domingo, 1 de agosto de 2010

Urna eleitoral não é paróquia

Parece que finalmente o Brasil e os brasileiros estão acordando para o ano eleitoral, da pior forma possivel, com os mesmos candidatos mostrando todo seu cinismo e a mesma estratégia de acusação mútua para ganhar votos.
Hoje, que para os pagãos do mundo inteiro é um dia sagrado, onde alguns celebram Lugnadass e outros celebram Imbolc, chega a este pagão a notícia que o atual pleito eleitoral está em vias de se transformar em uma "Guerra Santa".
Entre católicos ou evangélicos, a representatividade política sempre foi considerada uma meta para a Igreja. Às vésperas das eleições, a pretensão de fazer nomes no Parlamento incentiva as forças religiosas a prepararem seus rebanhos para a disputa de assentos no Congresso Nacional e na Câmara Legislativa. Como consequência do vertiginoso crescimento de congregações evangélicas, esse segmento tem conquistado a cada eleição mais espaço nas tribunas políticas, expansão natural num meio em que a cada dez fiéis, três não aceitam votar em concorrentes não-evangélicos, como revela pesquisa obtida pelo Correio. A Igreja Católica, por sua vez, tentará reagir em 2010 à expansão dos irmãos de fé. Pela primeira vez, vai promover cursos de formação no período eleitoral incentivando seus devotos a votarem em concorrentes cujo perfil será doutrinado por lideranças religiosas.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dão conta de que há na capital da República perto de 1,187 milhão de evangélicos distribuídos em 4,7 mil templos dos mais diversos ministérios. O cruzamento da estimativa com a informação de que 30% dessa comunidade dá preferência aos candidatos da igreja produz um resultado importante. Se de fato os fiéis reservam seus votos a concorrentes praticantes, como informa pesquisa realizada pelo Instituto Parlamento & Pesquisa, significa que o segmento tem de largada uma reserva de potenciais eleitores da ordem de 356,1 mil pessoas.
No meio evangélico, a orientação política não é considerada tabu. Em geral, as lideranças dessas igrejas não têm reservas quanto à rotina de pregação com vistas a melhorar a performance da congregação nas urnas. A naturalidade em lidar com o assunto facilita ao grupo atingir suas metas de representatividade no meio político. Líder da igreja Sara Nossa Terra — que no Brasil e no exterior tem perto de mil templos e, em Brasília, 72 igrejas com frequência mensal de 45 mil pessoas —, o Bispo Robson Rodovalho (PP) não teve dificuldades em se eleger deputado federal em 2006, primeira vez que tentou cargo eletivo. Alcançou, na época, 68,7 mil votos. Tinha pretensões de se lançar ao Senado este ano, mas para atender ao grupo que o apoia, será candidato à reeleição. “A participação política é primordial para o segmento religioso, que trabalha com bandeiras e valores sociais. É no parlamento que os rumos da sociedade são traçados e a Igreja, que defende valores e princípios, precisa estar representada nesse meio para influenciar a tomada de decisões”, considera o bispo-deputado.
Ele alega que os cultos não são usados como palanques para campanha, mas admite que o trabalho é feito corpo a corpo entre os fiéis. “Usamos o princípio da orientação pessoal da comunidade evangélica. Os líderes conversam com as pessoas de sua convivência, mostrando a realidade política e social”, diz Rodovalho. A estratégia tem apresentado resultados. Na Câmara Legislativa, por exemplo, quatro representantes evangélicos tiveram voz no parlamento local.[Correio Brasiliense]
No Brasil, a campanha eleitoral deste ano para presidente, governadores dos Estados, senadores e deputados federais e estaduais virou ‘guerra santa’ entre as igrejas católica e protestante, quanto ao apoio ou não à candidata indicada e apadrinhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff.
No Brasil, os protestantes se auto-denominam evangélicos, mas existe milhares de denominações e ramificações, entre elas outras milhares de seitas fanáticas, cujos líderes (bispos, pastores, apóstolos, missionários, obreiros, e outras patentes hierarquias) figuram diariamente no noticiário policial da imprensa nacional e respondem a um assustador volume de processos criminais e civis na Justiça.
Desde a sua fundação, em 1982, o PT, partido do presidente Lula e de Dilma Rousseff, uso a Igreja Católica como uma espécie de ‘muleta’ política para chegar ao poder em 2002, elegendo Lula presidente da República.
Alastradas por todo o território nacional, as poderosas comunidades eclesiais de bases da Igreja Católica foram as grandes e decisivas formadoras de opinião política usadas pelo presidente Lula para seduzir o eleitorado dos grandes bolsões de pobreza das regiões metropolitanas e do decisivo colégio eleitoral do Nordeste do país e se eleger presidente da República, duas vezes.
No poder, políticos do PT, partido do presidente Lula e de Dilma Rousseff, de caçadores de corruptos passaram a ser caçados, dia e noite, e se tornaram alvos de denúncias diárias da imprensa por conta de escândalos de corrupção e acusação de desvio de dinheiro público.
Acusada de responsável pela ascensão do PT e do presidente Lula ao poder no Brasil, a Igreja Católica deu início a uma estratégica retida do cenário político brasileiro, se declarando neutra nos processos eleitorais.
Até então, milhares de igrejas e seitas protestantes/evangélicas brasileiras, que sempre se postaram contra o PT e o presidente Lula, acusando-os de inimigos do evangelismo, optou por não emitir opiniões políticas, e trabalhar nas suas bases para eleger seus representantes no Congresso Nacional, Assembléias Legislativas Estaduais, e até dois governadores, Anthony Garotinho e sua mulher, Rosinha, no Rio de Janeiro.[Pravda]
O Brasil é um Estado laico apenas no papel. O eleitorado, o cidadão, o brasileiro, terá suas convicções, suas crenças e descrenças. Isto reflete e influi na decisão do voto e na posição política. Mas daí a querer transformar a paróquia ou a comunidade em curral eleitoral não dá, é desonesto, é criminoso. Eu espero que o TRE aja com rigor e fiscalize os padres e os pastores para que não ocorra o mesmo que aconteceu com a candidata Dilma Roussef, contra quem, o bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, anunciou um boicote e instou aos católicos para não votarem nela, pela postura da candidata e do partido em relação ao aborto.

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