Se Dilma Rousseff perder a eleição por causa do aborto será um vexame. Um vexame para o Brasil.
Muitas críticas legítimas podem ser feitas – e têm sido feitas – à candidata do PT. Mas levar sua frase a favor da descriminalização do aborto para o centro do debate sucessório é casuísmo rasteiro. É desonesto.
Há várias razões para se considerar a hipótese de um governo Dilma arriscada e problemática. Elas têm sido expostas fartamente na campanha. Se o eleitorado será ou não sensível a elas, é problema do eleitorado.
Mas, definitivamente, não é a posição de Dilma sobre o aborto que fará dela uma boa ou má presidente.
Se os métodos políticos da candidata de Lula são condenáveis, a pegadinha do aborto iguala os críticos de Dilma ao que deploram nela. É jogo sujo.
O PT já cansou a beleza do Brasil com o politicamente correto como fachada do administrativamente incorreto – os fins nobres justificando os meios torpes.
A oposição, pelo visto, quer aderir ao lema, com sua evangelização eleitoral. É o caixa dois da moralidade.
Não há absurdo algum no que Dilma Rousseff declarou sobre o aborto. Trata-se de um assunto complexo, grave, que não está resolvido em lugar algum do mundo. Nem os filósofos deram, até hoje, uma boa resposta para o drama da gravidez indesejada.
A única certeza é que o Brasil o trata com proverbial hipocrisia. A ponto de uma candidata a presidente ter que fugir dele para não perder uma eleição. Chocante.
No debate da TV Bandeirantes, a candidata do PT voltou ao fetiche da privatização, com uma mistificação bizarra sobre uma suposta entrega do pré-sal aos estrangeiros. Táticas desse tipo precisam ser desmascaradas.
Mas os que carimbam Dilma como a candidata do aborto não têm autoridade para tal. Estão todos irmanados na fraude.
Autor: Guilherme Fiuza
Fonte: Epoca
Nota da casa: Com a confirmação do segundo turno para o cargo de presidente, os candidatos tem se preocupado em transmitir uma fachada "religiosa" [entenda-se católica], defendendo os princípios "cristãos" [entenda-se a Igreja], a favor da vida, da família e dos "valores" brasileiros [entenda-se a moral dissimulada e hipócrita da Igreja]. Nós não podemos ser ingênous e achar que o Brasil pode realmente ser um país laico, com candidatos transmitindo mensagens católicas/cristãs em sua propaganda política, com candidatos visitando tanto templos católicos quanto afro-brasileiros, com candidatos fazendo conchavos políticos tanto com a Igreja quanto com os Evangélicos. Nem podemos sonhar com igualdade de direitos, ou respeito à diversidade religiosa, enquanto tivermos apenas feriados religiosos ligados à Igreja Católica.
2 comentários:
Reafirmo o q disse sobre a questão da liberdade de culto o fundamentalismo lá em baixo...
Agora o q se passa aqui, nas eleições é o medo de uma derrota histórica e misoginia explicita...
por isso eles, marketeiros de campanha apelam ao mais baixo nível...
kkkkkkkkkkkkkk...
Dilma lá!!!
não q eu acredite na políica, apenas não a ignoro...
Mudemos o Homem e assim mudamos a política...
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