domingo, 29 de maio de 2011

A Deusa das Bruxas

Eu encomendei e li da Amazon o livro do casal Farrar entitulado "The Witches' Goddess". Traduzindo para o português: A Deusa das Bruxas. Este livro pode ser entendido como uma continuação do livro "O Deus dos Magos", livro que eu comentei no tópico "Faces do Deus".
Este livro segue a mesma linha de muitos outros livros do casal Farrar e de tantos outros autores de e sobre Paganismo/Bruxaria/Wicca. Contém pensamentos e reflexões interessantes, aos que souberem ler. Eu pessoalmente discordo dessa idéia que haja uma Deusa, única, multiforme e multiadorada. Nem todas as bruxas tinham um culto a um Deus ou Deusa. Eu não concordo com as teorias de Marija Gimbutas e as visões de Dion Fortune.
Mas como no livro anterior, eu aproveitarei a lista das faces da Deusa, conforme descrito em sumário, a partir do livro da casal Farrar.
A Deusa Terra.
Os autores usam a "Hipótese Gaia" para abordar este aspecto da Deusa. Em outro texto eu contestei as famosas "Vênus de Willendorf" então, em resumo, estas estátuas são uma representação da fertilidade e a mulher é a manifestação humanizada mais clara dessa fertilidade, não que ali esteja representada uma Deusa nem que isto necessáriamente servia a algum tipo de culto. Os autores, felizmente, citam o hiero gamos, algo que faz parte dos cultos antigos e que exige a presença de um Deus/sacerdote. Os autores lembram que a Deusa, embora seja mãe, também é justa e vai agir com rigor, algo bem diferente da concepção da "mãe amorosa e compassiva" tão propagada.
A Mãe Branca e Negra.
Os autores abordam a face da Deusa como o ventre e a tumba de todos nós. Explicam a importância da polaridade, um conceito sagrado que é parte fundamental de nossa crença. Eles desenvolvem um painel contendo um desenvolvimento desse aspecto da Deusa, em quatro manifestações: mistérios da inspiração, mistérios da vegetação, mistérios da intoxicação e mistérios da regeneração.
A Deusa Menstrual.
Os autores abordam um aspecto pouco falado da Deusa: assim como a mulher, ela menstrua. Não é um mero acaso que Ela é simbolizada pela lua e segue um ciclo lunar. Os Assírios observavam esse ciclo com cerimônias semanais [dias 7,14, 21] chamados de sabbatu [de onde vem o nome sabbath].
A Deusa Tripla.
Certamente o aspecto mais falado e discutido na nossa comunidade. A Deusa se manifesta em três aspectos: dama, mãe e anciã. Os autores explicam estas manifestações.
A Deusa Lunar.
Esta manifestação da Deusa está ligado aos seus outros aspectos, sua face triforme, sua face negra, sua face menstrual. O dado a acrescentar é o fato de que muitos calendários sejam baseados nos ciclos lunares, como os Judeus e Muçulmanos fazem.
A Deusa Mãe.
Este é, definitivamente, o aspecto da Deusa mais explorado nos discursos de sacerdotes locais, muitas vezes omitindo os outros aspectos da Deusa, ou pior, omitindo a importância do Deus. Os autores dão uma margem para a interpretação de personagens míticos cristãos como sendo aspectos arquetípicos da Deusa. Eu discordo dessa interpretação e releitura.
A Deusa Arquétipa.
Os autores explicam de que forma a Deusa pode ser compreendida pelo uso das imagens arquétipas, tal como Carl Jung lançou este estudo na psicanálise. Os autores usam os termos "forma de pensamento" e "inconsciente coletivo" da mesma forma. Introduzem os conceitos "anima"/"animus", "Ying/Yiang" dentro dessa concepção. Além das contestações que eu escrevi anteriormente contra essa releitura arquetípica da Deusa [ou dos Deus], indico o texto que eu citei de Walter Otto, em "O Espírito da religião dos Gregos Antigos", em especial os ítens "interpretação equivocada" e "o equívoco do arquétipo".
A Mulher como Deusa. [E vice-versa]
O tema encerra os temas anteriores, pois a mulher é uma manifestação da Deusa. Ela é, por sua natureza, sua sacerdotisa e seu templo. Em suma, tudo aquilo que a mulher faz e gosta, a Deusa faz e gosta. Toda sua intuição, sensibilidade, sensualidade, feminilidade, sexualidade, são aspectos sagrados dela e da Deusa. Vivenciar diariamente isto é uma vivência sacerdotal, é um caminho espiritual, é uma celebração da divindade. Então, mulher, seja como deve ser, feminina, sensual, sexual, ame, transe, cure e salve a humanidade.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O medo e o lobo

Há um ditado na web que diz que debater na Internet é como disputar as paraolimpíadas, mesmo se você vencer, ainda é retardado. Considerando o nível dos comentários que recebo aos meus textos e críticas, especialmente de Cristãos, esta é uma triste realidade.
Mas a Internet está aí, como o melhor e o pior em comunicação de e das massas, (des)servindo para a informação do público. Ela forma um "especialista" em um assunto a cada dia. Mesmo o elitista conhecimento acadêmico está ao alcance de todos e todos dão seu pitaco sobre tudo, mesmo que ninguém lhes tenha perguntado.
Eu não estranhei nem me incomodei quando saiu um trecho da entrevista do astrofísico Stephen Hawking, onde ele afirma que "a crença de que o céu ou uma vida após a morte nos aguarda é um conto de fadas para as pessoas que têm medo da morte". Eu passei por isso, eu sei bem por que cientistas, sejam agnósticos [como no caso do sr Hawking] ou ateus, tem tanta necessidade de rejeitar, negar ou criticar as doutrinas religiosas.
Os Cristãos protestaram, dizendo que o sr Hawking não pode falar nada por não ser um estudioso ou especialista no assunto. Para ser justo, os Cristãos também não são estudiosos ou especialistas em ciência [história, antropologia, lei, justiça], mas não tem vergonha ou prurido algum em divulgar seus monólogos pseudocientíficos para sustentarem as suas crenças pessoais ou as doutrinas da Igreja.
Parece um caso invertido do menino que grita "lobo" sem que houvesse algum. Nega-se o além para se negar o medo. Mas se não há o "lobo", não há medo para ser negado. Nega-se o além talvez por medo de se ter que responder por atos ou omissões ou talvez com receio de ter que passar por mais sofrimentos.
O sr Hawking, sendo astrofísico, deve saber que inúmeras estrelas nascem e morrem incessantemente no universo e o processo não se esgota por que o material, o elemento que compõe as estrelas não se desgasta nem se extingue. O mesmo acontece com as almas, muitas nascem e morrem incessantemente, sem que o processo se esgote, por que o material, o elemento que as compõe não se desgasta nem se extingue.
Todos os dias, depois do trabalho, tudo que as pessoas querem é dormir, ninguém fica criando ansiedade e expectativa se vai haver o dia seguinte por que se sabe que haverá um dia seguinte.
Para nós, isso é bem mais simples, "natural", sem depender de obra, de crença, de caridade.
Para um pagão, bruxo e wiccano, não se crê, se sabe que há a reencarnação. A vida continua, o que morre é o corpo. Nós vemos as evidências bem debaixo do nosso nariz, no mundo, na natureza.
Algo para nós refletirmos: a "vida no além" é aqui e agora. Nós podemos viver no Paraíso, nós podemos viver no Inferno. Cabe a nós escolhermos.

sábado, 21 de maio de 2011

Saída à francesa

Em artigo escrito no Estadão, o eminente jurista e tributarista Dr Ives Gandra Martins comenta a recente decisão, mais do que justa, do STF, quanto à equiparação jurídica das uniões civis, tanto hetero quanto homossexuais. O Dr Ives Gandra, com todos seus títulos e conhecimentos, enquanto jurista escreve muito bem, mas quando o assunto resvala nas doutrinas da Igreja, ele deixa de escrever como jurista para escrever como católico e membro da Opus Dei.
No entender do Dr Ives Gandra, o Brasil deveria seguir a decisão da Corte Constitucional da França que decidiu que a proibição dos casamentos hmossexuais não viola a constituição, conforme noticiou o G1.
Até onde sabemos, o Brasil deixou de ser uma colônia européia em 07 de abril de 1822. Até onde sabemos, o Brasil é uma República desde 15 de novembro de 1889. A Constituição Brasileira atual define o Brasil como uma nação soberana, cabe aos nossos poderes governarem este país. Ora, Dr Ives, se devemos copiar a França, porque não copiamos a Bélgica, Espanha e Holanda, que permitem o casamento homossexual?
No entender do Dr Ives Gandra, citando a Corte Constitucional da França, [...]"a união entre dois homens e entre duas mulheres é diferente da união entre um homem e uma mulher, esta capaz de gerar filhos". Então, Dr Ives, um casal hetero que não tem filhos e os adota não é uma família? O sr acaba de jogar no lixo décadas de jurisprudência que protegeu milhares de brasileiros.
No entender do Dr Ives, [...]"a diferença é também biológica, pois na união entre pessoas de sexos opostos a relação se faz com a utilização natural de sua constituição física preparada para o ato matrimonial e capaz de dar continuidade à espécie". O ato matrimonial é um ato civil, onde duas pessoas de mútuo acordo declaram diante de testemunhas que irão cohabitar, independentemente do gênero dos conubentes e da produção de descendência.
"Trata-se, à evidência, de relação diferente daquela das pessoas do mesmo sexo, incapazes, no seu contato físico, porque biologicamente desprovidas da complementaridade biológica, de criar descendentes". Não há garantia alguma que casais hetero produzam descendência, tanto que há a adoção e a fertilização "in vitro", Dr Ives.
Os casais homo e hetero são diferentes, sem dúvida, mas à luz da lei e da justiça não pode, não deve, nem há diferenciação, pois em um Estado legítimo de direito, onde a todos [e não apenas para priviliegiados] são garantidos a proteção da lei e da justiça, não cabe nem a discriminação, nem a intolerância, nem o preconceito, por gênero, por raça ou por opção sexual.
Enquanto jurista, seus textos são razoáveis, mas enquanto católico, o sr. deveria tentar uma saída à francesa, antes de escrever sobre lei e justiça.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A Lei Natural de Eros

Debates constantes a respeito do natural e do pervertido estão aparecendo. Homossexualidade e práticas sexuais "incomuns" de qualquer variedade são frequentemente trazidos à atenção porque aqui, no mundo do sexo, todo homem e toda mulher encontram suas inclinações mais puras e suas trevas mais brutas. A escala nestes debates estão entre a inclinação carnal pessoal enquanto são mediadas sobre uma moral universalista, insistindo que todos nós temos as mesmas inclinações carnais – e aqueles que fogem à regra são pervertidos - ou pior. Estes discursos morais são quase sempre ditados por motivos religiosos propagando uma curiosa escala entre liberdade do pecado e vergonha da inclinação de uma pessoa. Nesse clima de que "uma moral serve para todos" naturalmente surge a resistência.
Os debates que vimos hoje em dia estão baseados no século 11 [EC] e o debate eclesiástico sobre a Lei Natural [ou a "Lei de Deus" - NT] – aqui encontramos [São] Tomás de Aquimo, que nos contou para olhar para a natureza para vermos o que é natural, pois ele não considerava que o sexo fosse sagrado – mas algo que humanos compartilhavam com outros animais.
No Livro Dois de sua Suma, Tomás discute o assunto da Lei. Dada a orientação platônica e a influência muçulmana, Tomás escreveu pelo que nós podemos assumir que ele, ao escrever da Lei Divina, não estava falando da sharia, mas da essência do Islã em si mesmo – submeter-se à Lei Divina, como Abdullah, um servo de Deus. Esta idéia certamente abrange a doutrina do destino e como nós todos nascemos com uma condição única que permite um caminho [lei] único para obter a bondade em nossas vidas. Ser um servo de Deus compreende que nós descobrimos a lei única que nos conduz para a abundância como uma extensão da Lei Divina. Como espelhos de Deus nós, como humanos, também refletimos todas as Suas possibilidades em seus belos 99 nomes. Então há, portanto, uma distinção entre a Lei escrita e a Lei natural.
A distinção entre a Lei escrita e a Lei natural é também encarnada na Cristandade, nos Evangelhos, falando da missão de Cristo. O que está claro é que Cristo viu-se como profeta da lei eterna escrita no coração de cada um e de todos. Nós encontramos aqui a divisão da Lei como uma série de regras de condutas sem razão. A mensagem parece ser que seguindo a lei escrita não se pode errar, a Lei transformada em uma série de regras não necessita de razão para trazer a salvação. A lei eterna escrita em nossos corações segue um dinamismo que precisa de nós sermos conscientes quanto nossas ações e motivações. Infelizmente a consciência está sendo gradualmente substituída por interpretações temporárias e morais governando o momento socio-espacial.
Tomás de Aquino discutiu em sua Suma a lei escrita no coração dos homens. Esta é Lei que, acima do tempo, tem sido reinterpretada em uma luz moral e dado apoio à doutrina eclesiástica a respeito do pecado e sexualidade como conheçemos hoje no ocidente moderno. Tomás, por outro lado, foi acusado de ser ingênuo por teólogos posteriores. Bem, sua ingenuidade é a mesma que encontramos na tasawwuf (Sufismo), Advaita Vedanta e diversas fontes de conhecimento místico.
No artigo 3 do segundo livro, Tomás discute a lei como uma forma de medida racional e vê a Lei eterna como algo onde nós temos uma participação única. Imediatamente ele sugere que a capacidade de tentação é uma consequência da natureza da Lei em si mesma, portanto natural.
Estes comentários são similares aos que encontramos no Bhagavad Gita quando o texto discute a lei, isto é, dharma e karma. A Lei é o tema ao que se quer fazer – se o trabalho mudar, muda as regras da conduta. A Lei dá uma interpretação diferente do que é legal e bom. Falando simplesmente, um soldado tem a obrigação de matar – a lei pela qual ele vive enquanto um mercador vive de acordo com outras regras que valorizam outros atos como bons. Tudo é relativo - e falamos de papéis sociais. A nuance fica evidentemente mais rica quando nós medimos a Lei como a medida da natureza de uma substância como a encontramos em uma pessoa. O que Tomás tentou dizer é que existem algumas regras de conduta que são universalmente boas enquanto elas refletirem nossa divindade. Estas são todas qualidades que marcam uma pessoa como tendo um bom caráter, brotando do próprio Amor.
O que faz a diferença entre o animal humano e outros animais é a presença da consciência. Mas isto é algo que é desenvolvido e não automaticamente adquirido. Com o advento da razão vem uma habilidade maior de discernimento. Até que a razão esteja desenvolvida, o homem é uma fera dominada pelos impulsos carnais, como animal humano ele é governado pela lei natural que qualquer outro animal que age por suas inclinações e necessidades. Com a razão, as inclinações tomam forma e tornam-se expressões profundas de nosso dharma tal como este é. Aqueles que exercitam as inclinações naturais do prazer são verdadeiros para si mesmos – enquanto os que condenam com a tocha da reprovação revelam que são vítimas da propaganda da culpa. Através disto, eles se negam a si mesmos.
Esta distinção que Tomás faz entre os impulsos carnais e a extensão da Lei divina quando esta toma forma na razão é interessante. Pode ser interpretado que as inclinações carnais não são algo submetidas à Lei divina – mas pelo envolvimento natural da natureza do indivíduo, quando agimos por nossa natureza, como uma besta, desprovido de razão – podemos dizer que a Lei divina tem precedência de alguma forma exceto em dar uma forma às inclinações carnais mediadas por um coração?
A razão pode nos ajudar em entender nossas inclinaçoes carnais; pode ser um rei sereno que dá sentido às nossas inclinações naturais e através disto abrir as rotas para o eterno. Esta possibilidade está aberta, não por negar as inclinações – mas permitindo-lhes serem mediadas pela razão e uma sensibilidade pela harmonia natural.
Nós podemos resumir que nossas inclinações carnais, em toda suas ricas variações, enquanto trazem bondade – é simplesmente – uma coisa natural que conjurada com a razão pode trazer bondade e abundância. O assunto não deve confundir os planos como muitos críticos da moral fazem quando dizem que toda criação de Deus é uniforme e singular - uma criatura das massas.
Nisto, a sabedoria de Eros pode brotar e revelar a grandeza criativa do Criador!
Autor: Nicholaj Frisvold
Tradução: Tio Beto
Fonte: The Starry Cave [Speculum Celestae]

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Nota dos Brasileiros

Nós, Brasileiros do Brasil, dirigimo-nos a todos os clérigos e católicos para denunciar e contestar contra mais esta intromissão da CNBB na esfera do judiciário e na sociedade brasileira multidiversificada.
O rearranjo da família atual não pode ser negado e deve, inclusive, ser celebrado como uma transformação positiva nos padrões e nas relações afetivas, rumo às vivências mais plurais e democráticas. A sua aceitação é fonte destacada de reflexão social e implica ainda a necessidade de se repensar a elaboração de políticas públicas.
Com as grandes transformações observadas nas últimas décadas no campo da sexualidade, da afetividade e das dinâmicas sociais, a família nuclear, heterossexual, não deve ser mais tida como o modelo único, ou mesmo o padrão referencial, mas apenas como mais uma forma de arranjo familiar. Afinal de contas, o número de mulheres e homens que coordenam sozinhos seus lares junto com os seus filhos é altíssimo. Além disso, cresce a percepção social de que é fundamental reconhecer o direito de casais homossexuais de constituírem uma família e terem filhos.
Neste quesito, as políticas públicas brasileiras são avançadas, pois refletem a família a partir de sua função, levando em consideração a solidariedade entre seus membros, o desencadeamento das relações entre eles e a importância no desenvolvimento que cada indivíduo exerce sobre o outro. Não há e não deve haver qualquer juízo de valor acerca de qual a orientação sexual "ideal" dos cônjuges. Ao contrário, deve existir apenas um reforço no papel da família como instituição central para a proteção social.
No âmbito das dinâmicas cotidianas, as relações caminham a passos lentos e nem sempre percorrem o mesmo caminho das legislações. Em alguns casos, porém, a legislação parece bastante retrógrada, principalmente quando observamos a dificuldade de adoção de filhos por parte de casais homossexuais.
Quando isso ocorre, se transforma em notícia nacional, num acontecimento que "está para além desta sociedade", pois parece ofender os valores de setores conservadores da sociedade, sobretudo os religiosos. É utilizando esse tipo de exemplo que podemos perceber com mais clareza o quanto a sociedade como um todo é preconceituosa, o quanto idealizamos um tipo de família heterossexual, em que o pai exerce o papel de coordenador do lar.
A diversidade sexual, com sua pluralidade afetiva e de experiências, constitui, sobretudo, um positivo elemento de integração dos laços sociais e de vivência civilizada. A orientação sexual do indivíduo não influencia de forma negativa o seu caráter. Pelo contrário, só traz benefícios à sociedade, pois um indivíduo satisfeito no seu relacionamento afetivo-sexual será uma pessoa feliz e tranquila em todos os ambientes sociais, seja de trabalho, escola ou família. A comprovação do bem-estar social causado pela aceitação das diferentes orientações sexuais é a própria verificação do que ocorre quando ela não existe. As pessoas podem se isolar, se destruir, ficar atormentadas.
Não cabe, nem aos bispos, nem aos padres, a capacidade e a competência de determinar o que é ou o que deve ser considerado um núcleo familiar. Em uma sociedade democrática de direitos, essa definição doutrinária da Igreja e da CNBB alijaria de seus direitos legítimos as famílias monoparentais e as famílias adotivas.
Nem a Igreja nem os Católicos têm autorização alguma para utilizar desse terrorismo psicológico para forçar a opinião pública a seu favor.
Não cabe, nem aos bispos, nem aos padres, definirem ou cercearem as diferenças de gênero, de opção e de preferência sexual. Em uma sociedade de direito, não há espaço para a discriminação, nem o preconceito. Famílias poligâmicas, como as que existem entre os muçulmanos, também deve receber o respaldo da lei. A definição da Igreja e da CNBB está não apenas tornando ilegal e criminosa as famílias poligâmicas, muçulmanas ou não, mas está também negando aos muçulmanos o direito deles de praticarem suas crenças religiosas.
O conhecimento acadêmico comprovou, por diversas vezes, que as ditas Sagradas Escrituras foram, ao longo do tempo, manipuladas, forjadas, interpoladas, mal-traduzidas, com o único intento de justificar e embasar as doutrinas da Igreja. Portanto, estas não servem nem podem ser tomadas como parâmetro de verdade absoluta e incontestável. Mesmo porque, em uma sociedade multidiversificada, democrática e de direito, deve ser dado o igual respeito e espaço à todas as religiões que fazem parte de sua comunidade e as Sagradas Escrituras não são a única fonte de religiosidade.
Não é da capacidade e da competência dos bispos ou dos padres emitir pareceres ou comentários em matéria de jurisprudência. Uniões homossexuais fazem parte da nossa sociedade e devem receber o respaldo legal e jurídico e isto é um princípio constitucional.
Uma família não deixa de ser família, se acaso um dos conubentes falecer. Uma família não deixa de ser família, se os filhos são adotados. Portanto, uma família não deixará de ser família, quando os conubentes são do mesmo sexo.
A resistência católica é apenas uma reedição da mesma resistência que aconteceu quando a lei regulamentou o divórcio e foi permitido a fertilização "in vitro". Fizeram o mesmo escândalo, disseram que seria o fim da humanidade. O que a Igreja quer garantir é o seu poder e influência sobre a nossa sociedade. Tudo é uma questão de manter o poder e a dominação da Igreja sobre as pessoas. Manter o poder sobre sua sexualidade, sobre seu relacionamento, sobre sua opção sexual, manter controle sobre seu corpo, seu prazer, manter o controle sobre a sua mente.
Nós, Brasileiros do Brasil, não vamos mais aceitar nem permitir a intromissão dos sacerdotes da Igreja em assuntos de foro íntimo, nem se imiscuirem nas funções de legisladores e juízes. A instituição familiar corresponde ao desígnio da sociedade, da cultura e da época e não aos projetos de opressão, repressão e ditadura doutrinária da Igreja. Nós não autorizamos nem reconhecemos a suposta autoridade da CNBB e da Igreja Católica. Nós estamos fartos dessa prepotência, dessa arrogância e dessa presunção. E conclamamos a todos os brasileiros, cidadãos, que defendam as suas instituições de direito, que sustentem a autoridade dos três poderes da República, a saber, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. O Brasil não é, nem será, uma teocracia. Por um Brasil efetivamente laico e justo, APOSTASIA JÁ!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Enfim, Justiça!

Agradou-me sobremaneira a conclusão do caso jurídico que esvoaçou pelo STF quanto ao reconhecimento da união civil entre homossexuais:
Em sessão histórica, o Supremo Tribunal Federal decidiu ontem, por unanimidade, que têm valor legal as uniões estáveis entre homossexuais. A maioria dos ministros votou com o relator do caso, Carlos Ayres Britto, para quem os homossexuais têm os mesmos direitos que os casais heterossexuais.
Pode haver limites a essa igualdade de direitos, porém. O ministro Ricardo Lewandowski disse ser favorável à união homoafetiva "naquilo que não for típico da relação homem e mulher". Ele não quis entrar em detalhes porque o tema pode voltar a ser discutido no STF. Segundo ele, ficou em aberto "se cabe casamento, se cabe fertilização in vitro, se cabe adoção".
Especialistas entendem que a maioria dos direitos tidos pelos casais heterossexuais foi estendida aos homossexuais, como adotar o sobrenome do parceiro, assumir a guarda do filho do cônjuge, receber herança ou pensão, somar renda para aprovar financiamento e alugar imóveis.
O ministro Celso de Mello afirmou que o Estado deve dar às uniões homoafetivas o mesmo tratamento dado às uniões estáveis heterossexuais. "Toda pessoa tem o direito de constituir família, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero", disse.
O ministro Luiz Fux disse que a homossexualidade é um traço da personalidade, caracteriza a humanidade de determinadas pessoas. "Homossexualidade não é crime. Então, por que o homossexual não pode constituir uma família?", questionou Fux. A ministra Cármen Lúcia destacou que a Constituição Federal não tolera qualquer discriminação.[Destak]
Evidente, seguiu-se o esperado protesto, da Igreja e seus acólitos:
Pouco depois de o Supremo Tribunal Federal retomar, no início da tarde desta quinta-feira (5), o julgamento de ações sobre o reconhecimento da união entre casais do mesmo sexo, alguns bispos em São Paulo se manifestaram contra a proposta. Para os religiosos, que estão reunidos na 49ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no interior do estado, a Igreja defende a família como uma instituição formada por homem e mulher, capaz de gerar filhos.
Dom Anuar Battisti, gaúcho e arcebispo de Maringá (PR), chegou a dizer que chamar de casamento a união entre homossexuais representa uma “agressão frontal” à família. Para ele, se o projeto for aprovado no STF, as pessoas estarão “institucionalizando a destruição da família”. O encontro anual do episcopado ocorre em Aparecida, no Vale do Paraíba. A pauta principal dos religiosos neste ano é eleger a nova direção da CNBB. Eles também discutirão diretrizes da ação evangelizadora.
“O ser humano de fato se realizará na sua profundidade de sua relação na constituição da família a partir de um casal formado por homem e mulher”, afirmou dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte. Questionado sobre o que pensava sobre a adoção de crianças por pais do mesmo sexo, respondeu: “A adoção é um serviço da mais alta nobreza. Só não aceitamos fazer a equiparação com a família. Não é família. É uma comunidade de pessoas”, disse ele, ao se referir aos casais homossexuais que vivem juntos.
Para dom Edney, se a proposta for aprovada no STF, “nada vai mudar” no posicionamento da Igreja Católica. “Ela vai continuar defendendo os direitos da família e a nossa fé. Isso também é liberdade.”
O bispo auxiliar de Belo Horizonte, dom Joaquim Guimarães, afirmou que, se os ministros votarem a favor da união estável entre os casais homossexuais, a Igreja vai precisar reforçar suas posições. “Esse assunto já foi discutido em outros países. No Brasil, devemos dar o exemplo para reforçar nossa ação na criação de convicção nas pessoas. Ainda que a lei permita isso ou aquilo, a minha convicção é essa.”[G1]
E ainda acham que podem enganar o público brasileiro:
Os bispos que estão reunidos na 49ª Assembleia Geral Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), no interior de São Paulo, voltaram a comentar a decisão dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceram a união estável entre casais do mesmo sexo. O bispo diocesano de Camaçari (BA), dom João Carlos Petrini, criticou a posição do Supremo ao dizer que os representantes da Igreja Católica “não vão fazer nenhuma cruzada” contra a proposta, mas continuarão a defender o conceito deles de família.
"Não vamos fazer nenhuma cruzada, mas vamos procurar defender aquilo que até hoje, desde Adão e Eva, foi sempre uma característica típica da vida na nossa sociedade, que é uma instituição chamada família. E, repito, heterossexual e aberta para a procriação”, afirmou dom João, durante a coletiva de imprensa do evento, que acontece até o dia 13 em Aparecida, no Vale do Paraíba.
“Nós somos a favor da vida, somos contra qualquer discriminação. Somos contra as pessoas viverem, assim, umas contra as outras”, disse o arcebispo do Rio. “E lembramos que não basta apenas o direito positivo, achar o que é melhor pelo maior número de votos. Mas, sim, o direito natural que vem da própria natureza humana, que é o 'ser família'”, afirmou dom Orani, que pediu respeito ao posicionamento da Igreja Católica sobre o tema.[G1]
O que se aguarda é que o Legislativo acorde de seu estado letárgico e faça a emenda necessária à Constituição e o Senado se empenhe em criminalizar a homofobia:
Ao mesmo tempo que comemoraram efusivamente o reconhecimento legal da união entre pessoas do mesmo sexo , representantes da comunidade gay avaliaram que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pode ainda acelerar a tramitação, no Congresso, do Projeto de Lei Complementar 122, que criminaliza a homofobia. Para especialistas, os parlamentares precisam entender a sinalização do Judiciário e criar leis para pôr na cadeia quem ofender gays, lésbicas, transexuais e outros integrantes da comunidade.
- A decisão do STF vai ser amplamente comemorada na Marcha Nacional contra a Homofobia, que acontece no Rio daqui a duas semanas. O Congresso precisa aprovar a PLC urgentemente, o que protegeria os gays, assim como a Lei Afonso Arinos protege os negros, a Lei Maria da Penha protege as mulheres e aí por diante - disse o presidente da Parada do Orgulho Gay de São Paulo, Iberaldo Luiz Beltrane, para quem os votos favoráveis dos ministros se transformaram em um "divisor de águas" para a comunidade.
- O julgamento deu dois sinais claros: tirou a pauta da discussão moral e religiosa e também mostrou que o Congresso precisa mudar sua postura em relação a diversos temas da sociedade - disse ele.
O ativista Beto de Jesus, presidente do Instituto Edson Neris, também não poupou críticas à atuação do Congresso na discussão do tema:
- Essa decisão jurídica parece que foi a única saída contra um Legislativo conservador e preconceituoso, que parece querer criar expectativas fundamentalistas religiosas contra um Estado laico.
Para Jesus, o fato de homossexuais não terem os mesmos direitos civis que os heterossexuais "é uma vergonha". Para ele, a ideia de que família deve ser aceita apenas se criada por homens e mulheres é um equívoco:
- Quer dizer que, se o homem casa com uma mulher, perde essa mulher e passa a viver apenas com o filho, então significa que os dois não formam uma família porque são dois homens? - indagou.
Diretor da Faculdade de Direito da FGV, Oscar Vilhena atuou como advogado de um dos grupos que propuseram a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), o Conectas. Ele festejou ontem a decisão do Supremo e afirmou que os ministros garantiram um direito que "é cristalino" na Constituição.
- Todos são iguais perante a lei, e o Código Civil tratava apenas da união entre homem e mulher. Agora, isso será equiparado. Essa decisão é universal, estende-se a todos os que queiram manter uma união homoafetiva.
Vilhena disse que o STF seguiu as decisões que têm se espalhado pelo "mundo democrático, onde essa questão tem sido solucionada em diversos países". Ele negou que a medida do Judiciário se sobreponha a uma iniciativa que deveria partir do Legislativo.
- No caso das células-tronco e do desarmamento, o Judiciário tem defendido o avanço dos legisladores. Mas, nessa questão das relações homoafetivas, os legisladores não haviam avançado porque os homossexuais são um grupo minoritário, e essa não é uma causa simpática. Mas o STF não está inventando nenhum direito. Ele está fazendo valer a Constituição.[ClickPB]
Para esta casa, publico o comentário que eu fiz no blog do Jorge Ferraz [acena]:
[...]nossa lei não é literalista, mas sim interpretativa.
A lei reconhece a união entre homem e mulher, o que não significa que proíbe a união [civil] entre homem e homem ou mulher e mulher.
Aliás a lei descreve que a ninguém será negado seus direitos com base em suas opções, opiniões ou preferências. A resistência católica é apenas uma reedição da mesma resistência que aconteceu quando a lei regulamentou o divórcio e foi permitido a fertilização “in vitro”. Fizeram o mesmo escândalo, disseram que seria o fim da humanidade. Bobagem. O que a Igreja quer garantir é o seu poder e influência sobre a nossa sociedade.
Ganhou o Brasil. Apenas a Igreja quem perde, por continuar a se segurar em seus dogmas e doutrinas absurdas, anacrônicas, obsoletas e ditatoriais.

domingo, 8 de maio de 2011

Sob o manto da espiritualidade

Para um pagão, bruxo e wiccano não há ansiedade, expectativa ou obsessão. Aceitamos o mundo tal qual é e assim mesmo, sagrado e divino. Não tememos ao perceber que estamos na encruzilhada de uma época. O ser humano quer melhorar, mas tem medo de abrir mão de suas convicções e certezas, por mais ilusórias que sejam. Nós gostamos de encruzilhadas.
Diante da iminente mudança, há apenas poucas reações possíveis. Uma, é o de se agarrar ao dogmatismo doentio, obsoleto, ultrapassado, ditado por uma instituição que se arroga uma duvidosa e questionável autoridade espiritual.
Outra, tão perigosa quanto, é o de usar a espiritualidade e a religiosidade como um manto sobre preferências ou agendas pessoais para dar um sentido de sagrado, de segurança, de conforto, de proteção. Seitas e cultos a personalidade são fundados em cima disso, líderes carismáticos podem conduzir seu séquito a ações desesperadas e fatais.
Nem tudo que está revestido ou travestido de espiritualidade, de religiosidade, deve ser aceito, respeitado ou reconhecido como tal. Um grupo de subcultura é um grupo de subcultura. Paganismo, antigo ou moderno, está baseado na cultura, no respeito, nas crenças e nas lendas antigas, ancestrais e típicas de um povo.
Infelizmente, a liberdade de expressão, de opinião e de crença foi e será usada para justificar certas "espiritualidades" que são nada mais do que arapucas que oferecem a falsa promessa da transcendência. Infelizmente, criticar e denunciar estas fraudes serão contestadas usando a estratégia da vítima.
Relembro um trecho de um texto de minha autoria:
"O que leva alguém a procurar uma forma de espiritualidade talvez seja o ponto central do assunto. [...] Eu posso indicar minhas suspeitas que fazem uma pessoa repentinamente procurar por uma forma de espiritualidade.
Um dos motivos certamente é a moda, principalmente pela pressão do meio social em que esta pessoa vive. Para estes não faltam vigaristas, lojas e bugigangas, para os mais diversos fins. Estes certamente querem e gostam que seu caminho espiritual seja reconhecido e aceito como válido por outros, farão uma verdadeira apologia do grupo ou instituição que pertencem e transformarão as análises críticas contra esses mercenários como uma ofensa pessoal ou como uma infração ao legítimo direito universal de opção religiosa dado a todos.[...]
Outro motivo é a propaganda, pela qual uma pessoa é convencida de que as reivindicações daquele grupo, instituição ou caminho espiritual são válidos, quando estes não pressionam seus membros a considerar aquele caminho como sendo o único válido, o que ocasiona tantos conflitos e discussões. Neste caso também é igualmente importante o reconhecimento e aceitação, quando não de impingir a conversão. Para estes é fundamental considerar seus textos mais verdadeiros que a dita verdade que ali contém, bem como de santificar seus fundadores, profetas e iluminados".[Caminhos, espiritualidade, validade]
Assim, nenhuma novidade, diante das justificativas, explicações ou críticas aos meus comentários no Facebook quando eu discordei em considerar a subcultura [termo acertadamente colocado] do Vampyrismo como parte da comunidade pagã. A necessidade de ser aceito, de ser reconhecido, de fazer parte de uma comunidade são mais importantes do que a suposta espiritualidade e religiosidade que alegam ter. Apenas a velha mania de distorcer a história e a mitologia de forma desonesta.

Da mesma forma como se apropriam e alejam a cultura e a crença de um povo [inconcebível a um pagão], querem se apropriar e alejar de nosso movimento legítimo em busca de nossas origens, de nossas raízes. Estão usando elementos e símbolos do paganismo moderno como um manto de espiritualidade e religiosidade. Estão querendo se infiltrar na nossa comunidade para conseguirem o respeito e o reconhecimento que necessitam para satisfazerem seus egos. Ou para angariar prosélitos.
Eu encontrei um artigo igualmente bom e esclarecedor:
"Conquistar seu estado sagrado tornou-se simples: entregue a sua vida, seu discernimento, sua consciência e o que estiver em seus bolsos para a igreja e Deus sorrirá pra você!
Um versátil modelo de safar as pessoas de serem mais responsáveis por elas mesmas, de perceberem por si mesmas que suas escolhas, conscientes e inconscientes, precisam melhorar. Obedecer não é a mesma coisa que discernir por si mesmo.
A religiosidade virou sinônimo de instituição depositária de esperanças estéreis e incompreensões emocionais. Aliena-se a autoconfiança das pessoas. Emprega-se o sentido medíocre de um Deus que diz: isso é o certo e aquilo é o errado. E separam as pessoas em diferenças religiosas frente a um mesmo Deus.
Não se percebe o detalhe sutil da dominação aplicada. É uma exploração do medo que existe nas pessoas ou de seus prováveis desesperos circunstanciais.
Minha experiência diz: desconfie de qualquer promessa de liberdade quando também lhe trazem outro tipo de prisão. Liberdade espiritual existe no livre discernimento, no autoconhecimento, ou seja, na consciência perceptiva, amadurecida, esclarecida, autoconfiante.
É a consciência que precisa aprender a valorizar e a evoluir o melhor que há nela mesma. As religiões forçam para o lado oposto, viciam e atrofiam a capacidade de pensar, o potencial de compreensão e sensibilidade que existe em seus frequentadores.
Espiritualidade é algo mais sério e que envolve autonomia de direção interior. Liberdade autêntica de ser quem se é com a consciência em paz consigo mesma e com a humanidade. A autêntica espiritualidade não se limita a conhecer Deus através de religiões que mais dividem do que aproximam as pessoas. Espiritualidade é uma atitude sincera de conseguir perceber que o divino está em tudo e em todos".[Alexandre Arreios, no Artigonal]
Aliás, nada melhor do que deixar um texto de um divulgador do Vampyrismo, Lord A:
"Sim, podemos debater, podemos criticar, podemos nos expressar sobre aquilo que nos importamos, desde que o façamos com propriedade e boa argumentação. [...] Enquanto apenas 'transcendemos' a tudo e todos, apenas varremos para debaixo do tapete, e deixamos para depois nos decidirmos com o que importa.
Você não vai fugir da vida cotidiana, não vai conseguir fugir da necessidade de trabalhar e nem mesmo dos mais diversos problemas sociais pessoais e de terceiros. Você não vai deixar de ser alvo de fofocas pois encontrará pessoas das mais variadas índoles e caráter na sua jornada. Não existe transcendência que irá lhe afastar de tudo isso.
Tudo aquilo de que você foge ou deixa para depois - continua lá. Mais dia menos dia você irá ter que lidar com aquilo. Isso incomoda, angustia e perturba qualquer um ou sujeita durante seus projetos e relações ao longo da vida. Muitos ao se envolverem com a Subcultura Vampyrica, tanto em aspectos láicos/fashionistas quanto com aspectos politéistas/panteístas vêm procurando uma fuga ou uma forma de se mascarar tudo isso.
Ao longo do período de 1995 á 2008 assistimos muitos grupos e pessoas apelando em oferecer uma máscara transcendental constante a qual permitisse fugir da mão-de-obra de lidar consigo, de pesquisar, de pensar a respeito e assim limitar e ser chefe de alguma coisa.
Este implemento e aumento do escapismo transcendental, apenas empobreceu a vida cultural da Subcultura Vampyrica e acabou muitas vezes igualando padrões e atitudes alternativas da cena, a padrões, atitudes e comportamentos não alternativos que tanto criticamos na cultura solar ou dominante.
O excesso de transcendentalismo de apenas 'poder da mente' ou de fontes mais relacionadas a 'sugestionamento', 'submissão a mortos' aleatórias e 'personas magickas' - apenas estão exibindo uma imprecisão histórica, uma perda de identidade, falta de tolerância, apatia, preguiça de educação acadêmica comprovável, vínculos sociais e afetivos fragilizados, e só reafirmando síndromes de Peter Pan variadas e servindo de combustível para uma vindoura nova onda de exposição midiática descaracterizante e acusações bastante complicadas aos integrantes da Subcultura como um todo".[Armadilha transcendental]
"A vertente neopagã deu seus primeiros passos nas proximidade de Washington nos EUA, entre 1972 e 1975 através de encontros e celebrações de solstícios e equinócios.
Em nenhum momento podemos considerar a Subcultura Vampyrica/ cena vamp, seus integrantes e procedimentos fashionistas ou místicos como sequenciamento initerrupto ou reconstrução dos antigos cultos de fertilidade da Terra do século X.Nem mesmo o termo Strigoi, é utilizado como forma de reviver algum culto de fertilidade da terra, cujos os fundamentos e práticas foram inevitavelmente perdidos nos meios do século XII".[A sede ou a fome]
No que me consta, eu não reconhecerei como parte da comunidade pagã. Aos demais, que cada um faça sua escolha.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A aclamação popular

Recentemente tivemos três eventos que receberam a atenção do mundo inteiro, a saber, o casamento do príncipe William, a beatificação de Karol Vojtila [Papa João Paulo II] e a morte de Osama Bin Laden.
Autoridades públicas, seculares e clericais, buscam a aclamação popular a todo custo. O prestígio e a influência deles são medidos pela quantidade de atenção recebida da opinião pública.
Para países que tem regime republicano, ver a mobilização e o dinheiro gasto para o casamento principesco soa como um escândalo, um desperdício, mas a corrupção e o tráfico de influência nestes países não são escândalos e desperdícios menores.
Para quem não é Católico e quem não é Cristão, a beatificação de um homem é igualmente incompreensível, mas as inúmeras seitas e cultos a personalidade que existem nesse meio não são menos incompreensíveis.
Para quem defende os direitos humanos - e não há exceções - e a soberania dos povos, é inaceitável a ação dos EUA que culminou com a morte de Osama Bin Laden, mas estes seriam os primeiros a defender uma reforma no código penal depois de serem ou terem alguém da família vítima da sanha dos criminosos.
Para todos os envolvidos, a festa foi mais do que justificada. O evento, a cerimônia, a ação, especialmente a violenta, a que atua por vingança, uma execução institucional feita em nome da justiça, serve como um consolo, uma catarse, onde o bode expiatório acaba pagando por nossos erros.
O casamento será bom para quem casou e isto eu atesto. Pena que pouco ou nada se falou, ao se transformar o casamento principesco em espetáculo midiático, no amor e nas relações. Nós demos um passo importante, quando o STF reconheceu a união civil homossexual. Haverá resistências e polêmicas, como foi anteriormente quando se legalizou o divórcio e a fertilização artificial. Sempre de grupos Cristãos e isso é um fato, não um preconceito e discriminação da minha parte.
A execução de um ser humano, por vingança, em nome da justiça, nunca será uma solução. Pouco depois da morte de Osama Bin Laden, diversos muçulmanos o aclamaram como um mártir. Ou seja, morre um home, nasce um messias com milhares de seguidores sequiosos para seguirem seus passos, seu exemplo, sua missão. O que se espera, do Estado, é que este aja com celeridade e rigor, contra a ação criminosa, contra o criminoso, dentro da lei.
Quanto a aclamar um homem de beato, felizmente isso é problema dos Católicos, mas eu devo lembrá-los que a população também clamou pela crucificação de vosso Cristo.
Que os Deuses me livrem da aclamação popular.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Eslováquia mantêm tradições pagãs

Vinte anos após o fim do comunismo, a Páscoa na Eslováquia é celebrada entre as tradições do cristianismo, incluindo tradicionais receitas culinárias, e os costumes pagãos alusivos à fertilidade. Alimentos como ovos cozidos, presunto cozido com sal, bolo com requeijão, pãezinhos com aipo, pasta de batata com queijo de ovelha, purê de arroz com manteiga e sorgo fazem parte do receituário tradicional das celebrações da Páscoa eslovaca.
Alguns são consumidos durante os dias de abstinência, já que com exceção da Quinta-Feira Santa, muitos católicos do país centro-europeu cumprem esse preceito religioso e não comem carne até o Domingo da Ressurreição.
Também se destacam as decorações das casas, que dão entrada a elementos da natureza - galhos e brotos de videira verdes e ovos ornamentais pintados à mão - quando esta recupera vigor com a chegada da primavera, que também fala da vida e é considerada símbolo da ressurreição. "Espero ansiosamente pelo presunto com sal, feito em casa da forma tradicional", disse Cyril Hamrak, capelão da Igreja de Santa Catarina de Alexandria, em Dolny Kubin, no norte do país.
O clérigo lembrou que é forte o costume de apresentar estes alimentos caseiros para serem benzidos no final da vigília de Páscoa ou durante a missa do Domingo da Ressurreição.
Entre os costumes pagãs mais difundidos, e que são festejados principalmente durante a segunda-feira de Páscoa, destaca-se o de jogar água fria - em pequena quantidade - sobre mulheres jovens. "Esse costume é para desejar que sejam bonitas e sadias. Os antigos eslavos o faziam para adorar divindades da floresta", afirmou o pastor evangélico Rastislav Stancek.
Além da água, em alguns lugares as moças recebiam leves golpes com varas de salgueiro como forma de desejar sorte, e em troca deveriam entregar um presente, como um pedaço de bolo. "Depois que os homens derramavam água sobre as meninas solteiras, elas os presenteavam com um ovo cozido, que é um símbolo pagão da fertilidade", explicou Stancek.
Também era costume enterrar nos campos as cascas dos ovos de Páscoa, para que fossem mais férteis. "Isso estava ligado à tradição que existia nas zonas agrícolas, onde antes de arar se rezava", lembrou também o pastor.