De 04 até 08 de Agosto, em Paraty, Rio de Janeiro, acontece a Flip [Festa Literária Internacional de Paraty].
Um dos convidados é ninguém menos que Robert Crumb.
Dizer que Robert Crumb é o maior desenhista do Underground seria pouco, ele é o "pai", o mentor e o papa de muitos quadrinistas brasileiros.
Dono de uma técnica, imaginação e talento inimitáveis e invejáveis, Crumb manteve sua identidade e personalidade, mesmo depois de tantos anos e não dispensou seu humor ácido nem o seu comportamento construído na Contracultura da década de 60, século XX, da Imprensa, ao demonstrar seu incômodo pelo tratamento de celebridade que recebeu ao chegar na Flip.
Crumb aparentemente ainda não compreende muito bem a dimensão que sua obra ganhou. Autor de personagens clássicos, como Fritz, The Cat e Mr. Natural, também empresta seus talentos para a revista New Yorker e projetos especiais, como uma biografia em quadrinhos de Franz Kafka e sua recente adaptação do Gênesis bíblico para uma HQ. “Quando comecei, meu trabalho não valia nada. Fiquei surpreso quando começou a ser valorizado. Acho muito bizarro quando vejo meu trabalho pendurado numa galeria.”
A participação na Flip, uma festa literária, é encarada da mesma forma. “Também acho bizarro, porque minha cabeça continua encarando os quadrinhos como uma coisa inferior. Me assusta que as HQs agora estejam sendo levadas a sério. Elas se tornaram um produto economicamente viável para as editoras, e é por isso que estamos aqui.” Shelton faz a relação com a literatura de uma forma muito mais direta, já que o texto, para ele e Crumb, é a alma dos quadrinhos. “A história é que conta. Se o desenho for ruim e a história boa, funciona, e não o contrário.”
Avesso a entrevistas (e, segundo a mulher, a aeroportos, seguranças, câmeras, novas tecnologias, e por aí vai), Crumb disse que gostaria de ter vindo completamente anônimo, sem ser o centro das atenções. “Gosto de estudar, não de ser estudado.”[Ultimo Segundo]
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