segunda-feira, 8 de março de 2010

Vaticano obstrui investigação sobre abusos sexuais

A ministra alemã da Justiça, Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, acusou nesta segunda-feira, 8, o Vaticano de dificultar as investigações sobre as denúncias de abusos sexuais cometidos por religiosos no país.
"Nas numerosas escolas e institutos, há um muro de silêncio", comentou a ministra em entrevista à rádio Deutschlandfunk. "Penso que este muro de silêncio está certamente ligado ao fato que, seguindo a linha diretiva de 2001, abusos assim graves são relatados ao Papa de modo confidencial e não devem ser revelados fora da Igreja", explicou Schnarrenberger.
Segundo ela, esta diretiva estabelece que as suspeitas de abuso sexual devem ser examinadas somente no interior da Igreja Católica e não prevê a intervenção imediata da Procuradoria.[Estadão]
A ministra da Justiça da Alemanha disse nesta segunda-feira que as regras de sigilo do Vaticano prejudicam as investigações dos promotores sobre os casos de abuso sexual de crianças por clérigos católicos na terra natal do papa. O Vaticano disse que não vai comentar as críticas da ministra Sabine Leutheusser-Schnarrenberger sobre o que ela chama de "barreira de silêncio".
Durante entrevista a uma rádio alemã, a ministra citou uma diretriz de 2001 do Vaticano segundo a qual mesmo os casos mais sérios de abusos deveriam ser primeiro investigados internamente.
Escândalos sobre abuso sexual contra menores cometidos por clérigos católicos e acobertados pela hierarquia da igreja surgiram em todo o mundo nas últimas duas décadas, incluindo casos recentes na Alemanha e nos Países Baixos.
Leutheusser-Schnarrenberger lamentou que no caso de abusos em escolas católicas, a diretriz de 2001 tenha sido um empecilho para as investigações. A regra, ditada pela Congregação para a Doutrina da Fé, diz que "mesmo casos sérios de abusos devem primeiro ser submetidos à confidencialidade papal e não devem ser divulgadas fora da igreja".
Essa diretriz foi promulgada pelo papa João Paulo II, cujo papado foi ofuscado por acusações de que integrantes do Vaticano falharam em confrontar os casos de abuso de forma mais agressiva.
A ministra alemã expressou seu descontentamento com o fato de a diretriz pedir investigações internas e não a convocação de um promotor "o mais cedo possível".
Há anos, a ministra é a presidente honorária de uma associação que luta contra o abuso sexual de crianças e fornece ajuda às vítimas.[Bem Paraná]
Nota da casa: Uma instituição que pratica o que condena não é confiável. Apostasia Já!

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