sábado, 30 de abril de 2011

Reabilitando Nero

A exposição se espalha pela principal área arqueológica de Roma, entre o Coliseu e o Fórum Romano, onde o imperador, famoso também por perseguir os primeiros cristãos, viveu e reinou.
Lucio Domizio Enobarbo tornou-se imperador com o nome de Nero Claudius Caesar aos 17 anos de idade em de 54 dC.
Personagem complexo e contraditório, Nero teria reinado de forma exemplar no começo, para depois se transformar num dos personagens mais cruéis, narcisistas e megalomaníacos da História.
“Se Nero tivesse morrido nos primeiros anos de reino, não seria recordado como o “veneno do mundo”, apelido que lhe foi dado pelo historiador Plínio, o Velho” disse o historiador Andrea Giardina ao apresentar a mostra, que vai até dia 18 de setembro.
A imagem negativa que atravessou a História, se deve, segundo dados apresentados na mostra, a medidas que Nero teria tomado e que teriam descontentado as elites romanas da época.
Odiado pela aristocracia, Nero, no entanto, era amado pela plebe. E para encontrar seu povo, precisava de grandes espaços, conforme explicou o arqueólogo Carandini.
Segundo o Ministério da Cultura, responsável pela mostra, o imperador, que segundo a lenda tocava cítara enquanto Roma queimava, contribuiu de forma decisiva para redesenhar o plano urbanístico da capital.
A exposição termina no Coliseu, com uma parte dedicada ao grande incêndio, um dos eventos mais trágicos da história de Roma.
Segundo testemunhos da época, foi Nero quem mandou incendiar Roma na noite de 18 de julho de 64 Dc, para construir seu palácio mais suntuoso, a Domus Áurea. O fogo durou nove dias.
“Nero desejava a glória de fundar uma nova cidade à qual daria seu nome”, escreveu Tacito, historiador da época.
Segundo Andrea Carandini, para concretizar seu projeto urbanístico, Nero previa grandes expropriações, que seriam mais fáceis de serem realizadas após um incêndio.
Oficialmente, a culpa caiu sobre os cristãos. As confissões foram arrancadas sob terríveis torturas. Nero ordenou prisões em massa, condenações à morte e crucificações.
A historiadora Silvia Ronchey, contudo, defende Nero.
“Os primeiros editais contra os cristãos são da época de Domiziano e Traiano”. E o grande inimigo deles foi, na realidade, o imperador filosofo Marco Aurélio’’, escreveu num recente artigo sobre a mostra.
A imagem que nos foi passada não faz justiça ao imperador que tinha um refinado carisma e gosto estético, segundo a historiadora.
Segundo ela, Nero conquistou uma imagem de divo graças à vocação teatral, uma calculada atenção ao aplauso do povo.
Fonte: BBC

Ordem dos Druidas chega em Portugal

Sintra foi o local escolhido para acolher a primeira cerimónia do calendário celta, já no primeiro dia de Maio. É dessa forma que se dá a chegada da Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas a Portugal.
Aquele que é um dos mais importantes grupos a nível mundial, dedicado à prática, ao ensino e ao desenvolvimento desta espiritualidade com raízes celtas vai chegar a Portugal.
A primeira cerimónia da Ordem em terras lusas será este domingo, data da festividade celta de Beltane (que significa 'Fogo de Bel', uma divindade solar céltica), que está ligada ao redespertar das energias da Terra.
Em língua portuguesa está já disponível um curso completo de druidismo, cobrindo os graus de Bardo, Ovate e Druida.
O revivalismo druídico remonta ao século XVIII, mas formalmente a OBOD foi fundada em 1964 por Ross Nichols, poeta e académico de Cambridge.
Actualmente deverá haver cerca de 12 mil seguidores em cerca de 50 países.
Um dos momentos mais relevantes desse movimento deu-se há um ano, quando Inglaterra reconheceu oficialmente o druidismo como religião.
Fonte: Sol

Festival céltico em Belazaima

A festa céltica da fertilidade - Beltane - fazia-se por toda esta região até há cerca de 1500 anos atrás, com fogo, flores, música, danças, muita comida e bebida. Como sortilégio da fertilidade nas terras e na mulher, o BELTANE era dirigido ao deus Belenos, no que respeita às forças vitais da natureza, mas essencialmente era feito com o apelo à energia humana e ao mais intenso dos convívios entre vizinhos. É esta celebração que a Associação Etnográfica Os Serranos vai recuperar em Belazaima do Chão, nos dias 30 de Abril e 1 de Maio, enchendo o Parque e Auditório do Moinho de Vento com muitas centenas de amantes da música e da cultura celta. Desde Ferrol, na ponta da Galiza, até ao centro de Portugal.
Com dois períodos de espectáculo de palco (Sábado, 30, das 22 às 24 h e Domingo, 1 de Maio, das 15 às 17 horas), a primeira edição desta celebração recuperada na bruma do tempo, conta com seis grupos de música céltica, sendo 3 da Galiza e outros tantos de Portugal. De As Pontes – Ferrol, virá a banda MUXAREGA e logo abaixo da Corunha, o grupo de pandereteiras e mestres de dança MESTURAXES. De Xinzio de Limia (Ourense) chegam os enérgicos Jalos d’Antioquia, que há vários anos convivem com a Associação Etnográfica Os Serranos na Romaria Etnográfica Raigame, em Vila Nova dos Infantes (Celanova). A armada portuguesa de gaitas é encabeçada pelo excelente grupo SONS DA SUÉVIA (Braga) e inclui RONCOS E CURISCOS (Coimbra), para além da revelação ANTÓNIO – Gaiteiro de Portugal, semi-finalista no concurso Portugal Tem Talento.
Todavia, para além dos espectáculos de palco, é garantido um roncar permanente de gaitas debaixo do arvoredo do parque do Moinho de Vento, misturado com todo o género de acompanhamentos e puxando pelo cancioneiro popular galaico-português. Tudo sentido, tudo emocionado, gastando energia que passa para a criação da natureza e entusiasma a paixão. Para recompor, a Associação Etnográfica Os Serranos garante comida e bebida, no melhor espírito da cultura celta.
Os celtas foram um povo de origem inicial nórdica, com identidade excepcionalmente forte, resultante do seu agrupamento em comunidades e apoiada em técnicas próprias de exploração agrária e pastoril, mas sobretudo no domínio da metalurgia do ferro. Ocuparam o centro do continente europeu, mas acabaram por se fixar nas frentes atlânticas do oeste europeu, nomeadamente da península ibérica, durante todo o 1º milénio aC, sendo os principais agentes da passagem da idade do bronze para a idade do ferro nestas regiões ocupadas.
As comunidades celtas eram aguerridas, trabalhadoras e, em simultâneo, divertidas e festivas, com uma religiosidade nativa e mística, orientada para a sustentação da natureza. Trouxeram os cereais para a península ibérica e multiplicaram a pastorícia, fixando-se nos povoamentos que hoje exemplificam a cultura castreja e os monumentos megalíticos ligados à mística e a necrópoles, no nordeste da península ibérica. Foram os celtas os primeiros a usar calças na indumentária masculina, inventaram a cerveja e fixaram uma calendarização de festas e rituais, em ciclo anual e fizeram da música uma expressão necessária.
Os lusitanos eram clãs ou tribos celtas, com a coesão e a força proporcionada pela sua identidade e pela cultura. As suas tradições lançadas e vividas entre nós há mais de 2500 anos, foram objecto de sucessivos ataques e aculturações, em particular pela romanização e, posteriormente de modo mais intenso e continuado, pela cristianização durante cerca de 1500 anos. Todavia, muitas das suas tradições e expressões culturais perduraram e permanecem identificáveis nos dias de hoje, com algumas evidências na nossa região: levantar totens e queimá-los (festa do pau), danças em volta de mastros com fitas que entrançam, celebração das maias, uso do fogo como sortilégio, gaita-de-foles, celebrações ligadas às forças da natureza, ainda que muitas destas tenham sido cristianizadas e reorientadas, tal como acontece com a festividade da Santa Cruz, no início de Maio, que é uma adaptação do Beltane céltico, deslocando a centralidade na mulher celta para o símbolo maior do cristianismo.
Os celtas apenas consideravam duas estações no ano (Inverno e Verão) e associavam-lhes respectivamente o espírito da noite e do dia, bem como o das forças da morte e da vida. Na entrada do Inverno (finais de Outubro) celebravam o Samhaim, convocando a presença dos familiares e vizinhos mortos e celebrando a sua presença espiritual, através de um ritual que viria a ser adaptado pelo cristianismo através do Dia dos Fieis Defuntos e pelo mercantilismo americano como dia das bruxas ou haloween. Na passagem para o Verão celebravam o Beltane, a festa da fertilidade e da sagração das forças enérgicas que a produzem: virilidade, fogo, alegria e floração.
Beltane em Belazaima
É esta celebração que a Associação Etnográfica Os Serranos vai recuperar em Belazaima do Chão, nos dias 30 de Abril e 1 de Maio, recriando a festividade céltica do Beltane. O Parque e Auditório do Moinho de Vento irão acolher muitas centenas de amantes destas tradições e em particular da música de inspiração céltica. Haverá festival deste tipo de música, com grupos galegos e portugueses, no Sábado entre as 22 e a meia noite e, no Domingo, entre as 15 e as 17 horas. Pelo meio, Os Serranos organizam ateliers de construção de coroas de Maio, de dança galaico-portuguesa com inspiração céltica e juntar-se-ão dezenas e dezenas de tocadores de gaitas de foles, com presenças já confirmadas desde Ferrol a Lisboa.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Deus de Jajouka

Jajouca, Jajouka, Joujouka ou Zahjouka é uma vila que fica ao sul de Tanger, no Marrocos. Nesta vila, um grupo musical chamados de "Mestres da Música", músicos sufis, que induzem o transe pela música, celebram a Boujeloudia com suas músicas. Eles chegaram a influenciar a geração Beat e Brian Jones.
O que ou quem eles celebram com essa música que é o mais interessante. Ele é chamado de "Pai do Medo", Bou Jeloud, um Deus Bode.
"A vila é o lar dos Músicos Mestres de Jajouca como também o santuário do Santo Sidi Ahmed Sheikh, que veio do leste por volta de 800 DC para divulgar o Islão no norte do Marrocos. Como fundadores da vila, a família Attar mantêm uma das mais velhas e únicas tradições musicais conhecidas no planeta. A música e os segredos de Jajouka têm sido passados por gerações, de pai para filho, por cerca de 1300 anos.
Antes da chegada de Sidi Ahmed Sheikh, as lendas dizem que a música tem suas origens de uma caverna nos montes de Jajouka. Quando o primeiro Attar chegou na região, ele dormiu na caverna de Boujeloud onde o "pai das peles" apareceu a ele em um sonho tocando a mais bela música que ele havia ouvido. Boujeloud, por quem a Boujeloudia é tocada, retornou para ensinar aos vilegos uma forma especial de música que eles podiam passar através das gerações".[Músicos Mestres de Jajouca - em inglês]
Boujeloudia:
"Esta música é, em essência, parte de um ritual de fertilidade, uma variante que tem existido por milênios mas que está melhor preservada em Jajouka. Tradições similares são encontradas através do Mediterrâneo aonde personagens mascarados e frenéticos, em certas épocas do ano, espalham medo e pânico entre os vilegos. Algumas teorias apontam às similaridades destas tradições e os festivais romanos da Lupercalia.
Em Jajouka os rituais são centrados em um personagem chamado Boujeloud e uma mulher por quem ele está apaixonado, Aisha Qandisha. Boujeloud, raivoso, tenta acertar os músicos e o público, mas é controlado pela poderosa força da música, a Boujeloudia. Boujeloud segura galhos em suas mãos e em seu frenesi ele pode atacar qualquer um. Mulheres que são atingidas por ele estão seguras de estarem férteis no futuro. Aisha Qandisha dança e o provoca.
Na lua cheia depois de Aïd el–Kebir [festival muçulmano que marca o fim do Hajj ou peregrinação a Meca], os músicos realizam um festival onde esta música fabulosa é tocada. Ela é caracterizada por um certo ritmo e melodia e pode ser executada com muitos instrumentos como ghaita [corneta] e tebel [tambor de pele de cabra], lira [flauta] e mesmo gimbri [viola forrada com pele de cabra] e bendir [tamborete]. Ela pode ser executada também em outro momento, em casamentos e festas. Todo mundo pode dançá-la, mas deve ficar atento ao homem com um chapeu de palha e uma pele de bode. Boujeloud pode vir correndo de repente e o dançarino terá tempo apenas para ver os olhos faiscantes antes de ter que correr".[Músicos Mestres de Jajouca - em inglês]

Festival Internacional da Máscara Ibérica

O Festival Internacional da Máscara Ibérica, que começou esta quinta-feira, pretende levar às principais praças de Lisboa a diversidade das culturas regionais europeias. O evento prolonga-se até ao próximo domingo.
O primeiro momento do certame, a Mostra das Regiões, pode ser visitado, durante os quatro dias, na Praça do Rossio. Diariamente, o evento irá ainda proporcionar concertos, animação de rua, exposições e provas de produtos regionais.
O ponto alto do festival é o desfile de máscaras, marcado para sábado, às 16.30 horas, entre a Praça do Comércio e o Rossio. Por Portugal desfilam os grupos Máscaros de Vila Boa (de Vinhais); Caretos da Lagoa (Mira); Caretos de Varge (Bragança); O Chocalheiro da Bemposta, Os Velhos de Bruçó e O Farandulo de Tó (todos de Mogadouro).
Desfilarão ainda 15 grupos de Espanha, um da Irlanda e um de Itália.
Em entrevista recente à Lusa, na apresentação do programa, Hélder Ferreira sublinhou que a última edição teve "20 vezes mais retorno do que custos", mas o evento continua a ser mais financiado por Espanha do que por Portugal.
Na presente edição, o evento será visitado por observadores da UNESCO (agência das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura), que vão avaliar a possibilidade de candidatar a máscara ibérica a Património da Humanidade.
Citado pelo Caturo, no Gladius.
Fonte: Jornal de Notícias

terça-feira, 26 de abril de 2011

Páscoa sangrenta

Sydney (Austrália), 25 abr (EFE).- Uma caçada anual em uma comunidade rural da Nova Zelândia abateu, em sua 20ª edição, 22.904 "coelhos da Páscoa" apesar das críticas dos defensores dos animais, informou nesta segunda-feira a imprensa local.
A "Grande Caçada do Coelho de Páscoa" é um evento organizado a cada ano para ajudar os granjeiros da região de Otago, sul da Nova Zelândia, a combater a praga de roedores que arrasa com suas pastagens.
A denominada Brigada Beis Manada de Lobos, que matou 1.664 coelhos, venceu outras 46 equipes que participaram desta disputa realizada entre sexta-feira e sábado passado, publicou o jornal "Otago Daily Times".
O capitão da Brigada, Jason Gerken, disse que os 12 membros de sua equipe trabalharam durante "24 horas seguidas" em uma espécie de operação militar para poder ganhar esta competição dotada de 3.500 dólares neozelandeses (1.926 euros).
A caçada recebeu as críticas do porta-voz do grupo protecionista Safe, Hans Kriek, segundo o qual, o evento incita a crueldade já que muitos dos caçadores não têm experiência e participam deste tipo de massacres em um "ambiente festivo".
Os coelhos foram introduzidos na Nova Zelândia a partir de 1830 como alimento e para fins esportivos, mas com o transcurso dos anos se transformaram em uma praga.
Os fazendeiros gastam cerca de US$ 50 mil anuais no controle de pragas, um investimento que inclui a compra de armas e munição, assim como veneno e armadilhas.
Fonte: G1
Nota: Os coelhos se tornaram uma praga porque os colonizadores trouxeram o animal para a Nova Zelândia. Foi o ser humano, como sempre, que causou o desequilíbrio no ambiente.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

O 3° país que mais se crê em Deus

Parece ser uma boa notícia, mas não é:
O Brasil foi o terceiro país em que mais se acredita em "Deus ou em um ser supremo" em uma pesquisa conduzida em 23 países.
A pesquisa, feita pelo empresa de pesquisa de mercado Ipsos para a agência de notícias Reuters, ouviu 18.829 adultos e concluiu que 51% dos entrevistados "definitivamente acreditam em uma 'entidade divina' comparados com os 18% que não acreditam e 17% que não tem certeza".
Quem diria que nós somos medalha de bronze em alguma coisa, em nível mundial. Nem cabe a pergunta capciosa em qual Deus se crê - e disto não falo de nós, Pagãos, politeístas - afinal, o conceito e a interpretação de quem ou o que Deus é tem enormes variáveis dentro do Cristianismo. mas não é uma boa notícia:
O país onde mais se acredita na existência de Deus ou de um ser supremo é a Indonésia, com 93% dos entrevistados. A Turquia vem em segundo, com 91% dos entrevistados e o Brasil é o terceiro, com 84% dos pesquisados.[BBC]
Sermos comparados com a Indonésia não é uma boa comparação. Sermos comparados com a Turquia fica um pouco melhor, mas não podemos nos esquecer que a Turquia é um país de maioria muçulmana. Tanto lá, como cá, existem leis que garantem a liberdade religiosa, mas na prática, nós sabemos que isso não funciona.

Quem sabe, algum dia, o Brasil seja o 3° país em justiça, igualdade e tolerância social.

domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa amarga

A polícia chinesa deteve pelo menos 20 pessoas em uma operação contra grupos cristãos neste domingo de Páscoa. Os agentes impediram membros de uma igreja protestante de realizar um serviço religioso em público na capital do país, Pequim.
O grupo faz parte da Shouwang, uma das maiores 'igrejas subterrâneas' de Pequim. As 'igrejas subterrâneas' se recusam a deixar o Partido Comunista controlar a sua crença, e, como consequência, são consideradas ilegais.
A operação começou às 8h de domingo pelo horário local (21h de sábado em Brasília). Segundo o correspondente da BBC em Pequim Damian Grammaticas, o distrito de Zhongguancun foi tomado por policiais uniformizados e à paisana, além de viaturas.
Grammaticas diz ter visto cerca de 20 pessoas sendo colocadas dentro de ônibus e levadas a uma delegacia.
Segundo o repórter da BBC, nas últimas semanas, o governo expulsou a Shouwang do prédio que costumava ocupar e impediu a igreja de se mudar para sua nova sede, construída com dinheiro dos fiéis. Os líderes da Shouwang estão em prisão domiciliar.
O governo chinês alega que o seu povo possui liberdade de religião, garantida pela Constituição. No entanto, a lei só permite o credo em igrejas registradas oficialmente. As igrejas oficiais do país têm cerca de 20 milhões de fiéis.
Estima-se que 50 milhões de cristãos chineses façam parte das 'igrejas subterrâneas'. De acordo com Grammaticas, ativistas cristãos chineses dizem estar sendo alvo de perseguição em todo o território do país.
Operação contra dissidentes
As detenções desta Páscoa ocorrem em meio a uma das maiores operações do governo chinês contra dissidência interna desde o massacre da Praça Tiananmen (Paz Celestial), em 1989.

Nos últimos meses, dezenas de ativistas pró-direitos humanos, advogados, blogueiros e artistas foram detidos. Alguns receberam longas sentenças de prisão, enquanto outros foram pegos pela polícia e desapareceram, segundo o repórter da BBC.
Um dos detidos foi o artista Ai Wei Wei, reconhecido internacionalmente e famoso por suas críticas ao regime.
Analistas acreditam que o Partido Comunista chinês, preocupado com as revoluções pró-democracia em países árabes, está se antecipando e esmagando possíveis ameaças ao regime antes que elas possam sair do controle.
Fonte: G1

Deus vivo morre

O guru indiano Sathya Sai Baba, um dos mais famosos e influentes líderes religiosos do país, morreu neste domingo aos 84 anos, devido a uma parada cardiorrespiratória.
Considerado por seus fiéis a verdadeira encarnação de Deus, Baba havia sido internado no final de março em um hospital de Puttaparthi, no sul da Índia, com complicações respiratórias e renais.
Os ensinamentos de Baba, que traziam um misto de crenças hindus e islâmicas, arrebanharam milhões de seguidores em todo o mundo, incluindo importantes líderes políticos, magnatas, artistas e esportistas.
O guru era conhecido por sua fala macia, por seus robes de um forte tom amarelo-alaranjado e por seu corte de cabelo em um estilo semelhante ao 'afro'.
Baba também tinha a habilidade de fazer surgir do nada objetos como relógios e anéis, algo que muitos céticos consideravam simplesmente truques baratos.
Reencarnação
Baba nasceu em Puttaparthi em 1926, com o nome de Sathyanarayana Raju. Aos 13 anos, ele disse ser a reencarnação de um líder religioso do século 19, venerado tanto por hindus quanto por muçulmanos, com o mesmo nome que viria a adotar mais tarde.
Ao longo dos anos, os fiéis doaram grandes quantidades de dinheiro à entidade mantida pelo guru. Com isto, a sua cidade natal ganhou uma universidade, um hospital, hotéis e um aeroporto privado, além de um serviço de alimentação para a população mais pobre.
Ao mesmo tempo em que ganhava fama por seu trabalho espiritual e de caridade, Baba também se envolveu em polêmica. Ele sempre recusou pedidos de cientistas, racionalistas e mágicos para testar os seus 'milagres' em ambientes controlados.
Além disto, em um documentário produzido pela BBC em 2004, ex-seguidores acusaram o guru de pedofilia e de abuso sexual. Ele nunca foi investigado ou condenado devido a estas alegações.
'Perda irreparável'
O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, disse que a morte de Baba era uma 'perda irreparável'.
'Ele era um líder espiritual que inspirou milhões de pessoas a levar uma vida moral e significativa, mesmo quando elas seguiam a religião de sua própria escolha', afirmou o premiê.
O hospital onde Baba morreu afirmou que o corpo do guru poderá ser visto pelo público entre segunda e terça-feira, antes do funeral, e pediu que os seguidores não corram até o local, para evitar tumultos.
Fonte: G1

sábado, 23 de abril de 2011

Descoberto plano de golpe de Estado

Em sinal do ambiente conspiratório em que vivia o serviço de inteligência militar durante a ditadura (1964-85), a Aeronáutica alertou as Forças Armadas, em 1980, sobre um suposto plano da Igreja Católica de São Paulo para "a derrubada do governo", se necessário "com um confronto armado", para criar um Estado religioso independente do Vaticano.
O suposto plano, encarado como "uma crise de grandes proporções", recorreria a várias táticas, dentre as quais "facilitar ao máximo a penetração do pessoal gay nas funções governamentais", para conseguir "informação dentro dessas áreas, corrupção e adesão".
Outras manobras seriam "o relaxamento do ensino público" e o "desvio das atenções das autoridades civis e militares", por meio de "festividades, inaugurações, assembleias públicas".
Para os militares, parte do plano consistiria em "denunciar as deficiências sociais atuais", de modo a aumentar "a insatisfação" das pessoas.
A igreja, diz o relatório, iria recrutar nordestinos e 12.000 coreanos, que estavam sendo na "recolhidos" na região central de São Paulo por kombis e levados para lugar desconhecido.
Depois de quatro dias, aqueles que não conseguissem um emprego seriam levados para outras igrejas ou para um local conhecido como "Cidade dos Velhinhos", na região de Itaquera (zona leste de São Paulo), onde receberiam "treinamento" por quatro meses.
Outro objetivo do plano seria "fomentar, através das artes, a confusão entre arte e imoralidade, incentivando nos jovens o maior uso do sexo livre e todo o tipo de coisas que atendem [atentem] aos bons costumes".
FIM DO SIGILO
O relatório confidencial, de dez páginas, foi produzido em outubro de 1980, no governo de João Figueiredo, pelo quartel-general do 4º Comar (Comando Aéreo Regional) da Aeronáutica, em São Paulo, e distribuído para o Exército e o SNI (Serviço Nacional de Informações).
O documento foi liberado à consulta nesta semana à Folha pelo Arquivo Nacional, vinculado ao Ministério da Justiça, em meio a 50 mil documentos sigilosos entregues pela Aeronáutica em 2010 a pedido do Ministério Público Militar. 
O trecho que cita o suposto líder do plano foi tarjado, na cópia entregue à Folha, mas é possível concluir, pelo contexto, ser o então cardeal-acerbispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, um opositor do regime, que denunciou torturas e desaparecimento de presos políticos.
Fonte: Fenapef

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Se conselho fosse bom...

Anteriormente eu escrevi um conto sobre a ilusão de poder e de autoridade que uma pessoa tem ao receber um diploma, título e certificado em "A face de Aletheia". Também eu divulguei um texto sobre a perigosa idéia de uma  Igreja de Bruxaria e Wicca do Brasil em "Resistência ao arrebanhamento". E divulguei um edital em "Editorial de esclarecimento" no qual equiparei a existência de um "conselho" para bruxas com a invenção de uma "igreja" para bruxas. Mas não falei o que é, nem quem são os envolvidos em tal "conselho".
Na definição de seus organizadores:
"O Conselho é uma Instituição que objetiva a fraternidade entre grupos que buscam interação, cooperação e conservação das crenças anteriores ao cristianismo na Europa.
Suas bases são o paganismo, o politeísmo, a ancestralidade, a conservação e resgate de tradições européias."
Tudo isso seria bom, se fosse esse o objetivo. Entretanto, tentar discutir ou dialogar com os "conselheiros" e seu séquito é tão produtivo quanto tentar discutir e dialogar com padres/pastores e crentes.
Ficou evidente, para mim, que não é este o objetivo de tal "conselho".
De acordo com o dicionárioweb: conselho - opinião, parecer sobre o que convém fazer; aviso, advertência: não levar os conselhos em conta; assembléia de pessoas que deliberam sobre certos assuntos.
Na página do CREMESP define-se a missão do conselho como "atuar com excelência, em benefício da sociedade, na supervisão da ética profissional médica, por meio de ações regulamentadoras, educacionais, fiscalizadoras, judicantes, cartoriais e políticas."
Na página do CRP SP define-se a finalidade do conselho como "de orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de psicólogo".
Ao ler o blog de tal "conselho", fica evidente que este é o intuito - o de impingir a visão e a crença de seus idealizadores, tal como virá a acontecer se o projeto de uma "igreja" para bruxas tiver êxito.
Os idealizadores deste "conselho", os "iluminados" que alegam ter o verdadeiro conhecimento e sabedoria são:
Ricardo Draco, que eu anteriormente demonstrei não saber coisa alguma de crenças pré-cristãs européias.
Tânia Gori: proprietária da "Casa de Bruxa", que de tradicional nada possui.
Senhora Telucama: a mais escandalosa e vergonhosa fraude que existe no meio pagão.
Wagner Perico: alega ser sacerdote da "tradição de bruxaria germânica", igualmente envolvido com a Abrawicca e a farsa da IBWB. Uma contradição, afinal os Germânicos, povo de onde supostamente origina sua tradição, não faz parte do povo íbero-celta o que, segundo o Ricardo, é a única origem da Bruxaria Tradicional.
Rowena Arnehoy Seneween: segue o druidismo, paganismo moderno ou neopaganismo, que é uma forma de reconstrucionismo cultural.
Nick Morcego e Alessio Coruja: completos desconhecidos, provavelmente servos dos grandes idealizadores.
Com pessoas deste porte e currículo, com a completa falta de conhecimento histórico, antropológico e mitológico sobre a Bruxaria, observando a mesma citação distorcida e tendenciosa de textos acadêmicos que se encontra entre cristãos fundamentalistas, observando o raciocínio circular contido no blog, observando um evidente complexo de superioridade e transtorno narcisista de seu(s) autor(es), fica evidente qual a intenção deste "conselho".
Fica, então, mais um ditado para os "conselheiros" e seu séquito: "ab inope nunquam spectes" (Ninguém dá o que não tem).

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Procissão atéia vetada pela justiça

Chamada oficialmente de “procissão ateia”, a manifestação levaria às ruas faixas com dizeres como "Congregação da Cruel Inquisição", "Irmandade da Santa Pedofilia" e "Confraria do Papa do Santo Latrocínio" com o objetivo de "derrubar a hipocrisia social e moral que representa a Semana Santa Católica".
Os organizadores disseram que irão acatar a decisão judicial, mas acrescentaram que convocariam uma manifestação similar em outra data simbólica para o Catolicismo.
Eles também prometem realizar um grande evento no próximo mês de agosto durante a visita do Papa Bento 16 a Madri.
Por outro lado, a associação anti-aborto Faz-te ouvir anunciou que analisa o material de divulgação da procissão ateia para saber se é possível abrir um processo, alegando incitação ao ódio.
Chamas
Os organizadores da “procissão ateia” anunciaram com cartazes pelo centro da capital espanhola a hora e percurso do evento, convocado para passar diante de igrejas e ao lado de procissões católicas.
Os cartazes traziam imagens do papa e ilustrações sacras alteradas. Também foram distribuídos folhetos com a frase "a única igreja que se ilumina é a que arde (em chamas)".
O presidente da Associação Madrilenha de Ateus e Livres Pensadores, Luis Veja, disse à BBC Brasil que a proposta da manifestação era "mexer com a ideologia e a consciência católica".
"Queremos uma procissão sim, porque a palavra procissão não é exclusiva do Catolicismo. E vamos continuar combatendo a hipocrisia e o fundamentalismo", afirmou.
As críticas dos laicos se concentram especialmente na intervenção do Vaticano em assuntos políticos como a liberdade religiosa, leis de aborto e casamento gay, além dos escândalos de pedofilia dentro da igreja.
Entre os críticos ao protesto estava o prefeito de Madri, Alberto Ruiz Gallardón, que disse ser contra "provocações contra a fé".
No entanto, ele disse que a prefeitura que "não se considera competente para autorizar ou recusar a celebração desta procissão" e recomendou uma decisão judicial sobre o caso.
Fonte: BBC

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A fundação de Roma

Diz a lenda que em 21 de Abril de 753 antes da era cristã ou era comum, o latino Rómulo, irmão de Remo, filho de Marte, Deus da Guerra, e de Reia Sílvia, vestal (sacerdotisa de Vesta, Deusa do Fogo Sagrado do Lar e da Pátria), fundou a cidade de Roma, que viria a ser a capital de um dos maiores impérios de sempre, proto-fundador do Ocidente e raiz étnica - pelo menos em parte - das actuais Nações latinas, entre as quais se inclui Portugal.
Reia Sílvia era filha de Numitor, filho de Procas, rei da cidade latina de Alba Longa. O irmão de Numitor, Amúlio, tomou o poder e obrigou a filha do irmão a tornar-se vestal (sacerdotisa de Vesta) porque as vestais não podiam deixar de ser virgens e Amúlio não queria que Reia Sílvia tivesse filhos, os quais um dia poderiam reclamar o trono que Amúlio queria para si e para os seus próprios filhos.
Todavia, Reia Sílvia foi fecundada por Marte, que das Alturas desceu sobre ela e fez com que a virgem desse à luz dois gémeos, Rómulo e Remo. Amúlio ordenou que fossem atirados, mãe e filhos, ao rio Tibre, mas Tiberinus, o Deus do rio, salvou Reia de se afogar. Quanto aos filhos, foram recolhidos e amamentados por uma loba (daí a conhecida imagem da Loba que amamenta duas crianças, como se pode ver acima) sob uma figueira (a ruminalis ficus) e protegidos por um pica-pau (ambos os animais são consagrados a Marte), tendo posteriormente sido adoptados por um pastor, Fáustulo, e sua esposa, Acca Larentia, que os criaram.
Mais tarde, os irmãos colocaram o seu avô Numitor no trono e decidiram depois criar outra cidade. Remo viu seis abutres sobre o monte Aventino e afirmou que a nova urbe teria de nascer ali, mas Rómulo viu doze abutres sobre o monte Palatino e decidiu-se por esta última elevação como ponto de partida do novo Estado. Traçou por isso um sulco numa área plana, em torno do monte, dizendo «Morto será aquele que violar esta fronteira!». Como Remo troçasse do irmão e saltitasse de um lado para o outro do sulco, Rómulo matou-o. Isto é mito fundador, é lenda imortal, narrativa primordial (de alguns) dos nossos ancestrais. Por isso, o caminho do sulco de Rómulo seria o caminho que, mais tarde, os jovens solteiros romanos iriam percorrer, à volta do Monte Palatino, todos os anos, por ocasião da celebração da Lupercalia.
o dia de hoje, no qual Roma, além de festejar a sua fundação, celebrava também a Parilia, cerimónia religiosa em honra de Pales, a Deusa Protectora dos Rebanhos. A figura da Divindade feminina protectora Cujo nome radica em Pal - será eventualmente uma das mais antigas e disseminadas do mundo indo-europeu. Na Grécia, uma das mais importantes Deusas, Atena, protectora de Atenas, tinha nesta cidade o título de Pallas; nota-se ao mesmo tempo a semelhança (como fez Georges Dumézil) entre a romana Pales, protectora dos rebanhos, e a indiana Vispala, Deusa igualmente protectora dos rebanhos, mas em Cujo nome «Vis» significa «Tribo», «Casa». Extraordinariamente, há na Lusitânia uma Deidade Cujo nome é Trebopala, em que «Trebo» significa, em Céltico, «Tribo», «Povo», enquanto «pala» terá o sentido de «Protecção».
Fonte: Caturo, no Gladius

terça-feira, 19 de abril de 2011

Vandalismo no museu

Um museu francês foi reaberto nesta terça-feira (19), sob forte esquema de segurança, após ter tido duas obras de arte polêmicas vandalizadas no domingo passado por militantes católicos.
A direção e funcionários do centro de arte contemporânea Collection Lambert, na cidade de Avignon, no sul da França, receberam ameaças de morte se o museu fosse reaberto e solicitaram proteção policial.
Os visitantes têm suas bolsas e pertences revistados antes de entrar na exposição. A direção do museu decidiu reapresentar as obras vandalizadas no estado em que foram deixadas após o ataque.
A obra que suscitou grandes protestos de movimentos católicos considerados integristas e foi vandalizada com golpes de martelo e objetos cortantes é a fotografia "Immersion Piss Christ", do artista americano Andrés Serrano.
A imagem mostra um crucifixo mergulhado em um copo de urina do fotógrafo, contendo ainda sangue. Ela integra a exposição "Eu Acredito em Milagres", em cartaz até o dia 8 de maio.
O grupo que atacou essa obra, na data simbólica do Domingo de Ramos, vandalizou ainda uma outra fotografia do artista, Irmã Jeanne Myriam, que mostra uma mulher grávida vestida de freira.
O ataque contra as duas obras, classificado por alguns de 'atentado cultural', chocou representantes da área das artes, políticos na França e também muitos franceses, que denunciam um 'ato de regressão preocupante, com o retorno de valores da Idade Média'.
'Atentado'
O ministro da cultura francês, Frédéric Mitterrand, reconhece que as imagens 'podem chocar algumas pessoas', mas afirma que o ato de vandalismo representa 'um atentado ao princípio da liberdade de criação e de expressão previsto na lei'.
'É a volta da Inquisição, se considerarmos as fotografias de fogueiras que recebemos com uma mensagem dizendo que isso é apenas o início', diz o diretor da Collection Lambert, Éric Mézil.
Representantes do museu afirmam sofrer inúmeras ameaças telefônicas e já ter recebido mais de 30 mil e-mails de 'integristas religiosos'.
A fotografia Piss Christ já havia sido exposta duas vezes na França sem provocar protestos. A primeira foi em 2007, também em Avignon, e no Centro Georges Pompidou, em Paris, em 2008.
Os atuais protestos são liderados pelo Instituto Civitas, que organizou uma passeata no sábado passado em Avignon com cerca de mil pessoas.
Militantes do partido de extrema direita Front National também participaram da passeata em Avignon.
O Instituto Civitas afirma ser 'um movimento católico que visa restaurar uma França católica e orientar as decisões políticas e sociais de acordo com uma visão católica'.
Uma parte da hierarquia católica, como o bispo de Avignon, Jean-Pierre Cattenoz, também protestou contra a apresentação das fotografias e pediu sua retirada.
'O presidente Nicolas Sarkozy disse recentemente em um discurso que a França precisa assumir sua herança cristã. De tanto assoprar nas brasas, atiça-se o fogo', diz o diretor do museu.
Fonte: G1
Nota: Enquanto isso, os Cristão protesta contra a falta de "liberdade de expressão" quando são os Muçulmanos que atacam artes que ofendem sua crença. Basta de hipocrisia.

A face de Aletheia

Aletheia, a Verdade, a Deusa.
A Deusa da Verdade, na definição de Blavatsky:
"The Epinoia, the first female manifestation of God, the "Principle" of Simon Magus and Saturninus,
holds the same language as the Logos of Basilides; and each of these is traced to
the purely esoteric Alêtheia, the TRUTH of the Mysteries. All of them, we are
taught, repeat at different times and in different languages the magnificent hymn of
the Egyptian papyrus, thousands of years old:
The Gods adore thee, they greet thee, O the One Dark Truth". [A Doutrina Secreta - III]
Curioso como a Deusa da Verdade se manifesta como escura, negra, oculta, algo bem diferente do conceito linguístico dado ao termo "verdade".
Consequentemente, ao entrar na Verdade, o buscador tem uma luz, uma iluminação, um esclarecimento. este é o momento da descoberta, da idéia, quando o buscador diz "eureka", dado pelas Deusas: Conhecimento, Sabedoria e Inteligência.
Nisto, o buscador recebe diplomas, títulos, certificados, que somente fazem sentido e têm significado no meio daqueles que reconhecem tais documentos, por pertencerem ao mesmo meio, o acadêmico. Mas a verdade, o conhecimento, a sabedoria e a inteigência não estão nos diplomas, nos títulos, nos certificados ou na suposta autoridade que a pessoa se dá, devido ou por causa deles.
O homem se vê sozinho nesta busca então, por vaidade, orgulho, crê que foi por seu único esforço que percebeu a verdade.
O homem crê que pode possuir ou deter a verdade, mas não existe uma verdade cujo sujeito possa ser o seu detentor.
Mas quando uma pessoa deixa que seus diplomas, títulos, certificados ou suposta autoridade sejam seu salvo-conduto, seu cartão de apresentação, seu manto de infalibilidade, sua coroa de inerrãncia, fatalmente esta pessoa desmerece a verdade, o conhecimento, a sabedoria e a inteligência que se acha portador.
Assim é o tolo que em seu transtorno narcisista, em seu complexo de superioridade se acerca de seu séquito e profere seus conselhos, suas bulas e suas "verdades".
Em seu pequeno, círculo, em seu pequeno mundo, ele é soberano.
Para a Deusa da Verdade, Aletheia, é mais um deslumbrado com a pequena chama com que foi dotado. E pobres e perdidos são os que o seguem, convencidos de que seu líder efetivamente sabe e pode conduzi-los, de que ele é divinamente inspirados, de que ele é o portador da verdade, de que apenas ele sabe das respostas.
Pagãos não tem messias e dispensam salvadores. Nenhum pagão que se preza a si e aos Deuses irá depositar sua caminhada e sua busca em pessoas que se arrogam alguma autoridade, secular ou sacerdotal. Um pagão é senhor e papa de si mesmo, diante dos Deuses.

Maslenitsa, o carnaval russo


" Maslenitsa é uma festa eslava antiguíssima, uma herança da cultura pagã que foi reconhecida oficialmente pela igreja ortodoxa.
É festa de despedida alegre do inverno, iluminada pela esperança radiante de vinda próxima do calor e da renovação primaveril da natureza. A festa de "maslenitsa" começa 56 dias antes da Páscoa. Alguns historiadores afirmam que outrora "Maslenitsa" estava ligada ao dia do solstício de primavera, mas depois da adoção do cristianismo esta festa deixou de anteceder a quaresma e depender dos seus prazos.
Mas a festa de "maslenitsa" não se reduz a isso. É que para os eslavos ela coincidia também com os festejos do Ano Novo! Até o século XIV o ano novo começava na Rússia em março. Mesmo as panquecas,  atributo obrigatório da "Maslenitsa", tinham um significado ritual: redondos, bem tostados e quentes, elas simbolizavam o sol que se torna nesta época cada vez mais quente alongando o tempo claro do dia. Uma crença antiga reza: qual for a festa do ano novo, tal será o ano. Foi por isso que os  antepassados russos não poupavam nestes dias dinheiro para pôr uma mesa farta e para festejos alegres sem fim. E o povo chamava a Maslenitsa "folgada", "glutona" ou, inclusive, "esbanjadora".
Também é dito que o nome "Maslenitsa" deriva da tradução grega, pois a semana que antecede a Grande Quaresma chama-se Sirnaya sedmitsa (A Semana do Quejo) em grego. Quando o cristianismo apareceu na Rússia Antiga, as pessoas ainda não sabiam o que era queijo e manteiga. Para compreender o que é permitido comer nestes dias, surgiu o nome "Maslenitsa", da palavra russa "Maslo" – isto é, a manteiga. Na semana antes da Grande Quaresma é preciso comer laticínios e já não se pode comer carne.
Outro nome de Maslenitsa é "myassopust". O myassopust russo é quase a mesma coisa que o carnaval ocidental cujo nome é composto por duas palavras latinas – carnis e vale, isto é, "vitela, adeus".
Como visto acima, panquecas são a principal iguaria na semana de maslenitsa. Podem ser feitas da massa leveda ou não leveda, da farinha de trigo, e os recheios podem ser de peixe, caviar, requeijão, manteiga, creme azedo ou geleia. Existem um grande número de receitas. Todos os restaurantes caros e cantinas públicas de vários estabelecimentos têm este prato durante a semana de maslenitsa. Os cozinheiros do Kremlin, da Casa do Governo e do parlamento vão fazer cerca de 10 mil panquecas durante a festa tradicional russa. Segundo as sondagens, 83% das mulheres russas vão cozer panquecas. Durante a maslenitsa costuma-se visitar parentes e amigos, oferecer panquecas e outras iguarias aos hóspedes.
Seja qual for a explicação, a Maslenitsa é  uma celebração geral do povo pelo retorno da luz e do calor e a última gota de diversão e comilança antes do início da quaresma. "
Fonte: Anoitan

sábado, 16 de abril de 2011

Feliz Songkran!

Songkran (Renovação) é o nome do antigo ano novo tailandês, que este ano, entra no ano de 2554. Ele parece muito com o réveillon brasileiro em que a ideia é deixar para trás o que não deu certo e renovar as energias e esperança para o próximo ano. As festividades marcam o nascimento de buda e acontecem no mês de abril, de 13 a 15, e correspondem ao Ano Novo Budista.
"A festa antecede a plantação do arroz, alimento base de todas as culturas da região e que crescerá nos alagados", explica David.
No Brasil, o Songkran, também conhecido como Festival das Águas, a cada ano vem sendo mais festejado pelos que cultuam as tradições tailandesas no país. O chef David Zisman, do Nam Thai, no Rio de Janeiro, não poderia deixar passar em branco, e como todo ano, prepara um cardápio especial (R$ 85, menu completo) para ser servido entre os dias 13 e 17 de abril (de quarta a domingo).
"A ideia foi fazer uma ligação com a festa através da água, um dos símbolos forte da festividade. Por isso trouxe receitas com peixes", revela ele.
Começando a exótica viagem pelos sabores thai o delicado salmão temperado em shoyo e gengibre com tempero de creme de queijo de cabra e crumble. Em seguida, o saboroso lombo de robalo com curry de abacaxi. Para finalizar a surpreende sobremesa copa de frutas. Servida em uma charmosa taça de Martini com frutas da estação laminadas nas bordas, sorvete de tangerina e calda de açafrão, vinho branco e pimenta.
Os comensais serão brindados ainda com um uma charmosa garrafinha de San Pellegrino, conhecida como a champanhe das águas minerais, entre quarta e sexta-feira (13 a 15).
O princípio do Songkran é a tradição e a forma do povo tailandês agradecer à divindade do Buda pela graça concebida da dádiva de chuvas, que fizeram abundancia de arroz e frutos nas terras sob sua proteção. Milhões de fiéis de todas as idades vão aos templos budistas do norte ao sul, para colocar água na imagem de Buda, nas mãos dos monges budistas, dos idosos da comunidade e receberem as suas bençãos para que os guie no bom caminho durante o ano que começa. As ruas são tomadas por uma divertida guerra campal onde os tailandeses jogam bolinhas de água uns nos outros.
E aqui no Brasil, mas precisamente no Rio, os fãs da culinária, tailandeses ou não, vão entender literalmente que não se precisa ir muito longe para se chegar à Tailândia.
 Fonte: Revista Fator

Religioso vs Irreligioso

(...) o homem religioso assume um modo de existência específica no mundo, e, apesar do grande número de formas histórico-religiosas, este modo específico é sempre reconhecível. Seja qual for o contexto histórico em que se encontra, o homo religiosus acredita sempre que existe uma realidade absoluta, o sagrado, que transcende este mundo, que aqui se manifesta, santificando-o e tornando-o real. Crê, além disso, que a vida tem uma origem sagrada e que a existência humana actualiza todas as suas potencialidades na medida em que é religiosa, ou seja, participa da realidade. Os Deuses criaram o homem e o Mundo, os Heróis civilizadores acabaram a Criação, e a história de todas as obras divinas e semi-divinas está conservada nos mitos.
Reactualizando a história sagrada, imitando o comportamento divino, o homem instala-se e mantém-se junto dos Deuses, quer dizer, no real e no significativo.
É fácil ver tudo o que separa este modo de ser no mundo da existência de um homem a-religioso. Há antes de tudo o facto de que o homem a-religioso nega a transcendência, aceita a relatividade da "realidade", e chega até a duvidar do sentido da existência. As outras grandes culturas do passado também conheceram homens a-religiosos, e não é impossível que esses homens tenham existido até mesmo em níveis arcaicos de cultura, embora os documentos não os registem ainda. Mas foi só nas sociedades europeias modernas que o homem a-religioso se desenvolveu plenamente.  (...) O homem faz-se a si próprio, e só consegue fazer-se completamente na medida em que se dessacraliza e dessacraliza o mundo. O sagrado é o obstáculo por excelência à sua liberdade. O homem só se tornará ele próprio quando estiver radicalmente desmistificado. Só será verdadeiramente livre quando tiver matado o último Deus.
(...)
Mas o homem a-religioso descende do homo religiosus e, queira ou não, é também obra deste, constituiu-se a partir das situações assumidas por seus antepassados. Em suma, é o resultado de um processo de dessacralização. Assim como a "Natureza" é o produto de uma secularização progressiva do Cosmos obra de Deus, também o homem profano é o resultado de uma dessacralização da existência humana. Isto significa que o homem a-religioso se constitui por oposição ao seu predecessor, esforçando-se por se "esvaziar" de toda a religiosidade e de todo significado trans-humano. Reconhece-se a si próprio na medida em que se "liberta" e se "purifica" das "superstições" de seus antepassados. Por outras palavras, o homem profano, queira ou não, conserva ainda os vestígios do comportamento do homem religioso, mas esvaziado dos significados religiosos. Faça o que fizer, é um herdeiro. Não pode abolir definitivamente o seu passado, porque ele próprio é produto desse passado: é constituído por uma série de negações e recusas, mas continua ainda a ser assediado pelas realidades que recusou e negou. Para obter um mundo próprio, dessacralizou o mundo em que viviam os seus antepassados; mas, para chegar aí, foi obrigado a adoptar um comportamento oposto àquele que o precedia – e ele sente que este comportamento está sempre prestes a reactualizar-se, de uma forma ou outra, no mais profundo do seu ser.
Como já dissemos, o homem a-religioso EM estado puro é um fenómeno muito raro, mesmo na mais dessacralizada das sociedades modernas. A maioria dos "sem religião" ainda se comporta religiosamente, embora não esteja consciente desse facto. Não se trata somente da massa das "superstições" ou dos "tabus" do homem moderno, que têm todos uma estrutura e uma origem mágico-religiosas. O homem moderno que se sente e se pretende a-religioso carrega ainda toda uma mitologia camuflada e numerosos ritualismos degradados. Conforme mencionamos, os festejos que acompanham o Ano Novo ou a instalação numa casa nova apresentam, ainda que laicizada, a estrutura de um ritual de renovação. Constata-se o mesmo fenómeno por ocasião das festas e dos júbilos que acompanham um casamento ou o nascimento de uma criança, a obtenção de um novo emprego ou uma ascensão social etc..
Poder-se-ia escrever uma obra inteira sobre os mitos do homem moderno, sobre as mitologias camufladas nos espectáculos que ele prefere, nos livros que lê. O cinema, esta "fábrica de sonhos", retoma e utiliza inúmeros motivos míticos: a luta entre o Herói e o Monstro, os combates e as provas iniciáticas, as figuras e imagens exemplares Herói e o Monstro, os combates e as provas iniciáticas, as figuras e imagens exemplares (a "Donzela", o "Herói", a paisagem paradisíaca, o "Inferno" etc.). Até a leitura comporta uma função mitológica – não somente porque substitui a narração dos mitos nas sociedades arcaicas e a literatura oral, viva ainda nas comunidades rurais da Europa, mas sobretudo porque, graças à leitura, o homem moderno consegue obter uma "saída do Tempo" comparável à efectuada pelos mitos. Quer se "mate" o tempo com um romance policial, ou se penetre num universo temporal alheio representado por qualquer romance, a leitura projecta o homem moderno para fora de seu tempo pessoal e integra-o noutros ritmos, fazendo-o viver numa outra "história". (...)

In O Sagrado e o Profano, de Mircea Eliade.
Citado pelo Caturo, no Gladius.

A iniciação do Ser

Gradualmente a idéia da auto-iniciação está se espalhando na forma de uma iniciação a um culto, crença ou tradição. Em particular isto é comum nas formas da wicca e bruxaria eclética. Esta é uma idéia curiosa que ao mesmo tempo em que adentra no cerne, se lança para fora dele. Percebo a natureza da auto-iniciação como refletindo um indivíduo que sente um certo chamado e administra os ritos de sua indução sem um intermediário ou professor presente. É uma oferta de servitude e dedicação ao poder que se deseja evocar. Pelo lado bom denota uma escolha pessoal e uma afirmação de crença, aonde o espírito anfitrião é evocado para testemunhar o ato. É um sintoma da humanidade sentindo-se espiritualmente perdida e que procura se reconectar com o que percebe estar perdido. Eles querem se re-ligar, re-anelar sua crença, eles querem fazer sua religião. Muito frequentemente o que está acontecendo é verdadeiramente o que o termo auto-iniciação significa, que você se inicia (espiritualmente). É uma declaração à Criação de que você está se engajando em uma busca espiritual.
Isto é maravilhoso, mas torna-se problemático quando o mesmo auto-iniciado proclama ser iniciado em um culto, crença ou tradição existente, na qual ele não possui qualquer vínculo pelo sangue ou sopro. Nisto eles tentam se re-ligar a algo que está perdido ou algo que nunca esteve lá. Eles se auto-iniciam em uma fantasia de inclusão.
Esta idéia extendida de auto-iniciação - de que você enquanto um auto-dedicado pode escolher um culto ou tradição e dizer que você faz parte - é enganoso se não uma fanfarronice, especialmente quando a tradição em questão existe e você foi incapaz de se conectar a ela. De minha perspectiva, isto deveria te dizer algo, que sua dedicação não foi atraente aos seus pares. É o que acontece em muitos dos casos, onde pessoas simplesmente usurpam tradições e crenças e se auto-adotam em um caminho sem qualquer aprovação ou ligação com a tradição em questão.
Esta é uma possibilidade moderna e é uma das razões pela qual vejo a modernidade como um regresso e não como um progresso positivo. Então temos pessoas auto-iniciadas na Stregoneria ou bruxaria Basca. Estas pessoas comumentemente são atraídas à ilusão do nome ou da mitopoesia que eles puderem reter, mas para mim, que pus o pé na sujeira e bebi deste fogo é estranho ver esta possibilidade surgindo; de que uma pessoa com uma inclinação sentimental se imponha sobre meu sangue e família. É ainda pior quando vejo que nada dizem do meu sangue e da minha família, mas somente uma devoção deslocada e falha a qualquer que seja o espírito nos ditos panteões, demonstrando uma completa falta de entendimento, veneração e compreensão do mistério que fez sua teia sob a tradição em questão. Para mim é tão estranho quanto se eu decidisse adotar-me na família de Bragança ou Lionheart só porque eu senti uma afinidade com o brasão da família. Acho isso muito ridículo, porque uma tradição verdadeira age como uma rocha sólida para nossa crença. É a encruzilhada entre o próprio sangue e os que trazem a marca que media a tradição propriamente. Isto se manifesta em Magisters e Damas sólidos, que asseguram a passagem da tocha para que o trovão dos inomináveis possa te incendiar na totalidade de seu potencial. Tradição é a encruzilhada de intercessores humanos e mortais que grava a luz nas pedras
Creio que uma boa iniciação no caminho possa começar com uma dedicação solitária à natureza e um espírito escolhido. Mas isto é o começo de um caminhar, não uma aceitação comunitária que se toma em um sopro, vinho e sangue dado no momento da sua dedicação. A auto-iniciação fala do início de sua jornada espiritual. Isto é algo bom enquanto mantivermos a atenção em nós mesmos e não projetamos isto a uma fantasia de inclusão.
Acho que outro vírus moderno é aquele em que todos querem ser algo eminentes e dignos em nome da ambição. Todos querem ser sacerdotes e sacerdotisas de algo. Nisto a busca espiritual se torna um expositor de problemas pessoais. Ao almejar títulos e status, podemos esquecer de nossa essência e o grande trabalho que somos presenteados quando chega o trabalho sobre a essência. Ao fazer isto, podemos transmitir nossa prória disfunção a um grupo maior e nos inclinarmos aos problemas que demos a outros, como se eles não pertencessem ao fundador da crença disfuncional. Isto é importante, porque quando você assume o papel de sacerdote, sacerdotisa, mestre, guru, magister, sua qualidade neste serviço repousa em como você iniciou e resolveu os mistérios do ser.
Então, aqui apresento para a reflexão: quando você busca uma auto-iniciação, o que você busca? Quando você declara uma denominação ou um pedigree tradicional à sua iniciação, o que você está realmente afirmando? Quando você afirma que é sacerdote/sacerdotisa, quem é você realmente e por que você assumiu este ofício?
Por Nicholaj de Mattos Frisvold
Revisão por Qelimath
Nota da casa: A auto-iniciação é a única prática que elimina sua própria razão de ser.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Rasgando os véus

Sarkozi, se me perdoam pelo péssimo trocadilho, está procurando sarna para se coçar.
Na França está proibido o uso do véu ou qualquer outra roupa que evite a identificação dos cidadãos. Ou melhor, a proibição visa as muçulmanas que, por hábito familiar ou preceito religioso, usam o véu. A lei, que está sendo considerado inconstitucional, debruça-se sobre a segurança do Estado, contra possíveis atos de terrorismo. Aqui no Brasil tivemos uma experiência ruim com leis feitas em nome da segurança do Estado. Especialistas acreditam que a lei será inócua. E muçulmanas estão protestando contra o governo francês, usando os véus em público depois da lei.
Neste blog eu comentei no texto "Roupa, sociedade e religião" e no texto "Escravidão espiritual" meu estranhamento. Sarkozi tentou ludibriar a opinião pública que este seria uma lei que iria "libertar" a mulher. Vindo de um governante patriarcal, sóo podia ter dado nisso. E a lei foi feita para aplacar o crescimento da direita e da xenofobia na França.
Para as muçulmanas que realmente acreditam que o véu a dignifica e que o Islamismo é uma religião "compreensiva" com as mulheres, eu recomendo a leitura do drama das mulheres curdas:
"Diyarbakir (Turquia), 14 abr (EFE).- Ferihan (nome fictício) foi obrigada a se casar quando ainda era menor de idade. Seu marido, um parente muito mais velho do que ela, a forçou durante anos a se prostituir e por isso a mulher decidiu fugir com o homem que amava.
 Infelizmente, o marido conseguiu encontrá-la e levou Ferihan de volta para casa, onde foi "julgada" por seus próprios familiares e condenada à morte por ter "manchado a honra da família".
 Ferihan teria sido assassinada - como muitas outras mulheres do conservador sudeste da Turquia, onde se concentra a população curda - caso seu irmão, contrário à decisão da família, não tivesse pedido ajuda ao colégio de advogados de Diyarbakir.
 Apesar de os nacionalistas curdos, que controlam a política do sudeste do país, trabalharem há anos para incorporar a mulher à administração, o domínio dos homens nas ruas e nos postos de trabalho das regiões curdas é bastante forte.
 Nas áreas rurais, os clãs ainda têm poder para decidir sobre a vida de seus membros, e o código de conduta tradicional, a "töre", está acima das normas ditadas pela laica República da Turquia. Nestes lugares, a honra é a lei suprema.
 "As mulheres não podem viver livremente, não podem se casar nem amar quem quiserem. Quando chegam os 14 ou 15 anos, o clã decide quem vai casar com a menina e recebe dinheiro ou animais da família do noivo", conta Gül Kiran, da Associação de Mulheres de Van (Vakad).
 "Segundo as normas tradicionais, a mulher não é mais do que uma propriedade do clã", explica.
 No ano passado, 72 mulheres morreram assassinadas nas regiões curdas (frente às 265 no resto do país) e outras 269 foram hospitalizadas vítimas de violência machista.
 Além disso, 113 mulheres foram obrigadas a se suicidar por suas famílias ou porque não conseguiram suportar as condições nas quais viviam.
 Türkan Turan, encarregada de assuntos da mulher na Prefeitura de Diyarbakir, afirma que desde a chegada ao poder do Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP, moderado), em 2002, o número de mortes de mulheres aumentou, algo que atribui à visão "machista" do governo de Recep Tayyip Erdogan.
 Segundo dados dos serviços sociais de Diyarbakir, 13 assassinatos de mulheres curdas cometidos em 2010 foram executados em nome da honra.
 E essa honra pode ser manchada muito facilmente, de acordo com os costumes locais: basta que uma jovem fale com um menino; que uma mulher casada peça o divórcio ou até que seja estuprada.
 "Basta um simples rumor", explica Nilgün Yildirim, do Centro de Mulheres de Diyarbakir (Kamer).
 O marido pedirá à família dela que limpe sua honra e a assembleia familiar deverá decidir como castigar a mulher que "desonrou" o clã.
 "Se uma mulher à qual a sociedade considera merecedora de castigo não for punida, a vida para a família se torna impossível: os vizinhos não te cumprimentam e nas lojas não te vendem nada. Todo mundo tenta marginalizar a família que não lavou sua honra", relata Yildirim.
 Muitas vezes, são os homens da família que avisam as associações como a Kamer que um crime está a ponto de ser cometido.
 "São pessoas que se opõem ao assassinato, mas não têm poder para impedi-lo dentro da assembleia familiar", acrescenta o especialista.
 "Denunciar não é fácil para uma mulher, é preciso muita coragem. A pessoa se expõe a um grande risco. Apesar de tudo, nos últimos anos houve um grande aumento das denúncias", relata Demet Öztürk, do colégio de advogados de Diyarbakir.
 Para essa mudança, contribuem as campanhas de conscientização das associações de mulheres e a rede formada pelos serviços sociais das prefeituras e os advogados, que permite proteger as vítimas da violência ao levá-las para casas de amparo e oferecer assessoria jurídica.
 As associações também conseguiram com que o governo elevasse as penas de prisão para quem comete crimes machistas e desde 2005 é possível acusar todos os membros da família que participaram da decisão de matar uma mulher.
 "A Promotoria pode chamar um povoado inteiro para depor. E também são muito importantes os registros telefônicos, para saber quem e até que nível está envolvido", conta a advogada Gülay Alan.
 "De qualquer forma, apesar de a lei ser boa, a mentalidade impede que seja colocada em prática integralmente", lamenta-se Yildirim.
 "Nós crescemos aqui e sabemos como as coisas funcionam. Quando uma mulher ameaçada quer voltar para casa, procuramos uma pessoa dentro de sua família que queira protegê-la. Esta pessoa deve dar sua palavra que ninguém voltará a tocá-la e, além disso, procuramos alguém respeitado - um prefeito ou um imame - que garanta que a palavra dada vai ser respeitada", explica.
Felizmente, nas regiões curdas, a palavra de uma pessoa tem tanta importância quanto a honra."[G1]
Por fim, se o problema é a segurança do Estado, a França deveria proibir também que freiras usassem véus. Quem me garante que debaixo daquela batina uma freira não leva uma bomba? Aliás, por que não remover também os vestidos de todas as mulheres? Vamos todos andar pelados, assim o Estado pode descansar em paz, em segurança.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O fio da vida

Que mistério pode haver em algo tão comum e ordinário como o cabelo? Não obstante, o ocidente tremeu com o terro japonês, Ju-On [The Grudge, O Grito], onde o espírito/entidade manifestava-se por longo fios de cabelo negros. O folclore japonês tem diversas histórias onde espíritos e cabelos estão de alguma forma vinculados.
Na mitologia clássica, fios, linhas, cordas, pêlos e tecidos cumprem uma silenciosa tarefa simbólica.
O mito mais conhecido são as Parcas, ou Moiras.
"Em Roma, as Parcas (equivalentes às Moiras na mitologia grega) eram três deusas: Nona (Cloto), Décima (Láquesis) e Morta (Átropos).
Determinavam o curso da vida humana, decidindo questões como vida e morte, de maneira que nem Júpiter (Zeus) podia contestar suas decisões. Nona tecia o fio da vida, Décima cuidava de sua extensão e caminho, Morta cortava o fio. Eram também designadas fates, daí o termo fatalidade.
Interessante notar que em Roma se tinha a estrutura de calendário solar para os anos, e lunar para os atuais meses. A gravidez humana é de nove luas, não nove meses; portanto Nona tece o fio da vida no útero materno, até a nona lua; Décima representa o nascimento efetivo, o corte do cordão umbilical, o início da vida terrena, o individuo definido, a décima lua. Morta é a outra extremidade, o fim da vida terrena, que pode ocorrer a qualquer momento."[wikipédia]
Menos conhecido, eclipsado pelos personagens Teseu e Minotauro, tem o mito de Ariadne.
"Ariadne propôs ajudar Teseu, dizendo-lhe que, se a levasse do palácio com ele, ela lhe daria o segredo para sair do labirinto do qual ninguém escapava. Entregou a Teseu o famoso mithos, novelo antigo usado para preparar a lã, dizendo que o desenrolasse, conforme entrasse no labirinto.
[...]Ela é filha de Pasifae e, enquanto sua mãe gerou um monstro, representando um retorno ao primitivo, Ariadne fez exatamente o oposto, pois venceu o primitivo, ajudando Teseu a vencer o Minotauro.
[...]A simbologia do labirinto é fundamental, pois todos têm, em sua relação com o outro, o Minotauro pela frente e o labirinto a enfrentar, mas às vezes perde-se o fio da meada, ou seja, o fio da vida."[Mitologia Viva, Viktor Salis, pg. 109-112]
Ou seja, o sentido do mito de Ariadne é inverso ao do mito das Parcas, embora estejam correlacionados. Aqui, a linha, o fio, serve para conduzir Teseu ao auto-conhecimento, enfrentando o labirinto da alma que todo ser humano possui, tornando-se senhor de suas pulsões animais e então trazendo-o de volta como um iniciado. O fio de Ariadne ludibriou a Fatalidade que pesava sobre Teseu, pelo auto-conhecimento os homens podem ludibriar o Destino.
Assim nos cercamos ao mito/saga mais conhecida, A Odisséia, quando nos deparamos com Penélope, a esposa de Ulisses/Odisseu.
"Enquanto Ulisses guerreava em outras terras e seu destino era desconhecido, não se sabendo se estava vivo ou morto, o pai de Penélope sugeriu que sua filha se casasse novamente, mas ela, uma mulher apaixonada e fiel ao seu marido, recusou, dizendo que o esperaria até a sua volta. No entanto, diante da a insistência de seu pai, para não desagradá-lo, Penélope resolveu aceitar a corte dos pretendentes à sua mão. Para adiar o máximo possível o novo casamento, estabeleceu a condição de que se casaria somente após terminar de tecer uma peça em seu tear.
Durante o dia, aos olhos de todos, Penélope tecia, e à noite secretamente ela desmanchava."[wikipédia]
Em lendas associadas, Penélope tecia uma cena que revelava um mistério e um Deus ou Deusa vinha desfazer para ocultar o mistério. Ou então que suas bordaduras davam oráculos do que estava por vir e um nobre ou uma cortesã vinha desmanchar para escapar do vaticínio. Na maior parte das vezes, sem sucesso, pois com a volta de Ulisses/Odisseu a tecelagem foi terminada, tudo aconteceu como foi predito e o mistério foi desvelado.
Assim é o destino das coisas, mais como uma trama, onde múltipos destinos se entrecruzam, do que uma única linha tênue. O destino não é apenas uma ação dos Deuses, mas uma co-criação com os homens. Lendas onde homens antigos tomaram o destino nas mãos nos levam ao Velocino de Ouro.
"O Velo de Ouro é na mitologia grega a lã de ouro do carneiro alado Crisómalo. Conta-se que tal velo estava pendurado num carvalho sagrado na Cólquida. Segundo a lenda, Jasão precisava recuperar o velo para assumir o trono de Iolco na Tessália.
Atamas, rei da cidade de Orcomeno na Beócia, teve como primeira esposa a deusa das nuvens Nefele, com quem teve dois filhos, o menino Frixo e a menina Hele. Mais tarde, ele se apaixonou e casou-se com Ino, a filha de Cadmos. Ino tinha ciúmes de seus enteados e planejou matá-los.
Nefele, em espírito, enviou às crianças um carneiro alado cuja lã era feita de ouro. Com esse carneiro, as crianças poderiam escapar por sobre o mar. Entretanto, Hele caiu e se afogou no estreito que passou a carregar seu nome, o Helesponto. O carneiro pôde levar Frixo a salvo para a Cólquida, no extremo oeste do Mar Euxino. Frixo sacrificou então o carneiro e pendurou seu velo numa árvore guardada por um dragão, em um bosque consagrado a Ares."[wikipédia]
Aqui o mito adverte contra o maior erro humano, chamado pelos gregos antigos de hubris. Jasão adquiriu o velo de ouro, tornou-se rei de Iolco, mas sua dinastia teve uma curta duração, como conta a tragédia grega "Medéia". Ele, como muitos humanos, perseguiu o sucesso, a riqueza, o prestígio, sem se importar com as consequências, desafiando não o destino, mas a medida certa das coisas, chamada pelos gregos antigos de sofrósina.
Por último, mas não menos importante, é a prática da "vaecordia" ou "ligadura" no Ofício. O que mais amedrontava os nobres, feudatários, padres e bispos não eram os conjuros, mas a habilidade das bruxas de tornar um homem impotente com uma inocente e comum linha de costura. Não ter herdeiros em um mundo dominado por questões de cessões e posses de terras era mais do que uma questão econômica. Era uma questão de poder, de autoridade, de influência. Coroas e tiaras dependiam disso e, com um simples fio, a bruxa podia alterar o destino de reinos e dioceses.