católica no Bié, Artur Handa Savita, apelou na última sexta-feira no Kuito, a sociedade civil em geral a abster-se de actos de feitiçaria e aderir às obras de Deus, por forma a salvaguardar a paz e o amor entre os irmãos.
Em entrevista à Angop, o padre Artur Handa Savita, considerou o feiticismo como elemento que nega o bem dos outros, pensar em fazer o mal, bem como destruir e impedir o progresso social, económico e espiritual do próximo.
Exortou os fiéis e não só, a deixarem igualmente de frequentar os curandeiros ou kimbadeiros, sublinhando que geralmente eles são mentirosos, destruidores de famílias, porque, segundo ele, nem sempre falam a verdade.
Apelou ainda a população, sobretudo, os jovens, no sentido de saber seleccionar os mitos, acrescentando que a sociedade deve optar por aqueles que contribuem para o progresso e harmonia social, bem como pelo respeito à diferença entre as pessoas.
Sem entrar em pormenores, o padre Artur Handa Savita condenou igualmente a prática da magia, burla e outros actos negativos, sublinhando que os mesmos são praticados por elementos ligados às instituições religiosas ou do governo, situação que continua a preocupar a Igreja na região.
O sacerdote considerou, por outro lado, a religião como sendo uma afirmação de Deus que o homem procura, exigindo a conversão ao verdadeiro caminho para a salvação dos humildes.
Nota da casa: Lembro aos diletos e eventuais leitores que volta e meia [quando é conveniente] a Igreja faz o discurso de "respeito à crença" e em favor da "liberdade religiosa".

domingo, 28 de agosto de 2011

Amor invisível e Panteísmo

Eros e libido. É a força vital que impulsiona. Eros e Libido nunca se casam, no modelo patriarcal. Estão irmanados como força vital.
Quem quiser ir à fonte e navegar nesse mundo de conexões, sinta-se convidado.  Ele pode ser um trampolim, que projeta, a cada um que siga a  luz de sua razão, imaginação e alma presentes em nosso inconsciente.
Panteísmos e o amor poli
Panteísmo é uma crença que identifica o universo (em grego: pan,tudo) com o Deus (AMOR) (em grego: theos). O que será feito no início desse trabalho é fazer uma analogia entre, o sentido, SOMOS TODOS UM, com o amor poli panteísta. Em todas as religiões o eixo é o amor. Observe o que o wikipédia caracteriza como sendo a religião: (do latim: religare, significando religação com o divino) é um conjunto de crenças sobre as causas, natureza e finalidade da vida e do universo. Observe o sentido 'Ser UM em todos e todos em UM, tem um sentido original e fundante, de tudo e de todos, desde que foi descoberto e inventado pelos humanos. O amor original e originante do amor foi usurpado e destituído de sentido pela cultura patriarcal e assim ele perdeu o seu sentido ilimitado e sem fronteiras. Percebe-se nele todos os indícios do amor poli. E esse vídeo-filme acena e aponta a possibilidade de viver e ter dois amores. O visível e o invisível.
Amor poli, religião e Panteísmos

Assim se pode inferir nessas preliminares que amor poli, panteismos e religião têm o mesmo sentido. Aspira-se a união do particular, as pessoas, entre si em sinergia, sonha-se com a conexão total das pessoas com o cosmo. Todos estamos conectados, é um fato, admita-se ou não. Muitos agem como o avestruz diante do caçador: enfiam a cabeça nas tradições. Estamos  sendo alertados o tempo todo, pelas tempestades que acenam luzes no fim do túnel desse mundo decadente, do amor patriarcal, ciumento, possessivo e que é gerado de violência contra a mulheres no interior dos lares tidos como núcleo do mundo moderno.
Amor: visível e invisível
É possível ver o amor andando pelas ruas e lares? Alguém já viu a felicidade desfilando pelas ruas e locais de trabalho? Alguém consegue descobrir por onde anda o desejo, a imaginação, a paixão? Na verdade o que se visualiza são pessoas felizes, amando, imaginando, apaixonadas, desejando e sendo gente com as gentes.
É urgente se fazer esse casamento entre o amor invisível, imaginado, e o amor visível, real e presente. Um amor visível não sobrevive sem o outro. Razão morreria sem a sensibilidade. Amor sem paixão nao vive nem floresce. Por isso que amor é cuidado, zelo, atenção, percepção do entorno.
Fonte: Poliamor e Sexualidade em Tocantins [com edição da casa]

Credo quia absurdum

Por Aurelio do Amaral Peixoto Garofal a propósito dos comentários [feitos ao texto-NB] de Arcebispo anglicano apoia união gay e diz que rei Davi gostava de homem.
Sou professor de grego de seminários, também lecionei no seminário teológico da igreja evangélica e posso dizer que a homofobia católica e evangélica me surpreende por diferentes e inaceitáveis motivos.
A traduções (traições), como o próprio provérbio italiano lembra (traduttore, tradittore), foram ao longo dos séculos discricionariamente destinadas a colocar no mesmo crime etimológico, categorias de criminosos sexuais que na Antiguidade distinguiam-se mais (sobretudo na cultura grega) por critérios totalmente opostos aos nossos.
O que o pseudoepígrafo que se nomeia Paulo condenava eram os indivíduos de costumes torpes, infames, os quais se infiltravam em comunidades para perverter mocinhas e rapazinhos sob pretexto de "discipulado" e com fins de proveito sexual.
Nada diferente de hoje, por isso vemos que a origem da efebofilia e pedofilia católica e evangélica é milenar.
O fato de haver homens autorizados a praticar o sexo entre iguais COMO SE FOSSE MULHER -- uma pedra de tropeço no pé dos tradutores homofóbicos e teólogos cheios de sevícias mentais reprimidas -- nada tinha a ver com deitar-se de forma passiva, menos ainda com outro homem "na horizontal", ou no populacho escrachado "de quatro".
Antes se referia ao costume dos prostitutos cultuais de VESTIREM-SE COMO MULHERES, hábito litúrgico trazido de Babilônia (pois a Bíblia foi realmente finalizada depois do exílio) e que os ortodoxos ABOMINAVAM, tanto que colocaram a palavra abominação ao Senhor (na verdade abominação pra eles) e algumas traduções até hoje lhes chamam de RAPAZES ESCANDALOSOS...(prostituição sagrada).
Os homens moles, os homens dados à cama, homens macios, e várias outras traduções possíveis para os termos que o falso Paulo nomeia ARSENOKOTAI E MALAKOI, podem abranger desde prostitutos masculinos de homossexuais (michês, na linguagem gay de hoje) até a simples preguiçosos ou parasitas que se querem sustentar por mulheres carentes ou homens mais velhos solteiros.
Não é justo hoje aplicar tais conceitos aos gays, cidadãos respeitáveis, trabalhadores e honestos, obedientes aos pais, fiéis nos contratos, alguns até muito educados, como se fossem todos criminosos sexuais por simplesmente gostarem de pessoas do mesmo sexo que eles.
Eu testemunhei ao longo dos anos que muitos deles, casados ou celibatários, formaram-se em clérigos ou reverendos, e foram e são excelentes profissionais da alma, conselheiros, padres e pastores.
O fato de os pastores se casarem compulsoriamente, como exigem as igrejas evangélicas, não os "modifica" na sua homossexualidade, que permanece latente, assim como a sua homossexualidade, latente ou conscientemente praticada e aparente, não os desabilita em nada na fidelidade da fé religiosa e na vida profissional eclesiástica.
Os casos patológicos e anômalos de desrespeito à prudência mais elementar, tanto por parte de padres quanto de pastores, devem-se não ao fato de serem homossexuais, mas ao de não se aceitarem, não se resolverem bem, e, pela própria vida sexual dupla e escondida, tornarem-se doentes emocionais e posteriormente, doentes sociais.
O fato de a maioria das pessoas que comentam aqui os verdadeiros absurdos que lemos deve-se não propriamente à homofobia, mas à ignorância e baixa escolaridade. Além do total desconhecimento da língua grega, da cultura e da história antropológicas, da antropologia sexual e cultural, enfim, do obscurantismo pré-medieval em que se encontra quem pouco ou mal lê.
Os absurdos também se devem ao fato de os supostos líderes cristãos homofóbicos serem tão veemente contra algo em que eles estão atolados até o talo. Até o mais elementar senso comum consegue descobrir o porquê.
Fonte: Paulopes
Nota da casa [aproveitando um comentário que eu fiz no Paulopes]:
O mais engraçado e curioso é que essa habilidade "transcendente e inefável" dos cristãos em citar a bíblia sempre se esquece de ler o contexto.
Primeiro que esta lei foi dada ao povo de Israel.
Isso é um tiro no pé para os cristãos, afinal, a promessa de salvação e da vinda do messias foi feita exatamente debaixo da Lei Mosaica que eles dizem não precisar mais obedecer por estar "debaixo da graça" - um tiro no pé duplo, visto que o discurso de ódio contra os homossexuais e a homossexualidade vem também da Lei Mosaica.

Leylet en Nuktah

No Egipto, comemora-se [em 17 de junho-NB] o festival da Noite da Lágrima ou Leylet en-Nuktah em homenagem a Isis e Osiris.
Uma comemoração que tem sido preservada pelos árabes.
É um dia muito especial no calendário tradicional egípcio.
De acordo com o calendário Copta, realiza-se anualmente no dia 17 de Junho.
Comemora o primeiro dia do aumento do caudal do Rio Nilo antes da inundação do delta e do vale do Nilo.
O Nilo é o garante da vida no Egipto, e perdura há milénios, sem ele, não existiria Egipto.
A inundação do vale do Nilo permite que sejam depositados fertilizante naturais no seu solo, os quais irão dar lugar a produções fartas.
Daí que esta comemoração seja um momento muito especial para os egípcios desde sempre.
Normalmente, e embora exista um dia fixo para o aumento do caudal do Rio Nilo, as alterações significativas ocorrem alguns dias depois. Efectivamente, o aumento do nível do rio ocorre muito perto do solstício de Verão.
A deusa Ísis é uma das principais divindades da mitologia egípcia, no entanto o seu culto transcende as fronteiras do Egipto, tendo-se estendido ao universo greco-romano.
O seu culto remonta a 3.000 A.C..
Simboliza o princípio feminino.
É a filha primogénita do deus da Terra, Geb, e da divindade que rege o Cosmos, Nut.
O seu irmão Osíris, torna-se seu marido, e geram Hórus, o deus do céu, inebriado de energia solar.
O outro irmão, Seth, responsável pelos desertos, transforma-se no principal inimigo do casal.
Seth profundamente invejoso da sorte de Osíris - que tinha como missão governar a Terra, mais concretamente o Egipto, teve a oportunidade de transmitir aos homens conhecimentos preciosos sobre agricultura, e os animais.
De acordo com a mitologia egípcia, Osíris é traído por Seth; é morto e esquartejado.
Seth é associado à essência do mal.
Ísis, desesperada, consegue reunir todos os membros do marido, com excepção do orgão genital masculino, o qual foi substítuido por um órgão de ouro.
Isís ressuscita Osíris graças aos seus dotes mágicos e ao seu poder de curar.
Neste interim concebem Hórus, que vingará o Pai matando Seth.
Ísis é a zeladora; sejam escravos ou nobres, pecadores ou santos, governantes ou governados, homens ou mulheres, a todos protege com o mesmo empenho e a mesma solicitude, apanágio da sua natureza profundamente maternal e fértil.
Durante muito tempo foi venerada como a representação maior da essência maternal e da esposa perfeita, além de velar pela natureza; actua em todas as dimensões da Existência.
Era vista como um símbolo do que há de mais singelo, dos que morrem e daqueles que nascem. Uma mitologia tardia atribui às cheias do Rio Nilo, que ocorriam uma vez por ano, as lágrimas derramadas por Ísis pela perda de seu amado.
Ano após ano a morte e a ressurreição de Osíris foram e ainda são relembradas em diversos rituais.
E é assim que nesta tradição da Noite da Lágrima, se revive o enlace de Geb e Nut, ou seja, da Terra e do Céu, e o surgimento da sua descendência, Ísis e Osíris, e ainda a de seus irmãos, totalizando nove deuses, a famosa Enéada, com início na Divindade criadora originária.
Juntos, Ísis e Osíris, simbolizam a realeza do Egipto.
Isís representava o trono, no qual despontava o poder real do marido.
O seu culto tem revestido grande importância e tem sido constante ao longo dos tempos.
Um facto interessante é o de, no Império Romano, ter obtido muitos discípulos.
Actualmente a arqueologia comprova este facto, e é possível encontrar vestígios de templos e monumentos piramidais por toda a cidade de Roma.
Na Grécia, atingiu espaços sagrados como em Delos, Delfos e Elêusis, e particularmente em Atenas.
Os seus discípulos espalharam-se também pelos territórios gauleses, Espanha, Arábia Saudita, Portugal, Irlanda e na Grã-Bretanha.
Fonte: Sigillum

Ritos de Fertilidade

Desde a pré-história que o Touro é um animal símbolo de Fertilidade, Força, Coragem e Renovação. Considerado sagrado, sacrificado e imolado em várias culturas e por todo mundo.
As touradas são o perpetuar desses ritos ancestrais que vêm do megalítico.
Apresenta-se na arte rupestre, nos ritos sagrados, na mitologia.
É o caso do Touro de Creta:
O Touro de Creta foi, na mitologia grega, uma fera que viveu na ilha de Creta e que foi capturada por Hércules num dos seus famosos trabalhos.
É ainda associado ao Minotauro e ao rapto de Europa.
O touro só foi derrotado por Hércules, a mando de Euristeu; ficou conhecido como o sétimo dos seus trabalhos.
Hércules desembarcou em Creta, agarrou o touro pelos cornos e levou para a Argólida, onde o entregou a Euristeu.
Eristeu quis entregá-lo a Hera, mas a deusa, como não queria aceitar presentes vindos de Hércules, pôs a fera novamente em liberdade.
Teseu, mais tarde, acabou por capturá-lo nas planícies de Maratona.
Fonte: Sigillum

O Jardim das Hespérides

O Jardim das Hespérides é o local onde está a Árvore do Conhecimento.
De acordo com a Mitologia, Gaia terá oferecido a Hera maçãs (ou laranjas ou romã) de ouro como presente pelo casamento com Zeus.
Hera incumbiu as Hespérides (ninfas) de guardar o Jardim onde a Árvore estava plantada; o Jardim ficou conhecido como de Hespérides por causa das ninfas.
Entretanto, as ninfas começaram a consumir tais frutos ... Hera não ficou nada satisfeita, e procurou um novo guardião que não toca-se e respeita-se os frutos e a Árvore.
Decidiu-se por um Dragão ou Serpente: Ladon ou Hidra.
Hera e Hércules, segundo reza a mitologia, não se "entendiam bem". Pelo que, sendo um dos 12 trabalhos de Hércules obter frutos da Árvores, este tê-la-á encontrado no extremo Ocidente.
Terá adormecido o dragão, e as hespérides deram-lhe as maçãs ou laranjas ou romãs de ouro. (Umas ninfas muito malandras ...)
Após conseguir os frutos tão desejados, entregou-os a Euristeu, que por sua vez os entregou a Atena, pois eram propriedade de Hera.
Atena encarregou-se de recolocá-las no Jardim das Hespérides.
Na tradição grega a Hidra é a Guardiã do Jardim das Hespérides.
Jardim primordial onde frutificava um pomar de macieiras, ou um laranjal ou um romãnzal, proriedade de Hera, esposa e irmã de Zeus.
Hera é uma Deusa Tripla.
A sua relação com Hidra - a Serpente de Sete Cabeças, é a recordação dos tempos imemoriais em que as Deusas neolíticas fecundavam os solos.
Aravam a terra e semeavam-na, abrindo-a e fecundando-a.
O Jardim é uma metáfora a um Centro Primordial de onde terá partido o primeiro impulso de iniciação à humanidade.
Símbolo de clarividência.
Mas, a Humanidade caiu.
O Jardim fechou-se.
A sua localização velou-se.
Os poetas e filósofos tentaram nos seus versos e enigmas perpetuá-lo, na esperança de uma nova Idade de Ouro.
A simbiose mágico-religiosa, e, principalmente, espiritual com a Natureza, tendo como ponto de partida os ritmos cósmicos enquanto impulsos para a transformação da Alma.
Estes frutos trazem em si o Pentagrama, símbolo da união do Espirito com as quatro forças dos Elementos da Natureza, de que a Deusa é Rainha e Guardiã.
Fonte: Sigillum

sábado, 27 de agosto de 2011

Deusa Abelha ou Abelha Rainha

As abelhas, como todos os insectos que fazem casulos ou tecem teias, servem como imagens da interligação miraculosa que é a vida.
A intrincada estrutura celular que segrega a essência de ouro da vida, é a imagem da interacção invisível da natureza que se relaciona tudo entre si num padrão ordenado e harmonioso.
Talvez seja este o significado da lenda que refere que Zeus, enquanto bébé, foi alimentado em Creta com mel, e pode ser também a razão pela qual o mel era o néctar dos deuses.
Além disso, a abelha, seguindo o seu instinto natural para polinizar as flores e colher o néctar, que será transformado em mel, é um exemplo de actividade contínua e necessária do ser humano para apanhar as colheitas e transformá-las em comida.
A abelha rainha, a quem todas as outras serviam durante a sua breve vida, foi, no Neolítico, uma epifânia da própria Deusa.
A apicultura, em si, foi amplamente praticada no mundo antigo.
Abelhas e apicultura, são frequentemente retratadas em obras de arte antigas.
Em 2007, foram encontrados no norte de Israel restos de antigos favos de mel, cera de abelhas e colmeias intactas, que provam que a apicultura era praticada há 3.000 anos.
A Bíblia refere-se a Israel como a "terra do leite e do mel", mas nenhuma menção foi feita à cultura de abelhas.
Com esta descoberta ficou provado que houve, de facto, uma indústria apícola altamente desenvolvida na Terra Santa.
Existe uma relação entre a abelha rainha, a Deusa e as suas sacerdotisas; que se apresentavam vestidas de abelhas, na Creta minóica de há 4.000. A Deusa e as suas sacerdotisas - vestidas como as abelhas, dançam juntas num selo de ouro encontrado num túmulo.
Em Creta, a abelha significou a vida que vem depois da morte, idêntico ao significado do escaravelho no Egipto.
Provavelmente por tal razão, o selo terá sido colocado no túmulo.
A deusa das abelhas, figura no centro descendo à terra, entre cobras e lírios, é adorada pelas suas sacerdotisas, que tomam a mesma forma que ela, todas levantando as "mãos" no gesto típico de epifânia.
O mel foi também utilizado para embalsamar e preservar os corpos.
O mel desempenhou ainda um papel principal nos rituais de Ano Novo do minóicos.
O Ano Novo cretense tinha início no solstício de verão, quando o calor estava no seu auge, e o dia 20 de Julho era o dia em que a grande Estrela Sirius entrava em conjunção com o Sol, como acontecia na Suméria e no Egipto.
Tanto na Suméria, como no Egipto, Sirius era a estrela da Deusa (Innana na Suméria, e Isis no Egipto).
Os templos-palácios em Creta foram orientados na direcção da Estrela.
O surgimento de Sirius punha fim a um ritual de 40 dias, durante o qual o mel era recolhido das colméias na escuridão das cavernas e dos bosques. O mel era então fermentado em hidromel e bebido como bebida inebriante, acompanhando os ritos de êxtase que podem ter comemorado tanto o regresso da filha da Deusa como o início do novo ano - como também pode ser o caso do selo de duplo machado.
Todos estes ritos estão presentes nos mitos gregos clássicos de Dionísio - ele mesmo originário de Creta e designado como: Deus Touro.
Era sacrificado um touro aquando do aparecimento da estrela Sirius, e as abelhas eram vistas como a forma ressuscitada do touro morto, bem assim como das almas dos mortos.
Este festival era dedicado ao aprecimento de Sirius, que dava início ao novo Ano, foi elevado ao nível de um mito de 'Zoe' (vida indestructível): o despertar/ressuscitar de abelhas a partir de um animal morto.
A importância da apicultura para os minóicos está documentada em desenhos de colméias reais, testemunhando uma longa história que pode ser traçada até ao Neolítico.
A gema ônix de Knossos mostra a Deusa Abelha ostentando sobre a sua cabeça os chifres do touro com o machado duplo dentro da sua curva. Os cães - mais tarde os cães do mundo subterrâneo pertencentes a Hécate e Artémis - têm asas e a voam tão perto da deusa, que as suas asas, à primeira vista, parecem ser dela.
Este intenso drama de epifânia, sugere que o zumbido da abelha foi, de facto, ouvido como a voz da deusa, no: Som da Criação, de Virgílio, este descreve os sons de uívos e batimentos utilizados para atrair um enxame de abelhas:
Batem os címbalos da Grande Mãe.
Os túmulos de Micenas eram em forma de colméias, assim como o omphalos em Delfos no período clássico, onde Apollo governou com a sua sacerdotisa oracular, a Pitonisa, à qual era dado o nome de: Abelha de Delfos.
No Hino homérico ao Hermes grego, escrito no Séc. VIII A.C., o deus Apolo fala das três videntes do sexo feminino como três abelhas ou abelhas-virgens que, como ele, praticavam a adivinhação:
Há algumas irmãs Moiras nascidas,
virgens as três, adornadas com asas velozes.
As suas cabeças estão polvilhadas com farinha de cevada,
com vento fazem as suas casas sob as falésias do Parnaso.
Ensinaram adivinhação longe de mim, a arte é utilizada para
reunir o meu gado enquanto ainda são infantes.
Estas sagradas abelhas-virgens com o dom da profecia, eram para ser o presente de Apolo a Hermes - o deus que sozinho podia guiar a alma dos mortos para fora da vida e algumas vezes trazê-las de volta...
A etimologia do termo "destino" (em grego), dá um exemplo fascinante de como o génio visionário Minóico entrou na língua grega, muitas vezes de forma visível, bem assim como transmitindo as suas histórias de deusas e deuses.
A palavra grega para "destino", "morte" e "deusa da morte é "e ker" (no feminino), a palavra para coração e seio é "to ker" (neutro), ao passo que a palavra para favo de mel é "a kerion" (neutro).
A ligação comum à raiz "ker" - favo de mel, deusa, morte, destino e coração humano, dá-nos um nexo de significados perfeitamente compreensíveis se tivermos em conta que a Deusa foi considerada uma abelha.
Tendo uma reputação de ordem, as abelhas e suas colméias serviram de modelos à organização dos templos de muitas culturas do Mediterrâneo.
Sacerdotisas nos templos de Cibele, na Ásia Menor, na Grécia e em Roma foram denominadas de: Melissai ou Melissae.
Estas sacerdotisas eram frequentemente profetisas ou oráculos, que entravam em extâse induzido, que incluía a ingestão de mel (em grego este estado de consciência é designado por enthusiasmos).
As abelhas foram apelidadas de "Pássaros das Musas", e são atraídas pelas fragrâncias de flores celestiais, a partir das quais produzem o néctar divino.
Nos mitos do mundo antigo, as crianças divinas eram muitas vezes alimentadas com mel, e eram criadas em segredo por uma deusa na profundidade das cavernas.
A Deusa Abelha era venerada nos templos de Artemis.
Artémis é um dos aspectos mais antigos e populares do Divino Feminino.
Nascida na ilha grega de Delos, Artémis era irmã de Apolo e filha de Zeus e de Leto.
Os seios de Artémis pareciam "ovos de abelhas".
São tidas como sacerdotisas: Demeter, Rhea, Cibele - Melissae.
A Bíblia menciona uma rainha e profetisa de Israel chamada Débora: a "Abelha Rainha"; as suas sacerdotisas eram conhecidas como Déboras.
Diz-se que as sacerdotisas da Deusa da Lua eram chamadas de abelhas, porque acreditava-se que: "todo o mel vinha da Lua; a colmeia cujas abelhas foram estrelas."
Melissa, ensinou os mortais a fazer hidromel.
No Hino Homérico a Hermes, as Melissai alimentavam-se de mel para inspirarem-se "a pronunciar a verdade".
Estas tradições fizeram do Omphalos o lugar da pronúncia sagrada - o poder oracular associado ao zumbido das abelhas e à vibração da vida.
O Omphalos tem o formato de uma colméia de abelhas.
Paphos, na Grécia, tido como o local do túmulo de Afrodite, era conhecido como o umbigo da Terra.
Simbolicamente, o Omphalos reuniu uma série de importantes conceitos espirituais:
O coração-sede da grande Mãe Terra enquanto centro do umbigo do mundo (fonte de alimento espiritual).
Da mesma forma, o templo de Afrodite foi o local de alimentação espiritual.
Nota da casa: Vivendo e aprendendo. Assim como tem blog neopagão espumando pela "estirpe", tem blog cristão/templário divulgando mistérios pagãos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Finalmente, lançado um estatuto

A Frente Parlamentar Mista da Diversidade Sexual, formada por deputados e senadores, entregou nesta terça-feira ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o projeto de lei para criar o Estatuto da Diversidade Sexual. O projeto do estatuto foi formulado por uma comissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional por meio de uma proposta de iniciativa popular.
Formulado nos moldes de outros estatutos, como o da Criança e do Adolescente, o do Idoso e o da Igualdade Racial, o da Diversidade Sexual deverá englobar todos os projetos de lei que tratam de direitos dos homossexuais. Ele inclui alguns que já estão juridicamente consolidados, como o do direito à dependência nos planos de saúde e o da união civil, além dos que que tramitam em projetos isolados, como o direito a visto de permanência no país, no caso de união estável entre pessoas do mesmo sexo.
Segundo o deputado Jean Willis (PSOL-RJ), a ideia é esclarecer a sociedade sobre as diferenças entre direitos civis e o reconhecimento religioso. "Vamos fazer uma campanha de esclarecimento, com artistas, para deixar claro que o direito é público, a religião é privada. A partir daí,vamos fazer uma pressão de fora para dentro, como foi o caso do Ficha Limpa", disse.
Além do projeto do estatuto, a frente parlamentar também levou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para Sarney. A PEC prevê mudanças no texto constitucional a fim de inserir a proibição da discriminação por orientação sexual, estabelecendo que união estável e casamento independem de orientação sexual - atualmente o casamento é previsto apenas como entre um homem e uma mulher - e para modificar a licença-maternidade para licença-natalidade. Neste caso, a licença deixaria de ser de quatro meses para a mulher e cinco dias para o homem, para passar a ser de 180 dias para o casal. Nos primeiros 15 dias, seria simultânea para os dois. O resto do tempo poderia ser dividida a critério do casal, não sendo cumulativa.
Para a presidente da comissão que elaborou as propostas, Maria Berenice Dias, aprovar as medidas não será difícil. "Eu tenho certeza que é um projeto que vai ser aprovado", disse após participar da reunião com os parlamentares. "Já temos a decisão do Supremo reconhecendo a união civil entre homossexuais. Ou o legislador faz o dever de casa, ou vai perder espaço", completou.
A PEC deverá ser encaminhada para ser apresentada pelo Senado, porque os parlamentares acreditam que a Casa terá menos resistência ao projeto. Já o projeto de lei que cria o estatuto, passará primeiro pelo recolhimento de assinaturas para então dar entrada no Congresso Nacional como projeto de iniciativa popular. Neste caso, ele começa a tramitar pela Câmara dos Deputados.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Entre reconhecimento e opressão

Divulgado pelo Caturo no Gladius:
[1]
Nos EUA, várias universidades têm já calendários que reconhecem os feriados pagãos. O caso mais recente é o da Universidade de Vanderbilt, em Nasghville, Tenessee, que no seu calendário adicionou quatro dias feriados pagãos, o que significa que nestes dias os alunos pagãos poderão ser dispensados de testes, aulas e outras actividades académicas, tal como sucede já com os estudantes muçulmanos e judeus.
Outros exemplos de carácter universitário foram o da Marshall University, em West Virginia, o que na altura deu muito que falar em todo o país, e também o Departamento de Educação do Estado de Nova Jersey, que adicionou oito feriados pagãos à sua lista «oficial» de feriados; o Estado da Carolina do Norte, por seu turno, aprovou uma lei que garante dois feriados religiosos por ano nas universidades locais.
Para já, os feriados em causa são os do calendário Wicca/Celta - ver a imagem acima - , mas, à medida que o Paganismo cresce, outras correntes pagãs poderão igualmente ver reconhecidos os seus dias sagrados.
[Original: Patheos]

[2]
Na República da Carélia, actualmente integrada na Comunidade de Estados Independentes (antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), as autoridades proibiram o Halloween nas escolas públicas. Uma carta de 8 de Julho deste ano, da parte do Ministério da Educação da Carélia, foi enviada às escolas para proibir qualquer forma de celebração do Halloween. A justitificação oficial é de que se trata de uma celebração pagã, não cristã, que contradiz o «carácter laico da educação» e promove «o satanismo e o extremismo». De acordo com o Ministério da Educação, «é necessário criar novas formas de feriados escolares que correspondam aos valores básicos da cultura russa». Uma vez que o Halloween tem as suas raizes na História antiga irlandesa e escocesa, a ministra da Educação, Irina Kuvshinova, sugeriu que os professores se deveriam limitar a fornecer aos estudantes descrições factuais dos feriados goidélicos associados, tais como o Samhain e o Beltaine, ao ensinar a História doutros países. A ministra propôs também que se ensinasse «o papel especial do Cristianismo na cultura e nas tradições», citando como exemplos o Boxing Day no Reino Unido, o Dia de S. Patrício na Irlanda, bem como o Natal, a Páscoa e o Dia de Acção de Graças nos EUA (que por acaso nem é uma celebração cristã).
A carta diz ainda que a questão da celebração do Halloween nas escolas é uma questão da jurisdição do Procurador da Carélia, e que os administradores escolares têm por isso de enviar ao Ministério da Educação a informação a confirmar que as recomendações foram enviadas até ao Primeiro de Novembro.
Nos últimos tempos, as autoridades russas têm aplicado o rótulo de «extremismo» como pretexto para proceder contra seja o que for que pareça oposição ou protesto: contra um poeta, contra as famílias das vítimas do massacre de Beslan, contra o líder da oposição Garry Kasparov, contra muitos jornais, contra um canal televisivo que transmite a série «South Park», e até contra a subcultura juvenil «emo».
[Original: The Other Russia]

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Cada um colhe o que planta

Rio de Janeiro, 23 ago (EFE).- O número de católicos continua caindo no Brasil, país que com mais fiéis desta religião no mundo, e onde a porcentagem da população que se declara desta doutrina caiu de 73,79% em 2003 para 68,43% em 2009, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira.
Apesar do catolicismo ainda ser a religião majoritária no país, a porcentagem medida em 2009 foi a menor desde 1872, quando uma pesquisa similar mostrou que 99,72% da população brasileira era católica, segundo o estudo 'Mapa das Religiões no Brasil', divulgado nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas.
A redução do número de católicos no Brasil se acentuou nos últimos 30 anos, enquanto 88,96% dos brasileiros se declarou católico em 1980, essa porcentagem caiu para 83,34% em 1991 e para 73,89% em 2000.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas, que baseou seu estudo em enquetes com cerca de 200 mil pessoas, a fuga foi maior entre os jovens entre 15 e 19 anos, quando 67,5% se declarou católico em 2009, contra 75,2% em 2003 (perda de 7,7 pontos percentuais).
Precisamente no estado do Rio de Janeiro, segundo o estudo da Fundação, a porcentagem de católicos caiu menos da metade da população (49,83%) e as pessoas que se declaram sem religião subiu para 15,95%.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas, a redução da porcentagem de católicos no Brasil coincidiu com o aumento da porcentagem de brasileiros que se declaram ateus, que subiu de 5,13% em 2003 até 6,72% em 2009.
Até o ano 2000, a redução dos católicos no país era atribuída diretamente ao crescimento dos grupos evangélicos no país, mas estes não registraram um crescimento de fiéis nos últimos seis anos tão elevado como o que registravam anteriormente.
De acordo com o estudo, a porcentagem de brasileiros que diz ser fiel às igrejas evangélicas tradicionais e aos novos grupos evangélicos subiu de 17,88% em 2003 até 20,23% em 2009.
Os seguidores do espiritismo se mantiveram praticamente estáveis (de 1,5% em 2003 para 1,75% em 2009), assim como os praticantes das religiões afro-brasileiras (de 0,23% para 0,35%) e das Igrejas Orientais ou asiáticas (de 0,30% para 0,31%).
Fonte: G1 Mundo

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Inteligência feminina

Malines, Bélgica, 22 Ago 2011 (AFP) -Uma fêmea de bonobo, paciente e perseverante, arrebatou de um grupo de chimpanzés machos o título de "macaco mais inteligente do mundo", em um concurso organizado por zoológicos belgas cujo resultado que surpreendeu os primatologistas.
Inspirado em um programa muito popular na TV belga, intitulado "O homem mais inteligente do mundo", o jogo que pôs em campos opostos bonobos do zoológico de Planckendael, em Malines, e os chimpanzés do zôo de Anvers, no noroeste da Bélgica, foi celebrado no começo de agosto com a vitória do primeiro grupo.
As seis provas consistiam em apresentar aos primatas das duas espécies os mesmos quebra-cabeças e labirintos a fim de que se valessem de uma manipulação engenhosa ou a ajuda de ferramentas rudimentares como galhos com folhas com o intuito de pegar laranjas ou nozes.
No começo, a iniciativa "era, acima de tudo, lúdica", explicou Jeroen Stevens, primatologista da Sociedade Real de Zoologia de Anvers (KMDA), que administra os dois zoológicos.
A intenção era sensibilizar o público e financiar um projeto alternativo à caça de macacos no Camarões, onde a "carne de caça" costuma ser considerada uma iguaria.
Mas o resultado do concurso surpreendeu os cientistas.
Jeroen Stevens esperava, na verdade, uma vitória dos chimpanzés, conhecidos por recorrer com frequência a galhos a fim de se alimentar com formigas ou cupins, ou de pedras para abrir nozes. Os bonobos também são capazes de usar ferramentas, mas sabidamente são menos hábeis e isto nunca havia sido observado na natureza, acrescentou.
Além disso, os chimpanzés foram acostumados por seus cuidadores aos labirintos, enquanto que os bonobos ficaram inicialmente assustados com os novos jogos.
Luta pelo poder Jeroen Stevens não havia previsto os problemas políticos dos chimpanzés de Anvers, onde dois jovens machos começaram este verão a contestar o macho dominante que reinou no grupo por 10 anos. No contexto destas disputas de poder, os jogos propostos despertaram um interesse apenas limitado.
Entre os bonobos, uma sociedade mais pacífica e matriarcal, na qual o sexo serve para regular conflitos, foi uma jovem fêmea, Djanoa, que conseguiu, sozinha, completar quatro das seis provas.
O primatologista resistiu, contudo, a concluir que os bonobos - cujo comportamento e as regras sociais ainda são pouco conhecidos - sejam mais inteligentes do que os chimpanzés.
Com a vitória de Djanoa, "a pesquisa só está começando" porque ela levanta novas questões, destacou Stevens.
Djanoa venceu porque é a mais perseverante entre seus congêneres? Ou simplesmente porque ela é a única a realmente apreciar nozes? Ela foi bem sucedida em monopolizar os jogos, interditando o acesso dos demais, mesmo sem ser a fêmea dominante do grupo?
Em meio a questões como estas, os pesquisadores do zôo querem encontrar respostas, variando os alimentos colocados no jogo, oferecendo muitos simultaneamente ou ainda confrontando os macacos individualmente com labirintos e quebra-cabeças.
Com apenas um acerto em seis registrado por um chimpanzé macho, o jogo também permitiu confirmar que tanto entre os bonobos quanto entre os chimpanzés - duas espécies que possuem 98% de genes em comum com os humanos - "as fêmeas são as mais dotadas para utilizar ferramentas", destacou o primatologista.
Mas é perigoso comparar espécies ou generalizar a uma espécie inteira conclusões sobre comprotamentos individuais, preveniu Jeroen Stevens.
"Tanto quanto fazer paralelos entre o homem e o macaco", completou.
Fonte: G1 Mundo
Nota da casa: As palavras "sociedade mais pacífica", "matriarcal" e "sexo para regular conflitos" explicaria muito bem.

domingo, 21 de agosto de 2011

Sem diálogo

O que era para ser um projeto, uma discussão política para garantir tanto o "estado laico" quanto para a "liberdade religiosa", tem se tornado um cabo de guerra:
Além das operações matemáticas, das regras ortográficas e dos fatos históricos, os princípios e conceitos das principais religiões também devem ser discutidos em sala de aula. A Constituição Federal Brasileira determina que a oferta do ensino religioso deve ser obrigatória nas escolas da rede pública de ensino fundamental, com matrícula facultativa - ou seja, cabe aos pais decidir se os filhos vão frequentar as aulas.
Pesquisas recentes e ações na Justiça questionam a inclusão da religião nas escolas, já que, desde a Constituição Federal de 1890,o Brasil é um país laico, ou seja, a população é livre para ter diferentes credos, mas as religiões devem estar afastadas do ordenamento oficial do Estado.
Apesar da obrigatoriedade, ainda não há uma diretriz curricular para todo o país que estabeleça o conteúdo a ser ensinado, de maneira a garantir uma abordagem plural sem caráter doutrinário. Outro problema é a falta de critérios nacionais para contratação de professores de religião. Hoje, o país conta com 425 mil docentes, formados em diversas áreas.
O ensino religioso está presente no Brasil desde o período colonial, com a chegada dos padres jesuítas de Portugal para catequizar os índios.
Atualmente, de acordo com a Constituição, a disciplina deve fazer parte da grade horária regular das escolas públicas de ensino fundamental. Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) definiu que as unidades federativas são responsáveis por organizar a oferta, desde que seja observado o respeito à diversidade religiosa e proibida qualquer forma de proselitismo ou doutrinação.
"Alguns historiadores que tratam da participação da religião na vida pública mostram que o ensino religioso foi uma concessão à laicidade à época da Constituinte. Havia uma falsa presunção de que religião era importante para a formação do caráter, da vida e dos indivíduos participativos e bons. Essa é uma presunção que discrimina grupos que não professem nenhuma religião. Isso foi uma concessão à pressão dos grupos religiosos", avalia a socióloga Debora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB).
Debora é autora, junto com as pesquisadoras Tatiana Lionço e Vanessa Carrião, do livro Laicidade e Ensino Religioso, publicado no último semestre. O estudo investigou como o ensino religioso se configura no país e se as escolas garantem, na prática, espaços semelhantes para todos os credos, como preconiza a LDB. A conclusão é que não há igualdade de representação religiosa nas salas de aula.
"Ele é um ensino cristão, majoritariamente católico, e não há igualdade de representação religiosa com outros grupos, principalmente os minoritários", destaca Debora.
Há mais de uma década acompanhando essa discussão, o Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (Fonaper) reconhece que há muitos desafios para garantir a pluralidade. Mas defende que o conteúdo é importante para a formação dos alunos.
"Nós vislumbramos, desde a LDB, que o ensino religioso poderia assumir uma identidade bastante pedagógica, que fosse de fato uma disciplina como qualquer outra e que a escola pudesse contribuir para o conhecimento da diversidade religiosa de modo científico. O professor, independentemente do seu credo, estaria ajudando os alunos a conhecer o papel da religião na sociedade e a melhorar o relacionamento com as diferenças", aponta o coordenador do Fonaper, Elcio Cecchetti.
No Rio de Janeiro, por exemplo, o ensino religioso é oferecido apenas nas escolas estaduais. Nas unidades municipais, ainda não foi implantado, mas há um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Vereadores da capital fluminense que prevê a oferta nas cerca de mil escolas da rede, com frequência facultativa. A recepcionista Jussara Figueiredo Bezerra tem dois filhos que estudam em uma escola municipal da zona sul do Rio de Janeiro e acompanha com certo receio a discussão. Ela é evangélica e acredita que esses valores devem ser transmitidos em casa, pela família.
"Quem são os professores que vão dar as aulas de religião? Será que eles serão imparciais? Além disso, com tantas dificuldades e carências que o ensino público já enfrenta, por que gastar dinheiro com isso? Esses recursos poderiam ser usados de outra forma, para melhorar a estrutura já existente nas escolas. Quem quiser aprender mais sobre uma religião deve procurar uma igreja ou uma instituição religiosa", opina.
Para quem lida na ponta com os delicados limites dessa questão, torna-se um desafio garantir um ensino religioso que contemple as diferentes experiências e crenças encontradas em uma sala de aula. "Nós preferiríamos que a oferta do ensino religioso não fosse obrigatória porque a escola é laica e deve respeitar todas as religiões. O que a gente quer é que os dirigentes possam utilizar essas aulas com um proveito muito melhor do que a doutrinação, abordando o respeito aos direitos humanos e à diversidade e a tolerância, conceitos que permeiam todas as religiões", defende a presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho.
Atualmente, duas ações diretas de inconstitucionalidade (Adin) questionam a oferta do ensino religioso no formato atual e aguardam julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas foi proposta pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e questiona o acordo firmado em 2009 entre o governo brasileiro e o Vaticano. O Artigo 11 desse documento, que foi aprovado pelo Congresso Nacional, determina que "o ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental". Ao pautar o ensino religioso por doutrinas ligadas a igrejas, o acordo, na avaliação da PGR, afronta o princípio da laicidade.
Mas na prática, não saímos das "boas intenções":
Acontece hoje no Recife - Pernambuco, 21 de Agosto, às 15 horas na Praça do Diário, a Marcha pelo Estado Laico. Para quem não sabe, segundo o artigo 19 da Constituição Federal de 1988, o Brasil é um Estado Laico, ou seja, não possui nenhuma religião oficial e não defende ou se apoia em qualquer forma religiosa, respeitando assim a pluralidade e a liberdade de crença. Porém não é isso que acontece em nosso país. "Só um estado VERDADEIRAMENTE laico, que não se submete a dogmas e líderes religiosos, pode garantir a liberdade de professar ou não uma religião e garantir também a diversidade religiosa".
Convocamos as pessoas de diversas religiões e/ou crenças, desde judeus, umbandistas, neopagãos, católicos até maçons, budistas, ciganos, além daqueles que não possuem nenhuma forma de religião e/ou crença, como agnósticos, gnósticos, ateus, entre outros, para que agnósticos juntem-se a nós nessa manifestação que reivindica os direitos de uma sociedade plural, sem distinção de credo ou valorização de uma em específico.
Venha e faça parte dessa luta contra a Hegemonia Religiosa
E de brigas sem resultado:
Uma "guerra santa" foi travada entre os pais das 180 crianças de 4 e 5 anos que estudam no Jardim de Infância da 404 Norte, na região central de Brasília. Uma oração feita pelos alunos diariamente, antes do início das aulas, é o principal motivo da discórdia. De um lado está um grupo de pais que pede a exclusão de referências religiosas das atividades escolares. Do outro, os que apoiam o ritual diário e consideram que a direção da escola está sendo perseguida.
A discussão teve início quando uma denúncia sobre o assunto foi encaminhada à Ouvidoria da Secretaria de Educação do Distrito Federal. Todos os dias antes das aulas os alunos se reúnem no pátio da escola para o momento chamado de acolhida. Nessa hora, são estimulados a fazer uma "oração espontânea", como define a diretora Rosimara Albuquerque. A cada dia, crianças de uma turma ficam responsáveis por fazer os agradecimentos a Deus ou ao "Papai do Céu". "Pode agradecer pelo parquinho, pelos colegas. Mas houve um questionamento por parte dos pais para que fosse um momento de acolhida um pouco mais amplo já que algumas famílias não comungam dessa religião, que seria basicamente cristã", conta Rosimara, que está à frente da escola há seis anos.
Para a radialista Eliane Carvalho, integrante da Associação de Pais e Mestres do colégio, a escola está ultrapassando os limites permitidos pela legislação. Ela e outros pais que protestam contra essas atividades se apoiam no princípio constitucional da laicidade para pedir que práticas de cunho religioso fiquem de fora do ambiente escolar. Além do momento da acolhida, ela conta que notou outros sinais de violação, a partir de informações que o filho de 4 anos levava para casa.
"Não posso dizer que existem dentro da sala de aula práticas religiosas. Mas meu filho não aprendeu em casa a orar em nome de Jesus. Um dia ele me disse que o telefone para falar com Jesus era dobrar o joelho no chão", relata Eliane.
Em resposta à denúncia, um grupo maior de pais organizou um abaixo-assinado a favor da escola e da oração no início das aulas. Alguns alegam que a diretora está sendo perseguida por ser católica e atuante em grupos religiosos. "A forma como eles professores e direção estão atuando não é nada abusiva ou direcionada a uma crença específica. Eles colocam a palavra de Deus, como entidade superior, e agradecem à família. São só coisas boas, frutos bons. Quem está incomodado é uma minoria", defende Thiago Meirelles, que é católico e pai de um aluno.
Para Carolina Castro, mãe de outro estudante, a intenção da escola é positiva e busca a socialização. "Não acho que eles estejam tratando de religião em si, mas passando uma noção de agradecimento do que é precioso na vida. Não acho que isso seja ensino religioso", diz.
Eliane Carvalho lamenta que a discussão tenha ficado polarizada. "Não é uma discussão pessoal, mas de currículo. O grupo que fez o abaixo-assinado passou a nos ver como perseguidores de cristãos, hoje somos vistos como pessoas absurdas que não querem a palavra de Deus na escola. Todos têm o direito de fazer suas orações, mas eu questiono o fato de a escola aceitar uma prática que, para mim, se configura em arrebanhar fiéis", diz.
O momento da acolhida é feito há 40 anos, desde que a escola foi fundada, e é comum também em outros colégios da rede. Na última semana a reza foi substituída por cantigas de roda e outras atividades. "Aí, sim, parecia uma escola, antes parecia uma igreja. Como pai que tem a obrigação de dar uma orientação religiosa à filha, não posso permitir que haja divergência. O mais triste é que, apesar de essas pessoas dizerem que estão pregando o amor e o respeito, elas não têm respeito nenhum pela minha liberdade de que não haja essa interferência religiosa", diz Mafá Nogueira, pai de uma aluna.
Para resolver o problema, a escola vai convocar reuniões com pais, professores, funcionários e representantes da Secretaria de Educação. "Vamos discutir como a gente pode abordar a pluralidade e a diversidade sem agredir ninguém e que todos possam sair satisfeitos. Mas essa polêmica é salutar porque, na medida em que a gente ouve questionamentos de pais que pensam diferente, isso é saudável para o crescimento. Podemos adotar uma postura diferente, estruturada no que a comunidade pensa", avalia a diretora Rosimara, que usava no pescoço um cordão com um crucifixo enquanto conversava com a reportagem da Agência Brasil.
A Secretaria de Educação do Distrito Federal informou que desconhece problemas semelhantes em outras escolas da rede e reiterou que orienta as unidades a seguir a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que veda qualquer prática proselitista no ambiente escolar.
Citado em:
Uniãowicca

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Enfim, o reconhecimento

Demorou só um pouquinho, coisa de mil anos, mas o sr Ratzinger finalmente reconheceu.
MADRI, Espanha, 18 Ago 2011 (AFP) -O Papa Bento XVI reconheceu nesta quinta-feira "abusos na história para impor o conceito de verdade e o monoteísmo", em declarações antes de desembarcar em Madri para liderar a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
"É verdade que aconteceram abusos na história para impor o conceito de verdade e o monoteísmo", declarou o Papa, que visita pela terceira vez a Espanha, onde deve ser saudado por mais de um milhão de pessoas.
Fonte: G1 Mundo

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Rebelião interna!

Viena, 17 ago (EFE).- Cerca de 300 padres austríacos dos 2 mil do país se rebelaram contra o Vaticano para exigir reformas, como permitir o sacerdócio às mulheres e aos homens casados.
A iniciativa intitulada 'Um chamado à desobediência', que foi divulgada na internet em junho, vem contando com um crescente apoio de religiosos e está complicando a relação com a hierarquia da Igreja Católica do país.
'Há uma grande insatisfação entre os religiosos', explicou nesta quarta-feira ao jornal 'Österreich' o criador da proposta, o padre Helmut Schüller, antigo vigário-geral de Viena.
Os padres insatisfeitos exigem que a Igreja empreenda reformas para se modernizar, como permitir o sacerdócio às mulheres e aos homens casados e dar a comunhão a todo cristão 'de boa vontade'.
Entre outras medidas, os padres envolvidos na iniciativa iniciarão seus ofícios religiosos com uma oração pela reforma da Igreja.
Schüller explica que o grupo foi forçado a tornar sua posição pública por conta da falta de ação da hierarquia eclesiástica, e calcula que dois terços dos 2 mil padres do país compartilham as ideias da medida.
O idealizador da proposta já expressou duras críticas à Igreja por sua forma de tramitar os inúmeros casos de abusos sexuais realizados por religiosos que vieram à tona nos últimos anos na Áustria.
As críticas não demoraram a chegar, e para o monsenhor Egon Kapellari, bispo de Graz, 'o chamado representa um perigo para a unidade da Igreja'.
O presidente da Conferência Episcopal Austríaca e arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, se reuniu com os representantes dos padres rebeldes, mas comunicou que 'não concordava com a iniciativa e que não a defenderia em Roma', lembrou Schüller.
Na Áustria, os cidadãos devem de notificar oficialmente se pertencem à Igreja Católica, e nos últimos 30 anos entre 30 mil e 50 mil fiéis deixaram as estatísticas católicas a cada ano.
Desta forma 64,8% da população - 5,3 milhões de pessoas - se definiu oficialmente como praticante do catolicismo em 2010, enquanto em 1961 a taxa chegava a 87%.
A Igreja na Áustria se viu afetada por vários escândalos sexuais e de pedofilia nos últimos 15 anos, o que fez com que diminuísse muito sua credibilidade entre os fiéis.
Fonte: G1 Mundo
Nota da casa: Estão colocando em prática a nossa campanha: Mude a Igreja ou Mude-se Dela.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Cabo de guerra

Um jogo que faz muito sucesso e não requer muitos instrumentos – apenas dois times e uma corda. O objetivo do jogo, ao contrário do que se pode pensar, não é a de premiar a equipe que tiver mais força, mas sim a de desenvolver o trabalho em equipe.
Depois de ler a reportagem com
Rebecca Goldstein, a impressão que fica é que cristãos e ateus estão jogando cabo de guerra. Eu não posso criticar este jogo, afinal, eu também puxei minhas cordas. O que eu posso fazer é refletir o que, afinal de contas, queremos ao ficar medindo nossas forças com nossos “adversários”.
O que acontece neste cabo de guerra é crentes e descrentes, todos estagnados, arraigados, enraizados nas convicções, nas verdades. Nós tentaremos, a todo custo, puxar pela corda, mais pessoas para o nosso lado. Eu também puxei minhas cordas. O que eu consegui? Coisa alguma, eu fiquei exatamente no mesmo lugar. Não cresci nem adquiri coisa alguma, apenas alimentei a resistência interna e externa. Eu apenas aumentei o veneno que corroia minha essência.
Esse cabo de guerra entre razão e crença não produz coisa alguma. Tudo que alimentamos nesse cabo de guerra é a força de resistência e rejeição à convivência, ao diálogo, à tolerância, ao respeito que tanto cobramos do “outro”. A força que empregamos para mover uma pessoa do outro lado da corda irá apenas alimentar sua motivação para explicar, justificar, desculpar sua visão de mundo. O indivíduo irá ficar ainda mais arraigado em sua necessidade de ter a certeza, de estar certo, pois isto concede ao indivíduo um falso sentimento de segurança, de proteção, de conforto.
Basta vermos como foi pronta e imediata a reação dos cristãos quando os homossexuais começaram a lutar pelos seus direitos. Basta lembrarmos da ação de altos prelados eclesiásticos atentarem contra o processo eleitoral com um panfleto contra o aborto. Basta lembramos os monólogos doutrinários totalitaristas pelo mais alto pontífice contra o uso de preservativos. Basta lembrarmos do triste episódio de excomunhão pública dos médicos que tiveram a humanidade de fazer o procedimento clínico mais adequado. Quanto mais grupos lutam por mais humanismo em nosso mundo, em nossa sociedade, mais terão pessoas que tentarão, a qualquer custo, manter "as coisas como são".
Do lado dos ateus, não tem sido nada "racional" nem razoável a forma deliberada e gratuita como atacam a religião - qualquer uma - fazendo uma tábua rasa. A Ciência não é uma vestal, em nome dela também se cometeu atos atrozes. Basta lembrarmos as experiências nazistas. Basta lembrarmos a incrível tecnologia militar. Basta lembrar o maior produto da "razão" científica - a bomba atômica. Quanto mais grupos lutam por mais humanismo em nosso mundo, em nossa sociedade, mais terão pessoas que tentarão, a qualquer custo, esterilizar nossa fantasia em prol de um mundo "racional".
A escolha sempre é pessoal, individual. Se alguém quer viver escravizado pela Igreja e viver feito carola, o problema é dele, desperdiçará a oportunidade de fazer seu Paraíso aqui e agora. Se alguém quer viver bitolado pela Ciência, o problema é dele, desperdiçará a oportunidade de apreciar o sonho, a imaginação.
Todos nós estamos apenas alimentando uma força reativa, quando devíamos alimentar uma força pró-ativa. A única forma de um indivíduo mudar de sua postura fossilizada é não alimentando essa força reativa.
Eu estou fazendo um trabalho onde eu estou deixando de puxar as cordas. E pela primeira vez, eu estou sentindo que estou realmente ficando livre das amarras. Se queremos um mundo melhor e mais humano, devemos começar a melhorar e a humanizar a partir de nós mesmos. Solte a corda e liberte-se das amarras.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Música de Caboclo


Autor: Julio de Paula

Aqueles que não conheceram a morte,
tendo passado da vida terrena ao
plano espiritual por meio de algum encantamento:
são os encantados.
(Mundicarmo Ferretti)

Da umbanda à pajelança, do catimbó ao candomblé, do babassuê ao batuque. Santos, orixás, entidades, pretos-velhos, caboclos e muitos outros integram o panteão dos encantados brasileiros.
"Os caboclos são considerados depois dos pretos velhos os grandes mentores espirituais da Umbanda. Foram eles que junto com os Catimbozeiros, decodificaram e organizaram a religião e suas linhas", anuncia a Tenda Espírita Caboclo Arruda – Seara do Ogum Iara.
Os cultos dos encantados espalhados pelas diferentes regiões do Brasil não estão isolados, aponta Reginaldo Prandi. São marcados por trocas e influências recíprocas além da própria fusão entre os rituais. Para o sociólogo da Universidade de São Paulo (USP), também as entidades migram, são incorporadas a diferentes denominações afro-brasileiras, sofrem mudanças, enriquecendo a cada momento o complexo quadro da diversidade cultural afro-brasileira. Em "A dança dos caboclos", diz Prandi: "Todas essas formas de cultos nascidas no Brasil, que podemos genericamente chamar de religião dos encantados ou religião cabocla, são religiões de transe. As entidades cultuadas se manifestam no corpo de devotos devidamente preparados para isso. Todas desenvolvem ampla atividade mágico-curativa e de aconselhamento oracular, são dançantes e sua música é acompanhada de tambores e ritmos de origem africana".
Bethânia, Baden, Rosinha de Valença, Papete e Martinho da Vila são alguns nomes da música popular que recriaram e interpretaram pontos tradicionais. A maior parte das gravações apresentadas neste programa foram realizadas na década de 1970, ocasião também em que também se lançou uma série de álbuns dedicados ao repertório de terreiro, como o Calendário da Linha Branca de Umbanda, Sete Rei da Lira, Umbanda Vol. 2 (Maria Bonita) – todos aparentemente realizados com fiéis das religiões afrobrasileiras.
Recebido por e-mail do Alex Acioli

domingo, 14 de agosto de 2011

Ateu com alma

Uma ateia em missão de paz. É assim que Rebecca Goldstein, doutora em filosofia pela Universidade de Princeton e pesquisadora na área de psicologia em Harvard (EUA), se posiciona nas discussões, sempre acaloradas, entre ateus e religiosos.
Em seu novo livro, 36 Argumentos Para a Existência de Deus (Companhia das Letras, tradução de George Schlesinger, 536 páginas, 59 reais), Rebecca faz uma crítica ao radicalismo de ambos os lados. E um convite à conciliação. "Ateus têm que deixar o pedantismo de lado e parar de dizer como os religiosos devem pensar", diz ao site de VEJA. "E religiosos têm que parar de pensar que ateus são imorais e não sabem a diferença entre o bem e o mal."
Mistura de romance, ensaio filosófico e divulgação científica, 36 Argumentos... é uma saborosa provocação - para crentes e descrentes - dividida em duas partes. Na primeira, conta a história do "ateu com alma" Cass Seltzer, um psicólogo subitamente famoso por causa de um livro em que refuta... 36 argumentos sobre a existência de Deus. Ao final da aventura de Seltzer, que inclui experiências transcendentais, um apêndice reúne os 36 argumentos e os desmonta, um a um, com base em razões da biologia, astronomia, geologia, matemática, filosofia...
A tensão entre a parte ficcional e os argumentos científicos faz de 36 Argumentos... uma divertida cilada para fanáticos de ambos os lados. "Incluí os aspectos emocionais da discussão filosófica no formato de romance para servir de contraste ao apêndice", diz Rebecca. "Ao final de tudo, uma nova visão pode emergir do encontro entre esses dois lados antagônicos."
Fonte: Veja
Entretanto, com um pouco de contradição, a autora afirma não acreditar nesse Deus mas diz que gosta da definição de Deus como "a natureza", vinda do filósofo holandês Spinoza. Para ele, Deus e a natureza – o próprio universo – são a mesma coisa e aceita experiências transcedentais.
Ter experiências transcedentais para a autora é como ser um 'ateu com alma'. Ela parece admitir que existe algo além do que é comprovável, mas que a ciência não pode explicar.
é algo que o mundo secular não consegue traduzir ainda. Mas isso é porque o idioma religioso está pronto. A humanidade está há milênios exercitando essa linguagem. Já a tradução secular dessas experiências ainda está sendo desenvolvida.
Goldstein admite que isso é mistério para ela "para explicar por que somos capazes de experimentar essas coisas grandiosas. é uma área misteriosa. Contudo, não acho que isso coloque o ateísmo em contradição".
Respondendo a questão sobre o que difere uma experiência transcedental entre um ateu e um religoso ela fala sobre uma 'personalidade filosófica'.
"Quando estamos lidando com questões que estão além de uma resposta definitiva, como a existência de Deus, então nossa 'personalidade filosófica entra em cena".
A autora conclui dizendo que acredita que haja um meio termo entre a posição dos ateus e dos religiosos. Segundo ela, quando tanto os ateus quanto os religiosos cessarem suas tentativas de impor a verdade uns para os outros, elas poderão ver que o modo como enxergam o mundo é muito semelhante.