PRA MIM só existe poliamor como parte da concepção de um novo modelo social completamente abrangente... ou seja, faz parte de uma modificação profunda dentro das pessoas e do lado de fora tbm... mas claro, isso sou eu utopiando.
Ver o poliamor fora dessa mudança "Eislerniana" da sociedade é como usar apenas um rótulo sem ter a atitude... sem ter a verdade que essa mudança imputa... é só p inglês ver... ou seja não tem nenhum valor nem traduz uma coerência mínima... É preciso romper com as várias amarras patriarcais, sejam sociais, econômicas, institucionais, assim como com conceitos enraizados na nossa sub-(eros)psiquê.
Especificamente no caso dos homens, implica antes de tudo ter amor próprio, coisa q poucos homens tem, de fato, homens tem muita auto-confiança, mas não amor próprio. São coisas muito diferentes, homens são personagens q eles constroem por cima das suas identidades pra serem aceites socialmente e respeitados e, claro, para proporcionar aceitação junto a outras pessoas com quem possam dar vazão ao seu enorme recalcado e auto-comiserado desejo carnal, uma necessidade latente, hj mais q sempre, pq já não se fazem mais guerras como antigamente. Primeiro, é preciso se amar. Sem se amar primeiro, o amor ao próximo fica sendo apenas qqr coisa, menos amor. Sem se amar, sem se respeitar, querendo agradar aos outros, ocupar um cargo ou posição, status, não se pode ser verdadeiro. Não se pode ter todas as dimensões de uma plenitude imperfeita, reprime-se aquilo q não parece bem, oculta-se algumas obviedades, o resto maquia-se e adoece.
Uns homens usam seu proprio charme ou porte físico, outros menos bem dotados usam a verborreia, a herança de família, usam os outros... enfim... mas são personagens. Uns dias viradas pra cá... uns dias viradas p lá... mas sempre com seus cunpinxas, ali somadinhos e contadinhos, se sentem confortáveis, todos fingindo o mesmo tudo bem, chegar ao seu equilibrio YY, yin-yang, sendo XY, resolvendo seu feminino junto com o seu ser e suas qualidades e dons. Qto mais perto de ser um novo homem um homem está, mais perto de amar e de poli-amar.
Mas enquanto ainda não está bem resolvido internamente, ainda vê as mulheres como vampiras lésbicas, marionetes, mães odiosas em pedestais e por ai afora.
O homem carente, dependente do amor de uma mulher, quer ele domine ou seja dominado, ou seja tão somente uma reserva pra programinhas de entremeada. Há os homens babões q beiram o blerghinismos e homens q ficam de cabelo em pé com um texto contextualizado, anti-acadêmico e cheio de neologismos em saldo. Homens e homens, românticos invertebrados, com sua aura de rebeldes, homens antenados, de cavanhaque sensual e q finge q lê a trip, homens em laboratórios, com guardapó branco impecavel, luvas e microscópios de última geração. Tantos esses homens, tão longe de si mesmos, tão sem auto-amor, à procura de qqr coisa q componha o cenário, mas claro, isso não tem nada de verdade.
E as meninas, não podem servir a dois senhores. Por isso, há q se olhar no espelho e ver quem vcs são de fato, aquelas q discursam e convencem ou apenas as de rabo preso com o patriarcado, se alimentando das suas famigeradas recompensazinhas e maracutaias, joguinhos, chantagens, caras e bocas. Ou mulheres q de fato rompem com o patriarcado, com o androcentrismo, e desrivalizam as outras mulheres, se vêem iguais, detentoras da energia feminina, resguardadas as diferenças, básicas e tbm as superfluas. Estão prontas pra olhar pra dentro de si, daqueles traumas dessarrumados nas gavetas de baixo, ou vão ainda continuar vivendo essa personagem desesperada da sessão da tarde, ou da figuração selecionada de Almodovar. Meninas, q se ambientam em vanguardas e ao mesmo tempo na mais obsoleta comodidade.
Como destruir o patriarcado - resumo geral: com lealdade feminina. Entre mulheres não patriarcais e não androcêntricas. As mulheres q constroem uma ginocracia não tem dependência emocional de aceitação ou sedução seriada, nem dão aquele jeitinho de ficar ali, merecendo serem sustentadas financeiramente.
A verdadeira mulher é MULHER, nem é santa nem puta. Santa e puta são personagens patriarcais, bem aceites e bem representadas, mas personagens. Se vc se encaixa num desses papeis, vc precisa de ajuda profissional, talvez alienígena, se tiver sorte.
Ser poli implica em ser verdadeira pra mulher tbm, não há personagens no poliamor. PRA MIM só existem poliamor, onde existem verdadeiros encontros e o verdadeiro amor, q é incondicional e compassivo. Onde existe hostilidade, rivalidade, defensiva, intolerância e o escambau, não existe poliamor, existe poliverborreia. Existe poli-hostilidade, poli-rivalidade, poli-exclusão, poli-defensividade, poli-ocultação de cadaveres, poli-mentiras, poli-preconceitos... poli-idiotices... poli-proprietários da liberdade.
O MEU POLIAMOR É O POLIAMOR OU "AZULEJO" OU QQR PALAVRA Q TEM A VER COM PESSOAS LIVRES SE RELACIONANDO LIVREMENTE E PRINCIPALMENTE AMOROSAMENTE. AMOROSAMENTE SE TRADUZ POR ATITUDES E ABERTURAS NÃO POR EXCLUSÃO E ESPETADAS. SE TRADUZ EM CARINHO E NÃO EM DITADURAS E BARRICADAS. SÓ EXISTE A PARTIR DE QUEM SE AMA E NUNCA DE OUTRO LADO.
Poli-relacionamentos existem em todo lado. Todos os homens são poli. Ou são polígamos ou são poliamorosos. Todas as mulheres são ligadas às outras mulheres, umas pela lealdade, outras pela rivalidade. Qual é a diferença? A diferença está em manter o sistema patriarcal, ou ousar ser ex-comungada dele, nas suas mais variadas facções e disfarces, em SER à luz do dia e abertamente aquilo q todo mundo procura fora de si. Qto mais aceite e pertencente vc é, mais longe de SER vc está, pq nada no patriarcado respeita, aceita ou valida a sua verdadeira liberdade.
PRA MIM, rótulos não interessam... pra mim todo amor é poli e inclusivo e anti-patriarcal, é leve, livre e solto e acima de tudo prazeroso, do bem, saudável, gostoso. O meu poliamor, do tipo matrilinear é o prazer como antídoto do medo e da violência. Os outros poliamores não interessam nada.
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