quinta-feira, 30 de abril de 2009

Maio, mês de Maya

O mês recebeu seu nome da Deusa grega Maya [ou Maia-NT], uma das Pleiades, que é identificada como a Deusa da Fertilidade Bona Dea. Não se deve confundir com a Deusa hindu Maya, a Deusa da Ilusão.
Festas em Maio:
1ª de Maio – Festival da Bona Dea e Vinalia, a celebração da colheita de uva [e da produlção de vinho-NT] do ano anterior.
9 de Maio – Festa dos Larvae.

As "larvas" ou "lemures" são espectros ou espíritos dos mortos.
11 de Maio - Consagrado a Mania, Deusa da Morte e mãe dos Lares.
14 de Maio - Argeis, o ritual que acompanha a Procissão de Argei. A procession goes to the shrines of the Argei; they were brought to twenty-seven special shrines throughout the four Servian regions of Roma in a preparatory rite. The argei themselves are human-shaped bundles of rushes that are thrown into the riverem Março.
15 de Maio - Mercuralia, em honra a Mercúrio.
Os mercadores espargem com água consagrada suas cabeças, navios e mercadorias.
21 de Maio - Vejovis, uma das quatro Agonalia.
Na tradição religiosa de Roma Antiga, a Agonalia era um festival celebrado várias vezes ao ano em honra de várias divindades, como Janus e Agonius, os quais os Romanos costumavam evocar nos seus empreendimentos importantes.
Vejovis era um dos Deuses antigos dos Romanos. Ele era um Deus da cura e foi associado ao Deus grego Esculápio.
23 de Maio - Tubilustrium, a Purificação dos Trompetes.
Uma ovelha é sacrificada para santificar [consagrar-NT] os trompetes usados em muitas das cerimônias públicas, é uma cerimônia de purificação e preparação tanto pelo inicio do ano sagrado e da estação da campanha militar.
25 de Maio - Consagrado a Fortuna, Deusa do Destino, Oportunidade, Sorte e Prosperidade.
29 de Maio - Ambarvalia.
A purificação ritual dos campos, quando as fronteiras entre os campos são purificados por uma procissão de animais sacrificatórios.
Fonte: Wikipedia e Nuova Roma, com edição e tradução.

1º de Maio

Amanhã será o Dia Mundial do Trabalhador, mas será uma data especial também para Pagãos por ser um dia sagrado. No hemisfério norte, nós comemoraremos ou Beltane, ou Walpurgis Night, ou May Pole. No hemisfério sul, nós comemoraremos o Sanhaim.
O interessante para este blog e para mim foi encontrar no livro "A invenção das Tradições", de Eric Hobsbawm e Terence Ranger, que a data do 1º de Maio pode ter origem nas festas populares.
"O principal ritual internacional destes movimentos, o 1ª de Maio desenvolveu-se espontaneamente dentro de um período surpreendentemente curto. [snip] A escolha desta data foi certamente bastante pragmática na Europa. [snip] Havia sido proposto, com certa razão, que essa data coincidisse com [snip] a data em que tradicionalmente se encerravamos contratos de trabalho [snip].
[snip] A escolha de uma data tão carregada de simbolismo pelas antigas tradições revelou-se importante [snip]. Desde o início, a ocasião atraiu e absorveu elementos simbólicos e rituais, principalmente a de celebração semireligiosa e sobrenatural, um feriado e um dia santo ao mesmo tempo.
[snip] O antigo simbolismo da primavera, a ele associado de maneira tão fortuita, foi perfeito para a ocasião [snip]." [Hobsbawm, E. & Ranger, T. - "A invenção das Tradições", pg. 291-292, Ed. Paz e Terra]
Apenas neste dia o sagrado e o profano se encontram e as pessoas celebram seus laços comunitários, religiosos e sociais. Eu duvido que os sindicatos locais incluam um Poste de Maio nas celebrações do "Dia do Trabalho". Certamente irão manter a celebração desvinculada de sua origem religiosa, preferindo o vínculo desta com os ideais marxistas.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sacrifício

No início homens eram sacrificados, geralmente após batalhas entre grupos rivais ou mesmo quando as aldeias estavam com problemas: doenças, escassez de alimento, água, etc. O sacrifício era algo importante, pois somente heróis eram sacrificados: o guerreiro preferia morrer com a honra de servir seus deuses que negar este amor e optar por uma vida simplória e anônima.
Com o tempo os sacrifícios passaram a utilizar animais. Ao Homem viver seria sua maior honra, e se era para agradar os deuses, então que animais com sangue e olhos como os dele deveriam morrer. O Homem a vida dos outros animais passou a estar sob seu julgamento, e por um longo tempo os Deuses aceitaram essas ofertas de cordeiros, bois, bodes... bodes expiatórios.
O Homem que não queria morrer por seus deuses, também não queria mais matar animais com seus gritos de dor e olhares fixos nos seus. Assim os sacrifícios passaram a ser vistos como atos de crueldade à vida, sem heróis e sem bodes o Homem passou a utilizar plantas. Há exemplos como os troncos queimados em rituais invernais, de oferendas de grãos em barcos, de grandes esculturas humanas feitas de palhas e galhos. As plantas não possuem olhos e nem sangue, mas passaram a ser os novos heróis de sangue.
Com o surgimento das religiões e seus pecados, karmas e demais castigos, o sacrifício passou a ser novamente do Homem. Mas indisposto de honrar sua vida ao seu Deus, o Homem passou a sacrificar suas funções vitais, privando-se da alimentação, jejuando por dias e noites, do prazer do sexo, vendo-o como algo sujo e necessário apenas para reprodução, e demais prazeres. O corpo, antes morada sagrada de um espírito herói passou a ser visto como uma máquina de maldade, e assim peças dessa máquina passaram a ser sacrificadas para agradar o novo Deus, ou mesmo os antigos Deuses. O Homem passou a ver a vida como algo desagradável e a morte como um banho de purificação, uma salvação.
Atualmente vivenciamos diversos sacrifícios. No atual mundo “civilizado” não contente com o auto-sacrifício, o Homem passou a sacrificar os próprios Deuses em honra de... de si mesmo. O Homem querendo escapar de qualquer dor passou a negar sua religião, a pedir sem agradecer, a ver o alimento numa caixinha de papelão congelada e pré-cozida. Estando o mundo espiritual dependente do mundo material, os Deuses aceitaram tal condição, mas o Homem esqueceu que extinguindo os Deuses estará extinguindo a si próprio, cortando o ciclo que alimenta os dois mundos, e assim morrerá, desaparecendo, anônimo, sem um pós-morte, sem salvação, sem nada.
Ainda que existam heróis, ainda que existam Deuses, a honra perdeu sua grandiosidade nas sociedades, o heroísmo passou a ser visto como algo de poucos, a ser evitado por afetar a integridade do Homem. Você prefere viver pouco e morrer honrado(a) ou viver bastante e morrer anônimo(a)? Assim como Tétis profetizou a Aquiles: lutar em Tróia e alcançar a glória eterna, mas morrer jovem, ou permanecer em sua terra natal e ter uma longa vida, mas sendo logo esquecido? Pense nisto!
Por Arwëniem em
Templo Ancestral

Propaganda e religião

Eu encontrei uma notícia curiosa no blog Wild Hunt: na Flórida e na Carolina do Sul [Estados dos EUA] foram autorizadas a produzirem placas de carro "religiosas", contendo imagens cristãs. De imediato, eu me lembrei do caso das propagandas ateístas nos ônibus em Londres, o que provocou uma grande polêmica.
Nos EUA, os Estados são confederados, ou seja, possuem uma liberdade relativa quanto a leis estaduais, mas desde que estas leis estaduais não violem a Constituição e é nessa base que alguns advogados locais estão contestando na Justiça tal autorização.
Na Grã-Bretanha, a iniciativa dos ateus se baseia no direito da liberdade de expressão e opinião, ainda que seja considerada agressiva e ofensiva.
No Brasil, fica ao encargo do proprietário enfeitar ou não seu carro com decalques que indiquem seus gostos, preferências, opiniões e crenças, desde que não violem as regras de trânsito.
A Propaganda tem o intuito de divulgar qualquer serviço, produto ou idéia, nisso incluindo crenças e descrenças. A Propaganda não tem a pretensão, a intensão ou a obrigação de ser verdadeira e tal atributo é ptencializado quando se trata de divulgar uma crença ou descrença. Tanto Cristãos quanto Ateus cometem os mesmos erros ao divulgarem por meio da propaganda clichês superficiais, generalizantes, discriminatórios e preconceituosos contra aqueles que tem uma opinião, crença (ou descrença) diferente.
Embora eu seja contra o proselitismo, como comunicólogo eu espero que a Propaganda continue sendo usada como veículo independente para divulgar os gostos, as preferências, as opiniões e as crenças de cada indivíduo. Tanto que sonho em algum dia poder encontrar produtos voltados para o público Pagão, como uma placa de carro semelhante à que enfeita o tópico no blog do wild hunt.

sábado, 25 de abril de 2009

Classe 101 de wiccanice

A questão surge frequentemente: "O que torna alguém falso ou um farsante?" O conceito de "pink-wiccano" é similar ao "twinkie" [bolo recheado conhecido no Brasil como "Ana Maria"-NT] tal como é usado nas comunidades indígenas americanas: uma pessoa que brinca com práticas espirituais ou leva a sério suas práticas mas segue mais a estereótipos do que a informação real. Praticar um numero significativo de um desses comportamentos característicos será o suficiente para te rotular assim. Se você acha isso ofensivo, então você provavelmente é um wilkano clássico.
1. Afirmar estar praticando um caminho realmente velho, mas não se esforça em encontrar o que as pessoas efetivamente faziam ou acreditavam nesse caminho, inventando as práticas enquanto afirma que era assim que os antigos faziam.
2. Ignorar qualquer coisa escura ou ameaçadora, mesmo pretendendo trabalhar com divindades sombrias. Falar como a divindade de sua escolha é sempre boa ou sempre certa, ou pretender que sua Deusa Sombria favorita é apenas mal compreendida.

3. Aceitar qualquer coisa que outro wilkano te disser ou que leu em algum livro com um enorme lua crescente em sua lombada. Alternativamente, aceita qualquer fonte como definitiva, se se importar com que os intelectuais pensem dela. E passar qualquer coisa que seja, que você ache que saiba ser, embora você tenha inventado.
4. Pegar tudo que foi trabalhado em qualquer tipo de desafio que envolva lógica ou fato. Apenas sentimentos realmente importam. Desconsiderar o que outros tem a dizer se não confirmar o que você acredita, mesmo se eles puderem provar suas afirmações.
5. Brigar com qualquer um que não te considere, especialmente se eles continuarem a apresentar evidências que refute suas afirmações e declare que no fim você está falando que "todo mundo tem capacidade de dar uma opinião" e então a sua opinião é tão boa quanto a de qualquer um.
6. Enfatizar ruidosamente que ninguém tem o direito de fazer julgamentos sobre o que você escreveu se eles não te conhecem bem fora da rede. Desconsiderando o que você evidentemente disse, apenas suas motivações declaradas deveriam importar para as outras pessoas.
7. Evitar conflitos a qualquer custo e entrar na discussões de outras pessoas, mesmo quando você não estiver diretamente envolvido, tentando fazer com que concordem pelo bem da concórdia. Concordar com outros apenas para arrefecer os ânimos, ou mesmo os instruir em como ele devem se dar bem. Se você modera um forum, apagua qualquer mensagem que não concorde com você ou que apresente opiniões incômodas.
8. Tenta fazer com que outros parem de profanar ou parem de falar em um assunto porque te incomoda.
9. Conta aos não wilkanos o quanto horrivel/desespiritualizado eles são por não aceitar todos os Pagãos, a despeito do comportamento deles.
10. Queixa-se frequentemente da perseguição ou repete de alguma forma o mito do "Tempo das Fogueiras", mesmo que não tenha sido perseguido.
11. Em conversas sempre assume que a Rede (ou outro código) se aplica a todos os Pagãos. Se for ligeiramente desafiado, age confuso; se for altamente desafiado, entra no modo Olho Gordo Master e acusa o infiel de satanismo, crowleyismo ou pior.
12. Dê palestras em qualquer dos assuntos favoritos da Wilka.
13. Insiste que a Wilka é qualquer coisa que você quiser que seja, a despeito da história. Exige respeito ao que você está fazendo, mesmo que arruine os esforços de seus percusores e iniste em chamar o lixo pelo mesmo nome. Não se importa em renomear o que você faz, embora parcamente baseada em uma forma original, porque você quer tirar vantagem das pessoas que vieram antes de você e alega uma forma de linhagem desconsiderando a lacuna entre o que eles fizeram e o que você faz.
14. Se sua crença é que "todas as Deusas são a Deusa e todos os Deuses são o Deus" e ultimamente todas as divindades são aspectos do Um, usando isso como desculpa para não aprender sobre ou trabalhar com divindades especificas. Ou, quando você evoca o Senhor ou Senhora pelo nome, mistura e equivale a outro casal de outro panteão de outra época.
15. Usa a incapacidade como uma desculpa para não verificar seus fatos ou aprender algo novo, ou como uma desculpa para adotar outros comportamentos fúteis. Reclama de perseguição se alguém ousa sugerir que usar um corretor ortográfico não é fora do propósito mesmo para uma pessoa incapacitada.
16. Assina seus emails/comentários com "Namaste" ou "BB" quando o conteúdo da mensagem insulta alguém ou contradiz a saudação.
17. Não demonstra qualquer sinal de ter sido tocado pela divindade ou por uma experiência estática. Se importa mais com o que a sociedade ou seus amigos pensam do que com o que as divindades pensam. Não fazer coisa alguma que possa desenvolver seu caminho/abilidades/percepção, que possam provocar alguma desaprovação ou te fazer perder a pose.
Autores: Freeman e Sky Dancer.

Fonte: Oak Forest Coven

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Evolução vs tradição

O Ofício que Gerald Gardner encontrou em suas passagens entre grupos teatrais, sociedades fiolclóricas e clubes de saúde não é o mesmo Ofício que praticamos atualmente, embora as raízes estão bem visíveis se a pessoa é iniciada e treinada de uma forma que mostre e preserve isso.
Os pedaços que Gardner encontrou e que seus iniciados desejam perpetuar são os pedaços que sobreviveram mais coisas que bruxas de outras fontes trouxeram a ele ou a seus iniciados e foram incluidos para o que se tornou as Tradições.
Os pedaços que ainda são praticadas e ensinadas, ainda existem e podem ser revividas. Quando uma prática não é mais ensinada, os iniciados seguintes não sabem o que fazer se devem aprender, ocorreu uma evolução e isso não é positivo ou negativo. Isto é o que é.
Os covens atraem pessoas que toleram a forma que este coven trabalha, os covens repelem aqueles que resistem. Eventualmente a rejeição acontece antes da iniciação, ás vezes após a iniciação e eles têm a opção de permanecer até eles puderem concluir, encontrar um coven menos repulsivo, modificar as tradições, se tornarem ecléticos, se tornarem solitários ou parar de praticar.
Nosso coven não pratica exatamente da mesma forma que nossos covens mãe, mas nossos estudantes tem todo o material se permanecerem o suficiente para observar todas as práticas, copiar todas as notas e livros e completar todos os exercícios. Leva alguns anos para que a Perfeita Confiança faça efeito e mostre coisas que nunca estarão escritas e raraente ditas.
Um crescimento rápido não é o objetivo. A sobrevivência dos caminhos Antigos e a Sabedoria Antiga nas mãos certas é o objetivo.
A evolução "criou" o gato doméstico. Eu imagino o que o tigre pensa dessa evolução. Um dia não haverá mais tigres, porque nós tiraremos todo o habitat deles. Um dia em um festival [público] alguém irá estranhar a presença de um tradicionalista. Substitua essa tradição por outra e nos tornamos dinossauros ou peças de museu porque os ecléticos se multiplicam rapidamente e poucas das Velhas Bruxas escolhem reencarnar e se juntar a nós novamente.
Algum dia terá uma novela chamada O Último Gardneriano. Gardner pensou ter encontrado a última das bruxas da Bretanha e ficou surpreso quando sua proposta para documentar esta Crença antes de morrer se tornou em um sopro no chifre que chamou muitos de nós de volta para Casa.
Eu espero que de alguma forma a essência sobreviva tanto quanto as coisas que são raramente ditas. Eu sei como algumas coisas foram perdidas em minha linhagem ascendente e felizmente nós fomos capazes de recuperar. Outros ramos dessa linhagem não conseguiram e sua concepção da Tradição parece ser evolucionário, nem positivo nem negativo, apenas é. Será interessante ver as gerações passarem e [ver] o que meu coven tataraneto considerará ser a essência da Tradição e que será descartado no caminho. Eu espero que os Deuses nos permitam manter o que temos e que não tenha alguém que ache que saiba melhor e mude as coisas, se esquecendo ou jamais conhecendo porque nós fazemos o que fazemos da forma que fazemos.
Na minha Tradição, eu não tenho controle sobre o que os outros covens fazem, mesmo que se originar do meu. Autonomia significa total responsabilidade pela preservação da lenda e da prática é o principal do 3* Grau. Neste momento, muitos de nós revisa os pedaços: "O que é o Ofício? O que é importante? O que eu preciso aprender agora para servir melhor aos Deuses e para honrar aos Elders que vieram antes de mim?" Fica muito mais fácil ser um 1* ou 2* Grau que acha que entenderam tudo.
Felizmente, muitos 3* Grau tem um bom time de bruxas para ajudá-los a ponderar o abismo da filosofia sobre "O que é o Ofício e qual é minha responsabilidade a isto?" Como um progenitor, nós podemos cuidar disto, dar o melhor que podemos e então deixar que isto caminhe e cresça por si mesmo.
Portanto, eu acho que mudanças as vezes acontecem por uma falha no esforço, trabalho negligente e o desenvolvimento de hábitos que não são consistentes como o que veio anteriormente.
Eu não me preocupo com a evolução do Ofício. Eu me preocupo muito mais como eu posso ensinar aos que trabalharão em meu coven tudo que eu aprendi nas últimas décadas tanto quanto eu dou a eles as ferramentas e as estratégias para lidarem com qualquer tipo de novo desafio, oportunidades e demandas do Ofício enquanto crescem. Trabalho suficiente para toda uma vida.
Autora: Juniper Castalia, Alexandrina 3*, no fórum Amber & Jet.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Lugares sagrados na Lusitânia

"Sabemos pouco sobre os santuários lusitanos mas a abundância de capelas cristãs nas maiores elevações do seu território, levam-nos a pensar que era no alto dos montes que se evocariam as forças da Natureza e se fariam os sacrifícios. Parece-nos que a Penha de Prados (próximo de Prados, no concelho de Celorico da Beira) seria um local de sacrifício. A sua situação e a posição de algumas pedras lembrando um altar sugerem essa imagem. A Penha situa-se nos contrafortes da Serra da Estrela. O topónimo Penha é pré-romano e segundo autores, celta. Os Lusitanos faziam vaticínios através de sacrifícios humanos cortando o diafragma da vítima de modo a observarem o interior do corpo. Estes vaticínios eram formulados por um adivinho. Chamavam-lhe hieroskopos. Parece haver aqui uma semelhança com a prática da adivinhação dos sacerdotes gauleses. Sabemos que havia montes sagrados (Monte de Vénus) e rios. O Douro era um rio sagrado. Muitos topónimos que se mantêm em Trás-os-Montes e na Beira são nomes de Divindades: Laroco, Losa, Pala, Touro, Porco, Corvo, Luzelos, Serapico (Serápis), Celorico, Arentio, Caria (Cari), Ilurbeda, Caro, Cabar, Araco...Os cultos da Natureza predominaram entre os Lusitanos. As suas sobrevivênciasa persistem cristianizadas. Um dos cultos mais frequentes entre os povos de economia agro-pecuária é o das Divindades reguladoras da chuva.
O culto das fontes e dos cursos de água é comum a todo o mundo que sofreu influências culturais célticas. Sobrevive no nome de alguns rios e de ninfas minerais. Na mitologia céltica a mais importante Deusa da Terra era Ana-Dana, mãe dos Deuses. Mas, entre os Lusitanos, na sua fase mais primitiva, os Deuses confundiam-se com as forças da Natureza e com a capacidade procriadora. (...) São inúmeros os testemunhos da sacralidade das fontes mantidos através da tradição oral. Algumas vezes a explicação só surge muito recentemente. Uma brigada da Junta de Energia Nuclear trabalhando no concelho do Sabugal, verificou que a fonte santa tinha águas radioactivas, o que explicaria a sua eficácia. Na periferia da Guarda, na Senhora dos Remédios, ao fazerem a limpeza da canalização que conduzia a água para a fonte, encontraram em 1954 a cabeça de mármore de uma ninfa, que tive então oportunidade de estudar. Uma inscrição renascentista foi colocada na fonte dizendo: SALUS INFIRMORUM, confirmando a tradição salutífera. No tanque das Caldas do Cró, apareceram à volta de 1950 moedas romanas com a Deusa Salus.
O Deus Bormanicus, referido numa lápide de Caldas de Vizela, seria uma Divindade de águas termais. O mesmo poderia significar uma ara de Villas-Buenas, Salamanca, consagrada a Celioborcae. Celorico da Beira tem umas águas salutíferas, de onde talvez lhe provenha o nome dado por uma Celioborcae.
Turiaco também era uma Divindade lusitânica, aquática. Está citada numa ara de Santo Tirso. Segundo os investigadores L. Albertos e Palomar, o carácter desta Divindade permanece em hidrónimos em que entra o radical Tur. Este aparece com frequência por toda a Hispânia, segundo informa Blázquez. Na Beira Alta, perto de Vilar Formoso, conhecemos a ribeira de Turões, cuja raiz da palavra parece ser a mesma. A ara de Freixo de Numão, em linha recta situada a uns quarenta quilómetros da ribeira de Turões (Vilar Formoso), tem uma inscrição aos Lares Turolicis (atentar no radical de teónimo Tur), ao qual se acrescentou o nome de uma gens lusitana, como consta numa inscrição achada em Caldas de Lafões. O rio Tua poderá ter herdado a designação de uma Divindade hídrica."
Citado a partir de: "Os Lusitanos, Mito e Realidade", de Adriano Vasco Rodrigues.
Citado e coletado do blog: Gladius

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ação mundial contra o racismo e a intolerância

A ONU começou em 20/04 a II Conferência das Nações Unidas sobre o Racismo em Genebra. Como em outras conferências, houve boicotes por parte de algumas nações, por razões de política interna e segurança nacional. Uma resolução polêmica provoca reações polêmicas.
O plano da ONU começou em Durban, entre os dias 31/08 e 08/09/2001, resultando no informe A/CONF.189/12.
Depois foi realizado uma assembléia geral para implementar as ações discutidas em Durban, resultando na resolução A/RES.61/149:
1. Reconhece que a proibição da discriminação racial, do genocídio, do crime de apartheid e a escravidão, definida nas obrigações que impõe os instrumentos do direitos humanos correspondentes, não admitem exceções;
2. Observa com profunda preocupação e condena categóricamente todas as formas de racismo e discriminação racial, incluindo os atos de violência por motivos raciais, xenofobia e intolerância, assim como as atividades e organizações que tratam de justificar ou promover qualquer forma de racismo, de discriminação racial, xenofobia e intolerância;
3. Expressa sua profunda preocupação pelas recentes tentativas de estabelecer hierarquias entre as formas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância que estão aparecendo e ressurgindo e pede aos Estados que adotem medidas para combater estes flagelos com o mesmo afinco e vigor, a fim de impedir esta prática e proteger as vítimas;
4. Destaca que os Estados e as organizações internacionais tem a responsabilidade de assegurar que as medidas adotadas na luta contra o terrorismo não impliquem em discriminação em seus propósitos ou efeitos por motivos de raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica, e pede a todos os Estados que eliminem ou evitem os estereótipos raciais em qualquer forma;
5. Reconhece que os Estados deven aplicar e fazer cumprir as medidas legislativas, judiciais, regulamentárias e administrativas adequadas e eficazes de prevenção e proteção contra atos de racismo, discriminação racial, xenofobia e a intolerância, contribuindo desse modo a prevenir
as violações dos direitos humanos;
6. Reconhece também que o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância se produzem por motivos de raça, cor, linhagem ou origem nacional ou étnica e que as vítimas podem sofrer formas múltiplas ou agravadas de discriminação por outros motivos, como o sexo, o idioma, a religião, as opiniões políticas ou de outra índole, a origem social, a situação econômica, o nascimento ou outra condição;
7. Reafirma que toda apologia do ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitação à discriminação, a hostilidade ou a violência estará proibida pela lei;
8. Insiste em que os Estados tenham a responsabilidade de adotar medidas eficazes para combater os delitos motivados pelo racismo, pela discriminação racial, pela xenofobia e pela intolerância, entre elas, medidas para assegurar que tais motivos sejam considerados agravantes aos efeitos da sentença, impedir que esses delitos fiquem impunes e assegurar o estado de direito;
9. Pede a todos os Estados que examinem e, quando for necessário, modifiquem suas leis, políticas e práticas de imigração, para que não impliquem em discriminação racial e sejam compatíveis com suas obrigações diante dos instrumentos internacionais de direitos humanos;
10. Condena o uso indevido dos meios de difusão impressa, audiovisual e eletrônicas e as novas tecnologías de comunicação, incluindo a Internet, para instigar à violencia motivada pelo ódio racial, e exorta aos Estados que adotem todas as medidas necessárias para combater esta forma de racismo, em conformidade com os compromissos contraídos na Declaração e Programa de Ação de Durban, atendendo-se às normas internacionais e regionais vigentes em matéria de liberdade de expressão e tomando todas as medidas necessárias para garantir o direito à liberdade de opinião e expressão;
11. Solicita a todos os Estados que incluam em seus planos de governo e seus programas sociais em todos os níveis, o conhecimento, a tolerância e o respeito à todas as culturas, civilizações e religiões e de todos os povos e países;
12. Destaca que os Estados tem a responsabilidade de incorporar a perspectiva de genero na concepção e preparação de medidas de prevenção, educação e proteção destinadas a erradicar o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância em todos os níveis, para assegurar
que se tenha em conta efetivamente a situação distintada mulher e do homem.

Os itens discutidos nas conferências e publicados na forma de informes ou resoluções pouco ou mal são divulgados pela Imprensa, deixando muito espaço para reações passionais por parte de indivíduos, grupos ou nações que vejam seus direitos "ameaçados". Eu espero que, ao informar ao público geral sobre quais são essas ações e resoluções da ONU, essa reação passional acabe.

Há uma esperança

Quem observou os ultimos acontecimentos deve estar agora com um pouco mais de esperança. Até a pouco tempo atrás os EUA se negavam a pensar ou considerar os efeitos do CO² ou da emissão de gases que provocam o "efeito estufa", causas prováveis do "aquecimento global" ou do conjunto de elementos que estão causando uma alteração no clima mundial.
Neste mês, os EUA mudaram sua posição, ao admitirem que: "O dióxido de carbono e outros cinco gases, que contribuem para o aquecimento global, são um risco para a saúde e bem-estar humano". Mais, existem planos para controlar a emissão de CO² e outros gases: "O Governo dos EUA inicia o processo para regular pela primeira vez a emissão dos gases aos quais se atribui o aquecimento global".
Ainda que se leve em consideração que a estratégia política dos EUA seja: "Depender menos do petróleo dos árabes; outro é cuidar, sim, do meio ambiente e reduzir a emissão de gases de carbono; e o terceiro é gerar emprego", ainda que consideremos que é muito pouco frente ao volume desses gases e aos efeitos percebidos no ambiente, é um começo.
Muito ainda tem que ser acertado e discutido. Nossa espécie vive atualmente da produção industrializada de bens e serviços. Isto demanda matéria prima, tirada da natureza e alguma fonte de energia, que no momento provém de máquinas alimentadas por energia elétrica ou comburente. As instalações, os meios de extração, as formas de refinação e distribuição dessa energia tem afetado o ambiente. Em outras palavras, teremos que repensar desde a base a economia de nossa sociedade, bem como o nosso estilo de vida.
Diante da espectativa de que: "O aquecimento global é irreversível e, mesmo se todas as emissões de gases-estufa fossem cortadas a zero, as temperaturas continuariam elevadas por mil anos", um passo é melhor do que ficar parado assistindo nossa geração e as vindouras perecendo por nossa ganância.

domingo, 19 de abril de 2009

Idolatria vs Iconoclastia

Um dos assuntos mais levantados por quem costuma difamar e caluniar o Neopaganismo, a Bruxaria e a Wicca gira em torno da pecha pejorativa de que nós somos idólatras, tendo evidentemente por base um trecho da bíblia condenando a feitura e a adoração de imagens.
Mas será que o Deus bíblico é contra a feitura de imagens? O que Ele tem contra imagens ou seu uso em rituais?
Segundo os textos bíblicos, Yahveh proibiu ao povo de Israel que fizessem e adorassem a imagens de qualquer coisa que exista na terra ou no alto: [Êxodo 20:1-4] "Então falou Deus todas estas palavras dizendo: Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egipto, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra."
Vamos esquecer por algum tempo que esse Deus se identifica claramente como sendo o Deus de Israel e de nenhum outro, vamos inlcusive esquecer que este Deus é a base do Deus Cristão e que bibliólatras citam esse trecho sem analisar seu contexto e vamos a um trecho onde este mesmo Deus manda ou autoriza a feitura de imagens: [Êxodo 25:10-20] "Também farão uma arca de madeira de cetim; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura, de um côvado e meio, e de um côvado e meio, a sua altura. E cobri-la-ás de ouro puro; por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre ela uma coroa de ouro ao redor; e fundirás para ela quatro argolas de ouro e as porás nos quatro cantos dela: duas argolas num lado dela e duas argolas no outro lado dela. E farás varas de madeira de cetim, e as cobrirás com ouro, e meterás as varas nas argolas, aos lados da arca, para se levar com elas a arca. As varas estarão nas argolas da arca, e não se tirarão dela. Depois, porás na arca o Testemunho, que eu te darei. Também farás um propiciatório de ouro puro; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura, de um côvado e meio. Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório. Farás um querubim na extremidade de uma parte e o outro querubim na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com as suas asas o propiciatório; as faces deles, uma defronte da outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório."
Ou então este trecho, igualmente significativo: [Números 21:5-9] "E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito, para que morrêssemos neste deserto? Pois, aqui, nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil. Então, o SENHOR mandou entre o povo serpentes ardentes, que morderam o povo; e morreu muito povo de Israel. Pelo que o povo veio a Moisés e disse: Havemos pecado, porquanto temos falado contra o SENHOR e contra ti; ora ao SENHOR que tire de nós estas serpentes. Então, Moisés orou pelo povo. E disse o SENHOR a Moisés: Faze uma serpente ardente e põe-na sobre uma haste; e será que viverá todo mordido que olhar para ela. E Moisés fez uma serpente de metal e pô-la sobre uma haste; e era que, mordendo alguma serpente a alguém, olhava para a serpente de metal e ficava vivo.
Como podemos ler, existe um conflito, uma contradição, quanto ao que Yahveh realmente diz quanto ao uso e adoração de imagens. O caso é de pura e simples iconoclastia, mais por motivos políticos do que religiosos.
Vamos então ao cerne da questão: o que é uma imagem e como e por que esta é usada em rituais?
A imagem é vista apenas na forma de estátua, mas uma imagem é também qualquer instrumento religioso e sacro, como quadros, pinturas, castiçais, turíbulos e mesmo um texto, como a Escritura. Imagem é um ou mais conjuntos simbólicos usados para simbolizar ou representar algo, alguma coisa, alguém. Nesse sentido, dar atenção em demasia ao que está escrito na Escritura consiste também em uma idolatria, o texto sagrado é a base a partir de onde o crente vai construir sua relação com Deus, não o seu objetivo. Ao se prender a um texto, escrito por homens tão falíveis quanto ele, o crente perde seu objetivo e se torna mais um fanático, mais um fundamentalista, perdendo todo seu propósito de busca espiritual.
Para nós, Neopagãos, há tanto sentido encontrar a Deus na Escritura [um livro, um objeto inanimado] quanto encontrar aos Deuses na Natureza. Assim como os Cristãos encontram a Vontade do Deus Cristão na Escritura, os Neopagãos encontram a Vontade dos Deuses Antigos na Natureza. Enquanto que para os Cristãos a Escritura é a mais pura Verdade manifestada do Deus Cristão, para os Neopagãos a Natureza é a mais pura Verdade manifesta dos Deuses Antigos. Os Cristãos evocam e adoram ao Deus Cristão através do uso da Escritura, os Neopagãos evocam e adoram aos Deuses Antigos através do uso da Natureza. Para o Cristão a Escritura é o intermédio para entrar em contato com o Deus Cristão, para o Neopagão a Natureza é o intermédio para entrar em contato com os Deuses Antigos.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Religião e crença dos Vietnamitas

Como em muitas outras coisas no Vietnam, por lá, a religião também não é o que parece.
Apesar da maioria se dizer, bem genericamente, budista (85%), o que eles praticam, na verdade, é o que se conhece como “tripla religião”, um sincretismo que mistura as duas principais religiões trazidas pelos invasores chineses, Confucionismo e Taoísmo, séculos atrás, com a veneração ancestral de mortos, animais e forças da natureza, originada nos mais remotos tempos da região.
Provando ser, mais uma vez, um povo que resiste às invasões - militares ou culturais - os vietnamitas adaptaram as religiões aos seus hábitos e crenças e não o contrário.
Por exemplo, apesar da religião “predominante”, o budismo Mahayana, pregar o vegetarianismo, come-se muita carne no Vietnam e os praticantes apenas se abstém de carne uma ou duas vezes por mês.
A Igreja Católica não é diferente. Apesar de já ser a segunda religião mais “importante”, o que se vê é muito parecido com a umbanda brasileira, altares com imagens de Cristo lado a lado com “santinhos” com nomes e fotos dos mortos e imagens de animais adorados na casa.
O Templo Bach Ma, ou Templo do Cavalo Branco, das fotos acima, é um exemplo do mélange espiritual vietnamita. Eu nunca vi nada igual.
Reza a lenda que um madarim tentava construir uma fortaleza, um muro para proteger a cidade, mas ele sempre caía. Até que um cavalo branco desceu dos céus e indicou, deixando seu rastro, onde o muro deveria ser feito. E o muro resistiu por séculos.
Esse cavalo branco virou um herói nacional e é venerado, no Templo Bach Ma, junto com Confúcio, Buda, as Mães Sagradas (Mãe do céu, da água e da floresta), Long Do (Barriga do Dragão) e, principalmente, os mortos, que têm um papel fundamental na espiritualidade do povo.
Apesar de não ser visto com bons olhos pelo Governo, o culto aos mortos está em cada esquina de Hanói. Como vocês podem ver nas fotos do templo, latas de coca-cola e cerveja (importada, Heineken!) são oferecidas, junto com enormes pratos com pacotes de biscoito Maria, alimentos locais, muito incenso e dinheiro falso, de papel.
Numa das fotos do quadro, uma placa com nome dos mortos que são adorados nos templo.
Na foto ao lado, uma mulher queima “dinheiro” na calçada, no mercado 19-12, como oferenda aos que já se foram… eles acreditam que esse dinheiro pode ser útil no inferno, antes que possam mudar para o paraíso.
O espiritismo, no Vietnam, mistura pessoas do mundo real, mortos, animais, forças da natureza no que se chamou, uma época , animismo, que vêm de ânima.
Alguns animais cultuados por lá são:
Tartaruga: Lembram que elas carregavam placas com nomes de estudiosos, lá no Templo da Literatura? adorada como símbolo de longevidade, elas estão em toda parte. No Templo do lago Hoan Kiem tem o que se diz ser uma tartaruga gigante (250 kg) empalhada, que teria sido encontrada por lá. No mercado, encontra-se muitas tartaruguinhas com uma espada nas costas. Eu trouxe uma que é uma bússola de Feng Shui.
O Dragão: É o animal mais importante das celebrações religiosas vietnamitas, é o guardião, protege o povo e empoderando e dando inteligência.
Fênix: Geralmente representado por um casal de pássaros, a fênix é a rainha, a manifestação da beleza e paz. Acredita-se que trazem boa sorte.
Também adoram unicórnios, tigres, leões e, nas colônias de pesca, as baleias, são consideradas fundamentais para trazer sorte e proteger os pescadores no mar.

Fonte: Síndrome de Estocolmo

Afegãs protestam contra 'estupro legalizado'

Cerca de 200 afegãs realizaram nesta quarta-feira um protesto do lado de fora da mesquita Khatam Al Nabi contra a lei que organizações de direitos humanos estão chamando de "estupro legalizado", informou o jornal britânico The Guardian. O alvo da manifestação é Mohammad Asif Mohseni, o clérigo radical que apóia fortemente a proposta que também proíbe as mulheres de saírem de casa sem a permissão do marido.
Além de não poderem negar a relação sexual com o parceiro (por isso estupro legalizado), a lei também diz que as mulheres só podem procurar trabalho, buscar educação ou visitar médicos com a autorização dos maridos. Durante o protesto, alguns homens reagiram atirando pedras contra as mullheres. Eles afirmam que a manifestação é uma pressão para imposição de valores ocidentais no Afeganistão.
A lei, que vale apenas para uma minoria xiita, causou constrangimento para o presidente afegão, Hamid Karzai. Em março, ele foi acusado de tentar ganhar votos para as próximas eleições ao apoiar a legislação. A ONU, líderes mundiais e do próprio Afeganistão repudiaram a iniciativa. "Isso é pior do que o regime talibã. E qualquer pessoa que se levantou contra a lei foi acusado de ser contra o Islã", disse o senador Humaira Namati.
No entanto, as manifestações de hoje mostram que pelo menos algumas mulheres afegãs não estão aceitando tal submissão. Um comunicado elaborado pelas organizações responsáveis pela marcha classificou a lei "como um insulto à dignidade das mulheres enquanto seres humanos, além de contribuir para a desigualdade e o etnocentrismo", segundo o Guardian.

Fonte: Notícias do Terra
Nota da casa: Enquanto isso, no Brasil "cristão", maridos, noivos e namorados continuam espancando e aterrorizando suas parceiras, a ponto destas temerem mais seus homens do que o câncer.

Kanamara Matsuri

Um festival inusitado e curioso atrai todo ano cerca de 10 mil turistas à cidade japonesa de Kawasaki, na província de Kanagawa.
O Kanamara Matsuri, ou Festival do Falo de Aço, é realizado há cerca de 40 anos e os símbolos que representam o templo são os órgãos sexuais masculino e feminino.
Popularmente conhecido como Festival da Fertilidade, o evento atrai muitos curiosos, que se divertem com as cenas inusitadas. Mas os japoneses levam os rituais muito a sério.
Kazujiro Kimura, chefe da comissão organizadora do evento, explicou à BBC Brasil que o deus do templo de Kawasaki garante fertilidade e harmonia aos casais. "Antigamente, as prostitutas vinham até aqui para pedir também por proteção contra doenças sexualmente transmissíveis", conta.
O festival serve também para fazer campanhas de prevenção à Aids. "Começamos a distribuir panfletos e camisinhas há seis anos", lembra Izumi Tamaki, responsável pelo departamento de saúde da cidade.
Enquanto os japoneses oram e seguem as tradições, os turistas se divertem com o festival. A brasileira Hiroko Kuba, de 40 anos, mora no Japão há seis anos e esta foi a primeira vez que visitou o festival. "Vim mais pela curiosidade e achei tudo muito engraçado", conta.
As formas dos orgãos sexuais masculino e feminino podem ser vistas por toda parte, em ilustrações, doces, lembrancinhas e esculturas. Três pênis gigantes chamam a atenção do público. Dois deles - um negro e outro rosa - são carregados pelas ruas em pequenos andores.
Os visitantes também aprendem a esculpir pênis em nabos e cenouras. O templo foi construído há mais de 150 anos, no chamado Período Edo (1603-1867). Os monges do templo também divulgam uma história folclórica sobre o deus local.
Segundo a lenda, um demônio com dentes afiados teria se escondido na vagina de uma jovem e castrado dois homens durante a noite de núpcias. Então, um ferreiro teria construído um falo de aço para quebrar os dentes do demônio.

Fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Elas querem o sacerdócio

Católicas se organizam na luta pelo direito de celebrar missas, casamentos e batizados, atividades restritas aos homens da Igreja.
O direito de as mulheres exercerem o sacerdócio é um dos maiores e mais antigos tabus do catolicismo. Alheia ao movimento feminista, que já completa mais de quatro décadas, e a todas as conquistas decorrentes dele, a Igreja de Roma é intransigente em relação a qualquer mudança em suas leis que amplie o poder feminino na hierarquia cristã. Cada vez mais incomodadas com a situação, as próprias católicas resolveram se rebelar.
Uma série de iniciativas se espalham pelo mundo na tentativa de insuflar o debate na sociedade. E, principalmente, incomodar a Santa Sé, a ponto de ele não poder ficar indiferente. Em março, por exemplo, um grupo de 300 religiosas se postou em frente à embaixada do Vaticano, em Washington. As mulheres protestavam contra a ameaça de excomunhão do padre Roy Bourgeois, 71 anos, que em agosto do ano passado ordenou uma freira na Geórgia. O sacerdote deveria ter se retratado até o dia 10 de dezembro, mas preferiu não voltar atrás na decisão. “Jamais poderia retroceder em um ato de justiça”, disse o reverendo à ISTOÉ. Para coibir a rebeldia das freiras americanas, o Vaticano enviou uma comissão de eclesiásticos para avaliar as congregações femininas nos EUA.
Exceto a Igreja Católica, a maioria das religiões cristãs – que não têm uma autoridade centralizada – já supera a questão do gênero no sacerdócio. Até mesmo a conservadora Igreja da Inglaterra, a mais tradicional entre os anglicanos, realizou em fevereiro a última votação para regulamentar a ordenação de mulheres, que entrará em vigor em 2010. Foram 281 votos a favor e 114 contra. Cerca de 80% das igrejas anglicanas de todo o mundo já permitem a ordenação feminina.
O papa Bento XVI é o alvo preferencial das manifestações. No dia 16 de abril do ano passado, enquanto comemorava seu aniversário na Casa Branca, cerca de 1,3 mil religiosas de diversos países se reuniram no evento Giving the Gift of Women’s Leadership (Presenteando com a Liderança Feminina). Na ocasião, mesmo sob o risco da excomunhão, elas realizaram missas em conformidade com os ritos canônicos. O objetivo era pedir ao sumo pontífice a inclusão da ordenação feminina na pauta de debate do Vaticano.
A Igreja Católica alega não permitir o sacerdócio de mulheres porque Jesus teria escolhido apenas homens para pregar o Evangelho – os apóstolos. As mulheres tiveram participação fundamental na vida de Jesus. Além da presença constante de Maria, que costumava dar conselhos ao filho, foi com a ajuda de uma samaritana que ele mobilizou a multidão nos seus primeiros sermões. Maria Madalena, uma das discípulas mais devotas, foi escolhida para receber a mensagem da ressurreição e informar o milagre aos apóstolos. Marta o acompanhou durante a crucificação, enquanto muitos dos seus seguidores homens o abandonaram. “A Bíblia diz que somos todos iguais perante Deus, mas a Igreja trata homens e mulheres de forma diferente”, contesta Aisha Taylor, diretora da Women’s Ordination Conference (Conferência pela Ordenação de Mulheres). “Os sacerdotes não querem compartilhar o poder porque temem o avanço feminino, já que elas são maioria”, afirma o padre Roy Bourgeois, que irá ao Vaticano no dia 22 de julho para tentar abordar o tema num encontro com Bento XVI. Segundo levantamento do grupo Women Priests (Mulheres Sacerdotisas), oito em cada dez teólogos no mundo apoiam a ordenação de mulheres.
Os partidários da renovação católica acreditam que a ordenação de mulheres poderia ser uma solução para um dos maiores problemas da Igreja na atualidade – a crise de vocação. Segundo o anuário pontifício de 2009, a Instituição Católica conta com cinco mil bispos, 408 mil padres e 36 mil diáconos em todo o mundo. Em contraste, o número de religiosas chega a 810 mil. “Ao longo dos anos, conheci padres incapazes de serem párocos e mulheres consagradas na direção das comunidades”, afirma dom Clemente Isnard, que defende o fim do celibato de padres e a ordenação de mulheres. “Nas numerosas congregações femininas, muitas mulheres brilham mais do que os homens.”
Segundo o bispo Glauco Soares, da Igreja Anglicana no Brasil, os católicos confundem sociologia e teologia para justificar a supremacia masculina: “Os apóstolos eram homens porque a sociedade era patriarcal, não porque Jesus Cristo determinou que apenas eles poderiam representá-lo.” O padre Juarez de Castro, da Cúria Metropolitana de São Paulo, nega o sexismo, apesar de justificar que é o homem que carrega o papel histórico de chefe da casa: “Não é que as mulheres sejam inferiores, é apenas uma questão de ministério.”

Fonte: Istoé
Dica da casa: As mulheres católicas podem muito bem abandonar a Igreja e tentar o sacerdócio em uma das muitas religiões Neopagãs. Todas elas serão muito bem vindas.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Cristianismo = Misoginia

Para conseguirmos entender a concepção do dogma cristão em relação ao aborto é necessário abordar as raízes do cristianismo que são simultaneamente as raízes da demonização do sexo e da demonização e menorização da mulher. Embora frequente e inconvincentemente negada, a misoginia explícita na Bíblia foi a fonte onde os chamados pais fundadores do cristianismo beberam a misoginia que ainda hoje caracteriza as religiões cristãs em geral e a católica em particular. Misoginia expressa, por exemplo, no mito da "imaculada concepção". A "virgem" Maria foi elevada a paradigma da mulher cristã, uma mulher que nasceu "liberta do pecado original" e concebeu um filho "por graça do Espírito Santo", isto é sem o abominado sexo, façanhas que mais nenhuma mulher na História conseguiu igualar. Ou seja, o culto mariano apenas reforça quão indigna é a mulher que não consegue cumprir a sua função reprodutora sem o pecaminosos desejo sexual!
Quando o Cristinanismo se tornou a religião dominante no Império Romano pela mão de Constantino, a posição e papel social da mulher, até aí muito "equalitários", quiçá também por infuência etrusca, conheceram uma crescente deterioração, tendência que só começou a ser invertida no século XIX quando o poder das Igrejas, especialmente a de Roma, começou a declinar.Como indicado pela teóloga católica alemã Uta Ranke-Heinemann1 o ódio às mulheres é a caracteristíca comum de todos os principais teólogos cristãos dos primeiros séculos do cristianismo. Especificando com os mais reconhecidos teólogos (e santinhos) desta época. Clemente de Alexandria (~150-215), o pai grego da Igreja, devotava um tal desprezo pelas mulheres que afirmou no seu livro Paedagogus que "a consciência da sua própria natureza deve evocar sentimentos de vergonha" às mulheres. Tertuliano (~160-225), o pai africano, chamava às mulheres "a porta do Diabo", Orígenes (~185-254), o patriarca de Alexandria, tinha tal ódio às mulheres e ao sexo que se castrou de forma a atingir "perfeição cristã".
Igualmente condenatórios da mulher e do sexo (uma consequência da Queda promovida pela pérfida Eva e cuja culpa é carregada para sempre por todas as mulheres) encontramos os grandes defensores da virgindade, a grande virtude cristã, Gregório de Nazianzum (329-389), bispo de Constantinopla, outro "santinho" Gregório (~330-395), bispo de Nyassa, Ambrósio (~339-397), bispo de Milão, Jerónimo (~342-420)(que traduziu a Bíblia para latim) e o patriarca de Constantinopla, João Crisóstomo (340-407).

Mas o expoente máximo da misoginia e ódio ao sexo cristãos é Agostinho de Hipona. Agostinho achava a mulher tão claramente inferior ao homem que achou necessário fazer a pergunta
"Por que razão a mulher foi sequer criada?". A fobia da mulher e do sexo que se encontra em Agostinho, apenas entendida como uma aberração particularmente grotesca, infelizmente consolidou-se de pedra e cal no cristianismo pela pena fácil e erudita de Agostinho.

Autora: Palmira Silva, coletada no blog Mulheres & Deusas

Crise humana

Vivemos na era da individualidade, da evocação proverbial do ego.
Na verdade a crise financeira e económica que agora atravessamos transformou-se numa bem mais gravosa crise social, com a consequente crise de valores e de confiança que as próximas gerações lamentavelmente terão de atravessar.
Podemos culpar o sistema neo-liberal, o capitalismo, o terrorismo e muitos outros "ismos", mas o problema essencial reside em cada um de nós, enquanto seres humanos educados sob a égide católica, muçulmana, judaica, ateia, hindu ou outra qualquer. É na própria individualidade e na sua abstenção face a valores comuns a uma sociedade dita igualitária e fraterna, que reside o grande problema social actual.
O indíviduo passou a tomar conta de si pouco se importando com outrem: " Então? Como é que é? Tudo bem?" "Sim, vai-se indo". Quantas e quantas vezes ouvimos repetidas vezes estas expressões na nossa vida diária? Provavelmente dezenas de vezes. É verdade. Tornou-se um hábito mecânico, tal como acordar todos os dias à mesma hora para ir para o emprego ou lavar os dentes antes de deitar. É algo que dizemos ou fazemos institivamente, mas que não deixa de ter um certo condimento caricatural.
Não me proponho fazer uma análise geracional que sustente uma teoria sobre as contigências da vida social actual, mas para todo o efeito e com base no senso comum (que na maioria dos casos é o factor de maior peso na expressão das nossas opiniões), sinto que as gerações que me precederam tinham, de uma forma geral, uma série de valores quase intocáveis: a justiça, a amizade e a confiança eram pilares, que dificilmente eram abalados.
O companheirismo, e a entreajuda são hoje linhas ténues no horizonte. O Amor deixou de se espalhar para se concentrar, em nós próprios. Hoje não lutamos em conjunto contra uma injustiça, lutamos entre nós próprios porque queremos ser melhores, ter mais poder, mais influência. Hoje não me indigno contra o meu empregador por não me ter sido aumentado o salário segundo o decreto-lei nºxxx, porque tenho medo de sofrer represálias. Se o meu colega me fizer uma proposta para um abaixo-assinado a manifestar essa mesma indignação eu digo que vou pensar, mas acabo por não assinar.
Hoje seria impossível existir um movimento com a força de um Maio de 68 ou com a força dos movimentos populares e militares que derrubaram as ditaduras do séc. XX.
O perigo do sistema em que vivemos é que, ao contrário de uma ditadura, as forças do real poder são invisíveis e a invisibilidade torna-as imunes. Não existe um rosto, não existe uma figura ou várias a quem possamos apontar o dedo como pudemos (ou podemos ainda) com Salazar, Estaline, Hitler, Franco, Pinochet, Fidel ou Sharon...
O mundo encontra-se numa encruzilhada, mas nós cabisbaixos só pensamos no nosso projecto post-mortem. Isso mesmo, post-mortem. Aquilo a que nós hoje, cidadãos do mundo chamamos de projecto de vida nada mais é que a marca - mais ou menos ambiciosa - que pretendemos deixar cá, e com a qual queremos que sejamos lembrados depois da inevitabilidade da morte. Queremos ser lembrados no futuro por aquilo que fizemos no passado.
Na era da individualidade, aquilo que realizamos hoje será a marca de um passado que há-de vir ou não. Aquilo que projectamos para o futuro é a miragem do que poderemos ser depois de já cá não estarmos. Para nós, seres individuais que vivemos este tempo de crise a vida é um longo projecto post-mortem. No passado "colectivo" não terá sido assim. No futuro espero que também não.

Fonte: Rebuços Aleatórios

domingo, 12 de abril de 2009

A questão das gerações e da "autoridade"

A "autoridade" ainda repousa nas mãos da geração recente que a mantém. Mesmo neste modelo. Talvez especialmente neste modelo.
Eu prefiro ver a Wicca morrer a modificá-la por algo que não é. Morte é parte do ciclo natural e nós não fazemos proselitismo. Quando os Deuses cessam de chamar novos neófitos, a Wicca termina. Será assim. Como deve ser.
Uma vez que começemos a modificar a Tradição para atrair novos neófitos ou para torná-la mais palatável para os sentimentos modernos, a Wicca se tornou outra coisa e morreu de qualquer forma.
Existe uma premissa subentendida que a Wicca existe para servir à Wicca. Nós não servimos para isso. Nós existimos para servir aos nossos Deuses. Eles nos dão poder então nós devemos serví-los. Se ninguém mais nos é enviado para ser treinado, então nosso sacerdócio cessará. E no tempo certo, os Deuses a quem servimos como sacerdotes chamará a outros. Estes irão tatear até descobrirem um meio que os permitirá servir aos Deuses, com formas, lendas e tradições diferentes e um novo sacerdócio aos nossos Deuses irá surgir.
Quando as pessoas certas respondem ao chamado, quando uma nova egrégora servindo ao nosso Senhor e Senhora surgir novamente, nossos Deuses irão notificar o trabalho e guiar as mãos que escrevem os materiais e falarão as palavras e oficiarão os rituais e mais uma vez o velho poder retornará. Não nos esqueçamos a Carga de [Doreen] Valiente: "Haverá uma reunião, aos que estão ansiando aprender toda bruxaria, mas ainda não atingiu seu mais profundo segredo, a estes Eu irei ensinar estas coisas que ainda são desconhecidas."
Autor: Adam Pacio (3* Alexandrino), no forum Amber & Jet
Nota da casa: Uma afirmação ousada e corajosa, diante do movimento de popularização e massificação da Wilka S/A, com seus ideais espúrios que a Wicca deve "evoluir", "progredir" e abandonar a tradição em nome de valores ecléticos.

sábado, 11 de abril de 2009

Religião e crença dos Akha

Os Akha compartilham a crença uniforme de muitas culturas antigas que todas as coisas tem seu dono, seu espirito, o qual entre os Akha é chamado Yaw Shahl. O Xamanismo predata todas as outras religiões e sobrevive nos dias atuais após 20 mil anos por causa de sua filosofia de vida sustentável.
Os Akha vivem pelo código que "todo é sempre agora", uma inerente crença na "roda do tempo eterna" onde não há separação entre a humanidade e o mundo "material ou objetivo". Eles têm um profundo senso de mito que age como uma ligação entre a imaginação e o mundo sagrado. Através do mito o mundo é intrinseco, liga a consciência à imaginação.
O mundo dos Akha é uma presença tanto numinosa e pessoal, não uma coisa nem um objeto inanimado. O que eles chamam de natureza não é distinto de sua humanidade: eles pertencem ao mesmo continuum de sentimentos. Não há dicotomia entre eles. Frágeis comunidades tribais compartilham a percepção que o universo é uma teia orgânica, sagrada e indivisível, atada ao feminino.
Os Akha acreditam que escrever as coisas iria fixar o mundo e isso significaria que morreria. Para os Akha, o mundo não é determinado por escrita, mas por relações e interrelações.
Os Akha tem rituais para os vivos e seus ancestrais. Rituais sõa parte de suas vidas porque eles dissolvem o senso do indivíduo [self] e a dicotomia entre eles e o mito. Eles [os rituais] cobrem todos os aspectos da vida - ocupação, saúde, ambiente os reinos humano e espiritual.

Os Akha acreditam que a civilização Ocidental é complexa mas compartilha uma oica em comum: o mundo é material. Poder e riqueza são suas formas de linguagem. Dominação sobre a floresta e as águas refletem isso. O Monoteísmo formou o Homem Ocidental e em troca o Homem Ocidental tem dominado o mundo.
Os aborígenes das Américas, da Austrália, da Tasmânia, da Amazônia, da Índia, da África, da Sibéria e Ásia compartilham que o mundo é sagrado. O Homem Ocidental não diz que que o mundo é sagrado, diz que o Homem é o princípio dominante no mundo. Por favor ajude a nós e a todas as pessoas que crêem que o mundo é sagrado, pela humanidade, antes que seja tarde demais e nos encontremos perdidos, encarando apenas a nós .

Fonte: AFECT

Crise alimentar

A crise econômica mundial colocou em segundo plano outra crise global: a crise climática. Essas duas crises estão entrelaçadas, fato que poucos conseguem enxergar e articular. Poderíamos ainda acrescentar a essas duas crises, outras duas: a crise alimentar e a energética. Vivemos uma quádrupla crise: climática, financeira, alimentar e energética. Interpretá-las de forma encadeada é um desafio mais do que necessário, é uma exigência para a reta análise na busca de alternativas radicais que dêem conta do impasse civilizacional em que nos encontramos.Ainda mais. As respostas à crise econômica, energética e alimentar podem agravar a crise climática em função de que as propostas em curso sugerem a necessidade de retomar com vigor o crescimento econômico. Ocorre que o crescimento econômico, mesmo quando travestido de ‘crescimento sustentável’, é uma ameaça ao combalido planeta que não já não suporta a lógica economicista, ou seja, a idéia de um progresso infinito. É possível num mundo de recursos finitos, o progresso infinito? A economia é incapaz de formular essa pergunta, mas da resposta que se dê a ela, depende o futuro da humanidade.[Ecodebate]
Temos 6,7 bilhões de habitantes, e produzimos mais de 2 bilhões de toneladas de grãos, o que significa que produzimos quase um quilo de grãos por pessoa e por dia no planeta, amplamente suficiente para alimentar a todos. Há diversos processos que estão convergindo para criar dificuldades, alguns de curto prazo, outros mais estruturais. De imediato, a crise financeira provocada pelas aventuras especulativas dos investidores institucionais está desviando fundos anteriormente aplicados na área especulativa imobiliária para aplicações consideradas mais seguras, e para os especuladores investir no mercado de futuros de grãos parece seguro. Ou seja, já se está especulando com os alimentos, e a alocação de fundos especulativos nesta área eleva os preços. [snip] A especulação se realimenta neste processo, prevendo que haverá falta de grãos, e aprofundando esta falta ao apostar na alta de preços. A alta de preços dificulta o acesso à comida por parte dos mais pobres, cerca de 800 milhões de pessoas no mundo que não comem o suficiente.[Ladislau Dowbor]
A produção agrícola mundial é, comprovadamente, mais do que suficiente para alimentar toda a população do planeta. Mesmo assim enfrentamos uma inaceitável crise alimentar.
A partir de dados estatísticos coletados em 2006, a FAO (Food and Agriculture Organization, das Nações Unidas) pôde afirmar que a produção de alimentos no planeta é suficiente para garantir à população mundial uma dieta diária de quase 3.000 calorias. Portanto, o problema da fome episódica ou crônica não é a falta do que comer, mas os recursos financeiros para ter-se acesso ao alimento, cada dia mais caro.
A crise alimentar atual é causada pela conjunção de fatores associados: especulação agrofinanceira, aumento artificial do preço das commodities, fatores climáticos adversos, consumo e desperdício obscenos, agricultura intensiva e asfixia da agricultura familiar, entre outros.
Em muitos países – em especial na África e na Ásia –, o potencial de crise é maximizado pelos “grandes interesses econômicos internacionais”, que não têm o menor escrúpulo em especular [snip].[
Henrique Cortez]

Colapso ambiental

Um estudo realizado a pedido do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, alerta que o planeta corre o sério risco de sofrer um colapso ambiental ainda neste século se medidas enérgicas não forem tomadas para reverter o atual quadro de destruição dos recursos naturais.
Segundo o estudo, cerca de 60% de todos os ecossistemas do planeta estão degradados ou sendo usados de um modo não sustentável, o que pode provocar um colapso ambiental global em um período de 50 anos.
Intitulado “Avaliação Ecossistêmica do Milênio” (AEM), o estudo começou em 2001, reunindo 1.360 especialistas de 95 países. As perspectivas para o futuro próximo são alarmantes, alertaram os pesquisadores, enfatizando que a destruição de 15 dos 24 ecossistemas do mundo causará o surgimento de novas doenças, escassez de água, da pesca e aparição de zonas mortas no litoral.
Esse estudo resultou em um dos relatórios mais completos e atualizados sobre a situação do meio-ambiente no planeta. E ela não é nada boa, garantem seus autores. Um dos trechos do relatório , intitulado “Vivendo além dos nossos meios - O capital natural e o bem-estar humano”, afirma: “dentre os problemas mais sérios identificados por esta avaliação estão as condições drásticas de várias espécies de peixes, a alta vulnerabilidade de 2 bilhões de pessoas vivendo em regiões secas e a crescente ameaça aos ecossistemas das mudanças climáticas e poluição de seus nutrientes”. Os pesquisadores utilizaram a imagem de alguém que está vivendo com tempo emprestado, para descrever o modo como estamos convivendo com o meio ambiente. Um dos casos mais graves, segundo eles, está no uso da água: “o uso do recurso de água em um ritmo muito maior do que se gera se faz às custas de nossos filhos”.
Os resultados desse estudo foram apresentados nesta quarta simultaneamente em diversos países. No Brasil, um seminário marcado para o dia 2 de abril, discutirá as implicações de suas conclusões, no auditório do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). Em setembro, os pesquisadores responsáveis pelo projeto divulgarão outros cinco relatórios técnicos, com mais de 2,5 mil páginas contendo estudos sobre as relações entre os ecossistemas globais e o bem-estar humano.
Além disso, no primeiro trimestre de 2006 está prevista a divulgação de outros 33 estudos realizados em diferentes regiões do planeta. A idéia dos pesquisadores é fazer a máxima divulgação possível deste estudo com o objetivo de, entre outras coisas, sensibilizar a população e as autoridades governamentais que os riscos são reais e não uma peça de ficção científica produzida por cientistas alarmistas ou ambientalistas radicais. Nós já estamos vivendo essa ameaça, garantem.
Um dos coordenadores da pesquisa, o cientista Harold Mooney, da Universidade de Stanford, resumiu do seguinte modo a gravidade do problema: “no último meio século nós alteramos as estruturas dos ecossistemas globais em uma velocidade mais rápida do que em qualquer outro período da história”. Essas alterações, por um lado, foram fruto da intervenção humana para aumentar a área e a produtividade das áreas de produção de alimentos, o que normalmente é apontado como um fator de progresso.
O problema é a forma como isso foi feito, com a criação de grandes áreas de monocultura (destruidoras da biodiversidade) e com um uso intensivo de agrotóxicos. Um dos resultados desse modelo, além da destruição da biodiversidade, é o envenenamento de fontes de água ou mesmo seu desaparecimento. Além disso, cada espécie animal e vegetal extinta representa um fator de desequilíbrio para ecossistemas inteiros.
O estudo encomendado pela ONU faz uma radiografia desses ecossistemas ameaçados. Ele aponta, por exemplo, que entre 10 e 30% das espécies animais enfrentam perigo de extinção. O desmatamento, uma das causas desta ameaça, é responsável também pelo ressurgimento de doenças que estavam sob relativo controle e pelo surgimento de novas enfermidades. Os cientistas citam o caso da malária, que afeta hoje cerca de 11% de todos os doentes no continente africano.
E, além do pesado custo humano, esse fato tem repercussões econômicas importantes. Segundo os pesquisadores, se a doença tivesse sido erradicada há 35 anos, a economia do continente africano teria aumentado aproximadamente 150 bilhões de euros. Como as cifras costumam sensibilizar mais as autoridades do que relatos de dramas humanos, o estudo cita ainda os impactos das mudanças climáticas sobre a agricultura especialmente.
O resumo da obra é o seguinte: o capital natural da Terra está sendo gasto rapidamente pelos seus habitantes, que se comportam como herdeiros perdulários que gastam em uma geração o que as anteriores acumularam. Graças a esse comportamento, mais 10 ou 20% das florestas do mundo serão transformadas em lavoura e pasto até 2050, conforme projeção do estudo. O predomínio da lógica do lucro sobre todas as outras vai apresentar uma conta salgada muito em breve, advertem os cientistas.
Na verdade, já está apresentando, mas ela vem sendo rolada como se nada fosse acontecer. O que fazer? Uma das recomendações do estudo dirige-se aos economistas: eles devem rever seus métodos de fazer contas e incluir em seus cálculos fatores que causam espanto e riso hoje entre autoridades econômicas. Fatores como o valor da polinização de lavouras por insetos ou o valor de uma área de florestas destruída por uma barragem ou por uma nova lavoura de soja.
A ideologia do progresso a qualquer custo, denuncia o resultado do estudo, contamina governos à esquerda e à direita, que, cada vez mais, comportam-se do mesmo modo. A maneira como está acontecendo a liberação de transgênicos no Brasil é um exemplo disso. A lógica do fato consumado e o predomínio da lógica do lucro máximo a curto prazo estão jogando pela janela princípios básicos de precaução. Uma das conclusões do relatório divulgado nesta quarta afirma que a humanidade “precisa relaxar as pressões sobre a natureza” e adotar “mudanças radicais na forma com que tratamos o planeta”.
Se tiverem o destino dos últimos estudos do gênero, essas conclusões receberão o apoio retórico de algumas autoridades e logo cairão no esquecimento.

Autor: Marco Aurélio Weissheimer
Fonte: Voltaire Net

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Celebração da Primavera na Polônia

Não sabemos donde viemos, nem sabemos para onde vamos, o único facto que é certo é o nosso nascimento, a explosão de energia que vai crescer e crescer todos os dias, e que temos de usar do melhor modo que pudermos.Acreditamos nos Deuses Eslavos. Acreditamos na sabedoria, na bondade e na beleza escondidos sob os Seus semblantes. Os Deuses Eslavos são fontes de vida, de poder e de felicidade. A crença nos nossos Deuses é a herança à qual damos continuidade.
Os Deuses Eslavos, adorados por milénios, são as mais belas imagens do Poder Divino e as que estão mais próximas dos nossos corações. Os Deuses criaram uma ordem hierárquica, multi-pessoal, mutuamente complementar. A ordem que emergiu do caos.
Acreditamos que os Deuses dão sentido à nossa existência, acreditamos que Eles protegem do esquecimento as acções dos nossos avós, as nossas acções e as dos nossos filhos e netos. As coisas mais valiosas serão passadas em diante e irão existir no ciclo eterno da vida a renascer.
Assumimos que a morte do homem termina um certo estádio. É a condição da transformação em novas formas de existência. É um derramamento de uma forma velha e exausta. Os nobres e persistentes serão recompensados com a entrada nos níveis de existência continuamente mais altos, mais conscientes, mais significativos e mais perto dos Deuses.
Defendemos os nossos valores, famílias e a nossa comunidade. Defendemos o direito de viver no nosso próprio território, defendemos o espaço da nossa civilização.
Os nossos rituais cultivam a relação com a nossa comunidade espiritual e étnica. Refeições e orações comuns. Homenagem prestada aos nossos ancestrais. Os sacrifícios feitos aos nossos Deuses. Trazemos de volta o sentido das nossas antigas festas nativas.
Fonte: Gladius

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ações contra a intolerância religiosa

Líderes religiosos de todo o País querem uma punição mais rígida para os veículos de comunicação que promovam a intolerância religiosa. A reivindicação é um dos principais pontos no texto final do Plano Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, que será apresentado dentro de 30 dias em Brasília. Hoje, representantes da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Comunidade Muçulmana, Federação Israelita, evangélicos, afrorreligiosos, ciganos e juristas se reuniram durante todo o dia para elaborar tópicos que estarão no texto de apresentação do plano. "Um dos exemplos são os programas religiosos, que demonizam ou fazem estereótipos das outras religiões", disse o presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos. O ex-secretário de Justiça de São Paulo, o jurista Édio Santos, defendeu a aplicação de multas mais pesadas e a perda da concessão pública para emissoras de TV, que veiculam estes programas. "A atual legislação já prevê a perda de concessão para a emissora que veicular este tipo de programa, mas não está sendo aplicada", ressaltou o jurista. Ele lembrou que o Código Penal prevê pena de três a cinco anos de reclusão para o religioso ou jornalista que promover a intolerância religiosa.O texto pedirá ainda o cumprimento da Lei 10639/03, que obriga os sistemas de ensinos municipal, estadual e federal a incluir aulas sobre questões étnico-culturais em seus currículos, e o aperfeiçoamento do artigo 33 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que torna facultativo o ensino religioso nas escolas e na formação dos professores do ensino fundamental.Os religiosos querem ainda a retirada do artigo da prática de "curandeirismo" do Código Penal e a melhor divulgação do artigo 20 da Lei 7716/89, que pune os crimes de racismo e intolerância religiosa, para todas as delegacias do país. A criação de um Conselho Nacional de Diversidade Religiosa também está sendo estudada.
Fonte: Estadão
Nota: Eu acho que seria interessante igualmente pensar em punições contra os grupos, instituições ou templos religiosos que cometem tal crime através desses programas.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Páscoa, a festa popular e ecumênica

No dia 12 de Abril o brasileiro irá comemorar a Páscoa e poderá escolher entre as muitas formas de comemorá-la. Tem a Páscoa dos Judeus, a Páscoa dos Cristãos, a Páscoa dos Pagãos e a Páscoa dos Comerciantes.
A Páscoa dos Judeus, a Pessach, é uma comemoração feita para lembrar a saída do povo de Israel do Egito.
De acordo com a tradição, a primeira celebração de Pessach ocorreu há 3500 anos, quando de acordo com a Torá, o profeta Moisés foi instruído a pedir para que cada família hebréia sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais (mezuzót) das portas com o sangue do cordeiro, para que não fossem acometidos pela morte de seus primogênitos.
Como recordação desta liberação foi instituído para todas as gerações o sacríficio de Pessach.[wikipédia]

A Páscoa dos Cristãos é uma comemoração feita para lembrar a morte e ressurreição de Cristo.
Pela tradição, a primeira celebração da Páscoa foi a Última Ceia celebrada por Cristo com seus apóstolos. A data bem como a cerimônia teve variações conforme a época, mas ainda mantém suas raízes Judaicas e seus símbolos Pagãos, reafirmando sua característica ecumênica e universal.
A Páscoa dos Pagãos, a Ostara, é uma comemoração feita para lembrar a chegada da Primavera e da renovação da Vida.
A sua origem é incerta, mas está ligada à Deusa Eoster, cuja raiz etimológica está presente na palavra Easter, que significa Páscoa em inglês. Esta ocorre no equinócio de Primavera, por volta do dia 21 de Março no hemisfério Norte e dia 21 de Setembro no hemisfério Sul, uma vez que as celebrações Pagãs estão relacionadas com as estações da natureza.
A Páscoa dos Comerciantes se inicia pouco tempo após o fim do Carnaval, quando as lojas e supermercados começam a colocar enfeites e produtos relacionados à Páscoa, como o Coelho da Páscoa e seus Ovos de Chocolate, símbolos emprestados da celebração Pagã. A arrumação dos ovos pendurados em caramanchões ocupando uma extensa área dos supermercados lembra e muito um templo. Poucos dias antes do domingo de Páscoa podemos ver os brasileiros se apinharem para comprar seus ovos, como se isso fosse uma obrigação quase que religiosa, mas a celebração é comercial.
Independentemente de qual for a sua forma de comemorar a Páscoa, eu desejo a todos os brasileiros:
Feliz Páscoa!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A nova moda da Wilka S/A

Uma palavra que encontrei na internet me chamou a atenção: Homotheosis. O que isso significa: Teologia Homossexual. Sua origem: o culto a Antino, deificado pelo Imperador Romano Adriano (76-138 AC).
Sob a direção de Adriano, um novo sacerdócio foi estabelecido em dedicação à Antino. Eles delinearam as particularidades da nova religião combinando [as religiões] Gregas, Egípcias e vários mistérios de salvação orientais na nova crença.[Temple of Antinous]
Assim como no caso da Tradição Feri de Victor Anderson e seu "Deus" Dian Y Glass, o Imperador Adriano inventou uma religião e um Deus novo para satisfazer suas agendas pessoais, como acontece hoje com os pseudosacerdotes representantes da Wilka S/A.
Isso vai ser um prato cheio para os grupos Cristãos fundamentalistas que nos atacam, nos difamam, nos caluniam. Como eu escrevi anteriormente, não é necessário inventar um Deus ou uma religião para sacralizar uma sexualidade específica, quem o faz age em nome de outros interesses e agendas.
Muito me espanta semelhante afirmação: "Muitos são os Pagãos gays que se sentem excluídos no Paganismo com a visão heterossexista, heteronormativa e separatista difundida muitas vezes através de alguns segmentos tradicionalistas da Arte."
O (Neo)Paganismo é um conjunto de religiões, cada qual com seus princípios e doutrinas, autônomas entre si. Pode-se dizer que é o único conjunto de religiões que aceita o homossexualismo, de forma que soa estranho e esquisito colocar a agenda de um grupo social acima do objetivo espiritual dessas religiões. Existem Pagãos homossexuais até mesmo dentro desses malvados "segmentos tradicionalistas da Arte". Até aí, nada de novo, pois esse senhor tem mania de falar em nome do Paganismo, da Bruxaria Moderna e da Wicca.
Ao colocar sua preferência sexual acima dos objetivos espirituais, esse senhor está estimulando exatamente o separatismo, na forma do homossexismo e da homonormatividade.
Cada ato cerimonial que envolve uma forma de sexualidade sagrada tem um objetivo e um princípio distintos. Para nós, os malvados tradicionalistas, o Hiero Gamos é fundamental para a continuação da existência, do mundo e da natureza. Altos Sacerdotes e Altas sacerdotisas da BTW que são homossexuais celebram os Mistérios Antigos sem problemas, então porque tanta gritaria? Existem tantas opções e religiões Neopagãs disponíveis, porque exatamente este assunto está sendo endereçado, com que intenção e objetivo?
A única explicação possivel está na estratégia de marketing da Wilka S/A. Como está na moda protestar e lutar pelos direitos dos homossexuais - uma plataforma que deve continuar no âmbito político - a Wilka S/A e seus representantes estão se aproveitando desse momento para aumentar o número de membros. A piada é velha, mas assusta: a Wicca Brasileira está caminhando para se tornar uma Igreja Universal do Reino da Deusa.

Celebração da florada da cerejeira

Centenas de pessoas comemoram a época de florada das cerejeiras, um dos símbolos do país. Jovens, crianças e adultos foram aos parques de Tóquio, nesta sexta-feira, para o "hanamí", celebração ao ar livre, debaixo das árvores floridas. A cerejeira - sakurá em japonês - é a flor nacional do país. Ela é símbolo de felicidade, e muito usada nas celebrações de casamento e em ocasiões festivas. Delicada, a flor dura apenas uma semana. Na tradição japonesa, essa é uma analogia à rápida passagem pela vida. As pétalas variam de um tom pálido, quase branco, até o rosa bem forte e vermelho. Duzentas espécies de cerejeiras são conhecidas no Japão. A florada marca o fim do inverno e o início de um novo ano escolar.[Bandnews]
Enquanto isso, no Brasil, na cidade de São Paulo, acontece o Hanamatsuri.
O evento comemora o nascimento do Buda Xaquiamuni com programação completa, que inclui cerimônia budista e cortejo solene do elefante branco, carregando a imagem do Buda criança, com a ajuda de diversas escolas infantis e acompanhamento musical.Na capital paulista, o evento acontece na Praça da Liberdade, onde é montado um altar com flores naturais chamado Hanamidô, em que os visitantes podem derramar chá adocicado (amachá) na imagem do deus.[Guia da Semana]
Segundo reza a tradição, o Buda Shakyamuni nasceu no quarto mês quando no céu surgia a lua cheia de primavera. Deslocando-se para o país de Koliya, sua terra natal, a rainha Mayadevi sentiu as pontadas do parto quando atravessava o Jardim Lumbini. Foi quando pediu para repousar, pois a viagem tinha sido árdua. Ao dobrar o corpo para deitar-se viu adiante uma flor que despontava num ramo. Foi neste instante que as contrações aumentaram e deu nascimento a um menino. Uma chuva de pétalas e néctar caiu naquele momento e dos cantos da terra se fez soar um brado anunàando a boa nova. Chamaram a criança de Sidharta. Assim, repetindo o acontecimento os seguidores do budismo do mundo todo comemoram o Vesak, no Japão conhecido por Festa das Flores ou simplesmente Hanamatsuri. Ocasião de grande festividade, em que num altar decorado com tIores a imagem do Buda Menino é devidamente instalado. Aqueles que pretendem homenageá-lo, dirigem-se até o altar, e numa concha recolhem chá adocicado que é derramado sobre a cabeça do Buda. Repetem este movimento por três vezes, fazendo pedidos como a realização de sonhos; pedem saúde e proteção. Esta versão popular, muitas vezes é substituído por um motivo filosófico: ao se banhar o Buda, estamos banhando a nós próprios. Assim, purificamos o nosso coração e podemos avaliar a nossa conduta perante a vida. Uma cerimônia acontece em 8 de abril, dia do nascimento (ou data próxima), com os representantes de inúmeras tradições budistas, saindo em cortejo pelas ruas do Bairro da Liberdade - em se tratando do município de São Paulo. Então, um andor com a imagem do Buda Menino é posto nas costas de um elefante branco. Crianças vestidas como os pequenos do Nepal, onde Buda nasceu, simulam puxar o carro em que vai o elefante. Atrás os monges de diversas tradições reúnem-se para acompanhar o cortejo. Bem termina a cerimônia do nascimento de Buda, a população que veio prestigiar recebe de brinde ramalhetes. Encerra-se com grande entusiasmo, principalmente com a oportunidade de comemorar o nascimento do Ser lluminado.Não apenas daquele, mas de sua natureza em todos os seres vivos.[Cultura Japonesa]

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A complexa gênese do povo judeu

Descobertas arqueológicas e etnográficas recentes revelam: a idéia de que os judeus seriam descendentes diretos de Moisés, Davi e Salomão é uma farsa ideológica. Como tantos outros povos, eles formaram-se num processo histórico rico e contraditório, que envolve múltiplas etnias e não cabe na descrição religiosa e fundamentalista que ainda prevalece.
Qualquer israelense sabe que o povo judeu existe desde a entrega da Torá no monte Sinai e se considera seu descendente direto e exclusivo. Todos estão convencidos de que os judeus saíram do Egito e fixaram-se na Terra Prometida, onde edificaram o glorioso reino de Davi e Salomão, posteriormente dividido entre Judéia e Israel. E ninguém ignora o fato de que esse povo conheceu o exílio em duas ocasiões: depois da destruição do Primeiro Templo, no século 6 a.C., e após o fim do Segundo Templo, em 70 d.C.
Foram quase 2 mil anos de errância desde então. A tribulação levou-os ao Iêmen, ao Marrocos, à Espanha, à Alemanha, à Polônia e até aos confins da Rússia. Felizmente, eles sempre conseguiram preservar os laços de sangue entre as comunidades, tão distantes umas das outras, e mantiveram sua unicidade.
As condições para o retorno à antiga pátria amadureceram apenas no final do século 19. O genocídio nazista, porém, impediu que milhões de judeus repovoassem naturalmente Eretz Israel, a terra de Israel, um sonho de quase vinte séculos.
Virgem, a Palestina esperou que seu povo original regressasse para florescer novamente. A região pertencia aos judeus, e não àquela minoria desprovida de história que chegou lá por acaso. Por isso, as guerras realizadas a partir de 1948 pelo povo errante para recuperar a posse de sua terra foram justas. A oposição da população local é que era criminosa.
De onde vem essa interpretação da história judaica, amplamente difundida e resumida acima?
Trata-se de uma obra do século 19, feita por talentosos reconstrutores do passado, cuja imaginação fértil inventou, sobre a base de pedaços da memória religiosa judaico-cristã, um encadeamento genealógico contínuo para o povo judeu. Claro, a abundante historiografia do judaísmo comporta abordagens plurais, mas as concepções essenciais elaboradas nesse período nunca foram questionadas.

Quando apareciam descobertas capazes de contradizer a imagem do passado linear, elas praticamente não tinham eco. Como um maxilar solidamente fechado, o imperativo nacional bloqueava qualquer espécie de contradição ou desvio em relação ao relato dominante. E as instâncias específicas de produção do conhecimento sobre o passado judeu contribuíram muito para essa curiosa paralisia unilateral: em Israel, os departamentos exclusivamente dedicados ao estudo da “história do povo judeu” são bastante distintos daqueles da chamada “história geral”. Nem o debate de caráter jurídico sobre “quem é judeu” preocupou esses historiadores: para eles, é judeu todo descendente do povo forçado ao exílio há 2 mil anos.
Esses pesquisadores “autorizados” tampouco participaram da controvérsia trazida pela revisão histórica do fim dos anos 1980. A maioria dos atores desse debate público veio de outras disciplinas ou de horizontes extra-universitários, inclusive de fora de Israel: foram sociólogos, orientalistas, lingüistas, geógrafos, especialistas em ciência política, pesquisadores em literatura e arqueólogos que formularam novas reflexões sobre o passado judaico e sionista. Dos “departamentos de história judaica” só surgiram rumores temerosos e conservadores, revestidos por uma retórica apologética baseada em idéias preconcebidas.
Ou seja, após 60 anos recém-completos, a historiografia de Israel amadureceu muito pouco e, aparentemente, não evoluirá em curto prazo. Porém, os fatos revelados pelas novas pesquisas colocam para todo historiador honesto questões fundamentais — ainda que surpreendentes, numa primeira abordagem.
Considerar a Bíblia um livro de história é um dos debates. Os primeiros historiadores judeus modernos, como Isaak Markus Jost e Léopold Zunz, não encaravam o texto bíblico dessa forma, no começo do século 19. A seus olhos, o Antigo Testamento era um livro de teologia constitutivo das comunidades religiosas judaicas depois da destruição do Primeiro Templo. Foi preciso esperar até 1850 para encontrar historiadores como Heinrich Graetz, que teve uma visão “nacional” da Bíblia. A partir daí, a retirada de Abraão para Canaã, a saída do Egito e até o reinado unificado de Davi e Salomão foram transformados em relatos de um passado autenticamente nacional. Desde então, os historiadores sionistas não deixaram de reiterar essas “verdades bíblicas”, que se tornaram o alimento cotidiano da educação israelense.

Mas eis que, ao longo dos anos 1980, a terra treme, abalando os mitos fundadores. Novas descobertas arqueológicas contradizem a possibilidade de um grande êxodo no século 13 antes da nossa era. Da mesma forma, Moisés não poderia ter feito os hebreus saírem do Egito, nem tê-los conduzido à “terra prometida” — pelo simples fato de que, naquela época, a região estava nas mãos dos próprios egípcios! Aliás, não existe nenhum traço de revolta de escravos no reinado dos faraós, nem de uma conquista rápida de Canaã por estrangeiros.
Tampouco há sinal ou lembrança do suntuoso reinado de Davi e Salomão. As descobertas da década passada mostram a existência de dois pequenos reinos: Israel, o mais potente; e a Judéia, cujos habitantes não sofreram exílio no século 6 a.C. Apenas as elites políticas e intelectuais tiveram de se instalar na Babilônia, e foi desse encontro decisivo com os cultos persas que nasceu o monoteísmo judaico.
E o exílio do ano 70 d.C. teria efetivamente acontecido?
Paradoxalmente, esse “evento fundador” da história dos judeus, de onde a “diáspora” tira sua origem, não rendeu sequer um trabalho de pesquisa. E por uma razão bem prosaica: os romanos nunca exilaram povo nenhum em toda a porção oriental do Mediterrâneo. Com exceção dos prisioneiros reduzidos à escravidão, os habitantes da Judéia continuaram a viver em suas terras mesmo após a destruição do Segundo Templo.
Uma parte deles se converteu ao cristianismo no século 4, enquanto a maioria aderiu ao Islã, durante a conquista árabe do século 7. E os pensadores sionistas não ignoravam isso: tanto Yitzhak ben Zvi, que seria presidente de Israel, quanto David ben Gurion, fundador do país, escreveram sobre isso até 1929, ano da grande revolta palestina.
Ambos mencionam, em várias ocasiões, o fato de que os camponeses da Palestina eram os descendentes dos habitantes da antiga Judéia.

Mas, na falta de um exílio a partir da Palestina romanizada, de onde vieram os judeus que povoaram o perímetro do Mediterrâneo desde a Antigüidade? Por trás da cortina da historiografia nacional, esconde-se uma surpreendente realidade histórica: do levante dos macabeus, no século 2 a.C., à revolta de Bar Kokhba, no século 2 d.C., o judaísmo foi a primeira religião prosélita. Nesse período, a dinastia dos hasmoneus converteu à força os idumeus do sul da Judéia e os itureus da Galiléia, anexando-os ao “povo de Israel”. Partindo desse reino judeu-helenista, o judaísmo se espalhou por todo o Oriente Médio e pelo perímetro mediterrâneo. No primeiro século de nossa era surgiu o reinado judeu de Adiabena, no território do atual Curdistão, e a ele seguiram-se alguns outros com as mesmas características.
Os escritos de Flávio Josefo são apenas um dos testemunhos do ardor prosélito dos judeus: de Horácio a Sêneca, de Juvenal a Tácito, vários escritores latinos expressaram seu temor sobre a prática da conversão, autorizada pela Mixná e pelo Talmude.

No começo do século 4, o êxito da religião de Jesus não colocou fim à expansão do judaísmo, mas empurrou seu proselitismo para as margens do mundo cultural cristão. Cem anos depois, surgiu o vigoroso reino judeu de Himiar, onde atualmente está o Iêmen. Seus descendentes mantiveram a fé judaica após a expansão do Islã e preservam-na até os dias de hoje. Da mesma forma, os cronistas árabes nos contam sobre a existência de tribos berberes judaizadas: contra a pressão árabe sobre a África do Norte, no século 7, surgiu a figura lendária da rainha judia Dihya-el-Kahina. Em seguida, esses berberes judaizados participaram da conquista da Península Ibérica e estabeleceram ali os fundamentos da simbiose particular entre judeus e muçulmanos, característica da cultura hispano-arábe.
A conversão em massa mais significativa ocorreu, no entanto, entre o mar Negro e o mar Cáspio, no imenso reino Cazar do século 8. A expansão do judaísmo do Cáucaso até as terras que hoje pertencem à Ucrânia engendrou várias comunidades que seriam expulsas para o Leste europeu pelas invasões mongóis do século 13. Lá, os judeus vindos das regiões eslavas do sul e dos atuais territórios alemães estabeleceram as bases da grande cultura ídiche.

Esses relatos sobre as origens plurais dos judeus figuraram, de forma mais ou menos hesitante, na historiografia sionista até o início dos anos 1960. Depois disso, foram progressivamente marginalizados e, por fim, desapareceram totalmente da memória pública israelense. Afinal, os conquistadores de Jerusalém em 1967 deveriam ser os descendentes diretos de seu reinado mítico, e não de guerreiros berberes ou cavaleiros cazares. Com isso, os judeus assumiram a figura de éthnos específico que, depois de 2 mil anos de exílio e errância, voltava para a sua capital.
E os defensores desse relato linear e indivisível não mobilizam apenas o ensino de história: eles convocam igualmente a biologia. Desde os anos 1970, uma sucessão de pesquisas “científicas” israelenses se esforça para demonstrar, por todos os meios, a proximidade genética dos judeus do mundo inteiro. A “pesquisa sobre as origens das populações” representa hoje um campo legítimo e popular da biologia molecular, e o cromossomo Y masculino ganhou um lugar de honra ao lado de uma Clio judia na busca desenfreada pela unicidade do “povo eleito”.
Essa concepção histórica constitui a base da política identitária do estado de Israel e é exatamente seu ponto fraco. Ela se presta efetivamente a uma definição essencialista e etnocentrista do judaísmo, alimentando uma segregação que mantém a distância entre judeus e não-judeus.
Israel, 60 anos depois de sua fundação, não aceita conceber-se como uma república que existe para seus cidadãos. Quase um quarto deles não é considerado judeu e, de acordo com o espírito de suas leis, esse estado não lhes pertence. Ao mesmo tempo, Israel se apresenta como o estado dos judeus do mundo todo, mesmo que não eles não sejam mais refugiados perseguidos, e sim cidadãos com plenos direitos, vivendo como iguais nos países onde residem. Em outras palavras, um etnocentrismo sem fronteiras serve de justificativa para uma severa discriminação ao invocar o mito da nação eterna, reconstituída para se reunir na “terra dos antepassados”.
Escrever uma nova história judaica, para além do prisma sionista, não é tarefa fácil. A luz que se refrata ao passar por esse prisma se transforma, insistentemente, em cores etnocêntricas. Mas, se os judeus sempre formaram comunidades religiosas em diversos lugares e elas foram, com freqüência, constituídas pela conversão, obviamente não existe um éthnos portador de uma mesma origem, de um povo errante que teria se deslocado ao longo de 20 séculos.
Sabemos que o desenvolvimento de toda historiografia — e, de maneira geral, as da modernidade — passa pela invenção do conceito de nação, que ocupou milhões de seres humanos nos séculos 19 e 20.
Recentemente, porém, esses sonhos começaram a ruir. Cada vez mais pesquisadores analisam, dissecam e desconstroem os grandes relatos nacionais e, principalmente, os mitos da origem comum, caros aos cronistas do passado. Certamente os pesadelos identitários de ontem darão espaço, amanhã, a outros sonhos de identidade. Assim como toda personalidade é feita de identidades fluidas e variadas, a história também é uma identidade em movimento.

Autor: Shlomo Sand
Coletado de: Le Monde Diplomatique