segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Os brimos saem do armário

Direto das Blas Fêmeas:
Por volta da meia-noite, no segundo andar de um pequeno clube de Manhattan, a pista de dança ressoava com as batidas e os gritos do dabke, uma dança folclórica árabe vista em casamentos e outras celebrações.
Quando as luzes estroboscópicas piscaram, era possível ver um mar de mãos levantadas. Um homem na multidão tirou seu kaffiyeh, o tradicional turbante usado por alguns homens árabes e curdos, e o balançou no ar.
"Eu posso entender muitas das conversas", gritou um estudante do Instituto de Tecnologia da Moda, virando os pulsos e sacudindo os quadris ao ritmo da dança do ventre, "mas você não iria querer que eu traduzisse; é linguagem suja; é árabe pesado”.
Essa foi uma noite de sábado na Habibi, uma festa flutuante mensal para árabes lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros em Nova York.
Em uma cidade que parece oferecer atividades para todas as subculturas gays possíveis _ um guia com 700 itens lista grupos de apoio para gays vegetarianos, pilotos e entusiastas da vela, junto com 62 grupos religiosos _ Habibi talvez seja a única oportunidade em Nova York para que os gays do Oriente Médio possam interagir abertamente em um ambiente organizado.
"Em Nova York, não há nenhum lugar onde eu possa ir para chorar, por exemplo", conta Amir, 27, um enfermeiro da Arábia Saudita que vive no Brooklyn e frequenta a festa há seis anos. "Habibi é uma comunidade acolhedora", diz ele.
Em sua trajetória nômade de nove anos, a Habibi, que para apenas durante o mês sagrado do Ramadã, tem percorrido clubes gays e heterossexuais, além de bares de narguilé em toda Manhattan _ Flamingo, Boom, China Club, Club Duvet, Moomia _ e sobreviveu por mais tempo que muitos deles.
Ultimamente, a Habibi está no Club Rush, em Chelsea. Seu vizinho de baixo é um dos poucos lugares "twink" da cidade (a palavra descreve homens com aparência de menino).
Durante a noite, jovens de cabelos sedosos correm para cima para assistir a multidão de homens árabes dançando ao som pop do Oriente Médio. O DJ é o inventor da festa, um muçulmano praticante chamado Abraão.
Habibi, que em árabe quer dizer "meu amado", é uma espécie de ramificação de um grupo mais sério, chamado Sociedade Árabe de Gays e Lésbicas. Abraão, 40, um ex-contador de cabeça raspada e olhar firme é um dos fundadores. Durante os anos 90, o grupo se reunia no Centro GLBT do West Village.
"O grupo cresceu, o que nem sempre é uma coisa boa, porque há todas as nacionalidades do Oriente Médio", diz Abraão, que é descendente de sírios e palestinos, cresceu no Kuwait e agora vive em Astoria, no Queens. Assim como os outros entrevistados para este artigo, ele aceitou falar sob a condição de que seu sobrenome não seja revelado.
"Os egípcios querem sair com os egípcios, os marroquinos querem sair com os marroquinos, e assim por diante. Esse é sempre o problema dos árabes", relata ele.
Segundo Abraão, os chás com biscoitos se tornaram chatos. A primeira festa Habibi, que aconteceu em 2002, foi realizada em um restaurante italiano no sul de Manhattan para arrecadar fundos para a sociedade. "Eu pensei em fazer algo divertido, onde pudéssemos dançar e nos divertir", diz ele.
Embora a Sociedade Árabe de Gays e Lésbicas tenha partido para a balcanização, Abraão diz que "a Habibi mistura todas as raças; ela procura derrubar quantas barreiras forem possíveis e todos dançam juntos".
A sociedade, por outro lado, começou a diminuir. No final, eram poucos os que apareciam para as reuniões.
"Eu acho que foi a internet a responsável, por volta de 2004", justifica Nadeem, um cristão iraquiano que presidiu a sociedade de 2000 a 2004, quando acabaram os encontros _ mas o site permanece ativo. "Não havia mais necessidade de ir às reuniões, pois os membros passaram a se comunicar online. A Habibi faz sucesso por duas razões: porque é um negócio e Abraão realmente a trata como tal e porque a ideia de uma festa atrai mais as pessoas", diz ele.
Religião x sexualidade
Gays muçulmanos, pelo menos tanto como adeptos de outras religiões, enfrentam dificuldades para conciliar religião e sexualidade. Na maior e uma das mais progressistas mesquitas da cidade, o Centro Cultural Islâmico de Nova York, o imã Mohammad Ali Shamsi adotou a política do "não pergunte que eu não respondo".
"A homossexualidade, o adultério e a fornicação são pecados muito graves, mas você não precisa falar sobre isso", diz Ali. "Fica entre você e o Criador."
Ele disse que gays e lésbicas são bem vindos em sua mesquita, até mesmo para trazer os seus parceiros. "Mas nós não precisamos saber sobre sua vida sexual", afirma ele.
A Habibi já atraiu cerca de 300 convidados, reunindo árabes de todas as classes sociais - ao mesmo tempo uma bênção e uma fonte de sua própria marca de discriminação.
"Em Dubai, todo mundo é bissexual, mas aqui a cena é bem diferente de lá", disse em uma festa um jovem de 22 anos, que estuda contabilidade na Universidade de Columbia. Para ele, a Habibi é "um lixo comparado ao que a maioria dos árabes, ao menos em Dubai, estão acostumados. Aqui há até camelôs”.
Apontando na direção de um homem que estava próximo, o estudante falou: "é possível identificar aqueles que vendem espetinho na rua".
Na cabine do DJ, Abraão continuou tocando os hits _ principalmente do Egito e do Líbano, mas também um pouco de pop do sul da Ásia e da Índia. "Qualquer coisa com uma batida de dança do ventre. O que me deixa feliz é ver as pessoas na pista de dança".
Havia uma enorme quantidade de homens não-árabes. "Hummus queens", um funcionário de supermercado de 24 anos do Queens, cujo nome verdadeiro é Hilal, brincou: "É disso que podemos chamar de caras brancos que vão para as Arábias".
Alguns dos convidados procuram algo mais do que divertimento. "Há muito peso do 11 de setembro que as pessoas querem aliviar", diz Hilal. "Mas a única opção que eles têm é sair para um clube e dançar?"
Ainda assim, Hilal, vestindo uma camiseta com a frase "Hummus é Yummus”, algo como “Hummus é Gostoso” e apresentando um corte de cabelo moicano, resolveu partir para a pista de dança.
Por volta de 1h da manhã, três dançarinas do ventre subiram ao palco, vestindo burcas pink bordadas com lantejoulas. A multidão se aproximou e aplaudiu quando as mulheres começaram a se despir de suas burcas, peça a peça, ao som de músicas românticas.
Fonte: G1
Nota da casa: Quanto mais eu observo nossa espécie, mais fico encantado com a diversidade e a capacidade de adaptação.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Resistência ao arrebanhamento

Bom dia, Boa tarde e Boa noite a todos os irmãos pagãos, bruxos, magos, wiccans ou seja lá o título que carrega como seu (ou mesmo a falta dele!)
Venho falar sobre um tema que muito me afligiu: a JÁ FAMOSA (graças aos deuses só no meio pagão) Igreja de Bruxaria e Wicca do Brasil. Tomei conhecimento desta tentativa inusitada através de uma mensagem eletrônica que iniciava uma campanha irônica (uma vez que evitarei o termo sms, por motivos óbvios e não quero que meu tópico seja deletado!).
Através deste fato inusitado, eu, aqui do interior do estado de São Paulo, tomei conhecimento do que estava ocorrendo nos “grandes círculos de discussões pagãos”, envolvendo nomes famosos, pessoas notáveis, egos, elderes, tradições e rótulos, rótulos e mais rótulos.
Pois bem, deixarei minha opinião clara, sem ofender a nenhum dos “sacerdotes cocada preta” (adorei o temo e me regozijei em risos):
Há partes já expressas no site em construção da IBWB que me causaram arrepios, os mesmos arrepios que me fizeram deixar a religião católica. Trechos como “Sacerdotizas e Sacerdotes credenciados pelo conselho de Elderes” e o próprio termo “conselho de Elderes”.
Se você chegou agora, não perdeu muita coisa, eis o resumo:
1 – Uma instituição que deseja representar os mais diversos ramos do paganismo, bruxaria e afins.
2 – Esta instituição não pede, divulga ou aceita opiniões sobre seus dogmas e “Standards” (retirado do próprio site da IBWB.)
3 – Esta instituição cria um conselho e elege uma sacerdotisa mor, que está longe de ser a pessoa mais lúcida, carismática e com capacidades comunicativas que seriam esperadas por alguém em “tão elevada função”, que defende em comunidades do Orkut que não se pode opinar, uma vez que a instituição já tem registro, dentre outros ataques megalômanos.
Pergunto a você, leitor que se atreveu a ler até aqui:
Estaria este grupo pronto a TE REPRESENTAR?
Você foi consultado quanto aos rumos de uma instituição que deve mostrar “a cara dos pagãos” e lutar pelos seus direitos?
Você acha que os “notáveis” do cenário do paganismo escolhidos farão o trabalho certo?
A minha resposta a todas estas perguntas é: NÃO, não apenas por não simpatizar com a figura fantasmagórica e ególatra de MAVESPER, mas por achar tal intento impossível. Reunir em uma única instituição algo tão íntimo e de tantas cores, opiniões e formatos como é o paganismo (ou bruxaria, magia ou seja lá como resolveram determinar que estas praticas se chamam) é uma tarefa hercúlea e fadada ao fracasso.
Porém me preocupa “a capa da revista”, quem vai fingir que me representa, sem ao menos ter me consultado, afinal, sou um homem que já saiu do “armário mágico” e muitos sabem o que faço. Um representante incapaz de lidar com a opinião discordante e a sua própria raiva em uma simples comunidade o Orkut não fará papel melhor ou menos vexatório diante do Brasil todo.
Minha vida e meu caminho pouco se alterarão diante da existência ou não desta “igreja” (RS desculpem, por mais que insistam em afastar o significante do significado, é impossível!), tenho meu próprio local para ritual, grupo, rituais e além de TODO O RESTO DE MINHA VIDA para me preocupar, mas me preocupo com os irmãos das grandes capitais, que assim como eu se distanciaram de um modelo eclesiástico fracassado e se lançaram contra o mundo a fim de sanar suas dúvidas e anseios e não possuem um conforto como o meu, tendo que recorrer a parques públicos, para estar perto da natureza. Estes terão que se recolher às “Igrejas”, onde são teoricamente aceitos, se, é claro, se encaixarem no “standard” pré-estabelecido pelos líderes que não elegeram e que nem ao menos conhecem de verdade.
Parece que se perdeu a visão intimista desta religião (ou oficio, como preferirem).
Espero que se este intento se tornar realidade, os acólitos e adoradores não escolhidos para serem sacerdotes “credenciados” não se assustem com os dízimos (que, podem apostar, aparecerão sob a forma de uma doação para despesas do templo e sacerdotes), com os abusos e inconsistências de uma liderança que está longe de ser imparcial, por estar intimamente ligada à figura da Abrawicca, que sempre foi alvo de muita discussão no meio (e, cá entre nós, Claudiney Prieto não é o Sacerdote Mor apenas por se tratar de uma figura tão adversa e obvia que nos pouparam deste último insulto.) devido ao seu comportamento autoritário e ortodoxo (por mais que digam o contrário.)
Finalizo este manifesto com pesar, por esta idéia ter sido cogitada, uma vez que, desde o princípio dos tempos, a ARTE vem sendo praticada em pequenos grupos, atendendo às suas necessidades, sem a necessidade de institucionalização de algo que funciona MUITO BEM há milênios.
Já ouço os sons do “Sacerdotiza-móvel” se aproximando, as sacolas de dinheiro sendo transportadas em pleno Maracanã, as bênçãos, a necessidade de mais fiéis, a infalibilidade sacerdotal…
Poxa… já até mesmo sinto meu corpo queimando nas fogueiras…
Autor: João Paulo
Fonte: Comunidade Orkut "Wicca Brasil"
Nota da casa, reiterando meu comentário nessa mesma comunidade:
Até agora, só vi gente que está ou anda em volta do círculo da Mavesper e do Claudiney.
Até agora, não vi um alto sacerdote ou alta sacerdotisa da Wicca Tradicional em mais essa panelinha que visa tentar controlar e unificar a Wicca nos moldes das convicções deste círculo, tendenciosamente diânico, onde a voz da tradição, dos princípios e dos valores da Wicca são ocultados, censurados e proibidos.
Até agora, nem a Mavesper nem o Claudiney se manifestaram sobre onde entram figuras tupiniquins como Eddie, os wiccanos-cristãos e outras personagens que vivem empestiando a comunidade, como góticos, pseudo-vampiros e os que estão fazendo uma wiccumba.
Ainda não tive uma resposta quanto ao meu caso, ainda considerado um banido, um excluído, um excomungado, por ter a mais absoluta dedicação aos Deuses, não às vaidades, não às agendas pessoais, nem sonhos de grandeza e poder.
PS: O "sacerdote" Claudiney certamente é autoritário, mas apenas finge ser ortodoxo, dependendo de quais opiniões, doutrinas e objetivos que ele quer defender para se tornar o Papa da Wicca.
PS²: Sheeple, do inglês Sheep (ovelha) + People (Pessoas), é um termo pejorativo o qual atribui o comportamento de um rebanho de ovelhas de seguirem umas as outras ao fato de que as pessoas acreditam no que é dito sem uma pesquisa prévia sobre o assunto, o conceito de uma pessoa simplesmente seguir ordens de uma pessoa que parece confiável ou uma autoridade, o termo sheeple é constantemente utilizado nos cenários políticos e religiosos.[wikipedia] - Imagem divulgada no Diablerie da Qelimath.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Feliz Dia do Ekenko

No dia 24 de Janeiro as cores e cheiros bolivianos tomam conta da Praça Kantuta - este ano a festa promovida pela Associação Gastrônomica Cultural Folclórica Boliviana Padre Bento, será realizada nas instalações do Clube de Regatas Tietê, na Av. Santos Dumont, 843 Bairro: Ponte Pequena (Próximo ao metrô Armênia). A festividade também será realizada na Rua Coimbra, pontos de concetração da comunidade boliviana em São Paulo. Veja a programação.
A comemoração é especial: uma homenagem ao dia do Ekeko, o Deus da abundância. Reunidos, bolivianos, peruanos, equatorianos, argentinos e claro os paulistanos. Nas barracas, pequenos artesanatos chamados Alasitas simbolizam os sonhos que os fiéis querem ver realizados no ano que está começando. Há malas, ônibus e carros que representam o desejo de viajar ou voltar à terra natal; saquinhos de arroz e mesas de jantar que remetem à fartura dentro de casa; galinhas que prometem dar um jeito na vida amorosa; maços de dólares, euros, e outras moedas para trazer abonança. Depois de comprada a Alasita, é preciso levá-la para o Yatiri, um homem vestido roupas coloridas (poncho de aguayo) gorro de lã de Vicunha (chullo) vai abençoá-la. Só ele pode fazer isso: rega o objeto com álcool, vinho, passa pela fumaça da fogueira, (saumerio) enquanto pede, em aymara (idioma indígena da Bolívia), para o Ekeko realizar o desejo do fiel. Ao final, resta apreciar as apresentações de danças típicas, comer uma empanada, ou salteña, comprar um chá de coca ou uma colorida malha típica e ir para casa, com a enorme esperança de que a vida ainda vai melhorar.
O Ekeko, é um deus da abundância, fertilidade e alegria de origem aymara ou colla, que ainda recebe verdadeiro culto no altiplano andino, sobretudo no solsticio de verão, quando se celebra a feira da Alasita.
É um ídolo que se crê provê de abundância ao lar onde se lhe tributava oferendas de álcool e cigarros.
Toma a forma de uma pessoa sonridente, ligeiramente obesa, vestida com roupas típicas do altiplano e carregando grande quantidade de bultos de alimentos e outros objetos de primeira necessidade que penduram de suas roupas.
Actualmente a estatueta que o representa tem um orifício apropriado em sua boca para poder lhe introduzir cigarros acendidos, que a estátua ``fumaria``.
Originalmente o nome proviria do quechua iqaqu (quechua: ekjakjo ).
História
O Ekeko é uma divinidade venerada desde séculos antes da conquista do território pelos espanhóis. Seus seguidores achavam que afugentava a desgraça dos lares e atraía a fortuna.
Pensa-se que se originou entre os habitantes da cultura Tiwanaku. Depois da conquista pelos aymaras e depois pelos Incas, adotaram a divinidade, e converteram-na em símbolo da fertilidade e a boa sorte.
Em 1612 , o jesuita Ludovico Bertonio, publicou o "Vocabulario da Língua Aymara" onde menciona a esta dividade andina.
Ecaco, I. Thunnupa. Nome de um de quem os índios antigos contam muitas fábulas e muitos ainda nestes tempos as têm por verdadeiras.
O arqueólogo paceño Carlos Ponce Sanginés opinava que as antiguísimas figuras antropomorfas (com importuna prominente e adendo fálico) seriam da época do Império inca, e antecessoras do equeco da época da colônia.
Manuel Rigoberto Paredes escreveu que estas miniaturas de estatuetas fálicas seriam remanentes de remotas festas sagradas do solsticio de verão.
No ínicio, o Ekeko era de pedra, importunado, tinha rasgos indígenas e não levava nenhum tipo de vestimenta: sua nudez era o símbolo da fertilidade.
Na colónia o culto à divindade tomou nova força em La Paz (atual sede de governo da Bolívia ) durante o cerco que esta cidade suportou durante o levantamento indígena de Túpac Katari contra o controle espanhol.
A Igreja Católica tentou erradicar seu culto em tempos da colônia, sem maior sucesso, ainda que a imagem chegou a sofrer certas mudanças: foi vestida e seus rasgos alteraram para os de um mestiço.
Hoje em dia, existe na serra sul do Peru como no ocidente de Bolívia a crença de que o Ekeko é capaz de conceder os desejos de seus seguidores se estes lhe oferecem uma cópia dele em miniatura, e muitos têm em casa uma imagem para que lhes resolva os problemas, deixando dinheiro a seu lado e mantendo um cigarro acendido em sua boca, que se se consome até a metade é sinal de mau agouro . As figuras que lhe oferecem são de cerâmica, metal ou pedra e reproduções exatas o objeto de suas petições: automóveis, electrodomésticos e alimentos. Quando se deseja amor, se lhe entregam miniaturas de galos e galinhas. A divindade é conhecida nos diferentes lugares do mundo onde colónias de emigrantes bolivianos têm estendido seu culto.
A figura do Ekeko tomou grande popularidade na província de Buenos Aires (Argentina) durante o período hiperinflacionário dos anos 80. Ali seus adeptos tomam-no como uma espécie de "patrão da fortuna".
Fonte: Bolivia Cultural

O que é bom sempre volta

No próximo dia 25 de janeiro, a cidade de São Paulo terá, além de seu aniversário de 457 anos, mais um motivo para celebrar. Nesta data será completamente reaberta a Biblioteca Mário de Andrade, segunda maior do país, que passou por modernização e restauro, tendo suas obras iniciadas em setembro de 2007. Ao todo, mais de 327 mil livros da coleção geral, dentre os quais 51 mil considerados raros ou especiais, estarão novamente à disposição para consultas. Além da biblioteca, a Praça Dom José Gaspar, onde ela está localizada, passou por uma revitalização e recebeu novo projeto paisagístico.
Inaugurada em 1926, a Biblioteca Mário de Andrade chegou a ocupar antes um edifício na rua 7 de abril. O atual prédio principal da biblioteca, para o qual ela se mudou em 1943, conta com 12.032 metros quadrados e foi projetado pelo arquiteto francês Jacques Pilon na década de 1930 ao estilo art déco. Seu tombamento pelo Conpresp (Conselho Municipal de Patrimônio Histórico) saiu em 1992.
As obras de modernização e restauro possibilitaram o recuperação da fachada, a impermeabilização das lajes da cobertura, a modernização das redes internas de infraestrutura lógica e elétrica, a readequação dos andares de armazenamento do acervo com mecanismos de proteção ambiental, a ampliação da área de armazenamento de coleções de obras raras e de artes; a construção de mezanino para a guarda do acervo da Circulante, com acesso independente; o restauro dos móveis originais; a redistribuição das áreas técnicas e administrativas, a implantação de soluções de acessibilidade universal e a reconstituição das três mais importantes salas da área de consulta: atualidades, artes, obras raras e coleção geral.

Fonte: Prefeitura SP
Nota pessoal: A Biblioteca Mário de Andrade foi um dos marcos de minha vida. A sua reinauguração ontem foi mais uma medida política demagógica. Eu espero que as futuras gerações façam bom uso dela, como eu e muitos fizemos, para melhorar a conjuntura brasileira.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A luta entre Osiris e Set

Assim como os mitos dos antigos Gregos e Romanos foram-nos contatos muito tardiamente, quando os homens insensatos queriam tomar o trono dos Deuses e ainda vivem nessa perigosa ilusão androcêntrica, os mitos dos Egípcios antigos também nos chegam tardiamente e de segunda mão.
Um dos principais mitos dos antigos egípcios fala da luta entre Osiris e Set.
Osíris era um deus da mitologia egípcia, associado à vegetação e a vida no Além.
Osíris, é sem dúvida o deus mais conhecido do Antigo Egito, devido ao grande número de templos que lhe foram dedicados por todo o país; porém, os seus começos foram os de qualquer divindade local, e é também um deus que julgava a alma dos egípcios se eles iam para o paraíso. Para os seus primeiros adoradores, Osíris era apenas a encarnação das forças da terra e das plantas. À medida que o seu culto se foi difundindo por todo o espaço do Egito, Osíris enriqueceu-se com os atributos das divindades que suplantava, até que, por fim substituiu a religião solar.[wikipedia]
Seth é o deus egípcio da violência e da desordem, da traição, do ciúme, da inveja, do deserto, da guerra, dos animais e serpentes. Seth era encarnação do espírito do mal e irmão de Osíris, o deus que trouxe a civilização para o Egito. Seth era também o deus da tempestade no Alto Egito. Era marido e irmão de Néftis. É descrito que Seth teria rasgado o ventre de sua mãe Nut com as próprias garras para nascer. Ele originalmente auxiliava Rá em sua eterna luta contra a serpente Apep na barca lunar, e nesse sentido Seth era originalmente visto como um deus bom.[wikipedia]
Na antiga cultura egípcia Set passou por períodos de imensa popularidade alternados por períodos de total rejeição. Set, nos períodos pré-dinásticos e arcaicos, era uma divindade essencialmente positiva, visto como uma extensão da existência. Ele era dessa forma deus da expansão dos limites/fronteiras e das mudanças radicais do ser - particularmente nascimento, circuncisão, iniciação, morte na batalha e renascimento através da cerimônia Abertura da Boca.
Popular entre os orientais - seu primeiro local de culto sendo o Pelusium no delta oriental do Nilo - o culto de Set rapidamente se espalhou para áreas vizinhas, onde ele foi identificado com deuses locais de Iniciação. Dois exemplos de tais locais de culto são Kharga no sul e o povoamento líbio de Ombos, onde Set foi identificado com o deus local Ash na II dinastia.
A adoração original de Set como uma divindade circumpolar/estrelar sofreu um declínio com o surgimento da adoração solar na IV dinastia.[Xeper]
Osiris, como toda divindadeda vegetação, tem que morrer para então renascer e trazer consigo a primavera, a fertilidade dos campos e dos rebanhos dependem disso. Coube a Set essa tarefa, a Isis de recolher seus pedaços [o caminho iniático imita essa busca] e a Horus vingar seu pai. Set, como toda divindade conturbada, foi relegado ao papel do traiçoeiro, do invejoso, do maligno. Esta história, nós, pagãos, bruxos e wiccanos conhecemos bem. Deuses antigos sendo demonificados e seus cultos sendo proibidos.
A luta entre Osiris e Set parece-se com a luta do Rei Carvalho e do Rei Azevinho. Ambos lutam não por inveja, mas pela Deusa. Set não invejava Osiris nem queria seu poder. Ele queria Isis, apesar de Neftis, porque ela era a primogênita de Nut, a Grande Deusa e, portanto, a primeira na linha sucessória. Ser o Consorte da Deusa foi quem tornou Osiris abençoado com terras férteis e Set tendo que viver no deserto.
Set apenas lutou pelo seu direito legal e real de ser o consorte de Isis. Afinal, Set lutou ao lado de Ra contra Apep. Apep era um Deus ou uma Deusa Serpente que, como todas as divindades ctônicas, estão ligados ao submundo, ao estado primordial e ao Caos. Nessa luta, Set precedeu a outros Deuses ordenadores, como Marduk e Zeus, mas sua sorte foi diferente. Ele não conquistou os favores de Isis, ou levou mais do que um ferimento dessa batalha. Ele não venceu a sua própria escuridão.
Nós travamos a mesma luta que teve entre Osiris e Set. Alguns se enganam, achando que podem subliminar seu lado escuro, vivendo dentro de preceitos religiosos que nos instam a ter certos comportamento e rejeitam outros, mas isso frequentemente resulta em neurose, fanatismo e fundamentalismo. Santidade nunca combinou com sanidade. Outros se iludem, achando que podem alcançar a iluminação dando vazão ao seu lado escuro, mas isso frequentemente resulta em psicopatia, megalomania e auto-destruição. Perversidade nunca combinou com veracidade.
O Caminho do Sábio, enveredando pelos Bosques Sagrados, vive entre a luz e a sombra. Não desperdiça sua vida em uma santidade inócua e hipócrita. Não empobrece sua vida com uma indulgência pueril e estúpida. Nós não rejeitamos nem elogiamos a sombra. Nós a reconhecemos como parte de nós mesmos, de nossa natureza, nos abraçamos e nos reunimos em nosso verdadeiro Ser.

domingo, 23 de janeiro de 2011

No centro da Arte Tradicional

Bruxaria Tradicional é um termo sujeito a uma série de equívocos que, na verdade, advêm do próprio termo. A idéia completa é que a bruxaria seja uma categoria extremamente ampla que passa através de toda a história e geografia, e conta toda uma série de concubinas, prisioneiros, astrólogos, mulheres bonitas, gente miserável, criminosos, hereges e assim por diante. É um termo pejorativo que denota aquele que desafia a ordem social cívica e seus limites. Isso significa que toda a idéia da 'bruxa' seja um termo desenvolvido pela ordem social profana, e como tal, é natural que a idéia da Arte das bruxas convide igualmente aqueles que desejam restaurar a intenção no coração da matéria, tanto as almas perdidas que vivem na alienação da Arte, e aqueles que procuram impor seu evangelho sobre a Arte das bruxas. Dada a diversidade que a própria palavra tem sido sujeita, é natural e verdadeiro que a Arte também fique sujeita a diversidade de fé e rito - mas isso nunca muda a doutrina em sua raiz.
A Arte das bruxas é tradicional - e mesmo se a idéia do que é tradicional, hoje, seja geralmente limitada a uma idéia bastante horizontal, profana e cívica de transmissão de algum tipo de conhecimento, a questão é outra. Uma Arte tradicional deve ser tradicional no verdadeiro sentido da palavra: deve revelar uma fundação em uma visão tradicional do mundo, que reconhece a importância do espírito de tal forma que teremos a encruzilhada ali, girando através dos mundos, convergindo como duas serpentes - uma em tempo telúrico e a outra através de anjos, elementais e espíritos, com uma sede pela manifestação repetida. A Arte tradicional é sempre orientada a partir de uma compreensão profunda, e da aceitação de como o ponto e o círculo são mediados por um milhão de tons, como o arco-íris e as escalas de cinza ...
Esta origem complexa também resulta em acusações de elitismo, direcionadas aos poucos grupos tradicionais da Arte que escolheram mostrar uma face pública por algum tempo. Esse elitismo é muitas vezes entendido em premissas modernas, que define uma "elite " como algo superior, enquanto se refere simplesmente sobre eleitos pelo sangue e ancestralidade. Isso não quer impor uma polaridade de superioridade e inferioridade a qualquer um, mas de parentesco ou não-parentesco. O fato de que você nunca possa pedir para ser introduzido em um clã fechado - e ter que ser convidado pelo reconhecimento de consanguinidade - provoca a alguns devido a um sentimento infeliz de inferioridade. A partir deste complexo de inferioridade e desejo velado na alienação, vemos criaturas rastejando para fora de seus buracos, pregando alguns evangelhos estranhos. Eles querem formar federações e querem reunir seguidores - tudo em nome de inferioridade e injustiça - ainda que o evangelho soe diferentes nas palavras que abrangem os complexos que estão exercendo.
A Arte propriamente pode assumir muitas formas, de caminhos solitários a adoção de uma forma de guilda ou ordem como aprendiz, caminhante e mestre, assim como um membro de um clã. No coração da Arte, encontramos ainda o mistério que liga tudo isso – relaciona-se à terra feita fértil pelas estrelas, anjos e todas as suas implicações. É neste mistério, simples e grandioso, que se estende ao centro da terra, da mesma forma que ao ponto imóvel nos céus, que encontramos a Arte - e aqui se encontra a explicação da diversidade. Terra e a esfera se comportam de maneiras diferentes, de região para região, como fizeram ao longo do tempo. Nisto encontramos a fluidez da Arte, como o Único Mistério possui mil caminhos. A Arte segue as leis silenciosas da Natureza - não da sociedade ou a ordem cívica. Ela fala da grandeza da Terra e dos muitos sábios que deram o seu sangue, ossos e carne à terra. A Arte fala na voz de terra, dos lugares selvagens, dos anjos e ancestrais - e como esta lingua ser "humana"? Esta é uma linguagem que fala com sua alma e agita seu coração!
Acredito que muitos dos delírios modernos sobre a Arte decorram de nossa ordem cívica que insiste em valores artificiais e mundanos. Os que buscam, perdidos neste assalto à natureza se sentirão ainda mais perdidos, e suas alienações serão dolorosamente evidentes à medida que tentam chamar os espíritos de uma terra agora coberta de concreto, asfalto e vidro. Um jardim dá consolo nessa alienação - e se você cuidar bem do jardim e dos espíritos, eles irão falar com você – mas na falta de até mesmo esse pequeno pedaço de terra abençoada, a pessoa estará perdendo uma parte importante da Arte propriamente.
Tenho afirmado através meu livro Artes da Noite (Editora Rosa Vermelha), que a bruxa é uma imagem poética de um legado que pertence a todos nós - e acredito que isso seja muito verdadeiro. Porém, este legado fala através da terra e do espírito, assim como era e é agora. Precisamos buscar esse legado nas nascentes e bosques, nas cavernas e lugares selvagens. É aqui, nos domínios da Natureza selvagem que esse legado é encontrado - não em federações, ou nas nefastas condenações e exaltações, ou em brigas sobre crenças. A Arte fala sobre a voz pura da natureza, assim como ela fala do sangue e o estimula a ser sábio para encontrar a sua paz.
Tradução do original publicado em Speculum Celestae, de Nicholaj de Mattos Frisvold
Fonte: Speculum Celestae [tradução divulgada no blog Diablerie, entrada do dia 18/01/2011]

sábado, 22 de janeiro de 2011

Dia Nacional dos Voduns

O Dia Nacional dos Voduns no Benin/África é comemorado em 10 de janeiro. Durante todo o dia em várias regiões do Benin, o povo entusiasmado se aglomeram nas portas dos templos executando rítmos, cânticos e danças em louvor aos Voduns. Todas as ruas e vilas são decoradas com motivos que lembram os ancestrais e os Voduns.
As mulheres fazem as melhores iguarias e os homens preparam o vinho de palma, que serão degustados no decorrer das festividades. As mulheres usam suas melhores roupas nativas e se enfeitam para agradar os deuses, os homens tocam os mais variados instrumentos musicais emitindo ritmos divinos e cantigas regionais que falam da tradição dos Voduns. Nas primeiras horas da madrugada os sacerdotes e sacerdotisas saúdam e homenageiam Legba, Sagbeto e os Ancestrais, acompanhados pelo povo.
No amanhecer oferecem sacrifícios e presentes aos Voduns. Começa a festa. Em Ouidah os adeptos de Mami Wata (mães das águas) improvisam altares nas areias das praias, rios e córregos onde são oferecidos balaios enfeitados com fitas, flores e presentes para os Voduns das águas. Diante desses altares, o povo canta e dança louvando os deuses.
O ponto culminante dessa comemoração é a hora em que esses presentes são colocados em pequenas embarcações e levados para alto mar onde serão oferecidos aos deuses; o povo acompanha todo esse movimento com gritos frenéticos e louvores. Essa data foi estabelecida após ser proclamada a independência do Benin. O governo constituído por beninenses elegeu Sossa Guedehouhoungue como Presidente Nacional do Culto aos Voduns, oficializando assim a religião.
Os principais templos aguardam a chegada de Sossa para dar início os rituais culminantes de comemoraçao ao Dia Nacional dos Voduns. Sossa se apresenta em praças públicas, onde os adoradores de Vodum o aguardam para saudá-lo por sua luta em prol da religião. Sossa Guedehouhoungue faleceu em 27/01/2001 e foi sepultado em 25/02/2001 na cidade de Dotou.
Sua urna mortuária viajou por quase toda a África, onde o grande líder recebeu rituais fúnebres como a ultima homenagem de um povo que tanto lutou para que seus direitos religiosos fossem respeitados. O dia 10 de janeiro é o marco de uma grande vitória religiosa e Sossa sempre será lembrado como o grande Sacerdote de Vodum. Comemorar e honrar os antepassados e Voduns, é uma prática natural para o povo Fon.
Fonte: Okitalande
Nota da casa: Aos irmãos Caribenhos, de sangue nativo, africano, espanhol e francês, Feliz Dia do Vodun!

As crenças e práticas das bruxas

Delas era uma religião de experiência: elas eram práticas em tudo que faziam, não confiando em livros. Sentimentos e emoções eram parte importante de suas experiências de vida em geral e realizavam seus rituais em particular. [pg. 278] As bruxas eram modestas no que elas admitiam quando elas não sabiam certas coisas, inicialmente sobre a história de sua tradição [...] [pg. 283]
De acordo com o dicionário, um rito é o evento aonde o ritual relaciona-se com as coisas que são feitas nele. Hoje em dia é mais comum falar de um ritual como a coisa toda [...]
Havia ações simbólicas e práticas – coisas que eram feitas porque elas foram sempre feitas e estava certo ou porque precisavam para alguma razão especial.
Ainda que os velhos ritos fossem ocasiões alegres e mudavam a cada tempo, eles tinham uma estrutura de abertura e de fechamento – invocando e agradecendo aos Deuses. Dentro desta estrutura, no coração do rito, havia espaço para palavras e ações espontâneas. [pg. 286]
As bruxas faziam magia e eu acho que tem duas razões para a reticência delas. Primeiro, sua moral era para curar, não para prejudicar e elas não queriam que suas técnicas caíssem em mãos erradas. A segunda é que algumas das técnicas para aumentar o poder envolviam algo considerado depravado. Elas usavam o sexo.
O uso do sexo pelas bruxas como uma forma de aumentar o poder era natural e franco sem qualquer das inibições como as que a sociedade tem com o que é um processo natural. [pg. 287]
O círculo das bruxas tinha duas funções principais, uma prática outra espiritual.
Sua função prática era manter o poder que é gerado dentro de uma pequena área para que pudesse ser direcionado no que as bruxas chamavam de Cone de Poder [...]
As bruxas disseram que trabalhavam, nuas porque era a única forma de obter poder.
Habilidade psíquica e habilidade de fazer magia são lados da mesma moeda e as bruxas são proficientes nos dois. Mas eram técnicas que precisavam ser exercitadas. [pg. 289]
Fonte: Wiccan Roots - Philip Heselton [Capall Bann]
Nota da casa: Estas são traduções de alguns trechos do livro “Wiccan Roots” de Philip Heselton. Evidente, a tradução não foi literal e me restringi aos parágrafos mais objetivos. A minha intenção não é provar, mas divulgar os elementos que este blog tem defendido desde a sua inauguração.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Dia de Reis

Eu entrei no ritmo do Tribunal de Justiça e estou produzindo em velocidade lenta. Acabei de ler o livro Wiccan Roots e espero em breve citar algumas partes interessantes sobre Bruxaria, mas até o texto sair do forno, eventual e dileto leitor, refestele-se com a série de textos [presentes] dados pela Qelimath, no blog Diablerie.
Certamente estarão citados por aqui, mas por ora, irei citar [e traduzir] o texto do blog Speculum Celeste.
Seis de janeiro, o Dia dos Reis magos [Dia de Reis no Brasil-NT] anunciando a epifania é um dia peculiar. Ele anuncia o fim dos 12 dias do natal e então celebra os signos do zodíaco e os sinceros apostolos de Jesus. Reina a confusão se o Dia de Reis começa no dia 5 ou 6 de janeiro o que traz a carta coringa, Escaiotes - o elemento de movimento e transformação que tornam a teofania possível. É o dia da iluminação, declaração e manifestação da promessa que se torna possivel pelos três reis magos.
É também o dia consagrado à "mais antiga", Befana no folclore italiano. Befana toma a forma da bem conhecida bruxa que monta uma vassoura que é como o Santo Nick e Krampus rastejando chaminé abaixo para recompensar e punir as crianças. No Haiti é o dia de Simbi – uma classe de espíritos associados com a magia, as florestas e milagres aparecendo nas esquinas obscuras da criação. Um dia em que as florestas revelam-se em toda sua glória nas fontes de água e cachoeiras.
É também um dia marcado pelo desordem no ciclo da saturnália quando o lider era escolhido pela sorte. Nos dias modernos este costume é encontrado na Rosca Espanhola feita em honra dos reis magos. O bolo contém uma única fava - e aquele que encontrar é feito rei por um dia - e às vezes um tolo pela vida toda. É o ultimo dia quando as  Moiras tentam seduzir Saturno para revelar o dia da Era Dourada para aqueles que tiverem olhos para ver.
É um dia, como a Sexta Santa, quando o véu entre os mundos está mais frágil e na Escandonávia era costume fumegar a casa e o solo intensamente nesse dia - o décimo segundo dia do ciclo natalino como é notado na última chance do maligno tentar agarrar o mundo . Juniper e estoraque, olíbano e mirra traz uma atmosfera mais agradável e uma tora de frutas coberta de mel e galões de vinho tinto perfumado e cidra irá convidar saturno e Jupiter para abençoar a casa.
Intrigantemente é a jornada dos três reis magos que definem os doze dias onde a Caçada Selvagem corre pelo mundo debaixo do sol. O ciclo da noite mais longa naturalmente convida os cidadãos da noite para festejar na ausência do sol. A jornada do sábio mediada pelos terrores de Odin e a horda de mortos te traz para a encruzilhada do ouro.
Esta é a última chance da noite e da magia antes que o sol tome o reino e despertede seu exílio. É um dia de cobras e serpentes - de iluminação e profecia. É o dia onde o juramento nunca deve ser feito. É um dia onde o que é feito poderá entrar nas salas do ouro e da prata e marcará o mundo para sempre com uma fagulha e uma visagem do infinito e da miraculosa possiblidade. Este é o dia quando o tolo pode governar e o que quer que consiga ao menos ter o cheiro da coroa real - roubando ou não. É o dia que liberta a vontade e dá conforto e um oásis em nossa jornada. Tudo isso dá motivo para celebrar, porque hoje nós todos podemos ser reis – reis da tolice ou sabedoria de acordo com a vontade das Moiras. Jogemos o velho na noite da folia tola e ascendamos nos rios da busca porque neste dia, seja visível ou invisível, o bom Deus Saturno presenteia com sua cornucópia ouro, vinho, loucura e sabedoria. Mas nunca se esqueça que um tolo com uma coroa permanece um tolo mas um sábio com uma coroa governa para sempre!
Nota da casa: E apenas os Cristãos não se dão conta dessa peculiar contradição da visita dos reis magos ao seu divino redentor.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Dakpassa

Uma nova religião? Uma nova filosofia? Alguma sabedoria do oriente? Não, é a inspiração que vem da Musa, Nana Odara.
Eu e muitos sentiremos falta dos textos e da visão holística/erótica com que ela nos brindava em seu blog Mater Mundi.
Mas como eu vivo dizendo: não existem coincidências. Para mitigar a saudade, um texto da Nana que fala de amor, relacionamento e de como nos tornamos tão doentios em nossas vidas erótico-afetivas por permitirmos que a sociedade, o governo ou a religião dite como devemos viver nossas vidas.
Dar, num sentido lato da palavra, pode ser um caminho qdo pensamos q estamos sem saída... sempre podemos fazer algo de bom por alguém e por nós mesmos, com alegria... qdo vc estiver fud*** na vida, lembre-se disso: dakpassa!!! Doar-se a uma causa ou ação voluntária, ajudar, cuidar, enfim... deixa sua alma respirar um pouco e sair da lógica social... mtas pessoas ao se sentirem perdidas encontram alento olhando para as pessoas a quem podem se doar e ajudar... não há ninguém q seja tão pobre q não possa ajudar, nem ninguém q seja tão rico q não precise de ajuda.
"Muitas pessoas tem um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não tem, e as que tinham e perderam". Geralmente, são essas últimas que vem ao meu consultório, para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro, dores etc. Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.
Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.
Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão", além da inevitável receita do anti-depressivo do momento. Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que não precisam de nenhum anti-depressivo; digo-lhes que precisam de um AMANTE!!!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas"?! Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais. Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte:
"AMANTE" é aquilo que nos "apaixona", é o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono, é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso "AMANTE " é o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Às vezes encontramos o nosso "AMANTE" em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, em escolas espirituais, na boa mesa, no estudo, ou no prazer obsessivo do passatempo predileto.... Enfim, é "alguém!" ou "algo" que nos faz "namorar a vida" e nos afasta do triste destino de "ir levando"!..
E o que é "ir levando"? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, ou achar que o mundo social é terrível demais e até pensar que se é superior a ele, ir levando é portanto regeitar o mundo, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva. Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão, de que talvez possamos realizar algo amanhã. Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista... DA SUA VIDA!
A psicologia após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:
"PARA ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA".
Fonte: Mater Mundi
Original: Dr. Jorge Bucay - tradução do original "Hay que buscarse um Amante" [Google]

sábado, 15 de janeiro de 2011

A tragédia como espetáculo

Recentemente fomos bombardeados com reportagens das chuvas e alagamentos no Rio e em São Paulo, com cenas impressionantes. Como se isso nunca tivesse acontecido antes. Como se nossos governantes não soubessem do perigo. Como se os populares não soubessem do risco. Como se a tragédia e a perda material e humana fosse mudar nosso estado de negligência e omissão, como se tantas mortes fossem mudar a forma de ocupação dos populares, como se os governantes fossem dar alguma prioridade ao planejamento urbano. Simplesmente vamos juntar os corpos, consolar os parentes, reconstruir as moradias e aguardar a próxima tragédia.
Infelizmente esta é a característica da Imprensa Brasileira, a Imprensa Abutre. E não é apenas no Brasil que as reportagens vão em busca de corpos, como abutres. No exterior, neste blog, eu critiquei a forma como os mais belos festivais e as mais lindas cerimônias de outros países só entravam no noticiário local e internacional se acontecesse uma tragédia.
Na Índia, o Santuário de Sabarimala apenas foi notícia não por sua beleza, sacralidade ou significado. Apenas a tragédia. Não há uma linha sequer sobre o Santuário ou sua história. Eu tenho que recorrer ao oráculo virtual [Google] para ter mais informações.
Sabarimala Sree Ayyappa Temple é um dos templos mais antigos e proeminentes templos de Sastha no país. Localizado na Gates Ocidentais no distrito de Kerala, Sabarimala Sri Dharmasastha Temple é um dos poucos templos na Índia que está aberto a todos os credos. O santuário de Sabarimala é um dos mais remotos santuários no sul dÍndia que ainda atrai de três a quatro milhões de peregrinos todos os anos.
A peregrinação começa em novembro e termina em janeiro.[Sabarimala]
Ayyappa , Hariraraputra, Sastra, Bhutanathan, Ayyannar são todos nomes de uma deidade muito famosa hoje em dia mas que durante muito tempo era praticamente confinada ao estado de Kerala onde fica seu principal templo.
Ayyappa, como seu nome Hariraraputra (Hari = Vishnu , Hara = Shiva, Putra = filho) diz é filho de Vishnu e Shiva , como? Ele é filho de Shiva com a forma feminina de Sri Vishnu , Mohinimurthi a “Forma do Encanto”, que é uma forma de Vishnu muito exaltada em Kerala.
Mohini já havia aparecido anteriormente, tanto para salvar o néctar da imortalidade da mão dos demônios lançando Seus encantos femininos e iludindo-os e também a pedido de Shiva que não se suportou tamanha beleza e A perseguiu por todo o universo tomado pelo desejo.
É dito que Shiva verteu seu sêmen e Vishnu como Mohini o conteve em Suas mãos e do poder de ambos Mohini formou uma criança, Ayyappan, uma cominação da energia de ambos.
A historia de Ayyappa neste planeta é ligada os estado de Kerala, onde ele tem seu principal templo, que se chamava Pandalam na antiguidade, abaixo irei dar uma resumida no seu passatempo.
Na época que o rei Rajashekara reinava sobre Pandalam, durante umas de suas expedições de caça, o rei ouviu o barulho de uma criança a margem do rio Pampa (foto abaixo), ao ir em direção ao barulho ele deparou se com uma criança resplandecente no local, que tinha uma bela jóia ao redor se seu pescoço (Manikhantan), o rei não sabia que o belo menino era filho de Vishnu e Shiva; O rei era piedoso, caridoso, devotado e justo, mais não havia sido agraciado com um filho, ele era um grande devoto do Senhor Shiva e sua esposa, a rainha, era devota do Senhor Vishnu e ambos oraram pedindo um filho para sua deidade favorita, e ao ver a criança o rei a encarou como a resposta a suas preces.
O raja levou o menino ao seu palácio e o criou como seu filho onde ele foi educado nas ciências e nas artes marciais além das escrituras sagradas, durante este tempo outra esposa do rei deu a luz a um menino mais o rei ainda assim considerou Ayyappa como seu herdeiro e o declarou como Yuvaraja (príncipe herdeiro).
O primeiro ministro, por inveja a Ayyappa, se juntou a segunda rainha e planejou um modo de tirar Ayyappa da posição de herdeiro, no dia da coroação de Ayyappa como herdeiro do trono a rainha fingiu que passava muito mal e com um plano feito pelo Primeiro Ministro arrumaram um médico fajuto que prescreveu que a rainha só sobreviveria que tomasse leite de uma tigresa, o rei pediu a vários querreiros de seu exercito mais nenhum se viu capaz de conseguir tão difícil ingrediente.
Então Ayyappa se ofereceu para conseguir o leite da tigresa, o rei concordou mais com aperto no coração temendo que seu filho não sobrevivesse.
Ayyappa então foi para o interior da floresta cumprir sua divina obrigação, após entrar na floresta foi atacado por um ladrão que ao perceber o poder do jovem se rendeu a ele e Ayyappa o aceitou e este ladrão, um muçulmano chamado Vavar, como seu melhor amigo( o que leva a crer que o passatempo deve ter ocorrido por volta do século XIII, um dos principais motivos de sua vinda na Terra era libertar uma jovem que havia sido transformada em demônio e residia na floresta onde era conhecida como Mahishi, que só poderia ser morta e liberada por um filho de Vishnu e Shiva, Ayyappa encontrou com a demônio na floresta e a matou liberando a jovem que havia sido amaldiçoada , a bela jovem pediu a Ayyappa que a aceitasse como esposa mais este disse que queria ser brahmacary (celibatário), disse a jovem que ela deveria residir na floresta que ele residiria em um templo próximo a ela e quando os peregrinos que fossem ali deixassem de aparecer então ele se casaria com ela, este local e hoje Sabarimala.
Indra ao ver a vitória do filho de Vishnu e Shiva apareceu e presenteou o jovem com vários tigres, Ayyappa então com seus tigres voltou ao palácio.
Ao entrar no palácio todos ficaram chocados ao ver o jovem Ayyappa montado sobre uma feroz tigresa e acompanhado pelos filhotes desta com o leite em suas mãos, ao ver que o menino tinha origem divida a rainha e o ministro caíram suplicando o perdão e o rei ficou maravilhado e tomado de amor e devoção, Ayyappa então se revelou como filho de Vishnu e Shiva e instruiu o rei acerca da salvação, Ayyappa então conduziu o rei até a floresta atirou uma flecha que atingiu o topo de Sabarimala ( neste local vivia Sabari uma mulher idosa de origem tribal que era devotada a Rama , que ofereceu frutas silvestrea a Rama e Lakshmana quando ambos se dirigiam a Lanka para resgatar Sita) e disse que naquele local deveria ser construído seu templo, o rei então ordenou que o templo fosse construído, e hoje é um dos locais de peregrinação mais importantes da Índia.
Após isso Ayyappa abençoou o rei e os outros presentes e desapareceu, o templo foi construído e Parashurama (encarnação de Vishnu que vive pelos lados de Kerala que Ele mesmo criou) pessoalmente fez a deidade de Ayyappa em madeira e instalou no templo onde está atualmente.
O templo é pequeno em comparação a vários da Índia e na sua entrada existem 18 degraus de ouro que representam os desejos que precisamos vencer nesta vida, uma vez ao ano milhões de pessoas, a grande maioria homens, faz o voto de visitar vários locais sagrados e de fazer varias austeridades num total de 41 dias que culmina na chegada em Sabarimalai, onde após carregar dois cocos, um deles cheio de ghee representando o ego, os oferece a Ayyappa quebrando os perante a entrada do templo.[Sanatha Dharma]
Nota da casa: Uma vergonha, mas como diria Felipe Neto, nós somos responsáveis pela forma como nos é transmitidas as notícias. Nós gostamos de fofoca sobre celebridades? Dá-lhe TV Fama [eu prefiro chamar de TV Lama]. Nós gostamos de saber da vida dos ricos? Dá-lhe Amaury Jr [um tipo de "Caras" televisivo, repugnante, considerando o nível médio do brasileiro]. E assim vamos nos "pocotizando", como disse o Luciano Pires.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Política = Tabu?

Por indicação, eu assisti o vídeo do Felipe Neto sobre "Política". Um consolo, ver um jovem com consciência, nesta Terra em Transe do Glauber.
Aqui eu noticiei a iniciativa na Austrália do Partido do Sexo e de como seria bom ter algo assim no Brasil.
Eu também falei da interessante obra de Riane Eisler sobre o Prazer Sagrado e de como isso tem tudo a ver com política e a nossa indigência cultural.
Por blogs amigos, cheguei ao blog que propõe a fundação de um Partido da Esquera Erótica Mexicana:
El Partido de la Izquierda Erótica, nacido con la energía de un abrazo apretado y redondo, se propone, en primer lugar, fomentar que las mujeres nos reencontremos con nosotras mismas y reconozcamos el voltaje de la corriente de posibilidad que llevamos en las venas.
Las primeras acciones y reuniones del PIE, por consiguiente, estarán orientadas a que entre nosotras nos pongamos en autos de quienes somos, de dónde venimos y con qué experiencias y fuerzas contamos.
Se propone que sean sesiones de elogios mutuos, de aplausos y jolgorio. Como es sabido, la primera obligación de la militancia del PIE es la de ser optimista, positiva y dispuesta a la felicidad.
Las instamos a reunirse, conocerse a fondo,a relatar sus circunstancias particulares y las dificultades que experimentan como mujeres en su propia vida.
[Fonte: Partido de la Izquierda Erótica Mexicana]
Eu me pergunto o que Eros diria disso. Eu me pergunto o que Afrodite diria disso. Como bom pagão e bruxo, eu prefiro a Anarquia.
Falar de sexo, de preferências sexuais, deixou de ser tabu. Pelo menos no espetáculo midiático. Na vida cotidiana e rotineira, os tabus e proibições sociais estão bem vivos, ainda que na teoria eu ouço minhas amigas concordarem com minhas opiniões sobre amor e relacionamento.
Mas nossa espécie parece depender dos tabus para poder viver de forma funcional. Haja visto o domínio do Politicamente Correto e o imerecido prestígio dado aos discursos em torno do "direito animal". Quem tem que ser preservado é a humanidade. O ambiente vai continuar a existir depois que nós mesmos nos extinguirmos.
Falar que a Bruxaria usa animais é proibido e tabu...entre pagãos e bruxos! Falar de política e que ser pagão é ter uma postura política também parece ser um tabu, algo proibido de se declarar. A postura de um pagão diante da questão ambiental e dos animais é uma postura poítica, por mais que se tente disfarçar.

Há algum tempo eu desisti de tentar avisar aos pagãos, bruxos e wiccanos sobre o surgimento e o crescimento de um verdadeiro culto à personalidade no nosso meio. Eis que as mesmas figuras, cheias de megalomania, cheias de autoridade auto-proclamada, anunciam uma Igreja...para bruxos e wiccanos! Eu sei que falar disso também é tabu, é proibido e eu fui excomungado exatamente por contestar os falsos profetas.
Depois de tanto tempo, ainda somos tremendamente inseguros. Depois de tantas conquistas, ainda procuramos segurança em falsos líderes e a salvação em falsos messias. Depois de tantas descobertas, ainda vivemos vidas vividas entre saldões e liquidações, porque nos tornamos descartáveis como as mercadorias que compramos, nos tornamos artificiais como as personalidades que cultuamos.
Meu consolo é saber que isso é apenas aparente. De tempos em tempos, eu me surpreendo em ouvir das pessoas o mesmo inconformismo que tem me mantido no rumo certo. De tempos em tempos, eu ouço mulheres falando em assumir o controle de suas vidas ao descartarem a misoginia patriarcal vigente. De tempos em tempos eu vejo pessoas resgatando o sentido do sagrado e divino no amor, no sexo, no prazer, no desejo e nos relacionamentos. De tempos em tempos eu vejo o desgaste do sistema vigente, se auto-decompondo, se auto-necrosando, de tanto que o público está saturado.
Eu não sei se vai melhorar, eu não sei se algo vai mudar mas, para alegria de uns e desespero de outros, aqui, o tabu está morto.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Quando bons livros se escreviam

Desde que no Brasil a sub-literatura ganhou destaque e prestígio com as obras de Paulo Coelho, o nível da leitura do brasileiro tem decaído muito, haja visto o sucesso dos livros de romantismo juvenil envolvendo vampiros.
Houve um tempo em que se escrevia bons livros. Nada mais justo do que divulgar e anunciar a iniciativa da Flip.
O escritor Oswald de Andrade (1890-1954) será o homenageado da próxima edição da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, que será realizada entre os dias 6 e 10 de julho de 2011.
Um dos nomes mais importantes do modernismo brasileiro, idealizador da Semana de 22 e do Manifesto Antropófago, entre outros, Oswald será tema de debates em diversas mesas do evento, que neste ano tem curadoria do crítico Manoel da Costa Pinto.
A organização da Flip anunciou também os dois primeiros convidados internacionais do evento. São o argentino Andrés Neuman, jovem autor de 33 anos que lança este ano seu primeiro romance no Brasil ("O viajante do século", pela Alfaguara), e o norte-americano David Remnick, jornalista da revista "The New Yorker" e autor da biografia de Barack Obama "A ponte".
Realizada na cidade colonial de Parati, RJ, a Flip chega este ano à sua nona edição. Entre os autores já homenageados em outros anos estão Gilberto Freyre, Machado de Assis, Manuel Bandeira e Clarice Lispector.
Fonte: G1

Teste de bruxaria

Um curandeiro indiano foi preso após ter sido acusado de forçar dezenas de mulheres a beber uma poção para provar que não eram bruxas.
Trinta mulheres passaram mal após tomarem uma infusão herbal no vilarejo de Shivni, no Estado de Chhattisgarh, região central da Índia, como parte de uma caça às bruxas no domingo.
Um porta-voz da polícia, Rajesh Joshi, disse à BBC que moradores do vilarejo suspeitavam que a doença de uma jovem de 18 anos pudesse ter sido causada por bruxaria.
'O pai dela, Sitaram Rathod, e outros moradores suspeitavam que (a doença) poderia ter sido causada por um feitiço', disse o policial.
'Eles (os moradores) chamaram um ojha (curandeiro) para desfazer o feitiço.'
Autoridades dizem que o curandeiro, identificado como Bhagwan Deen, havia recebido a ajuda de outros moradores para reunir todas as mulheres adultas no centro do vilarejo.
Ele teria então conduzido rituais que não conseguiram identificar a suposta bruxa e teria decidido apelar para o teste com a poção.
'O curandeiro forçou as mulheres a consumir uma bebida feita com uma erva venenosa local', disse Joshi.
'Ele disse que, após beber a infusão, a verdadeira bruxa confessaria voluntariamente.'
Das 30 mulheres levadas a um hospital após o incidente, 25 já receberam alta.
A polícia diz que outras cinco continuam hospitalizadas, entre elas uma mulher de 70 anos cujo estado seria grave.
Outros seis moradores do vilarejo também foram presos por ajudar o curandeiro.
Caças às bruxas são comuns nas regiões Central e Leste da Índia. Todos os anos, mulheres acusadas de bruxaria são mortas.
Fonte: G1
Nota da casa: E o Chico Bento XVI ainda tem a pachorra de dizer que os cristãos precisam ser protegidos. As bruxas são muito mais perseguidas.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A favor da blasfêmia

Cidade do Vaticano, 10 jan (EFE).- Bento XVI pediu às autoridades do Paquistão nesta segunda-feira para que acabem com a lei contra a blasfêmia, ao considerá-la um pretexto para injustiças e violência contra as minorias religiosas.
Em seu encontro anual com o corpo diplomático credenciado perante a Santa Sé, o papa denunciou os ataques contra a liberdade religiosa em diversas partes do mundo e disse que entre as normas que atingem o direito das pessoas a essa liberdade "merece uma menção especial a lei contra a blasfêmia no Paquistão".
"Encorajo de novo às autoridades desse país a realizar os esforços necessários para suprimi-la, tanto quanto é evidente que serve de pretexto para cometer injustiças e violências contra as minorias religiosas", afirmou o papa.
O Pontífice acrescentou que o "trágico assassinato" do governador do Punjab "evidencia a urgência de proceder nesse sentido".
O papa assinalou que a "veneração a Deus promove a fraternidade e o amor, e não o ódio e a divisão".
Em 4 de janeiro o governador da província paquistanesa oriental de Punjab, Salmaan Taseer, foi assassinado em Islamabad. O político era criticado pelos clérigos fundamentalistas por sua oposição à lei anti-blasfêmia e seu apoio à camponesa cristã condenada a morte sob esta norma, Asia Bibi.
Bibi, mãe de cinco filhos, foi denunciada por um fundamentalista islâmico em junho de 2009, acusada de ter ofendido Maomé durante uma discussão com várias mulheres muçulmanas que tinham rejeitado beber água que tinha tocado na cristã, ao considerá-la "impura".
Bibi foi detida, depois que um grupo de muçulmanos assaltasse sua casa e agredisse seus filhos.
Fonte: G1
Nota da casa: Eu reitero meu comentário feito no Blas Fêmeas, onde eu afirmo que o pedido para que se revoguem leis contra a blasfêmia é apenas aos Muçulmanos. Nem o Chico Bento XVI, nem o Vaticano, nem a Igreja pretendem seguir o conselho que dão.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Dilma limpa o gabinete

Em sua primeira semana no Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff mandou tirar do seu gabinete a Bíblia e o crucifixo, o que, talvez, tenha sido a primeira vez que isso ali ocorre.
Esse gesto pode ter várias interpretações, entre as quais a sinalização de que ela não aceitará em seu governo a ingerência de religiões e religiosos. O que não houve em sua campanha eleitoral, quando teve de se aproximar de líderes evangélicos e católicos para tentar convencê-los de que não vai se empenhar para a legalização do aborto.
Durante o vale-tudo da campanha, evangélicos acusaram Dilma de ser ateia, o que ela nunca admitiu. Mas com certeza mudou o seu senso de religiosidade, ao menos de boca para fora, para não perder parte dos votos que herdou do Lula.
Em 2007, em entrevista à Folha de S.Paulo, ela afirmou ter ficado “durante muito tempo meio descrente”. Em abril de 2010, já em campanha, lembrou ter sido criada no catolicismo e que acreditava em uma força superior. “Estudei em colégio de freira. Sou católica.”
Em um dos seus discursos de posse, Dilma reafirmou o compromisso com a liberdade religiosa, o que seria desnecessário dizer, porque está previsto na Constituição.
A rigor, independente da crença ou descrença de Dilma, a Bíblia, o crucifixo e demais símbolos religiosos deveriam ser retirados não só do gabinete presidencial, mas de todas as repartições públicas, porque o Estado é laico. Também está na Constituição.
Fonte: Paulo Lopes

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bola dentro

Direto das Blas Fêmeas:
BRUXELAS, 6 Jan 2011 (AFP) -Os escândalos de pedofilia que sacodem a Igreja católica belga estão colocando em questionamento a fé de seus fieis, como evidencia a crescente onda de 'desbatizados' no país, um fenômeno global que consiste em dar baixa na certidão de batismo.
"Quando a pessoa não está de acordo com uma organização, da qual, inclusive, não escolheu fazer parte, o mais lógico é sair dela", explica um desses fieis, Damien Spleeters.
Na Bélgica, um país majoritariamente católico, Spleeters, de 24 anos, faz parte de um número crescente de católicos enojados com a Igreja, protagonista de uma série absurda de escândalos de pedofilia.
Depois que foi revelado, em abril de 2010, que o bispo de Bruges abusou de seu sobrinho dos 5 aos 18 anos, uma comissão abalizada pela própria instituição revelou os testemunhos de quase 500 casos de abusos sexuais nos últimos 60 anos, dos quais 13 acabaram em suicídio da vítima.
Spleeters escreveu no ano passado ao bispo de Tournai (oeste), que é subordinada à paróquia em que foi batizado, para anunciar que não desejava que a Igreja continuasse "falando em seu nome" e pedir que seu nome fosse apagado do registro de batismos.
A decisão de Spleeters não é incomum, indica Daniel Leclerq, do grupo "Amigos da Moral Secular", que orienta os católicos que querem se desbatizar na Bélgica.
"Os comentários do Papa Bento XVI contra o preservativo, a nomeação do conservador André-Joseph Léonard à chefia da Igreja belga e as revelações de pedofilia elevaram a um aumento dos desbatizados", argumenta Leclerq.
Apesar de não existirem cifras oficiais em nível nacional, esta associação explica que, em 2010, trabalharam com 1.700 casos, em comparação com os 380 em 2009 e 66 em 2008.
"Comparado com a comunidade católica na Bélgica, esta cifra representa uma porcentagem muito pequena", relativiza Tommy Scholtes, porta-voz dos bispos belgas.
Dos dez milhões de belgas, 60% são batizados, mas, segundo uma pesquisa publicada esta semana, apenas 8% da população confia na Igreja.
Na prática, a renegar o batismo, um fenômeno que se estendeu no mundo com a proliferação de grupos ateus que oferecem apoio pela internet, consiste em escrever para a paróquia onde a pessoa foi batizada para que se anote no registro que o fiel decidiu abandonar a Igreja.
Além da Igreja belga, outros escândalos de pedofilia atingiram os religiosos dos Estados Unidos, da Irlanda e da Alemanha.
Os bispos do reino pediram oficialmente perdão, mas resistem a indenizar as vítimas, estimando que a justiça deve estudar a pertinência desta decisão.
Fonte: O Globo
Nota da casa: Essa é a tendência mundial e eu apoio: APOSTASIA JÁ!

Bola fora

Direto das Blas Fêmeas:
A mente de Deus esteve por trás de teorias científicas complexas como a do Big Bang, e os cristãos devem rejeitar a ideia de que o Universo tenha surgido por acaso, disse o papa Bento 16 nesta quinta-feira.
"O Universo não é fruto do acaso, como alguns querem que acreditemos", disse Bento 16 no dia em que os cristãos celebram a Epifania --a Bíblia diz que os três reis magos, seguindo uma estrela, chegaram ao lugar onde Jesus nasceu.
"Contemplando (o Universo), somos convidados a enxergar algo profundo nele: a sabedoria do Criador, a criatividade inesgotável de Deus", disse o papa em sermão para 10 mil fiéis na Basílica de São Pedro.
Nas ocasiões anteriores em que o papa falou sobre a evolução, ele raramente voltou atrás no tempo para discutir conceitos específicos como o do Big Bang, que cientistas acreditam tenha levado à formação do Universo, cerca de 13,7 bilhões de anos atrás.
Pesquisadores da Cern (sigla francesa de Organização Européia de Pesquisa Nuclear, em Genebra) vêm esmagando prótons em velocidade quase igual à da luz para simular as condições que, acreditam, teriam dado origem ao Universo primordial, do qual terminaram por emergir as estrelas, os planetas e a vida na Terra --e possivelmente em outros lugares também.
Alguns ateus afirmam que a ciência pode provar que Deus não existe, mas o papa disse que algumas teorias científicas são "mentalmente limitadoras" porque "chegam apenas até certo ponto (...) e não conseguem explicar a realidade última (...)".
PERGUNTAS SEM RESPOSTAS
O papa declarou que as teorias científicas sobre a origem e o desenvolvimento do Universo e dos humanos, embora não entrem em conflito com a fé, deixam muitas perguntas sem resposta.
"Na beleza do mundo, em seu mistério, sua grandeza e sua racionalidade (...), só podemos nos deixar ser guiados em direção a Deus, criador do Céu e da Terra", disse ele.
Bento 16 e seu predecessor, João Paulo 2º, procuram despir a Igreja da imagem de ser contrária à ciência --rótulo que ela ganhou quando condenou Galileu por ensinar que a Terra gira em volta do Sol, contestando as palavras da Bíblia.
Galileu foi reabilitado, e hoje a Igreja também aceita a evolução como teoria científica e não vê razão pela qual Deus não possa ter empregado um processo evolutivo natural para formar a espécie humana.
A Igreja Católica deixou de ensinar o criacionismo --a ideia de que Deus teria criado o mundo em seis dias, conforme descrito na Bíblia-- e diz que o relato bíblico do livro do Gênesis é uma alegoria para explicar como Deus criou o mundo.
Mas a Igreja é contra o uso da evolução para respaldar uma filosofia ateia que nega a existência de Deus ou qualquer participação divina na criação. Ela também é contra o uso do livro do Gênesis como texto científico.
Fonte: Folha
Nota da casa: O discurso da Igreja muda conforme os ventos mudam de direção. E ainda tem católico/protestante/cristão que defende a interpretação literal da bíblia e a "teoria" criacionista.