Os Estados Membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) criaram o Dia Mundial sem Tabaco em 1987 para atrair a atenção do mundo sobre a epidemia do tabagismo, e sobre as doenças e mortes evitáveis a ele relacionadas. Em 1988, a Assembléia Mundial de Saúde aprovou a resolução WHA42.19 determinando que a celebração do Dia Mundial sem Tabaco acontecesse, a cada ano, no dia 31 de maio. Desde então, anualmente, a OMS articula em todo o mundo a comemoração do Dia Mundial sem Tabaco, definindo um tema correlato ao tabagismo, a ser abordado pelos 191 países membros com a finalidade de por em evidência as diferentes interfaces ou problemáticas do consumo de tabaco, e assim engajar diferentes atores sociais no controle do tabagismo.
Desde 1989, o Brasil se engaja nessa ação articulada pela OMS. No Brasil, o Ministério da Saúde através do Instituto Nacional de Câncer e em parceria com as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde já atuantes no Programa Nacional de Controle do Tabagismo e outros Fatores de Risco de Câncer, articula nacionalmente as comemorações dessa campanha.
A forte associação do tabagismo com doenças crônicas graves e fatais e a expansão do consumo cada vez maior em países em desenvolvimento tem preocupado setores ligados à saúde e ao desenvolvimento, em todo o mundo.
Para os países produtores de tabaco e, sobretudo, para os que têm uma grande dependência econômica do setor fumageiro, a abordagem desse tema se torna mais complexa.
Para a fabricação de cigarros, depois de colhida, a folha do tabaco passa por um processo de secagem artificial denominado cura (secagem em forno à lenha). Além de preservar as folhas para a armazenagem, transporte e processamento, a cura das folhas é responsável pelas características de sabor, aroma e cor. Na maioria dos países em desenvolvimento utiliza-se madeira para alimentar os fornos onde se processa a cura, assim como a infra-estrutura para construção dos fornos que tipicamente têm de ser reconstruídos em dois ou três anos.
Pesquisas recentes indicam que a situação de desmatamento devido a fumicultura é crítica. Mais de 30 países como Coréia do Sul, Uruguai, Bangladesh, Malawi, Jordânia, Paquistão, Síria, China e Zimbabwe lideram a lista de países com o mais elevados percentuais de desmatamento relacionados ao tabaco. As taxas anuais de desmatamento nos três maiores países produtores de tabaco na África do Sul – Zimbabwe, Malawi e Tanzânia – são quase 60% mais altas do que a média africana de 0,7% ao ano.
No caso específico do Brasil, o fumo curado em estufa é o mais cultivado no país, respondendo por cerca de 70% da produção total (Ministério da Saúde, 2000). Segundo a Associação de Fumicultores do Brasil (AFUBRA) existem 120 mil fornos para cura de tabaco no Brasil.
Embora existam programas de reflorestamento para reposição da lenha utilizada no processo de cura das folhas de tabaco, em um recente estudo, 59% dos fumicultores disseram que usam lenha de mata nativa e reflorestada, mostrando que o processo produtivo de tabaco continua causando o desmatamento da mata nativa no Rio Grande do Sul.
Além disso, o tabaco é uma planta que empobrece rapidamente o solo. Estudos mostram que o tabaco utiliza mais nitrogênio, fósforo e potássio do que outros tipos de cultivo, e que o impacto da depleção do solo é maior em países tropicais onde o teor de nutrientes no solo é baixo. Por isso, a cultura do tabaco requer uso intenso de fertilizantes. Os estudos sugerem que, a não ser que o agricultor use um sistema de cultivo rotativo para restaurar os nutrientes do solo, este ficará empobrecido durante anos e só voltará a produzir à custa de fertilizantes artificiais e caros.
Fonte: INCA
Participe desta mobilização
Responsável por 5 milhões de mortes anuais no planeta, o tabagismo é um problema de saúde pública global. No Brasil, onde 200 mil pessoas morrem anualmente vítimas dessa doença, o assunto vem sendo abordado não apenas pelo Ministério da Saúde, mas por outros órgãos governamentais e cada vez mais parcelas da sociedade civil, representadas pelas Organizações Não-Governamentais (ONGs) ligadas à educação, economia, trabalho, justiça, meio ambiente e agricultura.
Em setembro de 2002, com o apoio do INCA, foi formada a Aliança Por um Mundo sem Tabaco, hoje com mais de 500 associados, dentre os quais membros da sociedade civil e as ONGs, que incluem associações médicas, autoridades governamentais e órgãos nacionais e internacionais.
Objetivos
Os principais objetivos da Aliança Por um Mundo sem Tabaco são:
• acompanhar e participar do processo de controle do tabagismo no Brasil e no mundo abordando e discutindo o tema nas mais diversas áreas (saúde, educação, direito das crianças e das mulheres, meio ambiente, legislação e economia);
• pressionar os legisladores a tomarem as providências necessárias para um mundo sem tabaco.
Infelizmente, a questão do controle do tabaco enfrenta interesses contrários, principalmente da indústria do tabaco. Por este motivo é importante mobilizar a sociedade em prol da saúde da população e contra o lucro desmedido e irresponsável da indústria do tabaco, que visa apenas seus lucros em detrimento de doenças, mortes, invalidez e destruição do meio ambiente.
Sua participação pode fazer a diferença! Qualquer pessoa física ou jurídica pode associar-se à Aliança Por um Mundo sem Tabaco e receber regularmente informações sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo, na área de controle do tabaco.
Fonte: INCA
Nota da casa: Eu estou apoiando a campanha tanto pelo motivo ambiental quanto pelo familiar. Meu pai era um fumante inveterado, ele viveu em condições precárias de saúde, queimando fumo, até que o fumo "queimou" ele.
0 comentários:
Postar um comentário