sábado, 31 de julho de 2010

Dez benefícios do sexo para a saúde

RIO - Manter relações sexuais frequentes pode trazer inúmeros benefícios para a saúde. Diversos estudos indicam que o sexo pode ajudar a aliviar o estresse, melhora a qualidade do sono, protege o sistema imunológico e afasta o risco de certos tipos de câncer. Confira abaixo os dez maiores benefícios da vida sexual ativa para a saúde:
Diminui o estresse - Um dos grandes benefícios do sexo é seu efeito na pressão arterial e na diminuição do hormônio cortisol, que fica elevado em situações estressantes, indica um estudo escocês publicado na revista 'Biological Psychology'. O levantamento mostrou que aqueles que fazem sexo antes de algum evento importante, como uma apresentação no trabalho, têm um desempenho melhor.
Aumenta a imunidade - Uma vida sexual ativa aumenta os níveis de um anticorpo conhecido como IgA, que protege o corpo de infecções como as gripes e os resfriados. Basta fazer sexo uma ou duas vezes na semana para ter o benefício, mostra um estudo feito pela Wilkes University, nos Estados Unidos.
Queima calorias - Faltou a academia? Opte pelo plano B. Trinta minutos de sexo queimam 85 calorias, em média. Para a sexóloga Patti Britton, presidente da Associação Americana de Educadores e Terapeutas Sexuais, as relações sexuais podem ser uma ótima forma de gastar calorias extras.
Aumenta a intimidade no relacionamento - Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh mostraram que os casais que têm mais contato físico são também os mais felizes. O motivo é a ocitocina, também conhecido como o hormônio do amor, que aumenta a empatia e a generosidade.
Melhora o sono - A ocitocina, que é liberada durante o orgasmo, também é um excelente sonífero.
Diminui a dor - Os hormônios liberados durante o sexo, entre eles as endorfinas, podem aliviar as dores de cabeça, da artrite e da TPM, indica um estudo publicado no 'Bulletin of Experimental Biology and Medicine'. Após a relação sexual, podemos ficar até 50% mais resistentes à dor.
Protege o coração - Pessoas mais velhas podem achar que uma sessão mais quente pode aumentar o risco de derrames, mas isto raramente é o caso, comprovaram pesquisadores na Inglaterra. O estudo, publicado no 'Journal of Epidemiology and Community Health', mostrou que não há relação entre os dois. Eles comprovaram também que manter relações uma ou das vezes por semana pode diminuir o risco de infartos pela metade.
Fortalece os músculos pélvicos - Um benefício inesperado do sexo é que ele pode evitar a incontinência na terceira idade, principalmente entre as mulheres.
Reduz o risco de câncer de próstata - Ejaculações frequentes, principalmente nos homens mais jovens, podem proteger contra os tumores na glândula após os 50 anos. Neste caso, o ideal é fazer sexo ao menos cinco vezes por semana para reduzir o risco de câncer por um terço. O estudo foi publicado no 'Journal of the American Medical Association'.
Melhora a autoestima - A autoconfiança aumenta naqueles que praticam sexo pelo menos uma vez por semana, mostra um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Texas, nos EUA, publicado no 'Archives of Sexual Behavior'.
Fonte: O Globo
Nota da casa: Complementando "científicamente" as "sete razões para transar". Nana, baby, Musa, bora nós?

Magia "Vermelha"

A Magia Sexual é a prática ritualística desenvolvida através das energias canalizadas do corpo físico, da mente e do espírito humano. O ato de criar outras vidas através de relações sexuais e instituir uma força, ou um vínculo energético entre as pessoas envolvidas, é visto como místico e sagrado.
Como outras modalidades de Magia, a Magia Sexual também é um recurso usado como fonte do poder que fortalece as cerimônias ritualísticas e para obter o auto-conhecimento através da exploração do próprio corpo, psique e alma. A Magia Sexual é uma das faces mais importantes da Magia moderna.
Utilizada tanto nas escolas ocidentais como nas orientais, sua origem nos remete às práticas das crenças pré-cristãs, sendo que os primeiros registros datam de 3000 a.C.. A Antiga Religião da Europa baseava-se em ritos de fertilidade para assegurar a proliferação de animais, plantas e humanos. O conceito pagão da atividade sexual era saudável e natural. Era a mais poderosa energia que os humanos podiam experimentar através dos próprios sentidos, com a manifestação afetiva de um indivíduo ou simplesmente a ação de compartilhar prazer e desejo carnal com outra pessoa. Assim, mulheres consagradas serviam aos deuses em templos, o homossexualismo e o heterossexualismo eram apenas definições das preferências sexuais, etc.
Existem dois canais de energia no corpo humano que estão associados ao sistema nervoso central e à medula espinhal, conhecidos no Ocidente como Lunar e Solar ou Feminina e Masculina (receptiva/negativa e ativa/positiva). Geralmente, entre os não-praticantes da Magia Sexual, apenas uma das correntes de energia está aberta e fluindo. Entre as mulheres, apenas a corrente lunar flui desimpedida. Entre os homens, apenas o canal solar está realmente livre. No caso dos homossexuais, essa situação está invertida. Em todas as situações, este fato causa um desequilíbrio e influencia negativamente várias esferas da vida humana.
Portanto, segundo este raciocínio, o estado sexual natural é a bissexualidade, em que ambas as correntes fluem juntas em harmonia. A alma que habita o corpo físico não é masculina nem feminina. Desse modo, o sexo é meramente uma circunstância física. O fluxo harmonioso das correntes no corpo é simbolizado pelo antigo símbolo do Caduceu.
Apesar de (teoricamente) compor vários sistemas mágicos, atualmente, a maioria das tradições não incorpora a Magia Sexual em suas atividades. Isto se deve a opção pessoal dos praticantes (inibição e preocupações com as doenças sexualmente transmissíveis) e a pressão social de uma cultura judaico-cristã, onde o sexo é visto como algo pecaminoso e polêmico. Deste modo, nos ritos sexuais modernos, são usadas representações simbólicas dos antigos elementos da fertilidade, sejam objetos que representem os genitais ou apenas uma dança ou encenação erótica.
Sagrado Feminino
Nas antigas crenças pagãs, os pólos femininos da criação eram reverenciados como sagrados e a mulher era vista como o principal canal gerador de vida. A Deusa era a divindade principal, responsável pela criação de todas as formas viventes. Dessa forma, os ritos que envolviam Magia Sexual, utilizavam-se de mulheres e do sangue menstrual como elementos principais do Altar Cerimonial.
O altar sagrado é formado por uma mulher que se deita de costas, nua, com as pernas dobradas e afastadas (de forma que os calcanhares toquem as nádegas). Um cálice é colocado diretamente sobre seu umbigo, ligando-o ao cordão umbilical etéreo da Deusa, a qual é invocada em seu corpo.
Fluidos Mágicos
Os fluidos produzidos no corpo humano de forma natural ou através da estimulação sexual, também são utilizados nas cerimônias herdadas dos povos antigos que envolvem a Magia Sexual, e são empregados para um determinado objetivo.
O vinho ritual continha três gotas do sangue menstrual da Suma Sacerdotisa do clã, que unia magicamente os celebrantes nesta vida e nas próximas encarnações. Os caçadores e guerreiros eram ungidos com pinturas ritualísticas que continham sangue menstrual. Acreditava-se que ao unir o sangue de duas pessoas, criava-se um vínculo entre ambas. Ungir os mortos com o sangue era uma forma de assegurar o retorno à vida. O sêmen era considerado energia canalizada que vitaliza o praticante que o recebe. Ainda, o estímulo dos mamilos faz com que a glândula pituitária secrete um hormônio que ativa as contrações uterinas. Isso ativa o fluxo de certos fluidos através do canal vaginal.
Criança Mágica
A criança mágica é um termo utilizado na Magia Sexual ocidental para designar uma imagem no momento do orgasmo. Neste caso, a energia sexual não é liberada como no ato sexual tradicional, mas inibida por períodos prolongados e canalizada através da mente para que se manifeste numa forma de pensamento mágico, formando uma imagem astral durante o orgasmo.
Para esta atividade, é necessário que o praticante tenha desenvolvido a arte da concentração/visualização e um controle firme sobre a própria força de vontade pessoal, de forma que no momento do orgasmo, não haja nada mais na mente que a imagem que deseja ver criada. Se estiver incompleta ou difusa, é possível que interferências negativas se manifestem e passem a consumir a energia sexual do praticante. Este conceito é uma das bases na crença dos Sucubus.
Se a "Magia Branca" e a "Magia Negra" se definem com relativa unanimidade, já quanto à "Magia Vermelha" existem diversos conceitos e definições.
Para alguns, a magia vermelha é magia realizada através de meios sexuais e com fins eróticos, ou seja: a carnalidade é um instrumento usado em rituais místicos com a finalidade de invocar entidades e forças espirituais relacionadas com a fertilidade e a sexualidade.
A conjuração desse tipo de espíritos ou forças, é normalmente realizada com objectivos amorosos, em trabalhos que se destinam a despertar em certa pessoa paixão, a abrir essa pessoa aos avanços de quem encomenda o trabalho, a despertar-lhe desejo sexual, etc.
Essas teses afirmam que a magia vermelha usa a sexualidade como fonte de alimento e atracção de espíritos demoníacos da luxúria, que assim alimentados com essências que lhes são agradáveis e que advêm da carnalidade, aceitam os serviços que lhes são encomendados.
Neste tipo de definição, defende-se que a magia vermelha é uma extensão da magia negra, aplicada a fins eróticos.
Há quem afirme tambem que a magia vermelha esta também associada á proposta ritualista do "Caminho da Mão Esquerda", que afirma que o êxtase carnal é uma porta aberta para acedermos ás esferas espirituais, e assim contactarmos com as mesmas para diversos fins, que vão do aperfeiçoamento espiritual , á produção de certos efeitos neste nosso mundo físico.
Autora: Ankakilla Yuraq, na Sociedade Wicca.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

E eu é que tenho que ter respeito

MIAMI, 30 Jul 2010 (AFP) -Uma igreja cristã da Flórida está organizando o "dia internacional da queima do Alcorão" em 11 de setembro, no nono aniversário do ataque terrorista às Torres Gêmeas, iniciativa que grupos muçulmanos afirmam ser parte de um aumento da islamofobia nos Estados Unidos.
A igreja "Alcançar Um Mundo de Paz" convocou a queima de exemplares do Alcorão em frente a seu templo de Gainville, a mais de 500 km ao norte de Miami, e pediu que outros centros religiosos somem-se à proposta para lembrar os mortos de 11 de setembro de 2001 e enfrentar "o demônio do Islã".
"Lamentavelmente, nesse estado e em todo o país, a islamofobia está aumentando", disse à AFP Ramsey Kilic, porta-voz do Centro de Relações Islâmico-Americanas (Cair).
A entidade disse que não adotará nenhuma ação para evitar a iniciativa. "O que nos preocupa é o sentimento anti-islâmico que se cria, que esta ação legitima e que pode gerar ataques contra mesquitas ou contra algum muçulmano nas ruas", disse Kilic.
O ato tem um grupo no Facebook (International Burn a Koran Day), que nos últimos dias recebeu ameaças cruzadas e comentários xenófobos entre partidários e críticos da iniciativa, e visitantes de diferentes credos.
Por outro lado, membros de um fórum criado pelo grupo da jihad islâmica Al-Falluja reagiram com virulência ao saber da convocação e ameaçaram provocar "rios" de sangue de americanos para responder à ofensa da igreja da Flórida ao livro sagrado do Islã.
Em sua página da web, a igreja tem uma programação de atividades na qual figura, além do dia internacional da queima do Alcorão em 11 de setembro, a convocação no próximo dia 2 de agosto de um ato contra a homossexualidade.
A igreja oferece em sua página a venda, por 20 dólares, de camisetas com a inscrição "O Islã é do Demônio" e um livro com o mesmo título, cujo autor é o pastor e organizador desse centro religioso, Terry Jones.
"Ao queimar o Alcorão, estamos dizendo basta ao Islã, basta à lei islâmica e basta à brutalidade... não temos nada contra os muçulmanos, são bem-vindos em nosso país", disse Jones na quinta-feira à emissora CNN.
Fonte: G1
Nota da casa: E ainda tem gente que vem me cobrar respeito. Eu apenas escrevo minhas opiniões, eu não queimei nenhuma bíblia, não pisei em nenhum terço nem chutei a santa.

Brasil, cafetão internacional

Um programa da BBC mostrou que crianças jovens estão suprindo uma crescente demanda de turistas estrangeiros que viajam ao Brasil atrás de sexo e acompanhou as tentativas de controlar o problema.
O programa Our World: Brazil's Child Prostitutes ("Nosso Mundo: As Crianças Prostitutas do Brasil", em tradução livre), vai ao ar no canal de TV internacional de notícias da BBC, BBC World, neste fim de semana.
A cada semana, operadores de turismo despejam nas cidades brasileiras milhares de homens europeus que chegam em voos fretados especialmente ao Nordeste em busca de sexo barato, incentivando assim a prostituição.
O problema, que foi constatado pela BBC em Recife, já estaria levando o Brasil a alcançar a Tailândia como o principal destino mundial do turismo sexual.
De acordo com o repórter Chris Rogers, responsável pela reportagem, apesar das garantias de uma ação policial, nas ruas da capital pernambucana parece haver poucos indícios de que a prostituição infantil está desaparecendo.
Corpo frágil
Uma menina vestida com um pequeno biquíni expõe seu corpo frágil. Ela não parece ter mais do que 13 anos, mas é uma das dezenas de garotas andando pelas ruas à procura de clientes debaixo do sol da tarde.
A maioria vem das favelas da região. Ao parar o carro, a reportagem da BBC é recebida com uma dança provocante da menina, para chamar a atenção.
"Oi, meu nome é C. Você quer fazer um programa?", ela pergunta. C. pede menos de R$ 10 por seus serviços. Uma mulher mais velha chega perto e se apresenta como mãe da menina.
"Você pode escolher outras duas meninas, da mesma idade da minha filha, pelo mesmo preço", ela diz. "Eu posso levar você a um motel local onde um quarto pode ser alugado por hora."
Quando a noite cai, em uma área com bares e bordéis da cidade, o playground sexual de Recife ganha vida.
Prostitutas se divertem com turistas, dançando e procurando por clientes em potencial. Muitas delas parecem muito menos do que 18 anos de idade.
Motoristas de táxi trabalham com as garotas que são jovens demais para entrar nos bares. Um deles me oferece duas pelo preço de uma e uma carona para um motel local.
"Elas são menores de idade, então são muito mais baratas que as mais velhas", explica ele ao me apresentar S. e M.
Nenhuma delas faz nenhum esforço para esconder sua idade. Uma delas leva consigo uma bolsa da Barbie, e as duas se dão as mãos com um olhar que parece aterrorizado diante da perspectiva de um potencial cliente.
Crack
A zona da prostituição no Recife está cheia de carros circulando em baixa velocidade ao lado dos grupos de garotas exibindo seus corpos.
Uma delas, P., está vestida com um top cor-de-rosa e uma minissaia. A menina de 13 anos concorda em falar comigo sobre sua vida como prostituta. Ela conta que trabalha na mesma esquina todas as noites até o amanhecer para financiar o vício dela e da mãe em crack.
"Normalmente eu tenho mais de dez clientes por noite", ela se vangloria. "Eles pagam R$ 10 cada - o suficiente para uma pedra de crack", diz.
Por segurança, P. trabalha com um grupo de meninas mais velhas que atuam como cafetinas, tomando conta do dinheiro e cuidando das mais novas.
"Há muitas meninas trabalhando por aqui. Eu não sou a mais nova. Minha irmã tem 12 anos e tem uma menina de 11", conta.
Mas P. está preocupada com sua irmã. "Eu não vejo a B. há dois dias, desde que ela saiu com um estrangeiro", diz.
P. diz ter começado a trabalhar como prostituta com sete anos. A Unicef estima que há 250 mil crianças prostituídas como ela no Brasil.
"Estou fazendo isso há tanto tempo que nem penso mais nos perigos", ela afirma. "Os estrangeiros vivem aparecendo por aqui. Eu já saí com um monte deles", conta.
Apenas algumas quadras dali a calçada está tomada por travestis procurando clientes. Entre eles está R., de 14 anos, e I., de 12.
Os primos parecem convincentes como meninas com seus saltos altos, minissaias, blusas e maquiagem pesada.
"Precisamos ganhar dinheiro para comprar comida para nossas famílias", explica R. ajeitando seu longo cabelo.
"Nossos pais não se preocupam muito com a gente. Dizemos a eles quando estamos saindo e quando chegamos. E então damos a eles o dinheiro para comprar comida. Eles sabem como conseguimos o dinheiro, mas nós não discutimos isso", diz.
Fortaleza
Antes, a maioria dos turistas sexuais costumava ir a Fortaleza. Mas não mais - no último ano, a capital do Estado do Ceará vem mandando uma clara mensagem aos turistas sexuais de que eles não são bem-vindos.
Todas as semanas, dezenas de carros com policiais federais armados com metralhadoras AK-47 patrulham as ruas das zonas de prostituição, vasculhando os motéis e bordéis, prendendo clientes e cafetões e levando meninas menores de idade para abrigos.
Eline Marques, coordenadora da Secretaria Especial de Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos, afirma que as blitze estão tendo um resultado.
"Já fechamos muitos estabelecimentos em Fortaleza. Ruas inteiras estão agora livres da prostituição. Meu objetivo é intensificar essas ações antes da Copa do Mundo, tendo com alvo o próprio turismo que fomenta a prostituição infantil", diz ela.
Outros Estados indicaram que estão acompanhando a campanha de Marques e que, se ela tiver sucesso, poderão seguir ações semelhantes.
Mas, para cada estabelecimento sexual que é fechado, para cada turista sexual preso, há também vítimas. Muitas são levadas para abrigos de instituições de caridade.
Recuperação
O Centro de Recuperação Rosa de Saron, perto do Recife, está operando com sua capacidade máxima, porque as meninas não podem ser devolvidas para casa, por causa da pobreza que as levou à prostituição. Elas chegam lá vindas de todo o Brasil.
M., de 12 anos, quer viver com a mãe, mas não pode porque seu cafetão, que a forçou a trabalhar nas ruas e em bordéis, ameaçou matá-la se ela tentasse escapar.
Ela diz que ainda teme por sua vida.
"Não tive opção a não ser fazer o que ele mandava. Eu senti que estava perdendo minha infância, porque eu tinha só 9 anos de idade", diz ela. "Eu tinha medo. Às vezes eu voltava sem dinheiro e ele me batia", conta.
Jane Sueli Silva, que fundou o centro, diz que a maioria das garotas tem entre 12 e 14 anos quando chegam. Algumas delas chegam grávidas.
"Muitas delas chegam aqui com problemas sérios, como câncer de colo de útero", diz. "Como o câncer normalmente está só no estágio inicial, podemos ajudá-las, e graças a Deus que a cura é normalmente bem-sucedida."
Uma outra ONG, a britânica Happy Child International, planeja construir mais centros para abrigar o crescente número de crianças prostituídas.
Mas crianças como P. ainda estão desamparadas.
Sua casa é um pequeno barraco que ela divide com sua mãe, dois irmãos e a irmã B., de 12 anos. Dentro, apenas dois sofás que são usados como camas e um balde plástico usado para lavar roupas e pratos.
Quando perguntada sobre se a prostituição das filhas a magoava, a mãe delas pareceu mais preocupada com dinheiro. "Se elas conseguem dinheiro, não trazem para cara. Não, elas não trazem dinheiro nenhum para casa", disse.
P., por sua vez, diz que espera um dia sair da prostituição.
"Todo dia eu peço a Deus que me tire dessa vida. Às vezes eu paro, mas depois volto para as ruas para procurar homens. A droga faz mal, a droga é minha fraqueza, e os clientes estão sempre a fim de pagar."
Fonte: G1

Chore por nós, Argentina!

Algo que deveria ser simples, o reconhecimento de direitos iguais para todos os cidadãos de um país democrático, cujo Estado é laico, tem provocado uma verdadeira guerra no Brasil, de ideias, claro.
Desde os meados dos anos 90, debatemos publicamente em nosso país a "união civil" entre pessoas do mesmo sexo. Há quinze anos, para ser mais exato, com o Projeto de Lei defendido por Marta Suplicy, iniciamos a questão - que é muito séria - em nossas terras. Desde 1995 nada mudou em relação à união entre pessoas do mesmo sexo no Brasil, pelo contrário, hoje em dia temos Projetos de Lei tramitando no Congresso Nacional que cerceia, ao invés de ampliar, os direitos civis das pessoas homoafetivas, como por exemplo, a PLC 7018, que tem por objetivo proibir a adoção de crianças e adolescentes por homossexuais.
Outro Projeto de Lei, menina dos olhos da militância LGBT, desde que foi eleita como bandeira principal do movimento, a PLC 122 até agora não anda, simplesmente emperrou, mesmo tendo passado por profundas modificações no texto original, visando a aprovação por parte da Frente Parlamentar Evangélica (FPE). O Pastor Silas Malafaia, o arauto dos evangélicos fundamentalistas homofóbicos, foi ao Congresso Nacional vociferar, como costuma fazer em seu programa diário, contra a PLC, chegando a ameaçar os candidatos que advogam as causas LGBT com o 25% do eleitorado evangélico. Não foi que deu certo?
Os três principais presidenciáveis - José Serra, Marina Silva e Dilma Rousseff - estão comendo na mão do eleitorado evangélico fundamentalista. Dilma Rousseff chegou ao ponto de firmar uma concordata com o Pastor Manoel Ferreira, líder de cinco milhões de fiéis das Assembleias de Deus (Ministério Madureira) que será a ponte entre a candidata e este eleitorado. Dilma rifou a união civil LGBT - dentre outras causas - dando sua palavra: se eleita, não tomará iniciativa junto ao Legislativo nas questões "caras" ao eleitorado fundamentalista, ou seja, não esperemos da futura presidente (?) nenhuma ação neste sentido!
Aliás, até agora não saiu da boca dos líderes do movimento LGBT brasileiro - cuja grande maioria é PT e apoia a candidata do governo - nem uma só palavra pública a respeito do assunto, nem mesmo uma crítica passageira, mesmo que de leve, o que demonstra quão turvas são as águas nas quais nadamos. Podemos dizer que o mesmo governo do Projeto Brasil sem Homofobia é o que rifou no balcão da negociata com um dos líderes fundamentalistas evangélicos, o povo LGBT. Eu desejo que o povo LGBT não se esqueça disso e que pressionem nossos líderes do movimento LGBT a tomarem posição clara e inequívoca no atual cenário, sob pena de perderem legitimidade junto ao povo que dizem tanto representar.
O silêncio dos líderes do movimento LGBT que apoiam Dilma Rousseff e que se alinham ao PT - penso eu - é fruto de oito anos de financiamento do movimento LGBT pelo governo Lula. O dinheiro investido que financia tantas causas nobres, como a questão da violência homofóbica, os projetos de prevenção contra o HIV/AIDS, o estabelecimento dos Centros de Referência para a população LGBT, o investimento financeiro das Paradas do Orgulho, culminando com a primeira conferência nacional LGBT para debater políticas públicas que distribuiu bolsas de viagem e alimentação para milhares de militantes LGBT; tudo isso, enfim, que de bom temos, neste momento é a mordaça do governo PT que cala a maioria dos líderes da militância.
Talvez seja esse o problema que compõe um dos lados dessa moeda que tem sido difícil de explicar - a aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo na Argentina - pois aqui reside talvez a grande diferença entre um movimento LGBT autônomo e um movimento LGBT financiado por um governo: a instrumentalização deste e sua cooptação, que o torna refém e lhe cala a boca quando o contexto exige exatamente o contrário: que os líderes LGBT gritem e alto, pela igualdade de direitos civis.
Espanha, Portugal e agora Argentina, três países onde o poder da Igreja ainda se faz sentir, principalmente junto às massas, embora a credibilidade da Igreja esteja abalada por conta - amarga ironia - dos escândalos sexuais de pedofilia por parte do clero, aprovaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aqui talvez encontramos a segunda grande diferença entre esses países e o nosso. Explico.
Entre nós, ainda sentimos o poder da Igreja Católica, contudo, desde os fins dos anos 80, cresce vertiginosamente no Brasil, a população evangélica de orientação fundamentalista, chegando a representar hoje 25% do eleitorado brasileiro, dado que nenhum político que visa a presidência do país pode, em sã consciência, ignorar, se quiser vencer e se instalar no Palácio do Planalto.
Por isso hoje estamos assim, vendo e ouvindo os principais presidenciáveis do país, seduzindo-os com promessas de não defender as bandeiras que eles desaprovam. Isso é medo de perder o voto evangélico.
Os representantes deste segmento no Congresso Nacional são aqueles sobre os quais escrevi na última coluna, aqueles que fazem um certo tipo de política que podemos classificar de "política teológica", ou seja, militam politicamente de acordo com suas doutrinas de fé. Como a maioria deles desaprova a orientação homoafetiva, trabalham eficazmente, até o presente momento, contra toda e qualquer reivindicação da população LGBT que visa igualar esta população aos demais cidadãos. Tais políticos conseguem, inclusive, a palavra da líder em intenções de voto para o cargo da presidência da República, de que se eleita, não tomará iniciativas pró-LGBT junto ao Legislativo!
Nossa vizinha Argentina possui um Senado composto por 72 senadores. Desses, 33 votaram à favor da aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, 27 contra e 3 se abstiveram. A presidente Cristina Kirchner, não apenas defendeu publicamente o casamento homoafetivo, como criticou severamente a Igreja Católica, que na época da ditadura naquele país se postou ao lado dos ditadores, refrescando a memória do clero, sempre tão fugidia, que Direitos Humanos não é o forte deles, pelo menos naquele contexto.
O resultado, noticiado pelo mundo, foi a vitória dos Direitos Humanos, da democracia, do Estado Laico. A alteração de apenas uma palavrinha da lei que regulamenta os casamentos civis naquele país transformou-se na "Lei Áurea" de parte da população, que até aquele momento, era escrava maltratada da heteronormatividade. Desde então, os LGBT argentinos podem tanto quanto os heterossexuais argentinos. Isso é, realmente, a concretização do que aqui temos apenas no papel: "todos iguais diante da lei".
Enquanto isso, nas terras de Santa Cruz, muita Parada do Orgulho Gay, muitos Projetos como o Brasil Sem (não seria COM?) Homofobia, muitas conferências LGBT, muita ONG LGBT, muito debate, negociação, projetos e projetos e projetos... e o povo LGBT continua escravo maltratado da heteronormatividade, sempre rifado, sempre moeda de troca no balcão das negociatas e concordatas políticas!
Muitos se perguntam: o que há de errado no nosso país? Muitos perguntam aos quatro ventos: por que a Argentina conseguiu aprovar o casamento homoafetivo, enquanto que nós, brasileiros e brasileiras LGBTs lutamos há 15 anos e não conseguimos sair do lugar? Como que os países da Península Ibérica, tão culturalmente cristã como o Brasil conseguiu aprovar o casamento homoafetivo e nós não? Será o que acontece conosco?
Some as parcelas que aqui elenquei: crescimento exponencial da vertente fundamentalista evangélica, leia-se eleitorado, políticos covardes que para ganharem eleições rifam as bandeiras LGBT no balcão das negociatas com os evangélicos, militância LGBT financiada pelo governo, portanto, instrumentalizada e cooptada, e então você terá a resposta!
Diante desse quadro de trevas e águas turvas, peço: chore por nós, Argentina! Eu junto com vocês choro, primeiro de emoção, pela conquista de vocês; depois pelo meu povo LGBT brasileiro, que ao contrário de vocês, permanece escravo da heteronormatividade, do mau uso das Escrituras Cristãs, de políticos covardes e de uma militância LGBT instrumentalizada. Contudo, como profeta, ergo minha voz, na esperança de ver vencido o cativeiro que nos escraviza.
Autor: Márcio Retamero, recebido por e-mail.

"Parada do Orgulho Burro"

Jerusalém, 28 jul (EFE).- O vice-prefeito de Jerusalém, Yitzhak Pindrus, pediu autorização policial para organizar uma manifestação de burros na cidade no mesmo dia da parada do orgulho gay, pois, em sua opinião, tanto gays quanto burros são "animalizados".
Pindrus, de linha judaica ultraortodoxa pretende levar dezenas de burros às ruas na próxima quinta-feira, enquanto a comunidade lésbica, gay e transexual marcha rumo ao Parlamento em um desfile que provoca todo ano forte rejeição nos setores religiosos e conservadores da cidade santa, informa o serviço de notícias israelense "Ynet".
A manifestação de burros é a forma como Pindrus pretende protestar contra a autorização para a celebração em Jerusalém do desfile do orgulho gay.
"Os burros também estão orgulhosos de ser burros e querem ter seu desfile", declarou o vice-prefeito, que considera a homossexualidade "um ato de animais".
A Prefeitura de Jerusalém ressaltou que se trata de uma iniciativa privada, e que não representa a opinião da instituição.
Por enquanto, a Polícia não respondeu ao pedido de Pindrus, que advertiu que irá até a Corte Suprema para conseguir que sua manifestação seja autorizada.
Cerca de 1,5 mil policiais vigiarão as ruas da cidade na semana que vem para garantir que a parada do orgulho gay transcorra sem incidentes.
São esperadas cerca de 3 mil pessoas para o evento, que será seguido por uma concentração em frente à sede do Parlamento israelense.
Fonte: G1
Nota da casa: Animal é o asno que organizou o desfile.

Novela cotidiana

Deu no jornal virtual "A Bola":
O Instituto Sangrai denunciou, este domingo, que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. A organização não-governamental brasileira fez ainda saber que a maioria das mortes está relacionada com violência doméstica, noticia O Globo.
Um estudo levado a cabo por aquela entidade revela registos morte de 41.532 jovens e mulheres adultas, entre 1997 e 2007. Destas, 40 por cento tinham entre 18 e 30 anos. Nos casos de violência domestica, os filhos são normalmente testemunhas do crime.
O Brasil é o 12.º país onde há registos de mais homicídios de mulheres. A Secretaria de Políticas para as Mulheres tem dados que permitem saber que houve um aumento de cem por cento de denúncias de violência contra as mulheres no mesmo período.
Ou seja, a cada duas horas uma Mercia, uma Eliza são vítimas da violência. Mas a Imprensa não noticia estes casos. Por que, então, apenas o caso da Mercia e da Eliza ganharam espaço na Mídia a ponto de se tornar a nossa novela cotidiana?
Mercia mereceu sair do limbo das estatísticas porque é uma mulher de classe média, advogada e linda. O caso ganhou destaque nacional não por causa dos detalhes divulgados, mas porque seu principal acusado é um homem que possui um nivel social e educacional menor. Sem falar que é pardo e ex-policial.
Eliza mereceu sair do limbo exatamente por que o principal acusado é uma celebridade, um jogador de futebol com centenas de admiradores. E tudo o que se comenta dela é que ela fez filmes pornôs, que participou de orgias, que era uma "maria chuteira", uma "oportunista", que "se deu mal" ou que "achou o que procurava". Eliza foi duplamente assassinada.
A Imprensa apenas reforça a misoginia e a violência institucionalizada contra a mulher, esse ginocídio que tem raízes em nossa cultura patriarcal. E porquê não? Afinal, tragédias e crimes são o que mais vendem notícias. E o brasileiro acompanha a cada dia os capítulos dessa novela cotidiana, enquanto outras mulheres menos afortunadas continuam sendo vítimas da violência física e sexual.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Instrumentos e ideologias

Os acólitos da Igreja defendem as posturas, as idéias e as doutrinas dela, mesmo quando algo apenas resvala em alguns de seus dogmas e doutrinas.
Aqui eu noticiei sobre a polêmica causada pela Playboy Portugal por ter feito um ensaio de mulheres nuas ao lado de uma figura semelhante a Cristo. Isto foi suficiente para causar uma reação da Igreja e seu rebanho contra o que dizem ser um desrespeito à Igreja e à crença Cristã. Apesar de considerarem o corpo o templo do Espirito Santo. E não há Cristo que os faça enfrentar seus medos, inseguranças, recalques e frustrações quando o assunto é sexo, prazer, desejo. Para este blog e seu autor, a nudez, especialmente a feminina, deveria ser considerara arte sacra. Se há alguém que pode se indignar contra esta e outras ditas revistas "adultas" são as mulheres, pela forma como são tratadas.
Eis que em minhas pesquisas pela internet eu me deparei com a publicação em blogs católicos de imagens coletadas do Grantham Collection, uma página/instituto pró-vida. As imagens querem convencer pela repugnância à violência, ou pode ser um apelo emocional tentado evocar a simpatia das pessoas aos fetos (não são bebês, nem são pessoas). As imagens são de instrumentos cirúrgicos que, segundo os autores, são usados em abortos. Instrumentos cirúrgicos são muito assustadores, para qualquer um, em muitos outras dependências médicas e cirúrgicas. Mas eu não vi até hoje alguma página/instituto divulgando os "instrumentos de tortura" das clínicas de cirurgia plástica. Não há mais argumentos técnicos ou científicos. Não há mais discussões sobre ética ou moral. A estratégia simplesmente se resumiu em terror psicológico. Uma estratégia bem semelhante utilizada por vegans, mas isso é outro assunto.
Não se enganem com estas estratégias desonestas, a Igreja não faz esta campanha em prol dos "direitos" desses "bebês inocentes" (um feto não é um bebê, nem é uma pessoa), mas para manter seu poder e influência na sociedade. A Igreja se coloca como defensora do casamento, da família, da vida e dos valores sociais, não porque esta é bondosa, mas por razões corporativas. Seja pela história ou por notícias recentes, a Igreja tem demonstrado que não observa os próprios conselhos que emite aos seus devotos. A guisa de comparação, foi a Igreja que, durante a Idade Média, promoveu, estimulou ou utilizou dos mais diversos instrumentos - deliberadamente construídos para inflingir o máximo de dor - contra os acusados de heresia e prática de bruxaria. Apelação por apelação, se o uso de um instrumento mata ou causa dor a um inocente e quem o usa é criminoso, a Igreja é a maior criminosa. Portanto nem a Igreja nem os Católicos têm autorização alguma para utilizar desse terrorismo psicológico para forçar a opinião pública a seu favor. A questão do aborto continua sendo uma questão médica.

domingo, 25 de julho de 2010

A Fonte da Vida

Nem a sociedade humana, nem a história humana podem ser compreendidas sem se levar em conta os modos diferentes como uma sociedade usa a dor e o prazer para motivar o comportamento humano. [11]
A visão de que o sexo tem uma dimensão espiritual é tão estranha a tudo que aprendemos que deixa quase todo mundo completamente confuso.[17]
Nossos ancestrais do paleolítico e do começo do neolítico imaginavam o corpo da mulher como um receptáculo mágico. Devem ter observado como sangra de acordo com a lua e como miraculosamente produz gente. Também devem ter se maravilhado com o fato de ele prover alimento, produzindo leite. Acrescente a isso o poder aparentemente mágico de fazer com que o órgão sexual masculino se erga e a capacidade extraordinária do corpo da mulher para o prazer sexual – tanto para experimentá-lo quanto para oferecê-lo – e não é de admirar que o poder sexual da mulher tenha infundido tanto respeito em nossos ancestrais.
Nem é de admirar eu a genitália masculina, junto com o touro e outros animais de chifres e cascos, símbolos da potência masculina, deva ter sido contemplada com reverência e admiração. Ou que a união sexual entre a mulher e o homem, a fonte da vida, amor e prazer, tenha sido, para nossos ancestrais um tema mítico-religioso importante.[39-40]
A condenação moral da sexualidade foi muito mais do que um desequilíbrio psicológico. Foi parte integrante da estratégia altamente política da Igreja para impor e manter o controle sobre o povo que se recordava vagamente de tradições religiosas muito antigas e ainda se apegavam a elas. Se a Igreja queria consolidar seu poder e se firmar como a única e exclusiva fé, a persistência de mitos e rituais de um sistema religioso antigo e arraigado – no qual a Deusa e seu filho ou consorte divino eram adorados, mulheres eram sacerdotisas e a união sexual entre homens e mulheres possuía uma marcante dimensão espiritual – não podia ser tolerada.[46]
Em geral pensamos os rituais como associados à religião. Mas de uma perspectiva antropológica, os rituais são comportamentos formais que transmitem significados simbólicos geralmente compreendidos. Como os rituais são freqüentemente associados a situações altamente carregadas de emoção, toda sociedade humana tem algum tipo de ritual associado ao nascimento, cópula e morte.[62]
Se analisarmos todo o escopo de nossa história planetária, parece haver nela um impulso de ensaio em relação a essas características que na linguagem da espiritualidade foram chamadas de mais evoluídas – características vigorosamente expressas no esforço humano em direção à beleza, verdade, justiça e amor.[68-69]
A sexualidade humana não é um estorvo e sim uma ajuda na busca humana de uma consciência superior de formas, cultural e socialmente, mais evoluídas e igualitárias de organização.[69]
Na verdade, é bastante possível que, em nossa pré-história, houvesse ritos eróticos sagrados em ocasiões religiosas importantes, como o retorno anual da primavera, no qual a união da fêmea com o macho era celebrada como uma epifania ou manifestação sagrada dos poderes misteriosos que concedem e mantém a vida.[78]
Para nossos ancestrais pré-históricos que consideravam o sexo parte integrante da ordem cósmica, os ritos eróticos deveriam ter significado muito diferente. Para eles, os ritos eróticos teriam sido rituais de alinhamento com os poderes femininos e masculinos, com o poder de conceber vida, com o cosmo. Para eles, compartilhar os prazeres do sexo não teria sido pecaminoso e sim uma maneira de se aproximar da Deusa.[79]
Nossos ancestrais exaltavam o sexo não apenas em relação ao nascimento e procriação, mas como a fonte misteriosa tanto do prazer quanto da vida. Os mitos e ritos eróticos pré-históricos não eram apenas expressões de alegria e gratidão pela dádiva da vida concedida pela Deusa, mas também expressões de alegria e gratidão pelas dádivas do amor e do prazer.[81]
Para nossos ancestrais a vida e o prazer pertenciam ao domínio do sagrado. Nossos ancestrais sacralizavam o prazer, particularmente o prazer físico mais intenso: o prazer do êxtase sexual.[82]
O reconhecimento do sexo e particularmente do poder sexual criativo da mulher, como central para os ciclos de nascimento, morte e regeneração também é um tema importante no período neolítico.
Aí encontramos figuras representando os poderes do universo de conceder e nutrir a vida. E a articulação dos princípios masculino e feminino.
O principio masculino é geralmente simbolizado por um animal de chifres. Vemos cena após cena da Deusa em combinação com chifres de touros ou pinturas de touros. Esses touros provavelmente retratavam o filho ou o consorte da Deusa como representantes da potência sexual masculina. O que encontramos é uma convenção artística que perfigura as imagens posteriores de um Deus Touro que era venerado nos tempos antigos.[85-86-editado]
Há indicações de que o casamento sagrado da deusa e o Deus Touro era celebrada toda primavera, como parte de um festival que talvez tenha sido a ocasião para ritos humanos de cópula.[110]
Nossas antigas imagens místicas refletiam uma visão de mundo em que a morte não era um evento isolado, nem um destino final no céu ou inferno. Mas sim parte de um mesmo ciclo: o ciclo do sexo, nascimento, morte e renascimento, no qual a Deusa regenerava o que lhe cabia conceder e no qual o sexo desempenhava um papel misterioso, mas central.
Nossos ancestrais ao perceberem que as mulheres só davam a luz depois de manterem relações sexuais concluíram que o renascimento da vida vegetal e animal [e o renascimento do sol] a cada primavera também era gerado através de algum tipo de união sexual. Desse modo, nossos ancestrais adaptavam ritos, através dos quais nós humanos também pudéssemos nos unir às forças misteriosas que governam o universo. Podia-se acreditar que através de ritos eróticos de alinhamento com o poder misterioso do sexo, nós humanos além de encontrarmos proteção e conforto na dor, tristeza e morte inevitáveis, aumentamos a chance, de geração a geração, de uma vida alegre e generosa.[168-editado]
O touro como símbolo da potência masculina remonta ao período paleolítico como, muito provavelmente, o mito da sagrada união do principio criativo feminino com um touro.[171]
O que vemos na arte minoana são cenas de jovens e donzelas dançando com touros, no que parece ter sido um ritual importante de habilidade atlética e devoção religiosa.[174]
Na perspectiva de uma ideologia de alinhamento com os poderes da natureza de conceder a vida e de ameaça de morte, as indefesas donzelas e jovens minoanos dançavam com esse animal poderoso, legendário por sua potência sexual e por sua potência destrutiva, seu significado seria simplesmente o que é literalmente: um ato de equilíbrio em que o amor dessas pessoas pela vida era simbolicamente preparado para a possibilidade, sempre presente, da morte.[174-editado]
A busca mística parece ser uma experiência exclusivamente humana. Assim também parece ser o estado místico ou extático que oferece aqueles que o experimentam uma sensação de paz interior indescritível, de beatitude e acesso aos poderes curativos, juntamente com a sensação de unidade ou unicidade, que os místicos ao longo do tempo chamaram de Amor Divino.
Há vários caminhos para o estado extático ou místico. As artes paleolítica, neolítica e minoana sugerem que bem no começo da cultura ocidental, a dança era usada para alcançar o transe místico. Desde os tempos antigos, as pessoas também usavam a meditação, os exercícios de respiração, os alucinógenos, o jejum e a privação do sono para induzir estados de consciência elevados ou alterados. Como vimos há uma forte evidencia de que o êxtase sexual foi um caminho importante para os estados místicos e extáticos.
A antiga percepção de que o sexo envolve o que hoje chamamos de estado alterado da consciência e de que a união sexual de mulher e homem pode ser um caminho para a beatitude e iluminação espiritual, ainda é evidente em várias tradições religiosas orientais.[190-editado]
O vinculo físico entre as mulheres e os filhos através do parto e entre as mulheres e os homens através do sexo eram percebidos como sagrados e não profanos. Pareciam ter percebido a sabedoria que jaz no cerne de nossas tradições religiosas e místicas mais enaltecidas que somente através da união, do amor, podemos realizar o nosso potencial mais elevado.[205]
A busca dos místicos dessa sabedoria perdida é a busca da reconexão, é a busca de uma maneira de se relacionar, de meios de remediar o que foi brutalmente separado: a conexão fundamental erótica e espiritual entre mulheres e homens.[205-editado]
Riane Eisler - O Prazer Sagrado - Editora Rocco

sábado, 24 de julho de 2010

Mostra de máscaras bolivianas

Começou neste sábado (17) a exposição ‘Máscaras – faces da alma boliviana’, que vai até 29 de agosto na Caixa Cultural São Paulo (Sé), com entrada franca. A mostra, itinerante e inédita, traz peças de significativo valor estético e de tradição milenar, pertencentes ao acervo do Museo Nacional de Etnografía y Folklore de La Paz (MUSEF), e que saem pela primeira vez do território boliviano.
A produtora executiva da exposição aqui no Brasil, Denise Carvalho, da AORI Produções Culturais, responsável por trazer a mostra para São Paulo, conta que teve contato com as máscaras quando esteve na Bolívia apresentando obras brasileiras: “nós visitamos o MUSEF e achamos lindo, eles tem máscaras com mais de 3.000 anos! Resolvemos trazê-las para o Brasil.”
No total, a AORI conseguiu trazer 47 peças para o Brasil. “São máscaras bem representativas da cultura indígena andina, algumas delas são utilizadas até hoje nas danças e rituais”, diz Denise, que comenta que, por lá, o processo de aculturamento dos índios foi bem menos intenso que aqui. A valorização da cultura nativa também é muito forte: a autorização para que os artefatos folclóricos saíssem da Bolívia, diz Denise, foi assinada pelo presidente Evo Morales em pessoa.
Denise conta que uma das máscaras, a ‘Dançante’, era usada por um casal de dançarinos até o momento de suas mortes: “eles se voluntariavam para serem sacrifícios humanos à deusa Pachamama, a terra mãe, eles dançavam por 3 ou 4 dias seguidos, sem parar, sem comer, até que morriam de cansaço.” Esse tipo de sacrifício foi proíbido na década de 50, mas a tradição da dança continou – de forma mais leve e sem perdas humanas, mas mantendo o uso do artefato típico.
Na exposição, as máscaras estão dispostas de acordo com a região de seu país à qual pertencem e há uma explicação sobre o significado de cada uma delas. Denise conta que a mostra tem “um forte audiovisual”: as peças, com um colorido marcante, estão em uma sala escura, com back lights e holofotes em baixo e em cima de cada máscara, “é muito cinematográfico, ficou bem diferente, é quase assustador”. Além das máscaras, há também vídeos das danças típicas em que elas são usadas dispostos pela sala.
Fonte: (Não) Apenas Divagações
Nota da casa: Eu fui visitar no dia 22 de Julho a Mostra de Máscaras Bolivianas, na Caixa Cultural. Uma visita que eu recomendo a todos. O hábito de usar máscaras em cerimônias religiosas contém um aspecto místico e religioso profundo. Mas o interessante é perceber que nós usamos máscaras em todo o nosso cotidiano.

Noites selvagens dos padres

O Vaticano acusou uma revista italiana de provocar um escândalo e desacreditar a Igreja Católica ao publicar nesta sexta-feira uma reportagem sobre sacerdotes homossexuais.
Destaque na capa do semanário Panorama, de tendência conservadora, o artigo intitulado As Noites Selvagens dos Padres Gays diz que padres da capital italiana teriam uma vida dupla ao rezar missas pela manhã e freqüentar festas e ambientes homossexuais à noite.
Durante 20 dias um repórter, cujo nome não foi publicado pela revista, percorreu bares e discotecas romanos frequentados por homossexuais. Com uma câmera escondida, ele documentou o comportamento dos supostos sacerdotes, inclusive durante relações sexuais.
Algumas das fotos foram publicadas para ilustrar o artigo, que traz declarações de sacerdotes e seminaristas cuja identidade foi mantida em sigilo.
Segundo o artigo, um dos pontos de encontro dos padres homossexuais da capital seria a discoteca Gay Village, onde um seminarista teria declarado ao repórter que "a Igreja pesca os próprios filhos no ambiente homossexual".
'Dor e surpresa'
"A finalidade do artigo é evidente: criar escândalo, difamar todos os sacerdotes com base na declaração de um dos entrevistados, segundo a qual 98% dos sacerdotes que ele conhece são homossexuais, e desacreditar a Igreja", diz uma nota divulgada pelo Vigariado de Roma sobre a reportagem.
"Os fatos contados provocaram dor e surpresa na comunidade eclesiástica de Roma, que conhece bem seus sacerdotes. Eles conduzem uma vida feliz e coerente com a vocação de testemunhar o Evangelho e o modelo de moral para todos."
O diretor da revista, Giorgio Mulè, se defendeu das criticas do Vaticano, dizendo que a reportagem é bem documentada.
Ele declarou ao jornal Il Giornale que pode fornecer nome completo e endereço dos padres que foram filmados durante ato sexual.
Estrangeiros
Na nota do Vigariado, o Vaticano defende os cerca de 1,3 mil sacerdotes de Roma da acusação de vida dupla. Segundo as autoridades eclesiásticas, eles se dedicariam a testemunhar o Evangelho.
Por outro lado, o Vaticano lança dúvida sobre a comunidade de padres estrangeiros que vivem na capital italiana, para onde vêm sobretudo para estudar em Universidades Católicas.
"Em Roma vivem muitas centenas de padres provenientes de todo o mundo para estudar, mas que não são do clero romano nem estão empenhados na pastoral", afirma a nota.
Recentemente, o Vaticano anunciou que iria fazer uma inspeção junto aos sacerdotes estrangeiros da capital, sem oferecer mais explicações sobre o motivo de tal verificação.
A carta do Vigariado pede que os padres homossexuais assumam seu comportamento e deixem o sacerdócio, ao mesmo tempo em que promete maior vigor no controle do clero.
"Ninguém os obriga a permanecer padres, desfrutando apenas dos benefícios. Deveriam ser coerentes e se expor. Não queremos seu mal, mas não podemos aceitar que por causa do comportamento deles a honra de todos os outros seja lesada."
Fonte: O Globo
Nota da casa: Até quando os Católicos vão manter essa farsa e hipocrisia? Apostasia Já!

Liturgia


Ouvi as palavras da Grande Mãe. Em meus altares os jovens da Lacedemonia em Esparta ofereciam o devido sacrifício. Onde quer que tenha necessidade de algo, uma vez ao mês e melhor que seja na lua cheia, reunam-se em um lugar secreto e adore o meu espírito, a Rainha de todas as Bruxas e magias.
Haverá assembléias, aos que anseiam aprender toda bruxaria, mas ainda não desvedaram seus profundos segredos. A estes eu ensinarei coisas ainda desconhecidas. E serão livres da escravidão e como sinal que são verdadeiramente livres, estarão despidos em vossos ritos, o homem e a mulher e irão dançar, cantar, banquetear, farão música e amor, tudo em meu louvor.
Há uma porta secreta que eu fiz para estabelecer o caminho para experimentar mesmo na terra o elixir da imortalidade. Digam, "seja meu o êxtase e alegria na terra". Pois eu sou uma Deusa graciosa. Eu dou felicidade inimaginável na terra, certeza, não crença, em vida! E na morte, paz indescritível, descanso e êxtase, nem requeiro coisa alguma em sacrifício.
Ouçam as palavras da Deusa Estrela. Eu te amo, eu anseio por você, pálido ou púrpura, recatado ou voluptuoso. Eu que sou toda prazer e púrpura e embriagada no mais amplo sentido, te desejo. Ponha as asas, desperte o teu esplendor cacheado, venha a mim.
Pois eu sou a chama que queima no coração de todo homem e no cerne de toda estrela. Deixe que teu  mais initmo divino se perca no constante arrebatamento da alegria infinita. Que os rituais sejam corretamente celebrados com alegria e beleza. Lembrai-vos que todos os atos de amor e prazer são meus rituais. Então que haja beleza e força, risada saltitante, poder e fogo estejam convosco.
E se vos dizeis, ali eu perambulei e não me avaliaste, melhor que digas, ali eu clamei e esperei pacientemente e vi que tu estavas comigo desde o princípio, pois aos que me desejaram nunca irão me alcançar, mesmo no fim do desejo.
Invocai-me sob as minhas estrelas! Amor é a lei, amor sob vontade. Não deixe que os tolos confundam o amor, pois há amor e amor. Eis a pomba e a serpente. Eu dou inimagináveis alegrias na terra, certeza, não crença, em vida; na morte, paz indescritível, descanso, êxtase; nem requeiro coisa alguma em sacrifício.
Meu incenso é madeira resinosa e goma, não há sangue, pois as árvores da eternidade são meus cabelos.
Mas me amar é melhor que todas as coisas, se debaixo das estrelas noturnas no deserto queimares meu incenso, invocando-me com coração puro e o fogo da Serpente, poderás vir deitar em meu colo. Por um beijo, desejarás dar tudo, mas ao que der uma partícula de sujeira irá perder tudo nesta hora. Irás colher bens e estocar das mulheres e temperos, irás vestir ricas jóias, irá exceder as nações da terra em esplendor e orgulho, mas sempre em amor a mim e então poderá vir a meu regozijo. Eu te demando ansiosamente para vir a mim em um manto singular e coberto com um rico penteado. Eu te amo! Eu te anseio! Pálido ou púrpura, recatado ou voluptuoso, eu que sou todo prazer e púrpura e embriagado no mais amplo sentido, te desejo. Ponha as asas e desperte o teu esplendor cacheado: venha a mim!
Em todos meus encontros dirá a sacerdotisa - e os olhos dela irão queimar em desejo enquanto ela permanece despida e regozijando em meu templo secreto - a mim! a mim! despertando a chama no coração de todos em seu cântico de amor.
Vejam! Os rituais dos tempos antigos são negros.
Eu sou a chama que queima no coração do homem e no cerne de toda estrela. Eu sou Vida e o doador da Vida e ainda assim me conhecer é conhecer a morte.
Irão regozijar, nossos escolhidos, quem lamentar não é nosso. Beleza e força, risada saltitante e langor delicioso, poder e fogo, são nossos.
Compaixão é a voz dos reis, esta é a nossa lei e a alegria do mundo. Não pensai, meu rei, nesta metira que irás morrer; verdadeiramente não morerrás, mas viverás. Quando souber disto, o que restará senão desfrute? E como viveremos enquanto isto? Isto é uma mentira - seja forte, homem! Deseje e aproveite todas as coisas do sentido e êxtase: não tema que Deus algum irá te negar por isto.
Nota da casa: Trechos coletados e traduzidos do texto de Roger Dearnaley, "The influence of Aleister Crowley on Wicca"

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A face da desigualdade

SAN JOSÉ, 22 Jul 2010 (AFP) -A forte desiguladade observada na América Latina e no Caribe afeta principalmente as mulheres, os indígenas e os afrodescendentes, segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado nesta quinta-feira em San José, Costa Rica.
"A desigualdade afeta mais as mulheres e a população indígena e a afrodescendente", destaca o primeiro Informe Regional sobre Desenvolvimento Humano para a América Latina e o Caribe 2010, do Pnud.
"As mulheres recebem salário menor que o dos homens pelo mesmo trabalho, têm presença maior na economia informal e enfrentam dupla jornada de trabalho (pelo trabalho doméstico)", explica o Pnud, acrescentando que "muitas mulheres carecem de acesso a serviços sociais em seu emprego".
As desigualdades associadas à origem racial e étnica são "consideravelmente maiores na população indígena e afrodescendente" da região, exceto em Costa Rica e Haiti.
"Em média, o dobro da população indígena e afrodescendente vive com menos de um dólar por dia, com relação à população eurodescendente", diz o estudo.
Quanto ao acesso a serviços de infraestrutura, o Pnud diz que "embora existam casos com os do Chile e da Costa Rica, onde a diferença entre os 20% da população com maior renda e os 20% da população com menor renda é baixa, persistem casos como os de Peru, Bolívia e Guatemala, que apresentam baixa cobertura destes serviços e grandes brechas entre os dois grupos".
O Pnud esclareceu que a pobreza não é a causadora dos altos índices de criminalidade em alguns países da região, embora tenha incidência.
"A criminalidade é um fenômeno mais complexo que relacioná-lo (exclusivamente) com a pobreza. A pobreza, em si mesma, não explica a criminalidade", disse Isidro Soloaga, coordenador do relatório regional, ao destacar que a Nicarágua tem baixa taxa de criminalidade, apesar de ter altos índices de pobreza.
Na América Central, a desigualdade tem sido reduzida desde os anos 90, enquanto na América do Sul "não foi até a metade da década seguinte que apresentou uma diminuição importante, embora (...) continuem sendo dos mais altos do mundo" em desigualdade, segundo o informe.
Fonte: G1

Vera Causa

Há que se explicar muitas coisas quando se fala em Paganismo. Espera-se muitas coisas de nossos Deuses que Eles nunca, ao contrário do Deus Cristão, prometeram. Há que se ler na história, de forma séria e honesta, o que os Deuses Antigos nos davam, o que Eles esperavam de nós e o que nossos antepassados fizeram por Eles.
Uma coisa é certa: os Deuses Antigos nunca prometeram aos seus adoradores uma falsa paz, um falso amor, uma falsa salvação, uma falsa redenção. Eles nunca prometeram que a vida seria mais fácil ou mais branda se nós os adorássemos. Eles nunca nos condenaram nem nos julgaram por nossas falhas, jamais agiram como padrastos que apenas acusa a paternidade quando convém ou quando há uma obediência cega.
Nossos antepassados guerrearam, por glória, por conquista, por riqueza, por territórios. As batalhas que os povos antigos travavam não eram feitas "em nome de Deus". O que se fazia era pedir aos Deuses por proteção, por vitória, por coragem. Nenhum povo antigo iniciou uma campanha militar usando como justificativa "por que Deus mandou" ou "por que Deus quis". Ao menos nossos ancestrais tiveram a coragem de fazer o que se devia fazer e nos garantiram uma vida com mais conforto. As grandes obras, como as pirâmides, segundo estudos recentes, não foram construídas por escravos, mas por pessoas que se ofereceram, foram voluntárias. Não podemos julgá-los com uma falsa condescendência do alto de nossos pedestais provincianos.
Na Idade Antiga havia mais liberdade, tolerância e coexistência religiosa. Uma pessoa podia livremente manter seu culto familiar e assistir aos cultos oficiais públicos. Podia-se adorar qualquer Deus ou Deusa, livremente. Podia-se frequentar qualquer templo, santuário ou cerimônia. Ninguém era forçado a adorar a Juíter, a Zeus nem de obedecer a seus sacerdotes. Nunca existiu algum tipo de patrulha ou polícia religiosa, nunca nenhum templo ou religião mantinha por meio da força o monopólio sobre o sagrado. Todas as ditas "melhorias" atribuídas à Igreja, como hospitais, universidades e tecnologia só existem porque foram iniciadas pelos Gregos Antigos, todos Pagãos.
As ditas "perseguições aos cristãos", quando aconteceram, foram de forma reduzida ou limitada, existiram por diversos motivos: a) eram considerados apenas uma forma de sectarismo judeu [somente foram chamados de cristãos e sendo tratados como tais por volta do ano 100 DC]; b) eram vistos como traidores do império romano, por que não cultuavam o Imperador; c) sua postura e separatismo do restante da sociedade eram vistos com desconfiança pela população. Nem mesmo um revisionista histórico equivaleria estes episódios à ação da Igreja em sua caça à heresia e às bruxas.
O Cristianismo tornou-se a única religião oficial graças à Constantino e Teodósio. Mais por motivos sociais e políticos do que religiosos. Pela fraqueza e covardia desses césares, a Igreja chegou ao poder; pela covardia e fraqueza dos reis e chefes de estado sucessores dos césares a Igreja tem mantido o poder pela opressão, repressão e alienação do ser humano. Instituída tal Tirania, o ser humano perdeu toda sua alegria, toda sua felicidade, toda sua beleza, todo seu erotismo, toda sua naturalidade. Eu não diria que é uma coincidência que a crueldade e a intensidade com que a violência, a guerra, aumentou exponencialmente suas vítimas inocentes apenas após o advento da Igreja como poder social, político e religioso no mundo. Eu diria que é mais do que evidente que é o Monoteísmo, que apenas consegue se sustentar na base da força, da violência, da coação, do fanatismo e do fundamentalismo. Então nada mais justo do que dar a Vera Causa deste blog como recuperar à humanidade a liberdade que existia; recuperar o direito a todos de ter acesso à felicidade, à alegria, ao prazer, ao desejo, ao amor; erradicar a Tirania; acabar com o Império Religioso; erradicar o fanatismo, o fundamentalismo; acabar com a adoração imposta a um Deus estranho e estrangeiro.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Criança sobrevive a exorcismo

Kuala Lumpur, 21 jul (EFE).- Uma menina de dez anos conseguiu sobreviver após ter sido torturada durante um mês em um cruel rito de exorcismo que deixou graves sequelas, no sul da Malásia, informou nesta quarta-feira a imprensa local.
A criança fugiu após abrir com um arame as algemas que a prendiam, e está internada sendo tratada com queimaduras nas mãos, hematomas no rosto e costelas quebradas, segundo o jornal local "New Straits Times".
O fato ocorreu no estado de Johor, que faz fronteira com Cingapura e onde a Polícia deteve na terça-feira um tio da menina.
Segundo as primeiras pesquisas, a criança tinha ficado sob responsabilidade do detido desde a morte de seu pai, e diariamente era torturada para "acabar com seu azar".
O familiar bateu, queimou e deixou a menina sem alimentação durante um mês, aparentemente porque uma feiticeira tinha garantido que ela estava possuída por um espírito maligno.
Há um mês, um tribunal condenou à morte a um homem que matou uma menina de três anos em um rito de exorcismo na Malásia, país de maioria muçulmana, mas onde ainda é praticada a magia negra nas áreas rurais, de forte tradição animista.
Fonte: G1

Quebra de juramento

Coisas como juramentos são importantes nas escolas de mistérios tradicionais, pode ser um assunto delicado e precisa ser tratado com honestidade e sinceridade.
Os juramentos e aqueles que os quebram não estão limitados à Wicca.
Um soldado faz um juramento quando ele se alista no exército. Este soldado, se se torna um oficial, faz outro juramento ao ser comissionado como um oficial.
Políticos fazem um juramento de ofício, como membros do judiciário e forças da lei.
No caso dos políticos, juizes e soldados, a quebra de um juramento pode muitas vezes levar a acusações criminais de traição.
Pondo simplesmente, a quebra de juramento é quando um juramento foi feito por um individuo e que este individuo violou os termos deste juramento.
O mais importante é que se alguém não entende todas as implicações de seu juramento, então não deveria fazê-lo.
Em tradições sob juramento, significa que você não prosseguirá adiante, evidente.
Uma pessoa deve ser confiável e ter certeza que os juramentos estejam em linguagem simples é importante para ter certeza que eles estão sendo compreendidos clara e precisamente.
Para muitos de nós, a honra é importante e compreender o juramento do outro é crítico para ser capaz para concordar com ele e entender a profundidade do que se está pedindo por este juramento, seja de um soldado para defender a pátria ou simplesmente proteger aqueles que confiam em você, um juramento deve ser totalmente compreendido, incluindo as penalidades por violar este juramento.
Pessoas honráveis compreendem e concordam com seus juramentos e o que é verdadeiramente crítico sobre a quebra de juramento é que se alguém não pode concordar com o que é um juramento bem simples e direto, então por que devemos confiar nele?
Autor: Gryphon, Fórum Amber and Jet.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Poliandria perde a força

Buddhi Devi tinha 14 anos quando se casou. Na Índia, isso não é incomum, muitas pessoas se casam jovens.
Seu pretendente era um rapaz da sua aldeia, dois anos mais jovem - isso também não era estranho. Mas ela também devia se casar com o irmão mais novo de seu futuro marido, assim que ele tivesse idade o suficiente.
Agora, aos 70 anos e viúva ainda casada - apenas um de seus maridos está morto - Devi é um fantasma de uma outra era, uma das poucas pessoas que ainda vivem em famílias que seguem a antiga prática da poliandria.
Nas remotas aldeias deste vale himalaio, a poliandria, a prática de vários homens se casarem com uma mesma mulher, foi durante séculos uma solução prática para um conjunto de problemas geográficos, econômicos e meteorológicos.
"Nós costumávamos trabalhar e comer", disse Devi. "Não havia tempo para mais nada. Quando três irmãos compartilham uma mulher, todos eles voltam a uma casa. Eles compartilham tudo". A poliandria tem sido praticada há séculos na região, mas em uma única geração ela quase desapareceu.
Depois de séculos de isolamento estático, tanta coisa mudou no Vale do Lahaul na metade do século passado - as primeiras estradas e carros, depois os telefones, televisão por satélite e celulares e agora conexões de banda larga à Internet - que uma revolução social completa aconteceu. Nenhuma das cinco crianças de Devi vive em uma família poliândrica.
"Os tempos mudaram", disse Devi. "Agora ninguém mais se casa assim".
A poliandria nunca foi muito comum na Índia, mas em alguns lugares a prática persiste, especialmente entre as comunidades hindus e budistas do Himalaia, onde a Índia confina o Tibete.
Sukh Dayal Bhagsen, 60, é da vizinha aldeia de Tholang. Quando jovem, ele se juntou ao casamento do irmão mais velho com uma mulher chamada Prem Dasi. Isso nunca foi discutido, mas sempre se assumiu que ele iria fazer aquilo quando chegasse à idade apropriada, ele conta.
Três irmãos casaram com Dasi, com quem tiveram cinco filhos.
Mas a vida no Vale do Lahaul mudou de maneira que as pessoas nascidas na era Raj da Índia nunca imaginariam. Estradas esculpidas em montanhas íngremes trouxeram o mundo exterior mais para perto.
As crianças começaram a ir para a escola. Homens foram mais longe em busca de trabalho, ganhando salários pela primeira vez.
De repente, a necessidade de irmãos compartilharem uma mulher desapareceu.
Um dos irmãos Bhagsen mais velhos, Bhimi Ram, é uma indicação dessa mudança. Ele conseguiu um emprego como pedreiro em Kulu, uma cidade do outro lado da montanha que liga o vale ao resto da Índia. Ele comprou um pedaço de terra ali e, finalmente, decidiu sair do casamento.
Fonte: Ultimo Segundo
Nota da casa: Eu tento não pensar que isso é um aculturamento fruto da Globalização.

A verdade no Google

Por essa o Vaticano não esperava (e nem precisava). O site da instituição (www.vatican.va) sofreu um ataque virtual por meio do Google, o que fez com que qualquer internauta que procurasse no sábado passado (17/07) a palavra ‘vatican’ ou ‘vaticano’ no buscador encontrasse como primeiro resultado um link para o site www.pedofilo.com.
“Durante um curto período de tempo ocorreu um erro de indexação que fazia com que quando os usuários procurassem a palavra Vaticano no Google, o resultado levasse a uma página não relacionada”, afirmou Mario Jiménez, responsável pela comunicação da empresa na Espanha, ao jornal El Mundo. “O problema foi solucionado antes mesmo de poderem percebê-lo”, disse.
Os internautas que decidiram clicar no endereço pedofilo.com encontraram uma página inacessível. De acordo com a imprensa italiana, trata-se de um domínio registrado pela empresa Guionbajo que opera em Monterrey Nuevo León, no México.
No sábado, o Google afirmou que estava “analisando a situação” e “avaliando as causas” do problema para resolvê-lo o “mais rápido possível”, mesmo tendo afirmado que “não havia necessariamente de se tratar de um ataque de hackers".
Ainda assim, a companhia de tecnologia apontou que o problema poderia ter sido causado por um algoritmo de ataque que permite que o motor de busca possa indexar o conteúdo em função de relevância, segundo informa o jornal ‘Il Corriere de la Sera’. Já o site do ‘La Repubblica’ chegou a afirmar que tudo indica que responsável por esse incidente deve ter um bom conhecimento de como funciona o Google.
Fonte: Epoca
Nota da casa: Por isso que eu uso o oráculo virtual [Google] em minhas pesquisas.

Protesto pagão diante da catedral

Jonas Trinkunas, líder do movimento pagão lituano Romuva, que restaura e pratica a religião nacional lituana, politeísta, dá a conhecer que nesta data, 17 de Julho, em que se comemora uma das maiores batalhas da Idade Média, a Batalha de Zalgiris, ou Batalha de Grunewald (1410), na qual as forças polaco-lituanas venceram a Ordem dos Cavaleiros Teutónicos, neste dia em que a Lituânia recorda e celebra essa efeméride, um grupo de pagãos lituanos aproveitou para exigir direitos diante da histórica Catedral de Vilnius. Sabe-se que, historicamente, os líderes da Lituânia dos tempos pagãos reuniam-se e faziam juramentos diante do fogo sagrado no mais importante altar de Perkunas, Deus do Raio e da Guerra, Ferreiro do Céu (possivelmente adorado na Celtibéria, quem sabe...). Sucede que as ruínas desse altar estão localizadas onde se ergue hoje a Catedral de Vilnius, na principal praça desta capital (por sinal, o verdadeiro centro geográfico da Europa). E desde há anos que a comunidade pagã lituana pede à Igreja Católica o direito de visitar o referido altar e de aí proceder a rituais pagãos. Estes pedidos nunca foram aceites.
Este ano, alguns representantes da comunidade pagã lituana decidiram protestar diante da igreja, manifestando publicamente a sua desaprovação contra uma força de ocupação que os proíbe de honrar livremente os altares dos seus ancestrais. Aliás, o lema do protesto foi precisamente «Cristandade na Lituânia - força de ocupação». Organizado muito rapidamente, de surpresa - um «flash mob», ou «multidão relâmpago» - consistiu numa reunião de pagãos à entrada da catedral, muitos deles com t-shirts brancas a exibir o lema acima referido. Combinara-se previamente que quando o sino da Igreja deu as seis da tarde, os participantes do protesto ali permanecessem durante seis minutos e depois dispersassem.
No momento do protesto, um dos participantes empunhava um cartaz a proclamar o repúdio ao Cristianismo na Lituânia. Os pagãos, mais de quarenta, rapidamente bloquearam a entrada para a catedral. Alguns dos indivíduos que tomaram parte na acção eram membros do grupo religioso pagão Romuva (espécie de «igreja» pagã nacional iituana), outros eram músicos do género Folk ou tradicional, outros ainda eram integrantes do grupo pagão juvenil Devyniaragis.
Aos habitantes locais e aos turistas que se aproximaram, foram distribuídos panfletos explicativos sobre o evento. Em vez dos programados seis minutos, o grupo acabou por aí permanecer quase um quarto de hora. A dada altura um padre saiu da catedral para pedir aos líderes do evento que dispersassem. Devido ao facto de mais de dez pessoas se terem reunido em espaço público sem permissão, o encontro-relâmpago tornou-se ilegal. De qualquer modo, uma vez que a manobra resultara, os participantes decidiram ir-se embora.
A Igreja não permite pois aos indígenas leais aos Deuses dos seus próprios ancestrais que honrem algo que lhes foi pura e simplesmente usurpado pela própria Igreja. Ao tomar essa atitude, a Igreja actualiza a sua intolerância milenar, o que não surpreende de todo.
Urge apenas que os pagãos lituanos comecem a preparar a sua «Ayodhya». Os pagãos lituanos e todos os outros pagãos europeus, para que possam recuperar os seus próprios locais sagrados, roubados por religiões universalistas totalitárias semitas há séculos e séculos.
Fonte: Gladius
Nota da casa: Complemento à notícia aqui divulgada.