A ideia de que o "anti-catolicismo" é uma força significativa na vida americana, hoje, é uma completa mentira, perpetrada teológica e politicamente pela ala conservadora da igreja católica romana - uma minoria entre os católicos leigos - e destinada a todos os que querem a continuação das tentativas da Igreja de impor os seus valores a todos os americanos.As pessoas que gritam "anti-catolicismo" em todas as oportunidades utilizam a mesma tática dos Judeus de extrema-direita que acusam qualquer crítica à política israelense de anti-semitismo. E tal como o extremistas judaicos atacam judeus liberais, Católicos extremistas atacam católicos liberais, bem como aos liberais não-católicos.
A principal organização a promover a falsidade de que existe discriminação significativa contra os católicos é a Liga Católica para Direitos Civis e Religiosos, cujo presidente, William Donohue, tem aproveitado a mídia para se auto-promover como um "porta-voz" de todos os católicos americanos.
Um dos maiores pontos-cegos em grande parte da cobertura da imprensa sobre o religião é que ela tende a tratar como se houvessem só dois grupos, como "católicos" e "evangélicos", como se seus membros estivessem a bloquear os passos uns dos outros. Na verdade, há católicos liberais e católicos conservadores, tal como existem evangélicos protestantes liberais e fundamentalistas evangélicos. Liberais católicos têm muito mais em comum com os protestantes liberais do que com o tipo de católicos a quem Donohue afirma representar.
A maioria dos católicos americanos, como repetidas pesquisas de opinião pública tem demonstrado, rejeita os pontos de vista da liga conservadora sobre assuntos como a separação de igreja e estado (a liga quer se intrometer o máximo possível no governo), direito ao aborto e pesquisas de células-tronco.
No mês passado, Frances Kissling, a presidente do "Catholics for a Free Choice" (como o grupo Católicas pelo Direito de Decidir), anunciou a sua demissão após 25 anos como chefe da organização. O que realmente perturba os católicos conservadores não é discriminação, mas o fato de não concordarem com eles.
Os líderes católicos conservadores gostariam de fazer o relógio andar para trás até os dias em que a maioria dos católicos americanos deixavam seus sacerdotes e bispos pensarem por eles. Quando eu frequentava escolas paroquiais na década de 50, sacerdotes eram tratados como deuses pelos fiéis.
Aqueles eram os bons velhos tempos (para sacerdotes que se beneficiavam sendo tratados como divindades). Aqueles eram os maus velhos tempos para católicos que, apesar da incessante propaganda a qual tinham sido submetidos, insistiam em pensar por si próprios.
Hoje, a maioria dos católicos americanos leigos são surdos para um número de bispos particularmente ignorantes que têm atacado proeminentes políticos católicos apenas porque apoiamos a liberdade de escolha reprodutiva e investigação sobre células-tronco embrionárias.
Houve no passado uma história de anti-catolicismo protestante nos Estados Unidos, que data do alvorecer da república. Contudo, mesmo num momento em que católicos ainda encontravam discriminação social, a Igreja Católica foi extraordinariamente eficaz na escrita a sua agenda social e sexual em leis estaduais através de estatutos que obstruíam o acesso a contraceptivos e a informações sobre contraceptivos . Estas leis só foram derrubadas no início dos anos 60.
Mas a Igreja ainda não tinha desistido de tentar forçar a sua "versão de moralidade" sobre outros americanos. Em aliança com os fundamentalistas da direita protestante, a Igreja Católica apoia práticas hospitalares como negar às vítimas de estupro informações sobre a pílula do dia seguinte. Uma coisa a se dizer que os médicos não devem ser obrigados a fornecer o tratamento que viola suas crenças religiosas, é outra muito diferente dizer que eles não devem ser obrigados a fornecer referências e informações para os pacientes com diferentes crenças religiosas - e continuar a serem financiados pelos dólares dos contribuintes.
De fato, um dos mais extraordinários acontecimentos políticos dos últimos trinta e cinco anos, tendo em vista a história de anti-catolicismo protestante americana (no passado), é a aliança entre protestantes fundamentalistas e a Igreja Católica nos EUA. Esta aliança gravita em torno da questão do aborto, mas também se estende a muitas outras questões de "valores".
A Igreja Católica Romana é única pois é a única instituição religiosa que alega que seu líder, o Papa, é infalível em questões de fé e moral, e que seus fiéis católicos tem a obrigação de obedecer às sentenças papais. John F. Kennedy compreendeu muito bem esta questão, e é por isso que ele declarou inequivocamente, "Eu não falo pela minha Igreja sobre assuntos públicos, e a Igreja não fala por mim." Evidentemente, a posição de Kennedy sobre a separação entre a Igreja e o Estado, sem dúvida fez dele um mau Católico aos olhos de Donohue e seu bando.
Ninguém pode olhar para o imensa influência social, econômica e política dos católicos americanos hoje e pensar seriamente que o anti-catolicismo é um verdadeiro obstáculo ao seu progresso. Ouviu alguém chamar católicos de "papistas" ultimamente? E o termo pejorativo "mordedores de cavala" (uma referência a antiga proibição Católica de de se comer carne na sexta-feira, então comiam cavala, um peixe), antes comumente utilizada para denegrir católicos de origem irlandesa?
A maioria dos americanos com menos de 40 anos de idade não sabem sequer o significado desses termos, pois o preconceito que deu origem a esses termos se foi como também se foram as proibições por parte dos pais de que seus filhos se casassem com alguém de fora da sua fé.
Será que algumas pessoas zombam de certas crenças católicas e dizem coisas que a Igreja acharia ofensivas? É claro. As pessoas também zombam dos protestantes fundamentalistas que acreditam que a Terra foi criada em sete dias. Dependendo do seu ponto de vista, estas são piadas preconceituosas, céticas sobre crenças religiosas em geral, ou de mau gosto. Mas elas não constituem uma discriminação.
Discriminação é alguém negar emprego, educação, ou o direito de viver em um determinado bairro simplesmente por causa de sua religião. A discriminação é a recusa de votar em alguém apenas por causa de religião - e, devo acrescentar, irreligião. Uma esmagadora maioria dos americanos dizem que nunca iria votar a favor de um ateu. Se os americanos fizessem isso com os católicos, os que falam de "anti-catolicismo" teriam alguma razão. Mas a verdade é que os católicos não querem é que ninguém diga nada que critique a religião deles.
A acusação de discriminação anti-católica, é igual a rotulação de todos os críticos de Israel como anti-semitas, é um disfarce para aquilo que é essencialmente uma disputa entre conservadores e os liberais (ambos dentro e fora da Igreja Católica).
Um católico olhando para as "certezas da Igreja católica na América" nos anos 50, uma vez comentou que ela foi a única "A Igreja" (The Church, no sentido de que ela não sofria contestações). Não é mais assim. E nunca mais será, felizmente, na América. Catolicismo, como qualquer outra religião, não goza de qualquer imunidade de crítica secular em nossa nação.
Fonte: Hipocrisia Vaticana [Blog morto]
1 comentários:
Texto muito esclarecedor.
Realmente católicos fundamentalistas e evangélicos fundamentalistas é tudo farinha do mesmo saco. Fingem-se perseguidos e discriminados para melhor atingirem os seus propósitos e não hesitam em recorrer a tacticas terroristas para atingirem os seus objectiso. Na campanha contra o aborto, em qualquer circunstância, e mesmo contra os anticonceptivos, com frases pomposas, limitam-se a mascarar que o que têm em vista é o controlo da sexualidade feminina e não não hesitam mesmo em ceifar a vida de médicos que se disponibilizam a praticar o aborto a pedido das mulheres. Muito bonito para quem defende a vida como um valor sagrado que Deus deu e só ele pode tirar.
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