"A individualidade sobrepuja em muito a nacionalidade e, num determinado homem, aquela merece mil vezes mais consideração do que esta". (Arthur Schopenhauer)
O caso recente da brasileira supostamente atacada por neonazistas na Suíça reacendeu o debate sobre a xenofobia. Independente de onde está a verdade nas diferentes versões do caso, é sempre importante combater a xenofobia, um sentimento tribal típico.
O “tribalismo” é uma forma coletivista de ver o mundo, dividindo os homens em dois grupos: os membros da tribo, e os “de fora”. Em seguida, um ódio contra aqueles fora do grupo é alimentado. Seus membros não seguem princípios isonômicos, mas sim o “vício da amizade” típico das máfias. Indivíduos passam a ser apenas meios sacrificáveis pelo bem do grupo.
O nacionalismo exacerbado, in extremis, é não ter orgulho das conquistas pessoais. Muitos fogem de seus fracassos para se esconder atrás do nacionalismo, tendo orgulho de algo maior que ele, projetando seu sucesso nas conquistas alheias.
Se você tem orgulho de sua trajetória, se considera ter vivido de acordo com seus valores racionais, por que deveria ofuscar isso com uma admiração ou vergonha por um grupo de desconhecidos, acidentalmente nascido no mesmo local do mapa?
Generalizações são sempre perigosas e injustas. O que é o brasileiro? Como unificar em alguns poucos adjetivos tanta gente diferente? Tal simplificação não tem como não ser grotesca, e pode levar a conclusões absurdas. Um indivíduo nascido por acaso no Brasil pode ter mais em comum com alguém da Austrália, do outro lado do mundo, do que com seu vizinho. Portanto, não é razoável alguém suprimir sua individualidade em prol de um grupo que pode não guardar nada em comum com seus valores mais básicos.
Gustave Le Bon fez um excelente estudo sobre psicologia das massas, e seu livro The Crowd se tornou um clássico. Nele, Le Bon nos mostra como a lógica não faz parte de formações de massas, e sabemos como a lógica é fundamental para nossa sobrevivência. O intelecto que uma massa assume precisa ser o intelecto do ser mais simples do grupo. Vários crimes foram cometidos através da psicologia de massas, pois o indivíduo adquire a sensação de invencibilidade e perde a razão quando participa de um movimento contagiante desses. As massas "pensam" com a emoção, e o indivíduo pensa através do cérebro. O nacionalismo cego é um grande movimento de massas.
O que é uma nação? Será que somente por uma divisão geográfica, normalmente fruto de algum acordo ou guerra, temos que nos sentir mais próximos deste grupo? Será que alguém do Sul deve se sentir tão próximo de alguém no Acre? Geografia, língua, nada disso deveria ser critério relevante para forte sentimento de grupo. Devemos lutar por nossos valores, e em seguida admirar aqueles que compartilham dos mesmos valores. Não é olhando no mapa que formo meus valores e escolho minhas amizades. É conhecendo seus valores individuais.
Na prática, o nacionalismo xenófobo sempre foi usado para a defesa de interesses de um grupo. Não vamos esquecer que o nazismo é a mistura do nacionalismo com o socialismo. No fundo, são ideologias coletivistas que transformam os indivíduos em meios sacrificáveis. A nação não deve ser um fim colocado acima dos indivíduos. A melhor forma de combater essa xenofobia, que infelizmente aumenta em tempos de crise econômica, é defender as liberdades individuais, independente da raça, nacionalidade, credo ou renda. Einstein chamou o nacionalismo de “doença infantil da humanidade”. Seria saudável se as pessoas trocassem o nacionalismo xenófobo pelo respeito ao indivíduo.
Autor: Rodrigo Constantino
0 comentários:
Postar um comentário