Quantas vezes vc sente que foi criticada ou coisa pior por outra mulher por uma questão de gênero, apenas por ser mulher, e que se fosse um homem, isso não aconteceria da mesma forma? Quantas vezes vc criticou uma amiga, uma colega, uma vizinha, ou qualquer outra mulher quase automaticamente? Vc alguma vez já parou pra pensar nisso, ou está tão mergulhada na cultura patriarcal, que ainda não se deu conta de como as mulheres são desunidas entre si?
Eu, na minha vida social e familiar presencio cotidianamente situações onde as mulheres não conseguem estabelecer boas relações de fraternidade e apoio entre si...Vejo que as mulheres mesmo que queiram não conseguem fugir do padrão - perseguido/agressor/salvador - e se ressentem umas com as outras, tornando as relações ásperas, ou mesmo agressivas...Geralmente temos uma ou outra mulher próxima de nós, na família e/ou amigas, e para a maioria, prevalece o errôneo sentimento de que elas não são de confiança, que são más... e assim o é, porque a sociedade constrói sempre o mito da mulher má, vingativa, destruidora de lares, a bruxa malvada, as irmãs invejosas da cinderela, a Eva pecadora...
Ou seja o imaginário coletivo está repleto de personagens femininas que querem destruir a mocinha, que por sua vez, é salva pelo caçador... Ou seja, uma mulher, vítima de outra mulher e salva por um homem... E é verdade que muitas vezes isso acontece, as pessoas vestem as personagens e vivem conflitos dolorosos na vida familiar, profissional, social, etc...
Muitas vezes é dificil ultrapassar esses conflitos internos, porque implica resoluções psicológicas mais complexas e profundas e tem a ver com o próprio processo de auto-conhecimento de cada uma... Muitas vezes as pessoas são más, intriguentas, maledizentes, invejosas, pq isso tbm depende do nível de auto-conhecimento e crescimento espiritual, do amadurecimento de cada uma... Mas o fato de ainda estarmos em processo interno de resolução desses conflitos pessoais, em nada nos impede de fazer esse movimento pela Lealdade Feminina.
Pois nesse caso, evidentemente, a esfera de abrangência da Lealdade Feminina se sobrepõe ao mundo interior, pessoal... através da Lealdade Feminina, podemos vibrar numa energia de amor fraterno e criar uma frequência de harmonia ( A CHAVE), que vai concretizar um mundo novo que desejamos, diferente do modelo patriarcal atual e decadente.
O maior trunfo do patriarcado é a competição entre as mulheres, a destruição da auto-estima própria e das outras mulheres em detrimento dos objetivos patriarcais de dominação e supremacia pela violência física, psicológica, econômica...
Enquanto as mulheres competem e se destroem, eles seguem na escalada de poder e destruição, que em última análise está levando o próprio planeta a um eminente fim...A chave para travar o patriarcado e reverter o passo da destruição da vida é a Lealdade Feminina!
Quando a nós, mulheres, descobrimos que a outra mulher é nossa igual, nossa irmã e resgatamos o amor fraternal que nos une e então teremos um novo olhar para nós mesmas e para o mundo. Isso é revolução, é o Segredo Feminino...
Em outras épocas, em sociedades primitivas as mulheres tinham um papel mais atuante. Mas ao contrário da sociedade atual, onde vivemos num sistema de dominação e hierarquias, havia uma liderança horizontal e harmoniosa...
E as mulheres mantinham entre si uma forte ligação de amor fraterno e cooperação...No mundo patriarcal, a mulher ficou por muitos séculos excluida da vida social, sendo dependente do homem para a sobrevivência e a dos filhos, numa relação de servidão ao homem, benfeitor, que lhe provia um nome a ela e aos filhos, o alimento, moradia, e uma certa situação de proteção social. E as mulheres que ficaram de fora de um casamento eram automaticamente excluídas e maltratadas socialmente, ficando sujeitas a toda sorte de injustiças e maldades.
Ainda hoje, as mulheres vivem nesse dilema, e muitas vezes permanecem em situaçãoes degradantes e frustrantes por não terem segurança em tomar uma decisão que contraria a ideologia patriarcal, pois sabe que a sociedade não apoia as mulheres livres e independentes dessa ideologia... Mas como já disse antes, o maior trunfo do patriarcado é a competição das próprias mulheres entre si, seja no âmbito profissional, seja na sociedade, nas famílias, nas áreas de formação...
As mulheres estão em permanente competição umas com as outras, para conseguir sobreviver num mundo machista e patriarcal, como se uma ligação a um homem - marido - fosse a única forma de sobreviver... E daí surgem os conflitos entre as esposas legítimas e as amantes, as guerras entre as mães e as filhas, as sogras e as noras, tão enraizadas em nossa cultura que parece que não pode ser de outro jeito... E o patriarcado induz as mulheres a esses conflitos porque isso mantem as mulheres desunidas.
Justamente porque o patriarcado está acabando é que as pessoas podem ter mais liberdade de escolha entre aquilo que lhes interessa e aquilo que não lhes interessa, e o mundo vai finalmente deixar de ser dividido numa eterna guerra fria entre homens e mulheres... Mas isso não invalida a idéia de que as mulheres precisam ser mais amigas e mais leais umas com as outras, como os homens também são... mas não é pra nos unirmos contra os homens... é pra que todos possamos ser a favor da vida...
As relações, sejam hetero ou homo, ou bi, ou tri... estão doentes... porque sempre há um papel feminino e um masculino, quer dizer, falando o português mais claro: existe um papel de dominador e um de submisso... e é nesse ponto que as relações não avançam... Esse é o modelo patriarcal, que inicialmente da dominação do homem sobre a mulher se estendeu aos novos casais formados na sociedade, ou seja, mudam os sexos mas o modelo de dominação é o mesmo... E por isso os conflitos e as histórias se repetem, mesmo com a mudança dos sexos... As pessoas vivem no automático, apenas seguem o que determina a sociedade do consumo, das ideologias, das massificações... e não fazem a primeira de todas as descobertas...
Mas esse livro não é pra falar de homens, nem bons nem maus... continuem com seus homens e sejam felizes com eles, ou não... não estou apontando o dedo a esse ou aquele relacionamento, talvez, você esteja se apontando o dedo a si mesma, nos problemas que finge que não vê nos seus relacionamentos... Eu vivo as minhas histórias também e não vim aqui pra falar de nada disso...Vamos falar é de um sistema doente, de um patriarcado decadente, e de como as mulheres tem em suas mãos a chave e também a responsabilidade de através da conscientização da feminilidade.Conhecer a si mesma, na sua essência feminina, não a dos padrões burgueses e patriarcais, não dos penteados artificiais, das maquiagens caras, das plásticas e cremes anti-rugas milagrosos... Não a feminilidade supostamente sensual dos saltos altos e calças justas... Nada disso é a essência do feminino, nada disso traduz a autêntica feminilidade... Isso é só a casca, o superficial, uma das formas de manter as mulheres ocupadas que o patriarcado criou... pra evitar que a mulher se descubra inteira, descubra a sua essência feminina, e o seu poder...E com essa conscientização mudar o rumo da história, deixando pra trás o sistema patriarcal, criando um mundo novo, diferente, melhor...
Recebido da Musa Nana Odara, por email.
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