quinta-feira, 8 de julho de 2010

Puritanismo e exploração das mulheres

Sempre ouvimos falar do "puritanismo vitoriano" que assolou a Inglaterra e, por sua influência, o resto do mundo durante o século 19, deixando algumas heranças que até hoje persistem e precisam ser extirpadas definitivamente.
As explicações justificantes são as mais diversas. Dizem que surgiu da moral protestante, dos tabus religiosos, e até de fatores sociais e éticos. Mas na verdade o puritanismo foi imposto à sociedade porque era financeiramente interessante para os homens.
Hipocritamente, disfarçados de moralistas, os homens tinham o absoluto controle do dinheiro de suas esposas até por volta de 1870. Filósofos da época como Frederick Engels e John Stuart Mill escreveram sobre o tema, mas foram solenemente ignorados.
Para ficar com o controle do dinheiro de suas espôsas, os pseudos puritanos, acabaram criando milhares de prostitutas baratas, a seu serviço, que se aglomeravam nos bairros pobres da Inglaterra. Alguns ricos senhores acabavam se apaixonando por alguma prostituta e a levava para ser criada de sua fiel esposa.
Foi por essa razão que, por medo de perder dinheiro, os homens tanto se opuseram às conquistas legais femininas no final do Vitorianismo.
Naquela ocasião estava nascendo a profissão médica e os maridos aproveitaram-se da nóva "ciência" para oprimir suas mulheres. Estas passaram a ser consideradas em permanente estado de doença não mortal. Foi quando surgiram expressões como "histeria" e prostração nervosa", que até hoje são usadas.
Com os diagnósticos médicos, os maridos mantinham suas lucrativas esposas presas em seu leito. A menstruação era considerada uma doença e um experto médico da época chamado M.L.Holbrook, não teve escrúpulos ao escrever : " O Todo Poderoso, ao criar a mulher, fez apenas um útero, construindo a mulher ao seu redor".
Ultra moralistas dentro de casa, os homens passavam uma vida de intensa luxúria, reservando poucos momentos de sexo para as verdadeiras esposas.
É muito natural que as mulheres se sentissem sexualmente carentes. É difícil acreditar que, trancadas e ameaçadas, tivessem aventuras secretas com outros homens.
No final do século 20 foi publicado na França o livro da escritora Anne Martin-Fugier com o título de " La Place des Bonnes" - "O Lugar das Criadas" que fala de como as mulheres daquela época resolviam suas carências sexuais.
O livro sugere que além de recorrer à masturbação, as mulheres ricas do século 19 teriam formado o maior contingente homossexual de todos os tempos. Longe dos devassos maridos e incapazes de sequer serem vistas por outros homens, apelavam para o único recurso disponivel: as criadas.
Naquela época era muito comum a vinda de milhares de belas raparigas do meio rural para serem empregadas em casas de ricas senhoras. Estas sonhavam em fazer fortuna e conseguir um marido nas grandes cidades.
A hipocrisia e a exploração é bem antiga, mas ainda persiste.
Autor: Nicéas Romeo Zanchett
Fonte: PURITANISMO E EXPLORAÇÃO DAS MULHERES

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