domingo, 31 de maio de 2009

Crise social e humanitária

Duas notícias importantes da Anistia Internacional para serem incluidas neste blog sobre as consequências da crise econômica:
A Anistia Internacional denunciou em relatório publicado esta semana que a crise econômico-financeira mundial está sendo usada como pretexto por muitos governos para fechar os olhos diante das violações de direitos humanos ao redor do planeta. A entidade adota uma nova estratégia para deixar claro que os direitos sociais compõem uma parte importante e fundamental do elenco dos direitos humanos. A grande preocupação da Anistia Internacional é com o fato de a crise econômica estar empurrando para a miséria milhões de pessoas em todo mundo e, no entanto, os governos só estarem dando atenção aos aspectos econômicos, não levando em conta que a obrigação primeira do Estado é colocar a pessoa humana no centro das políticas públicas. O que se tem visto, porém – segundo a entidade – são medidas de exclusão, repressão aos movimentos sociais, políticas anti-imigração, atropelamento do meio-ambiente, xenofobia e preconceitos de toda ordem contra os mais fragilizados. A combinação de crise econômica com omissão ou desleixo diante da crise humanitária, em curso em muitas partes do planeta, cria uma situação explosiva que leva ao perigo da desestabilização política, do avanço do autoritarismo e de guerras fratricidas.Basta ver o que sucede na Europa, onde o preconceito contra imigrantes ingressou em uma escalada perigosa, com a manifestação de atitudes racistas só vistas na época do nazismo. Mas, isso só pode ser combatido com uma ação que envolva a comunidade internacional por inteiro, pois implica em traçar políticas públicas comuns para atender aos marginalizados pela crise.[O Povo]
O mundo está sentado sobre uma bomba-relógio social, política e econômica alimentada por uma crescente crise de direitos humanos, afirmou hoje Irene Khan, secretária-geral da Anistia Internacional, no lançamento do Informe 2009 da Anistia Internacional, sobre o estado dos direitos humanos no mundo.
“O mundo precisa de um novo acordo global sobre direitos humanos – não de promessas em papel, mas de compromissos e de ações concretas dos governos para desativar essa bomba relógio de direitos humanos. Os líderes mundiais devem investir em direitos humanos com a mesma disposição com que investem na economia.”
“A insegurança, as injustiças e a falta de dignidade estão afetando a vida de bilhões de seres humanos”, declarou Irene Khan. “Essa é uma crise de falta de alimentos, de empregos, de água potável, de terra e de moradias. É uma crise mundial de privações e de discriminações, de desigualdades crescentes, de xenofobia e de racismo, de violência e de repressão.”
“Sinais de insatisfação e de violência política são cada vez mais evidentes, assim como o risco de que a recessão resulte em mais repressão”, declarou Irene Khan, em vista das reações implacáveis dos governos diante dos protestos pelas condições econômicas, sociais e políticas dessas nações. As forças policiais e de segurança agiram com impunidade generalizada.
“A China e a Rússia são uma prova de que a abertura dos mercados não resulta em sociedades abertas”, disse Irene Khan. “No ano passado, ativistas de direitos humanos, jornalistas, advogados, sindicalistas e outras lideranças da sociedade civil foram hostilizadas, atacadas ou assassinadas com impunidade em todas as regiões do globo.”
A secretária-geral observou que os líderes mundiais estão se esforçando para tentar restabelecer a economia global enquanto negligenciam conflitos mortais que resultam em violações de direitos humanos de grandes proporções.
“Ignorar uma crise para se concentrar em outra é uma receita certa para agravar as duas. A recuperação econômica não será nem sustentável nem igualitária se os governos não enfrentarem os abusos que provocam e que aprofundam a pobreza, ou os conflitos armados que geram novas violações.”[Anistia Internacional]

0 comentários: