Hesíodo nos conta, em sua obra Teofania, sobre o "rapto" da Europa:
"Zeus, um dia, olhando distraidamente para a costa da Ásia Menor, viu uma mulher de extraordinária beleza. Era Europa, filha de Agenor, rei da Fenícia. Zeus apaixonou-se por Europa e para tê-la disfarçou-se de um belíssimo touro branco, com chifres em meia lua. Europa viu tal touro tão amável que montou em suas costas e foi levada até Creta, onde ela teve seus filhos Minos, Radamanto e Sarpedão."
Minos depois se tornou o rei de Creta, dando origem à civilização Minóica, tão citada como uma das civilizações antigas mais avançadas. O que Hesíodo não nos conta é por que o touro era branco, por que Europa não teve medo e o que há por detrás do "rapto".
Europa não foi raptada, ela montou voluntariamente no touro branco. Mesmo nos dias de hoje, "montar" tem uma conotação sexual. Não foi Zeus, a despeito de todo seu histórico como conquistador, que se disfarçou como um touro branco, mas foi Hesíodo que o associou ao touro branco, provavelmente o símbolo de um Deus anterior e mais antigo que Zeus.
Na antiguidade, os livros eram escritos para a aristocracia. Hesíodo não conhecia, não tinha meios ou não tinha liberdade para escrever a respeito dos mitos e crenças da época. No tempo em que Hesíodo escreveu Teofania, os Gregos Antigos estavam esquecendo de seus Deuses e Deusas, a filosofia tomava o lugar e a função dos mitos, a religião estatal esmagava os cultos mais antigos. Hesíodo escreveu Teofania para organizar, hierarquizar e justificar a supremacia da religião estatal, onde Zeus reinava absoluto sobre um panteão com Deuses e Deusas mais antigos (e, outrora, mas poderosos) do que Zeus.
Hesíodo escreveu para tranquilizar a aristocracia que se sentia insegura diante da imensa diversidade de cultos, crenças e Deuses que existiam na Grécia Antiga, sobretudo para suprimir os mitos, os cultos e crenças mais velhas, que estavam vinculadas aos povos nativos que, como muitos dos povos primitivos, cultuavam uma Deusa Terra e um Deus Touro. Hesíodo cumpriu com seu trabalho e, inadvertidamente, eternizou o antigo, o perturbador e o poderoso Deus Touro.
terça-feira, 30 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Por que no te callas?
Muitos têm se manifestado em defesa do sr Ratzinger, tentando explicar a declaração que ele deu e que causou uma comoção pública.
Eu tenho visto na Internet textos de católicos e defensores da Igreja dizendo que a Imprensa exagerou, aumentou ou inventou que o sr Ratzinger “liberou” o uso de preservativos. Então vamos aos fatos: A citação foi extraída do livro, A Luz do Mundo, publicado com entrevistas do sr Ratzinger com o repórter Peter Seewald. O trecho explorado pela Imprensa refere-se a uma questão feita pelo repórter quanto à declaração que o sr Ratzinger fez na ocasião de sua visita à África, afirmando que o preservativo não deteria o avanço do HIV no continente.
Na época, os “especialistas” da Igreja saíram em defesa do sr Ratzinger, citando “estudos científicos” que comprovavam a ineficácia do produto. Estudos que foram citados de forma distorcida, desonesta e tendenciosa. Então o Dr. Edwar Green surgiu com uma nova interpretação ao que o sr Ratzinger declarou na África, colocando o enfoque no comportamento do usuário. Neste momento eu escrevi ao Dr Green e compartilhei com ele meu desacordo com esta interpretação dada por ele, mas ele preferiu dar o “benefício da dúvida” ao sr Ratzinger.
Infelizmente nenhum repórter entrevistou o sr Ratzinger depois da infeliz declaração, mas ele teria dito o mesmo que os “especialistas” da Igreja, afirmando que o uso de preservativos não evita o contágio, sem falar qualquer coisa em relação ao comportamento.
Evidentemente a Igreja, o Vaticano e o sr Ratzinger assimilaram e assumiram a ajuda dada pelo Dr Green e passaram a usar esta desculpa esfarrapada para explicar, defender e justificar a posição da Igreja contra o uso de preservativos.
O que o Vaticano tenta ocultar da opinião pública é que o que está em questão é o poder e o controle da Igreja sobre o corpo [e a sexualidade] de seus seguidores. Para defender as doutrinas da Igreja que condena toda e qualquer forma de controle de natalidade, seja o preservativo, seja a pílula, seja o aborto, essa instituição é capaz de fazer qualquer coisa. Para a doutrina da Igreja, a concepção é sagrada e o uso de qualquer contraceptivo é um atentado contra a vontade de Deus.
Depois da polêmica, a divulgação da entrevista foi descrita pelos católicos e defensores da Igreja como sendo uma “opinião pessoal” do sr Ratzinger, não um discurso de autoridade de Bento XVI. Mas na prática, para milhões de católicos, tudo aquilo que o Papa fala deve ser ouvido e obedecido sem questionamento, por toda a humanidade. Tanto que, na época, os católicos criticaram a Lancet por ter contestado o discurso do Papa.
O fato é que na África ele condenou o uso de preservativos, não o comportamento de risco e na entrevista ele admitiu que o uso de preservativos é justificado em certos casos. O resto é fogo de artifício, um jogo com espelhos e fumaça. O sr Ratzinger se contradisse.
Como eu comentei no blog do Jorge Ferraz [acena], há algo de muito errado se, sempre que um alto signatário diz o que dá na telha, o Vaticano tem que explicar ou contradizer o que foi dito. O problema é que a classe clerical não sabe o que diz. Seja como opinião pessoal ou discurso de autoridade. Com tanta confusão pela ou por causa da Igreja, está na hora da humanidade gritar, em plenos pulmões, para o sr Ratzinger, para o Vaticano e para a Igreja: “Por que no te callas?”
Eu tenho visto na Internet textos de católicos e defensores da Igreja dizendo que a Imprensa exagerou, aumentou ou inventou que o sr Ratzinger “liberou” o uso de preservativos. Então vamos aos fatos: A citação foi extraída do livro, A Luz do Mundo, publicado com entrevistas do sr Ratzinger com o repórter Peter Seewald. O trecho explorado pela Imprensa refere-se a uma questão feita pelo repórter quanto à declaração que o sr Ratzinger fez na ocasião de sua visita à África, afirmando que o preservativo não deteria o avanço do HIV no continente.
Na época, os “especialistas” da Igreja saíram em defesa do sr Ratzinger, citando “estudos científicos” que comprovavam a ineficácia do produto. Estudos que foram citados de forma distorcida, desonesta e tendenciosa. Então o Dr. Edwar Green surgiu com uma nova interpretação ao que o sr Ratzinger declarou na África, colocando o enfoque no comportamento do usuário. Neste momento eu escrevi ao Dr Green e compartilhei com ele meu desacordo com esta interpretação dada por ele, mas ele preferiu dar o “benefício da dúvida” ao sr Ratzinger.
Infelizmente nenhum repórter entrevistou o sr Ratzinger depois da infeliz declaração, mas ele teria dito o mesmo que os “especialistas” da Igreja, afirmando que o uso de preservativos não evita o contágio, sem falar qualquer coisa em relação ao comportamento.
Evidentemente a Igreja, o Vaticano e o sr Ratzinger assimilaram e assumiram a ajuda dada pelo Dr Green e passaram a usar esta desculpa esfarrapada para explicar, defender e justificar a posição da Igreja contra o uso de preservativos.
O que o Vaticano tenta ocultar da opinião pública é que o que está em questão é o poder e o controle da Igreja sobre o corpo [e a sexualidade] de seus seguidores. Para defender as doutrinas da Igreja que condena toda e qualquer forma de controle de natalidade, seja o preservativo, seja a pílula, seja o aborto, essa instituição é capaz de fazer qualquer coisa. Para a doutrina da Igreja, a concepção é sagrada e o uso de qualquer contraceptivo é um atentado contra a vontade de Deus.
Depois da polêmica, a divulgação da entrevista foi descrita pelos católicos e defensores da Igreja como sendo uma “opinião pessoal” do sr Ratzinger, não um discurso de autoridade de Bento XVI. Mas na prática, para milhões de católicos, tudo aquilo que o Papa fala deve ser ouvido e obedecido sem questionamento, por toda a humanidade. Tanto que, na época, os católicos criticaram a Lancet por ter contestado o discurso do Papa.
O fato é que na África ele condenou o uso de preservativos, não o comportamento de risco e na entrevista ele admitiu que o uso de preservativos é justificado em certos casos. O resto é fogo de artifício, um jogo com espelhos e fumaça. O sr Ratzinger se contradisse.
Como eu comentei no blog do Jorge Ferraz [acena], há algo de muito errado se, sempre que um alto signatário diz o que dá na telha, o Vaticano tem que explicar ou contradizer o que foi dito. O problema é que a classe clerical não sabe o que diz. Seja como opinião pessoal ou discurso de autoridade. Com tanta confusão pela ou por causa da Igreja, está na hora da humanidade gritar, em plenos pulmões, para o sr Ratzinger, para o Vaticano e para a Igreja: “Por que no te callas?”
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres
Com o chamada à ação acima, a Rede Feminista de Saúde e a Rede de Saúde das Mulheres Latinoamericanas e do Caribe – RSMLAC estão juntas, mais uma vez, na Campanha 25 de Novembro – Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres. Neste ano de 2010, a RSMLAC foca seu chamado à ação na denúncia da violência sexista como uma grave violação dos direitos humanos das mulheres e meninas. De acordo com a Organização, a violência de gênero provoca impactos sociais, culturais, políticos e afeta, também, a economia e o desenvolvimento dos países. Para a RSMLAC este fenômeno deve ser encarado como prioritário na agenda da saúde pública da região.
O objetivo principal deste 25 de Novembro é que se promova ações que estimulem um maior compromisso social por parte dos Estados “para prevenir, punir e erradicar a violência contra mulheres e meninas e oferecer plena defesa dos direitos humanos e promoção da saúde integral”. Neste ano, a RSMLAC está integrando a Campanha Ponto Final na Violência contra Mulheres e Meninas às ações do Dia Internacional da Não Violência. A Campanha está sendo desenvolvida, desde o início do ano, em quatro países da região – Bolívia, Brasil, Guatemala e Haiti – e tem como proposta desnaturalizar e eliminar a aceitação social de todas as formas de violência contra as mulheres nos diversos níveis sociais.
A Ponto Final busca mexer com as consciências, questionando padrões culturais e visa novas posturas individuais e coletivas. No Brasil, a coordenação executiva é da Rede Feminista de Saúde e reúne na coordenação geral a Rede de Homens pela Equidade de Gênero - RHEG; Agende - Ações de Gênero, Cidadania e Desenvolvimento e Coletivo Feminino Plural. No documento do Chamado à Ação 2010, a RSMLAC destaca que a Ponto Final também está integrada à campanha mundial das Nações Unidas “Diga NÃO para a violência contra as mulheres lançada em 2008.
No Brasil, a Ponto Final passará incidir também na Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, realizada em 130 países, de 25 de Novembro a 10 de Dezembro. A campanha no país começa antes, no próximo dia 20 de Novembro - Dia Nacional da Consciência Negra - ,para acentuar a condição de opressão de gênero, raça e etnia vivida pelas mulheres negras brasileiras.
Sobre a data: A comemoração desta data - 25 de Novembro - tem sua origem no Primeiro Encontro Internacional Feminista, celebrado em 1980, quando foi proposta a referida data em homenagem às três irmãs Mirabal - Pátria, Minerva e Maria Tereza - , ativistas políticas, brutalmente assassinadas nesse dia na República Dominicana. Em março de 1999, uma resolução das Nações Unidas – ONU – é assinada, declarando 25 de novembro o Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres, reverenciando as três dominicanas.
Fonte: CUT-SP
O objetivo principal deste 25 de Novembro é que se promova ações que estimulem um maior compromisso social por parte dos Estados “para prevenir, punir e erradicar a violência contra mulheres e meninas e oferecer plena defesa dos direitos humanos e promoção da saúde integral”. Neste ano, a RSMLAC está integrando a Campanha Ponto Final na Violência contra Mulheres e Meninas às ações do Dia Internacional da Não Violência. A Campanha está sendo desenvolvida, desde o início do ano, em quatro países da região – Bolívia, Brasil, Guatemala e Haiti – e tem como proposta desnaturalizar e eliminar a aceitação social de todas as formas de violência contra as mulheres nos diversos níveis sociais.
A Ponto Final busca mexer com as consciências, questionando padrões culturais e visa novas posturas individuais e coletivas. No Brasil, a coordenação executiva é da Rede Feminista de Saúde e reúne na coordenação geral a Rede de Homens pela Equidade de Gênero - RHEG; Agende - Ações de Gênero, Cidadania e Desenvolvimento e Coletivo Feminino Plural. No documento do Chamado à Ação 2010, a RSMLAC destaca que a Ponto Final também está integrada à campanha mundial das Nações Unidas “Diga NÃO para a violência contra as mulheres lançada em 2008.
No Brasil, a Ponto Final passará incidir também na Campanha dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, realizada em 130 países, de 25 de Novembro a 10 de Dezembro. A campanha no país começa antes, no próximo dia 20 de Novembro - Dia Nacional da Consciência Negra - ,para acentuar a condição de opressão de gênero, raça e etnia vivida pelas mulheres negras brasileiras.
Sobre a data: A comemoração desta data - 25 de Novembro - tem sua origem no Primeiro Encontro Internacional Feminista, celebrado em 1980, quando foi proposta a referida data em homenagem às três irmãs Mirabal - Pátria, Minerva e Maria Tereza - , ativistas políticas, brutalmente assassinadas nesse dia na República Dominicana. Em março de 1999, uma resolução das Nações Unidas – ONU – é assinada, declarando 25 de novembro o Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres, reverenciando as três dominicanas.
Fonte: CUT-SP
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terça-feira, 23 de novembro de 2010
Não se pode elogiar!
Não tem jeito, a Igreja, o Vaticano e o sr Ratinger continuam a decepcionar as esperanças e espectativas da humanidade [e as minhas] por uma atualização de suas doutrinas.
Duas notícias recentes mostram que a cada ensaio de avanço, voltam logo correndo para o atraso.
O Vaticano cobra do novo governo de Dilma Rousseff um compromisso para que não reabra o acordo que rege as relações bilaterais com o Brasil e que foi alvo de muita polêmica. O assunto foi debatido ontem em reunião do secretário da Santa Sé para Relações com os Estados, Dominique Mamberti, com Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Definiu-se, no encontro, que Dilma fará uma viagem a Roma em 2012 para se reunir com o papa Bento XVI. A visita já está sendo organizada pelo Palácio do Planalto e pela Santa Sé e faz parte do projeto de uma "trégua" entre o Vaticano e Dilma depois da polêmica sobre o aborto, durante a campanha eleitoral.
O Vaticano solicitou a Carvalho que o Acordo Brasil-Santa Sé sobre o Estatuto Jurídico da Igreja Católica entre em vigor a partir do próximo mandato. O documento inicial, proposto pela Igreja em 2007, falava na obrigatoriedade do ensino de religião em escolas públicas, acesso às reservas naturais para missionários e isenção de impostos. O Itamaraty alterou o texto para uma mera declaração de boas relações com a Santa Sé.
Sancionado pelo presidente Lula no início deste ano, o texto esbarrou em um processo e está no Supremo Tribunal Federal (STF). "Não acreditamos que isso ofereça um risco para sua entrada em vigor", disse Carvalho.[Estadão]
Nota 1: Isto foi devidamente denunciado no texto "A integra da Concordata".
CIDADE DO VATICANO, 23 Nov 2010 (AFP) -A homossexualidade é injusta, opõe-se à vontade de Deus e é inconciliável com a vocação sacerdotal, estima o Papa Bento XVI em seu livro-entrevista apresentado nesta terça-feira à imprensa, "Luz do Mundo".
"Enquanto seres humanos (os homossexuais) merecem respeito (...) não devem ser rejeitados por causa disso. O respeito ao ser humano é fundamental e decisivo", afirma ele.
"Mas isto não significa que a homossexualidade seja justa. Ela permanece como qualquer coisa que se opõe à essência mesma do que Deus quis na origem", precisa ele.
Bento XVI exprime-se de forma mais específica no livro, considerando que a "homossexualidade não é conciliável com a vocação sacerdotal". Senão, "correríamos um grande risco de fazer do celibato uma espécie de pretexto para fazer entrar no sacerdócio pessoas que não podem se casar", acrescentou.
"A seleção de candidatos ao sacerdócio deve, então, permanecer muito atenta. É preciso o maior cuidado para evitar uma confusão deste tipo fazendo com que o celibato dos padres seja, por assim dizer, assimilado à tendência à homossexualidade", concluiu ele.
A uma pergunta sobre a existência de uma homossexualidade nos "mosteiros, entre os religiosos", que talvez não seja vivenciada ou praticada", o papa respondeu: "as pessoas em questão devem, pelo menos tentar ativamente não se dominar por esta tendência, a fim de permanecerem fiéis à missão inerente a seu ministério".
As palavras suscitaram a condenação da principal associação italiana de defesa dos direitos dos homossexuais, Arcigay: "os dizeres do papa humilham milhões de vidas que devem suportar diariamente discriminações", estima em comunicado.[G1]
Nota 2: Não é mera coincidência que existe tanta reação entre os Cristãos quando se fala em tornar a homofobia um crime.
Proposta: Mude a Igreja ou mude-se dela.
Duas notícias recentes mostram que a cada ensaio de avanço, voltam logo correndo para o atraso.
O Vaticano cobra do novo governo de Dilma Rousseff um compromisso para que não reabra o acordo que rege as relações bilaterais com o Brasil e que foi alvo de muita polêmica. O assunto foi debatido ontem em reunião do secretário da Santa Sé para Relações com os Estados, Dominique Mamberti, com Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Definiu-se, no encontro, que Dilma fará uma viagem a Roma em 2012 para se reunir com o papa Bento XVI. A visita já está sendo organizada pelo Palácio do Planalto e pela Santa Sé e faz parte do projeto de uma "trégua" entre o Vaticano e Dilma depois da polêmica sobre o aborto, durante a campanha eleitoral.
O Vaticano solicitou a Carvalho que o Acordo Brasil-Santa Sé sobre o Estatuto Jurídico da Igreja Católica entre em vigor a partir do próximo mandato. O documento inicial, proposto pela Igreja em 2007, falava na obrigatoriedade do ensino de religião em escolas públicas, acesso às reservas naturais para missionários e isenção de impostos. O Itamaraty alterou o texto para uma mera declaração de boas relações com a Santa Sé.
Sancionado pelo presidente Lula no início deste ano, o texto esbarrou em um processo e está no Supremo Tribunal Federal (STF). "Não acreditamos que isso ofereça um risco para sua entrada em vigor", disse Carvalho.[Estadão]
Nota 1: Isto foi devidamente denunciado no texto "A integra da Concordata".
CIDADE DO VATICANO, 23 Nov 2010 (AFP) -A homossexualidade é injusta, opõe-se à vontade de Deus e é inconciliável com a vocação sacerdotal, estima o Papa Bento XVI em seu livro-entrevista apresentado nesta terça-feira à imprensa, "Luz do Mundo".
"Enquanto seres humanos (os homossexuais) merecem respeito (...) não devem ser rejeitados por causa disso. O respeito ao ser humano é fundamental e decisivo", afirma ele.
"Mas isto não significa que a homossexualidade seja justa. Ela permanece como qualquer coisa que se opõe à essência mesma do que Deus quis na origem", precisa ele.
Bento XVI exprime-se de forma mais específica no livro, considerando que a "homossexualidade não é conciliável com a vocação sacerdotal". Senão, "correríamos um grande risco de fazer do celibato uma espécie de pretexto para fazer entrar no sacerdócio pessoas que não podem se casar", acrescentou.
"A seleção de candidatos ao sacerdócio deve, então, permanecer muito atenta. É preciso o maior cuidado para evitar uma confusão deste tipo fazendo com que o celibato dos padres seja, por assim dizer, assimilado à tendência à homossexualidade", concluiu ele.
A uma pergunta sobre a existência de uma homossexualidade nos "mosteiros, entre os religiosos", que talvez não seja vivenciada ou praticada", o papa respondeu: "as pessoas em questão devem, pelo menos tentar ativamente não se dominar por esta tendência, a fim de permanecerem fiéis à missão inerente a seu ministério".
As palavras suscitaram a condenação da principal associação italiana de defesa dos direitos dos homossexuais, Arcigay: "os dizeres do papa humilham milhões de vidas que devem suportar diariamente discriminações", estima em comunicado.[G1]
Nota 2: Não é mera coincidência que existe tanta reação entre os Cristãos quando se fala em tornar a homofobia um crime.
Proposta: Mude a Igreja ou mude-se dela.
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Festival da Água
Novamente a Imprensa Abutre dá o ar [ou seriam asas?] da sua [des]graça, desta vez sobrevoando o Camboja.
Diversas agências de notícias, locais e internacionais noticiaram o Festival da Água do Camboja apenas porque aconteceu uma tragédia neste ano.
Isso aconteceu com a Coréia e seu festival Jeongwol Daeboreum. Nenhuma agência de notícia falou sobre o festival, sobre a cultura ou sobre a crença. Eu não acho que estou pedindo demias para a Imprensa ter um mínimo de respeito às crenças e folclore de outros povos.
Na falta de informações, recorro mais uma vez ao oráculo virtual [Google] para saber mais desse festival.
O Festival da Água do Camboja (Bon Om Touk, ou Bon Om Thook, ou Bonn Om Teuk, ou Bon Om Tuk) acontece uma vez ao ano, na lua cheia no mês budista de Kadeuk (usualmente em Novembro). Celebra uma ocorrência natural: a nversão da correnteza entre o lago Tonle e o rio Mekong.
Pelo ano, o lago Tonle Sap vaza para o rio Mekong. Entretanto, quando a estação chuvosa chega em Junho, o Mekong cresce, revertendo o fluxo para o lago, aumentando sua dimensão em dez vezes. Quando a estação chuvosa acaba em Novembro, o Mekong deságua novamente, revertendo o fluxo, esvaziando o excesso de água do lago Tonle de volta ao Mekong.
Essa ocorrência natural é celebrada no Camboja com três dias de festivais, paradas fluviais, corridas de barcos, espetáculo pirotécnico e alegria geral.
Então como agora, o lago Tonle é um ponto principal na vida de muitos Cambojanos. Ele é uma fonte de vida para muitos pescadores e fazendeiros. Não é espantoso que os Cambojanos tem celebrado o Bon Om Touk por séculos - é uma forma de retribuir ao rio o que ele lhes deu tanto.
Fonte: About [Tradução da casa]
Diversas agências de notícias, locais e internacionais noticiaram o Festival da Água do Camboja apenas porque aconteceu uma tragédia neste ano.
Isso aconteceu com a Coréia e seu festival Jeongwol Daeboreum. Nenhuma agência de notícia falou sobre o festival, sobre a cultura ou sobre a crença. Eu não acho que estou pedindo demias para a Imprensa ter um mínimo de respeito às crenças e folclore de outros povos.
Na falta de informações, recorro mais uma vez ao oráculo virtual [Google] para saber mais desse festival.
O Festival da Água do Camboja (Bon Om Touk, ou Bon Om Thook, ou Bonn Om Teuk, ou Bon Om Tuk) acontece uma vez ao ano, na lua cheia no mês budista de Kadeuk (usualmente em Novembro). Celebra uma ocorrência natural: a nversão da correnteza entre o lago Tonle e o rio Mekong.
Pelo ano, o lago Tonle Sap vaza para o rio Mekong. Entretanto, quando a estação chuvosa chega em Junho, o Mekong cresce, revertendo o fluxo para o lago, aumentando sua dimensão em dez vezes. Quando a estação chuvosa acaba em Novembro, o Mekong deságua novamente, revertendo o fluxo, esvaziando o excesso de água do lago Tonle de volta ao Mekong.
Essa ocorrência natural é celebrada no Camboja com três dias de festivais, paradas fluviais, corridas de barcos, espetáculo pirotécnico e alegria geral.
Então como agora, o lago Tonle é um ponto principal na vida de muitos Cambojanos. Ele é uma fonte de vida para muitos pescadores e fazendeiros. Não é espantoso que os Cambojanos tem celebrado o Bon Om Touk por séculos - é uma forma de retribuir ao rio o que ele lhes deu tanto.
Fonte: About [Tradução da casa]
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domingo, 21 de novembro de 2010
Liberou geral!
O sr Ratzinger, finalmente, mudou de opinião quanto ao uso de preservativos.
Pela primeira vez, um Papa, Bento XVI, admite que o uso de preservativos é aceitável, "em certos casos", "para reduzir o risco de contaminação" da sida. A revelação faz parte de um livro de entrevistas que será publicado na próxima terça-feira, na Alemanha.
Segundo a France Presse, à pergunta "a Igreja Católica não é, fundamentalmente, contra o uso de preservativos?", Bento XVI respondeu: "Em alguns casos, quando a intenção é reduzir o risco de contaminação, ele ainda pode ser um primeiro passo para preparar o caminho para uma sexualidade mais humana, vivida de forma diferente".
Na obra, para explicar o seu ponto de vista, Bento XVI citou um exemplo de um "homem prostituído". "Pode haver casos isolados, como quando um prostituto usa um preservativo, pois isso pode ser um primeiro passo na direcção de uma moralização, o início de uma responsabilidade que permitirá renovar a consciência de que nem tudo é permitido e de que não podemos fazer tudo o que queremos ", disse Bento XVI.
"Mas esse não é o caminho para se vencer o mal da infecção da sida. Isso só deve realmente acontecer na humanização da sexualidade", acrescenta.
"A divulgação do preservativo conduz a uma banalização do sexo e é esse o perigo, porque muitas pessoas vêem o sexo, não como uma expressão do seu amor, mas como um tipo de droga que consomem", afirmou ainda Bento XVI.
Até agora, o Vaticano, opôs-se a qualquer forma de contracepção que não seja a da abstinência e desaprovou o uso do preservativo, mesmo para evitar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.
Recorde-se que, em Março de 2009, o Papa Bento XVI levantou uma enorme polémica, quando, no avião que o levou dos Camarões para Angola, afirmou que o uso "exagerado" do preservativo agravaria o problema da pandemia da da sida.
Fonte: Jornal de Noticias
Nota da casa: Por um lado, eu fico feliz, pois mostra que mesmo o sr Ratzinger pode mudar de idéia e isso [eu espero] deve encorajar os Católicos. Por outro, eu fico desconfiado, pois esta mudança de opinião pode ser muito bem uma estratégia política.
Proposta deste pagão aos fabricantes de preservativos: que tal lançar camisinhas com um "selo de aprovação papal"? }|D
PS: Mais uma que vai pras Blas Fêmeas também.
Cidade do Vaticano, 21 nov (EFE).- Bento XVI considera errado afirmar que o papa é infalível, pois, segundo ele, mesmo o hierarca máximo da Igreja Católica também se equivoca, declaração que se soma à justificativa que fez do uso de preservativos "em alguns casos".
Ambas as declarações foram expressas no livro-entrevista do escritor Peter Seewald - baseado em entrevistas com Bento XVI -, que será lançado na próxima terça-feira, mas que teve algumas páginas divulgadas neste domingo pela imprensa italiana e alguns trechos publicados um dia antes pelo jornal vaticano "L'Osservatore Romano".
Bento XVI também disse que nunca pensou que seria eleito papa e que, embora Deus lhe dê forças para seguir adiante, ele nota que, aos seus 83 anos, "as forças vão diminuindo".
Além de justificar o uso do preservativo "em alguns casos", a primeira vez que um papa o faz, Bento XVI enfrenta no livro outros aspectos do Pontificado, da Igreja, de sua vida e do momento de sua eleição.
Perguntado se "o papa é verdadeiramente infalível, um soberano absoluto, cujo pensamento e vontade são lei", Bento XVI responde, de maneira categórica: "isso é um equívoco".
Segundo Bento XVI, o papa se comporta "como qualquer outro bispo", salvo em determinadas condições, "quando a tradição é clara e se sabe que não se atua arbitrariamente".
"Obviamente, o papa pode se equivocar. Ser papa não significa se considerar um soberano cúmulo de glória, mas alguém que dá testemunho de Cristo crucificado".
A infalibilidade do papa, aprovada pelo Concílio Vaticano I, é um dos pontos que separam as Igrejas Católica e Ortodoxa.
Fonte: G1
Nota da casa: Isto não é novidade, mas ter o Ratzinger admitindo isto em público é ótimo. Quem sabe, com isso, o Jorge Ferraz [acena] começa a se libertar desse jugo.
Pela primeira vez, um Papa, Bento XVI, admite que o uso de preservativos é aceitável, "em certos casos", "para reduzir o risco de contaminação" da sida. A revelação faz parte de um livro de entrevistas que será publicado na próxima terça-feira, na Alemanha.
Segundo a France Presse, à pergunta "a Igreja Católica não é, fundamentalmente, contra o uso de preservativos?", Bento XVI respondeu: "Em alguns casos, quando a intenção é reduzir o risco de contaminação, ele ainda pode ser um primeiro passo para preparar o caminho para uma sexualidade mais humana, vivida de forma diferente".
Na obra, para explicar o seu ponto de vista, Bento XVI citou um exemplo de um "homem prostituído". "Pode haver casos isolados, como quando um prostituto usa um preservativo, pois isso pode ser um primeiro passo na direcção de uma moralização, o início de uma responsabilidade que permitirá renovar a consciência de que nem tudo é permitido e de que não podemos fazer tudo o que queremos ", disse Bento XVI.
"Mas esse não é o caminho para se vencer o mal da infecção da sida. Isso só deve realmente acontecer na humanização da sexualidade", acrescenta.
"A divulgação do preservativo conduz a uma banalização do sexo e é esse o perigo, porque muitas pessoas vêem o sexo, não como uma expressão do seu amor, mas como um tipo de droga que consomem", afirmou ainda Bento XVI.
Até agora, o Vaticano, opôs-se a qualquer forma de contracepção que não seja a da abstinência e desaprovou o uso do preservativo, mesmo para evitar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.
Recorde-se que, em Março de 2009, o Papa Bento XVI levantou uma enorme polémica, quando, no avião que o levou dos Camarões para Angola, afirmou que o uso "exagerado" do preservativo agravaria o problema da pandemia da da sida.
Fonte: Jornal de Noticias
Nota da casa: Por um lado, eu fico feliz, pois mostra que mesmo o sr Ratzinger pode mudar de idéia e isso [eu espero] deve encorajar os Católicos. Por outro, eu fico desconfiado, pois esta mudança de opinião pode ser muito bem uma estratégia política.
Proposta deste pagão aos fabricantes de preservativos: que tal lançar camisinhas com um "selo de aprovação papal"? }|D
PS: Mais uma que vai pras Blas Fêmeas também.
Cidade do Vaticano, 21 nov (EFE).- Bento XVI considera errado afirmar que o papa é infalível, pois, segundo ele, mesmo o hierarca máximo da Igreja Católica também se equivoca, declaração que se soma à justificativa que fez do uso de preservativos "em alguns casos".
Ambas as declarações foram expressas no livro-entrevista do escritor Peter Seewald - baseado em entrevistas com Bento XVI -, que será lançado na próxima terça-feira, mas que teve algumas páginas divulgadas neste domingo pela imprensa italiana e alguns trechos publicados um dia antes pelo jornal vaticano "L'Osservatore Romano".
Bento XVI também disse que nunca pensou que seria eleito papa e que, embora Deus lhe dê forças para seguir adiante, ele nota que, aos seus 83 anos, "as forças vão diminuindo".
Além de justificar o uso do preservativo "em alguns casos", a primeira vez que um papa o faz, Bento XVI enfrenta no livro outros aspectos do Pontificado, da Igreja, de sua vida e do momento de sua eleição.
Perguntado se "o papa é verdadeiramente infalível, um soberano absoluto, cujo pensamento e vontade são lei", Bento XVI responde, de maneira categórica: "isso é um equívoco".
Segundo Bento XVI, o papa se comporta "como qualquer outro bispo", salvo em determinadas condições, "quando a tradição é clara e se sabe que não se atua arbitrariamente".
"Obviamente, o papa pode se equivocar. Ser papa não significa se considerar um soberano cúmulo de glória, mas alguém que dá testemunho de Cristo crucificado".
A infalibilidade do papa, aprovada pelo Concílio Vaticano I, é um dos pontos que separam as Igrejas Católica e Ortodoxa.
Fonte: G1
Nota da casa: Isto não é novidade, mas ter o Ratzinger admitindo isto em público é ótimo. Quem sabe, com isso, o Jorge Ferraz [acena] começa a se libertar desse jugo.
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sábado, 20 de novembro de 2010
Dia da consciência limpa
Mais de 300 cidades vão comemorar o feriado da Consciência Negra na quinta-feira, 20.
No Estado de São Paulo, 97 cidades vão comemorar a data.
Na Bahia, onde há maior proporção de negros, apenas a cidade de Itaparica comemora a data.
Quem trabalha na cidade de São Paulo, no entanto, não vai poder esticar o descanso, já que sexta-feira é dia de expediente normal.
Em Campinas, o feriado poderá ser prolongado porque o dia 21 é ponto facultativo. No feriado, 1,6 milhão de veículo devem deixar São Paulo Rodovias de SP devem receber mais de 2,5 mi de veículos no feriado Saiba em quais cidades é feriado no dia 20 Das 27 capitais, apenas São Paulo, Rio, Manaus, Cuiabá e Maceió instituíram feriado. No Nordeste, onde a maioria da população é negra ou parda, seis cidades fazem recesso. Embora a Bahia seja proporcionalmente o Estado com mais negros, há somente um município que reconhece o dia.
Em Salvador, Zumbi é lembrado com programações especiais, mas os baianos trabalham. "Para que as cidades comemorem o dia, é necessário ter movimentos negros fortes", afirma a vice-presidente da Sociedade Afro-brasileira de Desenvolvimento Sociocultural (AfroBras), Ruth Lopes.
O feriado lembra a morte de Zumbi dos Palmares - no ano de 1695. Zumbi foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão no Brasil.[Estadão]
Nota da casa: A discriminação, o preconceito e a intolerância motivada por diferenças étnicas ainda consiste em um problema crônico no Brasil. Essa e outras desigualdades sistêmicas causam e promovem a criminalidade. Quando o Estado se omite ou negligencia seus deveres, o Crime Organizado toma seu lugar nas comunidades carentes e com os cidadãos abandonados. A solução é a conscientização e mobilização política dos brasileiros.
No Estado de São Paulo, 97 cidades vão comemorar a data.
Na Bahia, onde há maior proporção de negros, apenas a cidade de Itaparica comemora a data.
Quem trabalha na cidade de São Paulo, no entanto, não vai poder esticar o descanso, já que sexta-feira é dia de expediente normal.
Em Campinas, o feriado poderá ser prolongado porque o dia 21 é ponto facultativo. No feriado, 1,6 milhão de veículo devem deixar São Paulo Rodovias de SP devem receber mais de 2,5 mi de veículos no feriado Saiba em quais cidades é feriado no dia 20 Das 27 capitais, apenas São Paulo, Rio, Manaus, Cuiabá e Maceió instituíram feriado. No Nordeste, onde a maioria da população é negra ou parda, seis cidades fazem recesso. Embora a Bahia seja proporcionalmente o Estado com mais negros, há somente um município que reconhece o dia.
Em Salvador, Zumbi é lembrado com programações especiais, mas os baianos trabalham. "Para que as cidades comemorem o dia, é necessário ter movimentos negros fortes", afirma a vice-presidente da Sociedade Afro-brasileira de Desenvolvimento Sociocultural (AfroBras), Ruth Lopes.
O feriado lembra a morte de Zumbi dos Palmares - no ano de 1695. Zumbi foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão no Brasil.[Estadão]
Nota da casa: A discriminação, o preconceito e a intolerância motivada por diferenças étnicas ainda consiste em um problema crônico no Brasil. Essa e outras desigualdades sistêmicas causam e promovem a criminalidade. Quando o Estado se omite ou negligencia seus deveres, o Crime Organizado toma seu lugar nas comunidades carentes e com os cidadãos abandonados. A solução é a conscientização e mobilização política dos brasileiros.
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
A virgem e os peixes
Não há nada de muito diferente na entrada do parque Haesindang, no leste da Coreia do Sul. Ao final de um pacato vilarejo cheio de barraquinhas de peixes e frutos do mar, apenas uma bilheteria e um arco colorido dão boas-vindas aos turistas. Prestando atenção, é possível detectar num pequeno mercado das redondezas um sinal do que está por vir. Ele vende garrafinhas de vidro cuja tampa de plástico tem formato de pênis e vira um copinho. Mas nada prepara o visitante para o que vem depois: um ambiente surreal de esculturas de pênis gigantes.
O ponto favorito para fotos, numa tarde do mês passado, era um falo negro de bronze, com um motor que o fazia subir e descer como um canhão de guerra. Um barulhento grupo de vinte velhinhas contemplava a obra. Algumas riam, outras faziam “V” com os dedos. Mais adiante, um casal passeava de mãos dadas com a filha de uns 10 anos.
O parque Haesindang começou a nascer há quatro séculos, ali no vilarejo de Shinnam, quando um pescador levou a noiva para pegar algas marinhas numa rocha distante da costa. Ele prometeu voltar para buscá-la depois do trabalho. Mas não contava com a mudança súbita no tempo. Ventos e tempestades provocaram ondas enormes. A pobre jovem foi arrastada para longe. Morreu afogada nas águas geladas.
A partir de então, os peixes sumiram do lugar. Os moradores começaram a pensar em maneiras de aplacar a ira do espírito da virgem que, eles acreditavam, assombrara o mar. Pescadores se masturbaram na areia e esculturas fálicas de madeira foram levantadas na praia. Deu certo: os peixes voltaram a cair na rede dos pescadores.
Quatrocentos anos depois, em julho de 2002, a cidade resolveu lucrar com a crença local. Fundou um parque de 30 mil metros quadrados, com mais de 100 pênis das mais variadas formas, cores e, claro, tamanhos. A prefeitura também patrocina um concurso anual para selecionar dez novos trabalhos, no qual os dois primeiros classificados saem com prêmios de 3 mil e 2 mil dólares.
“Venerar imagens fálicas é uma prática ancestral na Coreia. Alguns dos túmulos mais antigos descobertos na península tinham esculturas bem exageradas de pênis e outras partes sexuais”, explicou o professor Michael J. Pettid, de Estudos Coreanos Pré-modernos da Universidade de Binghamton, em Nova York. “A reprodução humana era muito importante, além de estar relacionada ao desejo da fartura nas colheitas e energia sexual.”
O parque Haesindang recebe anualmente cerca de 270 mil visitantes. Não é um local de fácil acesso. A partir de Seul, a viagem de ônibus até a cidade mais próxima, Samcheok, dura quatro horas. Dali ao parque são mais cinquenta minutos. Escultores fálicos do Brasil serão bem recebidos no concurso anual. A prefeitura de Samcheok providencia hospedagem e alimentação de artistas estrangeiros durante o certame.
Autora: Fernanda Ezabella
Fonte: Piauí
O ponto favorito para fotos, numa tarde do mês passado, era um falo negro de bronze, com um motor que o fazia subir e descer como um canhão de guerra. Um barulhento grupo de vinte velhinhas contemplava a obra. Algumas riam, outras faziam “V” com os dedos. Mais adiante, um casal passeava de mãos dadas com a filha de uns 10 anos.
O parque Haesindang começou a nascer há quatro séculos, ali no vilarejo de Shinnam, quando um pescador levou a noiva para pegar algas marinhas numa rocha distante da costa. Ele prometeu voltar para buscá-la depois do trabalho. Mas não contava com a mudança súbita no tempo. Ventos e tempestades provocaram ondas enormes. A pobre jovem foi arrastada para longe. Morreu afogada nas águas geladas.
A partir de então, os peixes sumiram do lugar. Os moradores começaram a pensar em maneiras de aplacar a ira do espírito da virgem que, eles acreditavam, assombrara o mar. Pescadores se masturbaram na areia e esculturas fálicas de madeira foram levantadas na praia. Deu certo: os peixes voltaram a cair na rede dos pescadores.
Quatrocentos anos depois, em julho de 2002, a cidade resolveu lucrar com a crença local. Fundou um parque de 30 mil metros quadrados, com mais de 100 pênis das mais variadas formas, cores e, claro, tamanhos. A prefeitura também patrocina um concurso anual para selecionar dez novos trabalhos, no qual os dois primeiros classificados saem com prêmios de 3 mil e 2 mil dólares.
“Venerar imagens fálicas é uma prática ancestral na Coreia. Alguns dos túmulos mais antigos descobertos na península tinham esculturas bem exageradas de pênis e outras partes sexuais”, explicou o professor Michael J. Pettid, de Estudos Coreanos Pré-modernos da Universidade de Binghamton, em Nova York. “A reprodução humana era muito importante, além de estar relacionada ao desejo da fartura nas colheitas e energia sexual.”
O parque Haesindang recebe anualmente cerca de 270 mil visitantes. Não é um local de fácil acesso. A partir de Seul, a viagem de ônibus até a cidade mais próxima, Samcheok, dura quatro horas. Dali ao parque são mais cinquenta minutos. Escultores fálicos do Brasil serão bem recebidos no concurso anual. A prefeitura de Samcheok providencia hospedagem e alimentação de artistas estrangeiros durante o certame.
Autora: Fernanda Ezabella
Fonte: Piauí
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Como prender uma bruxa
Ao usar o oráculo virtual [Google] eu me deparei com uma notícia inusitada e engraçada.
Na Grã-Bretanha, com a proximidade do Halloween, a Metropolitan Police deu um manual de instruções aos policiais para saberem lidar com os pagãs/os e bruxos/as.
Estamos no Halloween e a hora das bruxas se aproxima, mas não fique alarmado - policiais estão na patrulha, com orientações de como lidar com bruxas.
O conselho está em um manual de 300 páginas que dá aos oficiais uma lista de "fazer e evitar" quando se aproximarem dos seguidores de diversas religiões, do ateísmo ao zoroastrismo.
As instruções incluem evitar tocar o "Livro das Sombras" de uma bruxa, que contém seus feitiços, ou segurar sua adaga cerimonial.
O manual online também adverte aos oficiais a não tirarem conclusões precipitadas se encontrarem uma situação onde uma pessoa nua e vendada está amarrada pelas mãos – eles podem ter acidentalmente tropeçado em um ritual pagão, onde tais atividades são uma prática normal.
"As bruxas tem um Livro das Sombras, que contém um registro escrito ou diário de seu progresso pessoal como bruxa", diz o guia.
"A maior parte dos livros tem capas ornamentais, alguns tem o título Livro das Sombras, outros não".
"Qualquer livro pode ser usado, mas este livro é considerado como privado e especial e não deve ser tocado por outro que não sua autora. Se for possivel evitar tocar este livro então o melhor fazer isto".
O guia, feito pela Metropolitan Police, a maior força policial da Bretanha, adverte contra interromper uma cerimônia pagã.
Acrescenta: "Algumas cerimônias incluem um participante nu, vendado, cujas mãos podem estar atadas. Isto está de acordo com o ritual e tem o total consentimento do participante".
Aos oficiais também é dado conselho sobre a adaga cerimonial, conhecido por athame, carregado pelas bruxas e alguns tipos de pagãos.
"Quando entrar na casa de uma bruxa, não toque um athame sem a permissão de sua dona", diz [o guia].
"Durante a Disputa de Beltane que celebra o festival de Beltane (pelo fim de Abril), tem sido um hábito para alguns usar athames de vários tamanhos, alguns do tamanho de espadas, em um cinto, como um símbolo visível de sua crença pagã e os usam nas ruas".
"Estes não tem a intenção de serem usados como uma arma ofensiva, mas pode ser mal iterpretada dessa forma".
Também providenciaram um glossário de termos pagãos incluindo a saudação tradicional de "Feliz Encontro" e uma explicação de um "wickening" [wiccaning], ou cerimônia de nomear uma criança.
Explica as datas e os significados dos festivais pagãos tais como Imbolc, Lughnasadh e Samhain – também conhecido como Halloween.
O manual também afirma: "Os pagãos não tem leis dietéticas. Entretanto, muitas bruxas, mas não todas, são vegetarianas".
Fonte: Telegraph
Nota da casa: Meus amigos ateus vão certamente protestar por terem sido incluídos como pertencendo a uma "religião". E definitivamente eu não suporto bruxo/a que é vegetariano/a.
Na Grã-Bretanha, com a proximidade do Halloween, a Metropolitan Police deu um manual de instruções aos policiais para saberem lidar com os pagãs/os e bruxos/as.
Estamos no Halloween e a hora das bruxas se aproxima, mas não fique alarmado - policiais estão na patrulha, com orientações de como lidar com bruxas.
O conselho está em um manual de 300 páginas que dá aos oficiais uma lista de "fazer e evitar" quando se aproximarem dos seguidores de diversas religiões, do ateísmo ao zoroastrismo.
As instruções incluem evitar tocar o "Livro das Sombras" de uma bruxa, que contém seus feitiços, ou segurar sua adaga cerimonial.
O manual online também adverte aos oficiais a não tirarem conclusões precipitadas se encontrarem uma situação onde uma pessoa nua e vendada está amarrada pelas mãos – eles podem ter acidentalmente tropeçado em um ritual pagão, onde tais atividades são uma prática normal.
"As bruxas tem um Livro das Sombras, que contém um registro escrito ou diário de seu progresso pessoal como bruxa", diz o guia.
"A maior parte dos livros tem capas ornamentais, alguns tem o título Livro das Sombras, outros não".
"Qualquer livro pode ser usado, mas este livro é considerado como privado e especial e não deve ser tocado por outro que não sua autora. Se for possivel evitar tocar este livro então o melhor fazer isto".
O guia, feito pela Metropolitan Police, a maior força policial da Bretanha, adverte contra interromper uma cerimônia pagã.
Acrescenta: "Algumas cerimônias incluem um participante nu, vendado, cujas mãos podem estar atadas. Isto está de acordo com o ritual e tem o total consentimento do participante".
Aos oficiais também é dado conselho sobre a adaga cerimonial, conhecido por athame, carregado pelas bruxas e alguns tipos de pagãos.
"Quando entrar na casa de uma bruxa, não toque um athame sem a permissão de sua dona", diz [o guia].
"Durante a Disputa de Beltane que celebra o festival de Beltane (pelo fim de Abril), tem sido um hábito para alguns usar athames de vários tamanhos, alguns do tamanho de espadas, em um cinto, como um símbolo visível de sua crença pagã e os usam nas ruas".
"Estes não tem a intenção de serem usados como uma arma ofensiva, mas pode ser mal iterpretada dessa forma".
Também providenciaram um glossário de termos pagãos incluindo a saudação tradicional de "Feliz Encontro" e uma explicação de um "wickening" [wiccaning], ou cerimônia de nomear uma criança.
Explica as datas e os significados dos festivais pagãos tais como Imbolc, Lughnasadh e Samhain – também conhecido como Halloween.
O manual também afirma: "Os pagãos não tem leis dietéticas. Entretanto, muitas bruxas, mas não todas, são vegetarianas".
Fonte: Telegraph
Nota da casa: Meus amigos ateus vão certamente protestar por terem sido incluídos como pertencendo a uma "religião". E definitivamente eu não suporto bruxo/a que é vegetariano/a.
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O Ritual do Gelo Sagrado
Em mais um episódio da série "Terra - que Tempo é Esse?", nossos repórteres mostram o ritual do Gelo Sagrado, uma celebração ancestral que agora, por causa do aquecimento global, já não usa mais o gelo.
A metade norte da maior cadeia de montanhas do planeta está tão perto do Equador que só tem gelo no topo por causa do ar frio, mais de cinco mil metros acima do nível do mar.
Mas, agora, mesmo nessas altitudes, o ar está mais quente. E os povos andinos já veem suas reservas de água congelada derretendo diante dos olhos.
Estamos no nosso continente, na parte peruana da Cordilheira dos Andes, que se estende por 7,5 mil quilômetros, da Venezuela à Terra do Fogo, e rumo às ruínas de uma grande civilização. Nestas montanhas, 800 anos atrás, os incas ergueram seu império.
Mudanças no clima sempre foram determinantes na história da humanidade. Agora, ameaçam também as janelas que nos permitem olhar para o passado. Como a cidade sagrada de Machu Picchu, no Peru, centro da civilização inca. Machu Picchu já está sentindo os efeitos das mudanças nos padrões de chuva.
Os terraços, nos quais os incas plantavam e faziam pesquisas agrícolas, sobrevivem firmes, séculos depois de o povo que os construiu ter desaparecido. Mas até quando?
As previsões dos cientistas são de que esta região vai enfrentar, cada vez mais, períodos de clima extremo: secas prolongadas, que desestabilizam o solo, seguidas de chuvas torrenciais, que provocam desmoronamentos.
Como se viu no início deste ano, estradas bloqueadas, vilas isoladas, milhares de turistas presos nas montanhas. Machu Picchu guarda provas de que os incas conseguiam prever épocas de tempo ruim.
Os incas eram capazes de prever um ano de chegada do El Niño apenas observando as estrelas. Um método que já foi confirmado pela astronomia moderna.
O nome El Niño é uma referência ao Menino Jesus, porque é perto do Natal que, em alguns anos, a água do Pacífico, na costa do Peru, fica mais quente, provocando mudanças no clima em todo o continente.
Em Machu Picchu, a previsão era feita num observatório muito diferente. Os pequenos poços de água limpa e parada funcionavam como espelhos do céu, refletindo as estrelas e planetas. A umidade no ar, que atrapalha a observação, era o sinal do El Niño.
Aos pés dos Andes, a civilização inca desabrochou usando a água limpa, abundante e bem distribuída. Os povos no vale ainda desfrutam do sistema hídrico implantado pelos incas. Mas da Venezuela ao sul do Peru, os Andes tropicais estão perdendo gelo.
Sônia Bridi: Professor, o fenômeno que se vê já nos Andes é consequência do aquecimento global?
Edson Ramirez, glaciologista: “Sem dúvida, mas nem sempre de forma direta. O aquecimento mudou o El Niño, um fenômeno que sempre existiu, mas está cada vez mais frequente e intenso. E a consequência é que a chuva diminuiu e o calor aumentou, o que faz com que as geleiras derretam muito mais rápido.
O Peru depende da água do degelo para praticamente toda a sua agricultura. Por isso, é um dos países mais sensíveis às mudanças climáticas. E o povo já adapta até suas tradições.
São 2h e a equipe do Fantástico está em Mayawani, uma vila a 200 quilômetros de Machu Picchu. Ela vai fazer o mesmo que milhares de peruanos: subir a montanha em busca do gelo sagrado.
A equipe está a 4,2 mil metros de altitude. O oxigênio já é bastante rarefeito. O grupo vai subir a 4,6 mil e tem que chegar lá até o amanhecer. Então, a cavalo vai dar uma ajuda grande.
Antes de partir, eles abençoam e mascam folhas de coca. A trilha é como uma procissão. Gente de todas as idades atravessa a escuridão até a primeira luz da manhã revelar os contornos áridos do caminho.
Três horas depois, o grupo chega à festa do senhor de Qoylor Riti: um rito ancestral, incorporado pelo catolicismo.
É como se uma cidade inteira surgisse literalmente da noite para o dia nas montanhas, no meio dos Andes. São 30 mil pessoas. É a maior peregrinação de povos nativos das Américas.
Enquanto milhares estão ainda chegando, outros tantos viraram a noite fria lá no alto, em cima da geleira, conversando. O tema: o sentido da vida.
Ao amanhecer, vêm se juntar aos outros. Eles são divididos em confrarias, grupos representando centenas de povoados dos dois lados dos Andes.
Música e dança são como mantras: um transe religioso que espanta o frio e a dificuldade de se movimentar nesta altitude.
Até pouco tempo, todas essas confrarias desciam trazendo blocos de gelo, gelo sagrado, que era levado até a cidade de Cuzco para ser abençoado em outra festa religiosa, a de Corpus Christi.
Só que três anos atrás, as confrarias perceberam que o gelo que antes chegava ao local já tinha se recolhido mais de um quilômetro, montanha acima. Então, a retirada do gelo foi proibida para que eles pudessem preservar o que eles têm de mais sagrado, que é a água. E, assim, a tradição não acelera um processo que a natureza já está fazendo rápido demais.
Eles não ouviram cientistas. Viram com os próprios olhos que o gelo está diminuindo. “Proibimos que se traga o gelo, porque já não tem mais gelo lá em cima”, diz o peregrino. “Tudo era neve. Vinha até aqui”, conta outro homem. “Agora, o aquecimento global, senhores, é uma preocupação”, diz outro peregrino.
Os que vêm das montanhas trazem penduradas peles de vicunha, uma parente da lhama. Os da selva portam cocares de penas.
Cada roupa representa um pedaço da rica cultura andina e da mistura que começou com a chegada dos espanhóis. Um ritual de iniciação. Chicotadas nos que venceram a noite no gelo.
Nesta festa não tem polícia, nem governo. Mas tem os pablitos, com uma fantasia, que mantém a ordem.
Um deles conta que vem há 20 anos.
Sônia Bridi: Vocês têm medo das mudanças no clima?
Peregrino: Sim. Tenho medo. O que será da nossa vida?
O desfile de peregrinos montanha abaixo não tem fim. Alguns se fantasiam de condor, o abutre dos Andes. Outros carregam cruzes.
Em vários pontos, eles se ajoelham para esperar um deus inca aparecer. O sol desponta, eles se benzem, como bons cristãos, e seguem em festa.
Lá embaixo, os peregrinos agora se agrupam e a equipe do Fantástico vai para o alto, até a nova fronteira do gelo, que não para de recuar.
Para chegar até a geleira, o grupo precisou subir a cinco mil metros de altitude. O problema é que essa geleira termina aos 5,3 mil metros e continua encolhendo. Isso, segundo os cientistas, significa que em 20 anos ela terá desaparecido por completo, junto com todo o gelo dos Andes tropicais abaixo dos 5,4 mil metros.
Vinte anos apenas e boa parte desse estoque de água congelada terá ido embora, deixando países como Equador, Bolívia e Peru com graves crises de abastecimento.
“Em maio já nevava. Agora, em julho, a chuva era farta. O frio está mais frio, o calor mais quente”, conta o peregrino.
Na voz do peregrino, a definição das mudanças climáticas, exatamente como preveem os cientistas.
Fonte: Fantástico
Nota da casa: Muitos ritos antigos foram incorporados pelo Catolicismo e as pessoas perderam o sentido e o significado desses rituais. A humanidade ruma à auto-extinção pelas mãos do Capitalismo. O que está em jogo e a nossa preservação e isso passa por uma mudança na forma como nos relacionamos com o mundo, a natureza e conosco mesmo.
A metade norte da maior cadeia de montanhas do planeta está tão perto do Equador que só tem gelo no topo por causa do ar frio, mais de cinco mil metros acima do nível do mar.
Mas, agora, mesmo nessas altitudes, o ar está mais quente. E os povos andinos já veem suas reservas de água congelada derretendo diante dos olhos.
Estamos no nosso continente, na parte peruana da Cordilheira dos Andes, que se estende por 7,5 mil quilômetros, da Venezuela à Terra do Fogo, e rumo às ruínas de uma grande civilização. Nestas montanhas, 800 anos atrás, os incas ergueram seu império.
Mudanças no clima sempre foram determinantes na história da humanidade. Agora, ameaçam também as janelas que nos permitem olhar para o passado. Como a cidade sagrada de Machu Picchu, no Peru, centro da civilização inca. Machu Picchu já está sentindo os efeitos das mudanças nos padrões de chuva.
Os terraços, nos quais os incas plantavam e faziam pesquisas agrícolas, sobrevivem firmes, séculos depois de o povo que os construiu ter desaparecido. Mas até quando?
As previsões dos cientistas são de que esta região vai enfrentar, cada vez mais, períodos de clima extremo: secas prolongadas, que desestabilizam o solo, seguidas de chuvas torrenciais, que provocam desmoronamentos.
Como se viu no início deste ano, estradas bloqueadas, vilas isoladas, milhares de turistas presos nas montanhas. Machu Picchu guarda provas de que os incas conseguiam prever épocas de tempo ruim.
Os incas eram capazes de prever um ano de chegada do El Niño apenas observando as estrelas. Um método que já foi confirmado pela astronomia moderna.
O nome El Niño é uma referência ao Menino Jesus, porque é perto do Natal que, em alguns anos, a água do Pacífico, na costa do Peru, fica mais quente, provocando mudanças no clima em todo o continente.
Em Machu Picchu, a previsão era feita num observatório muito diferente. Os pequenos poços de água limpa e parada funcionavam como espelhos do céu, refletindo as estrelas e planetas. A umidade no ar, que atrapalha a observação, era o sinal do El Niño.
Aos pés dos Andes, a civilização inca desabrochou usando a água limpa, abundante e bem distribuída. Os povos no vale ainda desfrutam do sistema hídrico implantado pelos incas. Mas da Venezuela ao sul do Peru, os Andes tropicais estão perdendo gelo.
Sônia Bridi: Professor, o fenômeno que se vê já nos Andes é consequência do aquecimento global?
Edson Ramirez, glaciologista: “Sem dúvida, mas nem sempre de forma direta. O aquecimento mudou o El Niño, um fenômeno que sempre existiu, mas está cada vez mais frequente e intenso. E a consequência é que a chuva diminuiu e o calor aumentou, o que faz com que as geleiras derretam muito mais rápido.
O Peru depende da água do degelo para praticamente toda a sua agricultura. Por isso, é um dos países mais sensíveis às mudanças climáticas. E o povo já adapta até suas tradições.
São 2h e a equipe do Fantástico está em Mayawani, uma vila a 200 quilômetros de Machu Picchu. Ela vai fazer o mesmo que milhares de peruanos: subir a montanha em busca do gelo sagrado.
A equipe está a 4,2 mil metros de altitude. O oxigênio já é bastante rarefeito. O grupo vai subir a 4,6 mil e tem que chegar lá até o amanhecer. Então, a cavalo vai dar uma ajuda grande.
Antes de partir, eles abençoam e mascam folhas de coca. A trilha é como uma procissão. Gente de todas as idades atravessa a escuridão até a primeira luz da manhã revelar os contornos áridos do caminho.
Três horas depois, o grupo chega à festa do senhor de Qoylor Riti: um rito ancestral, incorporado pelo catolicismo.
É como se uma cidade inteira surgisse literalmente da noite para o dia nas montanhas, no meio dos Andes. São 30 mil pessoas. É a maior peregrinação de povos nativos das Américas.
Enquanto milhares estão ainda chegando, outros tantos viraram a noite fria lá no alto, em cima da geleira, conversando. O tema: o sentido da vida.
Ao amanhecer, vêm se juntar aos outros. Eles são divididos em confrarias, grupos representando centenas de povoados dos dois lados dos Andes.
Música e dança são como mantras: um transe religioso que espanta o frio e a dificuldade de se movimentar nesta altitude.
Até pouco tempo, todas essas confrarias desciam trazendo blocos de gelo, gelo sagrado, que era levado até a cidade de Cuzco para ser abençoado em outra festa religiosa, a de Corpus Christi.
Só que três anos atrás, as confrarias perceberam que o gelo que antes chegava ao local já tinha se recolhido mais de um quilômetro, montanha acima. Então, a retirada do gelo foi proibida para que eles pudessem preservar o que eles têm de mais sagrado, que é a água. E, assim, a tradição não acelera um processo que a natureza já está fazendo rápido demais.
Eles não ouviram cientistas. Viram com os próprios olhos que o gelo está diminuindo. “Proibimos que se traga o gelo, porque já não tem mais gelo lá em cima”, diz o peregrino. “Tudo era neve. Vinha até aqui”, conta outro homem. “Agora, o aquecimento global, senhores, é uma preocupação”, diz outro peregrino.
Os que vêm das montanhas trazem penduradas peles de vicunha, uma parente da lhama. Os da selva portam cocares de penas.
Cada roupa representa um pedaço da rica cultura andina e da mistura que começou com a chegada dos espanhóis. Um ritual de iniciação. Chicotadas nos que venceram a noite no gelo.
Nesta festa não tem polícia, nem governo. Mas tem os pablitos, com uma fantasia, que mantém a ordem.
Um deles conta que vem há 20 anos.
Sônia Bridi: Vocês têm medo das mudanças no clima?
Peregrino: Sim. Tenho medo. O que será da nossa vida?
O desfile de peregrinos montanha abaixo não tem fim. Alguns se fantasiam de condor, o abutre dos Andes. Outros carregam cruzes.
Em vários pontos, eles se ajoelham para esperar um deus inca aparecer. O sol desponta, eles se benzem, como bons cristãos, e seguem em festa.
Lá embaixo, os peregrinos agora se agrupam e a equipe do Fantástico vai para o alto, até a nova fronteira do gelo, que não para de recuar.
Para chegar até a geleira, o grupo precisou subir a cinco mil metros de altitude. O problema é que essa geleira termina aos 5,3 mil metros e continua encolhendo. Isso, segundo os cientistas, significa que em 20 anos ela terá desaparecido por completo, junto com todo o gelo dos Andes tropicais abaixo dos 5,4 mil metros.
Vinte anos apenas e boa parte desse estoque de água congelada terá ido embora, deixando países como Equador, Bolívia e Peru com graves crises de abastecimento.
“Em maio já nevava. Agora, em julho, a chuva era farta. O frio está mais frio, o calor mais quente”, conta o peregrino.
Na voz do peregrino, a definição das mudanças climáticas, exatamente como preveem os cientistas.
Fonte: Fantástico
Nota da casa: Muitos ritos antigos foram incorporados pelo Catolicismo e as pessoas perderam o sentido e o significado desses rituais. A humanidade ruma à auto-extinção pelas mãos do Capitalismo. O que está em jogo e a nossa preservação e isso passa por uma mudança na forma como nos relacionamos com o mundo, a natureza e conosco mesmo.
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Como evitar o extremismo
Na Dinamarca, o Partido do Povo Dinamarquês (Dansk Folkeparti) quer que um filme documental destinado a mostrar (como parte de um teste) aos imigrantes como é o país escandinavo para o qual queiram imigrar mostre seios desnudos.
Segundo Peter Skaarup, porta-voz do partido, mostrar topless na película irá promover a abertura de mentalidade dinamarquesa e pode afastar os extremistas muçulmanos. Diz Skaarup que «um documentário similar na Holanda mostra peitos nus, e penso que deveríamos seguir o seu exemplo. É talvez um pouco íntimo, mas também há aí um elemento de seriedade: ao incluirmos uma cena de topless num documentário sobre a Dinamarca, podemos salientar a nossa abertura de mentalidade e os nossos direitos de nos vestirmos - ou despirmos - como quisermos. Isto é particularmente relevante para imigrantes oriundos de sociedades fundamentalistas onde as mulheres são oprimidas e não têm autorização para exibirem a sua sexualidade». Skaarup afirma que não está a tentar ser provocador com as suas afirmações.
Acrescentou que embora o topless não seja tão comum nas praias dinamarquesas como costumava ser, ainda assim constituíria uma boa imagem das atitudes liberais da Dinamarca: «os banhos de Sol com o peito feminino nu não são uma visão comum nas praias paquistanesas, mas na Dinamarca são ainda considerados muito normais. Acredito honestamente que ao incluirmos um par de seios nus no filme, pode ser que os extremistas pensem duas vezes antes de decidirem vir para a Dinamarca.»
Fonte: Gladius
Nota da casa: Bem que o Brasil poderia utilizar dessa idéia. Não apenas para evitar a vinda de grupos fundamentalistas/extremistas para o Brasil, mas para fazer com os que já estão por aqui vão embora...};)
Segundo Peter Skaarup, porta-voz do partido, mostrar topless na película irá promover a abertura de mentalidade dinamarquesa e pode afastar os extremistas muçulmanos. Diz Skaarup que «um documentário similar na Holanda mostra peitos nus, e penso que deveríamos seguir o seu exemplo. É talvez um pouco íntimo, mas também há aí um elemento de seriedade: ao incluirmos uma cena de topless num documentário sobre a Dinamarca, podemos salientar a nossa abertura de mentalidade e os nossos direitos de nos vestirmos - ou despirmos - como quisermos. Isto é particularmente relevante para imigrantes oriundos de sociedades fundamentalistas onde as mulheres são oprimidas e não têm autorização para exibirem a sua sexualidade». Skaarup afirma que não está a tentar ser provocador com as suas afirmações.
Acrescentou que embora o topless não seja tão comum nas praias dinamarquesas como costumava ser, ainda assim constituíria uma boa imagem das atitudes liberais da Dinamarca: «os banhos de Sol com o peito feminino nu não são uma visão comum nas praias paquistanesas, mas na Dinamarca são ainda considerados muito normais. Acredito honestamente que ao incluirmos um par de seios nus no filme, pode ser que os extremistas pensem duas vezes antes de decidirem vir para a Dinamarca.»
Fonte: Gladius
Nota da casa: Bem que o Brasil poderia utilizar dessa idéia. Não apenas para evitar a vinda de grupos fundamentalistas/extremistas para o Brasil, mas para fazer com os que já estão por aqui vão embora...};)
sábado, 13 de novembro de 2010
A razão de sua vida
Depois da dica do Gaius, eu fui procurar no oraculo virtual [Google] mais textos da Ailin Aleixo.
Achei este bem apropriado para este blog e para dar [no bom sentido] em homenagem à Qelimat:
Por que nunca assumimos a responsabilidade por nossas vidas?
Esse papo de Jesus é lindo mas não cola comigo. Minha religiosidade admite que só existe a luz por causa da sombra e, antes de serem incompatíveis, são inseparáveis. Não gosto do maniqueísmo. Sabe qual a minha carta preferida do tarô? O Diabo. Ele é algo sobre o qual as pessoas nunca chegarão a um acordo, assim como Deus. Mas, ao contrário d'Este, fica mais poderoso à medida que o tumulto à sua volta cresce.
O Diabo faz as pessoas pensarem, viverem, temerem. Não acredito no cara de rabo e tridente, e sim naqueles desejos que nos impulsionam. Daí entra Deus. Deus é nossa vontade de confiar, ter estabilidade, dormir na rede com o ventinho batendo no rosto. Deus é a calma, o maravilhoso equilíbrio que sempre buscamos mas que não saberíamos ser maravilhoso se não conhecêssemos o oposto. Sem as dualidades, a vida seria um marasmo sem fim.
Gibran Khalil, num de seus contos, narra o encontro de um padre com o Diabo.
"O padre aproximou-se e inclinou-se sobre o moribundo e viu uma face estranha, na qual se misturavam a inteligência e a astúcia, a fealdade e a beleza. O padre soltou um grito terrível e bradou, trêmulo: 'Deus me revelou tua face infernal para alimentar meu ódio por ti. Sê maldito até o fim dos tempos!'"
O demônio respondeu com certa impaciência: "Não sabes o que dizes, e não calculas o mal que cometes contra ti mesmo. Eu fui e continuo a ser a causa de teu bem-estar e de tua felicidade. Não foi minha existência a justificação da profissão que escolheste e meu nome, o lema de tua vida?"
Pois é: acredito em Deus, rezo e, do meu jeito, tenho muita fé. Mas creio que vivemos essa dimensão divina muito mais interiormente que em adesivos de carros, camisetas ou chaveiros.
Acredito no Diabo também. Nessas "tentações" que se interpõem em nosso caminho para nos mostrar o que é realmente importante. Por isso não nego minhas dualidades. Por isso acho que traição e amor podem coexistir e que ofender não significa, obrigatoriamente, odiar. Por isso temo destruir coisas que me são caras ao mesmo tempo que me aproximo do que, dizem, deveria me afastar. Mas não posso ser só metade de mim.
Adorei uma comparação que ouvi, entre um velho "amigo" meu e Satanás. É bem verdadeira. Ele ferra tudo por onde passa e mesmo assim continua sedutor. Mas ele não é Satanás, é só um humano sem semancol, sem apego. Só. Realmente tenho amargas lembranças dele - mas também foi muito importante. Ambas as coisas. Você já reclamou várias vezes que sempre se interessa pelas mulheres "erradas", mas não existe ninguém errado nem ruim, só ruim pra você. Ela pode ser ótima pra alguém que tenha as mesmas expectativas de vida, mas você não é essa pessoa - e mesmo assim se sente atraído por ela. Somos incoerentes, faz parte. E ninguém é culpado por isso, mesmo que a solução mais espontânea seja jogar a responsabilidade pra cima do outro, seja ele o Diabo, o ex-namorado ou o tempo.
Não creio que a simples introjeção de um conceito divino possa, de alguma maneira, me livrar de problemas cotidianos, de desejos. Aliás, seria péssimo! Quero paz, alegria, felicidade e também o frio na barriga, a surpresa, o descontrole temporário. Posso ser louca, mas acho que só tenho consciência das minhas discrepâncias e não tento ignorá-las me escondendo atrás de dogmas e púlpitos.
Autora: Ailin Aleixo
Fonte: Mulher Honesta
Trecho sublinhado por conta da casa.
Achei este bem apropriado para este blog e para dar [no bom sentido] em homenagem à Qelimat:
Por que nunca assumimos a responsabilidade por nossas vidas?
Esse papo de Jesus é lindo mas não cola comigo. Minha religiosidade admite que só existe a luz por causa da sombra e, antes de serem incompatíveis, são inseparáveis. Não gosto do maniqueísmo. Sabe qual a minha carta preferida do tarô? O Diabo. Ele é algo sobre o qual as pessoas nunca chegarão a um acordo, assim como Deus. Mas, ao contrário d'Este, fica mais poderoso à medida que o tumulto à sua volta cresce.
O Diabo faz as pessoas pensarem, viverem, temerem. Não acredito no cara de rabo e tridente, e sim naqueles desejos que nos impulsionam. Daí entra Deus. Deus é nossa vontade de confiar, ter estabilidade, dormir na rede com o ventinho batendo no rosto. Deus é a calma, o maravilhoso equilíbrio que sempre buscamos mas que não saberíamos ser maravilhoso se não conhecêssemos o oposto. Sem as dualidades, a vida seria um marasmo sem fim.
Gibran Khalil, num de seus contos, narra o encontro de um padre com o Diabo.
"O padre aproximou-se e inclinou-se sobre o moribundo e viu uma face estranha, na qual se misturavam a inteligência e a astúcia, a fealdade e a beleza. O padre soltou um grito terrível e bradou, trêmulo: 'Deus me revelou tua face infernal para alimentar meu ódio por ti. Sê maldito até o fim dos tempos!'"
O demônio respondeu com certa impaciência: "Não sabes o que dizes, e não calculas o mal que cometes contra ti mesmo. Eu fui e continuo a ser a causa de teu bem-estar e de tua felicidade. Não foi minha existência a justificação da profissão que escolheste e meu nome, o lema de tua vida?"
Pois é: acredito em Deus, rezo e, do meu jeito, tenho muita fé. Mas creio que vivemos essa dimensão divina muito mais interiormente que em adesivos de carros, camisetas ou chaveiros.
Acredito no Diabo também. Nessas "tentações" que se interpõem em nosso caminho para nos mostrar o que é realmente importante. Por isso não nego minhas dualidades. Por isso acho que traição e amor podem coexistir e que ofender não significa, obrigatoriamente, odiar. Por isso temo destruir coisas que me são caras ao mesmo tempo que me aproximo do que, dizem, deveria me afastar. Mas não posso ser só metade de mim.
Adorei uma comparação que ouvi, entre um velho "amigo" meu e Satanás. É bem verdadeira. Ele ferra tudo por onde passa e mesmo assim continua sedutor. Mas ele não é Satanás, é só um humano sem semancol, sem apego. Só. Realmente tenho amargas lembranças dele - mas também foi muito importante. Ambas as coisas. Você já reclamou várias vezes que sempre se interessa pelas mulheres "erradas", mas não existe ninguém errado nem ruim, só ruim pra você. Ela pode ser ótima pra alguém que tenha as mesmas expectativas de vida, mas você não é essa pessoa - e mesmo assim se sente atraído por ela. Somos incoerentes, faz parte. E ninguém é culpado por isso, mesmo que a solução mais espontânea seja jogar a responsabilidade pra cima do outro, seja ele o Diabo, o ex-namorado ou o tempo.
Não creio que a simples introjeção de um conceito divino possa, de alguma maneira, me livrar de problemas cotidianos, de desejos. Aliás, seria péssimo! Quero paz, alegria, felicidade e também o frio na barriga, a surpresa, o descontrole temporário. Posso ser louca, mas acho que só tenho consciência das minhas discrepâncias e não tento ignorá-las me escondendo atrás de dogmas e púlpitos.
Autora: Ailin Aleixo
Fonte: Mulher Honesta
Trecho sublinhado por conta da casa.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Liber[t]ação Feminina
Mulher que é mulher dá pra quem ela quiser e nem perde tempo pensando nesse assunto porque é algo tão natural e simples na sua vida quanto escovar os dentes ou ir ao cinema. Por isso acho bem esquisito essas meninas (independente da idade que tenham continuam meninas) cheias de preocupação, lendo livros e fazendo contas (primeiro encontro, terceiro, décimo segundo?) para descobrir o momento ideal de arriar a calcinha de renda.
É só sexo. Passional, carnal e intempestivo como deve ser. Deixem as contas pro IBGE, as regras de bom comportamento para os colégios de freira, e vivam. Comprem camisinhas e mandem bala.
Apesar da aparente modernidade, tem muita mulher regulada por aí. E não porque não sintam vontade de liberar, não: esse motivo é respeitável. É porque tem medo do que os outros vão falar. Medo do que o cara vai pensar dela, vê se pode. Se uma garota teme o juízo que o cidadão vai fazer dela depois do bundalelê, é um aviso dos céus de que não deve dar pra ele de jeito nenhum—a menos que goste de transar com babacas moralistas.
Jamais me preocupei com o que o vizinho, o porteiro ou qualquer terceiro pensam de mim: se eles não tem nada mais importante pra fazer do que vigiar a vida alheia, pobre deles. O problema é que nossa sociedade é, feito lençol freático, permeada por um moralismo mais contaminador que dengue e, quando você menos espera, se pega censurando a conduta dos outros igualzinho sua avó. Comportamento herdado, sabe? Pior que isso, comportamento arcaico. Ou patético.
Homem que fica encanado com a vida sexual pregressa da namorada precisa tomar surra de frigideira pra parar de ser besta. O mais engraçado é que os machos rodados se acham os Tiger Woods do sexo (acertam o buraco cada vez com mais distinção), mas as mulheres viram roupa comprada em brexó? Ah, faça-me o favor. Cada um dá o que é seu e ninguém tem nada a ver com isso. E, aliás, o número de pessoas que passaram pela minha cama, ou pela dela, não te interessa, não altera a BOVESPA, nem a minha personalidade ou valor. Muda, isso sim, a experiência. O que é, ao meu ver, ótimo: ter referencial é algo valiosíssimo nesses dias de propaganda enganosa…
Mas, veja bem: dar pra quem quiser não significa passar o rodo no time de basquete inteiro ou em toda sua turma de amigos, não. Isso é falta de respeito consigo mesma. Porque, como disse Leila Diniz a um babacão que, depois de tomar um sonoro fora, a chamou de vagabunda: “Querido, eu posso dar pra todo mundo, mas não pra qualquer um”. Isso é que é mulher."
Autora: Ailin Aleixo.
Divulgado na SW por Gaius.
Nota da casa: Isto me recorda o diálogo entre Nana e Iony, sobre o Complexo de Cinderela e do como ainda as mulheres brasileiras vivem dentro das imposições sociais, das limitações do patriarcado, das repressões da igreja. A maioria ainda tem o casamento como "projeto de vida" e depois subsiste de forma medíocre, vivendo em função de outras coisas [marido, filhos, carreira, patrimônio] e se esquecendo dela.
Mulher, você e apenas você é dona de si. Viva em sua função. O mundo, a humanidade, os homens humanos [especialmente os pagãos };)] agradecem.
É só sexo. Passional, carnal e intempestivo como deve ser. Deixem as contas pro IBGE, as regras de bom comportamento para os colégios de freira, e vivam. Comprem camisinhas e mandem bala.
Apesar da aparente modernidade, tem muita mulher regulada por aí. E não porque não sintam vontade de liberar, não: esse motivo é respeitável. É porque tem medo do que os outros vão falar. Medo do que o cara vai pensar dela, vê se pode. Se uma garota teme o juízo que o cidadão vai fazer dela depois do bundalelê, é um aviso dos céus de que não deve dar pra ele de jeito nenhum—a menos que goste de transar com babacas moralistas.
Jamais me preocupei com o que o vizinho, o porteiro ou qualquer terceiro pensam de mim: se eles não tem nada mais importante pra fazer do que vigiar a vida alheia, pobre deles. O problema é que nossa sociedade é, feito lençol freático, permeada por um moralismo mais contaminador que dengue e, quando você menos espera, se pega censurando a conduta dos outros igualzinho sua avó. Comportamento herdado, sabe? Pior que isso, comportamento arcaico. Ou patético.
Homem que fica encanado com a vida sexual pregressa da namorada precisa tomar surra de frigideira pra parar de ser besta. O mais engraçado é que os machos rodados se acham os Tiger Woods do sexo (acertam o buraco cada vez com mais distinção), mas as mulheres viram roupa comprada em brexó? Ah, faça-me o favor. Cada um dá o que é seu e ninguém tem nada a ver com isso. E, aliás, o número de pessoas que passaram pela minha cama, ou pela dela, não te interessa, não altera a BOVESPA, nem a minha personalidade ou valor. Muda, isso sim, a experiência. O que é, ao meu ver, ótimo: ter referencial é algo valiosíssimo nesses dias de propaganda enganosa…
Mas, veja bem: dar pra quem quiser não significa passar o rodo no time de basquete inteiro ou em toda sua turma de amigos, não. Isso é falta de respeito consigo mesma. Porque, como disse Leila Diniz a um babacão que, depois de tomar um sonoro fora, a chamou de vagabunda: “Querido, eu posso dar pra todo mundo, mas não pra qualquer um”. Isso é que é mulher."
Autora: Ailin Aleixo.
Divulgado na SW por Gaius.
Nota da casa: Isto me recorda o diálogo entre Nana e Iony, sobre o Complexo de Cinderela e do como ainda as mulheres brasileiras vivem dentro das imposições sociais, das limitações do patriarcado, das repressões da igreja. A maioria ainda tem o casamento como "projeto de vida" e depois subsiste de forma medíocre, vivendo em função de outras coisas [marido, filhos, carreira, patrimônio] e se esquecendo dela.
Mulher, você e apenas você é dona de si. Viva em sua função. O mundo, a humanidade, os homens humanos [especialmente os pagãos };)] agradecem.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Paganismo nas escolas
Citado pelo Caturo [Gladius] e buscado pelo oráculo virtual, Google:
As escolas poderão ensinar Paganismo depois que um conselho decidiu que cabia a cada escola se incluiriam em sua educação religiosa.
O Conselho de Lincolnshire fez uma reunião para discutir se deveria ensinar junto com as seis religiões ensinadas nas escolas, que são o Cristianismo, Hinduismo, Judaismo, Sikismo, Budismo e Islamismo. Esta decisão veio uma semana após grupos cristãos terem criticado a BBC por "diminuir o Cristianismo e patrocinar o Paganismo" em sua reportagem sobre o festival de Samhain.
Debbie Barnes, diretora assistente dos serviços para as crianças do Conselho de Lincolnshire, disse que o conselho não estava dando uma orientação direta sobre se deveria ser incluido no curriculo e estava a cargo das escolas decidirem. Ela acrescentou que um conselheiro de ensino religioso deveria monitorar a tendência nacional nesse assunto. Minutos após o encontro do Consleho de Educação religiosa ecoou a declaração da senhora barnes e reconheceram que a discussão "cobriu um amplo espectro de crenças e práticas".[The Way]
Noticiado também no Register, no Daily Mail, no Lincolnshire e no Sify.
Podemos começar a contagem regressiva para que isto seja possível no Brasil?
As escolas poderão ensinar Paganismo depois que um conselho decidiu que cabia a cada escola se incluiriam em sua educação religiosa.
O Conselho de Lincolnshire fez uma reunião para discutir se deveria ensinar junto com as seis religiões ensinadas nas escolas, que são o Cristianismo, Hinduismo, Judaismo, Sikismo, Budismo e Islamismo. Esta decisão veio uma semana após grupos cristãos terem criticado a BBC por "diminuir o Cristianismo e patrocinar o Paganismo" em sua reportagem sobre o festival de Samhain.
Debbie Barnes, diretora assistente dos serviços para as crianças do Conselho de Lincolnshire, disse que o conselho não estava dando uma orientação direta sobre se deveria ser incluido no curriculo e estava a cargo das escolas decidirem. Ela acrescentou que um conselheiro de ensino religioso deveria monitorar a tendência nacional nesse assunto. Minutos após o encontro do Consleho de Educação religiosa ecoou a declaração da senhora barnes e reconheceram que a discussão "cobriu um amplo espectro de crenças e práticas".[The Way]
Noticiado também no Register, no Daily Mail, no Lincolnshire e no Sify.
Podemos começar a contagem regressiva para que isto seja possível no Brasil?
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Maior templo da Roma antiga é reaberto ao público
O maior templo da Roma antiga foi reaberto ao público nesta quinta-feira após mais de 20 anos em obras. O anúncio ocorre em meio a uma tempestade política sobre a manutenção dos tesouros artísticos italianos, após o colapso da Casa dos Gladiadores em Pompeia.
O Templo de Vênus e Roma, construído durante o governo do imperador Adriano no século II (de 121 a 135), se situa no coração do Fórum Romano, perto do Coliseu. Do imenso edifício original com duas entradas restam dezenas de colunas e partes de duas absides com tetos ornamentados.
O templo era visível para os visitantes do Fórum, mas o acesso estava interditado por causa das obras. Até os anos 1980, carros podiam até mesmo estacionar em frente as suas colunas.
"Restauramos para Roma um dos mais importantes símbolos de poder e grandeza do Império Romano", declarou à AFP Claudia Del Monte, arquiteta encarregada da restauração durante a reinauguração do templo.
O trabalho de restauração foi centralizado, principalmente, na pavimentação do templo de Roma, nas melhorias nos vãos de sustentação do teto, enegrecidos pela poluição e limpeza de um esgoto próximo ao local.
Erguida nas ruínas da Domus Aurea - a casa do imperador Nero -, este templo comporta duas partes unidas: o templo de Vênus, deusa do amor e ancestral mística dos romanos e o templo de Roma Aeterna, deusa da cidade.
Mesmo fechado ao público, o templo vem sendo utilizado, desde o Papa João Paulo II, para cerimônias da Sexta-Feira Santa.
Del Monte explicou que certos aspectos da restauração não teriam sido necessários se o local tivesse sido mais bem conservado.
"Os italianos devem estar conscientes de seu patrimônio e parar de maltratá-lo", disse.
Fonte: Noticias Terra
Nota da casa: Primeiro descubramos as nossas reais origens para depois enterrar o verdadeiro entulho, a Igreja.
O Templo de Vênus e Roma, construído durante o governo do imperador Adriano no século II (de 121 a 135), se situa no coração do Fórum Romano, perto do Coliseu. Do imenso edifício original com duas entradas restam dezenas de colunas e partes de duas absides com tetos ornamentados.
O templo era visível para os visitantes do Fórum, mas o acesso estava interditado por causa das obras. Até os anos 1980, carros podiam até mesmo estacionar em frente as suas colunas.
"Restauramos para Roma um dos mais importantes símbolos de poder e grandeza do Império Romano", declarou à AFP Claudia Del Monte, arquiteta encarregada da restauração durante a reinauguração do templo.
O trabalho de restauração foi centralizado, principalmente, na pavimentação do templo de Roma, nas melhorias nos vãos de sustentação do teto, enegrecidos pela poluição e limpeza de um esgoto próximo ao local.
Erguida nas ruínas da Domus Aurea - a casa do imperador Nero -, este templo comporta duas partes unidas: o templo de Vênus, deusa do amor e ancestral mística dos romanos e o templo de Roma Aeterna, deusa da cidade.
Mesmo fechado ao público, o templo vem sendo utilizado, desde o Papa João Paulo II, para cerimônias da Sexta-Feira Santa.
Del Monte explicou que certos aspectos da restauração não teriam sido necessários se o local tivesse sido mais bem conservado.
"Os italianos devem estar conscientes de seu patrimônio e parar de maltratá-lo", disse.
Fonte: Noticias Terra
Nota da casa: Primeiro descubramos as nossas reais origens para depois enterrar o verdadeiro entulho, a Igreja.
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domingo, 7 de novembro de 2010
Feliz Diwali
Nova Delhi, 5 nov (Prensa Latina) Milhões de pessoas na Índia receberam hoje ao ano novo indiano em suas moradias engalanadas com luzes multicolores, e com o estrondo ensordecedor de fogos artificiais e petardos, enquanto familiares e vizinhos desejavam-se mutuamente um "Happy Diwali".
Conhecida também como o festival das luzes, a data tem um forte ônus simbólico para os índios, pelo geral bastante supersticiosos, pois marca a vitória do bem sobre o mau, e a iluminação da escuridão espiritual.
Segundo a lenda que prevalece no norte do país, depois que o rei deus Ramo derrotou ao demônio Ravana, os habitantes da cidade de Adyodhya acenderam lustres de azeite para guiar em seu regresso a casa.
No sul, o maligno toma o nome de Karakasura e seu némesis é Krishna, outra deidad do panteón indiano, enquanto para outros a celebração está sócia ao fim da colheita, prévio à chegada do inverno.
A festividade tem lugar no decimoquinto dia do mês de Karttika, que no calendário gregoriano equivale ao período que se estende entre o 21 de outubro e o 18 de novembro.
Se venera em particular a Lakshmi, a deusa da riqueza e da prosperidade, e a Ganesha, o deus com cabeça de elefante que segundo os indianos abre os caminhos da boa sorte.
Na Índia moderna, Diwali representa ademais um momento de relajación e de grande efervescencia comercial porque os comerciantes aproveitam-se da tradição de estrear roupas e trocar presentes.
O ouro, já seja em jóia ou em moedas, é muito demandado, pelo que esse metal precioso atinge preços exorbitantes durante a festividade.
Segundo reportes da imprensa local, para este ano a grama chegou a cotar-se a quase 45 dólares.
As grandes correntes de lojas e os vendedores ao detalhe também fazem seu agosto, e tentam seduzir aos clientes com grandes rebajas, porque segundo a tradição, durante Diwali devem ser adquirido utensilios novos para o lar.
Fonte: Prensa Latina
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, participou da festa de celebração hindu das luzes, a Diwali, e dançou com os estudantes de uma escola de Mumbai.
Obama e sua mulher estavam assistindo a uma apresentação das crianças em uma escola do sul da cidade.
A primeira a levantar foi a primeira-dama então se levantou para dançar com as crianças e convenceu seu marido fazer o mesmo.
O presidente recebeu orientações da dança. As crianças aproveitaram para tirar fotos e pedir autógrafos do casal.
Fonte: SRZD
Conhecida também como o festival das luzes, a data tem um forte ônus simbólico para os índios, pelo geral bastante supersticiosos, pois marca a vitória do bem sobre o mau, e a iluminação da escuridão espiritual.
Segundo a lenda que prevalece no norte do país, depois que o rei deus Ramo derrotou ao demônio Ravana, os habitantes da cidade de Adyodhya acenderam lustres de azeite para guiar em seu regresso a casa.
No sul, o maligno toma o nome de Karakasura e seu némesis é Krishna, outra deidad do panteón indiano, enquanto para outros a celebração está sócia ao fim da colheita, prévio à chegada do inverno.
A festividade tem lugar no decimoquinto dia do mês de Karttika, que no calendário gregoriano equivale ao período que se estende entre o 21 de outubro e o 18 de novembro.
Se venera em particular a Lakshmi, a deusa da riqueza e da prosperidade, e a Ganesha, o deus com cabeça de elefante que segundo os indianos abre os caminhos da boa sorte.
Na Índia moderna, Diwali representa ademais um momento de relajación e de grande efervescencia comercial porque os comerciantes aproveitam-se da tradição de estrear roupas e trocar presentes.
O ouro, já seja em jóia ou em moedas, é muito demandado, pelo que esse metal precioso atinge preços exorbitantes durante a festividade.
Segundo reportes da imprensa local, para este ano a grama chegou a cotar-se a quase 45 dólares.
As grandes correntes de lojas e os vendedores ao detalhe também fazem seu agosto, e tentam seduzir aos clientes com grandes rebajas, porque segundo a tradição, durante Diwali devem ser adquirido utensilios novos para o lar.
Fonte: Prensa Latina
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, participou da festa de celebração hindu das luzes, a Diwali, e dançou com os estudantes de uma escola de Mumbai.
Obama e sua mulher estavam assistindo a uma apresentação das crianças em uma escola do sul da cidade.
A primeira a levantar foi a primeira-dama então se levantou para dançar com as crianças e convenceu seu marido fazer o mesmo.
O presidente recebeu orientações da dança. As crianças aproveitaram para tirar fotos e pedir autógrafos do casal.
Fonte: SRZD
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A voz da intolerância
O Papa Bento XVI atacou neste domingo (7) o aborto e defendeu a família tradicional em clara crítica às leis liberais a este respeito do governo socialista espanhol de José Luis Rodríguez Zapatero, durante a consagração do templo da Sagrada Família.
"A Igreja se opõe a todas as formas de negação da vida humana e apoia quanto se promove a ordem natural no âmbito da instituição familiar", recordou Bento XVI durante a missa celebrada na então consagrada basílica da Sagrada Família de Barcelona, no segundo e último dia de sua viagem à Espanha.
Além disso, defendeu a família como a união de um homem e uma mulher, num país em que o casamento entre pessoas de mesmo sexo foi aprovado há cinco anos.
"O amor indissolúvel de um homem e uma mulher é o marco eficaz e o fundamento da vida humana em sua gestação, em seu parto, em seu crescimento e em seu término natural", recordou.
O chefe da Igreja católica pediu aos Estados que deem "atenção, proteção e ajuda" à família tradicional e à vida humana.
Aos governos pediu "adequadas medidas econômicas e sociais para que o homem e a mulher que contraem matrimônio e formam uma família sejam decididamente apoiados pelo Estado para que se defenda a vida dos filhos como sagrada e inviolável desde o momento de sua concepção e que a natalidade seja dignificada, valorizada e apoiada jurídica, social e legislativamente".
Além disso, pediu medidas dessa índole "para que a mulher encontre no lar e no trabalho sua plena realização".
O Vaticano se opõe totalmente ao aborto e a qualquer forma de eutanásia.
"Somente onde existem o amor e a fidelidade nasce e perdura a verdadeira liberdade", estimou o Papa sobre sua visão do casamento.
O Papa pronunciou estas palavras quatro meses depois que entrou em vigor no país a nova legislação espanhola sobre o aborto, que o Vaticano classificou de "insensata".
A nova lei, que amplia a anterior, permite o aborto livre dentro de um prazo de 14 semanas e autoriza o aborto de maneira excepcional até 22 semanas de gravidez em caso de risco para a vida e a saúde da mãe ou em caso de graves malformações do feto.
O Pontífice também defendeu a união "entre um homem e uma mulher" num momento em que na Espanha as pessoas do mesmo sexo podem se casar, depois da adoção, há cinco anos, de uma lei que converteu o país no terceiro da Europa a permitir isso, depois da Holanda e Bélgica.
Ambas as leis geraram a oposição do Vaticano, da hierarquia da Igreja espanhola e do conservador Partido Popular (PP, na oposição), que recorreu delas ante o Tribunal Constitucional.
Fonte: G1
Nota da casa: A Espanha resiste. O Portugal resistiu. A cada dia a humanidade está se opondo mais à Ditadura da Mitra. Este blog [e seu autor] se opõe contra todas as formas de totalitarismo, autocracia, ditadura ou qualquer forma de regime político ou religioso baseado na prepotência, na arrogância, na opressão e na repressão.
"A Igreja se opõe a todas as formas de negação da vida humana e apoia quanto se promove a ordem natural no âmbito da instituição familiar", recordou Bento XVI durante a missa celebrada na então consagrada basílica da Sagrada Família de Barcelona, no segundo e último dia de sua viagem à Espanha.
Além disso, defendeu a família como a união de um homem e uma mulher, num país em que o casamento entre pessoas de mesmo sexo foi aprovado há cinco anos.
"O amor indissolúvel de um homem e uma mulher é o marco eficaz e o fundamento da vida humana em sua gestação, em seu parto, em seu crescimento e em seu término natural", recordou.
O chefe da Igreja católica pediu aos Estados que deem "atenção, proteção e ajuda" à família tradicional e à vida humana.
Aos governos pediu "adequadas medidas econômicas e sociais para que o homem e a mulher que contraem matrimônio e formam uma família sejam decididamente apoiados pelo Estado para que se defenda a vida dos filhos como sagrada e inviolável desde o momento de sua concepção e que a natalidade seja dignificada, valorizada e apoiada jurídica, social e legislativamente".
Além disso, pediu medidas dessa índole "para que a mulher encontre no lar e no trabalho sua plena realização".
O Vaticano se opõe totalmente ao aborto e a qualquer forma de eutanásia.
"Somente onde existem o amor e a fidelidade nasce e perdura a verdadeira liberdade", estimou o Papa sobre sua visão do casamento.
O Papa pronunciou estas palavras quatro meses depois que entrou em vigor no país a nova legislação espanhola sobre o aborto, que o Vaticano classificou de "insensata".
A nova lei, que amplia a anterior, permite o aborto livre dentro de um prazo de 14 semanas e autoriza o aborto de maneira excepcional até 22 semanas de gravidez em caso de risco para a vida e a saúde da mãe ou em caso de graves malformações do feto.
O Pontífice também defendeu a união "entre um homem e uma mulher" num momento em que na Espanha as pessoas do mesmo sexo podem se casar, depois da adoção, há cinco anos, de uma lei que converteu o país no terceiro da Europa a permitir isso, depois da Holanda e Bélgica.
Ambas as leis geraram a oposição do Vaticano, da hierarquia da Igreja espanhola e do conservador Partido Popular (PP, na oposição), que recorreu delas ante o Tribunal Constitucional.
Fonte: G1
Nota da casa: A Espanha resiste. O Portugal resistiu. A cada dia a humanidade está se opondo mais à Ditadura da Mitra. Este blog [e seu autor] se opõe contra todas as formas de totalitarismo, autocracia, ditadura ou qualquer forma de regime político ou religioso baseado na prepotência, na arrogância, na opressão e na repressão.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Papa vai tentar "recolonizar" a Espanha
CIUDAD DEL VATICANO, Itália — O papa Bento XVI lançará um apelo contra a "descristianização" da Europa durante visita, sábado e domingo, à Espanha, país tradicionalmente católico que, em poucos anos, se tornou o mais ousado defensor dos direitos dos homossexuais e do aborto.
O Papa visitará Santiago de Compostela, terceiro lugar de peregrinação católica depois de Jerusalém e Roma, e em seguida viajará a Barcelona para consagrar a catedral da Sagrada Família, espetacular templo do arquiteto catalão Antoni Gaudí (1852-1926), inacabado há mais de 100 anos, e que será elevado ao grau de basílica.
"As duas etapas têm um significado amplo e universal, que vai além das visitas em si", explicou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.
Segundo ele, a Europa será o tema central da mensagem que o pontífice transmitirá em Santiago de Compostela, onde o número de peregrinos, crentes ou não, continua a crescer, passando de 180 mil, em 1984, último Ano Santo Jacobeu ou Ano Santo Compostelano (quando o dia 25 de julho, consagrado a Santiago Maior, cai num domingo) para 260.000, este ano.
Trata-se da 18ª viagem do Papa ao exterior e a 12ª na Europa, um sinal da importância que este papado dá ao velho continente.
Bento XVI instará a Europa a combater a "descristianização", bem como o "relativismo e as ideias herdadas da Revolução francesa, que consideram que para ser plenamente humano, é preciso libertar-se de toda tradição religiosa", antecipou o vice-secretário para a Congregação do Clero, Celso Morga.
Uma das maiores preocupações da hierarquia da Igreja católica é que "a Europa perca a memória e as práticas religiosas", explicou à AFP o vaticanista Maro Politi, lembrando que uma das prioridades estabelecidas pelo pontificado é a "reevangelização" do velho continente.
Bento XVI, que circulará em papamóvel, viaja "como peregrino" a Santiago de Composterla e rezará diante do túmulo do apóstolo. Também ali, celebrará uma missa para 6.000 a 7.000 pessoas.
Curiosamente - seja por censura, autocensura ou peculiaridade na Espanha -, não será evocado o grave escândalo que abala a Igreja, provocado pelos abusos cometidos por padres pedófilos, particularmente na Europa.
O Papa certamente abordará questões importantes de caráter social, pouco depois do protesto do Vaticano contra a nova lei do aborto, aprovada pelo socialista José Luis Rodríguez Zapatero, também promotor de avanços sociais pioneiros como a lei do casamento homossexual, em 2005.
Em Barcelona, um dos temas centrais será a família, explicou Lombardi, confirmando que o Papa e Zapatero se reunirão no aeroporto antes do retorno do pontífice a Roma.
Bento XVI certamente "insistirá na defesa da vida e no valor do casamento entre homem e mulher", disse Politi.
O desafio nesta ocasião é que o chamado será feito a uma sociedade "cada vez mais leiga", destacou Politi, assegurando que na visita anterior do Papa à Espanha, em 2006, em Valencia, por ocasião das Jornadas Mundiais da Família, "a metade dos jovens reconheceu que não acredita mais em Deus".[AFP]
Nota 1: Oh, coitado. Viagem perdida.
A plataforma Jo no t'espero (eu não te espero, em catalão) agrupa mais de 60 entidades laicas que estão contra a visita do papa e denunciam o tratamento que o Estado espanhol dá ao pontífice.
O presidente dos Ateus de Catalunha, Albert Riba, disse que "foram superadas as expetativas" para o protesto e acrescentou que "se não há mais gente é porque existe uma certa apatia entre a população, uma grande desmoralização devido à crise e ainda receio da Igreja em certos setores da população".
Simona Levi, natural de Barcelona, trazia nas costas uma bandeira com um sinal de trânsito a indicar perigo com a mitra papal no interior. Em declarações à Lusa, referiu que é injusto "gastar-se muito dinheiro público em crenças religiosas que são temas pessoais".
"Não se tem que utilizar dinheiro público, o nosso dinheiro, num Estado laico, para pagar a visita a um senhor que representa um tema privado dos crentes da sua religião", afirmou.
A associação Ateus e Republicanos distribuía na praça bolachas de chocolate como se fossem hóstias e bananas com uma oração que começava com "Marx te salve, brinquedo".
Em declarações à Lusa, Milagros Viera, presidente da associação comentou que têm muitos motivos para dizer ao papa que não o esperam. "Pedimos um Estado laico, porque este Estado confessional não nos convém, dá todo o poder à Igreja", sublinhou.
Muito incomodado com a visita papal estava José Viayo, natural de Barcelona, que disse à Lusa que não espera nem "este papa nem nenhum outro papa".
"Estamos fartos da intervenção da Igreja nos assuntos públicos e estamos fartos de ter um acordo pelo qual o Estado espanhol paga à Santa Sé um dinheiro nosso", criticou.
Outras manifestações vão acontecer em Barcelona nos próximos dias devido à visita do papa. Os coletivos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros) realizarão uma flashmob no domingo de manhã, em frente à catedral de Barcelona, durante o qual darão beijos em "defesa dos direitos sexuais e afetivos".
Também uma associação feminista levará a cabo uma manifestação no domingo, na praça da Universitat.
O sindicato da Confederação Geral do Trabalho de Barcelona convocou uma greve de autocarros e organizou um protesto para sábado, às 15 horas, em frente à catedral da cidade.[SIC]
Nota 2: A resistência aumenta a cada dia. Proposta deste pagão: Mude a Igreja ou se mude dela.
PS: O sr Ratzinger, com a sutileza que é conhecido, em seu discurso aos espanhóis foi do lixo ao luxo.
O papa Bento XVI pediu este sábado à Europa para "abrir-se a Deus" e "sair ao Seu encontro sem medo", afirmando que "é necessário que Deus volte a ressoar sob os céus da Europa", durante missa ao ar livre celebrada em Santiago de Compostela.[G1]
Nota 1: Estupro? Não, obrigado.
O papa Bento 16 fez neste sábado um alerta contra o materialismo e a favor da herança espiritual da Europa.[G1]
Nota 2: Ótima idéia. Principalmente se levarmos em conta que a "herança espiritual" da Europa é o Paganismo.
O Papa visitará Santiago de Compostela, terceiro lugar de peregrinação católica depois de Jerusalém e Roma, e em seguida viajará a Barcelona para consagrar a catedral da Sagrada Família, espetacular templo do arquiteto catalão Antoni Gaudí (1852-1926), inacabado há mais de 100 anos, e que será elevado ao grau de basílica.
"As duas etapas têm um significado amplo e universal, que vai além das visitas em si", explicou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.
Segundo ele, a Europa será o tema central da mensagem que o pontífice transmitirá em Santiago de Compostela, onde o número de peregrinos, crentes ou não, continua a crescer, passando de 180 mil, em 1984, último Ano Santo Jacobeu ou Ano Santo Compostelano (quando o dia 25 de julho, consagrado a Santiago Maior, cai num domingo) para 260.000, este ano.
Trata-se da 18ª viagem do Papa ao exterior e a 12ª na Europa, um sinal da importância que este papado dá ao velho continente.
Bento XVI instará a Europa a combater a "descristianização", bem como o "relativismo e as ideias herdadas da Revolução francesa, que consideram que para ser plenamente humano, é preciso libertar-se de toda tradição religiosa", antecipou o vice-secretário para a Congregação do Clero, Celso Morga.
Uma das maiores preocupações da hierarquia da Igreja católica é que "a Europa perca a memória e as práticas religiosas", explicou à AFP o vaticanista Maro Politi, lembrando que uma das prioridades estabelecidas pelo pontificado é a "reevangelização" do velho continente.
Bento XVI, que circulará em papamóvel, viaja "como peregrino" a Santiago de Composterla e rezará diante do túmulo do apóstolo. Também ali, celebrará uma missa para 6.000 a 7.000 pessoas.
Curiosamente - seja por censura, autocensura ou peculiaridade na Espanha -, não será evocado o grave escândalo que abala a Igreja, provocado pelos abusos cometidos por padres pedófilos, particularmente na Europa.
O Papa certamente abordará questões importantes de caráter social, pouco depois do protesto do Vaticano contra a nova lei do aborto, aprovada pelo socialista José Luis Rodríguez Zapatero, também promotor de avanços sociais pioneiros como a lei do casamento homossexual, em 2005.
Em Barcelona, um dos temas centrais será a família, explicou Lombardi, confirmando que o Papa e Zapatero se reunirão no aeroporto antes do retorno do pontífice a Roma.
Bento XVI certamente "insistirá na defesa da vida e no valor do casamento entre homem e mulher", disse Politi.
O desafio nesta ocasião é que o chamado será feito a uma sociedade "cada vez mais leiga", destacou Politi, assegurando que na visita anterior do Papa à Espanha, em 2006, em Valencia, por ocasião das Jornadas Mundiais da Família, "a metade dos jovens reconheceu que não acredita mais em Deus".[AFP]
Nota 1: Oh, coitado. Viagem perdida.
A plataforma Jo no t'espero (eu não te espero, em catalão) agrupa mais de 60 entidades laicas que estão contra a visita do papa e denunciam o tratamento que o Estado espanhol dá ao pontífice.
O presidente dos Ateus de Catalunha, Albert Riba, disse que "foram superadas as expetativas" para o protesto e acrescentou que "se não há mais gente é porque existe uma certa apatia entre a população, uma grande desmoralização devido à crise e ainda receio da Igreja em certos setores da população".
Simona Levi, natural de Barcelona, trazia nas costas uma bandeira com um sinal de trânsito a indicar perigo com a mitra papal no interior. Em declarações à Lusa, referiu que é injusto "gastar-se muito dinheiro público em crenças religiosas que são temas pessoais".
"Não se tem que utilizar dinheiro público, o nosso dinheiro, num Estado laico, para pagar a visita a um senhor que representa um tema privado dos crentes da sua religião", afirmou.
A associação Ateus e Republicanos distribuía na praça bolachas de chocolate como se fossem hóstias e bananas com uma oração que começava com "Marx te salve, brinquedo".
Em declarações à Lusa, Milagros Viera, presidente da associação comentou que têm muitos motivos para dizer ao papa que não o esperam. "Pedimos um Estado laico, porque este Estado confessional não nos convém, dá todo o poder à Igreja", sublinhou.
Muito incomodado com a visita papal estava José Viayo, natural de Barcelona, que disse à Lusa que não espera nem "este papa nem nenhum outro papa".
"Estamos fartos da intervenção da Igreja nos assuntos públicos e estamos fartos de ter um acordo pelo qual o Estado espanhol paga à Santa Sé um dinheiro nosso", criticou.
Outras manifestações vão acontecer em Barcelona nos próximos dias devido à visita do papa. Os coletivos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros) realizarão uma flashmob no domingo de manhã, em frente à catedral de Barcelona, durante o qual darão beijos em "defesa dos direitos sexuais e afetivos".
Também uma associação feminista levará a cabo uma manifestação no domingo, na praça da Universitat.
O sindicato da Confederação Geral do Trabalho de Barcelona convocou uma greve de autocarros e organizou um protesto para sábado, às 15 horas, em frente à catedral da cidade.[SIC]
Nota 2: A resistência aumenta a cada dia. Proposta deste pagão: Mude a Igreja ou se mude dela.
PS: O sr Ratzinger, com a sutileza que é conhecido, em seu discurso aos espanhóis foi do lixo ao luxo.
O papa Bento XVI pediu este sábado à Europa para "abrir-se a Deus" e "sair ao Seu encontro sem medo", afirmando que "é necessário que Deus volte a ressoar sob os céus da Europa", durante missa ao ar livre celebrada em Santiago de Compostela.[G1]
Nota 1: Estupro? Não, obrigado.
O papa Bento 16 fez neste sábado um alerta contra o materialismo e a favor da herança espiritual da Europa.[G1]
Nota 2: Ótima idéia. Principalmente se levarmos em conta que a "herança espiritual" da Europa é o Paganismo.
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Letões pagãos nos EUA
Desenvolve-se a olhos vistos o Neo-Paganismo letão em terras norte-americanas, nomeadamente nos EUA e no Canadá.
Livre da opressão soviética, a Igreja Luterana da Letónia fortaleceu-se na diáspora letã na América do Norte, inclusivamente porque serviu como laço de ligação entre os letões estabelecidos nessa parte do globo.
Mas mais cresce ainda, comparativamente, o culto aos antigos Deuses da herança báltica letã, de raiz indo-europeia. Trata-se de uma religião construída a partir de antigas práticas, designada como Dievturiba (que significa «Manter Deus»).
A Dievturiba foi criada com base apenas nas Dainas lituanas, que são cerca de um milhão de canções/poemas de quatro linhas que dão a conhecer a vida antiga e as tradições antigas. As Dainas contém, segundo os devotos, muitas verdades ocultas e muitos ensinamentos sobre os Deuses e a vida, mas não se exige que sejam tomadas literalmente.
Tal como outros movimentos pagãos no Báltico, a Dievturiba foi estabelecida após a primeira independência da Letónia, nos anos vinte do século XX. Após a segunda independência, ou seja, depois da queda da União Soviética, houve um revivalismo do culto, que, de resto, se mantivera clandestinamente ao longo do totalitarismo comunista militantemente ateu.
Actualmente, os crentes da Dievturiba na Letónia são muito activos na realização de encontros, debates e até palestras escolares sobre vários temas da religião.
Os membros mais activos da congregação encontram-se fora da capital - Riga - nomeadamente nas regiões de Jelgava, Ventspils e Valmiera.
Também a Letónia, e os outros países bálticos, têm o seu «Halloween» - a sua festividade pagã mais importante parece ser a Velu Laiks, ou «tempo dos espíritos», situado mais ou menos na altura do fim do Outono e início do Inverno: trata-se da época do ano em que os espíritos andam pela terra, propícia para resolver enigmas, e conduz ao renascimento da luz, que mais tarde marcará o fim de um longo Inverno. É também uma época de festejos e comezainas para celebrar a colheita e os espíritos que abençoaram o Povo ao longo do ano. Na Lituânia e na Estónia, pelo contrário, o Primeiro de Novembro não tem lugar para alegrias, apenas para velar os mortos.
Fonte: Gladius
Livre da opressão soviética, a Igreja Luterana da Letónia fortaleceu-se na diáspora letã na América do Norte, inclusivamente porque serviu como laço de ligação entre os letões estabelecidos nessa parte do globo.
Mas mais cresce ainda, comparativamente, o culto aos antigos Deuses da herança báltica letã, de raiz indo-europeia. Trata-se de uma religião construída a partir de antigas práticas, designada como Dievturiba (que significa «Manter Deus»).
A Dievturiba foi criada com base apenas nas Dainas lituanas, que são cerca de um milhão de canções/poemas de quatro linhas que dão a conhecer a vida antiga e as tradições antigas. As Dainas contém, segundo os devotos, muitas verdades ocultas e muitos ensinamentos sobre os Deuses e a vida, mas não se exige que sejam tomadas literalmente.
Tal como outros movimentos pagãos no Báltico, a Dievturiba foi estabelecida após a primeira independência da Letónia, nos anos vinte do século XX. Após a segunda independência, ou seja, depois da queda da União Soviética, houve um revivalismo do culto, que, de resto, se mantivera clandestinamente ao longo do totalitarismo comunista militantemente ateu.
Actualmente, os crentes da Dievturiba na Letónia são muito activos na realização de encontros, debates e até palestras escolares sobre vários temas da religião.
Os membros mais activos da congregação encontram-se fora da capital - Riga - nomeadamente nas regiões de Jelgava, Ventspils e Valmiera.
Também a Letónia, e os outros países bálticos, têm o seu «Halloween» - a sua festividade pagã mais importante parece ser a Velu Laiks, ou «tempo dos espíritos», situado mais ou menos na altura do fim do Outono e início do Inverno: trata-se da época do ano em que os espíritos andam pela terra, propícia para resolver enigmas, e conduz ao renascimento da luz, que mais tarde marcará o fim de um longo Inverno. É também uma época de festejos e comezainas para celebrar a colheita e os espíritos que abençoaram o Povo ao longo do ano. Na Lituânia e na Estónia, pelo contrário, o Primeiro de Novembro não tem lugar para alegrias, apenas para velar os mortos.
Fonte: Gladius
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
A Espanha entre a cruz e a liberdade
Direto do país da hipocrisia e da contradição, o Vaticano:
MADRI — O papa Bento XVI leva seu combate mundial ao aborto e ao casamento entre homossexuais para a Espanha, um antigo bastião católico cujo governo tem aprovado leis condenadas pela Igreja.
O Papa visita, no próximo fim de semana, Santiago de Compostela e Barcelona quatro meses depois da entrada em vigor da lei de ampliação do aborto, que o Vaticano tachou de "insensata".
A viagem é vista por líderes eclesiásticos como uma defesa a suas crenças mais sagradas, as quais consideram ter se tornado alvo de uma legislação socialmente progressista.
A nova lei do aborto teria permitido a Gemma Botifoll, de 30 anos, interromper a gravidez na Espanha, mas em 2008, quando constatou-se que o feto que ela gerava tinha má-formações graves aos oito meses e meio de gestação, teve que viajar a Rennes (França) para submeter-se ao procedimento.
"Na Espanha, me senti muito mal, sem o apoio de ninguém", relatou Gemma à AFP, destacando que encontrou a solução no país vizinho "fazendo uma busca no Google".
Pela lei ela não poderia abortar na Espanha, onde desde julho é possível interromper a gravidez sem limite de tempo se for detectada uma doença grave e incurável no feto, livremente até a 14ª semana e em casos excepcionais até a 22ª.
A lei do aborto é a última de uma série de medidas sociais aprovadas nos últimos seis anos no Parlamento pelo governo.
O executivo socialista do primeiro-ministro Luiz Rodríguez Zapatero as considera um dos principais eixos de sua política - pelo menos antes da crise - e com elas se destacou como um dos países mais avançados na Europa nesta questão, sobretudo depois de aprovada a lei de casamento entre homossexuais.
"Nos últimos anos a Espanha se tornou uma referência de igualdade, não só na Europa, mas no mundo inteiro", declarou à AFP Pedro Zerolo, secretário de Movimentos Sociais e Relações com as ONGs do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Zapatero.
Depois da Holanda e da Bélgica, a Espanha se tornou, em 2005, o terceiro país europeu a aprovar os casamentos entre homossexuais e, desde então, sete países mais se somaram a estes, entre os quais Argentina, Portugal, além da capital mexicana.
Zapatero fez "uma aposta em um conceito integrador de cidadania", assegruou Zerolo, que se casou com seu companheiro logo após a aprovação da lei.
"Agora somos referência em igualdade"; "ao sair da Espanha se deixa manifesto o esforço que se fez", disse Zerolo, lembrando que nos últimos cinco anos foram celebrados 20.000 casamentos gays.
A lei do casamento homossexual e a do aborto provocaram o repúdio do Vaticano e, na Espanha, entre os setores mais conservadores chefiados pela Igreja Católica - que, nos últimos meses, protagonizou várias manifestações maciças em Madri - e o Partido Popular (PP).
O PP contestou as duas leis perante o Tribunal Constitucional e seu líder, Mariano Rajoy, insistiu recentemente em que as reformaria se voltasse ao poder.
Tudo isto em um Estado laico, segundo a Constituição, mas também com forte tradição católica, embora menos praticante: 73% da população se declara católica, contra 80% oito anos atrás, e só 14% dizem ir à missa todos os domingos.
Mas apesar do repúdio dos setores mais conservadores da população e das tensões entre os bispos espanhóis e o executivo socialista, este tem tentado sempre cultivar as melhores relações com o Vaticano.
Recentemente, anunciou que adiaria um projeto de lei que se prenuncia espinhoso nas relações com a hierarquia católica: a lei de liberdade religiosa.
Esta previa, entre outras coisas, retirar os crucifixos dos locais públicos, não celebrar funerais institucionais católicos e que o chefe de governo não preste juramento no cargo perante um crucifixo.
O adiamento se deve a "motivos estratégicos e razões eleitorais", explicou à AFP o teólogo Juan José Tamayo, para quem o governo paralisou a lei porque "considera que não agradaria ao Papa", razão pela qual "se deixa levar pela agenda do Vaticano".
Tamayo, que considera que o governo Zapatero concedeu "benefícios" à Igreja espanhola estes anos, acredita que o executivo "chegou à conclusão de que tem muitas frentes abertas", como o aumento da oposição nas pesquisas de opinião e o repúdio dos sindicatos às medidas anticrise, "e não quer jogar mais lenha na fogueira".
Fonte: AFP
Nota da casa: Se o dileto leitor/visitante realmente acreditou que a Igreja fazia um discurso sério e honesto sobre "liberdade" e "tolerância", que tal ouvir o recente discurso do sr Ratzinger, onde ele diz: "O lixo não está somente em diversas estradas do mundo. Há lixo também nas nossas consciências e nas nossas almas" e se livrar desse lixo chamado Igreja Católica? Apostasia Já!
MADRI — O papa Bento XVI leva seu combate mundial ao aborto e ao casamento entre homossexuais para a Espanha, um antigo bastião católico cujo governo tem aprovado leis condenadas pela Igreja.
O Papa visita, no próximo fim de semana, Santiago de Compostela e Barcelona quatro meses depois da entrada em vigor da lei de ampliação do aborto, que o Vaticano tachou de "insensata".
A viagem é vista por líderes eclesiásticos como uma defesa a suas crenças mais sagradas, as quais consideram ter se tornado alvo de uma legislação socialmente progressista.
A nova lei do aborto teria permitido a Gemma Botifoll, de 30 anos, interromper a gravidez na Espanha, mas em 2008, quando constatou-se que o feto que ela gerava tinha má-formações graves aos oito meses e meio de gestação, teve que viajar a Rennes (França) para submeter-se ao procedimento.
"Na Espanha, me senti muito mal, sem o apoio de ninguém", relatou Gemma à AFP, destacando que encontrou a solução no país vizinho "fazendo uma busca no Google".
Pela lei ela não poderia abortar na Espanha, onde desde julho é possível interromper a gravidez sem limite de tempo se for detectada uma doença grave e incurável no feto, livremente até a 14ª semana e em casos excepcionais até a 22ª.
A lei do aborto é a última de uma série de medidas sociais aprovadas nos últimos seis anos no Parlamento pelo governo.
O executivo socialista do primeiro-ministro Luiz Rodríguez Zapatero as considera um dos principais eixos de sua política - pelo menos antes da crise - e com elas se destacou como um dos países mais avançados na Europa nesta questão, sobretudo depois de aprovada a lei de casamento entre homossexuais.
"Nos últimos anos a Espanha se tornou uma referência de igualdade, não só na Europa, mas no mundo inteiro", declarou à AFP Pedro Zerolo, secretário de Movimentos Sociais e Relações com as ONGs do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Zapatero.
Depois da Holanda e da Bélgica, a Espanha se tornou, em 2005, o terceiro país europeu a aprovar os casamentos entre homossexuais e, desde então, sete países mais se somaram a estes, entre os quais Argentina, Portugal, além da capital mexicana.
Zapatero fez "uma aposta em um conceito integrador de cidadania", assegruou Zerolo, que se casou com seu companheiro logo após a aprovação da lei.
"Agora somos referência em igualdade"; "ao sair da Espanha se deixa manifesto o esforço que se fez", disse Zerolo, lembrando que nos últimos cinco anos foram celebrados 20.000 casamentos gays.
A lei do casamento homossexual e a do aborto provocaram o repúdio do Vaticano e, na Espanha, entre os setores mais conservadores chefiados pela Igreja Católica - que, nos últimos meses, protagonizou várias manifestações maciças em Madri - e o Partido Popular (PP).
O PP contestou as duas leis perante o Tribunal Constitucional e seu líder, Mariano Rajoy, insistiu recentemente em que as reformaria se voltasse ao poder.
Tudo isto em um Estado laico, segundo a Constituição, mas também com forte tradição católica, embora menos praticante: 73% da população se declara católica, contra 80% oito anos atrás, e só 14% dizem ir à missa todos os domingos.
Mas apesar do repúdio dos setores mais conservadores da população e das tensões entre os bispos espanhóis e o executivo socialista, este tem tentado sempre cultivar as melhores relações com o Vaticano.
Recentemente, anunciou que adiaria um projeto de lei que se prenuncia espinhoso nas relações com a hierarquia católica: a lei de liberdade religiosa.
Esta previa, entre outras coisas, retirar os crucifixos dos locais públicos, não celebrar funerais institucionais católicos e que o chefe de governo não preste juramento no cargo perante um crucifixo.
O adiamento se deve a "motivos estratégicos e razões eleitorais", explicou à AFP o teólogo Juan José Tamayo, para quem o governo paralisou a lei porque "considera que não agradaria ao Papa", razão pela qual "se deixa levar pela agenda do Vaticano".
Tamayo, que considera que o governo Zapatero concedeu "benefícios" à Igreja espanhola estes anos, acredita que o executivo "chegou à conclusão de que tem muitas frentes abertas", como o aumento da oposição nas pesquisas de opinião e o repúdio dos sindicatos às medidas anticrise, "e não quer jogar mais lenha na fogueira".
Fonte: AFP
Nota da casa: Se o dileto leitor/visitante realmente acreditou que a Igreja fazia um discurso sério e honesto sobre "liberdade" e "tolerância", que tal ouvir o recente discurso do sr Ratzinger, onde ele diz: "O lixo não está somente em diversas estradas do mundo. Há lixo também nas nossas consciências e nas nossas almas" e se livrar desse lixo chamado Igreja Católica? Apostasia Já!
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