domingo, 31 de maio de 2009

Junho, mês de Juno

Junho é o quarto mês do calendário romano. O nome do mês é derivado da deusa romana Juno, mulher do deus Júpiter. A primeira metade de Junho era um período de purificação religiosa e era a época mais favorável para casamentos.
Em 21 de junho ou próximo a esse dia, o sol atinge o ponto mais ao norte em sua trajetória pelo céu; é o solstício de Junho, começo do verão no Hemisfério Norte e do inverno no Hemisfério Sul.

Festivais em Junho:
1º de Junho: Consagrado a Juno Moneta, o aspecto de Juno que impede desastres e danos.
1º de Junho: Consagrado a Marte. O aniversário da dedicação do templo de Marte próximo ao portão de Capena.
1º de Junho: Tempestatibus, consagrado a Tempestates, Deusa do Clima e tempestades em particular.
1º de Junho: Carna, consagrado a Carna, Deusa das dobradiças das portas bem como da saúde do corpo. Ela tinha o poder de proteger os bebês que eram deixados sozinhos em seus berços dos [ataques de] vampiros. Nesse dia as orações eram oferecidas a ela para a saúde do fígado, coração e outros órgãos internos. Ela recebia nesse dia oferendas de feijão e toucinho.

Dia 3 – Festival em honra a Bellona.
Bellona era uma antiga Deusa romana da guerra. Ela pode ser um dos muitos Deuses sagrados romanos, possivelmente de origem Etrusca e supõe-se que seja a divindade primitiva da guerra dos romanos, antecedendo a identificação de Marte com Ares. Ela acompanhava Marte nas batalhas e era tida ora como sua irmã, esposa ou filha.
Dia 5: Consagrado a Dius Fidius, "Fé Divina". Ele estava associado com os juramentos e acordos.

Dia 7 ao 15 – Vestalia, em honra de Vesta.
Vesta era a Deusa Virgem do coração, da casa e família na mitologia romana. Ela tem um grande, porém misterioso, papel na religião romana. Pouco é conhecido sobre a Deusa uma vez que, ao contrário de outras divindades romanas, ela apareceu sem menções nos mitos. A presença de Vesta era simbolizada pelo fogo sagrado que queimava em seu coração e templos. O fogo de Vesta era guardado em seu templo por suas sacerdotisas, as vestais.
No primeiro dia das festividades, o penus Vestae (a cortina do santo do santo de seu templo) era aberto, apenas nesse momento durante o ano, para as mulheres oferecerem sacrifícios.
Dia 7 - Consagrado a Tiberinus, o Deus doo rio Tiber.
Dia 8 - Consagrado à Mens, Deusa do pensamento corrreto e a mente.
Dia 11 - As matronas celebravam Matralia, para honrar a Deusa Mater Matuta. As matronas ofereciam à Deusa bolos assados em potes de barro. As mulheres romanas carregavam as filhas de suas irmãs em seus braços e pediam por sua saúde.
Dia 11 - Consagrado a Fortuna, Deusa do destino, oportunidade, sorte e fortuna.
Dia 13 ao 15 – Quinquatrus minusculae, em honra a Minerva.
Tinha esse nome porque era celebrado no quinto dia após o Ides. Como esse festival era consagrado a Minerva, as mulheres costumavam consultar adivinhos neste dia.
Dia 19 - Consagrado a Minerva, Deusa dos ofícios e associações de comércio, relacionada com Atena.
Dia 20 – Festival em honra a Summanus.
Na mitologia romana, Summanus era o Deus do trovão noturno, oposto a Jupiter, o Deus do trovão diurno. O nome dele pode ter vindo do latim sub-manus, "predecessor da manhã". Há especulações que poossa ter vindo de Summus Manium "o maior dos Manes".
Dia 24 - Consagrado à Fors Fortuna, Deusa da boa fortuna. Seus festivais é um assunto espiritual com pessoas tanto a pé quanto em barcos decorados com flores. Plantadores traziam seus vegetais e flores ao mercado e cantavam hinos solenes à Fors Fortuna.
Dias 25 e 26 - Ludi Taurei Quinquenalles, jogos que aconteciam em honra das divindades do submundo. Os jogos aconteciam uma vez a cada cinco anos.
Dia 27 - consagrado a Jupiter Stator ("Jupiter o Protetor"), que ajuda os guerreiros em manter sua posição em uma situação adversa. Vinte e sete donzelas cantavam hinos a Juno enquanto a procissão seguia pela cidade.
Dia 29 - Consagrado a Hercules Musarum, "Hercules das Musas". Escribas ofereciam suas reverências ao aspecto mais pacífico de Hércules, bem como às nove Musas que governavam as artes.[Fontes: Wikipédia e Nova Roma]

Momento vintage

Ontem foi noticiado a reabertura do cine Marabá. Para os que são da minha geração (ou mais velhos) certamente devem se recordar do Marabá, o único cinema no centro de São Paulo que resistiu à decadência daquilo que poderia ter sido a Broadway paulistana.
Para os mais jovens, há uma esperança, se (um enorme se) o projeto de recuperaçao do centro de São Paulo for adiante, a despeito de sua lentidão e timidez. A reabertura do cine Marabá pode se tornar um ícone dessa restauração.
Falar como e por que os cinemas do centro de São Paulo se tornaram pulgueiros, onde se passam apenas filmes pornográficos, quando não se tornam bordéis e prostíbulos disfarçados, é uma tarefa difícil, mesmo porque passa pelo fato que nossa sociedade é sexualmente doente por motivos culturais e religiosos.
O leitor eventual, passageiro e curioso, pode me perguntar o que a religião tem a ver com a exploração comercial do sexo, no que eu explico: "É muito mais difícil alienar a Mulher de seus sentimentos instintivos, uma vez que elas carregam crianças em seus ventres por nove meses e então os criam por anos até que eles estejam fortes o suficiente para reagirem por si mesmos. Nem seria desejável, uma vez que a descendência exige o amor de suas mães para crescerem saudáveis e fortes. Mas os homens, cujo papel no processo reprodutivo é muito restrita, pode ser alienado mais facilmente e efetivamente, se eles são feitos para cuidarem da mulher e seus sentimentos subjetivos. Por isso os cultuadores da força da Criação são fortemente patriarcais e reservam toda atividade política para os homens. Uma vez que a Natureza programou todos os seres vivos para serem fortemente atraídos pelo sexo oposto e fez a união sexual altamente prazerosa, os homens tiveram que ser ensinados para lembrar este prazer como pecaminoso e vergonhoso. Por isso a forte tendência anti-erótica do Cristianismo e a prática da mutilação do clitóris em muitos países africanos muçulmanos para evitar que as mulheres encontrem qualquer prazer no intercurso sexual. A força da Criação Destrutiva não se importa sequer se é chamada de Shiva, YHVH, Deus Pai ou Allah, nem se é chamada de: Razão (com R maiúsculo, como teologistas iluminados e filósofos ateístas fazem), História (com H maiúsculo, como os marxistas fizeram) ou o Mercado. O Mercado está também tentando resgatar a tradição monoteísta de vergonha e desgosto pela paixão sexual, pela promoção de publicações pornográficas de formas ainda mais degradadas de desvios sexuais. Esta reação do Mercado é mais forte nos EUA onde a Direita Cristã defende os valores do monoteísmo patriarcal em uma moda descompromissada. Significativamente 70% dos americanos ainda vão à igreja nos Domingos , filmes e programas de tevê são muito mais reticentes do que na Europa em mostrar cenas de nudez, mas muito mais voluntarioso em glorificar a violência".[Frederic Lamond]
Isso explica a origem da doença de nossa sociedade, bem como suas consequências (violência física ou sexual, contra crianças e mulheres) e o porque a Indústria Pornográfica (e a Indústria do Sexo) é bem sucedida (a despeito da hipocrisia social). Mas é pouco para explicar por que ocorreu tal decadência urbana no centro de São Paulo. Para isso, a explicação é política, cultural e social. Nós, como todo brasileiro, não somos conscientizados e organizados políticamente, votamos mal e deixamos as coisas como estão. Edifícios podem ser reconstruídos, mas a nossa alma não. Eu espero, como brasileiro e paulistano, que despertemos algum dia.

Crise social e humanitária

Duas notícias importantes da Anistia Internacional para serem incluidas neste blog sobre as consequências da crise econômica:
A Anistia Internacional denunciou em relatório publicado esta semana que a crise econômico-financeira mundial está sendo usada como pretexto por muitos governos para fechar os olhos diante das violações de direitos humanos ao redor do planeta. A entidade adota uma nova estratégia para deixar claro que os direitos sociais compõem uma parte importante e fundamental do elenco dos direitos humanos. A grande preocupação da Anistia Internacional é com o fato de a crise econômica estar empurrando para a miséria milhões de pessoas em todo mundo e, no entanto, os governos só estarem dando atenção aos aspectos econômicos, não levando em conta que a obrigação primeira do Estado é colocar a pessoa humana no centro das políticas públicas. O que se tem visto, porém – segundo a entidade – são medidas de exclusão, repressão aos movimentos sociais, políticas anti-imigração, atropelamento do meio-ambiente, xenofobia e preconceitos de toda ordem contra os mais fragilizados. A combinação de crise econômica com omissão ou desleixo diante da crise humanitária, em curso em muitas partes do planeta, cria uma situação explosiva que leva ao perigo da desestabilização política, do avanço do autoritarismo e de guerras fratricidas.Basta ver o que sucede na Europa, onde o preconceito contra imigrantes ingressou em uma escalada perigosa, com a manifestação de atitudes racistas só vistas na época do nazismo. Mas, isso só pode ser combatido com uma ação que envolva a comunidade internacional por inteiro, pois implica em traçar políticas públicas comuns para atender aos marginalizados pela crise.[O Povo]
O mundo está sentado sobre uma bomba-relógio social, política e econômica alimentada por uma crescente crise de direitos humanos, afirmou hoje Irene Khan, secretária-geral da Anistia Internacional, no lançamento do Informe 2009 da Anistia Internacional, sobre o estado dos direitos humanos no mundo.
“O mundo precisa de um novo acordo global sobre direitos humanos – não de promessas em papel, mas de compromissos e de ações concretas dos governos para desativar essa bomba relógio de direitos humanos. Os líderes mundiais devem investir em direitos humanos com a mesma disposição com que investem na economia.”
“A insegurança, as injustiças e a falta de dignidade estão afetando a vida de bilhões de seres humanos”, declarou Irene Khan. “Essa é uma crise de falta de alimentos, de empregos, de água potável, de terra e de moradias. É uma crise mundial de privações e de discriminações, de desigualdades crescentes, de xenofobia e de racismo, de violência e de repressão.”
“Sinais de insatisfação e de violência política são cada vez mais evidentes, assim como o risco de que a recessão resulte em mais repressão”, declarou Irene Khan, em vista das reações implacáveis dos governos diante dos protestos pelas condições econômicas, sociais e políticas dessas nações. As forças policiais e de segurança agiram com impunidade generalizada.
“A China e a Rússia são uma prova de que a abertura dos mercados não resulta em sociedades abertas”, disse Irene Khan. “No ano passado, ativistas de direitos humanos, jornalistas, advogados, sindicalistas e outras lideranças da sociedade civil foram hostilizadas, atacadas ou assassinadas com impunidade em todas as regiões do globo.”
A secretária-geral observou que os líderes mundiais estão se esforçando para tentar restabelecer a economia global enquanto negligenciam conflitos mortais que resultam em violações de direitos humanos de grandes proporções.
“Ignorar uma crise para se concentrar em outra é uma receita certa para agravar as duas. A recuperação econômica não será nem sustentável nem igualitária se os governos não enfrentarem os abusos que provocam e que aprofundam a pobreza, ou os conflitos armados que geram novas violações.”[Anistia Internacional]

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Penalizar o aborto é tortura

Pela primeira vez, o Comitê Contra a Tortura das Nações Unidas abordou este mês o caso da penalização de toda forma de aborto em um país como medida que violenta direitos humanos fundamentais. Esse país é a Nicarágua. O Comitê, reunido em seu 42º período de sessões na cidade suíça de Genebra, pediu urgência ao Estado nicaraguense para reverter a reforma legal que em 2006 penalizou sem exceções o aborto voluntário, e cobrou flexibilidade, especialmente em casos de violação e incesto. Foi no dia 14 que o Comitê expressou “sua profunda preocupação pela proibição geral do aborto”, contida em vários artigos do Código Penal reformado em 2006 e que entrou em vigência no ano passado.
O governo sandinista de Daniel Ortega ainda não reagiu sobre um pronunciamento que vincula a proibição do aborto terapêutico com a tortura. A Nicarágua converteu-se em 2006 em um dos poucos países do mundo a castigar penalmente as mulheres que realizam um aborto quando se trata de gestação fruto de violações sexuais ou incesto, ou quando a vida da mãe corre risco, casos em que antes era legal a interrupção da gravidez. Chile, El Salvador e República Dominicana são os outros países latino-americanos que penalizam o aborto induzido sem exceções, aos quais se unem Malta e Filipinas no resto do mundo.
Em seu informe sobre a Nicarágua o Comitê diz que a proibição do aborto para vítimas de agressões sexuais significa “uma constante exposição às violações cometidas contra elas e supõe um grave estresse traumático com o risco de padecer prolongados problemas psicológicos, tais como ansiedade e depressão”. Neste país o aborto terapêutico era legal desde 1893 e sua proibição foi possível pela união a favor dos dois principais partidos políticos do país, o esquerdista e agora governante Frente Sandinista de Libertação Nacional e o direitista Liberal Constitucionalista. A penalização absoluta do aborto ocorreu em plena campanha para as eleições que devolveram a presidência a Ortega em 2007.
As organizações de mulheres coincidem em afirmar que os cálculos eleitorais levaram o político a acertar a proibição absoluta do aborto com a Igreja Católica e outras confissões cristãs. Analistas coincidem que o retorno ao poder do ex-guerrilheiro facilitou um pacto político-religioso com o cardeal Miguel Obando y Bravo, que agora preside uma comissão humanitária governamental, após ser aposentado pelo Vaticano como líder da Igreja Católica no país. Ortega governou a Nicarágua entre 1979 e 1990, primeiro como membro da junta criada pelos sandinistas para derrubar a ditadura da família Somoza e depois como presidente. Na época Obando y Bravo era um dos líderes opositores.
O Comitê encarregado de registrar e denunciar os atos de tortura humana, exortou o Estado da Nicarágua a reformar alei e estabelecer o aborto em situações de emergência e quando decorrente de violência de gênero. “O Comitê pede urgência ao Estado Parte para que revise sua legislação em matéria de aborto, tal como recomendado pelo Conselho de Direitos Humanos, pelo Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher e Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais”, diz em seu informe. De concreto propôs ao país estudar “a possibilidade de prever exceções à proibição geral do aborto para os casos de aborto terapêutico e gravidez resultante de violação ou incesto”, e dessa forma cumprir as diretrizes da Organização Mundial da Saúde.
O Ministério da Saúde, a Procuradoria para a Defesa dos Direitos Humanos, o Instituto Nicaraguense da Mulher e o Conselho de Comunicação e Cidadania que desde a Presidência administra a esposa de Ortega, Rosário Murillo, não quiseram comentar para a IPS o pronunciamento do Comitê. A Cúria em Manágua disse à IPS que a postura da Igreja Católica a respeito do aborto é inalterável. O não-governamental Movimento Autônomo de Mulheres, participante destacado na luta pela despenalização do aborto terapêutico, considerou que o pronunciamento do Comitê é “uma condenação internacional contra a Nicarágua”.
“O comitê afirmou que a penalização do aborto, sem exceções, violenta o status legal das mulheres, ao não permitir que salvem suas próprias vidas ou reduzam os riscos em sua saúde física ou psicológica”, afirmou à IPS Juana Jiménez, dirigente da organização. Jiménez disse que o órgão reitor internacional dá razão às mulheres organizadas do país que denunciaram a reforma legal como uma imposição por motivações políticas e “uma contradição com os pactos de direitos humanos e as convenções específicas em matéria de reconhecimento dos direitos das mulheres”.
O Movimento Autônomo foi uma das organizações que enviou suas considerações ao Comitê, com o argumento de que a lei que penaliza o aborto terapêutico “contém todos os elementos da tortura determinados no artigo 1º da Convenção Contra a Tortura”. Desde a aprovação da penalização total do aborto, dezenas de organizações médicas, de mulheres e de direitos humanos também pediram a reversão da lei junto à Suprema Corte de Justiça. Mas o caso está parado nesse tribunal, criticam os demandantes.
Finalmente, em abril, o vice-presidente da Suprema Corte, Rafael Solis, anunciou um anteprojeto de sentença que reverteria a reforma contra o aborto, em resposta às demandas da sociedade civil. O anúncio faria parte de uma nova mudança nas relações de Ortega com a hierarquia católica, com a qual agora se encontra em forte enfrentamento. A Igreja o acusa de fraude nas eleições municipais de novembro passado e Ortega responde cercando-se em público de imagens católicas e se proclamando “cumpridor” dos desígnios divinos para “o povo”.
Setores feministas interpretam o anúncio da Suprema Corte como uma ameaça à hierarquia católica se continuar com suas críticas aos resultados eleitoras, e não como uma vontade de levar adiante uma sentença que reponha o direito parcial ao aborto. O juiz da Suprema Corte, Sergio Cuarezma, próximo à oposição liberal, confirmou à IPS que existem projetos de sentenças favoráveis à restituição do aborto terapêutico. Mas, não se pronunciou sobre o anúncio do Comitê.
“Na Suprema Corte há dois recursos de inconstitucionalidade, um contra a lei de 2006 que revoga o aborto terapêutico do Código Penal antigo e outro contra a lei de 2008, Código Penal vigente que não contempla tal figura”, informou. Cuarezma disse que há 72 recursos interpostos contra a disposição legal e que a população e os demandantes devem saber que “não há projeto circulando, mas vontade de resolvê-lo”. A administração de Ortega mantém desde sua chegada ao poder em 2007 uma relação conflitiva com as organizações feministas e as não-governamentais, acusando-as de serem “agentes do império” e de “conspirar” para derrubá-lo.
Para a ativista Jiménez, as autoridades deveriam cumprir as recomendações do Comitê rapidamente “porque ser apontado de estar cometendo tortura contra as mulheres, que representam mais da metade da população nicaraguense, implica o risco de ser qualificado internacionalmente como um Estado violador dos direitos humanos”. A Convenção que dá vida ao Comitê reconhece como tortura “todo ato pelo qual se inflija intencionalmente a uma pessoa dores ou sofrimentos graves, sejam físicos ou mentais, para obter dela ou de terceiro informação ou confissão, de castigá-la por um ato que tenha cometido ou por ser suspeita de cometê-lo”.
Além disso, considera a tortura o ato de castigo físico ou mental para intimidar ou coagir “por qualquer razão baseada em qualquer tipo de discriminação, quando essas dores ou sofrimentos são causados por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, por sua instigação, consentimento ou aquiescência”. A “lei contra o aborto terapêutico é uma tortura. Causa dor e sofrimento, foi imposta com motivos específicos, reflete o propósito de intimidar e coagir mulheres e médicos, com tenta impor uma crença religiosa à custa da saúde, mesmo o país sendo laico segundo a Constituição, e é infligida como política de Estado”, denunciou Jiménez.
Fonte: IPS Brasil

A reação da natureza

A mudança climática mata cerca de 315 mil pessoas por ano, de fome, doenças ou desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil até 2030, segundo um relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Fórum Humanitário Global (FHG), entidade com sede em Genebra. O estudo estima que a mudança climática afete seriamente 325 milhões de pessoas por ano, e que em 20 anos esse número irá dobrar, atingindo o equivalente a 10% da população mundial da atualidade (6,7 bilhões).
Os prejuízos decorrentes do aquecimento global já superam os 125 bilhões de dólares por ano -- mais do que o fluxo da ajuda dos países ricos para os pobres -- e devem chegar a 340 bilhões de dólares por ano até 2030, segundo o relatório. "A mudança climática é o maior desafio humanitário emergente do nosso tempo, causando sofrimento para centenas de milhões de pessoas no mundo todo", disse nota assinada pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, presidente do FHG. "Os primeiros atingidos e os mais afetados são os grupos mais pobres do mundo, embora eles pouco tenham feito para causar o problema", acrescentou.
De acordo com o estudo, os países em desenvolvimento sofrem mais de 90% do ônus humano e econômico da mudança climática, embora os 50 países mais pobres respondam por menos de 1% das emissões de gases do efeito estufa.
Annan defendeu que a conferência climática de dezembro da ONU, em Copenhague, aprove um tratado eficaz, justo e compulsório para substituir o Protocolo de Kyoto. "Copenhague precisa ser o acordo internacional mais ambicioso já negociado", escreveu Annan na introdução do relatório. "A alternativa é a fome em massa, a migração em massa e a doença em massa."
O estudo alerta que o real impacto do aquecimento global deve ser muito mais grave do que o texto prevê, já que sua base são os cenários mais conservadores estabelecidos pela ONU. Novas pesquisas científicas apontam para uma mudança climática maior e mais rápida. O relatório pede especial atenção às 500 milhões de pessoas consideradas extremamente vulneráveis, por viverem em países pobres propensos a secas, inundações, tempestades, elevação do nível dos mares e desertificação. Dos 20 países mais vulneráveis, 15 ficam na África, segundo o estudo. O Sul da Ásia e pequenos países insulares também são muito afetados.
O texto diz que, para evitar o pior, seria preciso multiplicar por cem os esforços de adaptação à mudança climática nos países em desenvolvimento. Verbas internacionais destinadas a isso alcançam apenas 400 milhões de dólares por ano, enquanto o custo estimado da mudança climática fica em 32 bilhões de dólares.
"O financiamento dos países ricos para ajudar os pobres e vulneráveis a se adaptarem à mudança climática não chega nem a 1 por cento do que é necessário", disse Barbara Stocking, executiva-chefe da ONG britânica Oxfam e integrante do conselho diretor do FHG. "Esta flagrante injustiça precisa ser resolvida em Copenhague em dezembro."

Fonte: G1

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O modelo da moral sexual da ICAR

A teorização pulsional feita por Freud o coloca em rota de colisão com a moral sexual defendida pela Igreja, uma vez que esta considera o sexo apenas em sua finalidade procriativa. Esta moralidade rígida surge, através do olhar psicanalítico, como fonte de sofrimento psíquico. A repressão dos desejos inconscientes acaba por destruir a ética social pela transgressão violenta de seus valores pelo sujeito reprimido. Ao sujeito que escapa a esta situação, cabe uma resignação neurótica, ou seja, o adoecimento. Freud afirma que nossa civilização repousa sobre a renúncia da satisfação pulsional e que essa renúncia seria sancionada pela religião e oferecida à divindade como sacrifício.
As religiões ancoradas na tradição judaico-cristã, e que influenciaram a construção moral da civilização ocidental, sempre subjugaram e restringiram as mais variadas possibilidades das práticas sexuais. Através do Livro do Levítico, cuja autoria é atribuída ao próprio Moisés, podemos observar como a Lei Mosaica constrói o estatuto referente às práticas sexuais, considerando-as proibidas, abomináveis e impuras.

No século XVIII, o Direito Canônico, que organiza as leis da Igreja Católica, considerava impuro e criminoso o ato sexual em si mesmo e, a princípio, sujeitou à sanção penal e à perda dos direitos civis e patrimoniais a virgem, ou a mulher honesta que, espontaneamente, se unisse, carnalmente, a um homem. Proibia-se até mesmo o desejo e o próprio pensamento.
Sobre a imutabilidade da Lei Moral, no que diz respeito às questões sexuais, a Igreja ainda se pronuncia através de um documento elaborado pela Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé e intitulado como “Declarações acerca de algumas questões de Ética Sexual”.

O casamento passa a ser confrontado pela questão do prazer no ato sexual conjugal e uma das maiores conseqüências disto passa a ser a valorização do celibato que, influenciado pelo pensamento gnóstico, é adotado pelo Cristianismo, como uma maneira de se estar mais próximo de Deus. A sexualidade, portanto, se desenvolveu dentro deste espírito de moralidade cristã. As discussões acerca do prazer proporcionado pelas práticas sexuais, assim como dos pecados inerentes a elas, marcaram as bases constitutivas do pensamento da Igreja dos primeiros séculos e, até hoje, subjazem na concepção moral de nossa civilização. A concepção do Cristianismo, em seus posicionamentos sobre a moral, é de que o impulso da liberdade humana se dirige para o mal e para o pecado, ou seja, para a transgressão às leis divinas.
No século XIX, a “descoberta” de Sigmund Freud - a psicanálise - trouxe contribuições importantíssimas que abalaram a estrutura moral vigente em sua época com a afirmação de que nossos impulsos e desejos desconhecem barreiras para sua satisfação. A publicação, em 1905, dos “Três ensaios sobre a teoria da sexualidade” fez com que Freud fosse considerado uma figura imoral, obscena e impopular por afirmar que as tendências sexuais chamadas perversas e catalogadas como aberrações humanas eram universais e presentes até mesmo nas crianças.
Segundo Ceccarelli (2000), Freud mostrou, assim, à biologia, à religião e a opinião popular, o quanto estas se enganaram no que diz respeito à sexualidade humana, propondo, a partir da visão da pulsão sexual - diversificada, anárquica, plural e parcial – uma outra maneira de se pensar o sujeito, cuja constituição não pode ser separada da sexualidade. A psicanálise, ao introduzir o conceito de inconsciente, também o revela como desconhecedor dos valores morais. Isto faz com que atos moralmente condenáveis sejam vistos, no entanto, como psicologicamente necessários. A moralidade rígida surge, através do olhar psicanalítico, como fonte de sofrimento psíquico. A repressão dos desejos inconscientes e sua impossibilidade de simbolização acabam por destruir a ética social pela transgressão abrupta e traumática de seus valores pelo sujeito reprimido. Ao sujeito que escapa a esta situação, cabe uma resignação neurótica, ou seja, o adoecimento.
O texto freudiano de 1908 nos apresenta um confronto entre a “moral sexual natural” e a “moral sexual civilizada”. Por “moral sexual natural”, devemos compreender um conjunto de normas que, embora limitem a sexualidade, o desejo e o prazer, permitem, todavia ao homem conservar sua saúde e sua eficiência na vida social. Já por “moral sexual civilizada” devemos entender uma moral, de caráter extremamente exigente e que, de maneira tirânica, obriga os homens à privação sexual, tendo em vista integrá-los ao sistema de uma intensa produtividade cultural.

Para Freud, entretanto, esta moralidade, elevada ao grau de uma tirania, exige imensos sacrifícios aos homens. O excesso de moralismo colocaria em risco a própria civilização. Freud aponta para o insuperável antagonismo existente entre sexualidade e civilização. Para ele, a moral sexual civilizada, demasiadamente restritiva, seria causa de danos psíquicos que colocariam em risco a saúde e a eficiência cultural humana.
A cultura que impõe a proibição da relação sexual fora do casamento monogâmico, apresenta segundo Freud, uma moral ‘dupla’ que evidencia uma “falta de amor à verdade, à honestidade e à humanidade” por diferenciar homens e mulheres, uma vez que transgressões masculinas são punidas menos severamente. A essa moral, ele atribui o aumento imputável da doença nervosa moderna: as neuroses originar-se-iam de necessidades sexuais de indivíduos insatisfeitos representando para os mesmos uma espécie de satisfação substitutiva.
Freud afirma que nossa civilização repousa sobre a supressão das pulsões, sobre a renúncia ao sentimento de onipotência, inclinações vingativas e agressivas. Essa renúncia seria sancionada pela religião e oferecida à divindade como sacrifício. No entanto, as tentativas de supressão das pulsões são sempre falhas e os fenômenos substitutivos que emergem em conseqüência desta “supressão” constituem as doenças nervosas modernas.
A conseqüência do que Freud chama de “óbvia injustiça social”, no que tange aos padrões de exigência impostos pela civilização, é a marginalização daqueles que ousam desobedecer às restrições e são, por isso, chamados de pervertidos e classificados pela Igreja como indivíduos contrários à lei moral natural.
Para a Igreja a sexualidade humana deve ser vivida a partir da perspectiva da “encarnação do Verbo”, uma vez que a pessoa humana encontra-se marcada pelo pecado e deve buscar uma vida nova em Cristo. A sexualidade humana, portanto, deve ser iluminada pela fé. A vivência da sexualidade não pode ficar excluída da ética cristã e reduzida a um nível meramente pulsional. Por sua natureza, a sexualidade encontra-se aberta à geração de novas vidas.
Para Freud, no entanto, “muitos indivíduos que se vangloriam de ser abstinentes, só o conseguiram com o auxílio da masturbação e satisfações análogas ligadas às atividades auto-eróticas da primeira infância”. A masturbação poderia resultar na involução da vida sexual a formas infantis. Seria esta uma explicação para os escândalos aos quais um número não irrisório de padres pedófilos submetem a Igreja?

Os modos de se pensar a sexualidade em nossa civilização ocidental - masturbação, relações pré-matrimoniais, homossexualidade, casamento, controle de natalidade, celibato, etc -sofreram profundas e significativas mudanças. A crítica social da família, partindo de movimentos como o marxismo, afetou amplas esferas sociais, rompendo assim a idéia monolítica e sagrada desta instituição. A revolução sexual, nos anos 60, implicou também um duro golpe às idéias católicas tradicionais sobre a moral e a sexualidade. A secularização da cultura ocidental fez-se irreversível.
A dimensão sexual parece constranger e assombrar a Igreja por ocultar implicações outras que
extrapolam o campo da sexualidade. Representações de Deus, da salvação e do pecado podem de fato estar em jogo em torno dessa problemática. Além de uma questão moral, a Igreja se vê imobilizada diante de um emaranhado de questões dogmáticas. Por isso mudanças na moral sexual encontram resistências e impossibilidades.
Outro fator a ser considerado é a construção ideológica católica em torno do poder da Igreja
como “sustentáculo da verdade”. Abrir mão de certas posições colocaria em xeque este poder e seu domínio sobre os fiéis.

A psicanálise deve prosseguir em seu objetivo de oposição às normas que alienam o sujeito, causando sua debilidade ou adoecimento. Devemos nos questionar se a moral sexual que se pretende “civilizada” vale o sacrifício que nos exige “já que estamos ainda tão escravizados ao hedonismo a ponto de incluir entre os objetivos de nosso desenvolvimento cultural uma certa dose de satisfação da felicidade individual”.
Autor: Adelson Bruno dos Reis Santos
Fonte: Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental
Nota: A análise psicanalítica indica alguns motivos pelo qual a Igreja ainda tem quem a defenda, apesar de seus abusos, absurdos, hipocrisias, contradições e escândalos. Eu diria que não é apenas o fenômeno da pedofilia que é causada pela doutrina da Igreja, mas também as demais formas de violências e distúrbios sexuais.

Oportunismo e sincretismo

Um silêncio profundo invadiu o estádio lotado de índios quando o pajé Mario Tenório, da etnia tuyuca, entrou balançando a Yaigê – uma grande lança ritual, usada somente nas festas solenes. Apenas o som vigoroso das sementes na ponta da lança ecoava pelo local.
Todos sabiam: ele afastava qualquer resquício de malefício ou impedimentos e abria a passagem para o início da cerimônia de ordenação e posse do novo bispo católico de São Gabriel da Cachoeira (AM), Dom Edson Damian.
A cerimônia aconteceu neste domingo (24) e reuniu dezenas de padres, além de 11 bispos de vários locais do Brasil, entre eles um venezuelano e um colombiano, e do ex-presidente da CNBB, Dom Jayme Chemello. Foi a primeira vez que um bispo foi ordenado em São Gabriel da Cachoeira, um desejo do próprio Dom Edson.
O estádio do colégio São Miguel ficou pequeno para tanta gente – cerca de 3 mil índios de diversas comunidades do Alto Rio Negro, que reúne 23 etnias, em uma longa celebração que teve leituras bíblicas nas línguas tukano e nhengatu. Entre outras autoridades a celebração reuniu o prefeito indígena de São Gabriel, Pedro Garcia, da etnia baré, e vários de seus secretários, também indígenas, além do general Ivan Carlos Weber Rosas, comandante da Brigada do Exército de São Gabriel da Cachoeira.
Um dos pontos altos da cerimônia foi quando o indígena Erivaldo Cruz, um dos diretores da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (FOIRN), que representa mais de 60 associações indígenas e quase 700 comunidades do Alto Rio Negro, colocou um cocar na cabeça do novo bispo.

Fonte: G1
Nota: Ainda que seja curioso um pajé ter "dado a benção" a um bispo e este ter utilizado um cocar em sua ordenação, este é o tipo de oportunismo e sincretismo que sempre marcou as ações da Igreja em sua história.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A rainha de Canaan

Arqueólogos encontraram pistas em Tel Beth-Shemesh sobre uma "Senhora das Leoas", uma mulher que possivelmente reinou em Canaan. A mesma rainha que havia enviado cartas aflitas ao faraó falando da agitação e destruição em seu reino.
"Por volta de 1350 AC, havia agitação na região. Os reis Cananeus deixaram seus medos escritos em cartas em placas de argila pedindo ajuda militar ao faraó do Egito. Entre as correspondências haviam duas que cessaram. Essas cartas vieram da "Senhora das Leoas" em Canaan. Ela escreveu que bandos de pessoas brutas e rebeldes entraram na região e que sua cidade poderia não estar segura. Os arqueologistas sugerem que ela pode ter reinado a cidade de Beth Shemesh".[AFTAU]
"Diga ao rei, meu senhor, meu deus, meu sol: Mensagem da Senhora das Leoas [Belit-nesheti], sua serva. Possa meu rei, meu senhor, saber que a guerra tem vagado pela terra e foi-se a terra do meu rei, meu senhor, pelo submissão ao Apiru".
"Os Apiru [Habiru, Hebreus] mencionados em suas cartas eram um povo seminômade que vivia nas fronteiras de Canaan. No mundo da politica do Oriente Médio, onde o controle imperial egípcioo era mínimo, rivalidades dinásticas e coalizões cambiantes deixavam as cidades vulneráveis. Os Apiru operavam como bandos armados fora da estrutura social, pilhando para seu provento próprio ou disponível para ser contratado. Então, quando um principe rebelde procurava tomar o trono de sua cidade estado ou quando um rei tentava tomar o território de outro rei, eles montavam facilmente um exército de mercenários de Apirus para conquistar seus objetivos. Evidentemente, os Apiru que estavam ameaçando a Senhora das Leoas devem ter sido contratados por dinastas que queriam ter o controle da cidade de Belit-nesheti. Beth Shemesh foi devastada em uma onda de violência pouco depois do ano de 1350 AC".[Zenobia]
O mais curioso não é o silêncio quanto a sua existência nos tempos antigos, mas que tal supressão permaneça em nossa época, visto que não há uma única notícia sobre isso na Imprensa.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Roma, sexo, família

Na familia romana, o sexo era plenamente suprido. A existência de escravos na casa naturalmente significava que o sexo era acessivel.
A sexualidade romana nos tempos pagãos é dificil de ser compreendida pela sociedade ocidental e seus valores fortemente influenciados pelo cristianismo.
Para um/a romano/a o sexo não criava qualquer laço entre duas pessoas, não criava qualquer obrigação de um com outro. Não haviam razões de não ter muitos parceiros sexuais - desde que não trouxesse problemas. O peculiar é que compartilhar uma refeição criava uma relação social com uma pessoa, mas ter relações sexuais não.
O casamento era um contrato entre um homem e uma mulher, mas não exigia que eles se amassem. Os romanos viam o casamento como uma instituição trazido pela civilização, então o sexo não tem qualquer ligação com civilidade, mas muito ao contrário, era aonde o instinto animal ainda residia no homem e se manifestava. Não havia absolutamente vergonha nos atos sexuais e mesmo assim era visto como indecente tratar disso como qualquer outra coisa senão um assunto privado.
A lei não considerava o sexo com escravos como adultério. Sexo com um/a liberto/a apenas era adultério se não fosse por dinheiro, então sexo com prostitutas não era adultério. Entretanto, sexo com um/a liberto/a era um crime , stuprum [estupro]. Então enquanto uma pessoa não cometesse stuprum, tudo era permitido. Não haviam limites de idade ou de gênero.
Os escravos não estavam apenas ligados pela posse, mas pela lealdade [fides] a um senhor em particular [pater familia]. Então a rejeição aos avanços dele podia ser visto mais do que desobediência, mas traição de alguma forma. Se ele se restringia em forçar o escravo a obedecê-lo, então não era necessáriamente desrespeitoso ao escravo compartilhar da humanidade, mas poderia muito bem ter sido devido ao seu próprio desejo de se restringir. Auto controle e restrição, disciplina interna era uma virtude observada por todos os romanos. Ser capaz de frear seus desejos e mostrar poder interior tanto para si mesmo quanto para seus escravos teria sem duvida feito muitos um mestre ao não abusar de seus poderes ao extremo.
O fato que a familia vivia sob o mesmo teto com escravos, que dividiam a cama com membros da familia, podia levar a algumas confusões sobre a relação entre escravos e senhores. Pois as crianças dos escravos podiam ser muito bem meios/as irmãos/ãs das crianças da familia. Em tal situação existia a possibilidade do incesto. Embora não era visto assim, pois era apenas incesto quando envolvia membros de sua familia oficial. Se o senhor da casa estava dormindo com a filha de uma escrava que foi sua amante, isto não era visto como incesto, a despeito da possibilidade de que essa garota poderia ser sua filha. E se não for o senhor, quem poderia dizer que seu filho não poderia ter dividido a cama com a garota, que poderia ser da mesma idade que ele. Se biologicamente eles poderiam ser meio-irmão e meia-irmã, a lei não via nada de errado nisso. Por causa de toda confusão e segredo sobre o sexo em casa, eles poderiam muito bem não saber de seu parentesco.

Fonte: History of Roman Empire

Dia Nacional da África

Luanda - O continente africano comemora hoje, 25 de Maio, 54 anos desde a proclamação da Organização de Unidade Africana (OUA), actual União Africana, num contexto de várias perturbações caracterizadas por confrontos político-militar e pela crise económica mundial.
Nessa data, em 1963, os chefes de estados, reunidos em Addis Abeba, Etiópia, proclamaram a Organização de Unidade Africana (OUA), cujo objectivo principal era o de libertar o continente africano das garras do colonialismo e do Aparttheid, bem como promover a emancipação dos povos africanos. A OUA deu lugar à actual União Africana, em 2002.
Passados que são quadro décadas e meia, e conseguida a independência do continente, assiste-se ainda em muitas partes de África o desentendimento entre políticos.
No Zimbabwe, depois da incerteza pós-eleitoral, que durou mais de um ano, o líder do maior partido da oposição, Tsvangirai, e o Presidente Robert Mugabe, concluíram a 15 de Setembro do ano transacto um acordo de partilha de poder, que conduziu a um Governo de União, em Fevereiro.
O Novo governo enfrenta uma grave crise para obter recursos financeiros e alertou a comunidade internacional que precisa mais de 8,5 biliões de dólares (6,2 biliões de euros), em três anos, para reconstruir infra-estruturas e relançar o sistema económico em ruína no país.
Já no Madagáscar, o presidente Andry Rojoelina governa de forma interina desde Março deste ano, após uma onda de protestos contra o seu antecessor, Marc Ravalamanana. A chegada de Rajoelina ao poder foi considerada, por alguns países, golpe de Estado.
A data do pleito ainda não foi marcada e o actual regime rejeita que isso aconteça até final do ano. Fatídicos foram os acontecimento recentes na Guiné-Bissau, em que o chefe doe estado-maior do Exército, Tagame na Waie, e o Presidente da República, Nino Vieira, foram barbaramente assassinados, respectivamente nos dias um e dois de Março último.
O continente assiste ainda ao rompimento das relações entre o Tchad e o Sudão. pois o primeiro país, na pessoa do presidente, Idriss Deby Itno, acusa o seu vizinho de apoiar a rebelião.
A África é um continente com aproximadamente 30,27 milhões de quilómetros quadrados de terra. Ao norte é banhado pelo Mar Mediterrâneo, ao leste pelas águas do oceano Índico e a oeste pelo oceano Atlântico. O Sul do continente africano é banhado pelo encontro das águas destes dois oceanos.
É o segundo continente mais populoso do Mundo (depois da Ásia), com aproximadamente 800 milhões de habitantes.
Basicamente agrário, pois cerca de 63% da população habita no meio rural, enquanto somente 37 % mora em cidades. No geral, é um continente pobre e subdesenvolvido, apresentando baixos índices de desenvolvimento económico. A renda per capita, por exemplo, é de aproximadamente Usd 800,00.
O PIB (Produto Interno Bruto) corresponde a apenas 1% do produto mundial. Grande parte dos países possui parques industriais poucos desenvolvidos, enquanto outros nem se quer são industrializados, vivendo basicamente da agricultura.
O principal bloco económico é a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), formada por 14 países: Angola, África do Sul, Botswana, República Democrática do Congo, Lesoto, Madagáscar, Malawi, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.
Para saudar o aniversário do continente, realizam-se em Angola várias actividades desportivas e culturais, conferências, exposições fotográficas, desfiles de trajes tradicionais e outras.
Por Rufino Marcelino no
Angola Press
Nota: Eu espero que os Africanos encontrem seu caminho e reconstruam seus países, suas heranças, suas raízes, superando todos os males causados pelo colonialismo europeu cristão.

sábado, 23 de maio de 2009

Iluminação

Nós, bruxos/as lidamos com espíritos familiares. Isso significa que nós somos apresentados aos espíritos, nos tornamos familiares a eles e formamos um longo relacionamento com eles. Um dos propósitos da prática é ficar ciente do que estar morto significa. Nós bruxos/as nos preparamos para a morte tendo certeza que nossas extremidades frouxas estão atadas e olhamos adiante para a oportunidade de ser e agir que não fizemos nesta vida.
Em algumas tradições, a iluminação significa estar apto a desapegar se sequer alguém vive ou morre, ama ou está sozinho. Outra se conforma com o que vier. Outra "vai com o fluxo". Bruxos/as não desapegam do amor, da vida ou do viver. Nós abraçamos, bebemos, amamos a vida, desejamos por ela... E o conhecimento do Mundo Espíritual é parte da vida para nós, não é separado.
Nós preferimos amaciar a Roda. Não vemos necessidade alguma de nos remover dela, mas abraçá-la, com todas as alegrias e tristezas. Eis a mensagem, mesmo quando estamos cercados pela morte, nós buscamos a vida e vem a vida...ou a morte, mas para nós a vida vem novamente.
A iluminação no Ofício é ser capaz de subir nas ondas com a agilidade do surfista e, quando cairmos, voltar à superfície, prontos para outra onda. Esse é o espírito, isso é coragem, isso é poder, isso é mortalmente difícil. Viver enquanto se está vivo e acietar a morte quando vem, como mais uma onda passageira. Tem coragem para subir na onda? Não temer e confiar nos Deuses e nos professores e nos outros iniciados do Ofício para te ajudar como eles puderem? Isso é bem simples, como o Ofício. Sim ou não. Simples, mas não é fácil.
Autora: Juniper Castalia, Alexandrina 3*, no forum da Amber e Jet.

A gritaria cristã

Eu me meto em cada uma...meu email tem recebido algumas mensagens em defesa do PLC 122/2006 porque algum dia eu deixei uma mensagem de apoio ao Luiz Mott. Eu não sou homossexual, eu sou heterossexual, pagão e bruxo.
Pois bem, em um desses emails estava uma resposta dada pelo Dep. Paes Lira diante da critica de Justo Favareto na Central de Notícias Gays, conforme segue abaixo, na integra:
Cidadãos da centraldenoticiasgays, infelizmente tem gente que distorce a notícia e outros parecem que não tem entendimento para compreender o que se fala. Então afirmo que pela Constituição ninguém pode ser discriminado por qualquer motivo. Assim, vocês podem ser o que vocês quiserem e ninguém tem nada a ver com isso. Tem o direito democrático de expor as posições e lutar por elas...isto também é democrático. Não é democrático querer que todas as pessoas pensem como vocês ou rotulá-las de homofóbicas! Você não fizeram uma opção! deixem os outros fazerem as suas.Leiam o meu discurso e vocês verão que não ofendi e não tenho o interesse de ofender, muito pelo contrário, mas fui eleito para defender os valores dos meus eleitos, que com certeza, não foram pessoas com os seus valores.
Assim, se são 20 milhões e mesmo que fossem 200 eu continuaria a defender os direitos dos meus eleitores. Saiba que os mesmos impostos que você paga eu também pago e os eleitores que me elegeram também pagaram. Ah! os seus impostos não pagam o meu salário, pois vocês pagam os salários dos seus deputados.
Por último, digo que aceito um debate democrático de que no campo civilizado que prevaleça a vontade da maioria.
Lembrem que vocês não nasceram de um lar homossexual!
Eu serei um defensor da lei de não discriminação e o seus direitos já estão garantidos na constituição e nas lei penais, pois podem celebrar contratos e deixar herança, bem como constituir sociedades. Mas não aceito a constituição de matrimonio.
Respeitem posições democráticas e respeitosas e que se colocam contra as suas, pois quem não aceita oposição é, um grande ditador.
Minha resposta, via email, na integra:
exatamente sr deputado, mas ao emitir em discurso publico uma mensagem discriminatória ou ao ratifica-la em resposta ao legitimo direito cabivel a qualquer cidadão que se sinta agredido por tais posições preconceituosas e duiscriminatórias, o sr está infringindo a constituição e o direito constitucional pertencente a todos. o que as pessoas que escolheram a homossexualidade como sua opção sexual não é que todos aceitem, mas que respeitem ao menos seus direitos de escolha. a luta dos grupos LGBT é legitimo exatamente porque ainda se veiculam indistintamente ao publico em geral mensagens como a de vsa. sra, que estimula e encoraja atitudes agressivas ou violentas contra essas pessoas.
vsa sra se engana ao dizer que apenas seus eleitores pagam seus honorários. impostos e tributos são pagos por todos os cidadãos brasileiros, indistintamente, sendo eleitor ou não de vsa sra. eu faço eco ao seu comentário que quem não aceita oposição é um ditador e para evitar tal ditadura, o único remédio é a criminalização da homofobia, visto que divulgar ideias preconcebidas e discriminatorias contra esse grupo social tem feito o péssimo serviço de encorajar e justificar ataques e agressões exatamente contra quem optou pela homossexualidade.
um lar, exmo deputado, é composto não apenas por um núcleo heterossexual, um lar é e pode ser considerado toda habitação onde existe um casal, unido com o intuito de constituir família (e para isso basta estarem casados em união civil e habitarem em comum acordo sob o mesmo teto), com a possibilidade de adoção de filhos ou não. lar com pessoas cidadãs que podem muito bem ter votado no sr, não há como saber, visto que o voto é secreto, então faça valer os direitos constitucionais de todos os cidadãos brasileiros, respeite o direito de opção sexual dessas pessoas que, possivelmente, podem ser suas eleitoras.
grato.
Resposta do exmo sr Deputado, na integra:
CARO CIDADÃO, RESPEITO O SEU DIREITO E SEMPRE VOU RESPEITAR. SAIBA QUE AUTUEI E PRENDI INFRATORES DA LEI QUE MATARAM E AGREDIRAM PESSOAS POR SEREM MARGINAIS OU ATÉ MESMO, NO CASO DE VOCÊS, POR SER HOMOSSEXUAL.
SAIBA QUE SOU CONTRA A ILEGALIDADE. PORTANTO A MINHA POSIÇÃO NÃO ESTIMULA, POIS ESTOU DEFENDENDO O DIREITO DA FAMÍLIA QUE VOCÊ NASCEU. DIGA-ME QUAL É O NOME DO SEU PAI??? QUAL É O NOME DA SUA MÃE? OU VOCÊ NASCEU DE PAI X PAI OU DE MÃE X MÃE. SE ELES NÃO TIVESSEM A UNIÃO HETERO VOCÊ NÃO TERIA NASCIDO.
QUANDO VOCÊ ATENTA CONTRA A UNIÃO HETERO VOCÊ ESTÁ ATENTANDO CONTRA A SUA PRÓPRIA EXISTÊNCIA. NENHUM ANIMAL IRRACIONAL FAZ ISSO!!!!!!!!! MAS O HOMEM, QUE SE DIZ RACIONAL FAZ!!!! OLHE PARA A NATUREZA, INDEPENDENTE DE SOCIEDADE E COSTUMES!!!! OLHA PARA O REINO ANIMAL. COMO SE DÁ A REPRODUÇÃO DAS ESPÉCIES. ASSISTA UM POUCO O PROGRAMA REINO ANIMAL. POR MAIS QUE O HOMEM SEJA RACIONAL, ELE NÃO PODE MUDAR A NATUREZA. SE JOGAR UMA PEDRA PARA CIMA ELA VAI CAIR. SEMPRE HAVERÁ A LEI DA GRAVIDADE.
A FRANÇA ESTA PAGANDO 3.000 EUROS PARA A MULHER QUE TIVER O 3 FILHO. A EUROPA ESTÁ ENVELHECIDA E NÃO HÁ NASCIMENTO. A TERRA VIRARÁ UM DESERTO.
A CONSTITUIÇÃO DIZ DE FORMA EXPRESSA QUE FAMÍLIA E CASAMENTO E ENTRE HOMEM E MULHER. É ESSE DIREITO CONSTITUCIONAL QUE ESTOU DEFENDENDO. A MESMA CONSTITUIÇÃO QUE VOCÊ CITOU.
AGORA QUE FIQUE CLARO, JAMAIS VOU IMPEDIR DIREITOS CONSTITUCIONAIS DE QUEM QUER QUE SEJA. INDEPENDENTE DE CLASSE, ORIGEM, RAÇA, COR, RELIGIÃO E VIDA SEXUAL. MAS NÃO QUEIRA DISPUTAR OU DIZER QUE ISSO É CASAMENTO OU FAMÍLIA, POIS A CONSTITUIÇÃO DIZ QUE NÃO É . VOCÊS SÃO LIVRES! CRISTO NOS DÁ O LIVRE ARBÍTRIO PARA INCLUSIVE REJEITÁ-LO, NINGUÉM É OBRIGADO A SERVIR NENHUMA RELIGIÃO. DESDE QUE RESPEITE A LEI. QUEREM VIVER A VIDA DE VOCÊS? VIVAM! QUEREM CELEBRAR CONTRATO, DIVIDIR BENS, FAZER DOAÇÕES, CONSTITUIR SOCIEDADES. FAÇAM E EU ESTAREI EM DEFESA DESSES DIREITOS. MAS JAMAIS ACEITAREI E NÃO ESTOU NEM UM POUCO PREOCUPADO AMEAÇAS QUE EU NÃO SEREI REELEITO. POIS O PRÓPRIO TITULA DO MANDATO QUE EU SUCEDI DISSE EM VOZ CLARA QUE ERA CONTRA O CASAMENTO. SE ELE QUE ERA DA SUA OPÇÃO, COM LARGA EXPERIÊNCIA...DEFENDEU A FAMÍLIA DE FORAM RACIONAL......MUITO MAIS EU E AQUELES QUE ME ELEGERAM A QUEM ESTOU VINCULADO E A MAIS NINGUÉM.
DESEJO QUE UM DIA ALGUNS DE VOCÊS REFLITAM SOBRE ESSAS PALAVRAS E SE ENCONTREM VERDADEIRAMENTE COM O AMOR VERDADEIRO.
CITA A FALA DE SÃO TOMAS QUE ERA UM PROFANO E EM CADA AMOR ELE BUSCAVA UMA FELICIDADE QUE JAMAIS ENCONTRARIA NESTE MUNDO...ATE´QUE ELE ENCONTROU A CRISTO E DISSE: AGORA ENCONTREI O AMOR E A FELICIDADE VERDADEIRA. NÃO DESEJO O MAL A VOCÊS...ENTENDAM QUE MESMO SEM ME COMPREENDER EU DESEJO A VIDA ETERNA QUE É MUITO ALÉM DESSA VIDA E DESSE CORPO, POIS NA MINHA FÉ QUANDO ESTIVERMOS NO CÉU SEREMOS COMO OS ANJOS, SEM SEXO E SEM CASAMENTO. MAS ENQUANTO NESTE CORPO. RESPEITEM A LEI DE DEUS E DA NATUREZA.
A PAZ
Notaram a falta de decoro, de ortografia, de gramática e a caixa alta? Onde foi que eu via isso mesmo? Ah, sim, na ESFC, nas respostas dadas por evangélicos. Minha resposta, na integra:
exmo sr deputado, o sr pediu respeito mas não demonstra respeito. infratores da lei são pessoas e isso não está vinculado a qualquer de suas opções ou características. se eu fosse usar desse raciocínio estreito, eu teria que concordar então que todo padre é pedófilo, ou que todo negro é traficante. eu não sou homossexual, eu sou heterosexual, pagão e bruxo, mas me interessa a defesa do direito constitucional empenhado por este grupo com a esperança de que algum dia haja alguma lei que garanta o direito de liberdade religiosa, com medidas contra a discriminação, o preconceito, a difamação e a injuria contra opções religiosas diferentes, uma lei anti-fanatismo, anti-fundamentalismo.
repito, exmo sr deputado uma família não é simplesmente composta por um núcleo consistindo em um pai, em uma mãe e filhos. a origem da família vem de Roma e esta incluía igualmente os escravos, os servos e os clientes, portanto, uma família também pode ser constituída de pessoas do mesmo sexo.
exmo sr deputado, não estamos discutindo sobre reprodução, mas sobre o legitimo e inegável direito dessas pessoas a receberem a proteção da lei contra ações violentas motivadas unicamente por causa de sua opção sexual, eu sinceramente esperava um argumento melhor de vsa exa. mas vamos ao caso. como ficam então os órfãos? eles são menos cidadãos? como ficam aqueles que são criados unicamente por um pai ou pela mãe? são meio-cidadãos? e os adotados? como vê, o direito da pessoa independe desta ter ou não uma família, para começar.
a constituição diz: Art. 226. § 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento. isso não significa proibição quanto a união de pessoas homossexuais, nem que a união deva ser exclusivamente entre homem e mulher, afinal todos são iguais perante a lei.
exmo sr deputado, o sr fala em amor e em Cristo e eu lembro ao sr de que teu Senhor disse: "amai-vos uns aos outros" e também disse: "não julgueis para não serdes julgado". Seja um bom cristão, não julgue e aceite que existe diversas formas de amar.
exmo sr deputado, não queira impor as suas concepções sobre o que o sr considera como sendo as Leis de Deus e as da natureza, pois o sr está simplesmente confirmando o quanto sua visão é tendenciosa, preconceituosa e intolerante. O sr escolheu ser cristão, permita a mesma liberdade de escolha (livre arbítrio) para os demais.
Para seu credo e sua visão, existe estas tais "leis de Deus", mas nós não vivemos em uma teocracia ou no regime do taliban. Portanto, o que o sr considera como sendo uma "lei de Deus" aplica-se exclusivamente a quem crê nelas, por isso que existe a necessidade do Estado laico, a humanidade sofreu demais debaixo da opressão dogmática e doutrinária, muitos crimes foram cometidos em nome desse Deus.
Portanto, por mais que o sr preze, essas tais "leis de Deus" não podem ser consideradas como padrão ou modelo de conduta, mesmo porque existem outros credos e mesmo outras concepções de Deus.
isso me faz retornar ao real motivo pelo qual me empenho na causa contra a homofobia, que é o combate ao fanatismo e ao fundamentalismo. Os únicos grupos religiosos que se sentem ameaçados ou coagidos pela plc são os ligados a alguma forma de Cristianismo e a posição de vsa exa confirma que o problema é puramente doutrinal, conduzido certamente por alguma interpretação da bíblia. como acima argumentei, a bíblia também, por mais que o sr preze, só é sagrada a quem crê nela e nós não estamos vivendo no Afeganistão. O Cristianismo não pode nem se tornará um Império, uma ditadura. Se existe um problema com os Cristãos ou no Cristianismo quanto à homossexualidade, devido a essa posição dogmática, doutrinária, intransigente, intolerante, preconceituosa, discriminatória e difamatória, não é de estranhar que sejam estes grupos cristãos o que se sentem mais ameaçados, pois terão que mudar suas posições fossilizadas e abrir mão da arrogância e da prepotência de se considerarem a única religião, terão que respeitar e reconhecer as demais religiões, terão que respeitar e reconhecer as demais opções sexuais, se tornarão menos fanáticos e fundamentalistas e então teremos efetivamente paz no mundo.
grato pela atenção e pela resposta.
A experiência me diz que eu terei mais capítulos nessa novela. Aguardemos.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Respeito, dignidade e honra

O que há de mais sagrado na humanidade, a família, seria impossivel de se estabelecer sem que ela tenha sido feita suas bases no respeito, na dignidade e na honra.
Um dos princípios e valores mais básicos do Paganismo está em honrar aos antepassados, aos mais velhos e a nossos progenitores, mas é mais do que uma imposição social ou uma doutrina espiritual, há muito mais envolvido em um ato aparentemente simples.
Estes que são nossos progenitores e aqueles que vieram antes deles possuem uma sabedoria que só se adquire ao longo da vida. Através dessa experiência, modelo e exemplo, nós podemos enfrentar os desafios diários. Ignorar essa sabedoria nos conduziria irremediavelmente a situações perigosas senão mortais. Aceitar tal orientação não é submissão, mas respeito a estes que nos deram a herança mais preciosa com a qual um indivíduo pode nascer: um nome, um legado ligado por laços de sangue a essas pessoas que provaram seu valor através da vida antes de nós.
Honrar aos pais, aos avós e antepassados é continuar com esse legado, manter a nossa dignidade e honra mesmo diante dos piores dilemas, fazer sempre o certo mesmo que isso nos prejudique, pensar sempre no bem daqueles que nos são caros e da comunidade. Uma pessoa honorável é exatamente isso, ele ou ela recebem tal mérito da sociedade como forma de reconhecimento por sempre manter o mais Alto Ideal, uma ética, um comportamento moralmente edificante, não por vaidade ou prestígio, mas porque faz parte tanto de sua personalidade quanto da herança ligado ao seu nome.
No mundo contemporãneo, com as pressões sociais esgarçando os laços familiares e a imposição do individualismo comercial enfraquecendo as relações comunitárias, não é possivel esperar que ainda se preseverve tais valores. E em qualquer sociedade em cuja estrutura faltam o respeito, a dignidade e a honra, o resultado é o colapso e a decadência, o desperdício de muitas gerações, até a completa aniquilação da humanidade.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Castigo sem crime

O assunto surgiu no café da manhã, lendo matéria da Folha de S. Paulo sobre mais um engano da Secretaria de Educação do Estado de S. Paulo. Segundo a notícia, ora tratada como escândalo (chamada de primeira página e manchete no Caderno Cotidiano destacam distribuição pelo Estado de material com sexo e palavrões), ora, acho, nas devidas proporções (trata-se de um livro entre quase mil), o governo distribuiu material condenável, porque "traz palavrões e temas sexuais".
A Secretaria alega que é apenas um livro entre muitos e que se destinaria a adolescentes e adultos. E que foi parar nas mãos de alunos de terceira série por engano. Convenhamos que a Secretaria tem se enganado demais. E eles falam que se distinguem pela capacidade de gestão!!
O livro contém 10 histórias em quadrinhos tratando de temas de futebol. O jornal mostra pequenas cenas, como o "diálogo" entre um atacante e um zagueiro: o atacante miúdo (um estereótipo) provoca um zagueirão gigantesco (outro) perguntando: "Para visitar tua mãe tem que pagar entrada?". Há outras amostras, todas mais ou menos do mesmo estilo.
Minha opinião? Pode ter havido alguma inadequação, mas acho que escandalizar-se com o fato é puritanismo besta! Andei escrevendo aqui, há algum tempo, sobre a relevância de discutir na escola, entre outros materiais, piadas preconceituosas, mesmo as mais complicadas, as racistas. Não acho que analisar e discutir piada racista ou machista em sala de aula seja equivalente a fazer pregação de racismo e machismo. Fazer de conta que esconder tais discursos dos alunos os convence a serem mais democráticos e justos ou defensores dos direitos humanos é uma balela. "Limpar" os livros didáticos ou a lista de leituras produz apenas um efeito: a escola parece desligada da realidade. Depois se queixam dos alunos desinteressados.
Na escola, livros com sexo e palavrões são censurados. Mas basta o toque da sineta do intervalo para que se ouça de tudo. O pátio parece uma arquibancada. E qual é mesmo o problema com palavrões e cenas de sexo? Por que não ler e discutir? Queremos que a escola seja um lugar especial, de maior "pureza" e correção, uma espécie de espaço ideal, no qual os jovens estejam protegidos dos males do mundo? Pois então, realidade neles. É claro que a escola não se vai defender determinados comportamentos. Mas acho que esconder fatos não adianta. O verdadeiro diferencial da escola deveriam ser os debates conduzidos por professores com boa cabeça. Nada de censura farisaica.

Autor: Prof. Sírio Possenti em coluna no Terra Magazine

Crime sem castigo

Relatório denuncia abuso em escolas católicas na Irlanda.
DUBLIN - O magistrado da Corte Suprema da Irlanda Sean Ryan divulgou hoje um relatório de 2.600 páginas, para a Comissão para a Investigação de Abusos contra Crianças, em que denuncia que padres e freiras aterrorizaram milhares de crianças durante décadas e os membros do governo não conseguiram impedir as agressões contínuas, abusos sexuais e humilhações.
O parecer, fruto de uma investigação de nove anos sobre instituições da Igreja Católica da Irlanda, foi baseado em testemunhos de milhares de antigos alunos e funcionários de aproximadamente 250 instituições administradas pela igreja.
Mais de 30 mil crianças acusadas de roubos menores, deserção escolar ou filhos de mães solteiras foram enviados à rede de escolas técnicas, reformatórios, asilos e hospedagens católicas, desde a década de 1930, até que as últimas destas entidades fechassem, na década de 1990. O informe nota que os abusos sexuais eram "endêmicos" em instituições para homens, controladas principalmente pela ordem dos Irmãos Cristãos. As meninas supervisionadas por ordens de freiras, principalmente pela das Irmãs da Misericórdia, sofriam menos abusos sexuais, mas muito com agressões e humilhações.
"Em algumas escolas, eram aplicados rotineiramente golpes rituais. As meninas eram agredidas por todas as partes do corpo, com artefatos desenhados para provocar a máxima dor", afirmou o informe. "Elas eram denegridas pessoalmente e também suas famílias." Há tempos as vítimas desse sistema exigem que sejam documentadas e publicadas suas experiências, para evitar novos problemas do tipo. Porém a maioria dos líderes das ordens religiosas rechaçavam as denúncias, afirmando que eram exageradas e mentirosas. Além disso, apontam que os abusos foram responsabilidade de indivíduos, em muitos casos mortos há anos.
O informe baseia-se quase totalmente nos testemunhos dos estudantes. A conclusão é que as autoridades eclesiásticas defendiam os agressores, em meio a um clima de ocultação para preservar seus interesses. "Um clima de medo generalizado por castigos constantes, excessivos e arbitrários, impregnava a maioria dessas instituições e todas as de meninos. Os garotos viviam atemorizados, sem saber de onde viria o próximo golpe", afirma o relatório. [Estadão]
O relatório propõe 21 maneiras de as instituições católicas reconhecerem seus erros, incluindo a construção de um memorial permanente, fornecimento de acompanhamento social e médico, e educação às vítimas, além de maior proteção às crianças irlandesas.
O governo irlandês já criou um sistema de compensação no qual pagou a 12 mil vítimas de abuso uma média de US$ 90 mil, na condição de os indivíduos abrirem mão do direito de processar a Igreja e o Estado. No entanto, cerca de 2 mil reclamações continuam em aberto. Outras centenas de vítimas rejeitaram a condição imposta e levaram seus agressores, e os funcionários da Igreja à Corte.
No entanto, as descobertas do relatório não serão usadas para processos criminais porque os Irmãos Cristãos conseguiram processar a comissão em 2004 para que mantivesse a identidade de seus membros em sigilo. Deste modo, nenhum nome real – seja de vítimas ou de perpetradores dos abusos – aparece no documento.[JB Online]

Nota: Diante de mais esse escândalo, eu volto a pedir a todos os Católicos que tomem uma atitude imediata: APOSTASIA JÁ!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Dia Nacional de Combate

Mobilização pelo dia 18 de maio [hoje]
O dia 18 de maio foi instituído pela Lei Federal nº 9970/00 como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Desde o surgimento da data, a sociedade civil, em parceria com o governo federal, organiza e promove atos de mobilização social e política na perspectiva de avançar no processo de conscientização da população sobre a gravidade da violência sexual.

Para a mobilização de 2009, foi criada uma campanha com o tema: “Faça bonito. Proteja Nossas Crianças e Adolescentes” a partir do slogan permanente “Esquecer é Permitir Lembrar é Combater”. A ideia é aproximar a população do enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes. Além disso, mobilizar a sociedade para atuação nessa luta, ou seja, estimular e encorajar as pessoas a denunciar e/ou revelar situações desse tipo de violência.
Outro objetivo da campanha é mobilizar e articular a rede de proteção e promoção aos direitos das crianças e adolescentes, por meio de ações intersetoriais nos territórios.
O MDS vem divulgando e fomentando a reprodução dessa campanha junto aos gestores estaduais e municipais ao longo de seu trabalho de assegurar a proteção social a crianças e adolescentes e famílias em situação de violência, abuso e exploração sexual, entre outras violações de direitos, através da rede socioassistencial do Sistema Único de Assistência Social/SUAS (CRAS e CREAS).
Na semana do dia 18 de maio, vários estados brasileiros contarão com ações de mobilização. A Campanha será lançada em Recife, Pernambuco, com a pré-estréia do filme Cinderela, Lobos e um Príncipe Encantado, do cineasta brasileiro Joel Zito Araújo. O mesmo filme será exibido, ainda, em mais seis cidades (Fortaleza, Salvador, Belém, Belo Horizonte e Porto Alegre).
Participe, reproduza este texto e divulgue a Campanha em seu município!
Fonte: MDS

domingo, 17 de maio de 2009

Passagem para China, alguem?

Está em construção na China o que vem sendo chamado de primeiro parque temático sexual do país, com o objetivo de melhorar tanto a educação como a vida sexual de seus visitantes.
Com abertura prevista para outubro, em Chongqing, o Love Land vai incluir estátuas enormes de genitálias, corpos nus e uma exposição sobre a história do sexo.
O parque também vai oferecer workshops sobre técnicas sexuais e métodos para se praticar sexo seguro.
Entre as atrações está uma gigantesca estátua rotativa de um corpo feminino da cintura para baixo, praticamente despido.
"O sexo é um assunto tabu na China, mas as pessoas realmente precisam ter mais acesso a informações sobre isso", disse o diretor do parque, Lu Xiaoqing ao jornal estatal China Daily.
"Estamos construindo o parque para o bem do público. Percebi que a maioria das pessoas apoiam minha idéia, mas preciso prestar atenção para não fazer com que o local pareça vulgar ou indecente." O diretor disse que se inspirou depois de ter visitado o popular parque temático sexual de Jeju, na Coreia do Sul.Críticos, no entanto, afirmam que o Love Land é um conceito vulgar, e que os chineses não estão prontos para falar publicamente sobre sexo.
"Essas coisas estão muito expostas", teria dito ao China Daily a policial Liu Daiwei, de Chongqing."Me sinto desconfortável olhando para elas quando há outras pessoas em volta."
Fonte:
UOL Noticias

A vez das mulheres

Mulheres chegam ao parlamento do Kuwait pela primeira vez.
Quatro mulheres foram eleitas neste domingo (17) para o Parlamento do Kuwait. É a primeira vez que isso acontece desde 2005, quando elas ganharam direito a votar e a se candidatar no emirado do Golfo Pérsico.
Frustrados com os constantes desacordos entre governo e legisladores durante os últimos três anos, os habitantes do emirado escolheram 21 candidatos novos para o novo parlamento, em um total de 50 cadeiras, e reduziram à minoria os grupos sunitas muçulmanos.

As liberais Masuma al-Mubarak, Aseel al-Auadhi e Rula Dashti e a independente Salwa al-Jassar, entrarão para a nova Câmara. Elas estudaram nos Estados Unidos e têm doutorados em ciências políticas, economia e educação.
No total, havia 16 mulheres entre os 210 candidatos. "Este é o desejo de mudança do povo kuwaitiano", disse Mubarak à AFP. "Espero que estes resultados levem á estabilidade política e ajude a conseguir o desejo de cooperação entre o Parlamento e o governo", acrescentou. Esta é a terceira vez que as mulheres participam das eleições para o Parlamento desde que obtiveram o direito a voto e à representação em 2005. Nas últimas eleições, de 2006 e 2008, nenhuma foi eleita.

Fonte: G1

sábado, 16 de maio de 2009

Entrevista com a Grande Meretriz

Como se não bastasse a história ou mesmo uma análise textual da gibíblia [copiright dos ateus] mostrar que o Cristianismo é misógino, tem algo mais agressivo e ofensivo do que inventar uma personagem mulher como a Grande Meretriz do Apocalipse? Assim como para o Cristianismo é fundamental a figura do Adversário, é fundamental a figura da Grande Meretriz para justificar suas doutrinas quanto ao pecado, ao corpo, ao sexo, na figura de uma mulher que, na lógica do (es)clero(sado), é uma meretriz.
Todo esse medo de mulher, de sexo e das coisas carnais vem desde sua raiz Judaica que nunca aceitou a existencia de hierodulos ou mesmo de ritos sagrados que envolvessem sexo. Para fazer justiça a persognagem tão injustiçada, este pagão resolve marcar uma entrevista, o que me é concedido sem reservas.
Eu: Bom dia, ahnnn, como devo chamá-la?
GM: Chame-me do que quiser, gato.
Eu: Dona Meretriz, quem é a senhora afinal?
GM: Dona? Deixe de formalismo. Senhora? Eu não sou casada. Eu sou muitas mulheres e nenhuma. Eu sou uma personagem criada por interesses comerciais.
Eu: E qual seriam esses interesses comerciais? Por parte de quem?
GM: Obvio, gato. Interesse em aumentar os clientes, por parte da instituição que me criou, a Igreja.
Eu: Mas por que, para quê?
GM: Ah, querido, coisas de menino imaturo. Não gosta de meninas e odeia tudo que se refira a meninas. Eles acham que ao me criarem iriam deixar a humanidade com mais nojo do sexo, do corpo, do prazer.
Eu: Mas por que te criaram como sendo mulher?
GM: O que você acha, fofo? No ocidente cristão a palavra feminino vem de fe-minus, menos fé. A mulher sempre foi considerada mais fraca, mais suscetivel às tentações do Diabo.
Eu: Mas e quanto à você? Você concorda com isso?
GM: Oh, gato, desde que me dêem atenção, grana e fama, pouco me importa o que pensam de mim ou do meu serviço.
Eu: Não pensou em sair da atual empresa e procurar emprego em outra?
GM: Ah, sim...tem algumas empresas que me procuram com ofertas interessantes, mas no fim eu sou apenas usada para os interesses de outros meninos.
Eu: Você não gosta de ser usada?
GM: [olhando com sensualidade] Depende...tem algo em mente? Eu não sou ruim, apenas fui criada assim. [copyright Jessica Rabbit]
Eu: O que você gostaria de ser ou fazer? Meninas não te procuram?
GM: Ah, procuram e eu fico confusa pois vejo nelas o desejo de ser meninos ou se comportarem como meninos...algumas me desejam como meninos. Eu gosto de ser mulher e o que eu gosto de fazer...bem...[insinuando]
Eu: Então a Igreja não fala por você quando te usa ou oprime a sexualidade, a sensualidade, o prazer?
GM: Nein! Not! Niet! Non! Não! Eu apenas permito que eles tenham outra forma de prazer ao me usarem da forma que querem. Eles tem prazer ao privarem os outros do prazer.
Eu: Mas essa não é a única forma de prazer, dentro e fora da Igreja...
GM: Graças a sei-lá-quem que não! Mesmo na Igreja existe formas de prazer que não são autorizadas pela doutrina da Igreja. E eu fico muito feliz que mesmo entre os seguidores da Igreja existe uma flexibilidade espantosa. Fora da Igreja, então...huuummm...profanos...[lança um olhar sedutor]
Eu: Acha que isso algum dia pode mudar ou modificar essas pessoas ou mesmo a Igreja?
GM: Quem sabe? As pessoas são livres, certo? Não optar é uma opção. Meu papel é atiçar.
Eu: Mas e quanto a você, seus sonhos, seus projetos e seus objetivos?
GM: mmmm...isso está começando a me excitar...gato, eu não pensei muito nisso. Eu fui criada para um propósito, muito embora não concorde com ele, vou continuar assim enquanto for divertido. Talvez quando eu pensar em ter sonhos, projetos e objetivos eu venha a incluir uma promoção ou uma redenção da minha personagem. Quem sabe até a inclusão da sensualidade e da sexualidade na Igreja.
Eu: Isso existe no Paganismo...
GM: Ah! Enfim! Chegamos a algum lugar! Sim, eu sou mulher, em toda a plenitude, com corpo, desejo, sensualidade e sexualidade femininas transbordando...[abre os botões do vestido]
Eu: Não acha que você deveria trabalhar para o Paganismo? [tiro as calças]
GM: Depende gato [olhando meu dote com gula] se for esse o pagamento, eu aceito.
Eu: Devo avisar que nem todo pagão superou os tabus, proibições e dogmas sociais ou cristãos. [aliso seu corpo e me posto]
GM: [gemendo] Ah, gato, eles que resolvam seus problemas. Agora chega de papo! Trabalhe!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Quem tem raça é cachorro

No domingo passado, citei aqui a frase de meu amigo e conterrâneo Zecamunista que hoje uso como título. Ele de fato diz isso, como eu também digo, nas conversas intermináveis havidas com amigos desde a juventude, quando nos ocorre a felicidade de revê-los. Coroas meio ou bastante chatos, compreendemos quando os mais novos nos cumprimentam com a possível afabilidade, depois mantendo prudente distância. Portanto, a maior parte de nossas conversas não passa mesmo do papo de dois velhotes irresignados e rezinguentos, que não sai, e geralmente não deve ou não precisa sair dali, pois costuma ser algo sem o qual ou com o qual tudo permanece tal e qual, como sentenciava minha avó Pequena Osório, a respeito de meus livros.
Mas, no caso, quando estamos ameaçados de ver consagrada nas leis do País a divisão do povo brasileiro entre raças, acho que devemos fazer o nosso papo transcender os limites do Largo da Quitanda, a ágora da Denodada Vila de Itaparica, onde hoje vultos menores, como Zeca e eu, ocupam com bem pouco brilho o lugar de tribunos da plebe legendários, como Piroca (Piroca é um apelido para Pedro, no Recôncavo Baiano; não tem nada demais, é um fenômeno que atinge o nome “Pedro” de forma curiosa; quer ver, pergunte a um amigo americano o que quer dizer “peter”, com P minúsculo) e Zé de Honorina, este negro pouco misturado com branco, aquele mulato. Zé, aliás, um dos homens mais inteligentes, argutos e eloquentes que já conheci – e cito o que se segue como um dado interessante – não tinha muita noção de que era negro e uma vez me pediu explicações sobre “negritude” e “irmandade” entre negros, conceitos que lhe eram pelo menos parcialmente estranhos.
Mas vou deixar de nariz de cera e de vaselina, porque creio que o assunto merece ser tratado na grossura mesmo, como vem sendo por muita gente, em todas as faixas de opinião. Quem tem raça é cachorro (em inglês, breed, não race), gente não tem raça. Não vou repetir, porque qualquer um com acesso ao Google pode se encher de dados sobre isto, os argumentos científicos que desmoralizam a raça como um conceito antropologicamente irrelevante e equivocado, sem apoio algum entre os que estudam a genética humana. Entretanto, o atraso da espécie (ou raça) humana leva a que continuemos a lhe emprestar importância desmedida e irracional, odiando por causa dele, matando por causa dele e até ameaçando o planeta por causa dele. De qualquer forma, incorporando o conceito de raça a seu sistema jurídico, o Brasil estará dando um ridículo (mas de consequências possivelmente temíveis, ou no mínimo indesejadas) passo atrás, mais ou menos como se o Ministério da Saúde consagrasse a geração espontânea de micro-organismos como fonte de infecções.
Mais ridículo e até grotesco é que os defensores do reconhecimento das “raças” que compõem o povo brasileiro façam isso depender de uma declaração ou opção da pessoa racialmente classificada, até mesmo em circunstâncias nas quais essa opção pode não ser honesta, mas apenas de conveniência, como nos casos, já acontecidos, de gente que se considerava branca declarar-se negra para obter a vaga destinada a um “negro”. Ao se verem num mato sem cachorro para definir a raça de alguém, exceto copiando manuais nazistas e tornando Gobineau e Gumplovicz autores básicos para a formação de nossos cientistas sociais, médicos, dentistas, músicos, atletas e profissionais de outras áreas onde as diferenças de aptidão ou fisiologia são “visíveis”, assim como era visível a superioridade dos atletas de Hitler que o negro Jesse Owen botou num chinelo, os defensores de cotas raciais se valeram desse recurso atrasado, burro, grotesco e patético em sua hipocrisia básica. Não há como defender critério tão estapafúrdio e destituído de qualquer fundamento.
Outra coisa chata, enquanto vemos o Brasil querer botar na letra da lei, o que outros países onde houve e há até mesmo apartheid, como nos Estados Unidos, não só de ontem como ainda de hoje, apesar do presidente Obama, fazem força para retirar, é a persistência do que eu poderia chamar de síndrome de Mama África, contra a qual quem eu mais vejo protestar são escritores amigos meus de países africanos, que não aguentam mais ser embolados num mesmo pacote como “africanos”, transformando em folclore disneyano a enorme complexidade cultural de um continente como a África. Burrice falar em “cultura africana”, “comida africana” e similares, em vez de pluralizar essas entidades, porque são plurais. Além disso, nada mais racista e simplório do que achar que os negros são “irmãos”. Os negros são tão irmãos entre si quanto os europeus entre si, ou seja, irmãos em Cristo, tudo bem. Mas o racismo contra si mesmos de muitos que se acham negros insiste em que há essa irmandade. Documentos escravagistas do Segundo Império, no Brasil, recomendavam que se mantivessem escravos de nacionalidades diversas na mesma senzala, porque muitos se odiavam ou desprezavam entre si mais do que ao opressor. Quem já viu um alemão racista olhar um polonês (eslavo, que curiosamente tem a mesma origem que “escravo”) sabe o que estou dizendo. Desumaniza-se o negro, tornando-o imune à baixeza de seus companheiros de humanidade (mas não de raça). Isto, claro, é outra asnice desmentida pelos fatos ontem e hoje. Ontem, quando mercadores negros de escravos vendiam outros negros por eles mesmos escravizados; hoje, quando negros continuam a escravizar negros e a guerrear entre si, exatamente como os homens de outras raças, o que lá seja isso, desgraça de atraso de vida na cabeça das pessoas, triste exemplo de um país misturado pela graça de Deus querer jogar no lixo esse dom inestimável e irreproduzível, “modernizando-se” pela condenação por vontade própria ao que a História não o condenou.

Autor: João Ubaldo Ribeiro coletado em Alma Carioca

Muros e muralhas

Existem duas muralhas que são nos dias de hoje consideradas marcos culturais e patrimoniais da humanidade que são o Muro das Lamentações e a Muralha da China, cada qual tem uma mensagem e uma importância para o povo local e para o mundo. Muros e muralhas são construidas por um conforto e conveniência urbana, mas possui um simbolismo intenso como no mito de Romulo e Remo quando este, ao trespassar um muro, foi morto por Romulo.
Mas nem sempre um muro ou muralha tem um simbolismo tão agradável ou mitológico. Muitos são os muros que envergonham a humanidade como o Muro da fronterira dos EUA com o Mexico, o Muro de Berlim e o Muro de Belem. Estes também tem um significado, mas sombrio e desagradável. São muros construidos para separar, excluir, dividir, oprimir. São muros da intolerância, do preconceito e do ódio.
O muro de Berlim felizmente caiu, mas seu simbolismo permanecerá na memória da humanidade.
O muro entre EUA e México só terminará quando (e se) os EUA começarem a ter políticas mais inclusivas e socias frente às América Latina. Isso é algo que eu falava para meu finado pai quando ele em seu pensamento provinciano achava ruim da entrada dos nordestinos, se esquecendo de suas raízes serem igualmente provindas de imigrantes. Isso é o que defendo até mesmo diante de neopagãos nacionalistas: todos nós somos filhos de imigrantes. Se os países "estrangeiros" não querem que venham imigrantes, que adotem políticas sociais para que estes encontrem em sua terra natal condições para saúde, habitação e emprego.
O muro de Belém é igual ao muro de Berlim, com um tempero religioso e pode ser que caia algum dia, mas para mim foi hilário ler o Papo Furado declamar que "muros não duram para sempre" o que me faz lembrar de um muro que dificilmente cairá: o muro do Vaticano.
Com isso eu quero dizer que existe um muro ou muralha que é mais resistente à mudanças ou questionamentos que são as muralhas ideológicas ou doutrinárias, sejam estas políticas ou religiosas. Ainda hoje se pode encontrar pessoas que defendem o mesmo messianismo marxista, bem como se pode encontrar pessoas que se orgulham de defender a mesma doutrina católica cheia de ignorância, intolerância e preconceito. Quanto a isso, eu dou eco ao pedido da Opera Rock do Pink Floid:
Derrubem as Paredes.

Oitenta países no mundo criminalizam a homossexualidade

A homossexualidade é considerada ilegal pela legislação vigente de 80 países do mundo e em sete deles pode ser punida com a morte, segundo informa um relatório apresentado hoje pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais (ILGA).
Abaixo, a lista completa:

África Argélia, Angola, Botsuana, Burundi, Camarões, Comores, Egito, Eritréia, Etiópia, Gâmbia, Gana, Guiné, Quênia, Lesoto, Libéria, Líbia, Malaui, Mauritânia (pena de morte), Maurício, Marrocos, Moçambique, Namíbia, Nigéria (pena de morte em alguns estados), São Tomé e Príncipe, Senegal, Ilhas Seychelles, Serra Leoa, Somália, Sudão (pena de morte), Suazilândia, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Zâmbia, Zimbábue Ásia Afeganistão, Bangladesh, Butão, Brunei, Burma, Índia, Irã (pena de morte), Kuwait, Líbano, Malásia, Maldivas, Omã, Paquistão, Qatar, Arábia Saudita (pena de morte), Cingapura, Sri Lanka, Síria, Turcomenistão, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Iêmen (pena de morte), e a Faixa de Gaza, na região da Palestina Europa República Turca do Chipre do Norte (não reconhecida internacionalmente) América do Norte Antígua e Barbuda, Barbados, Belize, Dominica, Granada, Jamaica, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago América do Sul Guiana Oceania Kiribati, Nauru, Palau, Papua Nova Guiné, Samoa, Ilhas Salomão, Tonga, Tuvalu; e Ilhas Cook, associadas à nova Zelândia.
O documento relata que em 115 países a homossexualidade é legal, mas se mantém como ato criminoso em 80 (veja lista ao lado) e possui status indefinido em dois (Djibuti e Iraque). Atos considerados homossexuais podem ser punidas com a morte no Irã, Mauritânia, na Arábia Saudita, no Sudão, no Iêmen e em determinadas regiões da Nigéria e da Somália - todos eles países onde a religião predominante é muçulmana.
"Quando a discriminação e o ódio são consagrados na lei, o que significa a adesão do Estado a uma conduta social, um homossexual sabe que não terá para onde ligar para pedir ajuda se necessário", escrevem Glória Careaga e Renato Sabbadini, cossecretários-gerais ILGA, ao apresentar o relatório.
"Provavelmente haverá sempre alguns indivíduos infectados com o vírus do ódio homofóbico, como haverá sempre estupradores, torturadores e assassinos. O que é inaceitável, porém, é a ideia de um Estado sancionar e encorajar estas práticas, sobretudo quando o mesmo Estado proclama respeitar os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos", acrescentam os ativistas.
Os países com legislação homofóbica estão concentrados principalmente no sul da Ásia, na África e na América Central. A Europa só registra um caso: a República Turca do Chipre do Norte, que não é reconhecida internacionalmente. Na América do Sul, a Guiana é o único país com legislação que criminaliza o homossexual.
O Brasil aparece no relatório como país onde a homossexualidade é legal desde 1831, o que faz dele o primeiro na América do Sul a não condenar legalmente atos homossexuais, seguido por Paraguai (1880) e Argentina (1887). O Brasil também aparece entre os 10 países no mundo com proibição constitucional da discriminação com base na orientação sexual.
A permissão de casamento para casais do mesmo sexo existe em sete países e o reconhecimento da maioria dos direitos decorrentes do casamento está presente em outros oito. De acordo com o relatório, casais do mesmo sexo têm parte dos direitos decorrentes do casamento em 12 países, condição em que aparece o Rio Grande do Sul, do Brasil. A cidade de São Paulo, por sua vez, é a única da América do Sul a legalizar a adoção conjunta por casais do mesmo sexo.
O relatório, fruto de um estudo coordenado por Daniel Ottosson, da universidade sueca de Södertörn, aponta que houve mudanças desde o documento apresentado no ano passado. Barein, Benin, Costa Rica, Djibuti, Guiné-Bissau e Nepal deixaram a lista de países saíram da lista de países com discriminação oficial, a partir de uma revisão feita pelos autores do estudo. Por sua vez, Burundi, Panamá e os Estados Nive e Tokelau, associados à Nova Zelândia, discriminalizaram a sodomia em legislações aprovadas entre 2007 e 2009.
O documento também destaca a declaração das Nações Unidas em favor dos direitos LGBTI, apresentada em 18 de dezembro de 2008, que conta com o apoio de 66 países de todos os continentes. Na ocasião, a ONU reafirmou que os direitos humanos são válidos para todas as pessoas, independente de orientação sexual ou identidade de gênero, e pede que os Estados-membros discriminalizem as relações consensuais entre adultos do mesmo sexo.
Fonte : Noticias UOL