Um dos grandes obstáculos dentro do Wicca e mesmo entre outras Doutrinas Esotéricas é a presença dos aldrabões e impostores esotéricos. Esta classe de bruxos instantâneos, conseguem transformar a mente de uma pobre criatura inculta, numa farsa mascarada de uma estranha sapiência cheia de cultura literária cor-de-rosa. Incrível, é também o farto surgimento de supostos Altos Sacerdotes que não apresentam qualquer tipo de iniciação, apenas uma vasta lista de literatura de qualidade depressiva, tal como textos plagiados de verdadeiros Sacerdotes ou, na pior das hipóteses, plagiados de outros pseudo Sacerdotes.
Hoje em dia, este problema resume-se com uma simples e pequena frase que, na minha opinião pessoal, resume toda esta problemática: Os Mestres wannabe.
Agora, levanta-se outra questão: Porque será que caiem determinados estudantes de Wicca na garra deste tipo de impostores? A reposta é bastante elementar e será dada ao longo deste pequeno capítulo.
Todos nós, pelo menos uma grande parte, passámos por um período instável a nível de sabedoria esotérica. O que o acontece é que é necessária a máxima exactidão na escolha de livros e pessoas em confiar. No inicio da nossa busca, aonde vamos a uma pequena livraria, um pouco acanhados, ou por outro lado, com um ar bastante superior aos que nos rodeiam, procuramos na secção de esoterismo alguns livros esotéricos e tudo o que apresente belos pentagramas na capa e que diga Wicca. Reunimos então alguns exemplares e levamo-los para casa para um estudo frenético. Nesta situação, a qual o leitor se deve estar a reconhecer, devemos dissecar o que esta atitude acabou por ser. Terá sido intelectualmente um erro?
Quando compramos um livro sobre Wicca, não podemos comprá-lo como um livro de culinária. Na maioria das livrarias apenas encontramos a gama de livros de baixa qualidade (dentro do Wicca), onde nomes como Cunningham, Garcia Baptista e Paulo Coelho parecem-nos, pela sua bela capa e pelo atraente preço de custo, a escolha mais acertada. Este dia, que aconteceu e acontece diversas vezes a diversas pessoas, apenas serve para a criação e surgimento de mais uma camada de Wiccans e futuros Mestres Wannabe.
Autor: Michael du Lucifer
A massa não está preparada para a grande transformação que a bruxaria exige: a de ser auto - suficiente, a de preencher-se da Força de seus Deuses e renunciar aos conceitos religiosos que herdamos de nossa sociedade para abraçar uma força ancestral muito maior e transformar sua vida. Isso é muito difícil, é um trabalho de autobusca e autoconhecimento enorme, que a maioria não faz ou finge que faz (mas acaba demonstrando em suas atitudes diárias que não se livra daquilo que está por demais enraizado pelo cristianismo ou qualquer outra coisa cultural).
Por outro lado o charlatanismo existe e sempre existiu: na bruxaria e em todo o meio esotérico, todas as religiões, profissões... E não vai deixar de existir nunca. E a massa despreparada, cujo senso crítico é ditado pela mídia, surge em rebanhos atrás dos “mestres” coroados pelas aparições em veículos de massa, e estes com o ego e a vaidade de qualquer mortal, infla-se e faz-se de guia para as ovelhinhas e nem um nem outro chega a lugar nenhum.
A conseqüência é que assim a bruxaria sai das sombras, mas cai no ridículo, no banal, no teatral. Curso de verão de druidismo, curso de verão de bruxaria em quatro horas (e esses não são exemplos hipotéticos não viu), pelos Deuses, o que os Antigos diriam? A Arte e seus mistérios não se tornaram uma coisa rápida e simples de ser passada por causa de nossa falta de tempo corriqueira não. Nós é que temos que adequar nosso tempo para o demorado e trabalhoso estudo da Arte e não é a Arte que tem que ser resumida a esses ridículos cursos de poções e de montagem de altar sem nenhum embasamento para suprir nossa falta de tempo não. Não sou contra cursos não, sou contra ambulatório wicca, contra “consultas” de bruxaria, contra cursos rápidos, como se isso fosse possível, contra druidismo via correio, isso é um absurdo. A essência da magia, do paganismo, da bruxaria dilui nas bocas de falsos bruxos e falsos poderosos que procuram “coisas diferentes” para suas vidas e encontram essa “aventura ansiada” no caminho da bruxaria sem, porém, jamais se aprofundar, jamais sair das garras de professores sem escrúpulos, de seus livros sem estudo ou profundidade e de toda a espessa névoa fétida que se forma para garantir a disseminação de mentiras e propagação da Grande Arte como uma forma muito divertida e sem esforços de se ganhar prestígio e dinheiro.
Proliferam-se as psedo-bruxas por conta de pequenos e singelos fatos como esses, que passam despercebidos por aqueles que comemoram entrevistas de sumo-sacerdotes no Jô e reflitamos sem demagogias: bruxaria não é religião de massa, nunca foi e pelos Meus Deuses Celtas jamais será, se quisermos que ela tenha um futuro. Se quisermos ensiná-las aos nossos filhos.
Não precisamos da aceitação pública, da exposição na mídia e sequer poder do Estado nem seu reconhecimento para nos certificarmos da veracidade de nosso Caminho. Nossa religião não é mensurável, não é tangível a certificados, carteirinhas, diplomas, ofícios, esses ISOs não validarão nenhuma pessoas e nenhuma religião a nada. É uma alienação, uma insanidade. Que me importa se a bruxaria tem ou não registro? Para praticarmos a Arte, a revelia de cristãos e evangélicos e preconceituosos em geral, basta, se necessário for, nos valermos da nossa constituição federal que nos fornece liberdade religiosa.
Autor: Lornnah Carmel
Advertência: Qualquer semelhança ou insinuação a qualquer um dos indivíduos que aparecem aos montes como 'especialistas', 'mestres' e 'sacerdotes' da Wicca NÃO é mera coincidência.
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