Mais uma vez os bombeiros do Vaticano tentam apagar o incêndio. Tal como aconteceu depois do sermão do pregador-chefe da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, equiparando as acusações da Imprensa contra a Igreja de antisemitismo, agora o Vaticano contesta as afirmações do cardeal Tarciso Bertone que afirmou que a pedofilia estava ligada à homossexualidade e não ao celibato, depois das reações de psicólogos, sexólogos e até [pasmem!] de católicos.
O Vaticano tentou esclarecer nesta quarta-feira as declarações polêmicas de seu número dois, o cardeal Tarcisio Bertone, ligando homossexualidade e pedofilia. Destacou que o prelado falava de casos de pedofilia entre o clero, e não entre o restante da população.
"As autoridades eclesiásticas não consideram de sua competência fazer afirmações generalizadas de caráter especificamente psicológico ou médico, as quais são pertinentes, naturalmente, a estudos de especialistas e cientistas sobre o assunto", declarou o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano.
O padre Lombardi precisou à AFP por telefone que se tratava de um "esclarecimento, não um distanciamento" do Vaticano em relação às declarações do cardeal Bertone.
O secretário de Estado do Vaticano foi motivo de uma onda de indignação, principalmente das organizações homossexuais, depois de ter declarado na segunda-feira no Chile: "Numerosos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não havia relação entre celibato e pedofilia, mas muitos comprovaram, e me disseram recentemente, que há uma relação entre homossexualidade e pedofilia".
Em seu comunicado, o padre Lombardi destaca que o cardeal Bertone se "referia, evidentemente, ao problema dos abusos cometidos pelo clero, não os cometidos por outras pessoas entre a população".
O padre Lombardi citou, em apoio às declarações do secretário de Estado, um estudo estatístico do Vaticano sobre "abusos de padres contra menores aos quais a Congregação para a Doutrina da Fé se viu- confrontada nos últimos anos", que diz respeito, exclusivamente "ao comportamento do clero".[AFP]
O grupo Homossexuais Católicos Portugueses repudiou esta quarta-feira as declarações do cardeal Tarcisio Bertone. O secretário de Estado do Vaticano defendeu que não é o celibato dos padres que está na origem dos casos de pedofilia por parte de membros da Igreja, mas sim a homossexualidade.
Segundo a Agência Lusa, o «Rumos Novos» - Grupo Homossexual Católico salienta em comunicado que não pode deixar de repudiar estas palavras do secretário de Estado do Vaticano, «impróprias de um católico e falsas do ponto de vista científico, tanto mais que não foi este nem o caminho, nem a verdade, nem a vida que Cristo legou».
«O dedo acusatório do cardeal Bertone pretende lançar sobre os homossexuais, em geral, e sobre aqueles que são católicos, em particular, um anátema que julgávamos arredado do século XXI e que, novamente, continua a cavar o fosso entre a Igreja, enquanto comunidade de fiéis, e alguma hierarquia que, não entendendo o Vaticano II, não sabe ler os sinais dos tempos», afirma a organização.
Os «Homossexuais Católicos» defendem que é com este tipo de afirmações que a hierarquia da Igreja se «afasta cada vez mais da mensagem de Cristo, da realidade e do mundo, esquecendo que a sua verdadeira missão é evangelizar e acolher».
«A afirmação feita pelo cardeal Bertone choca, igualmente, com os mais elementares dados das investigações científicas existentes que demonstram que as pessoas com tendências pedófilas são indivíduos de ambos os sexos, que se sentem atraídos por crianças e jovens na fase de pré-puberdade e que são incapazes de manter relações adultas, com homens ou com mulheres», denota o grupo «Novos Rumos».
Também um estudo conduzido pelos psiquiatras Groth e Gary em 1982 e outros posteriores foram mencionados, na medida em que apontam para «a não existência de uma relação significativa entre a homossexualidade e o abuso de criança» e «o adulto, homem, que molesta sexualmente crianças do sexo masculino não é provável que seja homossexual».
Para a organização, o celibato é «o cenário ideal para um abusador de crianças ou um homossexual atormentado pelos seus próprios demónios, pois assegura a impunidade e a adulação de familiares e amigos que deixam de questionar sobre relacionamentos».
«Talvez pondo fim ao celibato, a Igreja deixasse de ser o santuário para todos aqueles que se escondem dos seus demónios interiores ou mentes doentias, pois a questão dos relacionamentos voltaria a aparecer e seria mais fácil percepcionar as vocações das omissões», conclui a «Novos Rumos».[TV i 24]
Parem as prensas. O Vaticano admite que "as autoridades eclesiásticas não consideram de sua competência fazer afirmações generalizadas de caráter especificamente psicológico ou médico, as quais são pertinentes, naturalmente, a estudos de especialistas e cientistas sobre o assunto". Ou seja, a Igreja não pode fazer qualquer afirmação sobre a AIDS, sobre o uso de preservativos, sobre as pesquisas com células tronco ou sobre o aborto. Em breve, alguém do Vaticano terá que desmentir o que foi afirmado.
Aos homossexuais católicos ou às famílias de homossexuais que sejam católicas, diante de mais este absurdo da Igreja, resta a sujestão deste escritor: APOSTASIA JÁ!
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