domingo, 30 de maio de 2010

Por um Brasil sem histeria

Encontrei em minhas andanças pela internet o texto do "bispo" Dom Robinson Cavalcanti entitulado "Por um Brasil não-heterofóbico".
Segue os destaques e a critica:

"Vale recordar que Documentos Sociais emanados das Igrejas Cristãs, na Idade Contemporânea – consentâneos com as Sagradas Escrituras e a Tradição Apostólica – têm afirmado a dignidade de toda pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, detentora de iguais direitos e deveres".

Não obstante, a Igreja tem negado aos homossexuais tais direitos e dignidade.

"A presença do Cristianismo, e de outras expressões religiosas, é um fato histórico no Brasil, e a religião uma variável social que não se pode negar, desprezar ou agredir".

Não obstante, existem diversas formas de Cristianismo, existem diversas opiniões e visões cristãs sobre a homossexualidade.

"São apenas alguns exemplos, dentre tantos, de uma Pós-Modernidade, que torna relativo os absolutos e torna absoluto o relativo (Relativismo), de um Multiculturalismo extremado, que não respeita a cultura das maiorias, e de um Secularismo ideológico, que tem como um dos seus alvos o ataque às religiões, em particular as monoteístas de revelação, em virtude dos seus ensinos normativos sobre Ética, Moral e padrões de comportamento".

Não obstante, vemos diariamente notícias com padres e pastores em atividades e comportamentos nem um pouco morais ou éticos.


"As religiões monoteístas semíticas de revelação escrita – o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo – têm estabelecido conceitos multisseculares, desde cinco mil anos, que consideram como valores a serem livre e publicamente expressados em sua vida social, cultural e política, e que são preceitos para os seus seguidores".

Exatamente - preceitos para SEUS seguidores, não para a sociedade como um todo. E temos os casos que demonstram que os seguidores destas crenças são igualmente falhos, portanto não lhes cabe exigir da sociedade a observância destes preceitos.
Os padrões morais e éticos não são monopólio nem privilégio da Igreja ou do Cristianismo. Séculos antes de Cristo existir, haviam filósofos Gregos e Romanos [pagãos] que preconizavam a Moral e a Ética.

"A Comunhão Anglicana, e outras igrejas e religiões, afirmam a dignidade da pessoa humana, mas afirmam, também, a realidade do pecado (ao contrário da “bondade natural” defendida pelas ideologias seculares modernas) como um distanciamento físico, intelectual, emocional e moral dos seres humanos dos ideais do seu Criador".

Nem todas as religiões tem essa obsessão, paranóia e histeria com a doutrina do "pecado".

"A tentação ou a prática homoerótica é apenas uma manifestação dentre tantas – nem maior, nem menor – do estado pecaminoso da humanidade, e essa prática, para os cristãos, é incompatível com os ensinos das Sagradas Escrituras. É dever dos cristãos amar os pecadores e rejeitar o pecado".

A doutrina do pecado é uma verdade apenas para o Cristianismo, não é uma verdade axiomática.
As sagradas escrituras são sagradas apenas para quem as crê assim - e não são as únicas "escrituras sagradas" existentes.
As sagradas escrituras não sobrevivem nem a uma análise textual consigo mesmas.

Dia Mundial Sem Tabaco

Os Estados Membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) criaram o Dia Mundial sem Tabaco em 1987 para atrair a atenção do mundo sobre a epidemia do tabagismo, e sobre as doenças e mortes evitáveis a ele relacionadas. Em 1988, a Assembléia Mundial de Saúde aprovou a resolução WHA42.19 determinando que a celebração do Dia Mundial sem Tabaco acontecesse, a cada ano, no dia 31 de maio. Desde então, anualmente, a OMS articula em todo o mundo a comemoração do Dia Mundial sem Tabaco, definindo um tema correlato ao tabagismo, a ser abordado pelos 191 países membros com a finalidade de por em evidência as diferentes interfaces ou problemáticas do consumo de tabaco, e assim engajar diferentes atores sociais no controle do tabagismo.
Desde 1989, o Brasil se engaja nessa ação articulada pela OMS. No Brasil, o Ministério da Saúde através do Instituto Nacional de Câncer e em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde já atuantes no Programa Nacional de Controle do Tabagismo e outros Fatores de Risco de Câncer, articula nacionalmente as comemorações dessa campanha.
A forte associação do tabagismo com doenças crônicas graves e fatais e a expansão do consumo cada vez maior em países em desenvolvimento tem preocupado setores ligados à saúde e ao desenvolvimento, em todo o mundo.
Para os países produtores de tabaco e, sobretudo, para os que têm uma grande dependência econômica do setor fumageiro, a abordagem desse tema se torna mais complexa.
Para a fabricação de cigarros, depois de colhida, a folha do tabaco passa por um processo de secagem artificial denominado cura (secagem em forno à lenha). Além de preservar as folhas para a armazenagem, transporte e processamento, a cura das folhas é responsável pelas características de sabor, aroma e cor. Na maioria dos países em desenvolvimento utiliza-se madeira para alimentar os fornos onde se processa a cura, assim como a infra-estrutura para construção dos fornos que tipicamente têm de ser reconstruídos em dois ou três anos.
Pesquisas recentes indicam que a situação de desmatamento devido a fumicultura é crítica. Mais de 30 países como Coréia do Sul, Uruguai, Bangladesh, Malawi, Jordânia, Paquistão, Síria, China e Zimbabwe lideram a lista de países com o mais elevados percentuais de desmatamento relacionados ao tabaco. As taxas anuais de desmatamento nos três maiores países produtores de tabaco na África do Sul – Zimbabwe, Malawi e Tanzânia – são quase 60% mais altas do que a média africana de 0,7% ao ano.
No caso específico do Brasil, o fumo curado em estufa é o mais cultivado no país, respondendo por cerca de 70% da produção total (Ministério da Saúde, 2000). Segundo a Associação de Fumicultores do Brasil (AFUBRA) existem 120 mil fornos para cura de tabaco no Brasil.
Embora existam programas de reflorestamento para reposição da lenha utilizada no processo de cura das folhas de tabaco, em um recente estudo, 59% dos fumicultores disseram que usam lenha de mata nativa e reflorestada, mostrando que o processo produtivo de tabaco continua causando o desmatamento da mata nativa no Rio Grande do Sul.
Além disso, o tabaco é uma planta que empobrece rapidamente o solo. Estudos mostram que o tabaco utiliza mais nitrogênio, fósforo e potássio do que outros tipos de cultivo, e que o impacto da depleção do solo é maior em países tropicais onde o teor de nutrientes no solo é baixo. Por isso, a cultura do tabaco requer uso intenso de fertilizantes. Os estudos sugerem que, a não ser que o agricultor use um sistema de cultivo rotativo para restaurar os nutrientes do solo, este ficará empobrecido durante anos e só voltará a produzir à custa de fertilizantes artificiais e caros.
Fonte: INCA
Participe desta mobilização
Responsável por 5 milhões de mortes anuais no planeta, o tabagismo é um problema de saúde pública global. No Brasil, onde 200 mil pessoas morrem anualmente vítimas dessa doença, o assunto vem sendo abordado não apenas pelo Ministério da Saúde, mas por outros órgãos governamentais e cada vez mais parcelas da sociedade civil, representadas pelas Organizações Não-Governamentais (ONGs) ligadas à educação, economia, trabalho, justiça, meio ambiente e agricultura.
Em setembro de 2002, com o apoio do INCA, foi formada a Aliança Por um Mundo sem Tabaco, hoje com mais de 500 associados, dentre os quais membros da sociedade civil e as ONGs, que incluem associações médicas, autoridades governamentais e órgãos nacionais e internacionais.
Objetivos
Os principais objetivos da Aliança Por um Mundo sem Tabaco são:
• acompanhar e participar do processo de controle do tabagismo no Brasil e no mundo abordando e discutindo o tema nas mais diversas áreas (saúde, educação, direito das crianças e das mulheres, meio ambiente, legislação e economia);
• pressionar os legisladores a tomarem as providências necessárias para um mundo sem tabaco.
Infelizmente, a questão do controle do tabaco enfrenta interesses contrários, principalmente da indústria do tabaco. Por este motivo é importante mobilizar a sociedade em prol da saúde da população e contra o lucro desmedido e irresponsável da indústria do tabaco, que visa apenas seus lucros em detrimento de doenças, mortes, invalidez e destruição do meio ambiente.
Sua participação pode fazer a diferença! Qualquer pessoa física ou jurídica pode associar-se à Aliança Por um Mundo sem Tabaco e receber regularmente informações sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, na área de controle do tabaco.
Fonte: INCA
Nota da casa: Eu estou apoiando a campanha tanto pelo motivo ambiental quanto pelo familiar. Meu pai era um fumante inveterado, ele viveu em condições precárias de saúde, queimando fumo, até que o fumo "queimou" ele.

Lançada [clandestinamente] revista gay em árabe

"Mithly" não é uma revista como as outras, mas não porque deve ser lida da direita para a esquerda. Lançada em abril, é a primeira revista gay a circular em árabe num país de maioria muçulmana, o Marrocos. O pioneirismo conseguiu uma divulgação inédita para a causa, mas vem causando polêmica nos jornais locais e o silêncio do governo do rei Mohammed 6º. No país, "atos licenciosos ou contra a natureza cometidos com indivíduos do mesmo sexo" podem ser punidos com prisão de seis meses a três anos, além de eventuais multas.
O site da revista (mithly.net), em árabe, já atingiu, desde sua criação, mais de 1 milhão de visitantes únicos, segundo Samir Bergachi, redator-chefe da "Mithly". Mas o fenômeno mesmo é que os 200 exemplares impressos em Madri e distribuídos em Rabat, a capital marroquina, de mão em mão, gratuitamente, na mais rigorosa clandestinidade, viraram notícia na Europa e nos EUA. O impacto do papel e de ser escrito em árabe clássico deu destaque internacional à revista, que deixou de ser uma rede de militância na internet para se tornar um instrumento de ação política inédito no mundo islâmico.
Para batizar a revista, foi necessário também sustentar o uso de um termo novo. "Homossexual" não tem equivalente em árabe, a não ser os pejorativos "zamel" (efeminado) ou "chaddh" (perverso). "Mithly" -- em tradução literal, "igual a mim" -- ganhou o que os especialistas chamam de "nova carga semântica", quando um sufixo ("y") amplia o significado de uma palavra já existente ("mithl", igual).
A publicação é iniciativa da associação Kif Kif, legalizada em 2005 na Espanha. Mais do que uma rede de contatos entre compatriotas gays de Madri, Paris, Roma e Montréal, os fundadores, todos marroquinos expatriados, pretendiam interferir na vida do país que deixaram para trás. A sede da organização em Rabat tem três mil inscritos, segundo seus líderes. A identidade dos associados permanece escondida; a Kif Kif nem sequer é legalizada no país. "O governo não responde nossas cartas", diz Bergachi, estudante de jornalismo da Universidade Complutense de Madri. "O que temos é o silêncio."
Escritórios fora do Marrocos, com 50 a 60 militantes em média, captam pequenas doações que, sozinhas, mantêm o site, a consultoria legal e, mais recentemente, a revista "Mithly".
Num projeto gráfico simples e com apenas 20 páginas, a revista não faz provocações nem procura atrair leitores com consumismo, pornografia ou "nus artísticos". Engajado, o primeiro número traz um artigo sobre o Dia Internacioial da Mulher, testemunhos de homossexuais que "saíram do armário", repercute as manifestações públicas contra o show do cantor britânico Elton John no festival Mawazine, em Rabat, e traz um conto do escritor Abdellah Taïa.
O marroquino Taïa, 36, vive autoexilado em Paris há dez anos. Por escrever em francês, alcançou boa projeção no circuito literário internacional: publicou três romances por uma das grifes do livro francês, a editora Seuil. Participa de festivais literários internacionais, como o Beiruth 39 (com 39 autores de menos de 39 anos, selecionados pela Unesco), e o mais famoso de todos, o de Hay-on-Wye, no Reino Unido (que começou no dia 27). Os romances de Taïa são todos autobiográficos, ficção misturada às memórias de sua vida na pequena cidade de Salem. Até mesmo no Marrocos, onde a Unesco registra 50% de analfabetismo, os livros de Taïa vendem bem: segundo ele, "Le Rouge du Tarbouche" ["O vermelho do turbante"] vendeu 15 mil exemplares. Como ele diz, é "muito, muitíssimo". Dificilmente os escritores brasileiros com sua idade e projeção atingem esse resultado.
Taïa é um ícone gay no Marrocos desde que, em 2007, foi capa da revista semanal de informação "Tel Quel", editada em francês. Com tiragem de 20 mil exemplares -- apenas 100 vezes a da "Mithly" --, é a mais progressista do país e acaba de ganhar uma irmã em árabe. Além de expor-se numa entrevista, Taïa publicou o texto "A homossexualidade explicada à minha mãe".
E por quê? "Porque nós, homossexuais, estamos emprestando a voz a uma sociedade que está presa no silêncio de uma ditadura." A situação é parecida nos outros países da África do Norte. Na Argélia, "todos os culpados de atos homossexuais são punidos com dois meses a dois anos de prisão" (artigo 338 do Código Penal), além de multa. Na Tunísia, o artigo 230 do Código Penal prevê prisão de até três anos por "sodomia consentida entre adultos". Como em inúmeros outros exemplos ao redor do mundo, os gays marroquinos são os primeiros a reagir à repressão moral -- que eles também foram os primeiros a sofrer.
Embora escorada na tradição, a atual cultura repressiva nos países muçulmanos é um dado cultural relativamente novo, associado à recente islamização política. Abdellah Taïa cita o poeta árabe Abu Nuwas (756-814), que escrevia cânticos de amor aos rapazes. "É um clássico, e ainda é estudado nas escolas públicas", diz ele. "Todos sabem que era homossexual."
O mesmo acontece com Al-Jahiz (781-869), que escreveu um livro sobre "efebos e cortesãs", "um diálogo entre homens que amam mulheres e homens que amam homens". Nas "Mil e Uma Noites" (os manuscritos datam dos séculos 9º ao 18), não faltam histórias que narram, metaforicamente, relações de amor sensual entre pessoas do mesmo sexo. Não se trata de querer ver uma linhagem gay na tradição literária árabe. Segundo Mamede Mustafa Jarouche, 47, que assina a mais recente tradução brasileira do "Livro das Mil e Uma Noites" (Editora Globo) e dá aulas de árabe na USP, "nos tratados eróticos clássicos, e em boa parte da narrativa literária, não há exatamente uma visão essencialista sobre a escolha do parceiro". Jarouche, que morou no Cairo, conta que, em 2000, uma editora do governo egípcio teve a gráfica invadida por fundamentalistas que rasgaram livros de Abu Nuwas, que viveu, vale repetir, no século 8. E em 2001, na feira do livro do Cairo, houve uma tentativa de censurar a tradução árabe de "A sexualidade no Islã" (1975), do tunisiano Abdelwahab Bouhdiba, publicado no Brasil pela editora Globo.
Para a comunidade islâmica do Brasil, a tentativa de moralizar a literatura é uma volta aos "critérios claros" da religião. Um de seus líderes, o xeque Jihad Hassan Hammadeh, 44, diz que não há margem para dúvida na interpretação da lei corânica. "Homossexualidade é proibida, é pecado."
Nascido na Síria e vivendo em São Paulo desde 1991, o xeque não comenta os casos que ocorrem na comunidade islâmica que dirige. Mas não deixa de ser um tanto brasileira a solução que propõe: para ele, a religião dá ao crente a possibilidade de não divulgar seu pecado, para que haja espaço para voltar atrás. Assim, o acerto de contas acontecerá entre o fiel e Deus. "Se pecou, não divulgue."
Os marroquinos da "Mithly" estão divulgando, e além da repressão do Estado, recebem objeções intelectuais: publicar uma revista gay poderia ser um programa elitista e ocidental.
Paulo Hilu Pinto, 42, antropólogo da Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista na Síria contemporânea, enxerga o risco de "colonialismo militante" que pode haver na iniciativa. "O movimento gay organizado é libertador para quem?", questiona. "Um morador da periferia, que faz sexo com parceiros do mesmo sexo, pode nunca ter se enxergado assim." Hilu Pinto acredita que, com a moral religiosa, o gay pobre acaba se vendo como pecador. Os editores da "Mithly", de fato, pertencem a uma elite intelectual que mora e estuda na Europa. Os escassos 200 exemplares que circularam na capital marroquina não deixam de ser um sinal de elitismo, embora a íntegra da revista esteja disponível (e de graça) na internet. Mas não importa a tiragem: a mera existência da revista já é um respiro no abafado ambiente cultural do Marrocos.
O sociólogo marroquino Mohammed Mezziane, 47, afirma que a "Mithly" não propõe uma ruptura com o Estado ou com a religião. Pelo contrário, seu objetivo é integrar o discurso homossexual na vida do país. Cautelosos, os editores da revista ainda não reivindicam os temas da pauta ocidental, como o casamento gay ou as pensões e planos de saúde para parceiros do mesmo sexo.
O número 2 da "Mithly" sairá nesta terça, 1º/6, apenas na internet, com reportagem sobre o alto índice de suicídio entre os homossexuais. O terceiro número está prometido para o papel: julho é o mês do orgulho gay, e também é o aniversário de cinco anos da associação Kif Kif. Os editores preparam uma reportagem sobre o lesbianismo no mundo árabe, história ainda mais escondida. Samir Bergachi, o redator-chefe, diz que quando os tradicionalistas querem mostrar os riscos da descriminalização da homossexualidade no Marrocos, exibem imagens do Carnaval carioca.
A associação Kif Kif, segundo Bergachi, foi convidada para participar do congresso internacional de direitos LGBT, em 2011, no Rio de Janeiro. "Finalmente vou conhecer o Rio", comemora.
Autora: Izabela Moi
Fonte: Folha de SPaulo
Nota da casa: Uma versão arco-íris para a Revolução Islâmica. Em bom tempo, quem sabe assim os brimos descobrem que existem mais cores além do preto-e-branco.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Análise do discurso racista/xenófobo

O que há em comum entre o racismo e a xenofobia são suas motivações psicológicas. Com uma colagem de textos, eu vou dar primeiro algumas definições.
A xenofobia é um dos fenômenos mais presentes na história e também um dos mais característicos de nossa sociedade. Em uma definição mais geral, pode-se dizer que é uma aversão pelo que é diferente, pelo outro, que geralmente nos assusta com sua alteridade. Mas é também um termo usado para denominar um transtorno psiquiátrico que gera um medo excessivo, sem controle algum, ao que é desconhecido – objetos ou pessoas. Este conceito também se estende, de forma um tanto polêmica, a qualquer discriminação de ordem racial, grupal – em referência a grupos minoritários – ou cultural.
O repúdio a culturas diferentes geralmente traz em sua essência o ódio, a animosidade, o preconceito, embora este possa provir também de outras raízes, como opiniões preconcebidas sobre determinados grupos ou coletividades, por pura falta de informação sobre eles; conflitos ideológicos que envolvem crenças em atrito, causados por um choque conceitual; motivações políticas e outros tantos fatores.
Em seu sentido mais restrito, a xenofobia tem como principal sintoma um medo descomedido e desequilibrado do desconhecido. Exclui-se assim o temor em seu aspecto natural. Deste ponto de vista, ela é considerada uma doença, causada por uma ansiedade de teor significativo, desencadeada após um período de exposição a um contexto ou a um objeto desconhecido e, por isso mesmo, assustador.[Info Escola]
A criança pequena em certos momentos mostra estranhamento diante de um rosto desconhecido. Com o processo de socialização, aprenderá a separar o "nós" (o que lhe é familiar) do outro (o que lhe é desconhecido). Vai ampliando o campo "familiar", mas sempre permanecerá nela algo desconhecido do qual não consegue se separar e representar. Na criança, portanto, permanecem restos não identificados e não simbolizados que lhe causarão estranheza e podem ser figurados como estrangeiro. Contudo, para a xenofobia infantil transformar-se em racismo é necessário o suporte do discurso racista.
O preconceito é um fenômeno psicológico e um produto da cultura. Está relacionado a mecanismos de defesa que sustentamos para afastar ameaças imaginárias. Quanto maior a nossa identificação com as características das pessoas que discriminamos, maior a força do preconceito. A criança internaliza atitudes preconceituosas dos pais com os quais se identifica. A escola, o grupo social e a mídia também são fontes de preconceito. Quanto menos praticarmos o exercício do pensamento e da reflexão, maior a necessidade de nos defendermos de pessoas e coisas que nos causam estranheza.
Outra relação fundamental para entendermos o preconceito é a sua associação com a paranóia. Como se institui a paranóia? Uma das teorias é fornecida pela psicanálise de Jacques Lacan. Na criança, o "eu" que marca a sua identidade é formado por volta dos 18 meses pela identificação e internalização do "eu" da pessoa que cuida - geralmente a mãe - deste pequeno ser, frágil e totalmente dependente. Este "eu", a princípio, é corporal. A criança que até essa idade apresenta percepções fragmentadas do próprio corpo vai constituir sua imagem corporal de forma integrada identificando-se pela incorporação da figura materna.
Porém, o "eu" estrangeiro nunca vai totalmente se integrar. Daí, sempre vão conviver dois "eus" no sujeito humano que estarão sempre em conflito. Se houver cisão interna e um deles for rejeitado e projetado para fora, poderá tornar-se discriminado e perseguidor. Ou seja, o sujeito coloca no outro seus próprios aspectos negativos para transformá-lo em vítima do preconceito e/ou perseguidor. A xenofobia e a paranóia, então, provêm das mesmas origens. Portanto, para falar sobre preconceito temos de pensar em nós mesmos como fontes alimentadoras.[Terra Magazine]
Em outros tópicos deste blog eu comentei a minha consternação em ver neopagãos fazendo discursos em defesa da "estirpe" e da "raça", como em "O perigo da ideologia política", "Gens e ethnos" e "Fantasmas do passado". Em termos gerais, fica claro que esses discursos são demonstrações de histeria, neurose e paranóia. Se levarmos em consideração que foi encontrado DNA de Neandertal em nosso DNA, se levarmos em consideração os fatos históricos e antropológicos, todos nós somos mestiços e descendentes de imigrantes, o que derruba todo esse mito moderno da "estirpe".

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Foi presa por ter dito a verdade

No ano passado, em uma entrevista na tv, a pop star polonesa Dorota Rabczewska, 26, disse ser mais fácil acreditar em dinossauros do que na Bíblia, que “foi escrita por pessoas que bebiam muito vinho e fumavam cigarros de ervas”.
Ryszard Nowak, presidente de uma entidade que defende os valores cristãos, acusou Dorota de ter cometido crime ao ofender “os sentimentos religiosos de cristãos e judeus”.
Agora, como o apoio de religiosos furiosos, como Nowak, o Ministério Público de Varsóvia quer colocar a pop star na cadeia.
Na Polônia, o país do papa João Paulo 2, existe uma rigorosa lei contra a blasfêmia. Se Doda (como a artista é chamada) for condenada, poderá ficar até dois anos na cadeia.
Fãs da exuberante loira afirmam que, na Polônia, os cristãos estão cada vez mais parecidos com os fundamentalistas islâmicos.
Doda, que não esperava que a sua afirmação fosse repercutir, deve estar satisfeita com a notoriedade mundial que acaba de ganhar.
Fonte: Paulo Lopes
Nota da casa: Alô, Anistia Internacional? Cadê a liberdadde de expressão?

Tradição indígena de queimar savanas é contestada

Os pemón argumentam que a prática evita queimadas acidentais piores.
As montanhas cobertas de neblina que surgem da floresta formam uma das fronteiras mais atraentes de exploração e pesquisa. Tanto que inspirou o romance fantástico “O Mundo Perdido”, de Arthur Conan Doyle, e equipes de biólogos que ainda armam expedições a escarpas remotas na esperança de encontrar espécies novas para a ciência.
Porém, nas savanas abaixo, os sinais de fumaça pela paisagem atestam um costume que deflagrou um acirrado debate entre cientistas na Venezuela e outros lugares: a tradição dos índios pemón de queimar repetidamente pasto e floresta para caçar animais e plantar alimentos.
A seca que afligiu a Venezuela este ano está intensificando clamores de que os índios da etnia pemón tenham desencadeado um aumento nas queimadas, normalmente extintas pela chuva. Alguns especialistas em florestas dizem que a queimada coloca a Gran Sabana, uma região do tamanho da Irlanda que inclui as enigmáticas montanhas conhecidas como tepuis, em risco de desmatamento e perda de espécies.
O governo do presidente Hugo Chávez já está enfrentando ampla indignação pública em relação à falta de energia elétrica, e a empresa estatal de energia teme que as queimadas possam diminuir as florestas que ajudam a coletar e liberar água, e levar sedimentos do rio para o Guri, complexo hidrelétrico que fornece grande parte da energia elétrica do país.
Porém, muitos pemón, junto com alguns dos estudiosos que pesquisam sobre esse povo, dizem que as queimadas ajudam a evitar que o pasto acumule biomassa para queimadas muito maiores que poderiam se alastrar pela região, da mesma forma como grandes incêndios devastaram partes da Indonésia em 1997.
“Quem vem de fora pensa que somos selvagens primitivos, mas eles desconhecem nossos métodos”, disse Leonardo Criollo, 46 anos, líder pemón cuja vila, Yunek, fica à sombra do maciço de Chumanta, uma coleção de 11 tepuis dos quais cascatas descem de rochas altas. “Queimamos para que possamos viver em harmonia com a savana ao nosso redor.”
O conflito de opiniões sobre a prática centenária faz parte de um debate mais amplo sobre a soberania e o gerenciamento adequado das terras indígenas. Boa parte da Gran Sabana é delimitada ou como parque nacional ou como território militar. Mas alguns ecologistas que defendem a queimada alegam que povos indígenas do mundo todo há muito tempo usam o fogo para alterar seus ecossistemas e moldar regiões como as pradarias do meio-oeste americano.
Relatos sobre as origens dos pemón na Gran Sabana divergem, mas alguns historiadores afirmam que eles podem ter migrado para cá há cinco séculos, vindos da costa do que hoje é a Guiana, após incursões de exploradores europeus. Paleoecologistas também debatem sobre que porcentagem da Gran Sabana era coberta originalmente por florestas e quando a queimada por parte dos humanos passou a ocorrer.
De qualquer modo, os pemón, que hoje são cerca de 25 mil, tinham boa parte da Gran Sabana para si até o começo do século 20, quando missionários começaram a fortalecer sua presença. Os missionários foram então seguidos por equipes de pesquisadores cientistas e, nas últimas décadas, por autoridades venezuelanas que construíram uma rodovia aqui na década de 1970.
Toda a área agora é agitada. Caminhões do Brasil correm pela rodovia pavimentada trazendo bens de consumo. Contrabandistas pegam a mesma estrada pela fronteira para vender gasolina. Soldados mal-humorados pedem suborno nos postos de controle. Os militares estão aumentando sua presença na área com uma nova base de monitoramento de satélite na vila de Luepa.
No meio de tudo isso, os pemón continuam ateando fogo em partes da Gran Sabana, já que áreas recém-queimadas logo dão lugar a pasto fresco que atraem presas desejadas, como o veado de rabo branco.
“Por que eu mudaria um costume que funciona há várias gerações”, disse Antonio Garcia, 70 anos, caçador pemón, enquanto se preparava em uma manhã recente perto de Santa Elena de Uairen, uma cidade de fronteira bastante pobre e cheia de atividades de contrabando.
A caça não é o único motivo. Bjorn Sletto, especialista em planejamento da Universidade do Texas, que estuda os hábitos de queimadas dos pemón, os viu queimar a terra para eliminar cobras e escorpiões; para se comunicar através de sinais de fumaça; e para pescar, pois o fogo faz com que os insetos pulem na água, atraindo peixes.
Porém, um dos principais motivos desse povo indígena queimar a savana, segundo Sletto, pode ser criar um mosaico de paisagens divididas por queimadas naturais que evitam que incêndios maiores se espalhem. “Há razoes ecologicamente sensatas para que os pemón mantenham baixos os níveis de combustível na savana”, disse.
Outros discordam. Nelda Dezzeo, bióloga florestal do Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica, sustenta que algumas florestas da Gran Sabana podem nunca se recuperar de queimadas repetidas. Ela disse que a ameaça de fogo se espalhando da savana para a floresta era especialmente preocupante.
“Há áreas onde novas espécies de árvores ainda estão sendo estudadas”, ela disse. “Se os danos chegarem a essas áreas, as espécies podem se perder, ou podemos perder espécies que ainda nem conhecemos”.
Os pemón enfrentam uma ração envolvendo as queimadas que vai além do limite do debate científico. Venezuelanos não-indígenas muitas vezes os chamam de “quemones”, um termo em espanhol para designar pessoas que queimam muito. “Os pemón são piromaníacos por natureza, e este ano vimos algumas das piores queimadas”, disse Raul Arias, 54 anos, que opera um serviço de helicóptero na região.
Alguns indígenas zombam de declarações como essas. “Quem é de fora chega e deixa seu excremento e lixo nos tepuis, depois reclamam que a queimada estraga sua visão”, disse Miguel Lezama, 46 anos, líder que mora perto do Monte Roraima.
Novos motivos para os incêndios complicam ainda mais a situação. Estudiosos viram um aumento nas queimadas para protestar contra a instalação de torres elétricas e a abertura da base de monitoramento de satélite. Outros pemón às vezes iniciam queimadas para atormentar o governo e pressioná-los a atender a suas exigências por serviços.
Poucos especialistas sabem como essas queimadas irão afetar a Gran Sabana, além de semear a discórdia na região.
“O governo está muito enganado se pensa que os pemón são ovelhinhas dóceis das savanas”, disse Demetrio Gomez, 36 anos, líder pemón que participou de um protesto violento perto de Santa Elena de Uairen este ano para desalojar invasores das terras indígenas. “Queimávamos essas terras muito antes da chegada de outras pessoas”, disse ele, “e vamos continuar queimando para sempre”.
Fonte: G1
Nota da casa: A notícia é importante para que muitos dos pagãos modernos, principalmente os urbanos, entendam que estar em harmonia com a natureza significa interagir, às vezes de forma invasiva, com ela.

A realidade de ponta-cabeça


Os dois tipos básicos de ser humano são o masculino e o feminino. O modo como se estrutura o relacionamento entre mulheres e homens constitui o modelo básico para as relações humanas. [Riane Eisler, na pg 240]



No inicio os invasores eram simplesmente bandos de saqueadores que matavam e pilhavam. Na Europa Antiga o abrupto desaparecimento das culturas estabelecidas coincide com o primeiro aparecimento de túmulos de chefes Kurgans.
Mas depois de algum tempo os próprios conquistadores começaram a mudar. Eles - e seus filhos e netos e, por sua vez, os filhos e netos destes - a dotaram algumas das tecnologias, valores e modos de vida mas avançadas das populações conquistadas. Eles se fixaram e tomaram por esposas mulheres da região. Como senhores micênicos em Creta, acabaram interessando-se pelas coisas mais refinadas da vida.
Depois de cada onda sucessiva de invasões, paulatinamente também se reafirmou o impulso em direção a maior refinamento e complexidade tecnológica cultural. A cada invasão e, após um certo período de regressão cultural, a civilização retomava seu curso interrompido. Mas a civilização tomava agora um rumo muito diferente. Isso porque, se os conquistadores quisessem manter suas posições dominantes, havia um aspecto da cultura anterior que não podia ser absorvido. Esse aspecto, ou mais precisamente esse complexo de aspectos, era o cerne sexual e socialmente igualitário e pacífico do modelo anterior de sociedade em parceria.
A continuidade de dois sistemas constituía um risco enorme de o sistema antigo recobrar sua força, sendo por demais convidativo aos povos que tinham fome de paz e queriam libertar-se da opressão.
Para consolidar o poder das novas elites, essas mulheres teriam que ser despidas de seus poderes de decisão. Ao mesmo tempo, sacerdotisas teriam que ser despojadas de sua autoridade espiritual. A descendência matrilinear teria que ser substituída pela patrilinear, onde as mulheres passaram a ser vistas cada vez mais como tecnologias de produção e reprodução controladas pelos homens ao invés de membros independentes e líderes da comunidade.
Como é típico das sociedades de dominação, as tecnologias de destruição receberam altíssima prioridade. Os homens mais fortes e brutais passaram a ser honrados e lautamente recompensados por sua capacidade técnica de conquistar e pilhar.
A medida que a revolução tecnológica retomou seu crescimento, após a estagnação ou regressão dos tempos de invasão, aumentou a quantidade de bens e outros recursos materiais. Mas o modo como eram distribuídos esses recursos mudou.
A evolução social também retomou o impulso ascendente. Instituições politicas, econômicas e religiosas continuaram a ganhar complexidade. Mas á medida que novas especializações e funções administrativas se fizeram necessárias em função das novas tecnologias, também essas foram assumidas por conquistadores e seus descendentes adeptos do uso da força.
O padrão típico dessas conquistas era primeiro os homens conseguiam posições de dominância destruindo e apropriando-se da riqueza dos territórios conquistados. Depois, à medida que avanços tecnológicos e complexidade social criavam a necessidade de novos papéis na produção e administração da riqueza, também estes eram apropriados por eles.
Os cargos novos certamente não eram dados às chefes dos clãs matrilineares, nem às sacerdotisas. Ao invés disso, todas as novas posições sociais e especializações que tivessem algum poder ou status eram sistematicamente transferidos de mulheres para homens.
Agora era a força o que determinava quem controlaria os canais de distribuição de riqueza. A organização social era regida agora pelo princípio do escalonamento. Começando pela colocação dos homens fisicamente mais fortes acima da outra metade da humanidade, as mulheres, todas as relações humanas tinham que se conformar a esse modelo.
Ainda assim, era preciso estabelecer que os antigos poderes que governavam o universo haviam sido substituídos por deidades novas e mais poderosas. E para tanto era necessário, acima de tudo, garantir que não apenas sua representante terrena, a mulher, mas também a própria Deusa, fosse derrubada de seu elevado posto.
Em alguns mitos do Oriente Médio isso foi obtido pela história de como a Deusa foi trucidada. Em outros, ela foi subjugada e humilhada pelo estupro.
Outro recurso era o de reduzir a Deusa à posição subordinada de consorte de um Deus masculino mais poderoso. Outro ainda era transforma-la em Deusa marcial. Ao mesmo tempo, muitas das funções antes associadas a deidades femininas foram associadas a Deuses.
Negar completamente que o feminino participa da divindade é algo espantoso, principalmente porque boa parte da mitologia hebraica derivou dos mitos mesopotâmicos e cananeus anteriores. Mais espantoso ainda, porque as evidencias arqueológicas mostram que, muito depois das invasões hebraicas, o povo de Canaã, incluindo os próprios hebreus, continuou a venerar a Deusa.
A ausência da Deusa constitui a mais importante assertiva isolada sobre o tipo de ordem social que os homens lutavam para estabelecer e manter. Do ponto de vista simbólico, a ausência da Deusa nas escrituras sagradas oficialmente sancionadas é a ausência de um poder divino para proteger as mulheres e vingar os males infligidos pelos homens.
Por fim, completando e encimando a configuração violenta da sociedade de dominação, temos o autoritarismo e a dominância masculina.
Não foi por coincidência que em toda parte do mundo antigo a imposição da dominância masculina marcou a mudança de um modo pacífico e igualit´raio de organizar a sociedade humana para uma ordem violenta e hierárquica, governada por homens brutais e gananciosos. Tampouco é coincidência que as árvores da vida e do conhecimento, outrora associada ao culto da Deusa, passassem a ser propriedade privada de uma divindade masculina suprema.
Tanto o autoritarismo quanto a dominância masculinas era justificadas pelo mesmo discurso que continua a ser  usado pelos modernos totalitários ou aspirantes a totalitaristas - Não pensem. Aceitem as coisas como são, aceite o que a autoridade diz ser verdade. Acima de tudo, não usem a sua própria inteligência, sua própria capacidade mental para questionar-nos ou buscar conhecimento independente.
Eisler, Riane. O Cálice e a Espada, pg 145-158.
Nota da casa: Fazer uma síntese ou um resumo deste livro nunca fará a devida justiça ao seu conteúdo rico e profundo. Eu coletei o trecho que eu considero mais crucial para se entender o porque de tanta violência, física ou sexual, de nossa sociedade.
PS: Há que se registrar que a autora se baseia nas teorias questionáveis de Marija Gimbutas, o que não invalida o fato de que a violência, a agressividade e o sistema de dominação que oprime e reprime existem. A fonte da violência atual vem do passado, houve uma transformação na sociedade antiga e eu tendo a crer que, como na decadência de Roma, essas mudanças e conflitos foram antes causadas pelas prórias características destas sociedades do que por agentes externos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

3º Forum Mundial da Aliança das Civilizações

A Aliança de Civilizações é uma iniciativa, no âmbito das Nações Unidas, que busca mobilizar a opinião pública em todo o mundo para superar preconceitos e percepções equivocadas que, muitas vezes, levam a conflitos entre Estados e comunidades heterogêneas.
Objetiva, ademais, contribuir para o estreitamento das relações entre sociedades e comunidades de extração cultural e religiosa diversas, assim como enquadrar a luta contra o extremismo na perspectiva da prevenção. A iniciativa atua em quatro áreas prioritárias: educação, juventude, meios de comunicação e migrações.
A Aliança de Civilizações foi proposta pelo Presidente do Governo da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero no debate geral da 59a Assembléia Geral das Nações Unidas (AGNU), logo após os atentados terroristas ocorridos em 2004 no metrô de Madri. Foi co-patrocinada, desde o início, pelo Primeiro-Ministro da Turquia Recep Tayyip Erdogan. Em 14 de julho de 2005, o Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, formalizou seu lançamento estabelecendo a criação de um Grupo de Alto Nível composto por 20 personalidades, entre elas o brasileiro Cândido Mendes. Com o objetivo de examinar a melhor forma de se concretizar essa “aliança”, o Grupo reuniu-se de novembro de 2005 a 13 de novembro de 2006, quando então apresentou suas conclusões consolidadas em um relatório. Dele decorrem essencialmente quase todas as atividades em curso.
Em abril de 2007, o novo Secretário Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,designou o ex-presidente de Portugal, Jorge Sampaio, seu Alto Representante para a Aliança de Civilizações. Foi estabelecido, ainda, o “Grupo de Amigos da Aliança de Civilizações”, atualmente formado por 101 países e entidades internacionais. Atendendo a convite da Espanha, em novembro de 2006, o Brasil integrou-se a esse Grupo. No primeiro Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, realizado em Madri, em janeiro de 2008, foi aprovado o relatório do Grupo de Alto Nível. Foi recomendado aos Estados que elaborassem Planos de Ação nacionais com atividades planejadas e experiências consolidadas nas áreas prioritárias da Aliança. O segundo Fórum mundial teve lugar em Istambul, em abril de 2009. O terceiro será realizado no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, no primeiro semestre de 2010.
Fonte: Divercult
MADRI, 15 Jan 2008 (AFP) - O presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, inaugurou nesta terça-feira o primeiro fórum da Aliança de Civilizações, uma reunião de cúpula internacional de dois dias que pretende estimular o diálogo contra o radicalismo e o fundamentalismo.
"A Aliança de Civilizações é uma aposta pela ação, frente a intolerância, o radicalismo, frente ao fundamentalismo, para o respeito e o encontro, para a paz", explicou Zapatero na abertura do fórum, que acontece em Madri.
O encontro, de 350 participantes de mais de 60 países, do mundo da política, cultura, religião e economia, pretende demonstrar que existem vias práticas de colaboração entre o mundo islâmico e o mundo ocidental.
O Qatar anunciou, logo na abertura, que vai doar 100 milhões de dólares para incentivar a criação de empregos nos países árabes.
A princesa Mozah, esposa do emir do Qatar, Hamad Ben Jalifa Al Thani, indicou que esta quantia será destinada ao projeto Silatech, cujo objetivo é "conectar os jovens aos empresários, desbloquear capital para investi-los em iniciativas empresariais juvenis e ajudar no desenvolvimento empresarial utilizando novas tecnologias".
Já a rainha Noor da Jordânia apresentou o Fundo para os Meios de Comunicação, uma iniciativa da Aliança das Civilizações, que pretende elaborar filmes e documentários que ajudem na compreensão entre culturas, com um financiamento inicial de 10 milhões de dólares.
Fonte:
G1
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse hoje que a ONU "compartilha a idéia de que a Aliança de Civilizações é uma forma de enfrentar o extremismo", e declarou que se trata de "uma plataforma única" de encontro entre as diferentes culturas.
Ban Ki-moon participou hoje da abertura do 1º Fórum da Aliança de Civilizações, realizado em Madri, juntamente com o presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, e o Alto Representante para a Aliança de Civilizações, Jorge Sampaio.
"Nunca houve tanta necessidade de entendimento entre as nações", destacou Ban Ki-moon, que acha que o fórum se propõe a ser "uma plataforma única para falar com franqueza das preocupações interculturais".
Segundo o secretário-geral da ONU, "deveriam haver menos problemas e mais soluções" no mundo globalizado e afirmou que essa "ferramenta vai nos ajudar".
"É fácil dizer que é preciso se aproximar, promover a tolerância, mas é muito mais difícil transformar as palavras em ações específicas que possam mudar o que as pessoas vêem e como elas atuam".
É uma "missão difícil", reconheceu Ban Ki-moon, mas pediu o diálogo entre a sociedade civil, as fundações e os meios de comunicação para conseguirem alcançar esse objetivo.
Assim, o secretário pediu um "esforço significativo" para melhorar as oportunidades dos jovens no Oriente Médio e na África e para resolver tensões sociais.
Ban Ki-moon considerou necessário lutar contra estereótipos e articular mecanismos de resposta rápida da imprensa diante de crises para ajudar a acalmar os conflitos.
Jorge Sampaio declarou que a Aliança de Civilizações é o resultado de uma vontade política compartilhada orientada "para a harmonização de ações adequadas para enfrentar os problemas culturais, religiosos, de segurança e as ameaças de instabilidade da paz no mundo".
Destacou também que o principal trunfo da Aliança é que ela "está orientada a agir e tem a obrigação de obter resultados".
O encontro, de 350 participantes de mais de 60 países, do mundo da política, cultura, religião e economia, pretende demonstrar que existem vias práticas de colaboração entre o mundo islâmico e o mundo ocidental.
Fonte: G1

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Este lava mais branco

–1. O papa Joseph Ratzinger, na próxima semana, deverá sentir odor de dinheiro sujo, ao tomar contato com uma carta rogatória que será enviada ao estado do Vaticano. Acostumado ao odor de santidade emanados dos altares, Ratzinger poderá ter náuseas.
A rogatória será expedida pelo estado italiano, por solicitação de magistrados do Ministério Público de Perúgia. Ratzinger, talvez, se assuste com a volta, para o Vaticano, dos fantasmas de Roberto Calvi e Michelle Sindona, conhecidos como banqueiros de Deus e da Máfia.
Não foi sem causa ter Ratzinger dito, no domingo passado (16/5/2010), que “o pecado na Igreja é o verdadeiro inimigo a se combater”.
Como se percebe, Ratzinger vive tempos difíceis. No domingo passado, contou com o apoio de 200 mil fiéis, na na praça de São Pedro. Tratatou-se de uma rede de solidariedade diante das suspeitas de ter Ratzinger, para evitar escândalos a macular a Igreja, se omitido diante de casos de clérigo pedófilos.
–2. A primiera carta rogatória cuida de (1) lavagem de dinheiro sujo por meio de instituições religiosas e (2) de movimentações em contas-correntes no banco do Vaticano, conhecido por “Istituto per Le Opere Religione” (IOR), nascido após o escândalo do banco Ambrosiano, onde pontificaram os supracitados Roberto Calvi e Michelle Sindona.
–3. Na mira dos magistrados de Perúgia estão a ‘Congregazione Missionari del Preziossimo Sangue di Gesù’ e a ‘Propaganda Fide’, esta fundada em 1622 para cuidar da evangelização dos povos. A ‘Porpaganda Fide’ detém um patrimônio imobiliário no centro histórico de Roma avaliado em 9 bilhões de euros.
Da rogatória poderão constar, também, pedidos de quebras de segredos bancários dos monsenhores Francesco Camaldo e de Evaldo Biasini, respectivamente com 60 e 83 anos de idade.
–4. Os magistrados de Perúgia investigam concessões de obras e serviços públicos a favorecer uma “cricca” (bando) comandada pelo construtor Diego Anemone e pelo engenheiro Angelo Balducci, correntista do IOR, membro leigo da ‘Propaganda Fide’ e ex-presidente do Conselho Superior de Obras Públicas da Itália. Segundo as investigações, a Construtora Anemone já restaurou imóveis da ‘Propaganda Fide’, além de reformas de igrejas.
–5. Em troca de favores, a Construtora Anemone (dois irmãos são sócios), por prestanomes, trocava concessão de obras públicas por apartamentos de luxo ou feituras de via reformas estruturais e decorativas.
Segundo os magistrados de Perúgia, os beneficiários seriam políticos, prelados e altos funcionários públicos, como, por exemplo, o general Francesco Pitorru, carabineiro lotado no serviço secreto e que levou dois apartamentos, e Ercole Incalca, o homem forte do ministério da Infraestrutura.
–6. Diego Anemone, o mais exposto dos irmãos, também cuidava de prestar favores sexuais. Estes eram prestados nas magníficas e luxuosas instalações do Salaria Sport Village, um centro de relaxamento pertencente a Anemone, com duas brasileiras no quadro de empregados: Monica da Silva Medeiros, fisioterapeuta, e a promoter Regina Profeta.
–7. O monsenhor Camaldo goza de prestígio na alta sociedade italiana, tem blog, facebook e recita orações no You Tube. Camaldo, em função religiosa, é quem coloca o solidéu na cabeça de Ratzinger, estica-lhe os paramentos e segura o microfone. Como escriturário, Camaldo participa do secreto conclave de eleição do papa e elabora a ata.
Para Laid Hidri Fathi, motorista tunisiano do construtor, Camaldo abriu as portas do Vaticano para a dupla Anemone e Balducci. Sem saber que estava na mira das investigações, Camaldo, quando da prisão preventiva de Balducci, deu declarações à imprensa: “ É uma pessoa de absoluta transparência moral, conhecida e estimada no Vaticano”.
–8. O monsenhor Biasini, responsável pela direção financeira da Congregazione Missionari del Preziossimo Sangue di Gesù, fez dela, como confessou, um caixa 2 da construtora de Anemone.
–9. Um novo filão de apurações começará em breve, segundo vazado da procuradoria de Perúgia. Trata-se de suspeita de roubalheira no Ano Jubilar, onde o Estado italiano e a Igreja mantiveram parceria.
Fonte: Walter Maierovitch
Nota da casa: A "capivara" do Vaticano está aumentando: de omissão e negligência (para não falar coisa pior) com os casos de pedofilia, passa para lavagem de dinheiro, corrupção, concussão, prevaricação.

Na falta de razão, histeria

A histeria pública quando há uma ocorrência policial envolvendo outras práticas e crenças que não as cristãs chegou até a Veja.
As razões do mal
A procuradora Vera Lúcia, acusada de torturar a menina que pretendia adotar, tenta justificar sua crueldade culpando a criança. Uma testemunha afirma que ela também batia na mãe. Como uma bruxa má, não demonstra nenhum arrependimento e sua lógica é a da desrazão.
Os contos de fadas, cujos heróis enfrentam bruxas malvadas e lobos maus, inevitavelmente acabam bem. São uma forma de as crianças encararem e exorcizarem seus medos e angústias, dizem os psicanalistas. Mas, só no Brasil, há milhares de meninos e meninas que descobrem, desde muito cedo, que bruxas malvadas e lobos maus podem existir de verdade - e, pior, habitar a casa onde eles moram. A procuradora aposentada Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes, de 66 anos, é uma dessas bruxas malvadas de carne e osso. Presa de número 323 010 do Complexo Penitenciário de Bangu, no Rio de Janeiro, ela se entregou à polícia depois de passar oito dias foragida, acusada de torturar com frieza e fúria uma menina de 2 anos que estava sob sua guarda. Na semana passada, Vera Lúcia falou a VEJA. Estava vestida com o uniforme das presidiárias - blusa branca de malha, calça azul e chinelos de dedo -, tinha o cabelo pintado de loiro em desalinho e as unhas cor de vinho. Com os olhos fixos e a voz exaltada, ela negou a série de maus-tratos de que é acusada de infligir a T.E., a menina que estava prestes a adotar - mas assumiu sem nenhum fio de remorso a humilhação a que submeteu a criança. "Chamei a garota de cachorra mesmo", afirmou. E acrescentou: "Mas chamar alguém de cachorro não é ofensa. Os cães são mais amigos e leais do que muito ser humano por aí". Durante os 29 dias em que a pequena T.E. ficou sob os seus cuidados provisórios (os papéis para formalizar a adoção estavam correndo na Justiça), a procuradora a manteve trancafiada em um quarto. T.E., afirmam testemunhas, era alvo de xingamentos constantes e recebeu tantas surras que mal conseguia abrir os olhos, de tão inchados. Foi nesse estado que representantes do conselho tutelar a encontraram quando foram à casa de Vera Lúcia, movidos por uma denúncia anônima. T.E. passou três dias no hospital para tratar dos ferimentos. Hoje, de volta ao abrigo de menores onde vivia, ela pouco come e quase não fala. Quando um estranho chega perto, assusta-se e foge.
O que faz alguém ser capaz de cometer tamanha brutalidade? E, sobretudo, o que faz alguém capaz de tal brutalidade querer adotar uma criança? A monstruosidade da procuradora é identificada por especialistas como típica dos psicopatas. Eles são capazes de entender intelectualmente a diferença entre o bem e o mal, mas não demonstram ter aquelas emoções que estão na base do senso moral das pessoas - como ilustra o caso de Vera Lúcia. "Ela não se compadece da dor alheia, não dá sinais de arrependimento e parecia ter prazer em subjugar a menina", afirma o psiquiatra Joel Birman. Vários episódios na biografia da procuradora revelam essa agressividade. Uma amiga da família de Vera Lúcia contou que, certa vez, recebeu a visita da mãe da procuradora, Maria de Lourdes, que viveu com a filha até morrer, em 2004. Segundo essa amiga, Maria de Lourdes confidenciou-lhe que, quando se enfurecia, Vera Lúcia lhe dava "uns tapas". "Fiquei em choque", disse a mulher a VEJA. Em delegacias do Rio, há registro de quinze boletins de ocorrência envolvendo a procuradora. Um dos casos ocorreu em 2008, ano em que ela estava às voltas com outro processo de adoção. Durante uma das visitas ao bebê, soube que a mãe havia desistido de entregá-lo (quatro anos antes, sua primeira tentativa de adoção tivera o mesmo desfecho). Raivosa, arrancou do recém-nascido as roupas que havia comprado. Não satisfeita, fez denúncia caluniosa contra a mulher, a quem acusava de querer vender a criança. A delegada que colheu seu depoimento, Maria Aparecida Mallet, lembra: "Ela agia de forma prepotente e tentava me intimidar: ‘Sabe que eu sou procuradora do estado?’".
Proveniente de uma família do subúrbio carioca, filha de um médico e de uma dona de casa, Vera Lúcia nunca manteve laços estreitos com os parentes, tampouco com seus ex-colegas no Ministério Público Estadual, onde trabalhou durante quinze anos. "Era muito competitiva, dada a picuinhas, e se achava a dona da verdade. Ninguém queria ficar perto dela", resume um ex-chefe. Depois que se aposentou, doze anos atrás, a procuradora passou a preencher o tempo com os animais de estimação (tem um poodle e dois gatos siameses), viagens de cruzeiro para o Nordeste e o tarô, que costumava jogar na internet para colegas de comunidades virtuais chamadas, nem tão ironicamente no seu caso, Caldeirão, Vassoura e Intuição e Magia Prática. Na denúncia contra ela encaminhada à Justiça consta a suspeita de que faria parte de uma seita satânica. Uma testemunha conta que viu, em seu apartamento de 200 metros quadrados, no bairro de Ipanema, Zona Sul da cidade, vodus e bonecos com rosto desfigurado, ladeados por imagens de Buda e uma coleção de 150 baralhos de tarô. Era ali que a procuradora costumava ficar reclusa. Diz o seu sobrinho Carlos Ariosto: "Ela é tão fechada que não chegou nem a apresentar à família a menina que iria adotar".
Casada duas vezes (uma delas com seu atual advogado, Jair Leite Pereira), Vera Lúcia optou por não ter filhos. Mas de seis anos para cá andava obcecada pela ideia de adotar uma criança. Chegou a escrever, no Orkut, a uma comunidade que reúne pretendentes à adoção: "Quero finalmente formar a família que nunca tive". Seu objetivo declarado era ter a quem deixar sua pensão como procuradora, hoje de 23 000 reais, e os bens, entre os quais uma casa debruçada sobre a valorizada Praia de Geribá, em Búzios. Esse tipo de argumento normalmente desqualifica o candidato à adoção por não traduzir um desejo genuíno de maternidade. Mas não é o único dado absurdo no processo que levou a procuradora a obter a guarda de T.E. A autorização do estado para que alguém com evidentes problemas psicológicos acolhesse uma criança em casa expõe as fragilidades da lei de adoção no Brasil - tanto a antiga, que vigorava quando Vera Lúcia conseguiu a autorização para adotar, quanto a atual.
Desde o dia em que chegou à casa da procuradora, no último 17 de março, T.E., a quem Vera Lúcia chamava de Bia, foi alvo de sua ira - segundo relatam as empregadas. "A patroa tapava o nariz da menina e enfiava a comida com a mão dentro de sua boca. Puxava o cabelo dela e a fazia bater a cabeça numa mesa de mármore com toda a força", conta Luzia de Almeida. Aos berros, Vera Lúcia ainda xingava: "Prefiro mil vezes meus bichos a você, sua sem-vergonha. Você é safada igual à sua mãe". A mãe de T.E., que vive de bicos no Rio, teve a menina com um italiano que nunca a registrou como filha. Abandonou-a por duas vezes, mas hoje, sem se identificar, afirma: "Quero reaver a guarda da minha filha". O quadro da menina preocupa os especialistas que a acompanham. Foram tantas as pancadas na cabeça que não se sabe se haverá sequelas neurológicas. Por decisão da Justiça, Vera Lúcia terá de custear o tratamento psicológico de T.E. e lhe pagar uma pensão mensal equivalente a 10% de seus rendimentos enquanto viver. Apesar da bruxa processada, não é um final de conto de fadas.
Fonte: Veja
Nota da casa [enviada por email à Veja]: Uma notícia que devia informar as pessoas não pode ser usada para atacar ou denegrir uma religão nem uma prática espiritual.
Eu repudio totalmente a reportagem da Veja que comprou a histeria e a paranóia que sempre invadem as notícias locais quando, em uma ocorrência policial, encontram-se ferramentas, imagens ou símbolos que podem ser de qualquer tipo de prática espiritual ou religião, mas logo presume-se que haja alguma "seita satânica" ou "rituais de magia negra" e que a suspeita só pode ser uma "bruxa".
Não, caros sres da Veja, a procuradora aposentada, Vera Lúcia, pode ser muita coisa. Ela pode ser espírita, ela pode ser católica, ela pode gostar de ocultismo e esoterismo - tanto que participa de comunidades do orkut com esse tema - mas ela nunca será uma bruxa. A bruxa não é esta figura maligna estereotipada pelo preconceito social e pela Igreja. A bruxa é uma mulher que segue as velhas crenças pré-cristãs, crenças ligadas aos ciclos da natureza e que, portanto, prezavam a vida.
Eu peço as sres que se atenham aos fatos - que a sra Vera Lucia demonstra ter um distúrbio de personalidade - a pessoa dela. Se os sres vão vincular o comportamento dela com os crimes que ela está sendo acusada, então devem falar que ela maltratou a criança por ser católica, por ser espírita, ou outra coisa qualquer. Se isto não é verdadeiro, então não é verdadeiro vincular o crime dela com a insinuação de que ela é bruxa. Nós, Pagãos, Bruxos e Wiccanos, tivemos histeria e paranóia pública suficiente com a Caça às Bruxas do século XIV ao século XVI. Nós estamos no século XIX, onde felizmente nos é dado o respaldo constitucional para termos o direito e a liberdade religiosa, o qual é infringido pela reportagem dos sres, ao divulgar uma informação que irá fomentar o preconceito, a discriminação e a intolerância.
Que se puna a criminosa, dentro dos trâmites legais e jurídicos. Mais que isso, é um desserviço, não é notícia nem trabalho da Imprensa, mas de terrorismo.

sábado, 22 de maio de 2010

A raiz da homofobia na África

Grupos de evangelistas americanos contribuem para fomentar a homofobia nos países africanos, segundo religiosos de outras denominações cristãs.
O reverendo Kapya Kaoma, um anglicano da Zâmbia que dirige o projeto da fundação progressista americana "Political Reseach Associates", denunciou hoje ao jornal britânico "The Times".
Após entrevistar durante 16 meses dezenas de pessoas em Uganda, Quênia e Nigéria, o sacerdote concluiu que a intolerância dos africanos aos gays é em parte importada dos Estados Unidos.
"Com ajuda de suas amplas redes de comunicações na África, os projetos de bem-estar social, as escolas bíblicas e os professores, os conservadores americanos advertem dos riscos que representam os homossexuais e se apresentam como representantes do evangelismo desse país", assinala Kaoma em seu relatório.
"Não discutimos o fato de que parte do dinheiro enviado à África (os evangelistas) tenha fins louváveis, mas nos preocupa o doutrinamento de uma ideologia conservadora dos que recebem essas ajudas", declarou o sacerdote anglicano ao jornal "The Times".
O resultado pode ser visto, por exemplo, no Malauí, onde nesta semana um casal foi condenado a 14 anos de prisão e trabalhos forçados, e em outros países do continente, onde gays e lésbicas estão cada vez mais expostos a ira popular.
Fonte: Noticias Terra
Nota da casa: Isto foi denunciado anteriormente por este pagão que vos escreve, no blog blasfêmeas, no tópico "Lei que pune homossexuais pode ter envolvimento de igrejas protestantes".

Mulher é ordenada pela primeira vez na Itália

A italiana Maria Longhitano, 35 anos, professora e casada, se tornou neste sábado a primeira mulher sacerdote na Itália a ser ordenada em Roma pela Igreja Vétero Católica - um movimento católico independente não reconhecido pelo Vaticano - vinculada à anglicana.
Longhitano foi ordenada sacerdote durante uma cerimônia na Igreja Anglicana, no centro da capital italiana, e agora poderá abençoar e rezar missa na paróquia Jesus de Nazaré, em Milão.
"É um ato importante que rompe com tradições milenares", assinalou o sacerdote vétero-católico que oficiou a posse, destacando o trabalho da nova sacerdotisa em Milão "em favor dos doentes, das crianças e dos necessitados".
Longhitano afirmou que é consciente que "abriu um novo caminho", embora tenha destacado que "foi um percurso de emoção e medo" e comentou que "sem as mulheres, o catolicismo, que quer dizer universalidade, fica mutilado".
A sacedorte criticou a proibição da Igreja Católica de ordenar mulheres.
Maria Longhitano se tornou neste sábado a primeira mulher na Itália a ser ordenada pela Igreja Vétero Católica.
Fonte: Noticias Terra
Nota da casa: A nomenclatura correta é "sacerdotisa" para uma mulher que recebe o ministério religioso. Este pagão que vos escreve deseja boa sorte para esta sacerdotisa e espera que isso se torne regra em toda forma de Cristianismo e Monoteísmo.

Misoginia estatal

Os brimos dizem que o Islã é uma religião de paz, de amor e que respeita a mulher e os direitos humanos. Quem não te conhece que te compre.
A vida da atriz iraniana Kiana Firouz virou filme e ele estreia hoje, em Londres. Cul-de-Sac, dirigido por Ramin Goudarzi Nejad e Mahshad Torkan, traz a jovem no papel central do longa autobiográfico que narra sua luta contra a deportação para o Irã, país em que a homossexualidade é um crime que pode levar à pena de morte.
Segundo o The Australian, sua luta na vida real começou em Teerã, quando agentes da Inteligência iraniana começaram a persegui-la e intimidá-la, fazendo com que ela fugisse para a Grã-Bretanha, onde vive atualmente.
Firouz pediu asilo, mas teve seu pedido negado pelo Home Office, departamento encarregado das questões relacionadas à imigração. O argumento foi o de que, uma vez no país, ela poderia esconder sua orientação sexual.
Ela entrou com recurso mas, se o direito de asilo não for concedido, a atriz será deportada para o Irã, onde será torturada e, provavelmente, morta. Especialmente agora que, devido à publicidade em torno do filme, o fato de ser lésbica não será mais um segredo.
"Ela pode ser executada não só por ser lésbica, mas por envergonhar o Regime", comentou Paul Canning, editor de um site que luta pelos direitos dos homossexuais.
"Fioruz estará em extremo perigo, não apenas porque é assumidamente lésbica, mas porque o filme mostra as autoridades iranianas de forma negativa. Eles irão fazer dela um exemplo", disse um de seus representantes.
Em uma visita aos Estados Unidos, em 2007, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, declarou que não existe homossexualidade no pais. As autoridades locais certamente fazem o possível para reprimir os gays.
A punição para as lésbicas que se envolvem em um relacionamento consensual é de 100 chibatadas. Uma mulher pode ser punida até três vezes sendo que, depois da quarta, segundo a lei, ela é condenada por não ter se arrependido. Ela é, então, executada. Homens homossexuais são condenados à morte e executados.
Fonte: Cinema em Cena

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cão e raposa ficam amigos na Inglaterra

Uma notícia para calar os defensores da "estirpe" e sua loucura racista.
Apesar de 'rivalidade' instintiva, filhotes se deram bem em centro veterinário na Cornualha.
Um filhote de cão e um filhote de raposa se tornaram "bons amigos" em um centro veterinário na Cornualha, no oeste da Inglaterra.
Copper, a raposinha, foi levada para o centro diagnosticada com exaustão, depois de ter sido ouvida chorando por dois dias. Jack, o cão lurcher de um ano de idade, pertence ao gerente do centro, Gary Zammit.
Gary diz que, se não souber que os dois animais são amigos, qualquer pessoa vai achar que estão brigando. "É realmente horrendo", ele diz. "Mas eles só brincam de brigar. É sem maldade."
A dupla virou uma atração no centro veterinário de Portreath, mas Gary acha que Jack é o único cão com quem Copper pode se dar bem. O instinto dos cachorros é atacar as raposas, ele diz.
Tanto é que, na hora de levar Copper para passear, o jeito mais seguro é ficar dentro de um cercado - sem correr o risco de dar de cara com outros cães passeando sem coleira.[G1]
Biologicamente, o cão e a raposa são da mesma família, os canídeos e mesmo assim conseguem conviver.
Um bom exemplo para nós, humanos, que ainda tentamos dividir a nossa espécie em "raças", como se houvesse tal distinção, ou pior, como se um indivíduo pudesse ser qualificado de acordo com sua "raça".
Essa ilusão quanto à própria origem e identidade que ignora a história humana parte de grupos que defendem os ideais da direita política que, frequentemente, são a base da Tirania, da Ditadura, do Nazismo e do Fascismo.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cientistas criticam Estatuto do Nascituro

Cientistas e pesquisadores ligados à Academia Brasileira de Ciência (ABC), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Federação de Sociedades de Biologia Experimental criticaram hoje (13) o projeto que cria o Estatuto do Nascituro.
Um nascituro é o ser humano concebido, mas que ainda não nasceu. Ainda não tem personalidade jurídica, mas já é protegido pelo Código Civil. De acordo com a proposta, que foi discutida hoje (13) em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, será proibida a manipulação, o congelamento, o descarte e o comércio de embriões humanos. O Estatuto do Nascituro também retira do Código Penal a possibilidade de se fazer aborto em caso de estupro.
Para professora de Genética Humana da USP, Mayana Zatz, o projeto é um equívoco. “A começar pelo parágrafo único do Artigo 1º que inclui como seres humanos aqueles produzidos através de clonagem. Se eles não sabem, a clonagem é proibida não somente no Brasil, mas em todo o mundo”. Com o projeto em mãos os cientistas se mostraram surpresos com as propostas do estatuto.
O presidente do Centro de Estudos do Genoma Humano da USP, Jorge Forbes, afirmou que à primeira vista o projeto é recheado de questões éticas que deverão ser discutidas.
Segundo ele, ao mesmo tempo em que no Brasil ainda se discute o direito ao aborto do anencéfalo, o projeto prevê que o nascituro deficiente terá à sua disposição todos os meios terapêuticos e profiláticos existentes para prevenir, reparar ou minimizar suas deficiências, haja ou não expectativa de sobrevida extra-uterina.
“Será que amanhã, quando for possível, teremos também discussão sobre a possibilidade de transplante de cérebro em um feto?”, indagou.
Outro aspecto criticado por Jorge Forbes foi a concessão de uma pensão alimentícia, no valor de um salário mínimo, ao nascituro concebido em ato de violência sexual. “Imagino o que essa bolsa estupro pode gerar. Como será difícil legislar sobre esse quesito! E quantas pessoas vão dizer que são filhos de estupro para poder ganhar uma bolsa a mais”, avaliou.
Forbes, que informou não ter conhecimento aprofundado sobre o projeto, acrescentou que será necessário que os deputados ouçam os especialistas, já que estão envolvidas no projeto várias questões éticas provenientes dos avanços da ciência.
Ele sugeriu que os deputados chamem para as discussões que serão realizadas durante a tramitação do projeto especialistas em ética e a população em geral.
Autora: Débora Xavier [notícia de 14 dezembro de 2007, mas ainda atual]
Fonte: Forum de Direitos Humanos

Criminalização do aborto não é a solução

Está em curso no Brasil uma ofensiva conservadora e hipócrita que tem como objetivo fazer retroceder direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.
Esta estratégia, intensificada desde os anos 90, teve seu ponto de destaque em 2007 com o caso de Mato Grosso do Sul, no qual, em uma ação concertada entre Rede Globo, Ministério Público e Polícia, uma clínica de planejamento familiar foi invadida sob acusação de realizar abortos clandestinos. Ao não encontrarem provas materiais que comprovassem a prática de aborto, foram apreendidas sem ordem judicial 10 mil prontuários médicos, num flagrante desrespeito ao sigilo médico. Milhares de mulheres tiveram seu direito à privacidade violado, com seus nomes publicados no site do tribunal, como “investigadas por aborto”. Do total de acusadas, 70 mulheres foram condenadas (mesmo sem provas) a penas alternativas consideradas pedagógicas – cuidarem de crianças em creches – e forçadas a fazer um acordo para evitar a exposição pública. É acintoso o extremo esforço nesta ação criminalizante em um Estado no qual o acesso a serviços de saúde é insuficiente, principalmente para os casos de aborto previsto em lei, e as taxas de mortalidade e morbidade por aborto inseguro são altas.
No final de 2008, estes mesmos setores liderados por deputados conservadores e reacionários, como o presidente da Frente Parlamentar pela Vida e Contra o Aborto, Luiz Bassuma, criaram uma CPI do Aborto, alegando intenção de investigar o comércio clandestino de medicamentos abortivos. Mas o objetivo real da CPI é intensificar a perseguição e criminalização das mulheres (pretende efetivamente indiciá-las e prendê-las).
O movimento feminista reagiu, criando ainda em 2008 a Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, que envolveu não somente os movimentos de mulheres, mas vastos setores dos movimentos sociais, articulados para denunciar as tentativas de retrocessos aos direitos das mulheres no Congresso Nacional e a onda de criminalização das mulheres na sociedade.
A CPI não foi implementada, mas parlamentares reacionários e machistas seguem se articulando para sua efetivação, indicando nomes para a Comissão – que precisa de 13 titulares para entrar em funcionamento – além de utilizarem instrumentos “paralelos” como propaganda com informações enganosas e negociações para influenciar o processo eleitoral. Paralelamente, projetos de leis retrógrados contrários ao direito ao aborto, propostos entre 2007 e 2009, tramitam no Congresso, sob forte pressão para votação. Entre eles, há um que reivindica a criação de um Estatuto do Nascituro – (que, se aprovado, impedirá a realização de abortos até em casos de estupro), um que defende a obrigatoriedade do cadastramento de gestante, no momento da constatação da gravidez e outro que prevê a criação de casas de apoio à adolescentes grávidas.
No início do ano de 2010 ocorrem novos fatos que se demonstram mais ataques à democracia. Não bastasse a assinatura da Concordata Brasil-Vaticano – que estabelece um estatuto da Igreja Católica no país, desrespeitando a condição laica do Estado – setores da direita, entre eles integrantes da Igreja Católica, ruralistas e defensores da ditadura militar atacaram frontalmente o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3). Dentre os temas criticados por estes setores está o apoio a revisão da legislação punitiva do aborto . O plano, construído a partir de Conferências públicas, ou seja, da participação popular, foi totalmente desqualificado por estes grupos que querem impor o retrocesso de direitos, a subordinação e controle sobre o corpo e a vida das mulheres.
Neste momento ainda estamos estarrecidas com o desfecho do caso MS: em um caso sem precedentes no Brasil, as profissionais que trabalhavam na clínica (3 auxiliares de enfermagem e uma psicóloga) foram a júri popular no início de abril e condenadas sem nenhuma prova, sendo três em regime semi-aberto e uma em regime aberto, com penas entre um e sete anos. Não podemos nos esquecer de Neide Mota, a médica dona da clínica (mulher polêmica e que sempre denunciou a hipocrisia sobre o tema aborto), que também iria a júri popular, contudo foi encontrada morta no final de 2009 – suicídio, de acordo com a investigação policial.
Este caso foi um exemplo do que as forças reacionárias estão orquestrando para desencadear no Brasil mais perseguição e punição para as mulheres que recorrem ao aborto e aquelas que as ajudam. Sabemos que esta criminalização não irá eliminar a prática do aborto. Pelo contrário, as mulheres – fundamentalmente as pobres, jovens e negras, que não têm condições de pagar por um aborto clandestino seguro, continuarão fazendo abortos de forma insegura, colocando suas vidas em risco.
É chocante a capacidade do poder público em ao mesmo tempo continuar criminalizando a prática do aborto e ignorando o grave problema de saúde pública e de violação de direitos humanos das mulheres que é a ocorrência de cerca de 1 milhão de abortos inseguros anualmente no país, dos quais cerca de 250 mil com complicações que levam as mulheres a recorrerem ao SUS, e que fazem do aborto uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil.
Do ponto de vista da democracia, o caso do Mato Grosso do Sul coloca o Brasil como um país que sistematicamente viola os direitos das mulheres, não cumpre com tratados e convenções internacionais dos quais é signatário, bem como desrespeita conferências nacionais que resguardam os direitos das mulheres nesta área.
Exigimos dos poderes da República o cumprimento aos Tratados Internacionais dos quais o Brasil é signatário, que reconhecem os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres como direitos humanos indivisíveis dos demais direitos e recomendam a revisão da legislação punitiva ao aborto no país, e a observância das resoluções das Conferências Nacionais de Políticas para Mulheres que colocam a discriminalização e a legalização do aborto como um direito a ser assegurado às mulheres.
Apontamos a urgência de que o governo Brasileiro realize, através da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Secretaria de Direitos Humanos e outros competentes, uma campanha educativa que defenda a garantia dos direitos à saúde e autonomia reprodutiva das mulheres. É imprescindível que esta campanha, que contribuiria na resolução do problema do aborto no país, paute-se nos direitos humanos das mulheres, e não em sua criminalização.
Exigimos que o governo, através do Ministério da Saúde e outros competentes, garanta e promova direitos já constituídos às mulheres do país, como o pleno acesso a métodos contraceptivos e efetivo oferecimento serviço de aborto legal – se atendidos, poderiam contribuir na diminuição do número de gravidezes indesejadas e, consequentemente, de abortos clandestinos.
Defendemos o PNDH 3, nas suas resoluções democraticamente decidas através da participação popular, em relação à defesa de revisão da lei punitiva do aborto , a criação da comissão de verdade e justiça, o direito à terra e os direitos das pessoas homossexuais.
Somos contra a colocação da CPI do Aborto em funcionamento, por significar somente reforço à criminalização contra as mulheres e não significar nenhuma perspectiva de resolução do problema do aborto.
Somos contra a aprovação de projetos de lei desrespeitem, ignorem ou visem retroceder os direitos à saúde e autonomia reprodutiva das mulheres.
Ressaltamos nossa defesa ao direito à vida e à saúde das mulheres brasileiras, e nossa posição firmemente contrária ao tratamento punitivo criminal dado à questão do aborto, que não só não é eficaz para diminuir o número de abortos, como também empurra as mulheres para a realizá-lo inseguramente na clandestinidade.
Reafirmamos nosso compromisso com a defesa radical das lutas sociais protagonizadas pelas mulheres e movimentos sociais e nosso compromisso com a construção de um Brasil justo e democrático com igualdade e liberdade para as mulheres.
Nenhuma mulher deve ser presa, maltratada ou humilhada por ter feito aborto ! Dignidade, autonomia, cidadania para as mulheres! Pela não criminalização das mulheres e pela legalização do aborto !
Fonte: Aborto em Debate