A decisão, comunicada numa carta do Papa João Paulo II, deu ao cardeal Ratzinger, agora Papa Bento XVI, a reputação de ser a representante do Vaticano que mais reconhecia a ameaça de disseminação de escândalos de abuso sexual para a Igreja Católica.
Segundo o jornal "New York Times", o Vaticano só agiu após bispos de países de língua inglesa se mostrarem tão preocupados com a resistência dos superiores da Igreja que a Santa Sé então convocou uma reunião secreta para ouvir as suas queixas.
E o resultado da reunião, ao contrário do que foi descrito pelo Vaticano, não foi uma ruptura com as práticas do passado. Foi, sobretudo, uma reafirmação tardia da Igreja sobre procedimentos antigos que, ao menos, um bispo que participava da reunião argumentou ter sido ignorado por muito tempo.
O escritório liderado por Ratzinger, da Congregação para a Doutrina da Fé, tinha - de fato - recebido autonomia para lidar com casos de abuso sexual quase 80 anos antes, em 1922, mostram documentos. Mas durante as duas décadas em que Ratzinger foi responsável pelo cargo, o futuro Papa nunca declarou autoridade, fracassando em agir até em casos que comprometiam a credibilidade da Igreja nos Estados Unidos, na Austrália, Irlanda e outros países.
O bispo Geoffrey Robinson, de Sydney, na Austrália, e que participou da reunião secreta em 2000, disse que, apesar de várias advertências, altos funcionários do Vaticano, incluindo Bento XVI, levaram muito mais tempo para acordar para os problemas do abuso do que muitos bispos locais.
"Por que o Vaticano ficou tão distante dos bispos que estavam na linha da frente, que com todas as suas falhas mudaram, se desenvolveram?", questionou Robinson. "Por que o Vaticano ficou tantos anos atrás?"
Obviamente, o cardeal Ratzinger ainda não havia se tornado Papa. João Paulo II, superior de Ratzinger de longa data, muitas vezes considerava as alegações de pedofilia por padres como um ataque de seus inimigos à Igreja. Os defensores dizem que Ratzinger quis, em alguns casos, tomar medidas mais cedo para estancar os prejuízos.
Mas o futuro Papa também fazia parte de uma cultura de não assumir responsabilidade, de negar, e de obstrução total. Mais do que qualquer outro alto funcionário do Vaticano durante o papado de João Paulo II, era Ratzinger que poderia ter tomado uma medida decisiva na década de 1990 para evitar a disseminação do escândalo em vários países, crescendo o escândalo em tais proporções que hoje ameaçam o seu próprio papado.
Fonte: O Globo
Nota da casa: As evidências e indícios vão comprovando que a Igreja é omissa, negligente, senão cúmplice nos casos de abuso sexual de crianças e adolescentes.
APOSTASIA JÁ!
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