domingo, 18 de janeiro de 2009

Padre abençoa o ritual da Lavagem

Desde que inventaram a ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana), as pessoas são censuradas, proibidas ou reprimidas em suas manifestações sagradas. Não poderia ser diferente, pois existe uma enorme distância entre a crença popular e a crença clerical.
Pois bem, como de costume popular, aconteceu o Ritual da Lavagem da Escadaria do Bonfim, uma cerimônia onde comparecem diversas pessoas praticantes da umbanda, do candomblé, do catolicismo. Esse ano foi diferente:
Pela primeira vez em 254 anos de história, um representante da Igreja Católica vai abençoar os participantes da Lavagem do Bonfim, que ocorre nesta quinta-feira, 15, em Salvador. Quem garante é o padre Edson, vigário da Paróquia de Nosso Senhor do Bonfim. Segundo ele, os fieis que chegarem ao adro da igreja serão abençoados e poderão ouvir algumas palavras “para alimentar a alma”. O pároco afirmou que a iniciativa foi tomada por uma questão de “sensibilidade pastoral”. [A Tarde]
Eu esperava que fosse encontrar algum texto cheio de ódio e preconceito de algum pastor evangélico, mas eis que encontro de um católico:
Certamente esse gesto foi muito apreciado como forma de “diálogo” entre os credos, como forma de acolhimento das diversas culturas religiosas. As portas fechadas têm um significado didático: a Igreja não se abre aos cultos de falsos deuses! Eles estão fora da Igreja, no mundo secular (simbolizado pela rua). A Igreja, com as portas abertas, tem o mesmo significado, só que invertido, ou melhor, pervertido. A Igreja recebe e abençoa esse culto, tudo em nome do “amor fraterno” e do “diálogo inter-religioso”.[Danilo Augusto]
Muito embora a Umbanda e o Candomblé tenham suas raízes nos cultos dos africanos que para cá foram trazidos, eles podem ser considerados Mesopagãos, uma vez que assimilou imagens, práticas e crenças do Catolicismo em voga. Em muitos sentidos, ambas as religões estão em uma região transitória entre o Paganismo e o Cristianismo. O Cristianismo deve muito do seu sucesso ao sincretismo e ao ecumenismo, muito embora tente negar suas raízes vindas do Paganismo Clássico.
As pessoas estão tão cansadas de ouvir um padre ou pastor, em sua arrogância, dizer como e de que forma expressar suas crenças que é mais do que normal elas procurarem por alternativas e eu acho isso saudável desde que a mistura não cause danos psicológicos, nem favoreça ao aparecimento de cultos da personalidade.
Enquanto se está buscando, a experimentação é livre, mas ao optar por um caminho, deve-se conhecê-lo e prezar seus princípios, não simplesmente inventar algo para satisfazer nossos gostos pessoais e dar a isto o nome de algum caminho, pois quem faz isto mente para si mesmo e para os outros. Mais do que serem sinceras e dedicadas, as pessoas devem permitir às demias pessoas a mesma libredade, desde que haja o mesmo respeito às religiões e às diversas opções, sem distorcer nem ocultar ambas.
O principal objetivo ao se optar por uma religião é obter a serenidade e a paz de espírito. Abusos e fruades devem ser combatidas, mas ações de intolerância, discriminação e preconceito são sinais de que ou a pesssoa ou a religião que ela optou não estão cumprindo com seus objetivos.

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